sábado, 16 de fevereiro de 2019

Vinhos em família (XCIV) : 1 branco e 2 tintos de respeito

Mais 4 vinhos (1 branco e 3 tintos) bebidos em casa, em contexto familiar, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
E eles foram:
.Qtª da Pellada Primus 2015 - 94 pontos no Parker, Top 30 da Grandes Escolhas e Prémio Excelência da RV; com base em vinhas velhas com predominância da casta Encruzado, estagiou 2 anos em garrafa; aroma intenso e complexo, citrinos e fruta de caroço, notas florais, equilibrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Um dos grandes brancos produzidos em Portugal. Nota 18,5.
.Qtª do Vallado Reserva 2011 - 96 pontos na Wine Spectator e 94 no Parker; com base em vinhas velhas com mais de 80 anos, estagiou 18 meses em meias pipas de carvalho francês; ainda com muita fruta vermelha, boa acidez, especiado, taninos bem presentes mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
.Outrora Baga Clássico 2011 - 92 pontos na Wine Enthusiast; com base na casta Baga (100 %) em vinhas velhas, estagiou 2 anos em barricas de carvalho; ainda com muita fruta preta, acidez equilibrada, algo especiado, taninos afirmativos, algum volume e final de boca persistente (14 % vol.). Merece decantação. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 17,5+.
.Qtª da Romaneira 2012 - 91 pontos na Wine Spectator e 92 na Wine Enthusiast; com base nas castas Touriga Nacional (75 %), Touriga Franca (15 %) e Tinto Cão (10 %), estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês; ainda com muita fruta vermelha, alguma acidez, ligeiramente especiado, taninos algo bicudos, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Mais espaços de restauração : Legaaal e Bistrô du Consulat

1.Legaaal 3,5 *
Fica na Rua da Rosa, 237 e pratica uma interessante cozinha afrancesada. Mesas despojadas, guardanapos de papel, espaço informal com mesas e cadeiras desencontradas e muito desconfortável nesta altura do ano (a enorme porta da rua esteve sempre escancarada, se calhar para deixar sair o cheiro a tabaco, muito presente quando eu cheguei).
Ementa muito reduzida e presente numa mera ardósia. Antes de vir o prato que escolhi, um bife de atum, ofereceram-me uma bela sopa acompanhada do magnífico pão da Gleba. O atum também estava francamente saboroso, podendo eu concluir pela qualidade da cozinha do Legaaal.
Quanto à componente vínica, a lista é confusa, tendo inventariado 2 espumantes, 34 brancos, 2 rosés, 36 tintos e 11 vinhos do Porto, sem qualquer indicação de vinhos a copo, mas com os anos de colheita presentes. Tinha lido na Time Out que este restaurante tinha 200 referências e todas a copo! Uma afirmação leviana, pois a oferta não chega a 100 vinhos e é omissa quanto à possibilidade de se beber a copo.
Perante a minha insistência, o dono que almoçava na mesa do lado, indicou 2 ou 3 vinhos que se podiam provar a copo. Optei pelo Vicentino Syrah 2016 (3,50 €) - com muita fruta presente, alguma acidez, taninos, volume e final de boca assinaláveis. Uma boa surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e a uma temperatura nos limites ( o armário térmico estava a 17/18º). Serviço eficiente e cordial.

2.Bistrô Le Consulat - 2,5 *
Fica na Praça Luis de Camões, 22 (1º andar) e é o último espaço de restauração do chefe André Magalhães, agora autointitulado de "taberneiro". Sala acolhedora, mesas com um toalhete (?) de ráfia e guardanapos de papel. Na ementa constam 7 entradas, 5 pratos, 4 acompanhamentos e 3 sobremesas, para além das tábuas de queijos e enchidos.
Escolhi o arroz de polvo, que afinal era um arroz com polvo e ovos mexidos (!), um prato nada tradicional mas que estava bem saboroso.
Quanto à componente vínica, inventariei 3 espumantes, 5 brancos, 3 rosés e 6 tintos, todos a copo. A lista, além de curta, tinha falhas e não indicava os anos de colheita.
Optei pelo Vallado 3 Melros 2016 (5,50 €, uma exorbitância) - com fruta vermelha, alguma acidez, taninos suaves, algum volume e final de boca persistente. Elegante e consistente. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado aprovar num bom copo. No entanto a temperatura estava acima do razoável. Perante o meu reparo, a empregada, muito simpaticamente, prontificou-se a mergulhar a garrafa em água e gelo. Só quando veio a comida é que serviu o vinho que já estava a uma temperatura adequada.
Não há desculpas para esta falha num dos espaços do conceituado chefe. Mais, no wine bar ao fundo da sala não vislumbrei qualquer máquina térmica para controlo das temperaturas dos tintos. Incompreensível!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Curtas (CVIII) : a festa da Paixão pelo Vinho, Donna Taça, Adega & Sabores, vinho quente e um espumante inqualificável

1.A "Paixão pelo Vinho" no Beato
É a 3ª revista especializada, após a Revista de Vinhos (na última 6ª feira) e a Grandes Escolhas (na próxima 6ª feira), a organizar a festa anual de distribuição de prémios na área do vinho.
O evento será no dia 2 de Março, entre as 17 e as 23 h, no Beatus (Marvila), no decorrer do qual haverá Conversas com Enólogos, para além da referida cerimónia da distribuição de prémios.

2.Donna Taça (Rua do Telhal,48)
É um wine bar aberto em finais do ano passado que apostou em vinhos de pequenos produtores e não só. Para acompanhar, apenas tapas.
A Time Out, com algum exagero, referiu haver ali "mais de 1000 rótulos de vinhos de pequenos produtores que dificilmente (se) encontra noutro lugar". Refere, ainda, a articulista "O Donna Taça é o bar perfeito para se tornar um enólogo" (!?). Não queria dizer um enófilo? Santa ignorância...

3.Adega & Sabores de Portugal (Rua Coelho da Rocha,94)
É um pequeno espaço gourmet, mas com uma boa oferta de vinhos, queijos, charcutaria, compotas e, ainda, uma cuidada selecção de cervejas artesanais. Já abriu há algum tempo, mas só agora e por um mero acaso a descobri.

4.Vinho quente na Time Out
A Time Out, no seu nº de 30 de Janeiro, publicita o vinho quente à venda no seu Quiosque do Cais, uma pretensa moda importada do Norte da Europa. Andamos nós, os enófilos militantes, a bater-nos pela correcta temperatura de serviço dos vinhos e somos atropelados por estes senhores que vêm em contramão.
Já noutra ocasião me tinha insurgido contra tal malfeitoria, na crónica "Vinho quente a copo?", publicada em 17/3/2011, que suscitou a ira dos ofendidos.

5.Espumante inqualificável no Vila Galé de Tavira
Vi e não queria acreditar. O Hotel Vila Galé de Tavira tem à disposição dos clientes com pequeno almoço, um espumante meio seco que dá pelo sugestivo nome "Nuvens Douradas", proveniente de Espanha e sem direito a região demarcada nem ano de colheita! Preço de venda ao público, em alguns distribuidores: 1,95 €!
E tem o grupo Vila Galé, no seu portefólio vínico, um espumante, o Casa de Santa Vitória. Francamente! 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Grupo FJF (7ª sessão) : vinhos de eleição e um fortificado surpreendente

O grupo original (Frederico, João e Francisco) reuniu, uma vez mais, no Magano. Os vinhos foram provados com o rótulo à vista:
.Gouvyas Reserva 2015 branco (garrafa levada por mim) - enologia de Luis Soares Duarte, com base em vinhas velhas; nariz contido, citrinos e fruta madura, bom equilibrio entre a acidez e a gordura, barrica bem casada, volume notável e final de boca assinalável (13,5 % vol.). Complexo e gastronómico. Um bom regresso desta prestigiada marca que andava desaparecida. Nota 18.
Este branco maridou com as entradas (queijo fresco, peixinhos da horta, alheira e empadinhas) e 2 sopas (de cação e de tomate).
.Carvalhas 2013 (levada pelo João) - com base na casta Tinta Francisca em vinhas velhas; fruta vermelha bem presente, alguma acidez e notas especiadas, taninos civilizados, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Elegante e bem comportado, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 17,5.
.Pai Abel 2013 (levada pelo Frederico) - nariz intenso, notas de fruta preta, acidez equilibrada, algo especiado, volume e final de boca notáveis (13,5 % vol.). Envolvente e a impor-se naturalmente, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
Estes 2 tintos harmonizaram com um bife da vazia maturada.
.Moscatel da Madeira garrafeira particular 1865 (levada pelo João) - presença de frutos secos e casca de laranja, notas de iodo, acidez incrivel, algum volume e final de boca interminável. Nota 19.
Este fortificado acompanhou alguma doçaria conventual.
Mais uma grande sessão vínica, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Janeiro 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 18 crónicas publicadas, destaco estas 4:

."2010 : na hora do balanço (I)", em 2/1
O meu TOP 10 de brancos, tintos e fortificados provados ao longo de 2010, mas apenas a partir de 19 de Março, data da minha 1ª crónica, com destaque para:
.a casta Alvarinho nos brancos
.os tintos do Douro
.a casta Bual nos fortificados
Moral da história: os meus gostos mantêm-se...

."2010 : na hora do balanço (II)", em 2/1
O meu TOP 10 restaurantes, dos quais apenas 3 ainda existem (Sabores d' Itália, Tasca da Esquina e Tomba Lobos).
Moral da história: dou azar aos espaços de restauração...

."Um desabafo 5 anos depois", em 17/1
A proposta para uma exposição de artes plásticas (com o tema: o vinho e a vinha) e o convite para o jantar comemorativo do 10º aniversário das "Coisas do Arco do Vinho", endereçados ao Presidente do CCB, ficaram sem resposta.
Moral da história: o presidente foi mal educado...

."A Herdade das Servas e a Blogosfera", em 22/1
Que eu me lembre e tenha participado, a Herdade das Servas foi o 1º produtor a pôr a blogosfera no mesmo nível da crítica especializada de vinhos. Foram 9 os blogues presentes (registo aqui aqueles que ainda funcionam regularmente: Comer Beber Lazer, O Vinho em Folha e este Enófilo Militante) e convidados mais alguns que não puderam estar presentes.
Moral da história: nenhum ou que cada um faça o seu...

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Grupo dos 6 (14ª sessão) : um Terrantez com a nota máxima

Esta 14ª sessão do Grupo dos 6 decorreu no Via Graça que, mais uma vez, brilhou na cozinha (chefe Hugo) e na sala (escanção Zacarias). Com os rótulos à vista desfilaram:
.Tirado a Ferros 2015 (garrafa nº 181/560 !, levada pelo Frederico) - um Dão produzido e elaborado pelo jovem Pimentel Pereira; com base nas castas tradicionais, estagiou 24 meses em barricas de carvalho francês; nariz discreto, fresco e mineral, elegante e complexo, volume e final de boca médios (13 % vol.). Uma bela surpresa. Nota 17,5.
.Vinha do Contador 2013 (levada pelo J. Rosa) - 92 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Encruzado, Malvasia e Cercial, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês; aroma mais exuberante que o anterior, bom equilibrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Nota 17,5.
Estes 2 brancos acompanharam o couvert e uma bela cabeça de garoupa no forno.
.Qtª da Leda 2011 (levada pelo Juca) - ainda com muita fruta, alguma acidez, especiado, taninos firmes e civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18+.
.Vinha Pan 2011 (levada por mim) - Prémio Excelência 2015, atribuído pela antiga Revista de Vinhos; com base na casta Baga, foram produzidas 2426 garrafas; aromas e sabores terciários, algo evoluido, acidez no ponto, taninos de veludo, algum volume e final de boca muito longo. Fresco e elegante (13 % vol.). A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18,5.
.93 Anos de História 2011 (garrafa nº 216/1193, levada pelo João) - com base na casta Touriga Nacional (100 %), estagiou 12 meses em pipas de carvalho francês; ainda com fruta, notas florais, alguma acidez, taninos dóceis, algum volume e final de boca (14 % vol.). A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
Estes tintos vieram para a mesa ainda com a garoupa presente, tendo a melhor harmonização sido com o Vinha Pan. Depois acompanharam bem um ensopado de cabrito.
.Blandy Terrantez 1975 (engarrafada em 2004, levada pelo Adelino) - notas de frutos secos, caril e iodo, vinagrinho bem presente, Algum volume e final de boca interminável. Complexo e sofisticado, a Madeira no seu melhor. Nota 19,5.
Este fortificado de eleição acompanhou sobremesas diversas.
Foi uma grande sessão de convívio, comeres e com os vinhos a portarem-se todos muito bem, nomeadamente o fortificado a merecer-me a nota mais alta da minha escala (19,5).

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Mais espaços de restauração : Cacué e Rice Me

1.Cacué - 3 *
Inspirado na Time Out (4 estrelas, atribuídas pelo crítico Alfredo Lacerda) e no blogue Joli, que lhe teceram elogios, fui conhecer o Cacué (R. Tomás Ribeiro, 93 às Picoas). Mesas despojadas, guardanapos de papel e sala algo desconfortável nesta altura do ano.
Quanto à gastronomia estamos todos de acordo. A lista é alongada, com uma série de entradas, pratos e petiscos, embora uns tantos não estivessem disponíveis no dia da minha visita. Fui literalmente empurrado para umas deliciosas lulinhas à Algarvia e não tive oportunidade para provar outras coisas, que ficarão para uma próxima visita.
Quanto à componente vínica, a oferta é razoável e os anos de colheita constam na carta, uma mais valia deste espaço se comparado com a maioria dos restaurantes que conheço.
Optei por um copo do branco Castelo d' Alba Bio 2017 - fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, volume e final médios. Muito elegante. Nota 16,5.
Só que o vinho já veio servido (!?) num copo e quantidade aceitáveis, mas para ver a garrafa tive que pedir que ma mostrassem. E, com isto, borraram a pintura!

2.Rice Me - 3,5 *
O Rice Me (R. Carlos Testa, ao Corte Inglês), depois do encerramento do Bagos Chiado, onde pontificava o Henrique Mouro, é agora o único espaço de restauração que conheço centrado no arroz, oferecendo 13 alternativas, 9 de arroz arroz e 6 de massa de arroz.
Tem, diariamente, um menu executivo a 9,90 €, com direito a um prato (diferente ao longo da semana) e a uma bebida. No dia em que visitei este espaço, o prato do dia era  "arroz nero di sépia" com choco, saboroso mas em quantidade reduzida.
Quanto à componente vínica inventariei 5 brancos, 1 rosé, 4 tintos e 1 Porto, todos a copo. No entanto, a lista omite quase todas as datas de colheita, mas inclui a descrição de cada vinho e uma proposta de harmonização com a comida.
Optei por um branco alentejano, o Vale do Luar Chardonnay 2016 - alguma fruta de caroço, acidez discreta, notas amanteigadas, final de boca curto. Correcto, mas sem grandes rasgos. Nota 16.
A garrafa veio à mesa, mas não foi dado a provar. Servida uma quantidade normal num copo razoável.
Serviço atencioso e despachado.