quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Curtas (XLII) : Herdade das Servas e etc...

1.Aditamento à crónica "Herdade das Servas Revisitada"
Informaram-me há dias que os preços dos vinhos praticados no restaurante foram revistos. Este problema dos preços, referido na minha crónica, já era uma preocupação do produtor. Agora já se pode usufruir dos vinhos, no restaurante, ao preço da loja, acrescidos da respectiva taxa de serviço (5 € para a gama Monte das Servas e 6 € para a gama Herdade das Servas). Foi uma boa decisão e fico satisfeito por isso ter acontecido.
2.Cozido na Casa da Mó
Um aviso aos indefectíveis do cozido na Casa da Mó ( já aqui referido por diversas vezes), na modalidade de bufete: mudou da habitual 5ª feira para a 4ª feira. Mantém-se o preço habitual de 11 €, mas se forem 2 pagam 20 €, o que fica mais barato.
3.Verdade do Vinho
Continua a correr bem esta série dedicada ao vinho. Depois de 2 episódios dedicados ao Douro, seguiram-se a Região dos Vinhos Verdes,  Dão e Bairrada. Neste último o jornalista Luis Baila fez uma afirmação deveras surpreendente, a propósito da definição de "terroir", em resposta à pergunta da jornalista Sónia Araújo. Na sua definição de "terroir" começava por "são as pessoas...". Olhe que não, olhe que não!

terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Vinhos Contemporal no Vestigius

A convite do Continente, participei numa prova de vinhos Contemporal, seguida de almoço de degustação e harmonização, no Vestigius Wine Bar (ao Cais Sodré), conduzida pelo polivalente Aníbal Coutinho. A assistência pareceu-me demasiado heterogénea, não se vislumbrando o critério seguido. Blogues na área do vinho, apenas 3 ou 4!
Analisemos, então, o que bebemos e comemos:
.Loureiro 2013 (2,45 €) - fresco, bela acidez, presença de gás carbónico, para o meu gosto, para além do expectável.
Foi servido com aperitivos e funcionou como vinho de boas vindas.
.Alvarinho 2013 (2,98)- nariz discreto, presença de citrinos e algum tropical, gás carbónico praticamente ausente, gastronómico; fabulosa relação preço/qualidade.
Maridou bem com ostras.
Ambos os brancos são produzidos nas Quintas de Melgaço.
.Douro 2013 branco (1,99) - exuberante com a casta Moscatel a sobrepor-se e impor-se; algo desequilibrado e pouco gastronómico, mas pelo preço não se pode exigir mais.
Fez companhia a um trio do mar (rolo de salmão fumado, gamba marinada em laranja e carpaccio de espadarte com ovas de salmão); harmonização desequlibrada.
.Douro Reserva 2012 tinto (3,99) - nariz exuberante, frutos vermelhos (ginja?), muito concentrado e enjoativamente doce;
Servido com magret de pato, mas a harmonizar muito mal.
Os vinhos do Douro vieram da Qtª do Castelinho.
.Alentejo, produção de Rui Reguinga (ano? preço?) - mais equilibrado que o anterior, boa acidez, elegante e harmonioso, taninos presentes domesticados, algum volume de boca.
Casou bem com o magret de pato.
.Porto 20 Anos (com a chancela da Taylor's) - servido a uma temperatura excessiva, com o álcool a sobrepor-se a tudo e todos; ficou altamente prejudicado, uma pena!
Acompanhou tiramisú.
Em conclusão, alguns vinhos desequilibrados, excelentes relações preço/qualidade, gastronomia de bom nível, harmonizações nem sempre as mais felizes e serviço de vinhos com algumas falhas. 

 

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Os comeres no Mercado da Ribeira : Miguel Castro e Silva (MCS)

1.Depois de ter andado pelas bancas da Marlene Vieira (crónica publicada em 8/6/2014), Vitor Claro (1/7/2014), Sá Pessoa (1678/2014) e Alexandre Silva (25/9/2014), chegou a vez do chefe Miguel Castro e Silva, a trabalhar no restaurante Largo e proprietário do deCastro (à Praça das Flores), já aqui referido em "Almoço no deCastro", crónica publicada em 7/3/2014.
A aposta do MCS é na cozinha tradicional portuguesa, com uma ou outra inovação. O menú apresenta, além de pratos de peixe e carne, meia dúzia de emblemáticos petiscos (de 4 a 5,90 €), 2 francesinhas (a puxa-carroça 9,80 € e a com hamburga e linguiça 9,50 €)  e os pratos do dia. Numa das visitas eram bacalhau no forno (8,90 €), salada de bacalhau fumado (6,50) e ameijoas com feijão manteiga (11,50).
Optei por este último prato, um ex-libris do MCS, que se apresentou saborosíssimo, mas com o feijão a esmagar as delicadas ameijoas, o que é pena. Noutra visita comi um curioso e agradabelíssimo prego com cogumelos e queijo da Ilha (7,80).
Quanto a vinhos, inventariei a copo (2 a 3,75 €) e à garrafa (9 a 16 €), 1 espumante, 4 brancos, 3 tintos, 4 Porto (a copo 2 a 4,50 € e garrafa 16 a 44 €) e 1 Madeira (4 € o copo e 42 € a garrafa). Muito bons preços!
Provei:
.Cassa Lote MCS tinto (ano?) - frutado, alguma acidez, correcto e descomplicado, volume e final de boca médios; gastronómico. Nota 15,5.
.Cassa Lote MCS 2011 branco - côr doirada, presença de citrinos e maçãs, fresco, excelente acidez, alguma gordura e volume; uma boa surpresa, uns furos acima do tinto; ainda longe da reforma. Nota 17.
A garrafa foi mostrada e aberta na altura, mas não dada a provar. Não custava nada...
2.Verifiquei, com algum espanto da minha parte, que as bancas de vinhos João Portugal Ramos e Herdade do Esporão sairam do Mercado. Os respectivos espaços foram ocupados por "Licor Beirão" e "Russian Standar Vodka" !? O que teria acontecido? O negócio não era rentável?
Lamento a decisão, eles fazem falta!


terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Herdade das Servas revisitada

A convite do produtor, fui revisitar a Herdade das Servas (H.S.), já aqui referida diversas vezes, nomeadamente em "A Herdade das Servas e a Blogosfera", em 2 partes, crónicas publicadas em 22 e 23/1/2011, e, ainda, "Provar vinhos no Chafariz com a Herdade das Servas", publicada em 16/11/2013. Aí sublinhei todo o meu apreço pelos irmãos Mira (Luis e Carlos), proprietários da H.S., pelo Tiago Garcia, enólogo da casa, e pelo comercial Artur Diogo. Fazem uma boa equipa, com a qual sempre tive excelentes relações institucionais e pessoais, no meu tempo das CAV e, também, depois.
O tema desta recente visita, era a apresentação de novos vinhos e do restaurante, agora diariamente aberto ao público (excepto 3ª feira), que tem na sala o Paulo Baía, arrendatário do espaço, e na cozinha Maria da Fé Baía, sua irmã, ambos vindos do restaurante São Rosas, uma garantia de qualidade.
O grupo visitante incluia, uma vez mais, representantes da blogosfera, imprensa especializada e alguma generalista, todos tratados de igual modo, desde a Revista de Vinhos ao mais modesto dos blogues. Tiro o meu chapéu ao produtor!
Chega de introdução e vamos aos vinhos, iguarias e respectiva harmonização (ou falta dela):
.Colheita Seleccionada 2013, dado a provar antes da visita e do almoço - presença de citrinos, acidez equilibrada, alguma mineralidade e frescura, notas químicas, agradável e correcto, mas sem esmagar. Nota 16.
.Alicante Bouschet Reserva 2011 - estagiou em barricas de carvalho francês (80 %) e americano (20 %); ainda com muita fruta, boa acidez, notas de couro e pimenta, apreciável volume de boca e final persistente. Prejudicado pela temperatura de serviço, um pouco acima do recomendado. Nota 17.
Acompanhou uma sopa de tomate à alentejana (com linguiça, farinheira e toucinho laminado), com a acidez do tomate a brigar com o vinho.
.Reserva 2011 - com base nas castas Alicante Bouschet (40 %), T.Nacional, Aragonês e Petit Verdot (todas com 20 %), estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês (70 %) e americano (30 %); aroma exuberante, boa acidez, especiado, notas de tabaco e chocolate preto, taninos presentes de veludo, bom volume de boca e final longo. Foi servido decantado e a uma temperatura correcta. Grande alentejano! Nota 18.
Maridou razoavelmente com cação de coentrada  e brilhou com um excelente e inesquecível borrego assado no forno. Casamento para a vida!
.Sousão/Vinhão 2011 - retinto, muito frutado, acidez excessiva, pouco harmonioso e um perfil nada alentejano. Apenas uma curiosidade e não lhe atribuo classificação.
Brigou com o bolinho de chocolate. Violência doméstica e divórcio à vista!
Um apelo ao produtor: façam um colheita tardia ou comprem uma quinta no Douro, para poderem ter um Porto a acompanhar as sobremesas!
Em relação ao restaurante, a cozinha é segura, o serviço de vinhos competente ( foram decantados e servidos antes da comida chegar ao prato, para poderem ser cheirados sem intromissão dos cozinhados; as temperaturas de serviço, com a excepção do 1º vinho, foram as correctas). Mais: copos Ridel, um luxo que os clientes agradecem!
O balanço é francamente bom, mas seria ainda melhor se os preços dos vinhos no restaurante, sejam a copo sejam à garrafa, fossem mais acessíveis. Afinal a marca Herdade das Servas é exclusiva e, francamente, não percebo tais preços que podem afastar potenciais clientes. Não faz sentido, para mim, o Reserva 2011 custar 18 € na loja, passar a porta e chegar ao restaurante a 30 € (o copo a 7,50 €)! Para reflexão dos meus amigos proprietários e do arrendatário...
Em conclusão, uma grande jornada vinícola e gastronómica. Obrigado, irmãos Mira!

sábado, 18 de Outubro de 2014

José Avillez ao quadrado

Sobre os espaços de restauração do chefe José Avillez já publiquei algumas crónicas, sendo a primeira "Almoço no Cantinho do Avillez" em 10/9/2011 e a última "Almoço no Café Lisboa : o bloco central do Chefe Avillez" em 29/10/2013.
Recentemente fui conhecer a Pizzaria Lisboa e revisitar o Cantinho do Avillez. Eis as minhas impressões:
1.Pizzaria Lisboa
Este projecto tem, como sub-título, Zé Avillez, a confirmar o ar descontraído deste espaço, a que se juntam a eficiência e o serviço simpático.
Experimentei o Menú Executivo, disponível ao almoço, de 2ª a 6ª feira. Por 12,50 € tem-se direito ao cover (manteiga, paté, azeite, azeitonas, grissinos e fatias da pizza base), um prato a escolher entre 10 pizzas, 5 pastas, 2 risottos e 3 saladas, e ainda uma bebida (concretamente água, ficando de fora a cerveja ou um copo de vinho da casa, o que não se entende de todo). Escolhi a Pizza Fado (tomate, mozzarella, courgette, beringela, pasta de azeitona, alho e parmesão), muito fina e estaladiça. Sinceramente, gostei.
Mas, nem tudo o que luz, é oiro. Depois de me ter sido indicadas as mesas em que me podia sentar (a sala estava praticamente vazia), sentei-me numa que afinal estava reservada, sem que tal parecesse, para uma conhecida colunista do Expresso. Ó chefe Avillez, não podia investir numas sinaléticas a dizer RESERVADO? Esta "cena" poderia ter sido evitada.
2.Cantinho do Avillez
Escrevi na minha 1ª crónica, acima referida, "O serviço, com algumas falhas, ainda não está ao nível da cozinha. O tempo o afinará, creio.". Passaram-se 3 anos e, afinal, não afinou! Dois exemplos, a mesa estava francamente suja da véspera, sem que ninguém tivesse tido a maçada de a limpar; a música estava demasiado alta, para a hora de almoço, e só ao segundo pedido é que se dignaram baixá-la um pouco!
Fiquei-me por 2 entradas, ceviche de vieiras com abacate (excelente) e os emblemáticos ovos à professor século XXI (fiquei algo desiludido; se calhar, pus a fasquia muito alta).
Bebemos o branco Meandro 2013 (23 € a garrafa), uma novidade para mim - presença de citrinos, fresco, mineral, algum volume de boca, gastronómico, acompanhou muito bem as vieiras. Nota 16,5.
Serviço de vinhos correcto. Quanto às deficiências acima referidas, faço votos para que o tempo, mais uma vez, as afine!

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Curtas (XLI) : Eventos e etc

1.Próximos eventos em Lisboa
.Azeites e Vinhos do Alentejo no CCB (17 e 18 Outubro)
.Restaurant Week (16 a 26 Outubro)
.Mercado de Vinhos no Campo Pequeno (31 Outubro, 1 e 2 Novembro)
2.Revista Evasões
Está no mercado o nº 198 Outubro 2014 (embora no interior se leia Setembro) da Evasões (4,90 €), número totalmente dedicada ao vinho.

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Cogumelos no Assinatura

É a minha 2ª visita ao Assinatura neste tempo d.h.m. (depois do Henrique Mouro). Da 1ª resultou a crónica "O 4º aniversário do Assinatura", publicada em 21/6/2014.
O tema, cogumelos silvestres, era aliciante. E a este, juntou-se a minha curiosidade em saber como o chefe Vitor Areias o iria tratar. O resultado foi francamente animador e o chefe merece nota alta.
O almoço constava de 1 entrada (Amanitas Caesarea com laranja e vinho do Porto), 2 pratos ("Bife" de Boletus com esparregado de chagas e lombo de novilho com marmelada de Boletus)  e 1 sobremesa (cherovia com gelado da mesma), a menos interessante. Tudo isto a troco de 27 €, um preço especial para "assinantes".
Com a entrada e o 1º prato, bebi um copo de Qtª do Perdigão Encruzado 2013 (5,50 €) - frutado, fresco e mineral, alguma gordura e complexidade. Gastronómico, ligou muito bem com a entrada e aguentou-se com o 1º prato. Nota 16,5.
Com o 2º prato, avançou um copo do tinto Pó de Poeira 2011 (não tomei nota do preço, pois a casa, muito simpaticamente, não cobrou) - fruta presente, acidez equilibrada, notas especiadas,  algo complexo, potente e elegante em simultâneo. Um bom exemplar do ano 2011 e de um vinho a preço acessível. Acompanhou muito bem o lombo de novilho. Nota 17,5.
Serviço geral e, especificamente, o de vinhos, impecáveis. Profissionalismo e simpatia. Apenas uma nota: a temperatura do tinto poderia estar ligeiramente mais baixa.
Conclusão: gostei francamente e recomendo!