quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Curtas (XXXVIII)

1.Comer e beber em Centros Comerciais
É quase sempre um suplício, para mim, comer e beber em Centros Comerciais (C.C.), à base de tabuleiro na mão, paga na caixa e desaparece para a vala comum. Normalmente acompanho o "fast food" com cerveja, pois serviço de vinhos é coisa que não existe.
Esta afirmação era verdadeira até há pouco tempo. Recentemente, abriu no C.C.Allegro Alfragide um espaço de restauração que veio contrariar as ideias feitas, quanto a comer e beber nos C.C.. Este novo espaço dá pelo nome de Serra da Estrela - Allegro, mas não tem qualquer ligação com o Serra da Estrela do C.C. Amoreiras, segundo me disseram.
É um restaurante, perfeitamente delimitado, com um simpático atendimento à chegada. Pode beber-se vinho à garrafa ou a copo (só o da casa), tendo eu constatado que o serviço cumpre as regras básicas e está muitos furos acima da maioria dos restaurantes em Lisboa. A garrafa vem à mesa e o vinho é dado a provar, antes de ir para o copo.
Bebi, a copo (aceitável, mas podia ser melhor), o branco Encostas da Estrela 2012, um Dão da Adega Cooperativa de Tazém. Frutado, fresco e descomplicado, sem outras pretensões que não sejam fazer boa companhia à comida. Por 1,75 € (!), não se pode exigir mais.
A gastronomia ainda não encontrou o seu caminho (já comi bons pratos e outros para esquecer) e quanto aos guardanapos, o papel é tão rasca que se rasga logo que se limpa a boca. Ó senhores do Serra da Estrela, se não querem pôr guardanapos de pano (mas aí marcavam bem a diferença), ao menos invistam num papel mais resistente!
2.Restaurantes revisitados
.Descobre (R.Bartolomeu Dias) - é sempre um prazer voltar a este espaço (restaurante e mercearia): ementa original, muitas referências para picar e a possibilidade de se ir buscar o vinho à sala do lado (preços de garrafeira) e pagar mais 20 % da taxa de rolha. Bom serviço de vinhos.
.Este Oeste (CCB) - já zurzi fortemente o serviço deste simpático espaço, mas na última visita as coisas correram melhor, excepto a espera que foi demorada; a comida seja italiana ou japonesa tem tido sempre qualidade e a esplanada, com vista para o Tejo, é uma mais valia.
.Crôa (Praia Grande) - é um restaurante de praia, onde o peixe tem a melhor relação preço/qualidade que eu conheço; também tem comida de tacho, que não conheço mas quero experimentar no inverno; vistas para o mar, são também uma mais valia.

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

O Mercado de Sabores do Continente


No último Sábado estive, a convite da organização, no Meo Arena, onde decorreu o Mercado de Sabores, organizado pelo Continente.
Auto intitulado de o 1º grande evento de "street food" em Portugal, contou com a participação de 5 mediáticos chefes (Hélio Loureiro, Sá Pessoa, Kiko Martins, Justa Nobre e Luis Baena) em "showcookings" abertos.
Para além disto, estavam presentes mais de 60 bancas com produtos da terra, enchidos, queijos, doçaria, etc, alguns dos quais em prova. À conta destas degustações, muito boa gente ficou almoçada.
Quanto a vinhos, podiam ser provados nas bancas de algumas dezenas de produtores que trabalham com o Continente, os quais se limitaram a trazer as suas gamas de entrada e um ou outro vinho de gama média. Fora do contexto, estava o belíssimo Morgado de Stª Catherina 2012 que provei e voltei a provar, apagando a má impressão deixada pela colheita de 2010. Custa menos de 10 € e é, para mim, a melhor relação preço/qualidade em brancos portugueses. Uma falha: não detectei qualquer ponto de lavagem de copos. À atenção da organização.
Também estavam em prova os vinhos Contemporal, marca exclusiva do Continente, dos quais, por curiosidade, degustei um Madeira Doce 3 Anos. Parecia que tinha posto na boca borracha queimada! Como é possível vender-se um Madeira com este perfil? Afugenta qualquer principiante!
A fechar, almocei uma muito boa e enorme sandes de paio do cachaço (4 €) numa das poucas bancas do Pátio dos Petiscos. Acompanhei com uma imperial, pois naquele espaço não havia ninguém a vender vinho a copo, o que não faz sentido.  

domingo, 14 de Setembro de 2014

Perplexidades (X)

A crónica de hoje é mais uma achega para a história das Coisas do Arco do Vinho, respeitante ao período Setembro 1996/Março 2010, quando a gestão (do Juca e minha) era da nossa responsabilidade. A 1ª foi publicada em 8/5/2011 e a última em 15/5/2013, onde, quem tiver curiosidade, pode aceder às outras 8 crónicas (há um "link" para cada uma delas). São histórias insólitas, todas presenciadas por mim, envolvendo figuras públicas ou com responsabilidades no mundo do vinho.
A perplexidade que hoje conto diz respeito a uma figura que teve responsabildades institucionais no mundo do vinho, mas que não as soube separar dos seus interesses pessoais. A história conta-se em 5 actos:
1.Antecedentes
A pedido dessa entidade as CAV apoiaram, durante algum tempo, um determinado espaço, fornecendo uma série de acessórios para o serviço do vinho, copos, decantadores, etc.
As relações institucionais e pessoais eram as melhores.
2.Onde entram os interesses pessoais
Num dos contactos com as CAV, a personagem em causa, levou algumas amostras de vinhos da família, com a esperança que passassem a fazer parte do portefólio das CAV.
3.O nosso painel de prova
À semelhança do que se passava com todas as amostras enviadas para a Loja, estes vinhos foram provados às cegas pelo nosso painel de prova, por onde passaram, entre outros, o Rui Falcão, Pedro Gomes, João Quintela e Nuno Garcia. Azar dos azares, os vinhos não ficaram nos 3 primeiros lugares, logo foram rejeitados.
4.A vingança
Quando a personagem em causa lançou uma revista institucional, uma ou mais das suas páginas era dedicada a garrafeiras ou lojas da especialidade. A nossa Loja, na altura a mais badalada de Lisboa, foi completamente ignorada. Só podia ter sido por vingança.
5.A nossa reacção
A nossa reacção foi imediata, tendo inquirido a personagem em causa se teria esquecido o nosso apoio, sem o qual o seu espaço não teria tido o mesmo significado.
Encostada à parede, a personagem em causa não teve outro remédio senão enviar a Lisboa um jornalista para nos entrevistar, com vista à publicação na revista respectiva, o que veio a acontecer.
6.Moral da história
Os interesses pessoais não se devem sobrepor aos institucionais!

terça-feira, 9 de Setembro de 2014

Almoço com Vinhos da Madeira (14ª sessão) : tintos 2008 em alta e 2 fortificados para a História

Mais uma grande sessão com este grupo de 14 enófilomadeirenses, embora apenas 1 seja genuino! Desta vez, o evento decorreu em S. Francisco da Serra, "chez" casal Juca e Lena, que se responsabilizaram praticamente por todos os comeres. Já em crónicas anteriores referi os seus dotes culinários e, por isso, não me vou repetir. Mas não resisto a afirmar que o rabo de boi, mais uma vez, estava de 5 *.
Foram provados e bebidos 9 vinhos (o espumante e os brancos foram oferta do anfitrião):
.como bebida de boas vindas, o espumante Qtª Poço do Lobo 2009 (porta-se sempre bem e tem uma relação preço/qualidade invejável. Nota 16,5);
.com as entradas (queijo fresco com tomate seco, picadinho de tomate, cebola e pimentos e, ainda, salada de bacalhau e grão), um branco de Marlborough (Nova Zelândia) o Ribbonwood Pinot Gris 2012, com tampa de roscar, que cumpriu bem a sua missão mas sem suscitar paixões (16);
.a limpar o palato, um Madeira Borges Sercial 15 anos, sem data de engarrafamento (?), trazido pelo João, que se portou bem, mas sem a complexidade dos Madeiras mais velhos que estão noutro patamar (17);
.com os pratos (o já badalado rabo de boi com puré de batata e bacalhau no forno, que não cheguei a provar) 3 tintos de 2008 que se portaram a grande altura: Antónia Adelaide Ferreira (18,5) da garrafeira do J.Rosa, Qtª do Noval (17,5+) levado por mim e Qtª da Touriga Chã (17,5+) oferta do Alfredo;
.com os queijos (Serra, Terrincho da Qtª da Veiguinha e outros): Soalheiro Alvarinho Reserva 2010, a seguir o caminho do 2007 e a ligar muito bem com o Serra (18) e o grande Vintage Fonseca 1994, da garrafeira do Adelino, a ligar muito bem com o Terrincho e a entrar agora na sua melhor fase, ainda com muita fruta e juventude, complexidade, óptima acidez, volume e final longo; equilibrio e harmonia (18,5+);
.com as sobremesas o Madeira Blandy Bual 1969 (engarrafado em 2012; nº 481 de 1542, uma raridade), oferta do Modesto, a mostrar grande complexidade, frutos secos, vinagrinho, notas de caril e brandy, potência de boca e final interminável (19).
Resumindo, grande convívio, beberes (quase todos) e comeres de excepção. Obrigado, anfitriões!


quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Curtas (XXXVII)

1.Regressado de férias
Após 1 semana de férias, passada em Berlim e Dresden, o blogue está de regresso.
Como balanço, na área vínica, posso dizer:
.Depois de ter começado com a cerveja, nos primeiros dias, fiz agulha para os brancos, de um modo geral, com alguma qualidade.
.Em qualquer dos espaços de restauração frequentados, incluindo os restaurantes dos hotéis de 4 *, o serviço de vinhos deixa muito a desejar. O copo já vem servido e a garrafa só é mostrada a pedido.
.Os copos são, de um modo geral, de qualidade (Schott Zwiesel, Spiegelau, etc) e as quantidades tanto podem ser 10 cl como 20 cl (!).
.Os preços oscilam entre os 4,20 e os 6 €, o que não é caro, atendendo à quantidade servida (no caso dos 20 cl).
.A TAP serve, a acompanhar as inenarráveis refeições, o Esteva 2013 e o branco Paulo Laureano Clássico 2013. Com copos de plástico, estes vinhos de gama de entrada servem perfeitamente.
2.Gosto de Portugal
Tive a pachorra de ver os 30 episódios desta série. O apresentador, Rodrigo Meneses de seu nome, tem uma postura um tanto desleixada, comendo e falando ao mesmo tempo. "Fantástico", diz ele a propósito ou a despropósito de quase tudo. Muitas vezes, ficamos sem saber quem são os interlocutores ou os espaços onde a acção se desenrola. Legendas, precisam-se!
Embora tivesse dedicado alguns episódios ao vinho (Qtª de Santana, Barranco Longo, Qtª da Lapa, João Portugal Ramos, Taylor's, Adega da Cartuxa, Susana Esteban, Filipa Pato e Symington, por ordem cronológica), por vezes parecia não saber pegar no copo! 
O Miguel Pires, autor dos conteúdos, merecia melhor.  

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Vinhos em família (LV) : algumas desilusões

Mais uma série de vinhos, provados com o rótulo à vista, calmamente em família. Desta vez foram todos brancos, 2 Alvarinhos (um genuino, o outro não), 1 Arinto de Bucelas e 2 Reservas, com algumas desilusões pelo meio.
.Vale dos Ares Alvarinho 2013 - produzido por MQ Vinhos, Lugar do mato (Monção), com enologia de Gabriela Albuquerque; presença de citrinos, notas florais, mineral, volume e final de boca médios; um branco certinho, agradável e descomplicado, próprio para esta estação. Falta-lhe alguma complexidade para dar o salto para outro patamar. Nota 16,5.
.Adega Mãe Alvarinho 2012 - austero, sem a exuberância da casta, fruta fresca, acentuadamente mineral, acidez equilibrada, elegante e harmonioso. A casta Alvarinho a dar-se bem em Torres Vedras. Nota 16,5+ (noutra situação, a mesma nota).
.Morgado Stª Catherina 2010 - défice de acidez, pesado na boca; uma grande desilusão esta garrafa de um dos brancos que mais gosto. Fico na dúvida, azar com a garrafa ou esta colheita já foi? Nota 14 (noutras 17,5+/17,5/17,5+).
.Dory Reserva 2012 - produzido pela Adega Mãe, com base nas castas Viosinho, Chardonnay e Viognier, fermentou em barricas de carvalho francês e fez "batonnage" durante 6 meses; fruta madura, acidez muito equilibrada, alguma gordura, notas fumadas, madeira bem casada, volume de boca evidente. A única crítica: os 14% de álcool, um exagero. Nota 16,5+.
.Qtª dos Carvalhais Reserva 2010 - lançado agora pelo Clube 1500 da Sogrape, com base nas castas Encruzado e Verdelho, após 3 anos em barricas de carvalho, uma violência; complexidade aromática, fruta madura, excesso de madeira, alguma acidez mas insuficiente, gordura. É um branco muito pesado, mesmo na época mais fria. Muito abaixo das  expectativas criadas. Nota 14,5. Fico curioso em saber que apreciações irá ter, da parte da crítica consagrada.
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quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Quadro de Honra de Moscateis

Termino o balanço dos QH com os Moscateis e afins (aqui incluo a casta Bastardo). Em relação a 2013, elegi mais 4, dos quais 2 são da Madeira, passando o nº de eleitos para 19, o que corresponde 5,7 % do total e 17,6 % dos fortificados.
Em pormenor:
1.Moscatel de Setúbal, incluindo o Bastardinho (todos da José Maria da Fonseca)
.com 19,5 - 3 (1952, Superior 1955 e Roxo 1960)
.com 19 - 2 (Roxo 1900 e Trilogia)
.com 18,5+ - 5 (1967, 1973, Roxo Superior 1971, Superior 1962 e Roxo 20 Anos engarrafado em 2014)
.com 18,5 - 3 (1918, Superior 1975 e 20 Anos engarrafado em 1986)
.com 18 - 3 (Roxo 20 Anos, Alambre 20 Anos e Bastardinho 30 Anos)
2.Moscatel do Douro
.com 19 - 1 (Secret Spot +40 Anos)
3.Moscatel da Madeira
.com 19 - 1 (Artur Barros e Sousa de ano desconhecido e engarrafado em 1997)
.com 18,5 - 1 (Artur Barros e Sousa 1890)
A sublinhar: o pleno da JMF nos Moscateis de Setúbal e a entrada da ABS neste QH.