terça-feira, 14 de agosto de 2018

Jantar Portal do Fidalgo

Em pleno verão e em cima das férias da maioria dos consumidores, a Garrafeira Néctar das Avenidas "atreveu-se" a realizar mais um jantar vínico, mas com o cuidado de se adaptar às circunstâncias. O produtor escolhido foi o Portal do Fidalgo que apresentou 10 Alvarinhos (1 espumante e 9 tranquilos), numa sessão muito didáctica ao colocar lado a lado vinhos com 10 anos de diferença. Com uma única excepção, os mais antigos sobrepuseram-se aos mais jovens, como seria de esperar, pois a casta Alvarinho precisa de uns anos de evolução. No seu melhor é a grande casta portuguesa que compete bem com as melhores do mundo.
O evento contou com a presença do enólogo da casa (Abel Codesso), demonstrando uma grande facilidade de comunicação, e a equipa comercial (João Marques, já meu conhecido dos bons velhos tempos das CAV, e Nuno Araújo) e decorreu na esplanada interior do Hotel Real Palácio, registando-se com agrado a boa logística e o ritmo adequado. Quanto à comida, foi a possível...
A bebida de boas vindas foi o espumante Côto de Mamoelas Bruto 2015 que cumpriu da melhor maneira a sua função. Seguiram-se (apenas com as respectivas classificações):
.Portal do Fidalgo 2007 (18) e 2017 (15,5)
com rolinhos de salmão fumado
.Portal do Fidalgo 2006 (17,5) e 2016 (16,5)
com bolinhas de vitela e, ainda, de alheira
.Contradição 2014 (17,5) e 2017 (17)
com brás de espargos e tomate seco
.Portal do Fidalgo Reserva 25 Anos 2015 (18; noutra situação também 18: ver crónica "Grupo dos 6 (11ª sessão) : um conjunto equilibrado de vinhos", publicada no dia 7)
com risotto de lima e coentros com tempura de polvo
.Portal do Fidalgo 1999 (14,5 foi o elo mais fraco, ou seja, a excepção a confirmar a regra) e 2011 (17,5+)
com torta de laranja com queijo mascarpone e citrinos
Conclusão: beber agora os vinhos de casta Alvarinho acabados de sair para o mercado é pura pedofilia; há que esperar por eles meia dúzia de anos (há colheitas antigas ainda à venda)

sábado, 11 de agosto de 2018

Cerveja artesanal versus vinho a copo

1.Uma introdução
Desde que "descobri" as cervejas artesanais, a minha escolha está feita. A velha imperial está fora de questão, já não a consigo tragar. Quando vou a um restaurante e se o mesmo tiver alguma cerveja artesanal, ou mesmo a 1927, a semi-artesanal da Super Bock (superior à Bohemia, a semi-artesanal da Sagres), não hesito. É bem melhor do que beber um vinho a copo banal, quase sempre o da casa, e mais caro.
E não é por acaso que a cerveja artesanal, além de estar na moda, despertou o interesse de alguns produtores de vinho (a Herdade do Esporão que comprou a Sovina, a Qtª La Rosa, a Qtª do Gradil e o Dirk Niepoort que já produzem as suas próprias marcas, além de parcerias avulsas com o Anselmo Mendes e Qtª do Portal) e mereceu já uma atenção esclarecida  por parte de alguma comunicação social.
No espaço de pouco mais de 1 mês, a Fugas de 30 de Junho dedicou-lhe um extenso artigo de 8 páginas, assinado por Luís Octávio Costa (LOC), jornalista do Público, e a Vinho Grandes Escolhas, saída há dias, pela pena do jornalista José Miguel Dentinho (JMD), debruçou-se sobre o mesmo tema, também ao longo de 8 páginas. Curiosamente, também na Fugas (27 de Julho), o Miguel Esteves Cardoso, muito conservador em termos vínicos e não só, fez o seu acto de contrição e aderiu à excelência da cerveja artesanal.
Na blogosfera, que eu me tivesse apercebido, apenas no "Comer Beber Lazer" e no "Joli" foram comentadas cervejas artesanais.

2.A Fugas
No artigo acima mencionado, publicado com o título "Quando a cerveja é tratada como vinho" e assinado por LOC, o autor refere "(...) Uma nova onda de produtores artesanais está a combinar cerveja e vinificação para criar cervejas únicas perfeitas para os amantes do vinho (...)". Além do artigo principal, dedica outro à cerveja "Dois Corvos" e outro ainda a "Esporão e Sovina", onde a propósito sublinha a atitude do João Roquette, em querer "fazer crescer em Portugal uma cultura da cerveja artesanal".

3.Grandes Escolhas
No nº de Agosto desta revista o jornalista JMD assina 3 artigos, sendo o 1º "Criatividade e Paixão", uma introdução ao tema onde refere "São já quase uma centena as marcas de cervejas criadas por pequenos produtores, dando corpo à categoria a que se convencionou chamar cerveja artesanal. Um nome apropriado, já que em cada copo destas cervejas está um pouco do empenho, da paixão e da capacidade de quem a produz". O 2º "Esporão aposta no sector cervejeiro" (a compra da Sovina pela Herdade do Esporão) e o 3º "Do vinho à cerveja artesanal" (a propósito da produção da Qtª La Rosa, já com 2 cervejas e uma 3ª na forja).

4.Uma conclusão (a minha)
Que eu saiba (e corrijam-me se estiver enganado), o único ponto de venda de vinhos de prestígio que aderiu às cervejas artesanais é o novo espaço da loja gourmet do Corte Inglês. Uma pena que não haja mais lojas ou garrafeiras de referência a cavalgar esta nova e desafiante onda.
Atrevo-me a afirmar que este fenómeno da cerveja artesanal veio atrasado 10 anos ou mais, pois se fosse no tempo da saudosa e emblemática Coisas do Arco do Vinho, as suas portas estariam abertas a esta nova aposta.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Vinhos em família (XC) : brancos de qualidade

A crónica de hoje é dedicada aos últimos vinhos que bebi em família, todos brancos e todos com qualidade, o que seria impensável há uns anos atrás. Aliás, vou bebendo brancos ao longo de todo o ano, enquanto que nos dias mais quentes os tintos não são tão apelativos e ficam à espera de melhor oportunidade.
Ei-los, os últimos 5:
.Kompassus Reserva 2015 (12 % vol.) - enologia de Anselmo Mendes; com base nas castas Arinto (70 %) e Bical (30 %), estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês (60 % novas e 40 % usadas); muito fresco e mineral, presença de citrinos, acidez q.b., volume e final de boca médios. Fino e elegante, acompanha bem entradas leves. Nota 17.
.Anselmo Mendes Beira Interior 2014 (12,5 % vol.) - com base na casta Síria em vinhas velhas, estagiou 9 meses em barricas novas de carvalho francês seguido de 24 meses em garrafa; muito floral, alguma frescura e notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Nota 17,5.
.Regueiro Alvarinho Barricas 2015 (13 % vol.; garrafa nº 548/1976) - estagiou em barricas de carvalho francês; presença de citrinos e fruta madura, bela acidez e algum amanteigado, volume e final de boca consistentes. Potencial de envelhecimento e gastronómico. Nota 17,5+.
.Qtª do Ameal Escolha 2015 (11,5% vol.) - com base nas castas Loureiro (90 %) e Arinto (10 %), estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês usadas; muito fresco, mineral e cítrico, acidez no ponto, algum amanteigado, volume e final de boca médios. Elegante, acompanha bem marisco, peixe grelhado ou entradas leves. Nota 17,5.
.Terrenus Reserva Vinhas Velhas 2015 (13 % vol.) - 92 pontos no Parker; com base em vinhas velhas com mais de 90 anos, plantadas a 700 metros de altitude na Serra São Mamede, estagiou 12 meses em cubas de cimento e mais 12 em garrafa; presença de fruta de caroço, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 17.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Grupo dos 6 (11ª sessão) : um conjunto equilibrado de vinhos

Este grupo de enófilos da linha dura (Adelino, Juca, João, J.Rosa, Frederico e eu) reuniu, uma vez mais, no restaurante Magano (boa comida e serviço de vinhos exemplar, sempre!) para provar 6 vinhos (2 brancos, 3 tintos e 1 Madeira).
E eles foram:
.Portal do Fidalgo Alvarinho Reserva 25 Anos 2015 (levado pelo J.Rosa) - Prémio de Excelência 2017 atribuído pela Revista de Vinhos; aromático, presença de citrinos e fruta madura, acidez equilibrada, algum amanteigado, volume considerável e final de boca persistente. Elegância e personalidade. 13 % vol. Nota 18.
Acompanhou as habituais entradas.
.Maritávora Grande Reserva Vinhas Velhas 2011 (levado pelo Frederico) - com base nas castas Códega do Larinho, Rabigato e Viosinho, em vinhas velhas com mais de 100 anos, estagiou 6 meses em barrica; nariz contido, alguma oxidação nobre, madeira bem integrada, fruta madura, acidez nos mínimos, algum volume e final de boca adocicado. Já atingiu o seu ponto óptimo de consumo. 12,5 % vol. Nota 17,5.
Maridou bem com um bife de atum e grelos.
.Herdade das Servas Parcela V 2011 (1 das 1000 garrafas produzidas, levada por mim) - com base em vinhas velhas com mais de 70 anos, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês, seguido de mais 36 meses em garrafa; ainda com alguma fruta preta, fresco, acidez no ponto, taninos presentes mas civilizados, alguma complexidade e volume, final de boca muito extenso. No pico da forma. Nota 17,5+.
.Qtª da Falorca Garrafeira 2011 (levado pelo Juca) - 95 pontos no Parker; estagiou 24 meses em barricas de carvalho francês e mais 30 meses em garrafa; frutado, notas florais, acidez equilibrada, taninos presentes, volume e final de boca consideráveis. Muito elegante e complexo. A beber daqui até 7/8 anos. Nota 18,5.
.Qtª de Saes Reserva Estágio Prolongado 2011 (levado pelo João) - com base em vinhas velhas, estagiou em barricas 14 meses e mais uns tantos em garrafa; ainda com muita fruta vermelha, fresco e floral, bela acidez, volume e final de boca médios. A beber já ou nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5.
Estes 3 tintos harmonizaram com vitela assada no forno.
.Artur Barros e Sousa Malvasia 1965 (levado pelo Adelino) - muito fresco, presença de frutos secos, iodo, brandy e vinagrinho, taninos civilizados, algum volume e final de boca extenso. Muito equilibrado. Nota 18,5.
Acompanhou tarte de amêndoa (excelente ligação) e pão de ló.
Foi uma sessão muito equilibrada e sem desilusões, sendo justo destacar o Qtª da Falorca e o Madeira.

sábado, 4 de agosto de 2018

Julho 2010: o que se passou aqui há 8 anos?

Das 15 crónicas publicadas no decorrer de Julho 2010, destaco estas 3:

."O Francisco não merecia isto!", no dia 15
Apresentação e prova de vinhos Madeira, orientada pelo Francisco Albuquerque, seguida de jantar, no Clube dos Jornalistas.
Não fora a militância do núcleo duro das Coisas do Arco do Vinho, o Francisco tinha ficado praticamente a falar sozinho.

."Impressões de Paris, 2ª parte - Lavinia, o deslumbramento", no dia 18
Quando um lojista tuga (eu próprio) se sente esmagado por uma garrafeira de outra galáxia...

."Jantar no Assinatura", no dia 21
Um dos jantares temáticos ("Cascas e Pinças") em que participei, concebidos pelo chefe Henrique Mouro, no auge da sua carreira e antes de se ter eclipsado.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Rescaldo das férias (V) : Paço dos Cunhas e O Tachinho

continuando...

9.Paço dos Cunhas de Santar (Santar) - 3*
Este espaço é mais um restaurante da Global Wines (o outro aqui referido é o Qtª de Cabriz), tendo sido já objecto da crónica "Enoturismo no Dão (II) : Paço dos Cunhas de Santar", publicada em 11/10/2016, e feito parte do meu TOP 10 espaços de restauração, em 2014.
Mas, em contramão, esta última visita foi uma desilusão, embora o espaço seja confortável, as mesas bem aparelhadas, os copos Schott tenham qualidade e continuem, muito simpaticamente, a oferecer, à chegada, um flute de espumante (desta vez foi o Qtª do Encontro Bruto).
Primeiro aspecto negativo: sem direito a ementa, foi-nos dito que durante a semana só serviam o menu do dia (ovos mexidos com farinheira e enchidos, arroz de polvo e arroz doce).
Segundo: o vinho que acompanhava era o tinto Cabriz Colheita Seleccionada 2015 (16,5), a garrafa veio à mesa e servido de imediato, sem ter sido dado a provar. Mais, a temperatura não era a adequada, e o copo foi rejeitado. Veio um 2º, menos mal, mas acima do recomendável.
Com a sobremesa foi provado o Moscatel do Douro Palestra (15,5).
Serviço a cumprir os mínimos, mas mais preocupado com as mesas onde comiam estrangeiros.
Paço dos Cunhas, quem o viu e quem o vê!

10.O Tachinho (Seia) - 4*
"Descoberto" na net, foi uma das surpresas destas férias. Afastado do centro, não é fácil lá chegar (só com GPS, que não tenho, ou ouvindo via telefone as explicações duma empregada, que foi o nosso caso). Ambiente familiar, sala espaçosa e iluminada (naturalmente), toalhas de papel, mas guardanapos de pano. Atendimento eficiente e muito simpático.
Veio para a mesa, de comer e chorar por mais:
.joelho de porco assado no forno, com legumes e arroz de feijão
.arroz de entrecosto de javali
Quanto à componente vínica, a lista estava toda datada (atenção , restaurantes com pretensões mas que omitem os anos de colheita, ponham os olhos neste modesto espaço), centrada no Dão, mas com algumas falhas e sem vinhos a copo (só o da casa).
Optei por uma garrafa Dão Alvaro de Castro 2011 (17,5+) que foi dada a provar num bom copo (a pedido). A temperatura não era a mais adequada, mas prontamente resolveram a questão.
Bebemos metade da garrafa e o resto marchou no jantar no hotel.
Recomendo, sem hesitar!

Fim dos nossos serviços...

terça-feira, 31 de julho de 2018

Rescaldo das férias (IV) : Taberna da Adega e Petz Bar

continuando...

7.Taberna da Adega (Nelas) - 4,5*
A Taberna da Adega é o espaço de restauração da Lusovini Vinhos de Portugal, uma mistura de restaurante, enoteca e tasca fina. A sala é confortável e toda ela virada ao vinho, a começar por 2 das paredes repletas de garrafas e uma outra com os nomes das castas da região e não só. Mesas aparelhadas com toalhetes e guardanapos de papel.
À chegada e antes de nos ser destinada mesa é-nos oferecido um flute com o espumante Aplauso Rosé que faz parte do portefólio da Lusovini. Começamos bem.
Na mesa optámos pelo menu do dia (9,90 €), com direito a :
.couver (broa, manteiga de cabra e azeite Pedra Cancela)
.robalo escalado com legumes
.bebida
.café
Quanto à componente vínica, a lista está bem elaborada, inclui os anos de colheita, mas limita-se ao portefólio da Lusovini (um reparo: os verdes estão erradamente separados dos outros vinhos). O vinho branco do menu era o Pedra Cancela Selecção do Enólogo 2017 (16,5+). A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo Riedel (um luxo!) e servido por 2 vezes para não aquecer no copo.
No final do almoço comeu-se, extra menu, um pudim de queijo da serra, devidamente acompanhado por um copo de Andresen Porto Branco 20 Anos (18). Uma delícia...
Em conclusão, bom ambiente onde se respira vinho, gastronomia de qualidade, bons preços e serviço profissional com muita simpatia à mistura.
Imperdível!

8.Petz Bar (Laceiras, Cabanas de Viriato) - 2,5*
Sala muito barulhenta (estava praticamente cheia) e algo desconfortável. Serviço simpático, mas atabalhoado. Fomos empurrados para os pratos do dia, sem sequer termos visto a ementa. Lá vieram uns filetes de pescada sem história, acompanhados por um arroz de tomate razoável.
Quanto à componente vínica, com base na região do Dão, sem anos de colheita e sem vinhos a copo (excepto o da casa), mas com preços honestos, optámos por uma garrafa de Qtª das Marias Encruzado 2016 (17) que não foi dada a provar. Os copos, a pedido, foram trocados por outros aceitáveis, mas desiguais! Bebemos metade da garrafa e levámos o resto para o hotel.
Acredito que se coma bem no Petz Bar, que nos foi recomendado por um grande amigo, mas só se se for ou muito cedo ou muito tarde. À hora de ponta não dá.
continua...