terça-feira, 31 de março de 2015

Curtas (LV) : Peixe em Lisboa e algumas revisitas

1.Peixe em Lisboa
Mais uma edição deste evento, a decorrer no Pátio da Galé, de 9 a 19 de Abril. Estarão presentes: Arola, José Avillez, Kiko Martins, Las Ficheras, O Nobre, Pap' Açorda, Ribamar, Sushi Café, Taberna Rua das Flores/Flores Bairro Alto Hotel e Vitor Sobral. Para escolher as diversas ofertas piscícolas, acompanhadas com vinhos da José Maria da Fonseca.
Para além destes espaços de restauração, há que visitar uma série de produtores com vinhos, queijos, enchidos, doces, conservas, etc, e até uma banca com peixe fresco.
Mais uma vez, não vou faltar.
2.Mar do Inferno
Um espaço obrigatório para quem se movimente na zona Cascais/Guincho e goste de peixe e/ou marisco. A esplanada é imperdível, mas convém proceder a marcação prévia.
Lamentavelmente, quanto a vinhos, a oferta a copo é praticamente inexistente, resumindo-se ao vinho da casa.
Nesta última revisita, para acompanhar uns belíssimos filetes de peixe galo com arroz de lingueirão, optei por uma meia garrafa de Planalto Reserva 2013 (7,70 €), muito frutado, fresco, correcto e descomplicado. Nota 15,5.
3.Ribamar
Este badalado restaurante, situado em Sesimbra, ainda não me conseguiu convencer. Numa visita recente, as ameijoas não eram frescas, o espadarte estava seco e a oferta de vinhos a copo estava reduzida ao da casa. Salvaram-se as ostras do Sado, frescas e sucolentas.
Tanta fama e afinal...
4.Block House
Já aqui referido, mantém o serviço alto ao nível da qualidade e da simpatia das empregadas. No entanto, a eficiência é em excesso, pois ainda estamos a comer a entrada (agradável salada Block) e já está o prato (espetada de vitela com batata frita, com pedaços desiguais) em cima da mesa. Não havia necessidade...
Televisão acesa, música de fundo demasiado alta (posteriormente apagada), lista de vinhos curta sem datações e tintos à temperatura ambiente.
Bebi um copo do tinto .Beb 2012 do Tiago Cabaço (3,90 €) - nariz fechado, frutos vermelhos, pouca acidez, algo pesado, volume e final médios. Esperava mais. Nota 14,5.
A garrafa veio à mesa, o vinho não foi dado a provar e foi servido num copo Stölze marcado a 0,20 cl, que ficou praticamente cheio, não dando qualquer hipótese de o rodar.
A simpatia, às vezes, não chega.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Almoço com Vinhos da Madeira (17ª sessão) : tintos 2007 e 1 Colheita a ultrapassar 3 Madeiras de excelência

Grande jornada que decorreu na Casa da Dízima, com tudo ao mais alto nível, o convívio, os vinhos (1 Alvarinho, 3 tintos 2007, 3 Madeiras e 1 Colheita de alto gabarito), a gastronomia e o serviço de vinhos 5 estrelas, a cargo do Pedro Baptista, gerente deste simpático e nobre espaço de restauração. Copos Schott e temperaturas controladas.
Desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2012 (3 garrafas levadas pelo José Rosa) - aroma exuberante, presença de citrinos, notas tropicais, fresco, mineral, elegante e sofisticado, acidez e alguma gordura, bom final de boca. Aguenta mais meia dúzia de anos. Nota 18.
Fez boa companhia ao couvert (azeite Lagoalva e pão), amuse bouche (fois gras, figo,...), e uma excelente entrada (à base de vieiras).
.Blandy Terrantez 1975 (engarrafado em 2004, saíu da garrafeira do Juca) - aromático, frutos secos, vinagrinho, iodo, notas de brandy e caril, alguma gordura, complexo, grande volume e final longo. Nota 18,5+.
Serviu para limpar o palato, entre as entradas e o prato principal.
.Zambujeiro (levado por mim) - ainda com muita fruta preta, belíssima acidez, fresco, taninos presentes mas civilizados, volume apreciável e final extenso. Ainda longe da reforma, a beber nos próximos 5/6 anos. É, para mim, um dos tintos alentejanos mais entusiasmantes. Nota 18.
.Esporão Private Seleccion Garrafeira (veio com o João Quintela) - mais dócil na boca, acidez q.b., taninos domados, volume assinalável e final persistente. Já muito redondo, não vale a pena guardar mais tempo. Nota 17,5+.
.Qtª Vale Meão (da garrafeira do Modesto Pereira) - ainda muito jóvem e frutado, acidez no ponto, fresco, elegante e harmonioso, volumoso e final ligeiramente adocicado. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
Estes 3 tintos fizeram um bom casamento com um saboroso naco de vitela.
.Burmester Colheita 1955 (engarrafado em 2004, saíu da garrafeira do Adelino Sousa) - frutos secos, acidez equilibrada, alguma doçura, notas de caril, grande volume e final interminável. Este levava-o para uma ilha deserta. Foi a 1ª vez que pus um Porto à frente dos Madeiras. Nota 19.
.Blandy Bual 1977 (engarrafado em 2007, veio com o Alfredo Penetra) - frutos secos, vinagrinho, iodo, especiado, volume assinalável e final longo. Nota 18.
.JBR Bual 1900 (engarrafado em 2013 pelo Francisco Albuquerque, levado pelo Adelino) - aromas complexos, acidez fabulosa, iodo muito presente, taninos ainda vigorosos, volume apreciável e final interminável. A beber com todo o respeito. Nota 18,5.
Estes 3 fortificados acompanharam um trio de sobremesas (queijo, doces e fruta).
Uma sessão memorável! Saimos em estado de graça e prontos a perdoar aos nossos inimigos.

terça-feira, 24 de março de 2015

19/3/2010 -19/3/2015 : 5 anos a "blogar" (IV)

...continuação...
7.As pequenas e médias histórias das Coisas do Arco do Vinho (CAV)
Esta 4ª e última crónica é dedicada ao inventário das histórias que tenho vindo a contar ao longo destes 5 anos. Todas elas foram presenciadas ou vividas por mim, enquanto um dos responsáveis pelas CAV.
a) Perplexidades
São 10 crónicas de situações insólitas que envolveram figuras mediáticas e/ou com responsabilidades, todas elas movimentando-se no mundo do vinho.
As situações estão publicadas, a 1ª perplexidade em 8/5/2011 e a última em 14/9/2014, mas a respectiva identidade não é, por enquanto, revelada.
b) Outras histórias
Publiquei mais 12 histórias (algumas deram origem a mais de 1 crónica), estas com os protagonistas devidamente identificados:
."CAV : 17 anos depois", em 29/9 e 2/10/2013 (lembrando a inauguração da loja)
."O 1º jantar de vinhos das CAV : 13 anos depois", em 23/5/2012
."Lembrando o 10º aniversário das CAV", em 11, 14 e 15/10/2012
."Um desabafo 5 anos depois", em 17/1/2011 (pondo em causa o António Mega Ferreira, presidente do CCB na altura)
."Mais um desabafo", em 3/9/2011 (desta vez, o atingido foi o comendador Berardo)
."O último evento das CAV : 2 anos depois", em 31/10/2011 (a propósito do jantar com os Douro Boys)
,"CAV : um viveiro de enófilos", em 12/3/2014 (aqui se citam os enófilos que cresceram com as CAV, desde o Rui Falcão ao Nuno Garcia)
."As marcas que interditei nas CAV", em 17/11/2011 (em causa comportamentos deselegantes, por parte da Carrie Jorgensen e do Carlos Lucas)
."Roubos e distrações", em 5/8/2012 e 25/7/2013
,"Assim se vê a força da TV!", em 10/10/2012 (a propósito de uma ida à RTP1)
."Anibal Coutinho : 5 em 1", em 16/2/2012
."Coisas de Comer", em 21/2/2012 (a propósito das más contas deste restaurante, entretanto encerrado)
8.Eu e algumas personagens do mundo vínico ou gastronómico
Por uma razão ou outra fizeram parte da história das CAV (alguns infelizmente já desaparecidos), tendo-lhe dedicado algumas crónicas:
.David Lopes Ramos, em 29/4 e 4/5/2011 - "O blog está de luto"
.Júlia Vinagre, em 13/1/2012 e 9/3/2013 - "Júlia Vinagre : uma grande senhora caída no esquecimento"e ""Morreu uma grande senhora"
.Francisco Olazabal (Vito), em 28/3/2012 - "Francisco Olazabal (Vito) : 17 anos depois"
.António Saramago, em 28/5/2012 - "O 50º aniversário do António Saramago"
.José Quitério, em 18/1/2015 - "O José Quitério e eu..."
Fim!

domingo, 22 de março de 2015

19/3/2010 - 19/3/2015 : 5 anos a "blogar" (III)

...continuando...
5.Outras participações
Reitero o esclarecimento que só refiro os momentos, participados por mim, que deram origem à publicação de uma crónica ou uma curta notícia.
a) No âmbito da blogosfera
Não é demais sublinhar a aposta de alguns produtores na blogosfera, os quais tiveram a lucidez de não esgotarem os seus contactos na imprensa especializada, dando algum protagonismo aos bloguistas mais empenhados.
Nesta linha, participei nas visitas aos seguintes produtores (houve mais alguns convites mas, por impedimento pessoal, não pude estar presente) :
.José Maria da Fonseca (por 2 vezes em Azeitão e 1 na Adega José de Sousa)
.Herdade das Servas (2 vezes)
.Adega Mãe (também 2 vezes)
.João Portugal Ramos, Qtª do Crasto e Qtª do Gradil (1 vez)
b) Provas, almoços e jantares com Vinho da Madeira
Foram 4 inesquecíveis momentos, em 2 dos quais tivemos o prazer e a honra da companhia do Francisco Albuquerque, enólogo considerado a nível mundial.
c) Encontros patrocinados pela Qtª Wine Guide (Rui Lourenço Pereira)
De louvar as iniciativas deste antigo bloguista:
.provas e jantares no Clube dos Jornalistas, com Madeira Wine e Sogevinus
.visita à José Maria da Fonseca, com provas de Moscatéis e almoço
d) Revista de Vinhos
.Encontro do Vinho e Sabores (5 presenças no acontecimento do ano, a grande ocasião para matar saudades de enólogos, produtores, fornecedores, clientes e amigos)
.Vinhos de Altitude - Workshop, em Vila Nova de Tazém, com o apoio e aproveitamento político das entidades locais
. e, ainda, 11 crónicas intituladas "Revista de Vinhos : 15 anos de prémios", uma tarefa colossal, a que meti ombros, de inventariação dos prémios atribuídos pela RV, ao longo de 15 anos (1988 a 2012), daqui resultando alguma polémica quando saí em defesa, em crónicas separadas, do Francisco Albuquerque e do casal Sandra T. Silva e Jorge S. Borges, por ainda (na altura) não terem sido premiados
e) Outros
.Vinhos do Alentejo em Lisboa (2 vezes)
.Provas no Ritz com a Decanter (4)
.Heritage Wines no CCB
.Portugal Wine Ladies no Altis
.Prémios do blogue Mesa Marcada (2)
.Provas no Chafariz do Vinho (Herdade das Servas e Real Companhia Velha)
.Provas na Delidelux com a Qtª do Mouro
.Apresentação de vinhos Lavradores de Feitoria no Memmo Alfama Hotel
.Confraria do Periquita, marcando presença no Vigésimo (2012) e Vigésimo Primeiro Grande Capítulo (2014), na condição de confrade
.Visita à Qtª do Crasto e Qtª da Casa Amarela (com um grupo de amigos), Qtª de Nápoles (com direito a uma visita guiada, a cargo do Dirk Niepoort) e Qtª da Aveleda
6.Reflexões sobre livros (vinho e gastronomia)
.Vinhos de Portugal (guia do João Paulo Martins) de 2011, 2012, 2013 e 2014
.Guia do Rui Falcão de 2011
.Entender de Vinho (João Afonso)
.Lisboa à Mesa (Miguel Pires)
.Grande Reserva (João Barbosa)
.Cada vinho conta uma história (Ana Sofia Fonseca)
continua..., sendo a próxima e última crónica deste balanço dedicada às histórias passadas comigo, quando da minha actividade nas CAV.

sábado, 21 de março de 2015

19/3/2010 - 19/3/2015 : 5 anos a "blogar" (II)

...continuando...
4.Participando em encontros vínicos
Cada um destes encontros, quer fossem almoços, jantares, provas ou visitas a produtores, deram origem a uma crónica, publicada atempadamente no enófilo militante.
a) Com a Garrafeira Néctar das Avenidas
Os encontros vínicos que passo a mencionar (só inventariei aqueles em que participei, houve outros em que não estive) devem-se ao dinamismo e militância do João Quintela (JQ), secundado pela Sara, sua filha. Não me consta que haja mais alguma garrafeira em Portugal que tenha organizado tantos eventos à volta do vinho. Injustamente, nenhuma das revistas da especialidade se tem referido a este meritório trabalho a bem do vinho.
Para memória futura, foram estes os encontros vínicos em que participei:
.Guarda Real (7) - Qtª da Sequeira, Casa da Passarella, Celso Pereira, Qtª da Casa Amarela, Caves de São João, o Dão em Lisboa (com o apoio da CVRDão) e Sandra Tavares da Silva
.As Colunas (7) - Qtª do Perdigão, Campolargo, Qtª de Chocapalha, Herdade dos Grous, Casa da Passarella, Poeira e Alvaro de Castro
.Assinatura (6) - Qtª das Bageiras, Wine & Soul, Lavradores de Feitoria, Herdade do Esporão, Qtª dos Roques/Qtª das Maias e Luis Pato
.Casa do Bacalhau (2) - Qtª das Bageiras e Real Companhia Velha
.Via Graça - Lavradores de Feitoria
.Tájide - Qtª de Sant' Ana
.Casa da Dízima - Soalheiro
.Ordem dos Engenheiros - Casa de Santar
.A Commenda - Sandra Tavares da Silva (STS) e Jorge Serôdio Borges (JSB), que foi uma espécie de regresso às origens, ao sermos homenageados (o Juca e eu) pelo trabalho desenvolvido nas CAV em prol do vinho. Idéia do JQ, que contou com o apoio da STS e do JSB. Mais pormenores em "Sandra T. Silva/Jorge S. Borges e o regresso às origens", crónica publicada em 5/12/2013.
Participei, ainda, nas seguintes visitas a produtores, organizadas pela Néctar das Avenidas:
.Monte dos Cabaços, Qtª de Chocapalha, Sidónio de Sousa, Caves São João, Qtª das Bageiras, Luis Pato e Campolargo
b) Com outros organizadores
.El Corte Inglês (3) - distribuidora Portfólio, CARM e Qtª do Crasto
.Clara Chiado (2) - Qtª do Crasto e diversos produtores (sem perfil para este tipo de encontro, já encerrou entretanto)
.Rubro (2) - Secret Spot e Companhia das Quintas (sem condições para processar um evento vínico, como eu o entendo)
.Altis Belém (2) - Niepoort (pareceu mais dirigido aos clientes do hotel) e João Portugal Ramos/José Maria Soares Franco (este último extensivo à blogosfera)
.Enoteca de Belém - Mota Capitão (dimensão excessivamente reduzida)
.Gspot - Lavradores de Feitoria (também sem dimensão adequada, já encerrou)
.Faz Figura - Herdade dos Cadouços (na altura, designei-o como um anti-jantar)
continua...

quinta-feira, 19 de março de 2015

19/3/2010 - 19/3/2015 : 5 anos a "blogar" (I)

1.Prólogo
Por sugestão de um filho meu e nora (os mais velhos), duas semanas depois de ter encerrado as minhas actividades e responsabilidades nas Coisas do Arco do Vinho (CAV), arranquei com este projecto, o blogue enófilo militante. Entre notícias, crónicas e croniquetas, foram publicadas 869, ou seja cerca de 174 por ano.
Apesar de não ter aderido ao facebook, nem a quaisquer outras redes sociais, contrariando conselhos de alguns amigos, o enófilo militante foi subindo no "ranking" dos blogues de vinho portugueses mais seguidos. Não tenho informação directa, apenas me baseio nas notícias que outros blogues divulgaram. Assim, em 2011 estava em 9º, em 2012 era 8º e em 2013 o 6º. Ignoro em que lugar fiquei situado em 2014.
Por outro lado, segundo a escolha dos 10 melhores blogues portugueses, cuja temática se situa à volta do vinho, iniciativa anual do Aníbal Coutinho, sempre subjectiva, como é óbvio, o enófilo militante foi sempre incluído, sendo um dos 5 totalistas em 2012, 2013 e 2014.
Fico satisfeito, pois é um incentivo para continuar na linha que tracei e que venho seguindo.
2.Séries e episódios
Deixando para uma próxima crónica, as minhas participações em encontros vínicos ou gastronómicos (visitas a produtores, jantares e provas alargadas), deixo aqui o balanço das "séries" e respectivos "episódios", em que tenho tomado parte e relatado:
.Vinhos em família - 59 "episódios", em que são provados em cada um 4 ou 5 vinhos
.Grupo dos 3 (Juca, João Quintela e eu) - 43, com 4 vinhos
.Novo Formato (Juca, JQ, Alfredo Penetra, eu, respectivas companheiras e Paula Costa) - 20, com 6 a 9 vinhos
.Grupo dos Vinhos da Madeira (Adelino Sousa, Juca, JQ, AP, José Rosa, Modesto Pereira, eu, respectivas companheiras e PC) - 16, com 7 a 10 vinhos
.Amigos do Raul ou Grupo dos 3+4 (Raul Matos e amigos, composição aleatória) - 11, com 8 ou 9 vinhos
.Núcleo Duro (Rui Miguel, Jorge Sousa, Juca, JQ, PC, Pedro Brandão e eu) - 11, com 7 ou 8 vinhos.
Publiquei, ainda:
.Curtas (série de pequenas noticias, 3 ou 4 em cada) - 53
.Peixe em Lisboa - 5
.Balanço do Ano (a fazer no início de cada ano e referente ao anterior) - 5
.Os meus Quadros de Honra (um acumulado dos vinhos mais pontuados por mim) - 5
3.Espaços de restauração
Foram dezenas e dezenas de restaurantes (de autor ou tradicionais), bares de vinho, tascas, etc que tenho frequentado, ao longo destes 5 anos. Não tendo pretensões a crítico gastronómico, incido a minha visita na componente vínica (carta, preços, vinhos a copo, copos, temperaturas e respectivo serviço).
De destacar, essencialmente, algumas más escolhas por parte das entidades oficiais e o mau desempenho de alguns espaços de restauração seleccionados por aquelas, sem competência que o justifique. Para quem tiver curiosidade, as crónicas mais polémicas foram:
."A copo: os critérios insondáveis da ViniPortugal", em 3 e 4/7/2014
."Cartão amarelo à ViniPortugal", em 14/12/2013, que inclui um vermelho ao Populi
."Cartão amarelo à CVRDão", 9/9/2013, que inclui um vermelho ao Can the Can
,"CVR Tejo e o meu dia azarado", em 9/10/2014, com distribuição de cartões amarelos à CVR e à Taberna da Rua das Flores
continua...



terça-feira, 17 de março de 2015

Jantar Real Companhia Velha

Mais uma iniciativa da Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez em colaboração com a Casa do Bacalhau que inaugurou mais uma belíssima sala, também com arcadas do século XVIII e abóboda construida com tijolo burro. As paredes, forradas a espelho e vidro, já fizeram estragos, pois o mentor do jantar, ao tentar passar por uma porta, abriu um lenho na cabeça, com direito a 4 pontos. Mas aguentou-se que nem um leão, ele que é do Benfica, e lá esteve no jantar. Da parte da RCV, marcaram presença o Jorge Moreira, responsável pela enologia, e a familia do produtor, representada por Manuel Reis (comercial) e o sobrinho Pedro Reis (marketing).
E o que se bebeu e comeu?
.Espumante RCV bruto 2012, a cumprir bem a sua missão de boas vindas e a acompanhar pataniscas e pastéis de bacalhau.
.Qtª de Cidrô Alvarinho 2013 - muito fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, volume e final médios; falta-lhe a complexidade dos Alvarinhos de Monção/Melgaço. Nota 16.
Fez um excelente casamento com um fatiado de bacalhau, com vinagre cítrico e alcaparras (chamaram-lhe "carpaccio", termo que erradamente a restauração adoptou).
.Evel XXI 2013 branco - com base nas castas Arinto, Viosinho e Rabigato, só estagiou em inox; nariz inicilamente discreto, veio a abrir, acidez no ponto, boca envolvente, volume notável para um vinho branco, final longo; gastronómico. Uma boa surpresa. Nota 17.
Acompanhou muito bem uma saborosíssima posta de bacalhau com aveludado de caril.
.Qtª dos Aciprestes Reserva 2012 - nariz intenso, muito frutado, notas apimentadas, acidez equilibrada, taninos presentes e redondos, bom volume de boca e final longo: todo ele muito harmonioso e com excelente relação preço/qualidade. Nota 17,5.
.Carvalhas Tinta Francisca 2011 (deveria ter sido a colheita 2012, mas alguém trocou as mãos) - aroma austero, acidez q.b., taninos algo agressivos, volume médio e final curto; desequilibrado no seu todo, uma curiosidade com um preço demasiado elevado para a qualidade mostrada.
.Carvalhas Vinhas Velhas 2012 (não estava previsto, mas ainda bem que nos fizeram esta grande e simpática surpresa) - arma complexo, acidez no ponto, especiado, notas evidentes de chocolate e tabaco, grande volume de boca e final longo. Um grande Douro que vai crescer nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5.
Os tintos acompanharam uma empada de bacalhau com grelos salteados, que chegou à mesa um pouco seca.
.Grandjó Late Harvest 2008 - aroma intenso e complexo, presença de citrinos (tangerinas, especialmente), boa acidez, gordura, volume e final de boca. Todo ele muito equilibrado, é um dos melhores colheitas tardias saídos com a chancela da RCV.  Nota 17,5+.
Maridou bem com um creme rico queimado.
Foi, ainda provado um LBV, Carvalhas 2010, que não estava previsto e se portou bem. Fiquei com a ideia que era a sua primeira apresentação pública.
Mais uma grande jornada, com grandes vinhos e uma ou outra relativa desilusão.