terça-feira, 5 de maio de 2015

Curtas (LVIII) : as novidades da Blandy, o louvor ao Sabores d' Itália, etc...

1.As novidades da Blandy
Os últimos vinhos Madeira da responsabilidade do prestigiado enólogo Francisco Albuquerque, cujo irmão (Miguel Albuquerque) acabou de ocupar a cadeira do ex-soba Alberto João, foram por ele apresentados recentemente no Hotel Porto Bay Liberdade. Os madeirenses só esperam que ele se porte na política tão bem como o irmão no mundo dos vinhos.
E eles foram:
.Blandy Bual Colheita 2002 - nariz austero, frutos secos, notas de caril e brandy, acidez no ponto, redondo na boca e de fácil abordagem, final médio. Um belo vinho para principiantes. Nota 16,5.
.Blandy Verdelho 1973 - é um frasqueira (o Francisco prefere chamar-lhe Vintage) com mais de 40 anos em madeira; aroma intenso e complexo, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo, taninos presentes, grande volume de boca e final muito longo; elegante e harmonioso. Nota 18,5.
Foram ambos engarrafados em 2014.
Também esteve presente o chefe Benoît Sinthon, 1 estrela Michelin como responsável pela cozinha do restaurante Il Gallo D' Oro, situado no Funchal, e que agora veio dar uma mãozinha ao restaurante do Porto Bay Liberdade que pertence ao mesmo grupo. Concebeu e apresentou 2 pequenas porções (uma à base queijo de pasta mole e a outra à base de chocolate negro) para acompanharem os vinhos. Uma delícia.
2.O louvor ao restaurante Sabores d' Itália
A Assembleia Municipal das Caldas da Rainha aprovou, por unanimidade, no dia 21 de Abril, " um voto de louvor ao restaurante Sabores d' Itália, nomeadamente aos seus proprietários sr. Norberto e sra. Maria João Marcelino(...)  por ter recebido um prémio Sol pelo 2º ano consecutivo, atribuido pelo Guia Ibérico Repsol a um restaurante caracterizado por apresentar uma cozinha excelente de grande qualidade e variedade (...)".
Os gastrónomos, entre os quais me situo, ficam satisfeitos com este duplo reconhecimento. Só não consigo entender o silêncio do guia Boa Cama Boa Mesa. Injustiças!
3.Um novo espaço
Abriu recentemente na zona do Cais Sodré uma interessante e bonita loja gourmet, a "cais pimenta rosa" (Tv. Corpo Santo, 15) que é dos mesmos proprietários do "pimenta rosa restaurante" (R. Tomás da Anunciação, 9B). Só que a escada em caracol que acede à componente garrafeira dissuade os visitantes menos ágeis. Não é para todos...

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Novo Formato+ (21ª sessão) : um grande Colheita 1974 para comemorar Abril

Mais uma grande jornada deste grupo de enófilos, tendo eu levado 7 vinhos da minha garrafeira (2 brancos de 2013, 4 tintos de 2008 e 1 Colheita 1974) e escolhido, mais uma vez, a Enoteca de Belém, como se fosse a minha casa. Copos Riedel e serviço de vinhos 5 estrelas, a cargo do Nelson.
Os vinhos portaram-se todos bem, sem nenhuma desilusão, embora para mim com algumas surpresas. Por exemplo, nos brancos, esperava que o resultado da prova cega fosse ao contrário e, nos tintos, contava que o Aalto tivesse tido uma prestação mais convincente.
Desfilaram:
.Espumante Qtª das Bageiras 2012, uma simpática oferta da Enoteca, a cumprir a sua função de bebida de boas vindas.
.Hexagon - nariz discreto, fruta madura, fresco, acidez equilibrada, alguma gordura, volume médio e fnal seco. Esperava mais. Nota 17.
.Horácio Simões Grande Reserva Vinhas Velhas Boal - fruta madura, boa acidez, madeira presente sem se impor, notas de tosta, alguma gordura, volume e final de boca apreciáveis. Uma boa surpresa vinda de um produtor essencialmente virado para os moscatéis. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos acompanharam um shot de sopa fria de pera (decepcionante casamento) e peixe galo com puré de grão e molho de açafrão (casamento feliz).
.Hexagon - fresco, notas florais, acidez evidente, taninos presentes mas civilizados, volume assinalável e final longo; elegante, equilibrado e harmonioso. Um dos melhores tintos de Setúbal provados por mim. A consumir nos próximos 2/3 anos. Nota 18,5 (noutras situações 18/18).
.Aalto - ainda com fruta, notas de lagar e couro, acidez equilibrada, taninos presentes, algum volume e final muito longo. Em forma mais 4/5 anos, mas esperava mais. Nota 17,5+ (noutras 18/17,5/18,5).
Estes 2 tintos fizeram companhia a um prato de atum braseado com milho frito e molho de poncha.
.Tributo (um tinto do Rui Reguinga, medalha de ouro e troféu no Wine Challenge 2010) - notas florais, boa acidez, taninos civilizados, algum volume e final longo. Esperava um pouco mais de um vinho tão medalhado. Nota 17,5.
.Qtª da Pellada - ainda com muita fruta, belíssima acidez e elegância, notas especiadas, taninos imponentes mas de veludo, volume apreciável e final muito longo. Nota 18 (noutra, também 18).
Estes últimos tintos maridaram com carpaccio de novilho ao bitoque, a que faltou mais alma.
.Barros Colheita 1974 (engarrafado em 2014) - frutos secos, notas de caril, acidez no ponto, volume assinalável e final muito longo; equilibrio e harmonia. Sugestivo rótulo que inclui um cravo colorido. Óptimo para comemorar o 25 de Abril. Nota 18,5.
Fez-se acompanhar de queijos, torta de laranja e fruta laminada.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Fim de semana com cravos e música...

Um fim de semana em cheio, senão vejamos:
6ª feira, dia 24 :
.almoço com um casal amigo no Lisboète; boa relação preço qualidade (entrada ou sopa, prato e sobremesa 15 €); bebida 1 garrafa do tinto duriense Qtª do Espinho Reserva 2010 (enologia de Jean-Hugues Gros, o produtor do projecto Odisseia), apesar do ano uma boa surpresa vinda de um vinho completamente desconhecido, pelo menos para mim; nota 16,5+
.concerto de abertura dos Dias da Música, no CCB
Sábado, dia 25 :
.almoço com outro casal amigo no restaurante da Associação 25 de Abril que é público, o que muita gente desconhece ; comeu-se francamente bem e não se gastou muito (refeição completa a troco de 13 €); ambiente apropriado à data, respirando-se militância e pairando no ar o apoio à candidatura presidencial do candidato Sampaio da Nóvoa
.acompanhamento do desfile, do Marquês de Pombal ao Rossio
.mais 2 concertos no CCB
Domingo, dia 26 :
.almoço sem história no CCB
.mais outros 2 concertos
.conversa com o João Almeida, ao serviço da Antena 2, da qual também é director, durante a qual recordámos alguns bons momentos passados nas CAV (o João Almeida, nosso antigo cliente, tinha um grupo de prova cega e habituou-se a levar vinhos aconselhados por nós, que ficavam quase sempre em 1º lugar; daí ter ficado eternamente reconhecido)
.Concerto de Encerramento dos Dias da Música
Foi, de facto, um fim de semana em cheio, a que não faltaram os cravos e a música. Para o ano, há mais!


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Rescaldo do Peixe em Lisboa

Lamentavelmente pouco usufruí desta última edição do Peixe em Lisboa. Só consegui participar uma única vez, o que é manifestamente insuficiente. Problemas de agenda de um reformado super ocupado!
Comecei por uma insípida "sopa rica de peixe e marisco" obtida no Pap' Açorda. Não fui feliz na escolha, azar o meu.
Esta minha má impressão ficou esquecida logo que degustei o "berbigão em arroz à Bulhão Pato e corvina crocante" elaborada no Flores do Bairro. Uma delícia!
Estes 2 pratos foram acompanhados pelo Qtª de Camarate Seco (2013? 2014?) - muito fresco e mineral, presença de citrinos, elegante e gastronómico, bom final de boca. Nota 16,5.
Terminei com uma surpreendente sobremesa "cone de tortilha de milho caramelizada, com hibiscus e recheio de mousse de abacate", concebida pelo restaurante mexicano Las Ficheras, um estreante nestas andanças.
Finalmente, a cereja em cima do bolo: o sempre excitante Moscatel Alambre 20 Anos, que não me canso de beber, já aqui referido diversas vezes. Nota 18,5.
Notei com apreço que cada vez há mais lugares sentados e à sombra, uma mais valia.
Em contrapartida, só havia senhas de 2, 5 e 8 €. Atendendo a que grande nº de pratos custava 8 €, não entendo que não houvesse senhas de 3 €, a fim de serem adicionadas às de 5 € pagas à entrada. À atenção do Duarte Calvão que, aliás, tem feito um excelente trabalho.
E, para o ano, há mais. Lá estarei!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Grupo dos 3 (45ª sessão) : tintos do Douro "travestidos" de alentejanos...

Mais uma sessão deste trio de enófilos militantes. Os vinhos (2 tintos e 1 fortificado) vieram da garrafeira do Juca que escolheu o Salsa e Coentros, um clássico da cozinha alentejana. O José Duarte é a alma do negócio e o Belmiro Jesus o homem dos tachos. Curiosamente este chefe participou num dos módulos "cozinha ao vivo" que decorreu na última edição do Peixe em Lisboa. Tudo o que comemos estava num patamar alto de qualidade e o serviço de vinhos esteve à altura.
Então, o que bebemos e comemos?
.Reserva Especial 1997 - ainda com muita saúde, aroma fino, notas florais, acidez no ponto, equilibrio e harmonia, algum volume, taninos dóceis e apreciável final de boca. A beber nos próximos 2/3 anos. Nota 18.
.Reserva Especial 2001 - nariz neutro, alguma fruta, notas de lagar, plano na boca, taninos muito redondos, volume e final de boca médios. Já deu o que tinha a dar, o melhor é despachá-lo rapidamente. Nota 16,5+.
Como a prova foi às cegas, estes 2 tintos enganaram-me completamente. Os perfis afastaram-se do Douro e identifiquei-os como alentejanos, parecendo ser o 97 de altitude e o 01 da planície! O que parecia, afinal não era. É a vida!
Acompanharam 3 pratos, em meias doses: alheira transmontana com grelos, bochechas estufadas em vinho tinto e feijoada de lebre. Curiosamente foi a feijoada que menos me impressionou, pois o feijão abafou a lebre. Prefiro-a numa arrozada.
.Artur Barros e Sousa Verdelho 1984 (sem data de engarrafamento visível) -  aroma austero, frutos secos, notas de iodo, brandy e caril, vinagrinho, taninos firmes, volume apreciável e final longo. Um grande Madeira! Nota 18,5.
Este fortificado fez companhia, inicialmente, às excelentes empadas, a um delicioso paté e a ovos com silarcas, embora as maridagens não tivessem sido todas felizes.
Voltámos a bebe-lo no final do repasto, a acompanhar uma sobremesa (torta de laranja?), com a qual fez um belíssimo casamento.
Mais uma boa jornada. Obrigado, Juca!  

sábado, 18 de abril de 2015

Curtas (LVII) : revisitas e novos espaços

1.Sabores d' Itália
No regresso a Lisboa, vindo de Monte Real, fiz um desvio a fim de matar saudades deste imperdível espaço, que continua em alta com a Maria João nos tachos e o Norberto na sala.
Desta vez não fui para a sopa de peixe e marisco nem para o risotto de sapateira, mas aventurei-me num prato de atum com vinho tinto. Aposta ganha! Quanto à sobremesa, não resisti à sopa de amoras. Como íamos com amigos, houve a oportunidade de bebermos uma garrafa do tinto Pó de Poeira 2011. Um belíssimo Douro de um grande ano e com uma relação preço/qualidade de excepção (nota 17,5+).
Mais uma grande jornada nas Caldas da Rainha!
2.Descobre
Voltei, recentemente, a este espaço que também muito gosto e tem a vantagem de ficar a 2 minutos a pé de minha casa. Desta vez não fui para o excepcional prato de cabrito, mas regressei aos originais pica daqui, pica dali (um de atum e outro de asas do inferno). Sobremesa: um divinal gelado de baunilha com figos.
A voltar, sempre!
3.Esplanada Furnas
É normalmente o meu refúgio quando vou à Ericeira. Bem situado, mesmo em cima do mar, este restaurante tem sempre peixe fresquíssimo a preços decentes. Na última visita comemos umas belíssimas e gordas ameijoas (deram 10 a 0 às do afamado Ribamar, em Sesimbra) e um saborosíssimo goraz.
Quanto a vinhos, alinham por baixo, como a maior parte dos restaurantes portugueses. A minha defesa foi, uma vez mais, uma meia garrafa de Planalto 2013, simples e correcto.
4.Novos espaços
Não conhecia e gostei de ver, estes novos espaços abertos mais ou menos recentemente:
.Mercearia Alentejana (Rua Acácio Paiva, 3 D, em Alvalade), a qual só vende produtos alentejanos, sejam vinhos, queijos, enchidos ou doces. Para os indefectíveis do Alentejo!
.Loja dos Queijos Gourmet (Rua Oliveira Martins, 31 B, à Avenida de Roma), que também vende vinhos e outros produtos gourmet, para além dos queijos.
Para além de ser um espaço muito bem concebido e bonito, tem a particularidade de lá trabalhar o Zé Santos, meu antigo braço direito nas Coisas do Arco do Vinho.
A visitar!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Jantar Susana Esteban : Procuras e Aventuras...

Mais uma iniciativa da Garrafeira Nectar das Avenidas, desta vez com os vinhos e presença da enóloga e produtora Susana Esteban. Foi o 42º evento desta garrafeira. É obra!
O evento desenrolou-se no restaurante Sem Dúvida, já aqui referido e elogiado em "O grupo dos 3 (16ª sessão)", crónica publicada em 27/9/2011. Devo dizer que este foi, para mim, o jantar vínico mais equilibrado de todos os organizados pela Nectar das Avenidas, em que participei. De facto, o ritmo foi muito bom, não havendo praticamente tempos mortos entre os pratos, a gastronomia mostrou qualidade, as doses eram as certas, nem diminutas nem excessivas, o serviço era profissional e o repasto terminou a horas decentes. Oxalá fosse sempre assim...
Quanto aos beberes e comeres, desfilaram:
.Aventura 2013 branco - a partir de vinha velha na Serra de S. Mamede, tendo passado apenas por inox; produzidas 4000 garrafas; aromático, frutado, fresco, boa acidez, volume e final médios. Agradável e correcto, mas sem exaltar os sentidos. Nota 15,5.
Ligou bem com queijo fresco, ervas e azeite virgem.
.Procura 2013 branco - estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês; produzidas 1700 garrafas; acidez equilibrada, elegância, alguma gordura e complexidade, notas fumadas, volume e final apreciável; muito harmonioso, vai evoluir bem em garrafa. Nota 17,5.
Fez uma maridagem perfeita com a garoupa estaladiça e palha de alho francês.
.Aventura 2013 - a partir das castas Aragonês e T.Nacional, em vinha na região de Portalegre; 12000 garrafas produzidas; fruta preta, acidez correcta, mas pouco harmonioso, volume e final médios. Precisa de tempo para se harmonizar. Nota 16.
Não ligou minimamente com a trouxa de cogumelos.
.Procura 2012 - a partir da casta Alicante Bouschet, fermentou em lagar e estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês; produzidas 5100 garrafas; fruta presente, acidez no ponto, especiado, notas evidentes de cacau, taninos evidentes mas civilizados, volume e final de boca apreciáveis. Sofisticado e harmonioso. Já está bebível, mas vai melhorar com mais 4/5 anos de garrafa. Nota 18.
Casamento feliz com um lombo de borrego e gratin de batata.
A harmonização das sobremesas ficou ao nosso critério. Pela minha parte, acompanhei a degustação de queijos com o Procura branco (ligou bem) e a delícia de chocolate com o Procura tinto (não ligou tão bem).
Finalmente, para o que estamos habituados, um jantar com apenas 4 vinhos é curto. Faltou aqui um vinho fortificado. Penso que teria sido fácil, para a distribuidora dos vinhos da Susana Esteban, ter arranjado um produtor de vinhos fortificados que pudesse ter feito uma parceria para este evento.