terça-feira, 3 de março de 2015

À atenção dos militantes do bacalhau

Depois de me ter referido, em termos elogiosos, à Casa do Bacalhau (Rua do Grilo,54), nas crónicas "Grupo dos 3 (39ª sessão) : sinfonia de bacalhau" e "Jantar Qtª das Bageiras", publicadas em 13/5/2014 e 12/6/2014, respectivamente, fui "descobrir" o clássico restaurante Laurentina (Av. Conde Valbom, 71 A), que tem como sub-título "o Rei do Bacalhau".
É mais um espaço recomendável para os militantes do dito, com uma cozinha segura, mas sem arriscar, como é o caso da Casa do Bacalhau com as suas línguas à Bolhão Pato ou a feijoada de samos, por exemplo.
Experimentei o bacalhau lascado com grelos, uma dose avantajada que me soube muito bem. Sala cheia a deitar por fora, confortável, serviço correcto mas distante.
Quanto a vinhos, a lista é alargada, não esquecendo uma dezena a copo. Todos datados, o que é de louvar. Optei por um copo do tinto Castelo d' Alba Reserva 2013 (3,50 €, um bom preço) - cheio de juventude, muita fruta, especiado, alguma acidez e volume de boca. Há que esperar mais alguns anos, para poder dar o seu melhor. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e servida uma boa quantidade num copo adequado, embora a temperatura estivesse no limite do aceitável.
Recomendo este espaço para quem goste do fiel amigo, mas é melhor marcar ou chegar cedo, para ter direito a mesa.

domingo, 1 de março de 2015

Almoçar no Lisboète

Por sugestão dos donos do Sabores d' Itália, fui conhecer este novo restaurante que abriu recentemente no lugar do Alma (Calçada Marquês de Abrantes, 94). É um espaço bonito, repousante e acolhedor que conservou as tonalidades brancas do seu antecessor. Serviço requintado, profissional e, também, simpático. Mesas bem aparelhadas, embora os copos não sejam os meus preferidos.
Os donos são um francês, o chefe Walter Blazevic, responsável pelos tachos, e sua mulher, a portuguesíssima Mariana Monte, a dirigir o serviço na sala. Cinco estrelas para cada um deles!
De 3ª a 6ª feira (encerra 2ª feira), o Lisboète disponibiliza um menú perfeitamente acessível, custando 15 € com direito a entrada, prato e sobremesa ou 12,50 € apenas o prato e mais uma referência (a entrada ou a sobremesa). Ao jantar, obviamente, os preços são mais elevados.
Na minha primeira visita, comi aveludado de couve lombarda e chouriço, polvo à Lisboète e sericaia com ameixas, figos e gelado de baunilha. Tudo com elevada qualidade.
Quanto a vinhos, a lista não é muito alargada, mas bem seleccionada e não esquecendo os anos de colheita, o que não acontece na maioria dos restaurantes que conheço.
Inventariei 2 espumantes (2 a copo), 3 champanhes, 15 Brancos (3), 19 tintos (3), 2 rosés, 1 colheita tardia, 4 Portos (4) e 2 Moscateis (2). A ausência de Madeiras, segundo me informaram, será colmatada em breve.
Optei por um copo de CARM Reserva 2013 - frutado, aromático, presença de citrinos, fresco, mineral e elegante, volume médio e final curto. Nota 16,5+. Acompanhou bem a refeição.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
Gostei francamente deste espaço e recomendo-o. Ainda não é conhecido (só assim se explica que tivessemos sido os únicos clientes no dia em que lá fomos), mas merece ser divulgado.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Vinhos em família e não só (LX) : esperar é preciso...

Mais 4 vinhos (3 tintos e um colheita tardia) provados em família ou com amigos, a darem muito boa conta de si. Comparados com outras garrafas das mesmas marcas, provadas por mim, noutras situações e pouco tempo depois de terem saído para o mercado, vieram confirmar que não deve haver pressa em consumir estes néctares, situados numa gama alta de qualidade. O tempo em garrafa só lhes faz bem.
1.Em família
.Qtª do Crasto Vinha da Ponte 2007 - aroma complexo, especiado, notas de tabaco e chocolate preto, acidez equilibrada, taninos firmes, grande volume de boca e final muito longo. Divinal! Prevejo-lhe uma apreciável longevidade, podendo ser bebido, por quem ainda o tiver, nos próximos 8 a 10 anos! Nota 19 (noutras situações 18,5/18).
.Qtª do Mouro Rótulo Dourado 2007 - ainda muito jóvem, muita fruta presente, boa acidez, notas de lagar, taninos musculados mas não agressivos, apreciável volume e extenso final de boca. Teve o azar de ter sido provado em paralelo com o Vinha da Ponte. Nota 18 (noutra 18,5).
.Grandjó Late Harvest 2008 - exclusivamente baseado em uvas da casta Semillon, afectadas pelo fungo botrytis cinerea; nariz exuberante, presença de citrinos, acidez no ponto, gordura evidente, volume e final de boca de boa dimensão. Todo ele muito equilibrado, bebê-lo em copo Riedel Sauterne fez a diferença. Nota 17,5+ (noutra 16,5+).
2.Com amigos, no restaurante da Associação 25 de Abril
.Pintas 2007 - ainda com muita juventude e fruta, fresco, acidez equilibrada, especiado, notas de chocolate, volume assinalável e final de boca muito longo. Ainda muito longe da reforma, pode ser bebido nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5 (noutra 17,5+).

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Mercado da Ribeira : Monte Mar

Continuando a poisar nas segundas linhas, depois de ter passado pelos 5 chefes principais, vou abordar as minhas visitas ao espaço do Monte Mar - peixe e marisco do Guincho, que também já aderiu à louvável moda do disco electrónico, que se destina avisar os clientes que o repasto está pronto.
Numa 1ª vez escolhi o prato do dia (ou da semana? ou do mês?), uma dose avantajada de arroz de polvo com gambas, correcto mas sem fazer subir aos céus.
Para acompanhar este prato, optei por um copo do branco Terras d' Alter 2013 (2,50 €) - com base nas castas Síria, Arinto e Viognier; muito frutado, fresco e mineral, acidez no ponto, volume médio, mas final curto. Agradável, mas sem justificar a Medalha de Ouro obtida no Concurso Mundial de Bruxelas 2014. Nota 16.
A garrafa foi mostrada, o vinho não foi dado a provar, tendo sido servida uma quantidade generosa.
Numa outra visita, provei o creme de marisco (muito melhor que a dita sopa rica de peixe, aliás bem pobre, servida ali ao lado, no espaço do Sea Me) e um belíssimo recheio de sapateira, sem excesso de gordura, servido com pão torrado.
O vinho fui buscá-lo ao Bar da Odete, tendo escolhido o Muros Antigos Alvarinho 2013 (4 €) - aroma intenso, notas tropicais, presença de citrinos, boa acidez, elegância, alguma gordura e volume, bom final de boca. Nota 17.
A garrafa foi mostrada, o vinho dado a provar e servida uma quantidade generosa. Harmonizou bem com a comida.
Ainda houve espaço para uma sobremesa, uma óptima mousse de chocolate negro com medronho, obtida no espaço da Cozinha da Felicidade, já aqui anteriormente comentado.
Finalmente, o mercado continua desconfortável, nesta altura do ano, mas apesar disto, verifiquei uma presença significativa  de turistas, mas também dos indesejáveis pombos do Cais Sodré!
A terminar, o espaço do Vitor Claro está encerrado, mas o Miguel Laffan ainda não entrou.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Curtas (LII) : PRW, O Púcaro e Varanda Castilho

1.Portugal Restaurant Week (PRW)
Mais uma edição do PRW, com a semana de 19 a 25 de Fevereiro exclusiva para clientes Millennium, desde que paguem com um cartão daquela entidade bancária, e o periodo de 26 de Fevereiro a 8 de Março acessível ao povão.
Desta vez os restaurantes mais badalados e os hotéis não se chegaram à frente. A excepção foi o Eleven mas, logo que o programa foi difundido, apareceu com a indicação de "esgotado"!? E esta, hem?
2.O Púcaro
Este simpático restaurante é o último da Estrada do Guincho, sem vistas para o mar e já a caminho da serra. Tem a grande vantagem de se poder comer peixe a 35 € o quilo, enquanto que na maioria da concorrência (a excepção será o Mar do Inferno) o preço do peixe dispara para 60 €!
Comi lá um belíssimo arroz de garoupa (22 € para 2 pessoas, o que é barato). Quanto a vinhos, o panorama não é muito entusiasmante, estando a oferta a copo reduzida ao da casa.
Optei por meia garrafa do Deu-la-Deu Alvarinho 2013 (13 €) - aromático, frutado, elegante, acidez equilibrada; demasiado simples, sem a complexidade do Soalheiro ou dos vinhos do Anselmo Mendes. Nota 16.
Quiseram-me servir este branco em irritantes flutes (moda na restauração?), mas recusei.
3.Varanda da União
O restaurante Varanda da União, que também dá pelo nome de Varanda Castilho, fica no 7º andar da Rua Castilho,14 C, com uma vista deslumbrante para a cidade.
De 2ª a 6ª feira tem o menú do dia: por 12,50 €   tem-se direito a couver, sopa, prato (à escolha entre peixe e carne), sobremesa, café e bebida. A refeição, mais que completa e com direito àquela vista, é baratíssima.
Sala confortável, serviço eficiente, rápido e simpático, toalha de pano, mas guardanapo de papel a contrastar.
Bebi um copo do tinto da casa, Cave nº7 Adega das Mouras 2013 - muito frutado, macio e envolvente, na força da juventude, guloso e redondo, acidez nos mínimos, volume médio e final curto. Acompanhou bem uma feijoada à transmontana. Nota 15,5.
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa. Só faltou o controlo da temperatura, pois a mesma era a da sala, logo acima do recomendado.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Curtas (LI) : livros, mercados, cozido e cabrito

1.Cada garrafa conta uma história
Dos 5 livros mencionados em Curtas (XLVI), para a época natalícia, comprei e li de imediato "Cada garrafa conta uma história" da jornalista Ana Sofia Fonseca (edição "a esfera dos livros"). Desta autora já tinha lido "Barca Velha histórias de um vinho", editado em 2004 pela Dom Quixote, uma obra bem documentada, que contou com o apoio das famílias Olazabal e Nicolau de Almeida.
Este último livro é menos ambicioso, mais ligeiro e lê-se de um fôlego. É um "fait divers" que nos conta que o Domingos Soares Franco já pesou 120 quilos, o João Portugal Ramos é daltónico, o Manuel Vieira considera o Madeira o melhor vinho do mundo (tem bom gosto, digo eu), o António Braga, antigo enólogo da CARM e agora na Sogrape, pertenceu ao Grupo de Forcados Amadores de Santarém e o Cristiano van Zeller praticava râguebi desde os 9 anos e fez segurança nos comícios do CDS, na altura do PREC.  
2.Mercado do CCB
O Mercado do CCB, já aqui referido mais de uma vez e do qual sou um cliente militante, funciona no 1ºdomingo de cada mês. Nele se podem encontrar produtos da terra, queijos, enchidos, azeites, compotas, chutneys, empadas, etc, tudo de elevada qualidade.
É lá que costumo comprar coelho vilão, cogumelos em conserva, chutney de cebola (todos com a marca Doces da Paulinha), mel (sr.Mel do António Cavalheiro), azeite virgem extra São Mamede (Coop. Agricola do Concelho de Portalegre) e outros produtos.
3.O cozido na Associação 25 de Abril
No restaurante "com-Tradição", gerido pelo chefe Pedro Honório e a funcionar na A25A, come-se um dos melhores cozidos da capital, ultrapassando o da Casa da Mó, do qual era cliente. A refeição completa (couver, prato, sobremesa, café e bebida) custa 15 €, no caso do prato ser o cozido, o que acontece todas as quintas-feiras, ou 13 € para os pratos alternativos. Na última visita, devidamente autorizado pelo chefe, levei uma garrafa de Pintas 2007 que acompanhou muito bem o cozido. Deste vinho falarei num próximo "Vinhos em Família".
O restaurante é público, não sendo necessário ser-se sócio para o frequentar. Recomendo-o vivamente.
4.Cabrito no Descobre
O cabritinho no forno é o prato das segundas feiras no restaurante mercearia Descobre (Rua Bartolomeu Dias). É excelente, custa 13,50 € e esgota rapidamente.
Também o recomendo vivamente!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Saber ou não saber...pegar no copo

Alguns actuais ou ex responsáveis políticos fizeram uma triste figura, exibindo o seu desconhecimento das mais elementares regras de estar em público como, por exemplo, o saber pegar no copo. Alguns, mesmo, chegaram ao extremo de nem sequer pegar no copo, emborcando directamente da garrafa.
Para quem já não se lembre, sugiro que revisita as minhas crónicas:
.22/3/2010 - "Saber pegar no copo", estando em causa o Armando Vara e alguns dignitários angolanos;
.9/6/2010 - "Procura-se assessor de vinhos para a Presidência da República. Assunto urgente.", sendo, obviamente, o visado o inquilino do Palácio de Belém;
.14/5/2014 - "Os espumantes na campanha eleitoral : ignorância e boçalidade", sendo os boçais os deputados Paulo Rangel e Nuno Melo e o ignorante o deputado Francisco Assis.
Recentemente, no Primeiro Caderno do Expresso, publicado no dia 7 deste mês, aparece uma fotografia do António Costa (actual presidente da CML e futuro 1º Ministro), de copo na mão segurado correctamente pelo pé, com a sugestiva legenda "Costa e Nabeiro, em Campo Maior. Brindando ao futuro?".
Contrastando com os políticos atrás citados, o António Costa fez o trabalho de casa e ficou bem na fotografia.