quinta-feira, 30 de julho de 2015

Uma fartura de provas : Dão Capital, Wine Fest Alvarinho e Baga Bairrada

Não há fome que não dê em fartura. No espaço de uma semana e meia, estiveram à prova em Lisboa, algumas centenas de vinhos, a saber:
1.Dão Capital - Mostra de Vinhos e Iguarias
Decorreu no Palácio Foz, em 17 e 18 de Julho e contou com o apoio da Revista de Vinhos. Estiveram presentes 43 produtores de vinhos e 6 de sabores, ocupando 31 e 8 bancas, respectivamente, as quais se estendiam por 4 salas (Espelhos, Luis XVI, Painéis e Jantar). Só para conhecer estas salas, valia a pena ter programado uma ida ao Palácio Foz. Além da dignidade do espaço, podia-se circular à vontade, coisa que raramente acontece neste tipo de provas.
Com o tempo que dispunha, limitei-me a provar 14 brancos passando ao largo dos tintos. Retive, em 1º lugar, o Ribeiro Santo Vinha da Nave 2012 (nota 17,5) e logo a seguir a grande surpresa que foi o Allgo Encruzado 2014 (17+) e, ainda Qtª Falorca Reserva 2014, Qtª Roques Encruzado 2014 e Qtª Lemos Encruzado 2013 (todos com 17). Logo a seguir Qtª das Marias Encruzado 2014, MOB 2013 e Titular Encruzado/Malvasia 2014 (16,5), Julia Kemper 2013 e Casa da Insua (16+) e, ainda, mais alguns que não me ficaram na memória.
2.Wine Fest Alvarinho - Monção e Melgaço
Ao contrário da prova anterior, esta foi praticamente ao ar livre debaixo da pala protectora do Pavilhão de Portugal, também conhecida pela pala Siza Vieira. Participaram 30 produtores dos concelhos de Monção e Melgaço, tendo eu provado 31 vinhos de 25 produtores.
Para além dos consagrados Soalheiro 1ª Vinhas 2014 (nota 17,5) e Expressões 2013 (17,5), um dos vinhos do Anselmo Mendes em prova e o único que provei, tive a oportunidade de degustar mais alguns Alvarinhos, para mim totalmente desconhecidos, ou porque estão no mercado há pouco tempo ou porque nunca arriscaram sair da sua zona de conforto.
Talvez a maior surpresa tivesse sido a Qtª da Teimosa com o seu brilhante Milacrus 2014 (17,5), logo seguido do Valados de Melgaço 2013 (17+) ,Castros de Paderne 2012 (17) e Qtª Alvaianas Biológico 2014 (17). O melhor elogio que lhes fiz foi que os compraria, caso ainda estivesse ligado às CAV.
Já meus conhecidos, confirmaram a sua qualidade: Poema Reserva 2012 (17+), Dona Paterna Reserva 2011 (17), Vinha Antiga Escolha 2012 (17) e Solar de Serrade Colheita Seleccionada 2013 (17).
Também se portaram bem, por ordem cronológica e com pontuações entre 16+ e 16,5: Castros de Paderne 2013, Casa de Canhotos 2014, Qtª Alderiz 2012, Dom Ponciano 2014, Qtª Pereirinha Superior 2014, Foral de Melgaço 2014, Casa de Midão 2014, Terras de Monção 2014, Vale dos Ares 2014, QM Vinhas Velhas 2014, Terras de Real 2014 e Regueiro Primitivo 2013,
Finalmente, não gostei:
.de não haver nenhum folheto alusivo ao evento, nomeadamente com as coordenadas dos produtores envolvidos
.da música ao vivo, demasiado alta, dificultando o diálogo com os produtores (também foi despropositado a inclusão de duas meninas abrasileiradas, a sambar(?) para o povo...)
À atenção da organização...
3.Baga Bairrada
Apresentado no espaço completamente remodelado da ViniPortugal, em Lisboa (T. Paço), o projecto Baga Bairrada, tendo usado da palavra os presidentes da CVBairrada e da ViniPortugal e, ainda, do enólogo das Caves Aliança, ligado ao projecto. Vá lá, desta vez safámo-nos ao discurso do governante de serviço...
Segundo a brochura distribuída na altura, "O projecto Baga Bairrada é uma iniciativa da CVBairrada, aberta a todos os produtores da região.(...)", com a finalidade expressa de "(...)assegurar um estilo que possa fazer crescer os espumantes Blancs de Noirs Baga Bairrada, em particular nos mercados de exportação (...)".
Foram postos à prova os primeiros Baga Bairrada, Aliança Reserva, Qtª Poço do Lobo, Marquês de Marialva, Rama & Selas (todos de 2013) e São Domingos 2008. De facto foi uma luta desigual, com o 2008 a sobrepor-se aos neófitos de 2013.
No final da prova, os participantes levaram para casa 1 garrafa do espumante Aliança já com a nova imagem.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Almoço com Vinhos Fortificados (19ª sessão) : um Alvarinho e um Cerceal de excelência

Mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes deste grupo de enófilos militantes, que decorreu em Porto Covo, chez Natalina/Modesto (mais uma vez) que nos disponibilizou as iguarias e os vinhos (excepção para o Cerceal, que saiu da minha garrafeira). O anterior encontro pode ser visto em "Almoço com Vinhos da Madeira (14ª sessão)...", crónica publicada em 12/7/2014.
Desfilaram 2 brancos (um dos quais em garrafa de 3 litros), 3 tintos, 1 Porto e 2 Madeiras:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2012 (3 l) - grande complexidade e intensidade aromática, presença de citrinos e algum tropical, belíssima acidez, alguma gordura e volume, final longo; elegante e harmonioso, tem evoluido muito bem e ainda está longe da reforma. Nota 18 (noutras situações 17,5+/17,5/18/18).
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2013 (não cheguei a provar)
Os Alvarinhos acompanharam as entradas (casquinha de sapateira e cogumelos recheados) e a tradicional sopa de garoupa e ameijoas.
.Borges Cerceal 1979 (sem data de engarrafamento) - aroma intenso, frutos secos, vinagrinho, notas de brandy e caril, volumoso, final interminável. Um grande Madeira, sempre na área da excelência (noutras 18,5/18,5/19).
Além de nos ter dado um grande prazer, bebido entre as entradas e o prato principal, serviu para limpar o palato.
.Altas Quintas Reserva 2004 - acidez evidente, notas vegetais, notas de tabaco e couro, taninos bicudos, volume e final médios; algo desequilibrado, foi o elo mais fraco da sessão. Nota 16 (noutra 14,5).
.Qtª do Mouro Rótulo Dourado 2007 - fresco, acidez equilibrada, especiado, notas de chocolate preto, taninos finos, volume e final apreciáveis, muito equilibrado e harmonioso; em forma mais 4/5 anos; um grande alentejano! Nota 18 (noutras 18,5/18).
.Aalto 2008 - nariz austero, acidez no ponto, alguma fruta, taninos domesticados, pouco concentrado, algum volume e final médio; elegante e harmonioso, ao estilo borgonhês. Nota 17,5+ (noutras 18/17,5/18,5/17,5).
Estes 3 tintos harmonizaram, melhor uns que outros, com uma excelente lebre com grão.
.Dow's Vintage 1980 - ainda com fruta, boa acidez, elegante e equilibrado, taninos macios, volume e final médios. Perdeu alguma complexidade. Nota 17,5 (noutras 18,5/17,5).
Maridou com uma tábua de queijos.
.Cossart Gordon Terrantez 1977 (engarrafado em 2004, com o nº 1006/2000) - nariz austero, acidez alta, notas de iodo e metálicas; algum desequilibrio e agressividade nesta garrafa; final longo. Nota 16,5+ (noutras 18/17,5).
Acompanhou as tradicionais pinhoadas e alguma doçaria.
Obrigado Natalina! Obrigado Modesto! Até para o ano...

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Alfredo Castilho : um amigo enófilo que nos deixou

Conhecemo-nos num dos jantares vínicos que a Revista de Vinhos organizava e ficámos amigos. Nessa altura eu nem sequer imaginava que iria ter uma loja de vinhos.
 Mais tarde e quando a RV deixou de os organizar, avançámos nós (o Juca e eu) e o Alfredo Castilho passou a frequentar os eventos das Coisas do Arco do Vinho, raramente falhando com a sua presença, fossem provas, jantares vínicos ou visitas a produtores.
Quando nos reformámos, o Alfredo passou a participar nos eventos da Garrafeira Néctar das Avenidas, tendo estado presente no último no dia 22 de Maio ( o Bairradão, que incluiu provas e jantar vínico), como bom militante que era.
O Alfredo era um bom garfo e bom copo. Bebamos, então, à sua memória...
Até sempre!

domingo, 26 de julho de 2015

Visita à Quinta da Alorna

Louve-se, em primeiro lugar, a atenção dada pela Qtª da Alorna ao mundo da blogosfera. É mais um produtor a considerar que as opiniões dos enófilos não se esgotam na crítica especializada. Bem hajam por isso. Da meia dúzia de convidados, apenas puderam comparecer 3, os blogues "Comer, Beber & Lazer" (Carlos Janeiro), "Reserva Recomendada" (Rui Pereira) e este "Enófilo Militante" (eu próprio).
Eu já conhecia a Alorna, pois no meu tempo das CAV, a convite do Nuno Cancella de Abreu (NCA), na altura administrador e responsável pela enologia, chegámos a organizar uma visita à Alorna com um grupo de clientes. A Marta Simões, que agora nos recebeu, era o seu braço direito, mas desde já há alguns anos, com a saída do NCA, assumiu a responsabilidade da enologia
Visitada a adega, deu-se início às provas, orientadas pela Marta. Tivemos o privilégio de que tivessem ocorrido no interior do palácio, normalmente fechado às pessoas estranhas à quinta. O Palácio, agora propriedade da família Lopo de Carvalho, foi mandado construir em 1725 por D.Pedro de Almeida Portugal, 1º Marquês de Alorna.
Embora o palácio já não pertença à família que o mandou construir, os actuais proprietários não o esqueceram e deram aos seus vinhos topo de gama, o nome de "Marquesa de Alorna", em homenagem à 4ª Marquesa, D. Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre (1750/1839), ilustre poetisa, pedagoga e detentora de excepcional cultura para a época.
Voltando aos vinhos, provámos:
.Qtª Alorna 2014 branco - castas Fernão Pires (60 %) e Arinto (40 %); presença de citrinos, muito fresco e com algum volume; excepcional relação preço/qualidade (inferior a 4 €). Nota 16+.
.Marquesa Alorna Grande Reserva 2013 - estagiou 9 meses em barricas novas de carvalho francês e outros 9 na garrafa antes de ser comercializado; alguma acidez e gordura, mas ainda muito marcado pela madeira, volumoso e gastronómico; irá afinar com o tempo (?). Nota 16,5
.Qtª Alorna T.Nacional/Cabernet Reserva 2011 - a Touriga entra com 70 % e o Cabernet com os restantes 30 %; ostenta uma medalha de ouro, atribuida no concurso Mundus Vini 2014; fruta vermelha, notas vegetais, alguma acidez, notas de tabaco, volume e final médios; boa relação preço qualidade (6,50 €). Nota 16,5+.
.Qtª Alorna 2012 - com base nas castas Syrah, Alicante, Castelão e T.Roriz; medalha de ouro no Challenge International du Vin 2015; alguma fruta e acidez, simples e correcto, volume e final médios, taninos redondos e doces, Nota 15,5.
.Marquesa de Alorna Grande Reserva 2011 - estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês e mais 12 em garrafa; nariz complexo, acidez no ponto, fresco e especiado, alguma gordura, volume e final assinaláveis; muito equilibrado. Nota 17,5+.
De notar que os tintos sairam prejudicados, por terem sido provados a temperaturas acima do recomendável. Uma pena...
Durante o almoço, que teve lugar na mesa da família (com esta ausente, claro), provámos/bebemos, ainda:
.Rosé T.Nacional 2014 - simples e correcto, a ligar bem com salmão fumado laminado (nota 15,5)
.Verdelho 2014 - bela acidez e todo ele muito equilibrado, a acompanhar uma sopa fria de melão e presunto (nota 16,5)
.Reserva Arinto/Chardonnay - a frescura do Arinto a coligar-se harmonicamente com a gordura do Chardonnay; gastronómico, casou bem com farinheira e queijo de cabra; uma boa surpresa (nota 17,5)
.Colheita Tardia 2012 - alguma acidez, déficite de gordura e volume, demasiado light para o meu gosto, mas a ligar bem com mousse de lima (nota 15,5)
.Abafado 5 Anos - tem a gordura que falta ao CT, mas peca por excesso de doçura, fez boa companhia ao doce regional "pampilho" (nota 16).
Resumindo e concluindo, os vinhos da Qtª da Alorna são, no geral, interessantes e bem feitos, apresentando uma relação preço/qualidade excepcionais.
À saída, ofereceram a cada participante uma caixa com 3 varietais da Qtª da Alorna (Verdelho 2014, Arinto 2014 e T.Nacional 2013).
Obrigado Marta pela visita e pela lembrança!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

No rescaldo da visita à Real Companhia Velha (IV): a Quinta de Cidrô

...continuando...
Esta é a última crónica sobre a visita à RCV, incidindo maioritariamente sobre a Qtª de Cidrô, onde jantámos e dormimos.
Antes da refeição, para entreter o palato, provámos o varietal Qtª do Cidrô Sauvignon 2014. Já no repasto, vieram para a mesa mais alguns vinhos desta marca:
.Sémillon 2013 - fruta presente, algum vegetal, notas amanteigadas, acidez nos mínimos, volume e final médios. Não entusiasmou. Nota 16.
Acompanhou alheira e torricado de tomate.
.Pinot Noir 2009 - ainda com alguma fruta, notas florais, boa acidez, elegante, taninos macios, volume e final médios. Nota 16,5+.
Não ligou minimamente com uma sopa de legumes.
.Touriga Nacional 2012 - fresco, floral, elegante, acidez equilibrada, especiado, taninos civilizados, algum volume e final longo. Nota 17,5+.
Casou bem com o prato de cabrito assado.
.Cabernet/T.Nacional - aroma exuberante, notas vegetais, algum floral, acidez no ponto, taninos presentes sem incomodar, volume apreciável e final longo. Um bom exemplo de um casamento exemplar entre estas 2 castas. Nota 18.
.Oporto Colheita 1976 (sem indicação da data de engarrafamento) - frutos secos, alcool muito presente, alguma acidez, mas sem a complexidade de outros colheitas com esta idade, Desiludiu. Nota 15,5.
No final do repasto tivemos direito a um serão musical, abrilhantado pelo viticultor Alvaro Martinho, também músico, cantor e letrista, que animou o grupo até às tantas. Quem tiver curiosidade, pode vê-lo e ouvi-lo no youtube a interpretar "A minha vinha", com letra e música deste artista.
De notar, ainda, que antes do almoço na Casa Redonda (referido na crónica anterior), visitámos a adega, em Favaios, e a vinha da Qtª Casal da Granja, onde se dão as uvas da casta Sémillon, destinadas ao Grandjó Late Harvest, aproveitando o calor e humidade que ali encontram, óptimos para o desenvolvimento do fungo Botrytis Cinerea.
A fechar, deixo aqui as minhas impressões finais da visita à RCV:
1.Positivas
.a recepção e acompanhamento calorosos como o grupo foi acolhido, por parte da família Silva Reis
.a quantidade e qualidade dos vinhos provados em geral e as comidas que os acompanharam
.a energia inesgotável do hiper activo e polivalente Alvaro
2.Susceptíveis de crítica
.o excesso de vinhos com castas estrangeiras (sensivelmente 1/3 dos vinhos provados)
.curiosamente no mesmo dia que iniciámos a visita à RCV, saiu na Fugas a crónica semanal do Rui Falcão, intitulada "Promover Portugal?", em que, logo no 2º parágrafo, refere "Uma postura filosófica e comercial que é contrariada de forma cada vez mais gritante por demasiados produtores que introduzem um número crescente de variedades estrangeiras nas suas vinhas, triste sina que é visível na maioria das regiões nacionais. Até no Douro (...)". Assino por baixo!

terça-feira, 21 de julho de 2015

No rescaldo da visita à Real Companhia Velha (III): Quinta das Carvalhas

...continuando...
A 3ª etapa teve como destino a RCV, que era o objectivo da visita organizada pela Néctar das Avenidas e com a participação deste grupo de cerca de 30 enófilos, concretamente a Quinta das Carvalhas, onde decorreu o nosso primeiro almoço em conjunto.
A família Reis (Pedro pai, Pedro filho e Manuel, irmão do 1º) estava bem representada e envolveu-se parcialmente nas actividades relativas à visita. Da equipa técnica, o responsável pela enologia, Jorge Moreira, não poude estar, mas o viticultor Alvaro Martinho acompanhou-nos em todo o programa.
Como bebida de boas vindas, foi-nos servido o Qtª Cidrô Gewurztraminer 2014 (com boa acidez e alguma gordura) e o Evel XXI 2013 (mais elegante e sofisticado).
No decorrer do almoço, foi-nos proporcionada uma prova vertical de brancos Carvalhas :
.2013 - fresco, mineral, presença de citrinos, notas fumadas, volume e final médios; precisa de tempo de garrafa para se armonizar. Nota 16,5+.
.2012 - acidez equilibrada, alguma fruta madura, volume e final apreciáveis. Nota 17.
.2011 - belíssima acidez, fruta madura, notas fumadas, alguma gordura, volume notável e bom final de boca; muito gastronómico e longe da reforma. Foi o meu preferido. Nota 18.
.2010 - citrinos e fruta madura, alguma oxidação, acidez nos mínimos, algum volume e final extenso; neste momento faz uma boa prova, mas não vale a pena guardar mais. Nota 17,5.
Estes 4 brancos acompanharam um prato de bacalhau (espiritual?).
Seguiram-se mais 1 tinto e 1 fortificado, todos da marca Carvalhas:
.Tinta Francisca 2012 - estagiou 1 ano em madeira, muita fruta, fresco, acidez no ponto, taninos domesticados, volume e final médios; francamente acima do 2011 (provado no jantar com a RCV, na Casa do Bacalhau, já aqui referido na crónica "Jantar Real Companhia Velha" publicada em 17/3/2015), mas apenas uma curiosidade. Nota 16,5+.
.Tawny Reserva - frutos secos, notas de caril e brandy, volume e final médios. Uma boa surpresa, óptimo para principiantes. Nota 16,5.
Deixando as restantes quintas para a próxima crónica, continuamos nas Carvalhas onde voltámos no dia seguinte para o nosso almoço de despedida, que se desenrolou na mítica Casa Redonda, um dos pontos mais altos do Douro, com uma magnífica vista panorâmica de 360º.
As boas vindas foram acompanhadas pelo Alvarinho 2013 da Qtª de Cidrô, que evoluiu muito bem desde que foi provado no referido jantar com a RCV.
Durante o almoço foram servidos:
.Séries Arinto 2012 - já aqui comentado em "Vinhos em família (LXII)", crónica publicada em 13/6/2015. Mostrou-se mais interessante, mas vou voltar a prová-lo. Nota 17.
.Qtª Cidrô Rufete - cor aberta, fresco, acidez no ponto, notas vegetais, volume e final médios, a faltar-lhe complexidade. Nota 16.
.Carvalhas Vinhas Velhas 2012 - continua em grande forma e mantêm-se as notas de prova constantes no referido jantar na Casa do Bacalhau. Nota 18,5.
.LBV 2010 - também já provado naquele jantar; muito frutado, acidez no ponto, taninos vigorosos, algum volume e final de boca; interessante, mas sem entusiasmar. Nota 16,5.
continua...

quinta-feira, 16 de julho de 2015

No rescaldo da visita à Real Companhia Velha (II) : a Pousada de Viseu e a Casa da Insua

...continuando...
1.A Pousada de Viseu
A 2ª etapa teve como destino a Pousada de Viseu, mandada construir por D. Maria I em finais do séc. XVIII/princípio do séc. XIX e magistralmente recuperada em 2009 pelo arqº Gonçalo Birne, depois de ter servido como hospital uma série de anos. Vale a pena conhecê-la.
De referir a sala "Cigar and Wine Lounge", muito bem decorada com expositores com origem em caixas de madeira para vinhos. Logicamente era de esperar uma montra de vinhos Dão, com base nos produtores mais emblemáticos da Região, mas não, a Dão Sul tem o exclusivo (embora, no pequeno almoço,o espumante fosse o Danúbio da Aliança! Contradições...).
O restaurante não está à altura da Pousada, com tempos de demora para a sopa do dia de mais de 30 minutos! Quanto a vinhos de mesa/consumo inventariei (entre parêntesis os vinhos a copo) 1 champanhe, 1 espumante, 9 brancos (4), 11 tintos (3) e 1 rosé. Os fortificados (4 Portos, 1 Madeira e 1 Moscatel) estavam todos disponíveis a copo. Lamentavelmente não constam os anos de colheita e os preços são, em grande parte, demenciais.
2.A Casa da Insua
A Casa da Insua data do séc. XVIII e inclui, desde há pouco tempo, um restaurante e um hotel de charme. Os interiores do palácio, assim como os jardins (o francês e o inglês), o museu e a queijaria merecem uma visita. Foi o que fiz, com pretexto de lá ir almoçar.
A sala do restaurante situa-se num espaço sóbrio mas, simultaneamente, requintado. Tem uma cozinha tradicional com qualidade e um serviço eficiente e super simpático. E, ainda, um belíssimo azeite.
Quanto a vinhos, a lista é curta e muito centrada nas bebidas deste produtor, mas com os anos de colheita omissos e, por outro lado, a carta separa os verdes dos maduros, um erro que não se compreende, mais a mais num restaurante de um produtor de vinhos. Os preços são interessantes, como por exemplo, Carrocel a 65 €, Poeira a 54 € e Vinha Paz Reserva a 25 €. C
A copo, apenas 4, espumante,branco tinto e rosé (1 referência de cada).
Optei pelo rosé Casa da Insua 2014 (2,50 €) - austero no nariz e na boca, final muito seco e gastronómico. Uma boa surpresa. Nota 15,5.
Acompanhou bem toda a refeição (couvert, entrada de alheira, chouriço e morcela em cama de espinafres e, ainda, arroz de cabrito com cogumelos e castanhas).
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em copo da Vista Alegre. Têm um armário térmico, mas os tintos a copo estão à temperatura da sala, o que não se compreende.
Poderá ser um espaço de referência, mas desde que sejam corrigidos os aspectos negativos apontados.
À atenção dos responsáveis pela Casa da Insua. Os clientes agradecem.
continua...