quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Grupo dos 6 (19ª sessão) : mais 2 fortificados estratosféricos

Este grupo de enófilos da linha dura regressou ao Magano, para mais uma jornada com vinhos de eleição, sendo de inteira justiça destacar os 2 fortificados (1 Porto e 1 Madeira) que todos nós levaríamos para a tal ilha deserta. Comida, harmonizações, copos, temperaturas e serviço à altura dos acontecimentos.
Desfilaram:
.Poço do Lobo Arinto 1994 (levado por mim) - 92 pontos no Parker; oxidação nobre, fruta madura, notas florais, acidez bem presente, algum amanteigado, volume e final de boca consideráveis (11,5 % vol.). Uma ligação perfeita para queijos, com um ligeiro toque de rolha que rapidamente desapareceu e não o prejudicou. Nota 18.
.Principal Grande Reserva 2011 (levado pelo Frederico) - 90 pontos no Parker e 1º classificado no TOP 10 vinhos portugueses (brancos), resultante de um painel internacional organizado pela Revista de Vinhos; muito fresco e mineral, presença de citrinos, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca de referir (13 % vol.). Fino elegante. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos acompanharam as entradas habituais e filetes de peixe galo com arroz de coentros.
.Casa da Passarella Vinhas Velhas 2008 (levado pelo Juca) - ainda com muita fruta, acidez no ponto, notas especiadas, chocolate preto, taninos civilizados, volume considerável e final de boca muito longo (13,5 % vol.). Complexo e elegante, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Quanta Terra Inteiro 2008 (levado pelo Frederico) - alguma fruta e acidez, notas vegetais, especiado, taninos de veludo, volume e final de boca notáveis (14 % vol.). Melhor do que uma outra garrafa provada no principio deste ano *, mas sem atingir os céus. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
.Dona Maria Reserva 2008 (levado pelo João) - com base nas castas Alicante Bouschet (50 %), Petit Verdot e Syrah, estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; ainda com fruta, acidez nos mínimos, algum especiado, bom volume e final de boca adocicado. No ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
Estes 3 tintos maridaram com um cabrito e batatas no forno e arroz de miúdos.
Finalmente os 2 fortificados levados pelo Adelino, dos quais não tomei quaisquer notas, limitando-me a usufruí-los com o maior dos respeitos:
.Porto Tordiz Ultra Reserva (com mais ou menos 80 anos). Nota 18,5+.
Provado com pastéis de amêndoa do Vimieiro.
.Artur Barros e Sousa Muito Velho Bual 1946. Nota 19.
Provado com tarte de amêndoas.
Mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes.

* ver crónica "Grupo dos 3 (65ª sessão) : 2 surpresas e 1 desilusão", publicada em 24/2/2019.

domingo, 10 de novembro de 2019

Vinhos em família (XCVIII) : 1 tinto de respeito e 3 brancos fora dos radares

Mais 4 vinhos provados em casa, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega:
.Guyot 2016 (Douro) - enologia de Morais Vaz e Olazabal Ferreira; com base nas castas Rabigato, Códega do Larinho, Síria e Malvasia Fina em vinhas velhas, 40 % do lote estagiou 9 meses em barricas usadas; presença de citrinos, algum mineral, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca médios (11,5 % vol.). Fresco e discreto. Nota 17.
.Alto do Joa 2016 (V. R. Trás-os-Montes) - enologia de Jorge Afonso; com base em vinhas centenárias, é um vinho de curtimenta tendo estagiado 18 meses em barricas usadas de carvalho francês; cor carregada, alguma oxidação nobre, notas florais e de fruta de caroço, acidez viva e algum amanteigado, volume notável e final de boca médio (13,5 % vol.). Um branco contra a corrente a harmonizar bem com queijos. Nota 17,5.
.Baías e Enseadas Reserva Arinto 2017 (V. R. Lisboa) - enologia de Daniel Afonso; estagiou 1 ano em barricas usadas; evoluido na cor, presença de citrinos e fruta de caroço, notas salinas, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca assinaláveis (14 % vol.). Fresco e gastronómico. Nota 17,5+.
.Duas Quintas Reserva 2011 - enologia de João Nicolau de Almeida; com base nas castas Touriga Nacional (60 %), Touriga Franca (30 %) e Tinta da Barca (10 %), estagiou 18 meses em pipas de carvalho novo e 1 ano na garrafa; aroma intenso e muito fino, presença de frutos vermelhos, boa acidez, notas achocolatadas, especiado, taninos firmes e civilizados, volume e final de boca notáveis(14,5 % vol.). Muito elegante e harmonioso, a beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18,5.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Jantar Rui Cunha

Este último evento vínico, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, decorreu nas suas próprias instalações para uma vintena de privilegiados. Temperaturas correctas, bons copos e comida, fornecida pela Churrasqueira das Avenidas, à altura dos acontecimentos. Serviço de vinhos a cargo dos donos. Na mesa, 2 belíssimos azeites (Covela e Quinta da Boa-Vista).
O tema era uma vertical de Covela Escolha brancos em garrafa magnum e Quinta da Boavista Reserva tintos, todos devidamente apresentados pelo Rui Cunha, o enólogo responsável pelos vinhos destas 2 quintas.
Desfilaram:
.Covela Avesso Reserva 2018 - nariz e presença de citrinos intensa, acidez muito acentuada, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
Este vinho branco de boas vindas fez companhia ao couvert (azeite, pão, tostas e queijo).
.Covela Escolha 2016 - aroma com alguma complexidade, presença de citrinos e alguma fruta de caroço, acidez equilibrada, volume médio e final de boca com alguma persistência. Nota 16,5+.
.Covela Escolha 2015 - perfil semelhante ao anterior, mas mais fresco e mineral. Nota 17.
.Covela Escolha 2014 - mais complexo que os anteriores, muita fruta, acidez bem presente, volume e final de boca assinaláveis. Para mim, o grande vencedor desta vertical. Nota 17,5+.
.Covela Escolha 2013 - algumas semelhanças com o 2014, mas menos complexo. Nota 17,5.
Estes brancos harmonizaram com um delicioso atum braseado.
.Boa-Vista Reserva 2016 - muita fruta vermelha, alguma acidez, taninos delicados, volume e final de boca médios. Precisa de mais tempo em garrafa. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 16,5+.
.Boa-Vista Reserva 2015 - também muito frutado, notas vegetais, algo especiado, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 17,5.
.Boa-Vista Reserva 2014 - perfil algo semelhante ao anterior, mas mais complexo e inclusivo, com os taninos mais presentes, mais volume e final de boca mais longo. Para mim, o grande vencedor desta vertical, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Boa-Vista Reserva 2013 - não estava previsto entrar nesta prova; perfil algo semelhante ao anterior, mas menos intenso e complexo. Nota 17,5.
Estes tintos casaram bem com um saboroso borrego no forno e batata assada.
.Porto Qtª das Tecedeiras Tawny Reserve - muito frutado, alguma acidez, taninos dóceis, algum volume e final de boca persistente. Agradável, mas sem entusiasmar. Nota 16,5.
Este fortificado acompanhou um bolo de chocolate e noz.
No final do repasto ainda foi servida uma aguardente Covela que apenas cheirei.
Foram 2 provas muito didácticas, a comprovar que os vinhos destes patamares, sejam tintos ou brancos, precisam de tempo para se mostrarem.
Nota à margem deste jantar: tive a oportunidade de, em conversa com o Rui Cunha, lembrar os vinhos Campo Ardosa, dos quais ele foi o responsável pela enologia, e que foram na altura dos mais vendidos nas Coisas do Arco do Vinho. Quem ainda se lembra destes tintos já desaparecidos?

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Outubro 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 16 crónicas publicadas no decorrer de Outubro 2011, selecciono estas 4:

."O grupo do Raul (10ª sessão)"
Um almoço inesquecível no restaurante Colunas com vinhos do enófilo Raul Matos. Provados às cegas 12 (doze!) tintos da colheita 2003 da sua garrafeira numa surpreendente e desconcertante prova. Algumas confirmações, mas também algumas desilusões.

."Almoço no Gspot Gastronomia"
Um almoço num pequeno espaço em Sintra que me deixou saudades, com o Manuel Moreira (o mentor do projecto) na sala e o João Sá nos tachos. Comia-se bem e em conta.

."Evento Wine Bloggers na José Maria da Fonseca (JMF)"
Um encontro exclusivo com os responsáveis de 15 blogues, alguns já encerrados, organizado por uma grande empresa produtora de vinhos, que percebeu a importância da blogosfera.
Presentes o Domingos (6ª geração da família Soares Franco), responsável pela enologia e que partilhou connosco algumas das experiências que tem feito na JMF e, ainda, a Sofia (7ª geração) responsável pelo marketing da casa.

."O último evento das CAV : 2 anos depois"
Recordando o último encontro vínico, que foi um almoço, cujos protagonistas foram os "Douro Boys", uns grandes senhores do mundo do vinho que fizeram questão em estar presentes.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Curtas (CXVI) : Decante, GEVS 2019, Paixão pela Cerveja e Torricado

1.Provar vinhos com a Decante
A convite da distribuidora Decante, para mim aquela que tem o melhor portefólio de vinhos portugueses, passei pelo Hotel Dom Pedro, provei alguns vinhos (poucos) e revi alguns produtores e enólogos que muito prezo (Andrea Tavares da Silva, António Luis Cerdeira, Filipa Pato, Jorge Serôdio Borges, Maria Castro, Rui Cunha e Susana Esteban, entre outros).

2.Provar Vinhos com a Grandes Escolhas
Fui um dos 18000 visitantes da Grandes Escolhas Vinhos & Sabores 2019, que decorreu de 25 a 28 de Outubro na FIL, mas só lá estive na 2ª feira, o dia supostamente mais calmo, destinado aos profissionais e convidados da organização.
Em anos anteriores tenho começado por provar brancos, numa primeira volta, tintos numa segunda e, quando me disponho a provar fortificados, já tenho o nariz e o palato anestesiados.
Neste ano alterei a minha metodologia de prova, começando com alguns brancos até à hora de ir almoçar, e continuar com os fortificados até à hora do fecho. Foi só usufruir de Madeiras, Tawnies de Idade, Colheitas e Moscatéis.
Entre provas ia dando dois dedos de conversa com produtores, enólogos, distribuidores e clientes e amigos dos meus tempos das Coisas do Arco do Vinho.
Resta dizer que fiz parte do painel "Escolha da Imprensa" que reuniu uns dias antes para provar os vinhos candidatos a serem premiados. A prova foi rigorosamente às cegas e passaram pela minha mesa, durante a manhã, 5 espumantes, 12 brancos, 18 tintos e 4 fortificados.
Depois do almoço ainda provámos os 3 finalistas nas categorias espumante, branco e tinto, ou seja, mais 9 vinhos num total de 48 vinhos em poucas horas. Resultado: andei uns dias a beber apenas água!

3.Paixão pela Cerveja
A Revista Paixão pela Cerveja vai organizar no Lisbon Marriott Hotel, em Lisboa (Av. dos Combatentes, 45), o evento "Paixão pela Cerveja Awards & Beer Party" que decorrerá no dia 16 de Novembro (das 16 às 22 h). Estarão presentes cervejeiros nacionais e estrangeiros (só marcas à venda em Portugal) que se habilitarão aos prémios "Excelência" e "Prestígio", como resultado das classificações a atribuir em prova cega.
Só é pena não ter sido divulgada a constituição deste painel.

4.Sabores do Campo à Mesa
A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira vai patrocinar um mês (Novembro) dedicado ao tema "Torricado com Bacalhau Assado", em 26 restaurantes aderentes no concelho.
Mais informações em www.cm-vfxira.pt.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Bastardo revisitado - 4 *

Há já 5 anos que não punha os pés neste restaurante, sobre o qual publiquei em 2/10/2014 a crónica "Bastardo : um rol de irreverências". Das irreverências ali enunciadas, continuam as figuras à entrada insultando-se uma à outra, os toalhetes de papel e pouco mais. A equipa mudou toda e para melhor.
Para além dos toalhetes de papel, os guardanapos são de pano e a música não estava muito alta.
Do menu, com algumas propostas interessantes, veio para a mesa, com 50 % de desconto (à conta do programa The Fork Fest que termina no dia 2 de Novembro):
.couvert (um delicioso e surpreendente pão de cerveja e malte feito na casa e, ainda, manteigas de cabra e de vaca)
.osso buco com polenta, puré de batata doce e legumes salteados
.café Nespresso
Quanto à componente vínica, inventariei 1 champanhe, 3 espumantes (2 a copo), 12 brancos (4), 3 rosés (1), 16 tintos (5), 6 Portos, 2 Madeiras e 1 Moscatel, sem anos de colheita e quase tudo a preços altos.
Não têm cerveja artesanal, mas disponibilizam a semi-artesanal 1927.
Optei por um copo do tinto Qtª São Jerónimo Syrah 2017 (5 €, um exagero pois a garrafa no mercado custa menos!) - nariz intenso, muito frutado, alguma acidez, notas achocolatadas, taninos de veludo, bom volume e final de boca médio. Uma grande surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa, dada a provar num bom copo Riedel (uauh!) a uma temperatura correcta e servida uma quantidade generosa.
Serviço feminil despachado, profissional e simpático.
Recomendo e tenciono voltar.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Novo Formato+ (36ª sessão) : quando o menos pontuado leva um 18

Esta última sessão deste grupo de enófilos, foi da minha responsabilidade. Escolhemos ( a Bety e eu) o restaurante Lugar Marcado como se fosse a nossa casa (no passado era a Enoteca de Belém) e foi ali que recebemos os nossos amigos. A Fátima na sala e a Sandra nos tachos trataram muito bem de nós.
Os vinhos (2 brancos 2015, 3 tintos 2011, 1 Vintage e 1 Madeira) sairam todos da minha garrafeira e, com excepção dos 2 fortificados, foram provados às cegas.
Desfilaram:
.Artur Barros e Sousa Verdelho 1983 - presença de frutos secos e algum citrino, notas de iodo e caril, vinagrinho acentuado, taninos bem presentes, volume considerável e final de boca seco e muito longo. A Madeira no seu melhor. Nota 19.
Serviu, acompanhado de frutos secos, de bebida de boas vindas. Voltou à mesa no final, para fechar o repasto.
.Soalheiro Alvarinho Reserva  - 18 pontos na Grandes Escolhas; mais exuberante, volumoso e complexo que o outro branco (13 % vol.). Nota 18,5.
Ligou melhor com as chamuças de bacalhau e as lulas.
.Parcela Única Alvarinho - 19 pontos na Grandes Escolhas; mais discreto, fresco e elegante que o anterior (12,5 % vol.). Nota 18.
Ligou melhor com o berbigão.
.Chryseia - 97 pontos na Wine Spectator; nariz intenso, ainda com fruta, muito fresco, acidez presente, especiado, taninos civilizados, boa estrutura e final de boca muito persistente. Para mim a grande surpresa deste confronto, a beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 19.
.Qtª Vale Meão - 97 pontos na Wine Spectator; ainda com muita fruta preta, acidez discreta, especiarias bem presentes, notas de chocolate, taninos civilizados, volume e final de boca consideráveis. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
.Pintas - 98 pontos na Wine Spectator; ainda com muita fruta vermelha, acidez equilibrada, guloso, especiado, taninos de veludo, estrutura e final de boca de assinalar. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
Estes 3 tintos harmonizaram com um prato de presas de porco com milho frito e couve salteada.
.Porto Fonseca Vintage 1997 - 95 pontos na Wine Spectator; ainda com muita fruta, muita doçura, acidez discreta, notas de chocolate preto, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18.
Este fortificado acompanhou uma tábua de queijos.
No final, a encerrar este memorável evento, o Madeira voltou à mesa em companhia de bolo rançoso.
Grande sessão de convívio, comeres, beberes e um serviço à altura dos acontecimentos.
Embora esteja a ser juiz em causa própria, não é corrente provar uma gama de vinhos como estes, em que a nota mais baixa foi 18!