quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Curtas (XCIV) : Casa de Pasto e Cervejaria Nunes, dois espaços recomendáveis

1.Casa de Pasto
Ainda não tinha ido a este espaço com a nova equipa, cujo responsável pelos pratos é o chefe Hugo Castro, vindo do Tabik. Sobre a anterior, já me tinha manifestado em "Almoço na Casa de Pasto" e no ponto 2 (Casa de Pasto revisitada) de "Curtas (XXVI)", crónicas publicadas em 4/2 e 25/3/2014.
Em visita recente, tive a oportunidade de saborear:
.rissóis de berbigão à Bolhão Pato (massa demasiado grossa) e sonhos de línguas de bacalhau (no ponto)
.mão de borrego solta à Avó Sãozinha (uma grande e saborosa dose para 2 pessoas, que ainda sobrou para um jantar em casa)
.doce da casa (divinal)
Optei por beber um dos vinhos a copo (oferta reduzida), o tinto Pedra Cancela 2015, muito fresco e frutado, com taninos civilizados, volume e final de boca médios, harmonizou com o borrego. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, servido em quantidade generosa.
A voltar, seguramente.
2.Cervejaria Marisqueira Nunes
Este espaço fica a 2 passos da minha casa, já lá fui "n" vezes, mas nunca publiquei nada no blogue, uma falha minha, sem qualquer dúvida. Vou hoje redimir-me.
A Nunes é considerada, sem qualquer exagero, uma das mais conceituadas cervejarias de Lisboa, senão a melhor. Além da mariscada, também se pode comer um bom peixe. O serviço é muito profissional e a maior parte dos empregados está lá desde a inauguração, o que quer dizer alguma coisa.
Nesta última visita provei um belíssimo casco de sapateira e uns saborosos polvinhos à lagareiro, acompanhados por uma cerveja bohemia.
Quanto a vinhos a aposta é forte, com uma lista pujante, em suporte electronico, onde não faltam os néctares mais badalados.
Recomendo, sem sombra de dúvida.
Mais informações em nunesmarisqueira.pt.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Grupo dos 6 (6ª sessão) : aposta forte na colheita de 2011 e num Madeira ABS

Nesta última sessão, este grupo de enófilos militantes fez agulha para o restaurante Magano (R. Tomás da Anunciação) que eu não conhecia (uma falha no meu curriculo). O Magano pratica uma cozinha alentejana de qualidade e tem uma especial atenção para o serviço de vinhos (espaço garrafeira climatizado, carta de vinhos alargada e criteriosa e bons copos). Apoiou-nos o proprietário e simultaneamente chefe de sala, Marco Luis de seu nome.
Foi uma grande sessão, com uma selecção de vinhos de semear invejas. E eles foram:
.Champagne Les Bermonts Marguet Grand Cru 2012 (oferta do Frederico) - com base na casta Chardonnay (100 %) fez o degorgement apenas em Maio 2017; bolha fina, mas com excesso de gás e espuma, não fez a minha felicidade. A culpa é minha, pois não aprecio este estilo.
Acompanhou uma série de saborosas tapas (salada de polvo, cogumelos recheados, empadas, peixinhos da horta, carapaus fritos, presunto e torresmos).
.Soalheiro Alvarinho 2011 magnum (levado pelo João) - nariz exuberante, muito fresco e cítrico, ligeira evolução a não denunciar a idade, acidezquilibrada, notas amanteigadas, boa estrutura e final de boca apreciável. Muito longe da reforma. A casta Alvarinho no seu melhor. Nota 18.
Harmonizou com uma sopa de tomate com garoupa e ovos escalfados.
.Qtª Vale Meão 2011 (levado pelo Frederico) - pontuado com 97 em 100 pela Wine Spectator; nariz discreto, ainda com fruta vermelha, acidez no ponto, notas vegetais e especiadas, taninos presentes, volume evidente e final de boca persistente. A beber nos próximos 8/9 anos. Nota 18,5.
.Pintas 2011 (levado por mim) - pontuado com 98 em 100 pela Wine Spectator; aroma contido, fresco, ainda com fruta, boa acidez, notas especiadas, taninos civilizados, bem estruturado e final de boca muito longo. Complexo e longevo, a beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18,5+.
.Legado 2011 (levado pelo J.Rosa) - não foi a votos na Wine Spectator, que eu saiba; nariz mais exuberante, fruta presente, acidez muito equilibrada, notas especiadas, taninos de veludo, volumoso e final de boca apreciável. Perfeito e deveras impressionante, neste momento. Embora com um estilo algo diferente, não fica a perder com o Barca Velha. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 19.
Estes 3 tintos de eleição casaram bem com uma costela mendinha com grelos.
.Artur Barros e Sousa Sercial 1976 (levado pelo Adelino) - engarrafado em 2006; frutos secos, notas de iodo e brandy, vinagrinho, taninos dóceis, algum volume e final de boca comprido. Genuino e típico Madeira. Nota 18,5.
Muito seco, não ligou bem com as queijadas de requeijão, mas foi perfeito com uma tarte de amêndoa e nougat.
Esclareça-se que este vinho não estava previsto entrar no final do repasto, mas sim depois da sopa para pôr o palato a zeros.
Foi uma grande e inesquecível sessão. Só foi pena que o Juca, outro enófilo deste grupo, não tivesse podido participar (ele traria um Madeira FEM Muito Velho para a sobremesa).

sábado, 2 de dezembro de 2017

Vinhos em família : 4 tintos de 2011

Mais uns tantos vinhos, agora todos tintos e da famosa colheita de 2011, provados com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Não houve desilusões, nem grandes paixões, mas com o Qtª Crasto Vinhas Velhas a impor-se.
E eles foram:
.J de José de Sousa - com base nas castas Grand Noir, Touriga Franca e Touriga Nacional, fermentou em ânforas de barro e estagiou 14 meses em meias pipas de carvalho francês; ainda com muita fruta, notas de lagar, algo especiado, acidez no ponto, taninos presentes, volume e final de boca assinaláveis. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5+.
.Qtª Crasto Vinhas Velhas - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; ainda com frutos vermelhos presentes mas já com aromas e sabores terciários, acidez equilibrada, notas especiadas, taninos domesticados, algum volume e final de boca bem persistente. É um vinho que, de ano para ano, mantém um padrão de qualidade sempre elevado. Um valor seguro e longe da reforma, pode ser bebido nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
.Canameira Grande Reserva (garrafa nº 898/3000) -  muita fruta presente, fresco e elegante, notas especiadas e esteva, alguma acidez e volume e final de boca médio. É um tinto do Douro Superior pouco conhecido, mas com uma boa relação preço/qualidade. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5.
.Olho no Pé Reserva Vinhas Velhas - estagiou 40 meses em barricas; alguma fruta preta e vermelha, notas vegetais, acidez discreta, , taninos civilizados, algum volume e final de boca. Sóbrio, fresco e elegante. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Dom Alimado : um bufete de luxo

O Dom Alimado é o restaurante do Júpiter Lisboa Hotel (Av. República,46) que disponibiliza, no período de almoço, de 2ª a 6ª feira um bufete temático e ao Sábado um bufete de tapas, reservando o brunch, que eu bem dispenso, para o Domingo. O preço dos bufetes é de 15 € com direito a água e café. Uma excelente relação preço/qualidade, atendendo à quantidade/qualidade das ofertas em cima da mesa (uma boa dúzia de entradas diversas, saladas e sobremesas) e, ainda, meia dúzia de pratos principais. É comer até fartar.
No dia que "descobri" este restaurante, o tema do bufete era a cozinha algarvia, tendo eu provado/comido umas tantas entradas (sopa de peixe, carapaus alimados, saladas de polvo e ovas), alguns dos pratos presentes (cataplana com frutos do mar, xerém com os mesmos, corvina assada e cozido de grão com enchidos da serra) e sobremesas (fruta e doces).
Como se dizia (diz) do rancho na tropa: bom, abundante e bem confeccionado!
Quanto a vinhos, inventariei 3 espumantes (1 a copo), 4 champanhes (1), 16 brancos* (4), 11 tintos (3), e 10 fortificados (todos a copo).
* 1 era colheita tardia
A carta de vinhos, lamentavelmente, é omissa quanto a anos de colheita e tinha algumas falhas.
Optei por um copo do branco Vale da Poupa 2016 - cítrico, fresco e mineral, simples e correcto , mas delgado na boca. Nota 15,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott.
Gostei, recomendo e tenciono voltar.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Jantar Jorge Moreira

Este último evento, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas*, teve lugar na belíssima sala nobre do restaurante Casa do Bacalhau, totalmente reservada para os participantes. Gastronomia e serviço de vinhos (copos, temperaturas, ritmo,etc) à altura dos acontecimentos, como já nos habituaram.
O vinho de boas vindas foi o Pó de Poeira 2016, fresco e com alguma complexidade, cumpriu bem a sua função e acompanhou bem os pastéis de bacalhau e croquetes de vitela. Nota 16,5.
Com o produtor e enólogo presente (o Jorge Moreira que conhecemos desde os tempos das CAV), que apresentou os restantes vinhos, desfilaram:
.M.O.B. 2013 - com base nas castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Baga e 12,5 % vol.; muita fruta vermelha, boa acidez, taninos presentes bem comportados, fino  e elegante, volume médio e final de boca persistente. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 17+.
.Passagem Reserva 2015 - com base nas castas tradicionais do Douro e 14 % vol.; nariz intenso, frutado e especiado, acidez equilibrada, taninos de veludo, volume e final de boca consideráveis. Na linha do 2009, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos acompanharam um saboroso arroz de bacalhau, tendo o M.O.B. ligado melhor do que o Passagem.
.Poeira 2014 - com 13,5 % vol. estagiou em barrica; nariz intenso e complexo, fruta vermelha e preta, acidez no ponto, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca marcantes. Vinho elegante, com classe e longevo. Pode ser bebido nos próximos 10/12 anos. Nota 18,5+.
Maridou bem com um apetecível prato de porco braseado com chalotas.
.M.O.B. Lote 3 2016 - com base nas castas Encruzado, Bical e Malvasia Fina e 13% vol.; nariz austero, presença de citrinos e fruta cozida, alguma acidez, notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Nota 16.
Acompanhou queijos (Serra e Serpa).
.Qtª La Rosa Tawny 20 Anos - presença de frutos secos, mel e tangerina, acidez e taninos, notas amanteigadas, doçura, algum volume e final de boca médio. Nota 17.
Prejudicado por ter sido servido a uma temperatura acima do recomendável, a única falha do serviço de vinhos.
Harmonizou com uma inesquecível sopa fria e quente de doce de ovos.
Foi um grande jantar vínico na companhia de um grande enólogo!

* Uma semana após este evento, a Garrafeira Néctar das Avenidas comemorou o seu 6º aniversário, com uns quantos amigos e clientes, no decorrer do qual foram apresentados os últimos Poejo d' Algures (Encruzado 2016, Lisboa e Jaen 2015 e Douro 2014), tendo eu gostado francamente do Encruzado e do tinto do Douro. No final do repasto foi servido um Madeira Borges Malvasia 20 Anos, com uma relação preço/qualidade imbatíveis.
Parabéns à Néctar da Avenidas e muitos anos de vida!

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Espaços de restauração : 2 revisitas e 1 "descoberta"

1.Santa Clara dos Cogumelos
Já aqui referida por diversas vezes, a última das quais em "Tempo de revisitas : Santa Clara dos Cogumelos, (...)", crónica publicada em 9/3/2017.
Recentemente fui revisitar este imperdível espaço, situado no antigo mercado de Santa Clara, paredes meias com a Feira da Ladra. Pena é que apenas esteja aberto para almoços aos Sábados.
Comi:
.Ménage à 3 (bacalhau à "mantecato", polenta com tinta de choco e pleurotus confitado)
.Risotto Santa Clara (porcini e trombetas de morte, alecrim e nozes)
.Não-Sei-Quê de Santa Clara (brownie com gelado de boletos edulis)
Divinal! É pena não disponibilizem mais almoços e que não se transfiram para uma zona mais à mão.
Quanto à componente vínica está tudo na mesma, ou seja mal. Optei pela belíssima cerveja artesanal "Creature IPA" da Dois Corvos Cervejeira que recomendo vivamente. Depois de se entrar nas artesanais, imperiais nunca mais!
2.Expressões da Nossa Terra
Também já aqui referida em "Expressões da Nossa Terra : um curioso e original espaço 3 em 1", crónica publicada em 8/4/2017.
Continua a ter o menú de almoço a 10 €, com direito a couver, sopa ou entrada, prato principal, bebida e café, uma pechincha. Bons copos, serviço despachado e simpático.
A lista de vinhos é que continua a omitir os anos de colheita. Uma pena.
A loja está bem fornecida e ali pode comprar-se uma série de produtos de qualidade (vinhos, azeites, cerveja artesanal, queijos, enchidos, conservas e compotas).
Recomendo.
3.Luzboa
"Descobri" este espaço através da Time Out. Fica na Rua Marquês Sá da Bandeira,124, paredes meias com a Gulbenkian. A sala é pequena mas, com bom tempo, pode-se usufruir da esplanada, que tem cadeiras de café mas devidamente almofadadas.  Para se assegurar lugar, ou vai-se muito cedo ou lá para as 14 h.
Quando lá fui havia 4 pratos do dia (lulas recheadas, arroz de lingueirão, panado de novilho e salsicha crioula grelhada), uma série de petiscos algarvios (os donos são de lá) e 9 sobremesas.
Optei pelo arroz de lingueirão (excelente, por sinal) e mousse de lima (também muito boa), com os pratos muito bem apresentados.
Quanto à componente vínica, a lista é original mas sem vinhos apelativos e datas de colheita. Copos aceitáveis e serviço despachado.
Recomendo.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Passagem 2009 : aditamento à crónica anterior

Já tinha a crónica publicada quando me alertaram para a existência de 2 tintos Passagem 2009, o Reserva que levei para o almoço referido e o Grande Reserva o vinho que teve direito aos prémios citados. O seu a seu dono...
Mas, de qualquer modo, o Reserva 2009, provado às cegas no Lumni, é um grande, grande vinho!