domingo, 24 de julho de 2016

O blogue vai de férias

O blogue vai uma semanita a banhos. Ficam por publicar:
.Apresentação e prova de vinhos com
   .Parceiros na Criação (h'OUR)
   .Qtª de Lemos
   .Lavradores de Feitoria
.Almoço no Peixola
Boas pingas e até ao meu regresso...

sábado, 23 de julho de 2016

Novo Formato+ (24ª sessão) : um madeira polémico, um alentejano e um moscatel excepcionais

Mais uma sessão deste grupo de enófilos, desta vez "chez" Lena/Juca, em pleno Alentejo, debaixo de um calor tórrido e depois do sofrimento que é passar a Ponte 25 de Abril nesta altura do ano.
À chegada, fomos recebidos com o espumante Soalheiro Alvarinho 2014, a mostrar uma boa acidez e bolha fina e a cumprir da melhor maneira a sua função de bebida de boas vindas.
Seguiram-se:
.Qtª de Cidrô Alvarinho 2013 - nariz contido, fruta madura, acidez nos mínimos, alguma gordura e volume. Agradável, mas sem a complexidade dos alvarinhos nascidos em seu sítio (Monção/Melgaço). Nota 16,5.
Acompanhou uma série de pequenas entradas (queijo com tomate seco, ovos de codorniz, pimentos padrón e enchidos).
.Henriques e Henriques Sercial - frutos secos, iodo, brandy, acidez nos mínimos, alguma doçura, volume assinalável e final muito longo. Este Madeira não foi nada consensual pois, não sendo nada seco, o perfil apontava mais para a casta Bual (meio doce). Abstraindo do problema da identidade da casta, gostei deste Madeira. Nota 18.
Brigou com um ceviche de tamboril (uma experiência falhada), o que também o prejudicou. Se tivesse sido servido no final com as sobremesas, outro galo cantaria.
.Qtª do Mouro Rótulo Dourado 2007 (em magnum) - nariz exuberante, ainda com muita fruta, notas vegetais, boa acidez, especiado, algum chocolate, volume e bom final de boca; grande complexidade e perfil pouco alentejano. Ainda tem pernas para andar mais 3/4 anos. Nota 18,5.
Maridou bem com um saboroso coelho estufado e puré de batata.
.Moscatel Secret Spot 40 Anos - presença de citrinos e frutos secos, notas de mel, alguma acidez, volume e final de boca notáveis. Um excelente Moscatel do Douro (o melhor, para mim) a bater-se bem com os clássicos de Setúbal. Nota 18,5.
Bem acompanhado por uma tábua de queijos, doçaria variada e salada de frutas.
No final do repasto, para limpar o palato, marchou um Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2013, a portar-se bem, como sempre.
Grande jornada de convívio, comeres e beberes. Obrigado Juca! Obrigado Lena!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Jantar Maritávora

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez no restaurante Casa da Dízima que apresentou uma ementa à altura dos acontecimentos e um serviço de vinhos, sob a batuta do Pedro Batista, de 5 estrelas.
Mas a maior surpresa, para mim, foi a alta qualidade dos vinhos brancos Maritávora, apresentados pelo produtor Manuel Gomes Mota e pelo enólogo Jorge Serôdio Borges, quando na minha memória apenas estavam presentes os tintos. Foram apresentados 5 brancos, tendo o único tinto ficado entalado entre eles. Poderia ter sido um evento exclusivamente de brancos, pois do tinto não rezará muito a história. Acrescente-se que, a partir de 2012, a produção passou a ser considerada biológica.
E eles foram:
.Branco 2014 - com base nas castas tradicionais do Douro, complementadas com a Alvarinho; muito fresco e aromático, notas tropicais e uma bela acidez. Excelente relação preço/qualidade. Nota 16,5+.
Foi o vinho de boas vindas e acompanhou algumas tapas, servidas na imperdível esplanada, onde também se pode refeiçoar.
.Grande Reserva Branco 2013 (previamente decantado) - com base nas castas Códega do Larinho, Rabigato e Viosinho de uma vinha velha com mais de 100 anos e a 500 metros de altitude, estagiou 6 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz austero, acidez e mineralidade, notas salgadas, alguma gordura e volume. Nota 17,5.
Foi acompanhado por pastéis de caranguejo real e sapateira.
.Reserva Branco 2009 - muito fresco e floral, belíssima acidez e complexidade, notas apetroladas, alguma gordura e volume, final muito longo. Foi, para mim, o branco da noite e só não é um Grande Reserva porque, até 2010, não se usava tal terminologia. Nota 18.
.Grande Reserva Branco 2010 - em tudo semelhante ao anterior, embora com menos complexidade; também me pareceu que o álcool anunciado (12,5 % vol , em todos os brancos) não correspondia à realidade. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos maridaram muito bem com polvo corado, puré de batata doce e grelos.
.Reserva Tinto 2012 (decantado previamente) - com base nas castas T. Nacional, Tinta Roriz e T. Franca, foi vinificado com pisa a pé e estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; aroma exuberante, ainda com muita fruta, alguma acidez, taninos domesticados, volume e final de boca médios. Há que esperar por ele mais 3/4 anos. Nota 17.
Harmonizou com lombinho de porco, batata gratinada e legumes salteados.
.Reserva Branco 2008 - nariz neutro, acidez incrível, ainda com muita juventude, mas sem a complexidade do 2009 nem a do 2010, algum volume mas desaparece rápido da boca. Nota 17+.
Acompanhou um queijo amanteigado de Fornos de Algodres com figo pingo de mel.
Uma grande jornada gastronómica com excelentes brancos, mas que se arrastou demasiado.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Balcão da Esquina : novidade no Mercado da Ribeira

O chefe Vitor Sobral abriu mais uma Esquina em Lisboa. Depois da Tasca da Esquina e da Cervejaria da Esquina (agora Peixaria da Esquina), temos o Balcão da Esquina que ocupou o espaço da Alôma, no Mercado da Ribeira.
Quando lá fui, recentemente, contabilizei mais pessoal do que clientes, pois estavam 1 gerente, 5 cozinheiros/empregados de mesa e 2 empregadas de apoio à esplanada. Pelo menos, por aqui, há uma política anti desemprego.
De um modo geral, os pratos aqui são caros, claramente acima dos preços praticados pelos outros chefes. Joguei à defesa e comi uma chamuça de carne (2 €) e o famoso prego de atum com mostarda (9,50 €), que me pareceu uns furos abaixo do original, servido na antiga Cervejaria da Esquina.
Quanto a vinhos, a lista não indicava os anos de colheita e apresentava alguma faltas. Inventariei 2 espumantes, 6 brancos, 5 tintos, 3 Portos, 1 Madeira e 1 Moscatel, todos bebíveis a copo.
Optei pelo branco Paulo Laureano Vinhas Velhas, mas que afinal não tinham e substituiram pelo Premium 2010 (4 €), sem qualquer aviso prévio. Francamente!
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar - mostrou-se oxidado, no limite do suportável, aroma fechado, alguma acidez e volume, gastronómico mas demasiado pesado. Nota 13.
Uma nota simpática, depois de alguns pormenores criticáveis: o copo de vinho não foi cobrado, tendo-me sido garantido que aquele vinho iria ser retirado da carta.
Só espero que quem lá for, tenha uma experiência melhor que a minha...

domingo, 17 de julho de 2016

Vinhos em família (LXXIII) : um pouco de tudo

Mais uns tantos vinhos provados em família, despreocupadamente com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Foi um pouco de tudo: 2 brancos, 1 rosé, 1 tinto e 1 fortificado. Um dos brancos e o rosé foram oferta da Sogrape, uma excepção ao princípio de não aceitar amostras para prova. E eles foram:
.Druída Encruzado Reserva 2013 (produzido e engarrafado por C20, Lda !?) - a partir de uma vinha situada a 500 metros de altitude; presença de citrinos, algum tropical, fresco e mineral, notas amanteigadas, volume e final médios. Uma boa e intrigante surpresa. Nota 17,5.
.Herdade do Peso Sossego 2015 branco - enologia de Luis Cabral de Almeida, com base nas castas Arinto, Roupeiro e Antão Vaz; muito fresco e frutado, boa acidez, volume e final médios; gastronómico e excelente relação preço/qualidade. Nota 16+.
.Herdade do Peso Sossego 2015 rosé - enologia de Luis Cabral de Almeida, com base na Touriga Nacional; presença de morangos no aroma e na boca, acidez nos mínimos, desaparece rápido. Não acrescenta nada ao portefólio da Sogrape. Nota 14.
.Casa de Santar Reserva 2012 - estagiou em barricas de carvalho francês; alguma fruta e notas florais, acidez perfeita, especiado, madeira bem casada, taninos elegantes, algum volume e bom final de boca. Boa relação preço/qualidade. Nota 17,5+.
.Moscatel Alambre 20 Anos (engarrafado em 2011) - presença de citrinos (tangerina) e frutos secos, boa acidez, notas de iodo a lembrar alguns Madeiras, algum volume e final de boca acentuadamente longo. Este 20 Anos tem mais idade do que a anunciada e é, sempre, uma boa aposta. Excelente relação preço/qualidade. Nota 18,5.

terça-feira, 12 de julho de 2016

A Academia Time Out

A Academia Time Out, sediada no Mercado da Ribeira, é um espaço dedicado a aulas de cozinha, tendo como principal animador o "foodie" Rodrigo Meneses, mas que também funciona como restaurante de vez em quando, embora nunca se saiba quando se pode lá refeiçoar, o que é uma menos valia.
Já passei por esta experiência e quando almocei era o único presente, estando vagos os restantes 21 lugares (entrou um casal já eu ia nos finalmentes), o que é uma grande frustação para quem lá trabalhe. A mais valia é poder acompanhar a elaboração dos pratos, mesmo à nossa frente.
Por 12,50 € faz-se uma refeição com direito a couver (pão e azeite), prato, sobremesa e um copo de vinho. Calhou-me como prato "camarões crocantes com salada de courgettes" (muito agradável) e como sobremesa "mousse de chocolate com flor de sal e pimenta rosa" (sublime).
Quanto ao vinho a copo, a garrafa veio à mesa, mas não foi dado a provar, um erro crasso, até porque a garrafa foi aberta na altura e poderia ter algum problema. Perante a minha observação, foi corrigido no serviço de um segundo copo.
O vinho era o branco Santos da Casa Fazem Milagres no Douro 2014 - enologia de Helder Cunha (Monte Cascas); presença de citrinos, fresco e mineral, acidez equilibrada, algum volume e final de boca, a ligar bem com o prato. Nota 16,5.
Para memória futura, a refeição, na ausência do Rodrigo, foi elaborada e orientada pelo Miguel Mesquita, vindo de Londres e já com experiência, e pela neófita Teresa Cameiro.
Foi uma interessante experiência, a repetir, mas necessita de maior divulgação, não só no respectivo site, como também in loco.  À atenção da Time Out.

domingo, 10 de julho de 2016

Saber pegar no copo : o novo PR passou no exame

Tenho dedicado algumas crónicas a este tema, dando nota positiva aos colunáveis que fazem boa figura de copo na mão e zurzindo sem piedade aqueles que não a fazem, onde incluí o antigo inquilino de Belém. Quem tiver curiosidade pode ler esta: "Saber ou não saber...pegar no copo", publicada em 14/2/2015.
Recentemente, o jornalista Manuel Carvalho, que muito prezo, publicou no Público do dia 5 deste mês uma peça com o sugestivo título "O outro nariz do Presidente", em que refere uma prova de vinhos em Vila Real, em que participaram os ex-alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Jorge Serôdio Borges, Jorge Moreira, Francisco Olazabal e Francisco Ferreira, os quais chegaram à conclusão "(...) primeiro, o Presidente sabe provar; segundo, o Presidente gosta de vinho. (...)".
Mais, no Expresso de ontem pode ver-se uma fotografia com o Presidente na referida prova, a cheirar um Porto, pegando correctamente no copo. "Habemus" Presidente?