terça-feira, 21 de novembro de 2017

Grupo dos 3 (58ª sessão) : vinhos e gastronomia de eleição

Após um longo interregno (a 57ª sessão foi em Junho), este grupo de enófilos da linha dura retomou as actividades vínicas. Os vinhos (1 branco, 2 tintos e 1 Porto) sairam da minha garrafeira e, para o repasto, escolhi o restaurante Numni já aqui referido em "Lumni : o novo poiso do chefe Miguel Castro e Silva", crónica publicada em 1/8/2017.
Foi um grande almoço, com o chefe Miguel Castro e Silva (MCS)* inspirado e presente ao longo de todo o repasto e o serviço de vinhos (temperaturas, copos e "timing"), a cargo do João Gomes, a correr muito bem. Resta dizer que todos os vinhos, previamente decantados, foram provados às cegas.
Desfilaram:
.Marquês de Marialva Grande Reserva 2013 (engarrafado em 2016) - enologia do Osvaldo Amado, com base na casta Arinto (100 %) estagiou 12 meses em barrica e 6 em garrafa; alguma oxidação nobre, fruta madura, acidez equilibrada, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Um branco austero, contra a corrente e gastronómico. "Descobri-o" no último Bairradão. Nota 17,5+.
Acompanhou o couver e a entrada de 3 peixes (atum braseado, robalo marinado e tártaro de camarão), mas passou-lhe por cima. Iria melhor com um peixe no forno (esta entrada harmonizava bem com um Alvarinho).
.Palácio da Bacalhôa 2009 - foi Prémio Excelência 2015 atribuído pela antiga Revista de Vinhos e obteve 94 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Cabernet Sauvignon (68 %), Merlot (28 %) e Petit Verdot, estagiou 16 meses em barrica e 12 em garrafa; aromas terciários, acidez bem presente, especiado, taninos evidentes, algum volume e final de boca extenso. Complexo, fresco e elegante. Está no ponto óptimo de consumo. Nota 18.
Harmonizou bem com o bacalhau à Gomes de Sá com azeite da Qtª de Ventozelo.
.Passagem Reserva 2009 (uma das 2200 garrafas produzidas) - considerado pela Essência do Vinho o melhor tinto do ano (em 2016) e obteve 95 pontos no Parker; enologia do Jorge Moreira, com base nas castas Touriga Franca (45 %), Touriga Nacional (40 %) e Tinto Cão (15 %), só foi lançado em 2016!; nariz exuberante, ainda com fruta vermelha, acidez no ponto, notas especiadas, grande estrutura e final de boca muito persistente. Muito complexo e longe da reforma, pode ser bebido nos próximos 7/8 anos. O Douro no seu melhor! Nota 18,5+.
Casou bem com uma costela mendinha e risotto de sepes.
.Dalva Colheita 1985 - bem pontuado pela Jancis Robinson (18 em 20); frutos secos, casca de laranja, acidez equilibrada, notas de iodo e brandy, taninos ainda bem presentes, volume e final de boca consideráveis. Com um tawny desta qualidade, dispenso bem um vintage. Nota 18,5.
Acompanhou uma pera caramelizada com gorgonzola, o elo mais fraco de um excelente repasto.
Foi mais uma grande sessão, com vinhos e gastronomia de eleição.
* o chefe MCS, além deste Lumni, também é responsável pela gastronomia do Less (Embaixada, no Príncipe Real), cafetaria da Pollux (Rua dos Fanqueiros), cafetaria do Museu da Gulbenkian e, desde há pouco tempo, pelo Mercado (cafetaria do Hotel Lumiares).

sábado, 18 de novembro de 2017

Grandes Escolhas - Vinhos e Sabores

À semelhança dos anos transactos, participei no Grandes Escolhas - Vinhos e Sabores, mas apenas no dia 30 (2ª feira), a jornada reservada aos profissionais que decorre sempre sem grandes confusões, até porque o novo espaço, na FIL, é muito mais amplo. Organização impecável, por parte da VINHO, a antiga Revista de Vinhos.
Costumo aproveitar este evento para, além de provar vinhos, reencontrar amigos, produtores, enólogos, vendedores e antigos clientes, com os quais tive as melhores relações pessoais e institucionais nos tempos da saudosa loja/garrafeira Coisas do Arco Vinho.
Provei, neste dia 30, 71 vinhos (2 brancos, 48 tintos e 21 fortificados).
Por curiosidade provei os brancos Marquesa de Alorna Grande Reserva 2015 (o vencedor do painel da imprensa, do qual fiz parte) e o Regueiro Alvarinho Barricas 2015, um branco para beber daqui a uns anos.
Quanto aos tintos destaco, em primeiro plano, os clássicos Poeira 2014, Abandonado 2013, Domingos Alves de Sousa Reserva Pessoal 2008, Calda Bordaleza 2009, Duorum Reserva 2015, CV 2014, Qtª da Touriga Chã 2014, Júlia Kemper Touriga Nacional 2012, Qtª da Falorca Noblesse Oblige 2011, Kompassus Private Selection 2007 e 2011 e, ainda, o surpreendente Ataíde Semedo Grande Reserva 2015.
Logo a seguir, nota alta para Qtª La Rosa Reserva 2014,Vinha do Lordelo 2013, Robustus 2013, Palpite Grande Reserva 2014, Qtª Vale Meão 2015, VZ 15 Gerações 2013, Dalva Grande Reserva 2014, Qtª Ventozelo Essência 2014, Calheiros Cruz Memórias Grande Reserva 2014, Qtª Crasto Vinhas Velhas 2015 e Chryseia 2015.
Quanto aos fortificados destaque para os Portos Rozés +40 Anos, Graham's 30 Anos e Colheita 1972, Burmester Tordiz 40 Anos, Sandeman 30 Anos e Madeira Henriques e Henriques Terrantez 20 Anos. Logo a seguir, em plano alto, os Portos Messias 30 Anos e Colheita 1967, Graham's 40 Anos, Burmester Colheita 1989, Kopke Colheita 1981, Vasques de Carvalho 30 Anos (não provei o 40 Anos, porque já tinha acabado), Ramos Pinto 30 Anos, Amável Costa 40 Anos (completamente desconhecido, para mim), Madeira Henriques e Henriques Boal 15 Anos e Moscatel Alambre 20 Anos.
Grande e extenuante jornada! Para o ano há mais...

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A chefe Felicidade : o bom e o mau

Já aqui me referi, por mais de uma vez, à Cozinha da Felicidade situada no Mercado da Ribeira, onde tive boas e más experiências. Mas diga-se, desde já, que a comida ali apresentada esteve sempre a um nível superior de qualidade. Já o mesmo não posso dizer do serviço, conforme relatei em "Curtas (LXI) : Mercados (Ribeira, Algés e CCB)", crónica publicada em 7/8/2015.
Recentemente fui conhecer o Pharmacia (R. Marechal Saldanha,1 no edifício do Museu da Farmácia), com uma espectacular esplanada exterior.
Optei por comer, em partilha com a minha companheira:
.arroz carolino de lingueirão com coentros
.polvo à lagareiro com salada algarvia e puré de batata doce
.mousse de amendoim, banana da Madeira e caramelo salgado
Nada a opor, antes pelo contrário, pois estava tudo no patamar da excelência.
Já quanto ao serviço, o que me aconteceu é inqualificável. Eu explico: pedido um dos poucos vinhos a copo, o Chocapalha Chardonnay, veio para a mesa já servido, o que acho péssimo (o copo César & Castro até era bom). Como a carta de vinhos é omissa quanto a anos de colheita, o que se lamenta, pedimos para ver a garrafa. Mas, para nosso espanto, o que me foi mostrado não era o vinho pedido. Tratava-se do branco Monopólio Chardonnay, um vinho regional do Minho!
Quantos clientes foram já enganados, por não terem pedido para verem a garrafa?
Isto é inqualificável. Uma autêntica fraude!
Quem dá o nome a um espaço de restauração, como é o caso da Susana Felicidade, tem responsabilidades, não só na cozinha como também na sala. Tem que saber o que se passa.
Cartão amarelo à chefe Felicidade!

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Novo Formato+ (28ª sessão) : bons vinhos e azeites

O último encontro deste grupo de enófilos e respectivas companheiras  foi da responsabilidade do casal Marieta/José Rosa que escolheu o restaurante Sem Dúvida, já aqui referido por diversas vezes. A comida (tradicional portuguesa) e o serviço de vinhos (copos, temperaturas, etc), debaixo da batuta do Sérgio, estiveram à altura dos acontecimentos.
Antes do repasto propriamente dito, fizemos uma prova de 4 azeites da marca Rosmaninho (Cooperativa dos Olivicultores de Valpaços). Na mesa as variedades Cobrançosa, Verdeal, Madural e, ainda, um azeite Premium resultante de um lote destas variedades (que foi aquele que eu mais gostei).
Na mesa estavam, para petiscar, charcutaria fatiada, queijos e salgados diversos, todos de qualidade.
Quanto a beberes e comeres, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2012 - fresco e mineral, cítrico, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca assinalável. Fino, elegante e gastronómico. Nota 17,5+ (noutras situações 17,5+/17,5/18/18/18).
Ligou bem com uma entrada de polvo laminado.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2014 - cor com alguma evolução, nariz inicialmente muito fechado, boa acidez, cítrico e untuoso, bem estruturado e final de boca extenso. Gastronómico, precisa de mais 3/4 anos para chegar ao patamar de qualidade do Reserva 2007. Vai lá chegar! Nota 18 (noutra 18).
Harmonizou com uma tranche de garoupa com um belíssimo arroz de lingueirão.
.Charme 2008 (em magnum) - aberto na cor, fresco, bela acidez, especiado, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final longo. Perfil borgonhês, elegante e sofisticado. Nota 18 (noutra 17).
Casou bem com um naco de vitela barrosã com couve pakshoi, batata gratinada e cogumelos selvagens.
.CF Reserva Tawny Doce (Cockburns) - frutos secos, iodo, alguma acidez e taninos, demasiado doce algo enjoativo, volume e final de boca assinaláveis. Alguma desilusão. Nota 17.
.Artur Barros e Sousa Bual Velho 1965 - muito fresco e com acidez, presença de frutos secos e notas de caril, taninos civilizados, algum volume e final de boca. Nota 17,5+.
Foi mais uma grande sessão de convívio, bons vinhos e azeites e boa gastronomia.
Obrigado Marieta e J.Rosa!

domingo, 12 de novembro de 2017

Vinhos em família (LXXXII) : ainda os brancos

Mais uns tantos vinhos provados sossegadamente em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles são:
.Parcela Única Alvarinho 2013 - um dos grandes brancos do Anselmo Mendes, estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês; nariz afirmativo, com sugestões cítricas, pessego e melão, alguma acidez e gordura, considerável volume e final de boca médio. Gastronómico. Nota 17,5+.
.Maçanita Malvasia Fina 2015 (Douro, uma das 1008 garrafas produzidas) - enologia dos irmãos Joana e António Maçanita; 100 % Malvasia Fina proveniente de vinhas no Baixo Corgo a 700 metros de altitude, estagiou 6 meses em inox; presença de citrinos e maçã cozida, alguma  acidez e notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Uma curiosidade. Nota 16,5.
.Casa das Gaeiras Reserva Vinhas Velhas 2015 (DOC Óbidos) - enologia de António Ventura, com base na casta Vital em vinhas velhas, recuperadas há meia dúzia de anos; alguma evolução, notas de fruta madura e amanteigadas, acidez equilibrada, algum volume e final de boca médio. Austero e com personalidade. Nota 17,5.
.Borges Bual 15 Anos - estagiou em pipas de carvalho de 650 litros; nariz exuberante, presença de frutos secos, algum mel e uma forte componente de iodo, acidez equilibrada, volume e final médios. Nota 17,5.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Provar vinhos no CCB e no Hotel D. Pedro

1.Vinhos do Alentejo
Na tenda do CCB decorreu, mais uma vez, a grande prova anual de vinhos alentejanos, organizada pela CVR do Alentejo, sendo necessário comprar o respectivo copo ou levá-lo de casa, como eu fiz.
Tive a oportunidade de provar 36 vinhos (10 brancos e 26 tintos), uma ínfima parte dos néctares ali presentes.
Quanto aos brancos provados, de um modo geral pouco interessantes, destaco apenas o surpreendente Mamoré de Borba Reserva 2015. Já o mesmo não posso dizer do Mamoré de Borba 2016, vinificado em talha.
Quanto a tintos, muito mais interessantes, destaco num primeiríssimo plano o Herdade do Peso Ícone 2014 e o Esporão Private Selection 2012. Dois belíssimos vinhos, que não me importaria de levar para a tal ilha deserta. Logo a seguir, destaque para Malhadinha 2014, Reynolds Grande Reserva 2008, Comenda Grande Grande Reserva 2013, Herdade São Miguel Private Colection 2013, Qtª do Mouro Rótulo Dourado 2012, MR Premium 2012, Impar 2011, Couto Saramago 2015 e Júlio Bastos Private Selection 2012 ( a ordem é cronológica).
Pena é que a maioria dos tintos provados estivesse à temperatura ambiente, o que os prejudicou.
2.Decante Vinhos
Esta distribuidora, talvez a que possui o portefólio de maior qualidade, deixou o tradicional espaço do Hotel Ritz e passou-se para o Hotel D. Pedro. O espaço tinha óptimas condições e não foi preciso comprar o copo ou trazê-lo de casa. Apoio logístico exemplar, com a mais valia de se poder provar umas tapas para entreter a boca.
Nesta prova consegui degustar 42 vinhos (17 brancos, 20 tintos e 5 fortificados), em geral mais interessantes comparados com o evento anterior.
Dos brancos destaco, em grande plano, o Qtª La Rosa Tim Grande Reserva 2015 (uma grande novidade) e o clássico Soalheiro Alvarinho 2011 (ainda cheio de vida). Logo a seguir, o Poeira 2015, Vinha Paz Reserva 2015, Primus 2015 (versão sem madeira) e Nossa Calcário 2016.
Quanto a tintos, destaco em primeiro plano o surpreendente Trois Castelão Vinhas Velhas 2015 (Horácio Simões), Sidónio Sousa Garrafeira 2011 e Pintas 2015. Logo a seguir, o Zambujeiro 2013, Procura 2013, CH by Chocapalha 2013, Casa Cadaval 2013, Nossa Calcário Baga 2015, Qtª Pellada Alto 2013, Qtª Pellada Casa 2013, Qtª Pellada 2012, Carrocel 2012, Poças Reserva 2015, Talentus Grande Escolha 2014, Qtª Manoella Vinhas Velhas 2015, M.O.B. Touriga Nacional 2014 e o Poeira 2016.
Finalmente, nos fortificados, nota alta para o Poças Colheita 1967 e Borges Sercial 1990. Logo de seguida, destaque para o Moscatel Roxo Excellent Superior.
Foi um prazer, mais uma vez, provar vinhos com a Decante.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Grupo dos 6 (5ª sessão) : Alvarinhos, tintos 2011 e 1 Madeira estratosférico

Mais uma sessão deste grupo de enófilos militantes, desta vez na sua máxima força, que decorreu no Via Graça, onde esteve presente o chefe João Bandeira, apoiado na serviço de vinhos pelo escanção Fernando Zacarias. Em prova 2 Alvarinhos, 3 tintos 2011 e 1 Madeira.
Desfilaram:
.Curtimenta Alvarinho 2012 (levado pelo J.Rosa) - produção e enologia do Anselmo Mendes; nariz exuberante, presença de citrinos, acidez, notas amanteigadas, bom volume e final de boca. No ponto para ser bebido, mas ainda longe da reforma. Nota 18.
.Adega Mãe 221 2015 (levado por mim) - o 221 significa 2 enólogos (Anselmo Mendes e Diogo Lopes), 2 proveniências (Monção e Lisboa) e 1 casta (Alvarinho); nariz contido, fresco e cítrico, bela acidez, algum volume e final de boca; elegante e equilibrado. Uma boa surpresa, mas que vai melhorar nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5+.
Estes 2 Alvarinhos, em curioso confronto, acompanharam bem rissóis, croquetes, caldo verde desconstruído e massada de robalo.
.Duas Quintas Reserva 2011 (levado pelo Juca) - fresco, fino e elegante, acidez equilibrada, ainda com fruta e especiado, taninos civilizados, algum volume e final persistente. Muito harmonioso, a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18.
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2011 (levado pelo João) - nariz contido, muito fresco, bela acidez, taninos de veludo, algum volume e final de boca. A beber nos próximos 5/6 anos. Prejudicado por ter sido provado ao lado do Pai Abel do mesmo ano. Nota 17,5+.
.Pai Abel 2011 (levado pelo Frederico) - aroma discreto, acidez equilibrada, notas fumadas, especiado, taninos bem presentes mas civilizados, estruturado e final de boca longo. Grande potencial, a precisar de mais uma meia dúzia de anos em garrafa. Nota 18,5+.
Estes 3 tintos maridaram com uma saborosíssima lebre com feijão.
.Borges Malvasia 1907 (levado pelo Adelino) - belíssima cor, frutos secos, algum vinagrinho, notas de brandy e caril, taninos bem presentes, grande volume e final interminável. Uma raridade do princípio do século XX. Nota 19,5 (o meu amigo Rui Massa que me desculpe, mas este está quase nos 20!).
Casou bem com uma bela tarte de amêndoa com gelado de baunilha.
Foi mais uma grande sessão, com a gastronomia e o serviço de vinhos (temperaturas, copos Riedel, etc,) à altura dos acontecimentos.