sábado, 18 de Outubro de 2014

José Avillez ao quadrado

Sobre os espaços de restauração do chefe José Avillez já publiquei algumas crónicas, sendo a primeira "Almoço no Cantinho do Avillez" em 10/9/2011 e a última "Almoço no Café Lisboa : o bloco central do Chefe Avillez" em 29/10/2013.
Recentemente fui conhecer a Pizzaria Lisboa e revisitar o Cantinho do Avillez. Eis as minhas impressões:
1.Pizzaria Lisboa
Este projecto tem, como sub-título, Zé Avillez, a confirmar o ar descontraído deste espaço, a que se juntam a eficiência e o serviço simpático.
Experimentei o Menú Executivo, disponível ao almoço, de 2ª a 6ª feira. Por 12,50 € tem-se direito ao cover (manteiga, paté, azeite, azeitonas, grissinos e fatias da pizza base), um prato a escolher entre 10 pizzas, 5 pastas, 2 risottos e 3 saladas, e ainda uma bebida (concretamente água, ficando de fora a cerveja ou um copo de vinho da casa, o que não se entende de todo). Escolhi a Pizza Fado (tomate, mozzarella, courgette, beringela, pasta de azeitona, alho e parmesão), muito fina e estaladiça. Sinceramente, gostei.
Mas, nem tudo o que luz, é oiro. Depois de me ter sido indicadas as mesas em que me podia sentar (a sala estava praticamente vazia), sentei-me numa que afinal estava reservada, sem que tal parecesse, para uma conhecida colunista do Expresso. Ó chefe Avillez, não podia investir numas sinaléticas a dizer RESERVADO? Esta "cena" poderia ter sido evitada.
2.Cantinho do Avillez
Escrevi na minha 1ª crónica, acima referida, "O serviço, com algumas falhas, ainda não está ao nível da cozinha. O tempo o afinará, creio.". Passaram-se 3 anos e, afinal, não afinou! Dois exemplos, a mesa estava francamente suja da véspera, sem que ninguém tivesse tido a maçada de a limpar; a música estava demasiado alta, para a hora de almoço, e só ao segundo pedido é que se dignaram baixá-la um pouco!
Fiquei-me por 2 entradas, ceviche de vieiras com abacate (excelente) e os emblemáticos ovos à professor século XXI (fiquei algo desiludido; se calhar, pus a fasquia muito alta).
Bebemos o branco Meandro 2013 (23 € a garrafa), uma novidade para mim - presença de citrinos, fresco, mineral, algum volume de boca, gastronómico, acompanhou muito bem as vieiras. Nota 16,5.
Serviço de vinhos correcto. Quanto às deficiências acima referidas, faço votos para que o tempo, mais uma vez, as afine!

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Curtas (XLI) : Eventos e etc

1.Próximos eventos em Lisboa
.Azeites e Vinhos do Alentejo no CCB (17 e 18 Outubro)
.Restaurant Week (16 a 26 Outubro)
.Mercado de Vinhos no Campo Pequeno (31 Outubro, 1 e 2 Novembro)
2.Revista Evasões
Está no mercado o nº 198 Outubro 2014 (embora no interior se leia Setembro) da Evasões (4,90 €), número totalmente dedicada ao vinho.

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Cogumelos no Assinatura

É a minha 2ª visita ao Assinatura neste tempo d.h.m. (depois do Henrique Mouro). Da 1ª resultou a crónica "O 4º aniversário do Assinatura", publicada em 21/6/2014.
O tema, cogumelos silvestres, era aliciante. E a este, juntou-se a minha curiosidade em saber como o chefe Vitor Areias o iria tratar. O resultado foi francamente animador e o chefe merece nota alta.
O almoço constava de 1 entrada (Amanitas Caesarea com laranja e vinho do Porto), 2 pratos ("Bife" de Boletus com esparregado de chagas e lombo de novilho com marmelada de Boletus)  e 1 sobremesa (cherovia com gelado da mesma), a menos interessante. Tudo isto a troco de 27 €, um preço especial para "assinantes".
Com a entrada e o 1º prato, bebi um copo de Qtª do Perdigão Encruzado 2013 (5,50 €) - frutado, fresco e mineral, alguma gordura e complexidade. Gastronómico, ligou muito bem com a entrada e aguentou-se com o 1º prato. Nota 16,5.
Com o 2º prato, avançou um copo do tinto Pó de Poeira 2011 (não tomei nota do preço, pois a casa, muito simpaticamente, não cobrou) - fruta presente, acidez equilibrada, notas especiadas,  algo complexo, potente e elegante em simultâneo. Um bom exemplar do ano 2011 e de um vinho a preço acessível. Acompanhou muito bem o lombo de novilho. Nota 17,5.
Serviço geral e, especificamente, o de vinhos, impecáveis. Profissionalismo e simpatia. Apenas uma nota: a temperatura do tinto poderia estar ligeiramente mais baixa.
Conclusão: gostei francamente e recomendo!

domingo, 12 de Outubro de 2014

Novo Formato+ (18ª sessão) : tintos 2005 em prova

Esta última sessão foi da minha inteira responsabilidade, pois levei vinhos da minha garrafeira e escolhi o restaurante. Mais uma vez a Enoteca de Belém esteve à altura do evento, com o chefe Ricardo inspirado e o serviço de vinhos 5 *, a cargo do Nelson. Talvez tivesse sido a minha melhor refeição ali feita.
A bebida de boas vindas foi o espumante Kompassus Blanc des Noirs, simpática oferta da casa, a portar-se muito bem. A seguir, desfilaram os meus vinhos (2 brancos Bairrada 2012 que a RV pontuou, recentemente, com 18 pontos, 4 tintos Douro 2005, provados às cegas 2 a 2, e um Solera da saudosa casa Artur Barros e Sousa):
.Pai Abel - nariz muito afirmativo, presença de citrinos, bela acidez, mineralidade, alguma gordura, equilibrado e harmonioso, algum volume e final de boca extenso. Um dos melhores brancos portugueses. Nota 18.
.Aliás - um branco totalmente desconhecido, com base na casta Bical e 11,5 % vol.; nariz contido, notas fumadas, madeira ainda presente, acidez e gordura; assinalável volume de boca; nitidamente um branco de Outono/Inverno, gastronómico, mas a precisar de mais uns meses de garrafa. Nota 17,5.
Estes brancos acompanharam uma série de pequenas entradas (mexilhão escalfado em vinagrete, tártaro de salmão e um surpreendente figo com queijo de cabra). Melhor a ligação do Pai Abel com o salmão e a do Aliás com o figo.
.Qtª Vale Meão - aroma austero, especiado, notas de tabaco e chocolate, muito elegante e harmonioso, excelente acidez, taninos domados, volume e final interminável. Em excelente forma. Nota 18,5.
.Terrus - funcionou como joker, uma vez que era muito mais barato do que qualquer um dos outros vinhos (chegou a ser o tinto do Douro mais vendido nas CAV); nariz contido, belíssima acidez, elegante, algum volume e final longo. Portou-se bem e está para durar. Nota 17,5+.
Estes 2 primeiros tintos maridaram com um prato de polvo, batata doce e grelos.
.Pintas - ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado e complexo, taninos ainda por domesticar, assinalável volume e final de boca. Muito longe da reforma. Nota 18,5.
.Robustus - alguma fruta e acidez, pouco harmonioso, bom volume e final de boca; falta-lhe complexidade; abaixo do esperado e muito longe da versão 2004. Uma decepção. Nota 17.
Fizeram companhia a um excelente borrego com cogumelos e puré de couve flor.
.ABS Bual Solera 1963 - frutos secos, iodo, alguma acidez, especiado, acentuado volume de boca e final muito longo. A beber com todo o respeito. Nota 18,5.
Acompanhou uma tábua de queijos, sericaia e fruta laminada.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes.

quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

A CVR Tejo e o meu dia azarado

Informaram-me e confirmei na página da CVR Tejo, em grande destaque, a quinzena de harmonização de vinhos Tejo com a gastronomia ribatejana. Lê-se : "Tejo Gourmet - V Concurso de Vinhos e Iguarias do Tejo decorre entre 4 e 19 de Outubro". Foram escolhidos uns tantos espaços de restauração espalhados pelo país, ficando Lisboa, inexplicadamente, reduzida apenas a 2: a Gondola (um  restaurante que parou no tempo) e a Taberna da Rua das Flores.
Dirigi-me a este último, precisamente na 3ª feira dia 7 (portanto, 3 dias após o início do Tejo Goumet) e, qual foi o meu espanto, quando o empregado que me atendeu disse não saber de tal coisa! Perante a minha insistência, telefonou para o gerente a saber o que se passava. Na sequência do telefonema, foi-me dito que o gerente estava fora, mas mal regressasse iria organizar o menú de harmonização. Que sentido das responsabilidades, por parte da Taberna! Que má escolha, por parte da CVR Tejo! Cartão amarelo para ambos!
Mas o meu dia azarado não se esgotou aqui. Inviabilizado este almoço, dirigi-me ao espaço Santa Gula, uma petisqueira situada na Rua do Alecrim, que tinha interesse em conhecer. Bati com o nariz na porta, já devia passar das 13 horas. Estava fechada, embora no horário de funcionamento, ali afixado, constasse a abertura às 12 h, de 3ª feira a Domingo!
Moral da história: um azar nunca vem só!  

terça-feira, 7 de Outubro de 2014

Vinhos em família (LVI) : brancos em alta, um deles surpreendente

Mais uma série de vinhos, provados com o rótulo à vista e sem a pressão da prova cega. Foram 3 brancos (1 deles surpreendente) e 2 tintos :
.100 Hectares 2012 - um branco duriense, com base nas castas Viosinho, Rabigato e Gouveio; enologia de Francisco Montenegro (Aneto, Terrus, entre outros); presença de citrinos, acidez, mineralidade, alguma gordura, equilibrado, volume de boca e final médios; gastronómico, acompanhou bem um prato de bacalhau. Uma boa surpresa. Nota 17,5.
.Qtª da Murta Clássico 2007 - fermentou em barricas de carvalho francês e americano; côr dourada, fruta madura, ligeira oxidação, notas fumadas, acidez fabulosa, alguma gordura, assinalável volume e final de boca; nobre, complexo e harmonioso. Um surpreendente branco, já com 7 anos, muito gastronómico, que me apaixonou. Ainda pode ser encontrado no mercado. Nota 17,5+.
.Morgado de Stª Catherina 2012 - estagiou 10 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, fruta madura, madeira ainda presente a precisar de tempo na garrafa, belíssima acidez, alguma gordura, volume de boca; perfil algo diferente das versões 2008 (a melhor de todas) e 2009. Excelente relação preço/qualidade. Nota 17.
.CARM Reserva 2010 - com base nas castas T.Nacional, Tinta Roriz, T.Franca e Tinta Francisca, estagiou 18 meses em barricas de carvalho americano e francês; ainda com fruta, alguma frescura e acidez, rusticidade, volume e final de boca medianos; alguma desilusão em relação a colheitas anteriores, ficando à espera do 2011, um ano excepcional. A consumir de imediato. Nota 15.
.Poliphonia Signature 2008 - com base nas castas Alicante Bouschet e Syrah, estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz complexo, acidez equilibrada, especiado, notas de pimenta, chocolate e couro, volume acentuado e final longo. Em forma mais 3/4 anos. Não é o melhor do mundo, como saloiamente foi propalado aos quatro ventos, há alguns anos,  mas é muito bom. Nota 18.

sábado, 4 de Outubro de 2014

Curtas (XL)

1.Vinhos e Gastronomia na TV
Na minha última Curtas (XXXIX), publicada em 25/9, tinha alertado os seguidores deste blogue para os programas Verdade do Vinho (RTP2, 3ª feira 22h45) e Guerra dos Pratos (Fox Life, 5ª feira 21h45).
Quanto ao primeiro, que conta com o apoio da ViniPortugal, não podia ter começado da melhor maneira, precisamente com os nossos amigos Douro Boys (Cristiano van Zeller, Dirk Niepoort, Francisco Ferreira, Francisco Olazabal e Tomás Roquete), presença constante nas provas e jantares vínicos organizados pelas CAV e em cujas quintas fomos recebidos principescamente.
Dali para o DOC, onde os apresentadores Sónia Araújo e Luis Baila (este jornalista dá indicações de quem percebe de vinhos) estiveram com o chefe Rui Paula, que abordou as harmonizações da comida com o vinho.
Seguiu-se a visita à Quinta da Gaivosa, onde o veterano Domingos Alves de Sousa e o jóvem Tiago, seu filho e enólogo da casa, também eles presentes em eventos nas CAV, conduziram uma vertical com as colheitas 1995, 2000 e 2005.
Terminou este 1º episódio, que ainda pode ser visto pelos utentes da antiga Zon, numa das quintas da Sogrape, onde tiveram a companhia de Manuel Guedes, Director do Clube 1500.
Quanto ao segundo programa, Guerra dos Pratos, o seu interesse é nulo ou quase!
2.Novas garrafeiras e lojas gourmet
Há alguns meses, abriram:
.Spirits & Wine (R. Castilho,201 D), pertencente a uma distribuidora. A responsável da loja é a Eugénia Vasconcelos, vinda da Wine O' Clock e uma das fundadoras da garrafeira VinoDivino, a quem chamávamos, carinhosamente, as "Meninas da Lapa";
.Douro Meu, o Gourmet Duriense (Saldanha, junto ao C.C. Monumental). Aposta no Douro, como o nome sugere, mas confinada a um espaço ínfimo, quase um vão de escada.