quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Os comeres no Mercado da Ribeira : Miguel Castro e Silva (MCS)

1.Depois de ter andado pelas bancas da Marlene Vieira (crónica publicada em 8/6/2014), Vitor Claro (1/7/2014), Sá Pessoa (1678/2014) e Alexandre Silva (25/9/2014), chegou a vez do chefe Miguel Castro e Silva, a trabalhar no restaurante Largo e proprietário do deCastro (à Praça das Flores), já aqui referido em "Almoço no deCastro", crónica publicada em 7/3/2014.
A aposta do MCS é na cozinha tradicional portuguesa, com uma ou outra inovação. O menú apresenta, além de pratos de peixe e carne, meia dúzia de emblemáticos petiscos (de 4 a 5,90 €), 2 francesinhas (a puxa-carroça 9,80 € e a com hamburga e linguiça 9,50 €)  e os pratos do dia. Numa das visitas eram bacalhau no forno (8,90 €), salada de bacalhau fumado (6,50) e ameijoas com feijão manteiga (11,50).
Optei por este último prato, um ex-libris do MCS, que se apresentou saborosíssimo, mas com o feijão a esmagar as delicadas ameijoas, o que é pena. Noutra visita comi um curioso e agradabelíssimo prego com cogumelos e queijo da Ilha (7,80).
Quanto a vinhos, inventariei a copo (2 a 3,75 €) e à garrafa (9 a 16 €), 1 espumante, 4 brancos, 3 tintos, 4 Porto (a copo 2 a 4,50 € e garrafa 16 a 44 €) e 1 Madeira (4 € o copo e 42 € a garrafa). Muito bons preços!
Provei:
.Cassa Lote MCS tinto (ano?) - frutado, alguma acidez, correcto e descomplicado, volume e final de boca médios; gastronómico. Nota 15,5.
.Cassa Lote MCS 2011 branco - côr doirada, presença de citrinos e maçãs, fresco, excelente acidez, alguma gordura e volume; uma boa surpresa, uns furos acima do tinto; ainda longe da reforma. Nota 17.
A garrafa foi mostrada e aberta na altura, mas não dada a provar. Não custava nada...
2.Verifiquei, com algum espanto da minha parte, que as bancas de vinhos João Portugal Ramos e Herdade do Esporão sairam do Mercado. Os respectivos espaços foram ocupados por "Licor Beirão" e "Russian Standar Vodka" !? O que teria acontecido? O negócio não era rentável?
Lamento a decisão, eles fazem falta!


terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Herdade das Servas revisitada

A convite do produtor, fui revisitar a Herdade das Servas (H.S.), já aqui referida diversas vezes, nomeadamente em "A Herdade das Servas e a Blogosfera", em 2 partes, crónicas publicadas em 22 e 23/1/2011, e, ainda, "Provar vinhos no Chafariz com a Herdade das Servas", publicada em 16/11/2013. Aí sublinhei todo o meu apreço pelos irmãos Mira (Luis e Carlos), proprietários da H.S., pelo Tiago Garcia, enólogo da casa, e pelo comercial Artur Diogo. Fazem uma boa equipa, com a qual sempre tive excelentes relações institucionais e pessoais, no meu tempo das CAV e, também, depois.
O tema desta recente visita, era a apresentação de novos vinhos e do restaurante, agora diariamente aberto ao público (excepto 3ª feira), que tem na sala o Paulo Baía, arrendatário do espaço, e na cozinha Maria da Fé Baía, sua irmã, ambos vindos do restaurante São Rosas, uma garantia de qualidade.
O grupo visitante incluia, uma vez mais, representantes da blogosfera, imprensa especializada e alguma generalista, todos tratados de igual modo, desde a Revista de Vinhos ao mais modesto dos blogues. Tiro o meu chapéu ao produtor!
Chega de introdução e vamos aos vinhos, iguarias e respectiva harmonização (ou falta dela):
.Colheita Seleccionada 2013, dado a provar antes da visita e do almoço - presença de citrinos, acidez equilibrada, alguma mineralidade e frescura, notas químicas, agradável e correcto, mas sem esmagar. Nota 16.
.Alicante Bouschet Reserva 2011 - estagiou em barricas de carvalho francês (80 %) e americano (20 %); ainda com muita fruta, boa acidez, notas de couro e pimenta, apreciável volume de boca e final persistente. Prejudicado pela temperatura de serviço, um pouco acima do recomendado. Nota 17.
Acompanhou uma sopa de tomate à alentejana (com linguiça, farinheira e toucinho laminado), com a acidez do tomate a brigar com o vinho.
.Reserva 2011 - com base nas castas Alicante Bouschet (40 %), T.Nacional, Aragonês e Petit Verdot (todas com 20 %), estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês (70 %) e americano (30 %); aroma exuberante, boa acidez, especiado, notas de tabaco e chocolate preto, taninos presentes de veludo, bom volume de boca e final longo. Foi servido decantado e a uma temperatura correcta. Grande alentejano! Nota 18.
Maridou razoavelmente com cação de coentrada  e brilhou com um excelente e inesquecível borrego assado no forno. Casamento para a vida!
.Sousão/Vinhão 2011 - retinto, muito frutado, acidez excessiva, pouco harmonioso e um perfil nada alentejano. Apenas uma curiosidade e não lhe atribuo classificação.
Brigou com o bolinho de chocolate. Violência doméstica e divórcio à vista!
Um apelo ao produtor: façam um colheita tardia ou comprem uma quinta no Douro, para poderem ter um Porto a acompanhar as sobremesas!
Em relação ao restaurante, a cozinha é segura, o serviço de vinhos competente ( foram decantados e servidos antes da comida chegar ao prato, para poderem ser cheirados sem intromissão dos cozinhados; as temperaturas de serviço, com a excepção do 1º vinho, foram as correctas). Mais: copos Ridel, um luxo que os clientes agradecem!
O balanço é francamente bom, mas seria ainda melhor se os preços dos vinhos no restaurante, sejam a copo sejam à garrafa, fossem mais acessíveis. Afinal a marca Herdade das Servas é exclusiva e, francamente, não percebo tais preços que podem afastar potenciais clientes. Não faz sentido, para mim, o Reserva 2011 custar 18 € na loja, passar a porta e chegar ao restaurante a 30 € (o copo a 7,50 €)! Para reflexão dos meus amigos proprietários e do arrendatário...
Em conclusão, uma grande jornada vinícola e gastronómica. Obrigado, irmãos Mira!

sábado, 18 de Outubro de 2014

José Avillez ao quadrado

Sobre os espaços de restauração do chefe José Avillez já publiquei algumas crónicas, sendo a primeira "Almoço no Cantinho do Avillez" em 10/9/2011 e a última "Almoço no Café Lisboa : o bloco central do Chefe Avillez" em 29/10/2013.
Recentemente fui conhecer a Pizzaria Lisboa e revisitar o Cantinho do Avillez. Eis as minhas impressões:
1.Pizzaria Lisboa
Este projecto tem, como sub-título, Zé Avillez, a confirmar o ar descontraído deste espaço, a que se juntam a eficiência e o serviço simpático.
Experimentei o Menú Executivo, disponível ao almoço, de 2ª a 6ª feira. Por 12,50 € tem-se direito ao cover (manteiga, paté, azeite, azeitonas, grissinos e fatias da pizza base), um prato a escolher entre 10 pizzas, 5 pastas, 2 risottos e 3 saladas, e ainda uma bebida (concretamente água, ficando de fora a cerveja ou um copo de vinho da casa, o que não se entende de todo). Escolhi a Pizza Fado (tomate, mozzarella, courgette, beringela, pasta de azeitona, alho e parmesão), muito fina e estaladiça. Sinceramente, gostei.
Mas, nem tudo o que luz, é oiro. Depois de me ter sido indicadas as mesas em que me podia sentar (a sala estava praticamente vazia), sentei-me numa que afinal estava reservada, sem que tal parecesse, para uma conhecida colunista do Expresso. Ó chefe Avillez, não podia investir numas sinaléticas a dizer RESERVADO? Esta "cena" poderia ter sido evitada.
2.Cantinho do Avillez
Escrevi na minha 1ª crónica, acima referida, "O serviço, com algumas falhas, ainda não está ao nível da cozinha. O tempo o afinará, creio.". Passaram-se 3 anos e, afinal, não afinou! Dois exemplos, a mesa estava francamente suja da véspera, sem que ninguém tivesse tido a maçada de a limpar; a música estava demasiado alta, para a hora de almoço, e só ao segundo pedido é que se dignaram baixá-la um pouco!
Fiquei-me por 2 entradas, ceviche de vieiras com abacate (excelente) e os emblemáticos ovos à professor século XXI (fiquei algo desiludido; se calhar, pus a fasquia muito alta).
Bebemos o branco Meandro 2013 (23 € a garrafa), uma novidade para mim - presença de citrinos, fresco, mineral, algum volume de boca, gastronómico, acompanhou muito bem as vieiras. Nota 16,5.
Serviço de vinhos correcto. Quanto às deficiências acima referidas, faço votos para que o tempo, mais uma vez, as afine!

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Curtas (XLI) : Eventos e etc

1.Próximos eventos em Lisboa
.Azeites e Vinhos do Alentejo no CCB (17 e 18 Outubro)
.Restaurant Week (16 a 26 Outubro)
.Mercado de Vinhos no Campo Pequeno (31 Outubro, 1 e 2 Novembro)
2.Revista Evasões
Está no mercado o nº 198 Outubro 2014 (embora no interior se leia Setembro) da Evasões (4,90 €), número totalmente dedicada ao vinho.

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Cogumelos no Assinatura

É a minha 2ª visita ao Assinatura neste tempo d.h.m. (depois do Henrique Mouro). Da 1ª resultou a crónica "O 4º aniversário do Assinatura", publicada em 21/6/2014.
O tema, cogumelos silvestres, era aliciante. E a este, juntou-se a minha curiosidade em saber como o chefe Vitor Areias o iria tratar. O resultado foi francamente animador e o chefe merece nota alta.
O almoço constava de 1 entrada (Amanitas Caesarea com laranja e vinho do Porto), 2 pratos ("Bife" de Boletus com esparregado de chagas e lombo de novilho com marmelada de Boletus)  e 1 sobremesa (cherovia com gelado da mesma), a menos interessante. Tudo isto a troco de 27 €, um preço especial para "assinantes".
Com a entrada e o 1º prato, bebi um copo de Qtª do Perdigão Encruzado 2013 (5,50 €) - frutado, fresco e mineral, alguma gordura e complexidade. Gastronómico, ligou muito bem com a entrada e aguentou-se com o 1º prato. Nota 16,5.
Com o 2º prato, avançou um copo do tinto Pó de Poeira 2011 (não tomei nota do preço, pois a casa, muito simpaticamente, não cobrou) - fruta presente, acidez equilibrada, notas especiadas,  algo complexo, potente e elegante em simultâneo. Um bom exemplar do ano 2011 e de um vinho a preço acessível. Acompanhou muito bem o lombo de novilho. Nota 17,5.
Serviço geral e, especificamente, o de vinhos, impecáveis. Profissionalismo e simpatia. Apenas uma nota: a temperatura do tinto poderia estar ligeiramente mais baixa.
Conclusão: gostei francamente e recomendo!

domingo, 12 de Outubro de 2014

Novo Formato+ (18ª sessão) : tintos 2005 em prova

Esta última sessão foi da minha inteira responsabilidade, pois levei vinhos da minha garrafeira e escolhi o restaurante. Mais uma vez a Enoteca de Belém esteve à altura do evento, com o chefe Ricardo inspirado e o serviço de vinhos 5 *, a cargo do Nelson. Talvez tivesse sido a minha melhor refeição ali feita.
A bebida de boas vindas foi o espumante Kompassus Blanc des Noirs, simpática oferta da casa, a portar-se muito bem. A seguir, desfilaram os meus vinhos (2 brancos Bairrada 2012 que a RV pontuou, recentemente, com 18 pontos, 4 tintos Douro 2005, provados às cegas 2 a 2, e um Solera da saudosa casa Artur Barros e Sousa):
.Pai Abel - nariz muito afirmativo, presença de citrinos, bela acidez, mineralidade, alguma gordura, equilibrado e harmonioso, algum volume e final de boca extenso. Um dos melhores brancos portugueses. Nota 18.
.Aliás - um branco totalmente desconhecido, com base na casta Bical e 11,5 % vol.; nariz contido, notas fumadas, madeira ainda presente, acidez e gordura; assinalável volume de boca; nitidamente um branco de Outono/Inverno, gastronómico, mas a precisar de mais uns meses de garrafa. Nota 17,5.
Estes brancos acompanharam uma série de pequenas entradas (mexilhão escalfado em vinagrete, tártaro de salmão e um surpreendente figo com queijo de cabra). Melhor a ligação do Pai Abel com o salmão e a do Aliás com o figo.
.Qtª Vale Meão - aroma austero, especiado, notas de tabaco e chocolate, muito elegante e harmonioso, excelente acidez, taninos domados, volume e final interminável. Em excelente forma. Nota 18,5.
.Terrus - funcionou como joker, uma vez que era muito mais barato do que qualquer um dos outros vinhos (chegou a ser o tinto do Douro mais vendido nas CAV); nariz contido, belíssima acidez, elegante, algum volume e final longo. Portou-se bem e está para durar. Nota 17,5+.
Estes 2 primeiros tintos maridaram com um prato de polvo, batata doce e grelos.
.Pintas - ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado e complexo, taninos ainda por domesticar, assinalável volume e final de boca. Muito longe da reforma. Nota 18,5.
.Robustus - alguma fruta e acidez, pouco harmonioso, bom volume e final de boca; falta-lhe complexidade; abaixo do esperado e muito longe da versão 2004. Uma decepção. Nota 17.
Fizeram companhia a um excelente borrego com cogumelos e puré de couve flor.
.ABS Bual Solera 1963 - frutos secos, iodo, alguma acidez, especiado, acentuado volume de boca e final muito longo. A beber com todo o respeito. Nota 18,5.
Acompanhou uma tábua de queijos, sericaia e fruta laminada.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes.

quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

A CVR Tejo e o meu dia azarado

Informaram-me e confirmei na página da CVR Tejo, em grande destaque, a quinzena de harmonização de vinhos Tejo com a gastronomia ribatejana. Lê-se : "Tejo Gourmet - V Concurso de Vinhos e Iguarias do Tejo decorre entre 4 e 19 de Outubro". Foram escolhidos uns tantos espaços de restauração espalhados pelo país, ficando Lisboa, inexplicadamente, reduzida apenas a 2: a Gondola (um  restaurante que parou no tempo) e a Taberna da Rua das Flores.
Dirigi-me a este último, precisamente na 3ª feira dia 7 (portanto, 3 dias após o início do Tejo Goumet) e, qual foi o meu espanto, quando o empregado que me atendeu disse não saber de tal coisa! Perante a minha insistência, telefonou para o gerente a saber o que se passava. Na sequência do telefonema, foi-me dito que o gerente estava fora, mas mal regressasse iria organizar o menú de harmonização. Que sentido das responsabilidades, por parte da Taberna! Que má escolha, por parte da CVR Tejo! Cartão amarelo para ambos!
Mas o meu dia azarado não se esgotou aqui. Inviabilizado este almoço, dirigi-me ao espaço Santa Gula, uma petisqueira situada na Rua do Alecrim, que tinha interesse em conhecer. Bati com o nariz na porta, já devia passar das 13 horas. Estava fechada, embora no horário de funcionamento, ali afixado, constasse a abertura às 12 h, de 3ª feira a Domingo!
Moral da história: um azar nunca vem só!