quinta-feira, 25 de maio de 2017

Provar vinhos com a Adega Cooperativa da Vidigueira

1.Introdução
Por convite da Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba & Alvito (ACV), tive a oportunidade de provar uma série de vinhos VDG (1 espumante e 7 brancos) e, ainda, 2 tintos e 1 licoroso, a maioria posta no mercado muito recentemente. A prova, seguida de almoço, decorreu no restaurante Espelho de Água, bem junto ao Tejo.
A ACV fez-se representar por uns tantos elementos da direcção e não só, tendo a prova sido orientada pelo enólogo da casa, Luis Leão de seu nome, já meu conhecido dos tempos da Herdade do Pinheiro, onde ele ainda colabora. Segundo percebi, de cada um dos monocastas apresentados foram produzidas 3333 garrafas, ao preço recomendado de venda ao público entre os 7 e os 8 €.
Quanto aos participantes, percebi que a blogosfera estava representada, bem como alguma imprensa especializada e generalista. Lamentavelmente, foi-me prometido que me enviariam a respectiva listagem, sem que o tivessem feito até esta data. Mas já me habituei a promessas não cumpridas.
Uma nota simpática: aos participantes foi-lhes oferecida 1 garrafa de Vidigueira Antão Vaz, acompanhada por uma manga e um saca-rolhas. Os meus agradecimentos.
2.A prova dos primeiros vinhos
Foram provados os primeiros VDG (1 espumante e 3 brancos) na varanda exterior ao restaurante, sem um mínimo de condições, debaixo de um calor insuportável que nem os chapéus de sol conseguiram amenizar. Era deveras complicado segurar o copo numa mão, a caneta e o caderno na outra, já não falando na necessidade de uma mão extra para pegar nos canapés que iam passando.
O espumante, fresco e com notas de pão cozido, era da colheita de 2015 e funcionou bem como bebida de boas vindas.
Seguiram-se os monocastas brancos de 2016, a saber: Vermentino (uma casta italiana, com uma desagradável componente vegetal que não traz nenhum valor acrescentado, antes pelo contário; nota 14,5), Verdelho (o branco vencedor deste primeiro confronto, muito equilibrado entre a fruta e a acidez, notas amanteigadas e um perfil deveras gastronómico; 16,5+) e Viognier (fresco com um toque tropical; 16).
3.O almoço e prova dos restantes vinhos
Com a entrada (salada de verduras e queijo fresco) foram provados:
.Antão Vaz - notas tropicais, fruta madura e algum vegetal, boa acidez, volume consistente e alguma persistência; gastronómico, ficaria melhor com o prato de peixe. Nota 16,5+.
.Alvarinho - presença de citrinos e fruta tropical, notas vegetais, volume e final de boca médios; também não traz nenhum valor acrescentado ao Alentejo, pois esta casta perde muito, se retirada do seu berço. Nota 15.
Com o prato de peixe (lombo de bacalhau com crosta de azeitona preta):
.Chardonnay - fruta madura, notas tropicais e amanteigadas, volume e final de boca apreciáveis. Gastronómico, ligou bem com o lombo de bacalhau. Nota 16,5.
.Arinto - presença de citrinos e notas vegetais, bela acidez, sofisticado e longevo, vai melhorar nos próximos 2/3 anos. Não ligou com o bacalhau, iria melhor com a salada. Nota 16,5+.
Com o prato de carne (entrecôte com esmagada de batata):
.Grande Escolha 2014 - com base nas castas Trincadeira e Alicante Bouschet, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano; aroma intenso, muita fruta vermelha, bela acidez, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final de boca. Muito harmonioso, tem uma relação preço (7,50)/qualidade excepcional. Foi o vinho que mais me encantou. Nota 17,5.
.Reserva 2015 - com base na casta Syrah, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, muita fruta vermelha, acidez bem equilibrada, volume e final de boca médios, precisa de mais algum tempo para se mostrar. Nota 16,5.
Estes 2 tintos chegaram à mesa quentes, o que é indesculpável. Alertado o enólogo, as garrafas foram rapidamente refrigeradas. Não havia necessidade...
Com a sobremesa (creme de queijo e natas com compota de goiaba):
.Licoroso 2013 - com base nas castas Trincadeira e Tinta Grossa; presença de fruta preta, taninos redondos, doçura apreciável, volume e final médios. Nota 15,5.


terça-feira, 23 de maio de 2017

Pigmeu : uma original e agradável "porcaria"

Movido pela curiosidade fui conhecer o Pigmeu (Rua 4 de Infantaria, 68), um original espaço de restauração, exclusivamente dedicado ao porco, cuja ementa contempla 9 petiscos da estação, 4 sandes, 5 acompanhamentos e 4 de garfo e faca.
Nesta minha 1ª visita fiquei-me pelos petiscos, tendo escolhido "tibornas de porco com tomate", "croquetes de bochecha de porco bísaro" e "rabinhos de porco com molho agridoce". Tudo provado e aprovado.
A contrastar, a componente vínica é fraca. Sem lista de vinhos, referiram-me 2 ou 3 a copo, estando os tintos à temperatura ambiente. Uma desgraça!
Optei, então, pela cerveja artesanal "Lx Beer", modalidade "Rye Ipa" (uma das quatro existentes), a portar-se muito bem. Um desabafo: cada vez gosto mais das artesanais e menos das industriais.
Sempre que possível, marco o restaurante  através da plataforma The Fork. Assim vou acumulando pontos e, ao fim de 10 reservas, fico com um crédito de 10 € para descontar num dos diversos restaurantes aderentes.
Foi o caso do Pigmeu, onde constatei à chegada, agradavelmente surpreendido, ter a mesa marcada com o meu nome numa ardósia onde se podia ler "de tudo um porco...". A boa disposição e sentido de humor abunda por ali, podendo ler-se numa das paredes "Porco em construção".
Falta dizer que as mesas se limitam a toalhete e guardanapo de papel e a música, embora a meu gosto, estava demasiado alta. Quanto ao serviço, considero-o rápido, prestável e deveras simpático.
Aconselho o Pigmeu e tenciono voltar.

sábado, 20 de maio de 2017

Jantar Qtª do Noval

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, cabendo o protagonismo à Qtª do Noval, aqui representada pela Rute Monteiro, directora de marketing e comercial, relações públicas, enfim um pouco de tudo. Já era minha conhecida dos tempos das Coisas do Arco do Vinho e ficou-me registado na memória a forma como nos recebeu na Qtª do Noval quando a visitámos com um grupo de clientes e amigos. Também esteve presente o Nuno Quina, distribuidor da marca, também meu conhecido, e que nos acompanhou (a mim e á minha mulher) numa visita memorável àquela quinta. Momentos inesquecíveis!
Voltando a este evento, que teve lugar no Via Graça, após termos sido recebidos por um Porto Branco Extra Dry, a funcionar muito bem como bebida de boas vindas, desfilaram:
.Cedro do Noval 2015 branco - com base nas castas Gouveio e Viosinho; fresco e mineral, presença de citrinos, notas vegetais e florais, acidez no ponto, algum volume e final de boca médio. Nota 16,5.
.Cedro do Noval 2013 tinto - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Syrah; nariz discreto, alguma fruta vermelha e acidez, taninos presentes ainda por domesticar, algum volume e final de boca assinalável. Nota 16,5+.
Estes 2 vinhos acompanharam uma massada de cogumelos selvagens com garoupa cozinhada em baixa temperatura, muito saborosa mas com massa a mais para o meu gosto. Preferível a ligação com o branco.
.Qtª do Noval 2008 - aroma intenso, ainda com fruta, acidez no ponto, especiado, taninos intensos mas civilizados, grande volume e final de boca persistente. Complexo e sofisticado, ainda em forma mais 7/8 anos. O Douro no seu melhor! Nota 18,5+.
.Qtª do Noval 2014 - com base maioritariamente na casta Touriga Nacional, a que se juntaram a Touriga Franca e Tinto Cão, estagiou cerca de 18 meses em cascos de carvalho francês; nariz algo contido, muita fruta vermelha e preta, acidez equilibrada, taninos presentes e redondos, volume e final de boca consideráveis. Ainda em construção, é melhor esperar por ele 5 a 7 anos, mas não estou crente que atinja o nível do 2008. Nota 17,5.
Estes tintos harmonizaram bem com um saboroso raspado de cabrito assado com chalotas e batatas.
.Qtª do Noval Colheita 2003 (engarrafado em 2017) - ainda com a cor muito carregada, notas de frutos secos, ginja e mel, volume médio, mas final de boca interminável. Nota 17,5+.
Servido com doce de amêndoa e ovos com espuma de canela.
.Qtª do Noval Vintage 2003 - incrivelmente jóvem, taninos bem presentes mas civilizados, doçura equilibrada, volume médio e final de boca persistente. Há que esperar por ele 10 a 12 anos. Nota 17,5 (provisória).
Acompanhou um queijo de Serpa.
Foi uma pena que estes 2 fortificados não tivessem sido servidos em simultâneo. Teria sido mais didáctico, para os participantes perceberem bem as suas diferenças.
Foi um grande jantar, embora se tivesse arrastado para o dia seguinte, com vinhos de qualidade apreciável (destaque para o Qtª do Noval 2008), bem acompanhados pelos pratos do João Bandeira e o serviço profissional a que nos habituaram.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Eatfish : uma experiência para esquecer

Motivado pelos elogios que fui lendo na Time Out e em comentários em algumas plataformas ligadas à restauração, fui conhecer este espaço situado na zona do Cais Sodré (Tv. São Paulo,11). Mais valia não ter ido, face à experiência desastrosa.
Senão, vejamos:
.música excessivamente alta
.mesas completamente despojadas com tampos de pedra, embora com guardanapo de pano (uma contradição)
.lista de vinhos reduzida, apenas com 2 vinhos brancos e tintos a copo, sem qualquer referência a anos de colheita
.os copos já vêm servidos, tendo-me sido mostrada a garrafa só depois de a ter solicitado
.o peixe está reduzido a 3 variedades (salmão, atum e corvina) que podem vir para a mesa nas versões carpaccio (nome incorrecto, fatiado é que seria certo), tártaro e ceviche (há também lombos dos mesmos peixes)
.serviço pouco atento
Escolhi meias doses de carpaccio de corvina (que só provei, depois de ter devolvido o fatiado de atum que não pedi) e tártaro de atum. O atum em qualidade e quantidade é aceitável, mas a corvina uma fraude, pois vem para a mesa uma quantidade irrisória.
Para acompanhar, optei por um copo do branco Vale da Poupa Moscatel Galego 2016 (4,90 €, um exagero) - aroma intenso, fresco, presença de citrinos, notas vegetais, boa acidez, volume médio. Gastronómico, harmonizou bem com a comida. Nota 16,5.
O vinho já vinha servido, como acima referi, em bom copo aferido a 15 cl. Só que o nível do líquido estava abaixo da marca. Foi distração ou é sempre assim? Indesculpável, em qualquer dos casos!
Concluindo, Eatfish nunca mais!

terça-feira, 16 de maio de 2017

Confronto de revistas de vinhos e a Fugas

1.Confronto de revistas de vinhos
Aí estão à venda a nova Revista de Vinhos (Revista de Vinhos - Essência do Vinho), saída em Abril, e a antiga (VINHO - Grandes Escolhas), acabada de chegar com o nº de Maio.
Enquanto que a nova RV tem 130 páginas, das quais 34 são de publicidade (26 % do total), a Vinho já vai nas 208, das quais 78 contêm publicidade (37,5 %). É bom para elas, mas cansativo para o leitor.
Uma curiosidade: se viradas ao contrário são rigorosamente iguais, pois em ambas as contracapas se encontra a mesma publicidade das Caves da Murganheira (bem com deus e com o diabo?).
A nova RV dedicou algumas páginas ao Dirk Niepoort, Bruno Prats, Murganheira/Raposeira e Bacalhôa (Moscatéis), enquanto que a Vinho se centrou no Esporão, Douro e suas sub-regiões, castas portuguesas no mundo, Bacalhôa (Enoturismo), Rosés e Porto Extravaganza (a nova RV, no nº de Maio, apenas se referiu a uma das 3 jornadas).
Quanto a painéis de prova, a nova RV ficou-se pelos vinhos de supermercado, ao passo que a VINHO se dedicou aos vinhos tintos até aos 10 €.
Mas a grande diferença, na minha óptica, centra-se nos leques de provadores no que diz respeito às Escolhas do Mês (nova RV) e aos Vinhos do Mês (VINHO). Enquanto que esta última conta com um sólido e prestigiado painel (Luis Lopes, João Paulo Martins, João Afonso e Nuno Garcia), a nova RV, perdido o Rui Falcão para outros voos, fica-se por uns tantos pouco ou nada conhecidos, dos quais ressalvo o Manuel Moreira, com provas dadas como escanção.
É claro, para mim, o resultado do confronto : VINHO - Grandes Escolhas,1 - Revista de Vinhos - Essência do Vinho,0. Ao apostar claramente na VINHO declaro-me insuspeito, até porque no passado tive algumas divergências com a antiga Revista de Vinhos e alguns dos seus colaboradores. Mas, apesar de tudo, é a minha gente!
Aguardo com expectativa os próximos encontros de Vinhos e Sabores, a terem lugar no Pavilhão de Congressos (nova RV em Novembro, curiosamente no espaço habitual da antiga RV) e na FIL (VINHO em Outubro). Por qual se decidirão os produtores? Ou vão a todas? A ver vamos...
2.A Fugas : uma pedrada no charco
Leio na última Fugas de 13 de Maio, um corajoso e desassombrado artigo do jornalista Pedro Garcias, crítico e também produtor de vinhos (Mapa, cujo Vinha dos Pais 2013 considero um dos grandes brancos portugueses), onde afirma, a propósito do Adega Mãe Terroir 2013 branco, classificado na nova RV com 14,5, depois de lhe terem sido atribuidos 18 valores na antiga RV e 91 pontos na Fugas, que esta disparidade tem a haver "(...) com o facto de o director da Revista de Vinhos (a nova, entenda-se) estar incompatibilizado com Anselmo Mendes, um dos dois enólogos que fazem o vinho.(...) Este caso é muito mais que uma guerrinha pessoal, pois sabe-se que o novo director da Revista de Vinhos avocou o poder de modificar as notas finais dos seus provadores (...)".
Assino por baixo e dou o meu apoio incondicional ao Pedro Garcias!

sábado, 13 de maio de 2017

Tapiscando...

Fui conhecer o tão badalado Tapisco (Rua D. Pedro V, 81), uma aposta do chefe Sá Pessoa nos petiscos e tapas ibéricas. A ementa contempla 12 Tapiscos, 5 Ovos, 5 Brasas e 5 Tachinhos, a preços nada meigos.
As mesas e os lugares ao balcão, onde me sentei com vista para a cozinha aberta, encontram-se despojados, apenas com toalhetes de papel onde se pode ler a ementa e guardanapos de pano, uma contradição. Ao todo, na sala e na cozinha, estavam 15 empregados, o que denota uma louvável preocupação com o serviço do cliente.
Quanto à componente vínica, inventariei na lista portuguesa 3 espumantes (1 a copo), 16 brancos (3), 18 tintos (4), 1 rosé (1), 4 Portos e 1 Madeira, enquanto que na espanhola constam 2 cavas (1), 6 brancos (1), 8 tintos (1), 1 rosé (1) e 5 Jerez, uma oferta mais que suficiente. Lamentavelmente os anos de colheita estavam omissos.
Optei por um copo do branco Nieva Verdejo 2014 - nariz austero, presença de citrinos e fruta madura, alguma acidez, gordura, volume e final de boca. Nota 16,5+.
Muito gastronómico, acompanhou bem a "Esqueixada de Bacalao" (com o bacalhau cru, tipo ceviche) e "La Bomba de Lisboa" (2 avantajados croquetes ligeiramente picantes, com puré de batata).
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar num belo copo Riedel (modelo Bordeaux) e servido em quantidade generosa.
Serviço rápido, eficiente e simpático.
Apesar das contradições apontadas, recomendo e tenciono voltar, até porque fiquei vidrado numa fabulosa posta de bacalhau Riberalves, que passou por mim enquanto eu comia.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Eventos a não perder

1.Festival do Vinho do Douro Superior (6ª edição)
Realiza-se no Centro de Exposições de Vila Nova de Foz Côa, de 19 a 21 de Maio, com o apoio da respectiva Câmara e coordenação da nova revista Vinho - Grandes Escolhas. Incluirá:
.Concurso de Vinhos do Douro Superior
.Mostra de Vinhos (69 produtores) e de Sabores (9 produtores)
.Provas Comentadas (vinhos brancos, tintos e Porto e, ainda, azeites)
A inauguração oficial será no dia 19, pelas 18 h.
2.Bairradão (4ª edição)
Organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, este evento terá lugar no Hotel Real Palácio no dia 27 de Maio. das 15 às 20 h, estando já confirmadas as presenças dos seguintes produtores:
.Bairrada (Adega de Cantanhede, Campolargo, Casa de Saima, Caves São Domingos, Caves São João, Qtª das Bageiras, Qtª do Encontro, Qtª do Valdoeiro e Sidónio de Sousa)
.Dão (Caminhos Cruzados, Casa da Passarella, Casa de Santar, Qtª de Cabriz, Qtª do Carvalhão Torto, Qtª do Cerrado, Qtª da Falorca, Qtª da Pellada, Qtª do Penedo, Qtª do Perdigão, Qtª da Ponte Pedrinha, Qtª dos Roques, São Matias, Vinha de Reis e Vinícola de Nelas).
Prevista, ainda, uma Prova Especial de vinhos Qtª Poço do lobo.
3.Hello Summer Wine Party
Organizada pela revista Paixão pelo Vinho, esta festa vínica decorrerá nos jardins do Lisbon Marriott Hotel, no dia 9 de Junho das 17 às 23 h, contando com 50 produtores e 3 provas especiais.