sábado, 20 de dezembro de 2014

Verdade do Vinho na Madeira

Na última 3ª feira, o programa Verdade do Vinho foi integralmente dedicado ao Vinho da Madeira. Os jornalistas da RTP, Sónia Araujo e Luis Baila, visitaram as principais casas produtoras deste néctar dos deuses e foi-lhes dado a provar autênticas raridades, ficando eu na dúvida que os tivessem apreciado devidamente. Numa situação destas, é costume dizer-se que dão nozes a quem não tem dentes...
E eu, confesso, fiquei cheio de inveja. Vejam só: entre outros, foram provados:
.Henriques & Henriques - Solera Malvasia 1900
.Barbeito - Malvasia 1880
.Instituto do Vinho da Madeira (IVM) - Bual 1954
.D' Oliveiras - Sercial 1937, Verdelho 1912, Boal 1908, Malvazia 1895 e Terrantez 1880
.Blandy - Bual 1969
Destas relíquias, apenas tenho provado o Blandy's Bual 1969, aliás excelente. Os outros, nem cheiro!
Vale a pena apreciar o programa, sendo ainda possível visioná-lo até 3ª feira. Indispensável a quem aprecie verdadeiramente o Vinho da Madeira!

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Vinhos em família (LVIII)

Mais uns tantos vinhos (3 tintos e 2 brancos), provados em família ou com amigos, com o rótulo à vista, a portarem-se bem. Desta vez não houve decepções.
.Muros de Magma Verdelho 2011 (Açores) - produzido pela Adega Cooperativa dos Biscoitos e proveniente das respectivas "Curraletas"; nariz discreto, acidez, mineralidade, notas amanteigadas e algum volume; uma boa surpresa vinda das Ilhas. Nota 17.
.Morgado Stª Catherina Reserva 2012 - estagiou 10 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, presença de citrinos, boa acidez, alguma gordura e volume, final de boca mediano; madeira ainda evidente, o que o prejudica nesta fase. Nota 16,5+.
.Vallado Reserva 2007 - 17 meses em meias pipas de carvalho francês; nariz complexo, acidez equilibrada, especiado, notas de tabaco e chocolate preto, taninos impressionantes mas sem agressividade, volume considerável e final muito longo; um grande Douro que não me canso de beber. Um aspecto menos simpático: a rolha desfez-se totalmente. Nota 18,5.
.Reserva Especial 2007 - ainda na força da juventude, fruta presente, acidez no ponto, especiado, taninos evidentes sem arestas, volume considerável e final muito longo. Provado em 2 momentos, só se evidenciando 48 horas após a abertura da garrafa. Nota 18.
.Grandes Quintas Reserva 2008 - produzido pela Casa de Arrochela no Douro Superior, com enologia do Luis Soares Duarte; estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês; nariz fechado, acidez equilibrada, especiado, notas fumadas, taninos domesticados, algum volume e final longo; excelente relação preço/qualidade. Obteve uma medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas 2011. Nota 17,5+.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Grupo dos 3 (42ª sessão) : um Robustus em grande forma

A responsabilidade desta sessão vínica, coube ao Juca que trouxe da sua garrafeira 1 branco, 2 tintos e 1 fortificado, todos a portarem-se bem, sobressaindo o Robustus 2005, em excelente forma. Comparando com as notas atribuidas por mim, em situações anteriores, verifica-se alguma irregularidade na prestação dos vinhos, com especial incidência no percurso errático do Utopia. Por vezes a culpa é da garrafa, noutras vezes é o provador, cujo estado de espírito na ocasião pode originar alguma nota atribuida não muito correcta. Ficamos pela dúvida...
Quanto ao restaurante, remeto as minhas apreciações para a crónica "Grupo dos 3 (23ª sessão)", publicada em 30/5/2012, continuando a recomendá-lo.
Mas vamos aos vinhos provados:
.Redoma Reserva 2008 - nariz contido, presença de citrinos, acidez e vivacidade, madeira discreta, algum volume, mas final curto. Nota 16,5+ (noutras situações 17,5/17+/17,5).
Acompanhou uma entrada de cogumelos e enchidos.
.Utopia 2001 (ainda do tempo do saudoso José Mendonça) - côr algo evoluída, notas vegetais, taninos ainda presentes, algum volume e final longo; elegante. Nota 17,5 (noutras 17,5/17/16/15/16,5/16/16).
Ligou bem com o bacalhau à lagareiro.
.Robustus 2005 - nariz exuberante, fruta vermelha ainda presente, notas florais, boa acidez e frescura, especiado, um toque de chocolate preto, volume apreciável e final extenso. Excelente evolução. Nota 18,5 (noutras 17,5+/17,5).
Maridou bem com uma posta barrosã.
.Moscatel Setúbal Superior JMS 1993 (enologia de António Saramago que o dedicou ao seu pai) - frutos secos, citrinos, alguma acidez, gordura, taninos presentes, algum volume e final longo. Nota 18 (noutra 17,5+).
Casou bem com um quarteto de sobremesas (Serra, sopa de morangos, doce de abóbora e mousse de chocolate).
Mais uma boa sessão de comeres e beberes. Obrigado, Juca!


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Curtas (XLVI) : Sabores d' Itália e livros para o Natal

1.Sabores d'Itália
Já aqui referido por diversas vezes em "Sabores d' Itália, sempre!", Páscoa na Bairrada (II)" e "Sabores d' Itália revisitado", crónicas publicadas em 9/3/2011, 10/4/2012 e 14/5/2013, este restaurante, radicado nas Caldas da Rainha, é para mim o nº 1, vindo a ocupar o lugar do saudoso Flora, em Vila Franca de Xira. Tudo neste espaço é de muita qualidade, seja a gastronomia, a carta de vinhos, o serviço eficiente e profissional, o ambiente requintado e a simpatia dos donos, o Norberto na sala e a Maria João na cozinha.
É por tudo isto, que eu ao votar no melhor restaurante em Portugal, no âmbito da iniciativa anual do blogue Mesa Marcada, tenha sempre escolhido o Sabores d' Itália. Eles merecem!
Em recente visita voltei a escolher a sopa rica de peixe, o risotto de sapateira e a sopa de amoras com gelado, Tudo no patamar da excelência!
Por sugestão do dono, bebi um copo do branco Casa das Gaeiras Resrrva Vinhas Velhas 2013 (DOC Óbidos) - com base na casta Vital; aromático, fruta madura, excelente acidez, alguma gordura, complexidade, notável volume e final longo. Desconhecia este vinho, um grande branco e um dos melhores provados em 2014. Nota 18.
2.Livros para o Natal
Com o Natal à porta, não faltam sugestões para uma boa prenda, relacionada com o mundo do vinho, especialmente se dirigida a enófilos, militantes ou não:
.Douro - Rio, Gente e Vinho, de António Barreto (Ed. Relógio d' Agua)
.Guia do Enoturismo Portugal, de Maria João Almeida (Ed. Zest), em português e inglês
.Cada Garrafa Conta uma História, de Ana Sofia Fonseca (Ed. A Esfera dos Livros)
.Celebrar - o Melhor Vinho para cada Data Especial do Ano, de Vasco d' Avillez (Ed. Livros Horizonte)
.Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto, de Manuel Pintão e Carlos Cabral (Porto Editora)
Não há fome que não dê em fartura...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Regresso aos cogumelos em Lisboa

Ao restaurante Santa Clara dos Cogumelos, que revisitei recentemente, já dediquei a crónica "Cogumelos em Lisboa", publicada em 12/1/2014. A qualidade da cozinha mantem-se em alta, mas o serviço de vinhos precisa de ser afinado.
Nesta última visita, o menú oferecia 7 petiscos (5 a 8 €), 7 pratos (14 a 17 €) e 4 sobremesas (5 a 5,50 €). Não é barato, mas tudo o que ali se come vale bem o preço facturado.
Optei por Shitake à Bulhão Pato, Spaguetti alla Chitarra com lepiotas e taleggio e, ainda, merengue com cogumelos secos e framboesas. Tudo 5 estrelas.
Quanto a vinhos, inventariei 10 brancos (11 a 22 €) e 9 tintos (11 a 18 €). Destes,apenas 1 branco e 1 tinto a copo, o que é manifestamente insuficiente. Preços mais que comedidos para um restaurante.
Escolhi o branco Opta 2012, a copo (3 €) - frutado e aromático, citrinos presentes, boa acidez, simples, mas elegante e equilibrado. Nota 16.
O copo, de qualidade aceitável e quantidade generosa, já vinha servido e a garrafa nem sequer foi mostrada. No melhor pano cai a nódoa. Francamente...
Finalmente, a música estava muito alta (negativo) e o chefe Luigi Pintarelli, que também é o dono, veio à mesa mais que 1 vez (positivo).
Tenciono voltar, com uma ténue esperança de encontrar corrigidos os aspectos negativos aqui focados.

sábado, 6 de dezembro de 2014

O 3º aniversário da Adega Mãe

Pelos vistos estamos em maré de aniversários. Recentemente referi-me ao 3º aniversário da Garrafeira Néctar das Avenidas; hoje é a vez da Adega Mãe, já objecto da crónica "Visita à Adega Mãe", publicada em 3 partes, 4, 5 e 6/9/2013.
Desta vez o grupo de visitantes era mais alargado pois, além dos blogues Air Diogo num Copo (Diogo Rodrigues), Comer, Beber e Lazer (Carlos Janeiro), Enófilo Militante (eu próprio), E Tudo o Vinho Levou (Celma Carreira), Joli Wine & Food (Jorge Nunes) e O Vinho é Efémero (Elias Macovela), incluiu a Revista de Vinhos (Nuno Garcia) e representantes de diversos órgãos de comunicação social (Epicur, jornal I, Sol, Jornal de Vinhos, Revista Grande Consumo, Revista New in Town e The Wine Agency).
Fomos recebidos pelo Diogo Lopes, enólogo residente e a alma do projecto, pois o produtor, Bernardo Alves de seu nome, encontrava-se doente e o Anselmo Mendes, enólogo consultor, algures em parte incerta.
Após uma visita à adega (para mim, uma revisita), o Diogo orientou uma prova de vinhos, que incluiu uma vertical do Dory branco (2011, 2012 e 2013), o tinto Dory 2012 e os monocastas Petit Verdot, Merlot e Cabernet Sauvignon, todos de 2012, prontos para irem para o mercado.
Os vinhos deste produtor, quer os brancos, quer os tintos, têm alguns pontos comuns, por um lado são frescos e elegantes, em resultado da proximidade do Atlântico e, por outro lado, uma relação preço/qualidade exemplar.
Durante o almoço, onde foram servidos pastelinhos de bacalhau e 2 pratos do mesmo, lascado com açorda e lombo no forno, qualquer deles excelente, tivemos a oportunidade de os podermos confrontar com todos os vinhos provados anteriormente e, ainda com os Dory Reserva branco 2013 e tinto 2012.
Obviamente não tive a oportunidade para confrontar todos os vinhos à nossa disposição com os pratos de bacalhau, mas experimentei alguns. Maridaram bem com o bacalhau lascado os brancos Dory Reserva e o Chardonnay, e com o lombo os tintos Dory Reserva e o Merlot, que foi o monocasta que mais apreciei. Deste último, anotei : nariz intenso, muito fresco e elegante, acidez equilibrada, especiado, taninos redondos, volume de boca e um final extenso. Nota 17.
Quanto à sobremesa, é que não foi possível estabelecer qualquer boa ligação com os vinhos presentes. Fica aqui um desafio aos responsáveis da Adega Mãe: ou fazem um colheita tardia ou compram uma quinta no Douro (à conta do bacalhau Riberalves) para poderem produzir Vinho do Porto!
À saida, fomos obsequiados com os 3 monocastas (Petit Verdot, Merlot e Cabernet) e o Dory tinto.
Obrigado, pela parte que me toca!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Curtas (XLV) : Concurso de Vinhos e Companhia das Quintas

1.1º Concurso de Vinhos do Crédito Agrícola
Fui convidado pelo Rodolfo Tristão, presidente da Associação de Escanções de Portugal (AEP) e autor do Blogue Poetas do Vinho, para fazer parte de uma das 5 mesas de provadores, no âmbito do concurso acima referido, organizado pela AEP, em parceria com o Crédito Agrícola e no âmbito da Portugal AGRO.
Estiveram à prova 172 vinhos, provenientes de produtores e cooperativas, de Norte a Sul, tendo calhado à mesa onde me encontrava (2 escanções, 1 enóloga, 1 representante do Crédito Agrícola e eu, na qualidade de bloguista) 23 amostras, estando em causa a atribuição de Tambuladeiras dos Escanções de Portugal. Destes 23 vinhos provados, apenas 3 vieram ao encontro do meu gosto, mas nenhum me apaixonou. Ossos do ofício...
2.Companhia das Quintas
Tropecei, por mero acaso, numa garrafeira com vinhos, exclusivamente, da Companhia das Quintas (Qtª do Cardo, Qtª da Fronteira, Qtª de Pancas e Herdade da Farizoa). Está num dos espaços do Atrium Saldanha (Piso 2, Loja 84), mas só até ao final do ano. Até lá têm uma forte campanha, oferecendo 1 garrafa de vinho de gama de entrada, por cada garrafa comprada nas outras gamas (Grande Escolha, Reserva ou Selecção do Enólogo). Em 2015 estará noutro lado.