terça-feira, 22 de Julho de 2014

Vinhos de Altitude - Workshop

1.Fui convidado pela Revista de Vinhos, na qualidade de bloguista, para participar neste worshop sobre Vinhos de Altitude, que teve lugar em Vila Nova de Tazém, no passado dia 18. Os participantes eram, na sua maioria, produtores na Região do Dão, a que se juntaram alguns órgãos de comunicação social e responsáveis de garrafeiras. Quanto à blogosfera apenas o TWA (Hugo Mendes), Mesa do Chefe (Raul Lufinha) e Enófilo Militante (eu próprio). Vi mais alguns mas que não estavam nessa qualidade, um como jornalista  outros na área da produção. Confesso que esperava encontrar muitos mais. O que teria acontecido? Não foram convidados ou não puderam estar presentes?
2.O tema do worshop, moderado pelo Luis Lopes, Director da Revista de Vinhos, era Vinhos de Altitude, tendo participado activamente o João Paulo Gouveia (Viticultura de altitude na Região do Dão), Rui Madeira (O planalto da Beira Interior), Rui Reguinga (Serra de Portalegre, um Alentejo diferente), Celso Pereira (O planalto de Ailjó), Alvaro de Castro (As encostas da Estrela) e Dirk Niepoort (Frescura dos Altos: Douro, Dão e mais além).
3.As várias exposições, com excepção da do João Paulo Gouveia, foram acompanhadas com prova de vinhos:
.1 espumante (Quanta Terra 2007)
.11 brancos (Beyra Quartz 2011 e 2012, Beyra Superior 2011, Terrenus 2011 e 2013, Vértice 2012, Terra a Terra Reserva 2012, Quanta Terra Grande Reserva 2012, Qtª Saes 2010, Tiara 2012 e Goldtröpfchen 2012, um Riesling da Região de Mosel feito pelo Dirk)
.8 tintos (Beyra Biológico 2012, Pedra Basta 2010, Terrenus 2010, Qtª Pellada Jaen 2010, Qtª Pellada 2013, Dente de Ouro 2013, Turris 2012, o novo topo de gama da Niepoort (?) e Dão Conciso Tonel 4 2012, uma recente aposta do Dirk no Dão).
4.De um modo geral, tanto os brancos como os tintos, apresentaram-se muito frescos e elegantes, com uma acidez bem presente mas equilibrada, em contraponto com um estilo de vinhos pastosos, robustos, mas chatos na boca, ausentes deste workshop.
Ficaram-me na memória os brancos Beyra Quartz Superior 2011, Terrenus 2011, Vértice 2012, Quanta Terra 2012 e o Mosel do Dirk. Quanto aos tintos, alguns ainda em construção, apenas posso destacar o Pedra Basta 2010 e o Dão do Dirk.
5.A politização do Workshop
Foi com a maior surpresa que constatei, a meio do debate, a entrada sorrateira de 4 senhores de fato e gravata, em contraste flagrante com os participantes vestidos muito à vontade, alguns até em calções. Logo que o debate terminou, não perderam tempo e entraram de imediato no uso da palavra. Falaram o presidente da Junta, o presidente da Câmara e o Secretário de Estado. Francamente, não havia necessidade este aproveitamento político...
As gentes do vinho, produtores, enólogos, jornalistas ou simples enófilos, não mereciam esta "golpada"!

O blogue está de regresso

Regressado de férias, vou retomar as minhas crónicas, iniciando-as com as minhas impressões do Workshop Vinhos de Altitude, a que se seguirá o rescaldo das ditas (férias).

sábado, 12 de Julho de 2014

Almoço com Vinhos da Madeira (13ª sessão) : não esquecendo o Soalheiro

Mais uma grande sessão com este núcleo duro dos Vinhos da Madeira, que tem estendido a sua militância aos alvarinhos Soalheiro. Este último encontro foi em Porto Covo, "chez" Natalina e Modesto, que nos ofereceram a gastronomia e os vinhos de mesa, ultrapassando até o nível de qualidade já demonstrado em sessões anteriores, o que pode ser recordado nas crónicas "Generosos de século XIX à prova em Porto Covo" e "Almoço com Vinhos da Madeira (9ª sessão) : o regresso a Porto Covo", publicadas em 31/7/2012 e 11/6/2013.
As entradas (casquinha de sapateira e cogumelos recheados) foram acompanhadas com uma magnum de Soalheiro 2011, pleno de equilibrio entre a acidez, a gordura e o volume de boca. Nota 17,5+. Curiosamente, para o meu gosto, esteve acima do 1ª Vinhas 2012, também em versão magnum, que fez companhia a uma belíssima canja de garoupa com ameijoas. Mais fresco e elegante que o anterior, precisa de tempo para mostrar a sua maior complexidade. Nota 17,5. Mais: o Reserva 2012, já no final do repasto, apagou-se no confronto com um excelente Serra amanteigado (oferta do Adelino), ao ser provado demasiado novo. Há que esperar...
Como é tradição da nossa parte, provámos um Madeira depois da canja e antes do prato de carne. Faz uma boa limpeza do palato e ajuda a aquecer os "motores". Coube esta missão ao Artur Barros e Sousa Terrantez 1981 (engarrafado em 2012 e saído da minha garrafeira). Bonita côr âmbar, cristalino, frutos secos, boa acidez, algum iodo, um toque salgado, volume acentuado e final longo. Nota 18,5. Parece anedota, mas a rolha vinha com tampa, como se fosse um tawny!? Coisas dos antigos proprietários...
Seguiu-se um prato de carne de porco com ameijoas que se fez acompanhar por uma dupla magnum de Vallado Reserva 2011 - exuberante e complexo, especiado, notas de chocolate, taninos vigorosos, volume e final extenso. Um grande representante da colheita 2011. Nota 18,5+.
Com a tábua de queijos, avançaram 2 Porto Vintage 1970, Ferreira e Niepoort (da garrafeira do Adelino), tendo o Ferreira (17,5+), para o meu gosto, ficado acima do Niepoort (17). Às cegas, não diria que estava a provar Vintage, mas sim tawnies com alguma idade. Maridaram bem com os ditos queijos.
Com as pinhoadas dos anfitriões e as sobremesas da Carlota e da Paula, avançaram:
.Artur Barros e Sousa Boal Reserva Velha (engarrafado em 2009 e trazido pelo Alfredo) - vinagrinho, notas de caril e iodo, volume médio e final longo. Nota 18.
.Borges Malvasia + de 40 Anos (garrafa nº 828 de 1000, sem data de engarrafamento visível e trazida pelo J.Rosa) - grande complexidade, notas de iodo, caril e brandy, acidez equilibrada, estrutura e final interminável. Um grande Madeira e uma boa surpresa vinda da Borges. O vinho da tarde! Nota 19.
Os Vinhos da Madeira de qualidade têm vindo a subir de preço na origem e há quem nos acuse de sermos os responsáveis, tal a promoção que lhes temos feito "pro bonno".
Em conclusão, foi uma tarde inesquecível graças aos anfitriões, bem acompanhados pelo resto do grupo.
Obrigado Natalina. Obrigado Modesto!


quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Curtas (XXXIV)

1.Lavradores de Feitoria e a Blogosfera
Estive há pouco mais de 1 semana numa apresentação e prova de alguns vinhos brancos dos Lavradores de Feitoria (LF), evento que ocorreu no Wine Bar & Terrace do Memmo Alfama Hotel, na Travessa das Merceeiras, um sítio de Lisboa que desconhecia. Mas, só pela vista do Tejo, vale a pena lá ir.
O convite para a Imprensa incluiu a Blogosfera. Foi mais um produtor que não se esqueceu que a crítica de vinhos não se esgota nos meios de comunicação social, especializados ou não.
A prova foi orientada pela Olga Martins, administradora e directora comercial dos LF, e pelo responsável da enologia, Paulo Ruão de seu nome. Foram-nos dado a provar o Três Bagos 2013, Sauvignon 2013, Rui Paula Riesling 2012 e o Colheita Tardia 2010.
Concentremo-nos neste último, uma novidade absoluta dos LF neste tipo de vinhos - com base na casta Sémillon (100%), vindimada em dezembro; presença de citrinos, notas de mel, alguma acidez e gordura, equilibrio e harmonia, volume de boca e final longo. Nota 18. Belíssima estreia, com apenas 700 produzidas e um PVP recomendado de 12 €. É comprar antes que esgote.
Mudando de assunto, já conheço a Olga há uns anos largos, tendo-a encontrado, pela primeira vez, no papel de estagiária da Niepoort. E foi o Dirk que nos apresentou. A partir daí, a Olga tem tido uma carreira fulgurante e assumido, desde muito nova, grandes responsabilidades. Recentemente foi a vencedora do Prémio Máxima Mulher de Negócios - Executiva do Ano 2013. A despropósito, é casada com o Jorge Moreira. Para quando um vinho feito pelos dois?
2.O Mundo Dos Vinhos
Um dos últimos episódios foi dedicado ao Vinho do Porto, tendo o autor passado pelo The Yeatman, Taylor's, Qtª do Crasto e Qtª Nova N.Srª do Carmo. Como é habitual provou alguns Vintage às cegas, tendo seleccionado 2, mas só descodificou um deles, o da Taylor's.
Acabou por perder tempo com a visita a um pequeno produtor, que vende uvas a uma das empresas de Vinho do Porto, mas que também faz um Porto caseiro (a avaliar pelas expressões do apresentador, devia ser uma boa zurrapa). Era escusado este folclore.
3.Casa de Pasto
Continua com uma gastronomia de alta qualidade e a crítica que lhe fiz em "Curtas (XXVI)" ponto "2.Casa de Pasto revisitada", publicada em 25/3/2014, não caíu em saco roto. Já têm, finalmente, copos novos!
Os enófilos exigentes já lá podem ir.


sexta-feira, 4 de Julho de 2014

A Copo : os critérios insondáveis da Vini Portugal (II)

...continuando...
2.Estado D' Alma Bar & Bistro (Rua da Junqueira, 61)
A lista de vinhos à garrafa contempla 3 espumantes/champanhes, 13 brancos, 40 tintos e 2 rosés, com indicação das castas que os compõem e a preços acessíveis. Quanto aos vinhos a copo, ficamos a saber, através da leitura de uma ardósia, que estão disponíveis 2 brancos  e 7 tintos (preços entre 2,50 € e 4 €, o que é aceitável). Lista algo desequilibrada (apenas 1 tinto do Douro!) e sem indicação dos anos de colheita.
Solicitei o Assobio, o único representante do Douro, mas para azar meu, já não havia (de salientar que, após o meu pedido, se apressaram a actualizar a ardósia, pois também os 2 brancos tinham acabado). Em seu lugar, sugeriram-me um equivalente, o Fraga da Galhofa 2010 - frutos vermelhos, acidez equilibrada, alguma rusticidade, taninos presentes, volume médio, bom final de boca; gastronómico. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar (vi levar, para outra mesa, um copo já servido!). Foi servida uma quantidade generosa a olho, num copo com alguma qualidade, mas com o logotipo do produtor Adega Mãe, que nem sequer constava na lista a copo, o que não faz qualquer sentido. Pior: o vinho vinha à temperatura ambiente, o que foi, posteriormente, compensado com uma manga em redor do copo.
Este espaço, que faz parte da garrafeira com o mesmo nome, ostenta um diploma de "Serviço de Qualidade", atribuído em 2012. Francamente!
3.Cinco Sabores (Rua Rodrigues Sampaio, 94)
Embora conste na base de dados da Vini Portugal, este restaurante já não existe. No mesmo espaço está um outro. A Vini Portugal deveria ter o cuidado de manter actualizada a lista dos restaurantes classificados. Por exemplo, ainda consta o Bocca, encerrado há mais de 1 ano! Francamente!
4.Populi
Depois do que disse sobre o serviço de vinho a copo deste restaurante na crónica "Cartão amarelo à ViniPortugal", publicada em 14/12/2013, e que mereceu um extenso comentário do respectivo Director de Marketing, tinha alguma curiosidade em saber se as deficiências apontadas tinham sido corrigidas.
Está rigorosamente na mesma, apesar de continuar a ostentar um autocolante de "Excelência"!
Bebi um copo do rosé Barranco Longo 2013 - nariz austero, notas florais, boa acidez, alguma gordura e volume de boca; muito gastronómico, pode acompanhar uma refeição de uma ponta a outra. O melhor rosé que conheço (não era por acaso que ficava sempre em 1º lugar nos painéis de prova cega para rosés, organizados pelas CAV). Nota 17.
Nesta última visita o copo, mais uma vez, já vinha servido, tendo a garrafa vindo à mesa a meu pedido, para saber qual o ano de colheita, omitido na lista de vinhos do Populi. Francamente!
5.Conclusão
Apesar de meritória esta iniciativa da Vini Portugal, seria necessário um maior rigor na atribuição dos diplomas. Nos casos aqui citados, os espaços referidos não são merecedores dos diplomas que lhes foram atribuídos. É, simplesmente, a minha opinião.

quinta-feira, 3 de Julho de 2014

A Copo : os critérios insondáveis da Vini Portugal (I)

Há diversas maneiras de se escolher um espaço de restauração, ou pela sua fama, ou por "dicas" de familiares ou amigos, ou pela leitura da crítica especializada, ou ainda pelo nome do chefe. Mas há ainda outra, aplicável aos enófilos, que é a qualidade do serviço a copo. Mas como se obtém esta informação? Pode ser pela leitura do guia "Boa Cama Boa Mesa", que o Expresso edita anualmente, com base nas classificações da Vini Portugal, ou consultando a página desta instituição em www.acopo.com.pt.
Segundo a Vini Portugal, o serviço a copo de cada espaço é classificado de 1 a 5, tendo por base os seguintes parâmetros: lista a copo (30%), copos (25%), temperatura (25%), serviço (10%) e aconselhamento (10%). Daqui pode resultar a atribuição de um diploma de "Excelência" para classificações de 4,5 a 5 ou de "Serviço de Qualidade" de 3 a 4,4.
Foi o que fiz e vou partilhar com os seguidores deste blogue.
1.Néctar Wine Bar (Rua dos Douradores,33)
A lista de vinhos, à garrafa ou a copo, sem anos de colheita, é demasiado confusa, sem discriminar as referências. Por exemplo, para vinhos a copo refere: Alvarinhos 7,50 €, outros Vinhos Verdes 5 €, Rosés 7,50 €, da casa 3 €, Normal 5 €, Reservas 10 a 25 € e Grande Escolha 20 €! Que grande confusão! Para escolher o vinho tive que me levantar e acompanhar a empregada que ia indicando as garrafas, que estavam nas prateleiras, consideradas Normal!
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar num bom copo, uma quantidade generosa, servida a olho, à temperatura ambiente, ou seja claramente acima do recomendável. Acabei por perceber que este Wine Bar não investiu em armários térmicos. O serviço foi esforçado e simpático, mas não chega.
Bebi um copo do tinto Paulo Laureano Clássico 2009 (5 €) - aroma intenso, muita fruta vermelha, alguma acidez, guloso, taninos macios, volume e final médios. Nota 16,5. Embora excessivamente caro, cumpriu bem a sua função.
Voltando à lista de vinhos, verifiquei que o preçário era alto, com algumas garrafas a preços escandalosos. Por exemplo, Duorum a 35 €, Planalto Reserva a 30 €, Dory Reserva tinto a 45 €, Dory branco a 30 € e EA a 20 €! Um verdadeiro assalto à mão armada!
Para "ajudar", este espaço não aceitava cartões de crédito, nem débito. Só cash!
Reparei que o Néctar ostenta um diploma de "Excelência", atribuído pela Vini Portugal em 2011. Francamente!
Continua...

terça-feira, 1 de Julho de 2014

O Mercado da Ribeira (reformulado) : os comeres (III)

Comecei estas crónicas sobre o Mercado da Ribeira pela Marlene Vieira, mas hoje concentro-me no Vitor Claro. Curiosamente, são os únicos chefes que encontro no Mercado, sempre que lá passo. Conheci o Vitor Claro, em princípio de carreira, no Pica no Chão. Muito mais tarde, reencontrei-o na Malhadinha, onde almoçámos com um grupo de clientes e amigos das CAV, no decorrer de uma incursão vínica pelo Alentejo.
Numa 1ª visita ao "Vitor Claro cozinha de chefe", optei pela degustação de "bijous" (cada 2,90 €; 3 por 7,80 €). Escolhi a patanisca de bacalhau do menú "Vista de Mar" (também havia escabeche com peixinhos do dia, salmão fumado artesanal e lombo de sardinha fresca) e, ainda, a bochecha de porco assada e iscas à portuguesa do menú "Vista de Terra" (outras: club bijou e peixinhos da horta). O trio de bijous, muito bem temperados e agradáveis ao palato, acompanhado por uma ração de batata rústica, fica em 9 €, um bom preço para um almoço confortável (os bijous são servidos em pão, o que pode embuchar, se não forem bem regados). Acompanhei com um copo de vinho tinto Vila Santa, cujo lote foi feito por mim, conforme já referi em crónica anterior.
Para uma refeição mais requintada e mais cara, pode optar-se por roastbeef com foi gras fresco, filete de peixe com creme de sapateira e salsicha artesanal com manteiga de trufa (cada 4,95 € e o trio 12,95 €).
A fechar esta 1ª visita, um belíssimo pastel de nata e café na banca da pastelaria Aloma (2 €).
Numa 2ª visita, decidi-me por um dos 6 "Pratos com exclamação!" (8,70 €), um excelente pica pau de atum, acompanhado pelas batatas rústicas já minhas conhecidas (total 9,90 €). O almoço foi acompanhado por um copo do branco Esporão Reserva 2013, também já referido na crónica sobre os beberes.
A fechar a refeição, um brigadeiro e café na banca "Erva" (2,50 €).
Antes de abandonar o Mercado é obrigatório passar pela "Croqueteria" e levar uns tantos croquetes para o jantar (1,50 € cada). Excelentes o "tradicional de carne" e o "alheira de caça e grelos", bons o "atum com tomate seco" e o "bacalhau e chouriço", complicado o "choco com tinta".
E, ainda, ficou muito para ver, comer e beber.