terça-feira, 19 de março de 2019

Grupo dos 6 (15ª sessão) : brancos, tintos e fortificado na área da excelência

Mais um encontro deste grupo de enófilos, desta vez com brancos de 2015, tintos de 2010 e 1 Madeira de 1946. O evento teve lugar no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos, isto é, muito bem.
Desfilaram:
.Maçanita As Olgas 2015 (garrafa levada por mim) - "encepamento ancestral", isto é, vinhas com 85 a 100 anos; ainda muito frutado e fresco, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Fino e elegante. Nota 17,5+.
.Pai Abel 2015 (levada pelo João) - 92 pontos no Parker; com base nas castas Maria Gomes e Bical; nariz discreto, alguma fruta, notas amanteigadas a imporem-se, volume e final de boca assinaláveis (13,5 % vol.). Um perfil diferente e mais gastronómico que o anterior. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos acompanharam as entradas habituais e uma divinal barriga de atum.
.Antónia Adelaide Ferreira 2010 (levada pelo J. Rosa) -  estagiou 2 anos em barricas novas de carvalho francês; ainda com muita fruta, alguma acidez, especiado, taninos suaves, algum volume e final de boca persistente (14,5 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Qtª da Falorca Lagar Reserva 2010 (levada pelo Frederico) - 95 pontos no Parker; com base nas castas Touriga Nacional (70%), Tinta Roriz e Alfrocheiro (15% de cada); frutado e fresco, acidez equilibrada, taninos finos, volume e final de boca notáveis (14 % vol.). Muito elegante e harmonioso. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Vallado Reserva 2010 (levada pelo Juca) - com base em vinhas velhas com mais de 80 anos, estagiou 17 meses em meias pipas de carvalho francês; nariz neutro, alguma fruta e acidez, taninos civilizados, volume e final de boca médios (14,5 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5+.
Estes 3 tintos harmonizaram com carne maturada e legumes.
.Artur Barros e Sousa Boal Muito Velho 1946 (levada pelo Adelino) - notas de frutos secos, iodo e caril, presença acentuada de vinagrinho, complexidade, volume notável e final de boca interminável. A Madeira no seu melhor. Nota 18,5+.
Foi mais uma grande jornada de convívio e comeres, com os vinhos a situarem-se na área da excelência.

sábado, 16 de março de 2019

Porto Extravaganza 2019

Estive recentemente no Palácio de Seteais, em Sintra, para mais um evento "Porto Extravaganza - os Vinhos Generosos de Portugal", tendo apenas participado na jornada dedicada aos Vinhos da Madeira (nos outros 2 dias, as estrelas foram alguns dos Vinhos do Porto Messias e Qtª do Noval).
No passado, participei numa série de Extravaganzas, todas superiormente organizadas pelo Paulo Cruz, o dono do Bar do Binho em Sintra e grande coleccionador de vinhos fortificados.
Lamentavelmente não ficou qualquer registo meu para memória futura, pois ainda não existia este enófilo militante. A excepção foi a prova dos Garrafeiras da Niepoort, ocorrida há cerca de 2 anos e que foi objecto da crónica "Porto Extravaganza : os Garrafeiras da Niepoort (I)", publicada em 21/3/2017.
Voltando ao Extravaganza 2019, o dia dedicado aos Vinhos da Madeira estava previsto e confirmado para a degustação de vinhos da Madeira Wine quase todos do século XX mas, quase em cima da hora, o seu CEO (Chris Blandy de seu nome) cancelou-a.
Avançou, então, o plano B do Paulo Cruz com vinhos da sua colecção, quase todos do século XIX. Na sua apresentação contou com o apoio da Diana Silva (a produtora dos polémicos vinhos Ilha) e do Paulo Bento (enófilo e coleccionador de Vinhos da Madeira e que fez parte do painel de prova das Coisas do Arco do Vinho, de boa memória). A logística, mais uma vez, esteve a cargo da indispensável Teresa que também é prima do organizador.
A prova, onde estavam maioritariamente enófilos apaixonados por Vinhos da Madeira, marcaram presença o Adelino de Sousa (também ele um grande coleccionador) que interveio várias vezes e mais 3 militantes dos nossos grupos de prova (José Rosa, Frederico Oom e eu ), incidiu sobre 13 vinhos do século XIX e apenas um mais recente (que foi, aliás, o mais fraco). As principais revistas especializadas também se fizeram representar (Grandes Escolhas com o João Paulo Martins e a Revista de Vinhos com o Manuel Moreira).
É de sublinhar:
.a grande surpresa que foram os 2 vinhos Henriques & Henriques, ambos no patamar da excelência
.a confirmação da longevidade dos Vinhos da Madeira que foram provados com todo o respeito devido à sua provecta idade.
Para terminar deixo aqui as minhas classificações, subjectivas certamente, que exprimem os diversos graus de prazer que os vinhos provados me deram. E elas foram:
Com 19 :
.Henriques & Henriques Boal Velhíssimo 1878
Com 18,5 :
.Borges Terrantez 1846
.Henriques & Henriques Verdelho Solera 1887
.D'Oliveiras Malvazia Reserva 1900
Com 18+ :
.Artur Barros e Sousa Boal 1860
.Leacock Malmsey Solera 1863
Com 18 :
.Leacock Solera Sercial 1860
.Torre Bella Sercial 1865
.P.J.L. Malvazia 1880
Com 17,5 :
.Real Vinícola da Madeira 1850
.Sercial do Jardim do Sol (?) 1870
Com 17 :
.Freitas & Irmão Reserva 1825
.Justino Henriques Malvasia 1890
Com 16 :
.Artur Barros e Sousa Listrão Branco do Porto Santo
A fechar:
.alguns destes (poucos) vinhos estão ou estiveram à venda na Garrafeira Nacional e outros em leiloeiras internacionais
.agradeço publicamente a oportunidade (irrepetível) que me foi dada de provar estas relíquias.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Grupo FJF (8ª sessão) : Único 2015, a perfeição

O grupo original reuniu novamente no Magano. O pretexto foi a prova do novo Qtª dos Carvalhais Único (após as colheitas de 2005 e 2009, chegou agora a vez da 2015) para comemorar a entrada do Frederico (um dos F) no Clube Reserva 1500.
Desfilaram:
.Granbazán Limousin Albariño 2010 (garrafa levada pelo João) - com base na casta Albariño, estagiou 6 meses em barrica; evoluído, fruta madura, acidez e gordura, volume e final de boca assinaláveis (13,5 % vol.). Muito gastronómico. Nota 17,5.
Acompanhou as entradas habituais e ainda maridou com o prato de sável e açorda de ovas.
.Qtª dos Carvalhais Único 2015 (levada pelo Frederico) - enologia de Beatriz Cabral de Almeida; com base na casta Touriga Nacional (88 %), estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês novas e usadas; muito fresco e frutado, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos de veludo, volume de respeito e final de boca muito longo (14 % vol.). Cheio de souplesse e complexidade, é a perfeição no Dão. A beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 19.
Casou bem com o sável e ainda fez companhia a um cabrito no forno.
.Lopo de Freitas 2011 (levada por mim) - enologia de Susana Pinho; com base nas castas Touriga Nacional e Baga, estagiou 14 meses em barrica; cheio de juventude e fruta, acidez equilibrada, taninos presentes e civilizados, algo especiado, volume e final de boca notáveis (14,5 % vol.). A beber nos próximos 8 a 10 anos. Aguentou o embate com o Único. Nota 18,5.
Casou bem com o cabrito e arroz de miúdos.
.Moscatel J P Vinhos 1989 (da garrafeira do João) - presença de frutos secos, forte componente de iodo, notas de brandy, acidez nos mínimos, algum volume e final de boca. Nota 17,5+.
Mais uma grande sessão no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos.

terça-feira, 12 de março de 2019

Jantar Casa da Passarella : o 100º evento da Néctar das Avenidas

Foi um momento histórico, na vida da Garrafeira Néctar das Avenidas, este jantar com vinhos da Casa da Passarella, apresentados pelo enólogo Paulo Nunes, ao coincidir com o seu 100º evento. Muitos anos e eventos vínicos é o que os enófilos em geral e eu em particular desejamos à Sara e ao João Quintela.
Este jantar, com 80 participantes, decorreu na sala nobre da Casa do Bacalhau, enquanto que na sala ao lado estava um grupo com mais de 100 pessoas. Servir 2 jantares com esta dimensão não é para todos. Acrescento que os copos nas nossas mesas (cerca de 400!), eram na maioria Riedel e, ainda, o ritmo do serviço com os vinhos a chegarem à mesa antes da comida foi o adequado. Parabéns ao João Bandeira e sua equipa.
Depois desta introdução, vamos aos vinhos provados e bebidos:
.A Descoberta 2018 branco - com base nas castas Encruzado, Malvasia e Verdelho, estagiou 6 meses com as borras finas; nariz intenso, muito frutado com notas cítricas e tropicais, alguma acidez, magro de corpo e final de boca curto (13 % vol.). Para consumo imediato e adequado a entadas leves. Nota 15,5.
Acompanhou pastéis e paté de bacalhau.
.Espumante O Fugitivo Bruto - com base na casta Baga, feito o dégorgement em Janeiro 2019; bolha fina, cremoso e notas de pão cozido (12 % vol.). Nota 16,5.
Não ligou bem com pataniscas de bacalhau e arroz de tomate.
.O Enólogo Vinhas Velhas 2015 tinto - com base nas castas tradicionais, estagiou 18 meses em barricas de carvalho; aroma fino com alguma intensidade, fruta vermelha, acidez no ponto, taninos suaves, algum volume e final de boca (14 % vol.). Equilibrado e elegante. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 16,5+.
Maridou com uma feijoada de linguas de bacalhau.
.O Fugitivo Vinhas Centenárias 2015 tinto (3160 garrafas) - aroma fino e austero, fruta vermelha, acidez equilibrada , notas especiadas, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis (13,5 % vol.). Fresco, harmonioso e complexo. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18.
Casou bem com pernil assado, batatas e chalotas.
.O Fugitivo Branco em Curtimenta 2017 (1955 garrafas) - cor carregada, nariz austero, fruta cozida e de caroço, alguma acidez e gordura, volume considerável e final de boca que desaparece rapidamente (12 % vol.). Servido demasiado frio, é um branco polémico e nada consensual. Nota dos 17,5 aos 15,5 venha o diabo e escolha...
Duas notas finais:
.os contra-rótulos contam histórias, mas sobre os vinhos (castas, estágio,...) nada dizem
.esperava mais dos vinhos e a Néctar das Avenidas merecia melhor.

sábado, 9 de março de 2019

Tejo Gourmet (III) : Mãe Cozinha com Amor - 3 *

O 2º restaurante que frequentei, no âmbito do Tejo Gourmet, foi o Mãe, propriedade de 3 ribatejanos, já aqui referido em "Tejo no feminino (2ª parte) : o almoço", crónica publicada em 7/6/2018. Das críticas feitas na altura apenas corrigiram o nome da Região Ribatejo para Tejo, ficando por corrigir a omissão dos anos de colheita e a temperatura a que estavam e estão os vinhos tintos. Uma pena.
Mesas com toalhetes e guardanapos de papel. Mais, este espaço não tinha publicitado o evento, cujo menu nem sequer constava na lista.
A troco de 20 €, tive direito a couvert (pão, azeitonas e um belíssimo paté), entrada (torricado de perdiz com chips de batata doce, que estava francamente bom), prato (sopa de pedra de bacalhau, já aqui criticada na crónica acima referida) e sobremesa (suspiro com limão e amêndoas).
Acompanhei a refeição com um copo do branco Lagoalva Talhão 1 2017 (uma simpática oferta do dono) - muito aromático e fresco, notas cítricas e tropicais, acidez no ponto, algum volume e final de boca adocicado. Nota 17,5.
A garrafa veio à mesa e dado a provar num copo de qualidade e sem marca (segundo informação do dono, custa pouco mais de 1 €) e servida uma quantidade generosa.
Serviço profissional e simpático.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Tejo Gourmet (II) : Varanda de Lisboa - 4 *

O Varanda de Lisboa, restaurante do Hotel Mundial, foi o 1º espaço de restauração que visitei no âmbito do evento Tejo Gourmet. Além de o site do hotel publicitar o programa, indicando o menu e respectivos preços (19 € ao almoço, sem vinhos e 35 € ao jantar com harmonização de vinhos), o Varanda de Lisboa é o que pratica preços mais acessíveis de todos os restaurantes aderentes. Mais, a ementa está impressa, para que não haja dúvidas.
Usufrui deste menu ao almoço e constatei que os 19 € incluiam couvert (pão, azeite, azeitonas e crepes de camarão), água e café. Os vinhos ou outros extras são pagos à parte.
A entrada (sardinhas albardadas) e o prato (ensopado de enguias) inserem-se muito bem na cozinha tradicional ribatejana, ao contrário da sobremesa (tarte de castanha). Estava tudo com qualidade (as enguias, simplesmente fabulosas) e as doses generosas.
O serviço em geral, demasiado à antiga, embora simpático, teve alguns deslizes inesperados.
Quanto à componente vínica, a lista é alargada, sem indicação dos anos de colheita e com preços altos. A copo tem uma dúzia de sugestões.
Optei por um copo de Qtª de Alorna Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2012 (6 €) - ainda com muita fruta, notas florais e algum vegetal, acidez equilibrada, taninos macios, algum volume e final de boca. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e dada a provar num copo Schott, mas a uma temperatura desadequada que, no entanto, foi rápida e profissionalmente bem resolvida, com um recipiente com água e gelo.
Este Varanda de Lisboa está de parabéns, pois cumpriu da melhor maneira os objectivos definidos pela Confraria do Tejo.
Em próxima crónica falarei da minha experiência no Mãe - Cozinha com Amor.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Aditamento a Curtas (CIX) : a Bairrada em Lisboa

6.Bairrada@LX (3ª edição)
A Bairrada, com o apoio da respectiva CVR, vai voltar a Lisboa. No dia 23 de Março, das 15 às 20 h, 20 produtores bairradinos terão uma série de vinhos à prova no Mercado da Ribeira (1º piso).
Boas provas!