quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Curtas (XLIX) : novos espaços (JMF e outros), provas pagas e etc

1.By the Wine, o novo espaço da JMF
Abriu recentemente em Lisboa (Rua das Flores 41-43) o novo espaço da José Maria da Fonseca, simultaneamente garrafeira e wine bar, onde se pode adquirir qualquer um dos seus vinhos, sejam espumantes, de mesa/consumo ou Moscateis. É também possivel prová-los a copo, em companhia de uma tábua de queijos e/ou enchidos, ostras do Sado, salada de mexilhão, ceviche de salmão, carpaccio, sandes diversas ou pregos. 
Está aberta de 3ª a Domingo, das 12 às 24 h.
A JMF está duplamente de parabens, não só por este espaço, como também pelas notas recentemente atribuidas pela Wine Advocate aos seus Moscateis:
.Superior 1955 - 99 pontos
.Siperior 1911 - 97
.Roxo 20 Anos - 92
.Alambre 20 Anos - 92
2.Outros novos espaços
Também abriram há pouco tempo:
.Portugal Wine Room (Rua dos Fanqueiros), irmã de uma outra situada em Alvalade (Rua Ricardo Jorge, 3A) e já aqui referida
.Mercearia do Vinho (Travessa André Valente,4 à Calçada do Combro)
.Galeria Wine Shop (Largo do Calhariz,17)
Enquanto que a primeira me pareceu integrada num projecto consistente, as duas últimas não passam de um espaço de diminutas dimensões e com uma oferta reduzida aos mínimos.
3.Provas pagas
Depois da garrafeira Empor Spirits & Wine ter optado por cobrar a participação em provas de vinhos, já aqui mencionado na crónica Curtas (XLIV), publicada em 25/11/2014, vem agora a Delidelux a seguir pelo mesmo caminho. Será que esta moda vai pegar? 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Grupo dos 3 (43ª sessão) : tintos 2004 em alta e 1 branco surpreendente

Esta última sessão, que decorreu no restaurante deCastro (Praça das Flores), foi a 15ª da minha responsabilidade. Até agora tenho conseguido organizar estes almoços sempre em espaços diferentes (Nariz de Vinho Tinto, A Commenda, Assinatura, Xico's, Manifesto, Sem Dúvida, Casa da Comida, Bg Bar, Tapas e Wine Bar Tágide, Jacinto, Rubro Avenida, Chefe Cordeiro, 1300 Taberna e Avenue). A comida pode não ser sempre excelente, mas o serviço de vinhos, a minha preocupação maior, tem sido irrepreensível em todos os locais visitados.
No deCastro correu tudo muito bem, desde a gastronomia, tipicamente portuguesa mas com alguma criatividade, até ao serviço de vinhos, a cargo do Nuno, a merecer umas 5 estrelas. Na sala, a maestrina é a Graça, mulher do Miguel Castro e Silva, que organizou tudo a nosso contento, incluindo a compra de decantadores de qualidade. Seria injusto não referir o trabalho muito profissional de outra empregada que, lamentavelmente, não retive o nome.
Os vinhos (1 branco, 2 tintos de 2004 e 1 Moscatel Roxo), vindos da minha garrafeira, estiveram todos à altura desta sessão para enófilos militantes. E eles eram:
.Casa das Gaeiras Reserva Vinhas Velhas 2013 - com base na Casta Vital em vinhas velhas; nariz contido, a libertar-se ao longo da prova, fruta madura, belíssima acidez, elegância, alguma gordura, volume e final extenso; tipicamente um branco de outono/inverno. Um branco surpreendente, a confirmar a inclusão no meu balanço de 2014. Excelente relação preço/qualidade. Nota 18 (a mesma da situação anterior).
Acompanhou bem o couver, bacalhau fumado, salada fria de peixe e peixinhos da horta.
.Batuta - nariz contido, fruta ainda presente, excelente acidez, taninos firmes e civilizados, elegante e harmonioso, volume assinalável e final longo. Em forma mais 4/5 anos. Nota 18,5 (noutras 17+/18,5/18/18+/17,5+/16,5).
.Vale Meão - nariz exuberante e complexo, acidez no ponto, especiado, algum tabaco e chocolate preto, volume evidente e final interminável. Um grande Douro no apogeu da sua vida, mas ainda longe da reforma. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 19 (noutras 19/18,5/18,5+/16,5).
Em qualquer dos vinhos, a nota 16,5 pode referir uma garrafa avariada ou a minha má disposição no momento das provas!
Os tintos maridaram com ervilhas com enchidos e ovo escalfado, iscas do cachaço de bacalhau, filetes de polvo com açorda de tomate e pernil de borrego com ensopado de grão e cogumelos do campo. Excelentes estes dois últimos e desinspiradas as ervilhas.
.Moscatel Roxo JP 1991 - aroma complexo, citrinos com predominância de tangerinas, acidez equilibrada, taninos presentes e final longo. Um belíssimo Moscatel, embora sem a complexidade dos pesos pesados da JMF. Nota 17,5+.
Casou bem com um saboroso toucinho do céu com sorvete de framboesa, mas já o mesmo não aconteceu com o gratinado de maçã, nada interessante.
Mais uma boa jornada de convívio, comeres e beberes. Em muito se deve ao deCastro, não é demais repeti-lo, onde trabalha quase toda a família do Miguel Castro e Silva (mulher, filhas e genro).
Volto a recomendar este espaço. Já o tinha feito na crónica "Almoço no deCastro", publicada em 7/3/2014.
Falta dizer que a família Castro e Silva abriu uma loja gourmet, em frente ao restaurante, onde se pode comprar vinhos, conservas, compotas,etc...e, futuramente, refeições preparadas pelo chefe.


sábado, 24 de janeiro de 2015

Prémios do Mesa Marcada : certezas e dúvidas...

Mais uma edição da festa organizada pelo blogue Mesa Marcada (Duarte Calvão e Miguel Pires), que decorreu no Vestigius, com o apoio da Symington nos vinhos e do Prego da Peixaria, Cevicharia e Cantinho do Avillez nos comeres, contando com a presença de mais de uma centena de pessoas, entre chefes, restauradores, críticos, jornalistas, gastrónomos e bloguistas. Noventa jurados votaram nos 10 melhores restaurantes e chefes e, ainda, no restaurante para o dia a dia. Contados os votos, apuraram-se os mais votados e distribuiram-se os prémios, que podem ser vistos no blogue Mesa Marcada (tenho um link para ele). Nota alta para os organizadores.
Mas...(há sempre um mas) fico com muitas dúvidas sobre o sentido de voto de alguns jurados, que foram para o politicamente correcto, querendo simplesmente ficar bem na fotografia, ao votarem sistematicamente nos mais badalados e estrelados. Custa-me a aceitar que 63 dos 90 jurados (70 % do total) tenham ido ao Belcanto e gasto cerca de 100 € ou 200 € se foram acompanhados, e mais de metade tenham frequentado os restaurantes mais estrelados e caros do Algarve. Mais, alguns votaram em chefes que não trabalharam em Portugal em 2014, como é o caso do Luis Baena e do Henrique Mouro!
Faço votos para que, em futuras edições, se possam eleger restaurantes de qualidade e acessíveis ao bolso de cada um, criando uma categoria cujo consumo médio estivesse abaixo de 40/45 €. É uma ideia que deixo aqui, à atenção dos responsáveis.
Quanto aos meus votos, votei em restaurantes alternativos, pois em 2014 não frequentei nem estrelados nem badalados, tendo escolhido Sabores d' Itália, Avenue, Assinatura, Casa de Pasto, Enoteca de Belém, Descobre, Via Graça, Umai, Paço dos Cunhas de Santar e 1300 Taberna, onde as minhas contas não ultrapassaram os 30 €. Quanto a chefes, eis os meus preferidos: Marlene Vieira, Diogo Noronha, Vitor Areias, Vitor Claro, Paulo Morais, Nuno Barros, Sá Pessoa, Alexandre Silva, Miguel Castro e Silva e João Bandeira.
Nota final: ao contrário do ano pasado, desta vez não estava ninguém do grupo do Ali Bábá...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Comemorar os 50 anos (versão 2015)

Como é meu hábito, no início de cada ano, faço uma ronda pelas garrafeiras da baixa de Lisboa, em demanda de vinhos com que se possa comemorar os 50 anos de qualquer coisa, seja nascimento, casamento, divórcio, inauguração do clube lá da terra ou qualquer outra coisa.
Este ano, está em causa a colheita de 1965. Passo a indicar os resultados da minha pesquisa:
.Barros Colheita
Casa Macário - 230 €
Manuel Tavares - 230 €
.Kopke Colheita
Garrafeira Nacional - 154 €
Mercado Praça da Figueira - 150 €
.Krohn Colheita
Portugal Wine Room - 340 €
Manuel Tavares - 228 €
.Krohn Vintage
Pérola do Arsenal - 209 €
.Messias Colheita
Napoleão - 190 €
Mais: a garrafeira Roao Wines estava fechada, ostentando aquele irritante "volto já" e na Dom Pedro, após uma angustiante espera, nada me souberam dizer.
Quanto ao Solar do Vinho do Porto, que deveria ser uma montra de tudo o que há no mundo do Vinho do Porto, mais uma vez nada tinham para mostrar, o que é de lamentar.
Para o ano cá estaremos com a colheita de 1966.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Novo Formato+ (20ª sessão) : tintos 2006 em queda livre

Mais uma sessão com este grupo de amigos, tendo o João Quintela e a Paula Costa disponibilizado a comida, os vinhos e a casa.
A bebida de boas vindas ficou a cargo do espumante Elpídio das Caves S.Domingos, em garrafa magnum, a cumprir bem a sua missão. Acompanhou frutos secos e patés.
O repasto foi iniciado com uma opulenta e saborosa feijoada, dita à transmontana, e fez-se acompanhar por 4 tintos da colheita 2006, provados às cegas. São vinhos que se mostraram contraditórios, pois, se por um lado, pareciam evoluidos na côr e nos aromas, por outro, na boca, apresentaram uma acidez que poderia pronunciar mais alguns anos de vida. Mas, falta-lhes harmonia e equilibrio, revelando-se pouco interessantes ao nosso palato. E eles eram, por ordem de pontuação pessoal: Calda Bordaleza (16,5+), o que melhor ligou com a feijoada, Passadouro Reserva (16,5), Niepoort Voyeur (15,5) e Vallado Sousão (14,5).
Consultados os meus registos, posso adiantar:
.no meu Quadro de Honra, actualizado em Agosto de 2014, apenas constam 6 tintos de 2006 (Aneto Grande Reserva, Carrocel, Crasto T.Nacional, Poeira, Qtª do Mouro Rótulo Dourado e Vale Meão), ou seja 4,6 % do total de vinhos tintos, contra 28 de 2004, 22 de 2005 e 19 de 2007
.em Novembro 2012, dizia que o Poeira tinha sido uma desilusão absoluta e o Crasto T N deveria ser consumido de imediato
.em Março 2013, escrevia que o Pintas seria de despachar, mas o C V poderia aguentar mais 2/3 anos
.em Dezembro 2013, confirmava que o Aneto, Carrocel e Poeira estavam abaixo do esperado, mas o C V tinha-se portado à altura.
Moral da história: se calhar a maior parte dos topos de gama de 2006, deveriam ter saído como uma segunda marca.
Continuando com o repasto, a seguir viria um branco Foz de Arouce 2003 - com base na casta Cerceal e estagiado em madeira, fruta madura, ligeira oxidação, belíssima acidez, alguma gordura e volume, final longo. Nota 17,5.
Acompanhou muito bem uma tábua de queijos e foi a surpresa do dia. Já o Porto Vintage Qtª do Vesúvio 1998, ainda com muita fruta, mas com um volume e final de boca médios, não entusiasmou. Nota 16,5.
No final do repasto, a maridar com um excelente doce caseiro, à base de maçã reineta, avançou um tawny de um produtor particular, com uma idade aproximada de 70/80 anos - frutos secos, acidez equilibrada, taninos firmes mas civilizados e final longo; penalizado pelo excesso de aguardente proveniente de refrescamento recente, suponho. Nota 16,5+.
Mais uma excelente sessão de convívio e comeres, com os beberes nem por isso. Obrigado Paula e João!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Curtas (XLVIII) : Block House e etc

1.Block House
Este simpático  espaço de restauração fica no Atrium Saldanha e tem irmãos gémeos no C.C.Amoreiras e no C.C.Oeiras Parque. Acima de tudo, impressionou-me o profissionalismo e a simpatia das empregadas. Não me ocorre outro espaço, em que à chegada me tenham posto em cima da mesa um cartão com o nome de quem me ia servir, onde se podia ler "O seu bem estar é a minha razão". E à saída, com a conta, um desdobrável, com uma frase escrita à mão "Muito obrigado pela visita e preferência! Até breve...", assinado ela mesma empregada. Não estou habituado a estes mimos! Acresce que o serviço, além de ultra simpático, é rápido e eficiente.
De 2ª a 6ª feira tem um menú do dia que custa 8,40 €, com direito à salada Block House  e ao prato (no dia em que lá fui, era Cordon Bleu, por sinal nada que me tivesse entusiasmado).
Quanto a vinhos, inventariei 2 espumantes, 1 champanhe, 4 brancos, 6 tintos e 1 rosé, todos disponíveis em garrafa (11,50 a 29,90 €) e a copo (3,30 a 8,20 €). A garrafa foi mostrada, mas o vinho não foi dado a provar. Temperatura acima do esperado, quantidade generosa (0,20 cl), mas o copo quase que fica cheio e não dá para agitar o vinho. Aspecto a corrigir.
Optei por um copo do tinto Douro Qtª de Soque 2010 - aromático, muita fruta vermelha, taninos presentes sem agressividade, algum volume e final longo. Uma boa surpresa. Nota 16,5+.
Só para ter um tratamento de VIP, vale a pena lá voltar!
2.SelFish
É um novo espaço aberto há pouco tempo no C.C.Amoreiras, uma espécie de H3 para o peixe. O serviço está muito bem organizado, rápido e eficiente, apesar de ser tudo elaborado no momento. A aposta é especialmente no atum e salmão, que se podem comer grelhados, braseados ou em hamburguer, embora também se possa comer dourada.
Quanto a vinhos, é melhor beber água!
3.O restaurante mais rápido do mundo
Só pode ser a Casa do Peixe, no piso superior do Mercado 31 de Janeiro (entre as Picoas e o Saldanha). Entre o pedido, desde que seja peixe cozido, a aposta forte da casa, e a chegada da comida à mesa, medeia um escasso minuto. Recorde mundial, pela certa!
Aqui, também, é melhor beber água.

domingo, 18 de janeiro de 2015

O José Quitério e eu...

1.Quando li a Revista do Expresso reformulada (publicada em 10 de Janeiro), agora com um novo formato e novo título (E), ocorreu-me uma conversa tida com o João Paulo Martins (JPM), quando da última visita à Herdade das Servas, em Outubro de 2014. Lastimava-me eu, na qualidade de leitor deste semanário desde o nº 1, pelo facto de o José Quitério (JQ) andar desaparecido há já alguns meses. Uma grande frustação para muitos leitores, alguns dos quais só o compravam para saber qual o restaurante objecto da crítica do JQ. Não seria o meu caso, mas quando abria a Revista, procurava a página do JQ, antes de tudo.
Perguntou-me o JPM quem eu achava que deveria continuar o trabalho do JQ, uma vez que este conceituado crítico estava incapacitado para voltar a trabalhar, por motivs relacionados com a sua saúde. O Fortunato da Câmara (crítico no Público e autor do livro Mistérios do Abade de Priscos), respondi-lhe sem qualquer hesitação, é o único crítico com saber e qualidades para ser o continuador do JQ. Coincidência ou não, acertei na "mouche"!
2.O JQ é, a par da Maria de Lourdes Modesto, uma instituição na área da gastronomia, com obra publicada (Livro de Bem Comer, Histórias e Curiosidades Gastronómicas e, ainda, A Gastronomia na Literatura Portuguesa, que eu me lembre). À conta de muitas das suas críticas, percorri quilómetros para conhecer os restaurantes criticados, resultando daí algumas desilusões, mas muitos momentos de prazer.
Mas também o inverso aconteceu, isto é, ser eu a dar alguma "dicas" ao JQ. Uma delas, talvez a mais importante, foi ter-lhe aconselhado uma visita ao saudoso Flora (restaurante da Residencial com o mesmo nome, em Vila Franca de Xira), que eu "descobrira " recentemente após leitura de uma crítica do David Lopes Ramos de boa memória. Encontrámo-nos, algum tempo depois, num lançamento de vinhos da José Maria da Fonseca, se a memória não me atraiçoa. Disse-me, então, o JQ, que eu tina razão, pois o Flora era um templo gastronómico, graças ao seu mentor, o Pedro Miguel Gil. Perdou-o-lhe o reaccionarismo, acrescentou. Passados uns dias, tive o maior prazer de ler no Expresso uma grande crítica do JQ, ocupando as páginas centrais da Revista, a pôr o Flora nos píncaros da Lua.
3.Quando dos trabalhos preparatórios para elaboração do projecto Coisas do Arco do Vinho, eu e o Juca combinámos encontros com pessoas já nossas conhecidas, que se movimentavam no mundo do vinho e da gastronomia (David Lopes Ramos, José Salvador, Luis Lopes, JPM e JQ, entre outros).
O JQ aproveitou para visitar, connosco, um restaurante que precisava de escrever sobre ele. Chamava-se Café da Lapa e tinha a comandar os tachos, o chefe Joaquim Figueiredo (Bica do Sapato, Tavares Rico, etc).
Sou testemunha de todos os cuidados postos pelo JQ:
.de costas para a cozinha, para evitar ser reconhecido
.ditar a ementa e preços para o gravador que tinha no bolso, não tomando quaisquer notas
.obrigar-nos a escolher pratos diferentes, para os poder provar também
No final, não nos deixou pagar a conta. Quem vai pagar é o patrão (o Expresso), estamos aqui a trabalhar!
Profissional a 100 %, apesar do reconhecido mau feitio!