terça-feira, 24 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (V) : Qtª do Ameal, A Cozinha Velha e o Hotel InLima

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1.Qtª do Ameal
Sempre tive a melhor das relações pessoais e profissionais com o Pedro Araújo, produtor e proprietário da Qtª do Ameal, que começaram no ano 2000, se a memória não me atraiçoa. O nosso conhecimento foi quando o Pedro Araújo nos contactou nas Coisas do Arco do Vinho, com a finalidade de nos dar a conhecer o seu primeiro vinho, um varietal da casta Loureiro da colheita de 1999, construído sob a batuta do enólogo Anselmo Mendes. Ainda me lembro de lhe ter dito que era um belíssimo branco, qualquer que fosse a sua região de origem.
Situada em Refóios do Lima, nos arredores de Ponte do Lima, a Quinta do Ameal abriu-se recentemente ao enoturismo e os seus vinhos estão espalhados pelo mundo e constam das cartas de mais de 30 restaurantes com estrelas Michelin.
Sob a orientação do Pedro Araújo, provámos o Ameal Loureiro 2016, o Ameal Solo Único 2016 e o Qtª do Ameal Escolha 2015, o seu topo de gama. Este último, mais complexo que os anteriores, após 6 meses de barrica, apresentou-se com boa acidez, notas amanteigadas, boa estrutura e final de boca persistente (nota 17,5+).
No final da prova, tivemos direito a uma visita guiada, conduzida pelo seu anfitrião, nesta agradável quinta.
2.A Cozinha Velha
A Cozinha Velha é um modesto restaurante em Caminho da Oliveirinha, Arcozelo, nos arredores de Ponte de Lima, vocacionado para a boa cozinha regional portuguesa, com destaque para o cabrito e leitão assados em forno de lenha.
Começámos por uma autêntica girândola de petiscos (orelha, sonhos de bacalhau, pimentos padrón, cogumelos, alheira, salsichão, queijos, etc) e continuámos com bacalhau no forno com broa, leitão assado e leite de creme. Um autêntico banquete!
Dos vinhos postos na mesa, todos brancos e sem grande critério, provei os menos interessantes Loureiro da Adega Cooperativa de Ponte de Lima 2016 (nota 15) e Vil' Antiga Loureiro 2016 (nota 14), mas fiquei surpreendido pela positiva com o Casa das Buganvílias Reserva 2016 (nota 16,5) que fui bebendo ao longo do repasto.
No final do jantar, os donos (o Carlos na sala e a Céu na cozinha) foram-nos apresentados e muito elogiados.
À saída, reparei numa arca repleta de vinhos fortificados, todos ao molho e fé em deus e à temperatura ambiente. Quantos estarão ainda bebíveis? Uma pena...
3.Hotel InLima
Ficámos no InLima Hotel & SPA, situado no centro de Ponte de Lima, um simpático e pequeno hotel (30 quartos) de 4 estrelas com uns belíssimos e espaçosos quartos e um bom pequeno almoço. Óptimo para recuperar forças.
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domingo, 22 de outubro de 2017

2º Aditamento a "O Vinho que Lisboa tem"

Na crónica "O Vinho que Lisboa tem : prós e contras", publicada em 22/8/2017, referi a existência de 30 garrafeiras em Lisboa, mais 20 que a lista da autora.
No entanto, vou-me lembrando de outros espaços que também funcionam como garrafeiras, sendo de inteira justiça mencioná-los, como é o caso de:
.Pão de Açucar Gourmet (no C.C.Amoreiras), com uma grande mas seleccionada oferta de vinhos
.Sala Ogival de Lisboa (o espaço da ViniPortugal no Terreiro do Paço), onde se pode comprar os vinhos que estão em prova e outros
.Mesa do Bairro (restaurante garrafeira no bairro Arco do Cego)
.Great Tastings (restaurante garrafeira na Pascoal de Melo)
.Descobre (restaurante mercearia em Belém)
Volto a fazer um apelo aos seguidores habituais deste blogue, mas também aos leitores de ocasião, que se manifestem quanto a outros espaços que não constem das listas e que mereçam estar presentes.
Obrigado!

sábado, 21 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (IV) : Qtª da Aveleda e Ferrugem

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1.A Qtª da Aveleda
O 2ª dia deste passeio enoturístico começou na Qtª da Aveleda (que eu já conhecia), há mais de 300 anos nas mãos da família Guedes.
Obrigatório visitar os seus parques e jardins, que lhe valeram em 2011 o prémio internacional "Best of Wine Tourism", na categoria "Arquitectura, Parques e Jardins". Foi o que fizemos, superiormente guiados pela Chantal Guilhonato, a responsável pelo enoturismo, simpática e acertiva e que vestiu bem a camisola da Qtª da Aveleda.
Ainda nos foi mostrado um fabuloso painel de azulejos, pintados em 1922 pelo mestre Colaço (o mesmo artista dos famosos painéis da Estação de São Bento, no Porto).
Seguiu-se uma prova de alguns vinhos, orientada pelo enólogo Pedro Costa que nos apresentou, em bons copos Schott:
.Qtª da Aveleda Alvarinho/Loureiro 2016 - nariz exuberante, fresco e cítrico, acidez bem presente, volume e final de boca médios (nota 16).
.Aveleda Colheita Seleccionada 2016 - também exuberante no aroma, fresco e mineral, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca (nota 16,5).
.Aveleda Alvarinho Reserva da Família 2015 - cor mais evoluída, presença de citrinos e fruta de caroço, estruturado e mais complexo que os vinhos anteriores (nota 17).
A prova foi acompanhada por alguns dos queijos produzidos na quinta, que podem ser comprados na respectiva loja (talvez a melhor que conheço nestes moldes), para além dos vinhos, compotas e outros produtos, todos a bons preços.
Resumindo, foi uma visita imperdível!
2.O restaurante Ferrugem
O restaurante Ferrugem, que eu já conhecia mas numa outra fase, fica situado numa aldeia (Portela) nas proximidades de V.N. Famalicão. É nesta aldeia que é possível apreciar uma notável cozinha de autor, cujo responsável é o chefe Renato Cunha, Garfo de Oiro no Guia Boa Cama Boa Mesa, entre outros meritórios prémios.
O chefe estava presente e foi ele que apresentou os pratos e os vinhos. Desfilaram:
.Muros de Melgaço 2016 - fresco, acídulo, cítrico, elegante, equilibrado e gastronómico (nota 16,5).
Acompanhou:
 .manteigas de sardinha com flor de sal e de polvo com ovas secas do mesmo
 .caldo verde desconstruído com broa torrada (servido num copo sem pé e que se bebe sem colher)
 .bacalhau com todos, também algo desconstruído (servido em prato de cerâmica)
.Covela Escolha 2014 - com base nas castas Avesso e Chardonnay; cor evoluída, fruta madura, acidez equilibrada, notas amanteigadas, bom volume e final de boca, muito gastronómico (nota 17,5).
Harmonizou com uma perna de pato com arroz cremoso do mesmo.
.Soalheiro Allo 2016 - com base nas castas Alvarinho e Loureiro; fresco, mineral e acídulo, corpo e final de boca discretos (nota 15,5).
Fez companhia a gel de maracujá com espuma de lichias.
Cozinha moderna com base em produtos tradicionais, boas harmonizações com os vinhos, bons copos Schott, serviço eficiente e profissional. O que se pode pedir mais?
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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (III) : Qtª da Lixa e Hotel Monverde

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1.Qtª da Lixa
Ainda no 1º dia da viagem ao Minho rumámos à Qtª da Lixa ou, mais rigorosamente, à Qtª de Sanguinhedo, onde se situa parte do seu núcleo principal e o Hotel Monverde. Esclareça-se que este produtor ainda se estende pela Qtª da Lixa propriamente dita, Qtª da Corredoura, Qtª do Souto, Qtª Nova e Qtª dos Lagareiros.
Fomos simpaticamente recebidos por um conjunto de concertinas e uma bebida de boas vindas, o espumante extra dry "O tal da Lixa".
De seguida avançámos para a "Adega dos Tonéis", onde assistimos a um vídeo institucional de apresentação do projecto Qtª da Lixa, que incluiu as quintas, as castas cultivadas, os vinhos produzidos, os prémios alcançados e o Hotel Monverde.
Seguiu-se o programa "Seja enólogo por 1 dia", uma brincadeira muito didáctica, onde tivemos a oportunidade de provar 5 vinhos monocastas de 2016 (Alvarinho, Avesso, Arinto, Trajadura e Loureiro), com a possibilidade de se engarrafar o lote escolhido e rotulá-lo. A casta Loureiro foi a que mais me impressionou e entrou com 50 % no meu lote, tendo-lhe acrescentado Alvarinho (30 %) e Arinto (20 %).
2.Monverde Wine Experience Hotel
Foi neste moderno e impressionante hotel, situado no meio dos vinhedos, que jantámos e ficámos alojados.
No jantar, cujo menu se encontrava no lugar de cada um de nós, o chefe Carlos Silva preparou os pratos para harmonizarem com os vinhos elaborados pelo enólogo da casa, Carlos Teixeira de seu nome, todos classificados como Vinho Regional Minho. Desfilaram:
. Alvarinho Pouco Comum 2016 - perfumado, muito fresco, floral e acídulo, volume e final de boca médios (nota 16,5).
Acompanhou bem uma entrada de bacalhau envolto em massa kataffi, sobre puré de chalotas e molho de tomate seco.
.Alvarinho Reserva 2014 - fermentou em barricas novas de carvalho francês (60 %) e americano (40 %); aromaticamente estranho, floral e acídulo, notas amanteigadas, algum volume e final de boca curto (nota 16). Estava à espera de mais.
Conflituou com um excelente naco de vitela sobre legumes salteados e redução de vinho tinto.
.Sweet Creations 2016 - muito aromático, fresco e elegante, presença de citrinos, ligeiramente adocicado, delgado de corpo e final de boca mediano (nota 16).
Fez companhia a um cremoso de maracujá (uma delícia), mas preferia bebê-lo como aperitivo.
No final do repasto, foi-nos oferecida uma meia garrafa de "O tal vinho da Lixa" de ano de colheita desconhecido. O nosso muito obrigado!
É, ainda, de referir:
.a sala do restaurante, além de bonita, é muito acolhedora
.serviço eficiente e simpático
.pequeno almoço de luxo
.a incomodidade de os quartos ficarem distantes do restaurante, onde são servidos os pequenos almoços, o que obriga a um constante vai e vem de pequenos carros para o transporte dos clientes.
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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (II) : Casa da Calçada

Neste primeiro dia, após algumas horas de viagem num incómodo autocarro, que seria substituido no dia seguinte, poisámos no Largo do Paço, o restaurante da Qtª da Calçada, com direito a uma estrela Michelin, onde na cozinha pontifica o chefe Tiago Bonito, com provas dadas no Lisboeta (restaurante da Pousada de Lisboa).
Fomos recebidos na acolhedora esplanada do hotel e obsequiados com uma bebida de boas vindas que, no meu caso, foi o espumante Qtª da Calçada Bruto servido em flute Riedel.
Já na magnífica e requintada sala do restaurante, tivemos direito a um almoço de excelência que foi, para mim, o ponto mais alto desta incursão no Minho. Na mesa, no lugar de cada um, estava um folheto com a  ementa do repasto, embora sem referência aos vinhos que iriamos beber.
O enólogo responsável pelos vinhos da Qtª da Calçada é o João Maria Cabral de Almeida, de cujo portefólio provámos/bebemos o Loureiro/Alvarinho 2016 - muito fresco, cítrico e acídulo, elegante e harmonioso, volume e final de boca médios (nota 16,5).
Gastronómico, harmonizou bem com as belíssimas tapas iniciais (ravioli com ostra e sapateira, chip de batata recheada e outra que já não recordo) e uma saborosa entrada de carpaccio de polvo, pimento fumado, azeitona e terrincho.
Seguiu-se o tinto Terras do Grifo 2013 - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão e Sousão; aroma intenso, muita fruta preta, acidez equilibrada, notas especiadas, volume e final de boca assinaláveis (nota 17). Lamentavelmente, a temperatura estava acima do recomendável, mas veio de imediato uma 2ª garrafa com a temperatura correcta.
Acompanhou um excelente borrego de leite, cenoura, açafrão e molho do assado.
Quanto à sobremesa, foi-nos servida castanha assada, jeropiga (em gelado) e erva doce. Bingo!
De louvar, ainda, os seguintes aspectos altamente positivos:
.copos Riedel na mesa
.os vinhos chegaram à mesa antes da comida
.os pratos, além da muita qualidade, estavam muito bem apresentados
.serviço profissional, com destaque para o escanção (só faltou mesmo as luvas brancas...)
.garrafeira climatizada com capacidade para mais de 1000 garrafas!
.no final do repasto, o chefe e a equipa da cozinha (uma dúzia, bem contada) vieram à sala
Em Amarante ainda tive a ocasião de visitar o Museu Municipal Amadeu Sousa Cardoso e a imperdível Garrafeira Casa da Villa (R. 31 de Janeiro,43), com um excelente portefólio e preços amigáveis.

domingo, 15 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (I) : Introdução

Esta incursão na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, vem na sequência das viagens ao Dão (1ª crónica, publicada em 8/10/2016, de uma série "Enoturismo no Dão") e ao Douro (1ª crónica, publicada em 14/4/2017, de uma série "Enoturismo no Douro"), todas elas organizadas pela agência cultural Tryvel. Mais uma vez, os responsáveis por mais uma inesquecível jornada foram a dupla Rui Nobre (o promotor destas viagens enoturísticas) e a Maria João Almeida (jornalista, crítica de vinhos, autora do livro "Guia do Enoturismo em Portugal" e a animadora no terreno). Remeto para o livro da Maria João, cuja 2ª edição já está no mercado e que recomendo, o desenvolvimento das histórias de cada produtor e demais informações úteis.
A Tryvel tem ainda previstas viagens à Bairrada e à Madeira. Estejamos atentos. Mais informações em tryvel.pt/trywine.
Num fim de semana alargado (sábado, domingo e 2ª feira) tivemos a oportunidade de visitar a Qtª da Lixa, a Qtª da Aveleda, a Qtª do Ameal e o imperdível Palácio da Brejoeira. Almoços no Largo do Paço (Hotel Casa da Calçada, em Amarante), Ferrugem (Portela de V.N.Famalicão) e Qtª do Prazo (Valença). Jantares no Hotel Monverde (onde ficámos na 1ª noite) e em A Cozinha Velha (Ponte de Lima), tendo o grupo ficado no Hotel InLima (na 2ª noite).
Provámos, no decorrer desta viagem 13 vinhos brancos e bebemos às refeições mais 14 brancos e 2 tintos. No total 29 vinhos. É obra!
Foi uma espécie de ditadura dos brancos desta região, pois dos tintos (salvo raríssimas excepções) não reza a história.
Em próximas crónicas, que poderão não ser consecutivas, desenvolverei as minhas impressões sobre os locais citados.
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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Qtª Nova Nossa Sra do Carmo : 10 anos de Grande Reserva

Tive, recentemente, a oportunidade de participar numa prova vertical, organizada pela Qtª Nova Nossa Sra do Carmo, cujas faces visíveis eram a Luisa Amorim (a produtora), a Paula Sousa (o braço direito) e o Jorge Alves (o enólogo, sócio do Celso Pereira no projecto Quanta Terra e meu conhecido desde os tempos das Coisas do Arco do Vinho). Também colaborou, no apoio logístico, o Giscard Muller (escanção, braço direito do Manuel Moreira em diversos projectos).
O universo da grande maioria dos participantes era o da restauração, não tendo vislumbrado qualquer elemento ligado à comunicação social ou à blogosfera.
Havia 2 mesas com vinhos do produtor à prova (Qtª Nova, Mirabilis, Grainha, Pomares, Porto Vintage e Porto LBV) e, ainda, uma mesa com enchidos (Ibéricos Montellano) e outra com queijos (Casa Matias).
Mas, o mais importante neste evento foi a prova vertical dos Grande Reserva, tendo-se destacado, para o meu gosto, o 2005 (fino e elegante, balsâmico e especiado, aromas e sabores terciários, volume e final de boca assinaláveis) a merecer-me a nota 18,5. Um tinto perfeito e no ponto óptimo para ser bebido. Logo a seguir o 2011 (grande potencial, taninos evidentes mas civilizados, uma bela estrutura e final de boca, a pedir mais uns anos de garrafa), nota 18+.  A completar o trio dos meus eleitos, o 2015 (exuberante, com muita fruta, taninoso e volumoso, ainda a dar os seus primeiros passos), nota 18.
Noutro plano o 2007 (17,5+), 2008 (17,5), 2012 (17+) e 2013 (17). E, finalmente, as desilusões: 2006 e 2009, nota 16,5.
Em conclusão, uma prova vertical bem organizada, a mostrar bem o potencial da maioria dos Grande Reserva. É pena que o 2005 e o 2011 já não se encontrem no mercado.