terça-feira, 21 de junho de 2016

The Sandeman Chiado : a Sogrape em Lisboa

A Sogrape entrou em grande na cidade de Lisboa. Depois de parcerias com restaurantes (é o caso do Garrett 47, na Rua Garrett e do Delfina, na Praça do Município), recentemente assumiu, por iniciativa de Manuel Guedes, o responsável pelo Clube Reserva 1500, um espaço no Largo Rafael Bordalo Pinheiro, que tem como sub-título o sugestivo nome "Porto Wine Meets Food". O objectivo principal, segundo me afirmaram no local, é a promoção da marca Sandeman, a menos conhecida em Portugal.
Sala acolhedora, alguns armários térmicos Enomatic, mesas despojadas e guardanapos de pano.
O menú, não muito extenso, apresenta algumas sopas, pratos para partilhar e petiscar, para além de sugestões no tacho. O que o distingue de todos os outros é que, para cada prato, sugere um Porto Sandeman ou um coquetel à base do mesmo.
São 14 as referências de Porto Sandeman, 6 das quais a copo e todas a preços muito sensatos. Já o mesmo não direi da restante oferta, 5 brancos (todos a copo), 2 rosés (1) e 8 tintos (2), com base exclusiva nas marcas da casa. Até por isso, os preços deveriam ser mais acessíveis (para reflexão do Manuel Guedes, mentor do projecto). Mais: na carta de vinhos não consta nenhuma referência de gama alta, o que não se entende.
Optei por um copo do Qtª de Carvalhais Encruzado 2014 (5,50 €, uma exorbitância!) - citrinos bem presentes, fresco e mineral, alguma gordura, acidez e volume. Gastronómico, acompanhou bem o salmorejo com presunto e ovo cozido e, ainda, as línguas de bacalhau. Nota 17,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo aceitável e em quantidade generosa (foi servido por 2 vezes, para não aquecer). Serviço eficiente e profissional.
Aconselho este espaço a todos os enófilos, militantes ou não.

sábado, 18 de junho de 2016

Noélia : gastronomia 5 - serviço 1

Numa escala de 1 a 5 estrelas, os tachos da Noélia (Cabanas de Tavira, Algarve) têm a nota máxima, enquanto que o serviço se fica pelos mínimos. Um grande desequilíbrio, aparentemente sem solução. Uma pena...
Em visita recente, tive a oportunidade de provar o melhor gaspacho da minha vida, aqui em versão andaluza, a que se seguiu um atum braseado com arroz de gengibre, simplesmente divinal. A fechar uma deliciosa torta de alfarroba. Um almoço inesquecível!
Quanto a vinhos, as contradições são mais que muitas, com uma boa oferta mas onde os anos de colheita estão omissos. Inventariei 5 espumantes, 2 champanhes, 72 brancos (com os vinhos verdes separados), 78 tintos e mais alguns estrangeiros. Nem os fortificados, nem os vinhos a copo constam nesta lista. Quanto a preços, a margem dos mais caros é muito honesta, como, por exemplo, o Barca Velha 2004 a custar 320 €, muito abaixo do preço actual nas garrafeiras.
Por informação fora da carta, apostei no branco Qtª Seara d' Ordens Reserva 2014 (4 €) - aroma inicialmente preso, mas a libertar-se ao longo do repasto, presença de citrinos e fruta madura, belíssima acidez, alguma gordura e volume. Gastronómico, acompanhou bem toda a refeição. Nota 17,5+.
No entanto, a garrafa não veio à mesa, nem o vinho dado a provar. Vinha servido em bom copo Riedel. Quanto aos copos para água, são do tipo banquete.  Só contradições!
Serviço em estilo tu cá, tu lá com os clientes. E ninguém os ensina?

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Curtas (LXXVII) : Barca Velha, Rosés, Madeira e Vinhão

1.Barca Velha 2008
Ontem, o Luis Sottomayor, enólogo responsável pelos vinhos da Casa Ferreirinha, anunciou que foi aprovada como o 18º Barca Velha a colheita 2008 que estado no forno estes anos todos. Este ícone dos vinhos portugueses será apresentado em Outubro e comercializado a tempo de festejar o próximo Natal.
Eu, como sócio do Clube Reserva 1500 da Sogrape, terei o privilégio de o comprar ao preço de venda, antes da especulação habitual.
Mais informações em www.sograpevinhos.com.
2.O painel dos rosés
A Revista de Vinhos, no seu número de Junho, publicou os resultados de um alargado painel de prova que apreciou 40 rosés, tendo saído como vencedor absoluto o Vinha Grande 2015. A Sogrape continua de parabéns!
Pena foi que os emblemáticos e caros Principal Rosé Tête de Cuvée e MR Premium Rosé, não tivessem sido incluídos. Nem tão pouco o algarvio Barranco Longo, para mim o mais interessante rosé que se faz em Portugal. Teria sido interessante ver como se comportariam face à concorrência.
3.A propósito do Vinho da Madeira
Escreveu o Rui Falcão na separata Fugas de 11 de Junho que "(...) O Vinho da Madeira é será um vinho de nicho, um vinho para especialistas e apaixonados, um vinho de convertidos à causa. (...) É um vinho rico e intelectual, um dos melhores do mundo, um vinho eterno e poderoso."
Concordo inteiramente, mas deixo de fora algum Vinho da Madeira, nomeadamente aqueles mais imberbes ou que nem sequer exibem o nome da respectiva casta.
4.A propósito da casta Vinhão
Em recente crónica do João Paulo Martins, publicada no Expresso, a propósito da Vinhão e outras castas tintureiras, refere "(...) É verdade que ainda há alguns adeptos do "pinta a caneca", mas não vou por aí, até porque recuso beber vinho em caneca e nesse capítulo não abro exceções de cariz etnográfico. (...)".
Eu também não!

terça-feira, 14 de junho de 2016

Grupo dos 3 (51ª sessão) : um LBV travestido de Vintage

Mais uma sessão deste grupo de enófilos da linha dura, tendo o Juca levado os vinhos (1 branco, 2 tintos 2007 e 1 fortificado) e escolhido o mesmo restaurante da última sessão, o Guarda Real. Gastronomia à altura, embora sem grandes rasgos, serviço profissional, copos Schott e temperaturas correctas. Como é habitual, os vinhos foram provados às cegas, dando azo a algumas surpresas. Desfilaram:
.Vicentino Sauvignon Blanc 2014 (12,5 % vol e sub-título Vinhas da Costa Atlântica) - enologia de Bernardo Cabral, estagiou 6 meses antes de ser comercializado; algum citrino, notas vegetais com predominância de espargos típicos desta casta, alguma gordura e volume. Anteriormente, as uvas deste produtor iam para os vinhos Cortes de Cima. Nota 17.
Acompanhou torricado de camarão, pataniscas de bacalhau, peixinhos da horta e 3 tipos de queijo.
.Qtª do Sagrado Reserva (produtor Qtª da Foz, na altura pertença da família Calém) - com base na casta Touriga Nacional (90 %), foi vinificado em lagar e estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; ainda com fruta, notas de lagar, alguma acidez, taninos redondos, volume médio e final persistente. A consumir nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5.
.Qtª do Vesúvio - estagiou 10 meses em madeira nova de carvalho francês; nariz discreto, notas metálicas e de couro, acidez equilibrada, taninos firmes, volume e final médios; uns furos abaixo de outras garrafas provadas anteriormente e um perfil que se afastou da respectiva região. Uma desilusão, a despachar rapidamente. Nota 17.
Estes 2 tintos acompanharm um naco de vaca com risotto de cogumelos.
.Warre LBV 1995 (engarrafado em 1999) - ainda cheio de fruta, acidez no ponto, taninos presentes mas civilizados, volume apreciável, final muito longo e doce. Bate-se à vontade com vintages de gama média. Uma bela surpresa e o vinho da tarde. Nota 18 (curiosamente a mesma nota que dei a 2 outras garrafas provadas há já algum tempo).
Fez companhia a pastéis de nata, mas teria ido melhor com os queijos servidos como entrada.
Obrigado Juca!

sábado, 11 de junho de 2016

The Wine Cellar by Grapes & Bites

O Grapes & Bites, classificado pela Revista de Vinhos como o melhor do ano, na categoria  "wine bar", abriu não há muito tempo o The Wine Cellar, na zona do Cais do Sodré (R. São Paulo,49), que aposta forte nos vinhos a copo.
Inventariei 11 espumantes, 46 brancos (2 são colheitas tardias), 5 rosés, 51 tintos, 14 vinhos do Porto e 5 moscatéis. É, de facto, uma lista de se lhe tirar o chapéu, ao disponibilizar a copo mais de uma centena de vinhos. Há, ainda, uma dúzia de marcas que apenas são servidas à garrafa, como é o caso da Barca Velha, Pera Manca e mais alguns pesos pesados.
Mas nem tudo são rosas, pois os preços não são meigos, os Vinhos Madeira e os anos de colheita estão omissos e as referências da região Vinhos Verdes estão separadas dos restantes vinhos brancos, o que não se entende.
Optei pelo tinto Pedra Cancela Reserva 2013 (4,50 €) - muito floral, fresco, fino e elegante, bela acidez, taninos de veludo, volume e final de boca médios. Nota 17.
A garrafa veio à mesa, o empregado (Miguel, de seu nome) cheirou primeiro num copo de prova e deu-o a provar de seguida, à temperatura correcta. Serviço muito profissional e, também, simpático, o que nem sempre se encontra neste tipo de espaço. O The Wine Cellar tem armários e um espaço climatizado, uma mais valia.
Quanto a comida, há muito que petiscar. Na minha visita escolhi salada de grão com bacalhau desfiado (3,50 €) e alheira de Mirandela assada (11 €), tudo nos conformes.
Apesar da música demasiado alta, para o meu gosto, recomendo este espaço a todos os enófilos, militantes ou não.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Confraria do Periquita 2016 : convívio, vinhos e António Zambujo na JMF

Participei, qualidade de confrade, em mais um Grande Capítulo da Confraria do Periquita, precisamente o Vigésimo Segundo, que reúne de 2 em 2 anos. É sempre em 31 de Maio, faça chuva ou faça sol, seja domingo ou seja feriado.
Após o convívio inicial e a escolha da respectiva capa e chapéu, que provoca sempre algumas cenas hilariantes com chapéus demasiado grandes ou demasiado pequenos (não é nada fácil acertar com o tamanho adequado), seguiu-se a "entronização" de algumas confreiras e alguns confrades que se têm destacado na divulgação dos vinhos da JMF, nomeadamente o Periquita, em Portugal ou pelo mundo. Entre tantos, refiro o António Zambujo (algures entre o cante, o fado e a música do mundo, nomeadamente a brasileira), a chefe Marlene Vieira (ex-Avenue e futuramente com um restaurante próprio, a abrir ainda neste ano no Chiado), o Paulo Soares (Garrafeira Soares e Malhadinha) e o João Geirinhas (Revista de Vinhos e sempre atento ao meu blogue).
Também, antes do jantar, foi apresentado e provado o último Periquita tinto (colheita 2015), saído de uma monumental garrafa de 9 litros.
O repasto, que decorreu como habitualmente no meio de tonéis, foi servido para 120 participantes, tendo o catering ficado a cargo da empresa Casa do Marquês, que prestou um serviço exemplar, tanto na gastronomia como nos vinhos. Tendo o jantar sido iniciado já passava das 21h, às 23h15 o café estava a ser servido. Tiro-lhes o meu chapéu!
Para memória futura, aqui fica registado o que comemos e bebemos:
.Sopa de ervilhas à Soares Franco, com o DSF Verdelho 2015 (nota 16)
.Lombo de novilho, com o Periquita Superyor 2014 (nota 17+)
.Queijo de Azeitão, com o Hexagon 2008 (nota 18)
.Parfait de chocolate, com o Moscatel Alambre 20 Anos (engarrafado em 2016; nota 18,5)
As harmonizações estavam perfeitas, com excepção da do queijo que, para o meu gosto, teria preferido um branco Pasmados.
Depois dos discursos da praxe, este ano mais curtos, seguiu-se a actuação notável do novo confrade António Zambujo. Que voz, senhoras e senhores...
Resta agradecer à família Soares Franco este convívio e a garrafa do tinto Hexagon 2008 que tiveram a gentileza de oferecer a cada um de nós. O meu muito obrigado, na parte que me toca!
E, daqui a 2 anos há mais...


terça-feira, 7 de junho de 2016

O Bairradão em Lisboa (2ª edição)

1.A organização
A 2ª edição deste grande evento de divulgação dos vinhos da região beirã (Bairrada e Dão), que tem apostado numa alternativa à "ditadura" dos vinhos Douro e Alentejo, ultrapassou e bem o Bairradão de 2015, objecto da crónica "Bairradão em Lisboa", publicada em 28/5/2015. As limitações e deficiências referidas naquela crónica foram completamente ultrapassadas. A sala disponibilizada pelo Hotel Real Palácio era ampla e podia-se circular sem grandes encontrões. Por outro lado, o Hotel conseguiu ir repondo os copos (bons copos Schott, por sinal) sujos, à medida que os enófilos e os curiosos iam chegando. De acordo com o balanço da organização, passaram por lá mais de 600 pessoas (entrada gratuita)!
Uma ou duas palavras para os organizadores e responsáveis pela Garrafeira Néctar das Avenidas, o João e a Sara Quintela (pai e filha): o trabalho desenvolvido por esta reduzida equipa foi hercúleo e digno do maior dos louvores. Organizações deste tipo só têm sido possíveis com equipas alargadas e daí, passe a minha amizade por eles, tiro-lhes o meu chapéu!
Mais, a maior parte dos vinhos em prova podia ser comprada e, pela primeira vez, havia uma banca de sabores (queijos), área em que podiam apostar em próximas edições.
2.A prova
Ainda segundo a organização, estavam presentes 30 produtores que disponibilizaram mais de 150 referências, tendo eu inventariado 41 vinhos da Bairrada, 85 do Dão e 26 de produtores que representavam ambas as regiões.
Dos vinhos presentes, consegui provar 21 brancos (dos quais 1 colheita tardia) e 24 tintos, destacando nos brancos o Primus 2014, Casa de Saima 1995, Casa da Passarella Encruzado 2014 e Vinha do Contador 2013. E, logo a seguir, Qtª da Falorca Encruzado 2015, Casa de Santar Reserva 2014, Encontro 1 2012, Pai Abel 2014 e o Apartado 1 Colheita Tardia 2012.
Quanto a tintos, o 2221 Terroir Cantanhede Bairrada 2011 (Adega de Cantanhede a meias com as Caves São João, simplesmente sublime), Casa de Saima Vinha da Corga Baga 2011, Qtª da Falorca Noblesse Oblige 2011 (embora excessivamente caro), Qtª das Bageiras Garrafeira 2011, Villa Oliveira T. Nacional 2011 e Pape 2011. E de seguida, Allgo 2012, Qtª da Fallorca Garrafeira 2009, São Matias Reserva 2011, Encontro 1 2010 e Aliança Baga 2009. De destacar, nos tintos, a presença da colheita 2011, que produziu alguns vinhos de excepção.
3.O jantar vínico
O jantar (a pagar, claro) veio na sequência das provas e teve como animador o enólogo Osvaldo Amado que foi apresentando alguns dos vinhos feitos por si:
.Espumante Qtª de Cabriz
.Qtª de Cabriz Reserva 2014 branco
.Encontro 1 Reserva 2012 branco
.Qtª de Cabriz Reserva 2012
.Vinha do Contador 2009
.25 Anos Qtª de Cabriz 2011
.Licoroso Cabriz Impar
Com o nariz e o palato praticamente anestesiados, não tirei grande proveito destes vinhos, nem do jantar propriamente dito. Apenas deu para perceber que o Vinha do Contador é um grande Dão.
E. para o ano, há mais (assim o espero)!