quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Grupo de Prova dos 3 (10ª sessão)

Os vinhos eram da minha garrafeira e o restaurante escolhido foi o Xico's, um dos meus preferidos em Lisboa. A proposta de ementa e o serviço de vinhos foram da responsabilidade do Tiago que desempenhou muito bem o seu papel.
Com uns belíssimos Mexilhões à Leon de Bruxelles, bebeu-se o branco Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 09 - aroma intenso e complexo, acidez muito boa, mineral, notas de fumo dadas pela madeira que não marca o vinho, boca poderosa, bom final. Nota 17,5+, a entrar no meu Quadro de Honra.
Com um Magret de pato e umas excelentes batatas coradas na sua gordura, foi provado o 1º tinto, Qtª de Bágeiras Garrafeira 05 - algo mineral, azeitonado, acidez q.b., gastronómico, taninos presentes, final longo. Demasiado rústico não ligou bem com o pato. Nota 16,5 (noutras situações 15/17).
O Entrecôte reforçado com queijo da Serra (este prato não convenceu, pois o queijo não trouxe valor acrescentado, só o prejudicou), foi acompanhado pelo 2º tinto, Qtª Macedos 05 - aroma intenso,frutos vermelhos, especiado, notas metálicas, boa acidez, potente na boca, final longo, menos bruto que os irmãos mais velhos e com alguma elegância. Aguenta bem mais 7/8 anos. Nota 18+.
Finalmente, com um Crumble de maçã foi servido um incrível Moscatel de Setúbal da JMF, o Superior 62 - côr carregada, citrinos, notas de mel, taninos bem presentes, gordo na boca, excelente acidez a equilibrar o conjunto, final muito longo. Uma delícia a fechar da melhor maneira esta prova. Nota 18,5+, a entrar também no meu Quadro de Honra.
Mais uma grande jornada, quase a fechar o ano.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Harmonias

Faltou dizer na crónica de ontem que os vinhos escolhidos para o Natal casaram bem com os pratos confeccionados. Verdade se diga que não costumamos seguir à risca a tradição. Assim, o Natal de 2010 manteve-se nesta linha. Os casamentos foram, então, os seguintes :
1.Jantar de 24
.Espumante com pastelinhos de bacalhau, camarões, etc.
.Olho no Pé com polvo
.Wine Note com pato e arroz no forno
.LBV com queijo e doçaria
2.Almoço de 25
.Verdelho com frutos secos
.Grandjó com paté e fígados de pato na frigideira
.Vinha da Ponte com bacalhau com broa
.Moscatel e tawny velho com peras bêbedas e doces conventuais
E, para o próximo ano, há mais!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Os vinhos do Natal (2 situações)

1ª situação (jantar de 24)
Em face de um grupo familiar algo heterogéneo, em termos enófilos, avancei com vinhos de gama média, que deram muito boa conta de si, a saber :
.Espumante Qtª Poço do Lobo Reserva 06 - um belo espumante, já aqui referido quando da visita às caves São João, bolha fina, notas de pão quente e uma excelente relação preço/qualidade. Nota 16,5+ (noutra situação 16).
.Olho no Pé Grande Reserva 08 - um dos meus brancos preferidos, muito gastronómico, óptimo para ser bebido nesta altura do ano, impróprio para beber no verão (14,5 % de álcool é excessivo), também excelente relação preço/qualidade. Nota 17,5 (noutras 16,5+/17/16,5+/17,5).
.Wine Note T-N 08 - medalha de ouro da C.V.R.Dão, recentemente lançado no Clube 1500, produzidas apenas 1800 garrafas, côr retinta, muito frutado, o floral da Touriga demasiado escondido, acidez q.b., taninos presentes, guloso na boca, bom final. Nota 17,5+.
.Warre LBV 95 - cheio de saúde, frutos vermelhos, doçura, bela acidez, potente mas elegante, final extenso, dificil de destinguir de um vintage se provado às cegas.Nota 18 (noutra também 18).

2ª situação (almoço de 25)
Nesta refeição o grupo era mais homogéneo, daí ter escolhido vinhos já na gama acima:
.FEM Verdelho Velha Reserva - um dos vinhos da minha vida, já comentado em 5/12.
.Grandjó Late Harvest 05 - aroma inconfudível, potência de boca, final longo. Com mais um pouco de acidez seria divinal. Nota 17 (noutras situações 16,5/18/16,5+/16,5/17/16,5+).
.Crasto Vinha da Ponte 00 - depois de algumas experiências menos felizes com outras garrafas, esta estava sublime, muita côr e saúde, aroma complexo, acidez presente, estrutura de boca, final longo. Aguentava mais 5/6 anos. Nota 18+ (noutras 19/19/19/15,5/17,5/15). Cada garrafa é um caso.
.Crasto Vinha da Ponte 04 - estilo semelhante ao 2000, embora mais discreto, apesar do ano. Melhor do que anteriores provas. Nota 18 (noutras 16,5/17).
.Moscatel de Setúbal Superior J.M.S. 93 - apresentado pelo António Saramago, num almoço em Catralvos, organizado pelas CAV, já há alguns bons anos, mas só agora posto à venda, aroma complexo, citrinos, figos secos, taninos sedosos, boa profundidade, final longo. Nota 17,5+.
.Dona Antónia A. Ferreira, "Principe de Galles" em subtítulo, tawny com algumas dezenas de anos, côr carregada, nariz complexo, frutos secos, boa acidez, taninos bem presentes, final longo, elegante e harmonioso. Nota 18.

Uma boa quadra natalícia, pelo menos em termos de vinhos partilhados em família.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Quadro de Honra dos Vinhos Fortificados

Decorridos mais de 7 meses, os eleitos cresceram de 50 para 58 vinhos fortificados, o que corresponde a um aumento de 16 %. Concretamente os Portos passaram de 26 para 29, os Madeiras de 20 para 25 e os Moscatéis mantiveram-se nos 4.
1.Vinhos do Porto
a)Desagregando estes generosos, obtemos 13 Colheitas, 8 Vintage, 7 Tawnies de Idade (5 com 40 Anos ou mais e 2 com 30 Anos) e 1 Branco Velho. Ou seja, uma clara preferência pelos tawnies velhos, quer sejam colheitas ou de idade (quase 70 % do total dos Portos).
b)Por produtor/marca o grande destaque é para a Burmester com 6 referências.
Seguem-se :
.Noval - 5
.Fonseca/Taylors, Krohn e Kopke - 3 cada
.Barros e Dalva - 2 cada
.Roriz, Dows, Ramos Pinto, Poças e Alfarella - 1 cada
c)Quanto a anos dos Colheitas
.1937 e 1960 - 2 referências de cada
.1920, 35, 41, 44, 55, 64, 68, 71 e 85 - 1 de cada
d)idem em relação aos Vintage
.1994 e 2003 - 2 referências de cada
.1955, 63, 76 e 80 - 1 de cada
2.Vinhos da Madeira
a)Desagregando por castas, a Bual é claramente a minha preferida :
.Bual - 11 referências
.Verdelho - 6
.Sercial e Malvasia - 3 de cada
.Terrantez - 2
b)Por produtor/marca, a Madeira Wine é a grande vencedora :
.Blandy/Cossart - 16
.Artur,Barros e Sousa - 4
.FEM - 2
.FMA e Miles - 1 de cada
c)Por anos de colheita :
.Madeiras velhos sem indicação do ano - 5
.1977 - 3
.1964 - 2
.1814, 1920, 34, 48, 58, 60, 63, 68, 71, 73, 74, 75, 80, 81 e 85 - 1 de cada
3.Moscatéis
Moscatel Roxo 1900, 60 e 71, e Trilogia, todos da José Maria da Fonseca.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Quadro de Honra dos Vinhos de Mesa

Registe-se o considerável aumento, pois dos 65 eleitos (64 tintos e 1 branco) em Maio, atingiu-se o patamar dos 92 (74 tintos e 18 brancos, incluindo-se neste nº os colheita tardia/late harvest). Isto é, um incremento de 41,5%. Quanto ao peso dos brancos na totalidade dos melhores, passou-se de 1,5 % para quase 20 %!
1.Desagregando estes valores por Região, constatamos que o Douro mantém o 1º lugar nos tintos, a grande distância das outras Regiões, e ganha também nos brancos. O pleno! Que me perdoem os indefectíveis de outras Regiões, nomeadamente do Alentejo e do Dão. E isto explica-se, não apenas pelo meu gosto pessoal, mas também pelo gosto de alguns dos meus amigos, com quem tenho feito provas cegas e não só (cerca de 80 % dos vinhos provados são do Douro). Vamos, então, às Regiões, separando os tintos dos brancos.
a)Tintos
.Douro - 54
.Bairrada/Beiras - 7
.Ribera del Duero - 5
.Alentejo - 4
.Dão - 3
.Estremadura - 1
b)Brancos
.Douro - 9 (inclui 2 Colheita Tardia)
.V.Verdes (Alvarinhos) - 5
.Canadá (Ice Wine)- 2
.Bairrada - 1
.Bucelas - 1
2.Quanto aos anos de colheita, mantêm-se os tintos de 2004 na vanguarda, logo seguidos dos 2005, enquanto nos brancos a preferência é para os de 2008. Vamos, então, aos resultados.
a)Tintos
.2004 - 19
.2005 - 13
.2000, 2001, 2003 e 2007 - 7
.2006 - 6 (surpresa!)
.1998, 1999 e 2002 - 2
.1995 e 1997 - 1
b)Brancos
.2008 - 5
.2007 e 2009 - 3
.2004, 2005 e 2006 - 2
.2000 - 1
3.Finalmente, em relação a produtores/marcas o empate de Maio entre a Niepoort e a Qtª do Crasto, decidiu-se a favor deste último produtor. Segue-se a lista dos produtores/marcas com um mínimo de 2 referências, não tendo sido feita a desagregação em tintos e brancos.
.Qtª do Crasto - 13
.Niepoort - 11
.Aalto, Sogrape, Vale Meão e Vallado - 4
.Campolargo, Poeira, Pintas, Lavradores de Feitoria, Real Companhia Velha, Soalheiro e Francisco Montenegro (Aneto e Terrus) - 3
.Domingos Alves de Sousa, Symington, Noval/Romaneira, Vale D.Maria, Muros de Melgaço e Qtª das Bageiras - 2

Actualização dos meus Quadros de Honra

Passados mais de 7 meses (ver crónicas de 11 de Maio), impunha-se a actualização dos meus Quadros de Honra, nomeadamente em relação aos vinhos provados desde aquela data e à alteração do conceito respeitante à entrada dos vinhos brancos. Repesquei todos os brancos com classificações atribuídas a partir dos 17,5+ , deixando a bitola dos 18,5 apenas para os tintos e fortificados. Injustiça reparada!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Primo dos Caracóis : cozinha tradicional algarvia

Este modesto restaurante de estrada, situado em Quatrim de Cima (antes de chegar a Olhão, para quem vem de Tavira pela EN 125), prima pela genuidade da gastronomia algarvia. Simples, produtos de qualidade, doses fartas, preços módicos, serviço simpático e despachado.
Comemos, em visita recente, biqueirões albardados, ovas de choco, enguias fritas e um fabuloso arroz de ameijoas (que é mais uma sopa do que um arroz, note-se).
A lista de vinhos, sem datas, é curta mas tem algumas referências interessantes a bons preços. Os copos na mesa são banais, mas também têm outros mais apropriados que vêm para a mesa, desde que o vinho pedido não seja o da casa, servido em jarro. Informaram-me que, sempre que necessário e desejável, decantam o vinho. Refira-se que o serviço de vinhos não chegou a ser posto à prova.
Em conclusão : um restaurante manifestamente recomendável aos algarvios mais distraídos que ainda não o conheçam ou a quem se desloque para aquelas bandas.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Jantar com vinhos da Madeira : puro prazer !

O desafio foi lançado por um de nós (João Quintela, se bem me lembro), um jantar acompanhado por vinhos da Madeira, a ter lugar na Enoteca de Belém. A ligação gastronómica não é nada fácil e impunha-se uma ajuda externa ao nosso grupo. Solução encontrada : pormos em contacto a Enoteca, concretamente o Nelson, com o Francisco Albuquerque, o conhecido e reputado enólogo da Madeira Wine. As dicas do Francisco, complementadas por alguma pesquisa na net, permitiu à Enoteca conceber a melhor ligação dos vinhos, concretamente das castas Cerceal, Verdelho e Bual, com a comida. O casamento encontrado teve a nossa adesão e os vinhos provados brilharam a grande altura. Puro prazer !
Ficámos descansados com o Nelson nos tachos e o Ângelo no serviço de vinhos, a merecerem, mais uma vez, nota alta.
Antes da brigada da Madeira entrar em acção, bebemos 2 brancos, um madeirense e outro açoreano, que acompanharam o "amuse de bouche", à base de camarão e lagosta em molho ácido. Foram eles :
.Primeira Paixão Verdelho 08 (trazido pelo nosso amigo Adelino de Sousa, madeirense radicado em Lisboa e grande conhecedor e coleccionador de vinhos da Madeira e outros fortificados) - fresco e elegante, tropical, boa presença na boca, um branco com personalidade. Teve uma bela evolução. Nota 17,5 (noutra situação 16,5).
.Terras de Lava 09 (simpática oferta da Enoteca) - muito discreto, perdeu o confronto com o madeirense. Nota 15,5.
Depois deste intróito, entrámos na parte séria do repasto, a saber :
.Cossart Sercial 60 (levado por mim) - ligeiramente turvo, frutos secos, caril, secura não agressiva, boca poderosa, final longo. Nota 18,5. Acompanhou a 1ª entrada de salmão fumado e maracujá.
.Blandy Verdelho 77 (engarrafado em 2004; trazido pelo Juca) - cristalino, especiado, caril bem presente, muito fino e elegante, bom final de boca. Nota 18+ (noutras situações 18,5/17,5+/17/17,5+/18). Acompanhou a 2ª entrada de paté com geleia de moscatel.
.Miles Bual 34 (trazido pelo Adelino de Sousa) - aroma complexo, especiarias, frutos secos, notas de mel, iodo, vinagrinho q.b., boca enorme, elegância apesar disso, final interminável. Um assombro! Nota 19,5.
Acompanhou o prato principal, uma excelente empada de pato em cama de cogumelos.
.Boal Solera 1814 ( mais um Madeira do nosso amigo Adelino) - garrafa aberta em 23/10, saúde espectacular, aroma limpo e complexo, belíssima acidez, boca poderosa, final imenso. Agrande surpresa da noite. Nota 18,5.
Acompanhou muito bem as sobremesas (bolo de mel, bolo rainha e bolo conventual).
Grande e inesquecível jornada! Obrigado a todos intervenientes!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Jantar no Pedro e o Lobo

É, neste momento, o restaurante da moda em Lisboa. Sala cheia (era uma 6ª feira e havia 2 turnos, um às 20 h e outro às 22h30), muita gente jóvem e endinheirada, a avaliar pelos vinhos consumidos nalgumas mesas (champanhe cuja marca não retive, espumante Murganheira Vintage, Ferreira Reserva Especial, Qtª do Mouro, Cartuxa, etc).
O restaurante, algo pretensioso, está bem decorado, é acolhedor e tem algum requinte. O serviço nas mesas correu bem, mas a parte gastronómica não nos convenceu (embora a minha entrada, polvo assado com chouriço, estivesse agradável, o prato foi um desastre ; deveria ter sido um arroz de lebre, mas não foi, a lebre veio em fatias de peito de aviário, separadas de um arroz pesado que até tinha nozes!?).
Quanto a vinhos, a lista não é muito extensa mas é criteriosa, incluindo vinhos do mundo e alguns vinhos do Porto (um vintage a copo é que não faz sentido), preços sensatos, copos bons e serviço profissional. A carta não contempla vinho a copo mas, segundo me informaram, embora não conste, há algumas referências (fiquei sem saber quais).
Bebeu-se o Qtª Além Tanha Vinhas Velhas 04 - aroma complexo, especiado, notas de chocolate e tabaco, acidez q.b., taninos presentes não agressivos, boa arquitectura de boca, final longo. Está muito elegante e no ponto para ser bebido, Nota 17,5+.
Durante as mais de 2 horas que estivemos no restaurante, ninguém se chegou à mesa, nem donos nem chefes. E é aqui o grande contraste entre este Pedro e o Lobo e o seu vizinho Assinatura, cujo dono e chefe (Henrique Mouro) está quase sempre presente.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Um fecho anunciado

Mais uma garrafeira que vai fechar até ao final do ano : a Venha à Vinha, na João XXI, frente à sede da CGD. Abriu pouco tempo depois das CAV, com um conceito semelhante. Este fecho anunciado vem aumentar a lista negra, aqui anunciada em crónica de 10/11. Adiciono a Garrafeira Adivinho, fechada há algum tempo e confirmo o encerramento da Charcutaria Brasil (não Brasília), que tinha uma forte componente de vinhos.
Lamentavelmente, continua a concorrência desleal, já referida na citada crónica.

Mais um cozido recomendável

Todas as 5ª feiras, ao almoço, pode-se degustar um belo cozido no restaurante "Casa da Mó", junto à Praça da Figueira. Por 10 € pode-se repetir tantas vezes até rebentar. À atenção dos comilões...
Quanto a vinhos já não estamos tão bem. A lista é fraca e sem imaginação, embora tenha 2 ou 3 excepções que são cartas fora do baralho (por exemplo Barca Velha 1999 a 170 €). Os copos que estão na mesa, ridiculamente pequenos, destinam-se ao vinho da casa, o único que pode ser servido a copo. Para vinhos melhores há copos muito aceitáveis. Quanto ao serviço, não tive a oportunidade de o testar.
Recomendo este restaurante (o meu refúgio quando ando pela baixa) e o seu cozido das 5ª feiras. Quanto a vinhos, não se pode ter tudo...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Núcleo Duro (continuação)

O repasto foi iniciado com uma mousse de fois gras com cebola confitada e um paté de atum, tudo feito em casa por este casal de gourmets. Estavam ambos excelentes. Acompanhou um vinho de aperitivo, levado pelo Juca : Tio Pepe Palomino Fino (Jerez) - excessivamente seco, direi algo agressivo, direccionado ao palato dos andaluzes, que não ao nosso. Nem todos apreciaram.
Com uns lombos de corvina com crosta de ervas aromáticas desfilaram os 4 brancos :
.Aneto 07 - aroma inicialmente fechado foi abrindo ao longo da prova, citrinos, algum tropical, madeira fina, gordo na boca, acidez a compensar, final longo. Pede pratos gastronómicos, como foi o caso. Um dos bons brancos portugueses que tem vindo a crescer. Nota 17,5+ (noutras situações 16,5+/17,5/17+/17).
.Bétula 09 - aroma exuberante, acentuadamente floral, prima pela finura e elegância, acentuada acidez e bom final de boca. Está uns furos acima do 08. Nota 17.
.Castelo d'Alba 09 - este branco era o joker, muito mineral e fresco na boca, um vinho para todo o ano com excelente relação preço/qualidade. Nota 16,5.
.Qtª Foz de Arouce 08 - nariz afirmativo, fruta madura, notas de petróleo, madeira ainda presente, um pouco plano na boca. Desiludiu em relação a provas anteriores. Nota 16 (noutras 17/16,5).
Seguiu-se um belo naco de lombinho de porco com castanhas, cogumelos e tomate seco, acompanhado por 4 tintos, todos de 2005, com excepção do joker :
.Chateau de Pressac (Saint Emilion) - aroma intenso, muito floral, fino, excelente acidez, taninos bem presentes, profundidade, bom final de boca. Este Bordéus convenceu-me! Nota 18,5.
.Vinhas da Ira - nariz afirmativo, floral, acidez pronunciada, taninos redondos, todo ele elegante e equilibrado. O Alentejo no seu melhor! Nota 17,5+.
.Chryseia - ainda com fruta, algumas notas vegetais, boa acidez, corpo e final de boca medianos. Má relação preço/qualidade. Nota 16,5 (noutra 16).
.Castelo d'Alba 08 - algo vegetal, acidez q.b., alguma rusticidade, pouco harmonioso,corpo e final medianos. De qualquer modo razoável relação preço/qualidade. Nota 15,5.
Nos finalmentes havia queijos e doces em fartura, evidenciando-se uma imperdível panacotta com frutos silvestres. Acompanharam :
.Niepoort Vintage 97 (trazido por mim) - alguma polémica com este Vintage, a começar pela rolha toda encharcada, acidez volátil muito elevada e um ataque inicial na boca desagradável, no entanto boca poderosa e final longo.Possivelmente ainda não saiu da fase estúpida e/ou foi prejudicado pelo mau estado da rolha. Nota 17.
.Cossart Bual 69 (trazido pelo Juca) - nariz discreto, especiarias, iodo, acidez, boca potente, final interminável. Muito bom sem atingir a excelência dos 64 e 77. Nota 17,5+.
Grande jornada! Obrigado Pedro e Ana pelo repasto, por nos terem recebido na vossa casa e por terem partilhado o vosso amor connosco!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Núcleo Duro (60ª Prova) e uma história de amor

Contrariamente ao habitual, a prova do Núcleo Duro (N.D.), que foi também um encontro de Natal, com distribuição de prendas e tudo o mais, decorreu ao longo de um excelente almoço, mas desta vez num "restaurante" muito especial, a casa do Pedro Brandão (um dos elementos do N. D.) e da noiva, Ana Carolina Almeida. O almoço foi uma oferta do simpático casal e nós, os restantes componentes do N.D., tivémos o privilégio de termos sido dos primeiros a tomar conhecimento do seu casamento, com data marcada para o 1º trimestre de 2011. Num original folheto que nos foi distribuido, pode ler-se "(...) Pedro : Sou um sortudo em ter alguém como a Ana ao meu lado (...)" e "(...) Ana : Já não sei viver de outra maneira que não seja com a paz que ele me dá." Enfim, uma bela história de amor do domínio privado!
Mas esta história de amor fez-me lembrar uma outra, essa do domínio público. É a história do José Saramago e da Pilar, a sua última mulher. O amor entre um homem taciturno, mas excelente escritor e uma mulher que é uma força da natureza. Trata-se de uma brilhante longa metragem, "José e Pilar" realizada por Miguel Gonçalves Mendes, com a duração de cerca de 2 horas que passam a correr. Pode ser vista na sala 4 do Corte Inglês. Imperdível!
Mas vamos à prova. Os vinhos da responsabilidade do Pedro eram 8 (4 brancos e 4 tintos). Só que em ambas as séries havia 1 joker, precisamente os vinhos escolhidos para o chamado copo d'água, os Castelo d'Alba branco e tinto, de uma relação preço/qualidade praticamente imbatível. Se o tinto não me enganou, o branco sim. De qualquer modo, as escolhas do Pedro ficaram aprovadas. As classificações a seguir anotadas são pessoais, nem todas coincidentes com o painel (ver, oportunamente, a continuação desta crónica).

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Cozido e vinhos com fartura

Num dia chuvoso um grupo de amigos juntou-se à lareira, para um grande repasto que tão cedo não se esquecerá. O tema : o cozido rico à moda da Paula Costa, isto é, cerca de 20 ingredientes (produtos de 1ª) em quantidades fartas, tudo feito no momento. Um grande cozido! Obrigado Paula!
Foram servidas 4 magnum e 3 de 0,75, ou seja, uma quantidade equivalente a 11 garrafas. Como, das 13 pessoas presentes, só 2 não beberam, dá uma média impressionante de 1 garrafa "per capita". Que grandes alarves...
Desfilaram os tintos :
.Qtª Poço do Lobo Reserva 05 Magnum - vibrante, bela acidez, taninos bem presentes mas sem bicos, um vinho com personalidade. O melhor dos Bairradas em prova. Nota 17+.
.Porta dos Cavaleiros Reserva 02 Magnum - o nariz não estava limpo, sulfuroso em excesso, uma desilusão. Nota 10.
.Luis Pato Vinha Pan 97 Magnum - rusticidade agressiva, outra desilusão. Nota 12.
.Frei João Reserva 01 Magnum - uma boa surpresa, cheio de nervo, acidez q.b., taninos firmes, um baga muito elegante. Nota 17.
.Passadouro Reserva 03 - acidez elevada apesar do ano, potência de boca, bom final. Nota 17.
.Vale Meão 01 - está em grande forma, nariz complexo, boa acidez, grande estrutura de boca, final longo. Portentoso e cheio de personalidade. Tem mais 4/5 anos no pico da forma. Nota 18,5+.
No final da refeição, foram servidas bebidas destiladas e, ainda, o FMA Bual 64 para os indefectíveis de vinhos da Madeira. Obrigado João!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Vinhos em família (V) e não só

Impressões e notas telegráficas de vinhos provados em família e, noutras situações, com amigos. Tudo às claras e descontraidamente.
Num almoço recente com a família, bebeu-se :
.FEM Verdelho Muito Velho (produção do avô do Francisco Albuquerque) - aroma envolvente que fica a pairar mesmo com o copo vazio, frutos secos, iodo, especiarias, vinagrinho, final interminável. Nota 18,5 (noutras situações 18,5+/19/19/18,5/18,5/18/18,5; é um dos vinhos mais vezes provados e sempre com notas muito altas, ou seja, um dos vinhos da minha vida)
.Redoma Reserva 06 Branco - um bom branco que lhe falta personalidade para ser um grande branco, o menos interessante dos Redoma Reserva que já tenho provado. Nota 16+ (noutras situações 15,5/16/15,5/16)
.Equinócio 09 Branco - um vinho do João Afonso apadrinhado pelo Dirk Niepoort; não subscrevo os encómios atribuídos por alguma crítica embora lhe reconheça um perfil "sui generis"; vinhos originários da Serra São Mamede, prefiro o Terrenus e o Altas Quintas, bem mais interessantes. Nota 16.
.Esporão T.Nacional 07 - uma aposta na diferença em relação às colheitas anteriores, aroma exuberante, muita fruta vermelha, acidez q.b., boca potente, madeira sem marcar, bom final; equilibrado e guloso, embora não se sinta a casta. Nota 17,5.
.Niepoort Colheita 74 (engarrafado em 89) - uma muito boa surpresa, aroma discreto, frutos secos, algumas notas de mel, acidez q.b., boca poderosa, final longo e um ano que me diz muito. Nota 17,5+ (noutra situação engarrafada em 85 : 17).
Noutras ocasiões :
.Júlia Kemper 08 (Dão) - uma boa surpresa, nariz exuberante, muito frutado, acidez não muito evidente, profundidade, taninos macios, bom final de boca, perfil moderno e pouco tradicional. Nota 16,5.
.Chryseia 01 - nova garrafa e a última da minha garrafeira, não estava morto, não senhor, tinha alguma vida e acidez, mas continua a grande distância de outras garrafas provadas há mais tempo. A quem, ainda, as tiver, aconselho a despachá-las rapidamente. Nota 15,5 (noutras situações 17/17/17/10).
.Ferreira Reserva Especial 97 - festival de aromas terciários, notas de tabaco, couro, cacau, côr ainda com alguma vivacidade, taninos presentes mas suaves, excelente acidez, final longo; está no pico da forma e dá muito gozo bebê-lo nesta fase; mais interessante que o 01 aguenta bem mais 3/4 anos, antes de iniciar a curva descendente. Nota 18,5 (noutras situações 18,5/17,5/18,5/18,5).
.Valado Reserva 07 - aroma presente, boa acidez, madeira fina, elegante, harmonioso, bom final de boca, a melhorar com mais tempo de garrafa. Nota 17,5 (noutras situações 18/17,5/17,5+).

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Imoralidades (II)

Muito se tem escrito sobre 2 vinhos do Porto, postos no mercado recentemente, o pré filoxérico Tawny Scion da Taylor e o Andresen Colheita 1910 (excepcionais para quem teve a ocasião de os provar), a preços que rondam os 2500 €. Mas, senhores, estes preços são uma afronta para o cidadão comum e para os consumidores em particular. Garrafas a estes preços só para quem beneficia de reformas douradas ou para novos ricos angolanos. E ninguém se insurge?
Nesta quadra natalícia fique-se pelo mítico Barca Velha, vinho que,segundo consulta ao programa "wine searcher", pode ser adquirido nas garrafeiras Coisas do Arco do Vinho, Estado Líquido (Caldas da Rainha), Garrafeira Campo de Ourique, Garrafeira Nacional e Wine o' Clock ou nas lojas virtuais Lusa Wines e Velvet Bull. É uma questão de comparar preços...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Restaurante Manifesto revisitado

O conceito deste espaço do Luis Baena mudou. Desapareceram os menús de degustação e as diferentes ofertas gastronómicas entre almoço e jantar. Passou a haver uma ementa única, constituída por 34 pequenos pratos em porção de degustação individual, com preços a variar entre os 2,50 e os 5,50 €, não me parecendo que possam ser partilhados. O que provei numa ida recente ao Manifesto (bife de atum, Mac Silva, miga de bacalhau e burra de porco) estava excelente e foi um verdadeiro festival de aromas e sabores. Um deslumbramento!
Quanto a vinhos a carta (em reestruturação), os copos e o serviço continuam em alta. Pontos susceptiveis de crítica, a pouca oferta de vinho a copo e preços de alguns vinhos demasiado puxados.

ViniPortugal : um novo fôlego?

Após uma série de anos a viver no marasmo, eis que com a entrada de Francisco Borba, a ViniPortugal parece renascer. Entre outras iniciativas é de louvar a realização da 1ª conferência internacional (Wines of Portugal International Conference 2010), de 9 a 11 de dezembro no Porto, tendo a Touriga Nacional como a grande vedeta do acontecimento.Durante este evento e com a participação de um júri internacional (Portugal faz-se representar por José António Salvador e Luis Lopes), vai ser eleito o Top 10 Touriga Nacional, a partir de uma amostra de 30 vinhos pré-seleccionados.
A ViniPortugal noticiou, ainda, com pompa e circunstância, a campanha descobrir o vinho a copo, remetendo-nos para a página www.acopo.pt, mas que parece estar inacessível. Falsa partida?
Já agora, nos links constantes na página oficial da ViniPortugal ainda se encontram a Vinho e Coisas e a Garrafeira Adivinho, desaparecidas em 2009! Ninguém actualiza?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cozido na Cozinha Velha

O bufete na Cozinha Velha mudou de formato. De generalista passou a especializado em cozido. Boa matéria prima e comida à descrição. Como se diz (dizia) na tropa, bom, abundante e bem confeccionado. O preço foi actualizado de 25 para 30 €. De resto tudo na mesma, bons copos, serviço de vinhos, a cargo do Paulo Cunha, muito profissional e carta de vinhos muito fraca.
Bebeu-se o Duorum Reserva 07, trazido por um amigo - côr muito viva, frutos vermelhos, taninos ainda agressivos apesar de decantado, bom final de boca, perfil clássico. É pedofilia bebê-lo tão jóvem. Nota 17,5.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O vinho os une.550 anos os separam.

No Museu Nacional de Arte Antiga, no âmbito da exposiçao " Primitivos Portugueses 1450-1550; O Século de Nuno Gonçalves", pode ser apreciado o quadro "Retrato do Homem do Copo de Vinho" de autor desconhecido e datado de 1460, pertencente ao Museu do Louvre. Conotado desde sempre com a escola francesa, passou a partir de determinada altura a ser atribuido a Nuno Gonçalves, o que muito nos honra. Observando o quadro constatamos que o copo é tipo copo de água, sem pé (nada de Riedel nem de Schott!), e tinha por perto um naco de pão e uma fatia de queijo curado (seria terrincho?).
550 anos depois, no inesquecível espectáculo "Final de Rascunho", na Culturgest, deparamos com o nosso Sérgio Godinho, entre músicas e canções, de copo de tinto na mão, mas sem pão nem queijo.
Um belo quadro e um grande espectáculo, com o vinho em pano de fundo!

domingo, 28 de novembro de 2010

Grupo de Prova 3+4 (5ª sessão)

Este grupo foi substancialmente alargado a +3 (Luis Paulo, Francisco Esteves e Juha Videman) e +1 (Rui Miguel, um dos fundadores do Núcleo Duro e animador do blog Pingas no Copo). Acabou por funcionar com 11 provadores, revelando alguma heterogeneidade. O encontro foi no restaurante Colunas, escolhido pelo Raul Matos que levou os vinhos (5 tintos em garrafa magnum e 3 fortificados). O tema escolhido foi um confronto (mais um) Douro/Ribera del Duero e os resultados, em relação a alguns dos vinhos provados, foram algo controversos, com o painel dividido ao meio.
Com um muito apreciado arroz de galo do campo, degladiaram-se :
.Qtª do Crasto Vinhas Velhas 00 - francamente evoluído (parecia ter mais alguns anos), floral, muito elegante, fresco, suave na boca, bom final. Nota 17+. Foi o vinho da discórdia, com alguns provadores a encontrar-lhe defeitos que, confesso, não os vislumbrei.
.Aalto PS 00 - aroma recatado, mais carregado na côr, taninos algo bicudos, pouco elegante e harmonioso, persistente. Desiludiu. Nota 16,5 (noutra situação 18,5).
Mais um confronto com um empadão de javali :
.Aalto PS 04 - aroma exuberante, fruta, notas de tabaco, chocolate e algum couro, acidez q.b., taninos bem presentes, final longo, todo ele harmonioso. Nota 18.
.Qtª do Crasto Vinha da Ponte 04 - aroma mais discreto, algumas notas vegetais, acidez q.b., taninos macios, bom final de boca. Desiludiu. Nota 17.
Mais um tinto, mas desta vez sem confronto :
.Qtª do Crasto T.Nacional 05 - aroma exuberante e complexo, fruta, especiarias, bela acidez, profundidade de boca, final longo. Pujança e harmonia. Perfeito! Nota 18,5.
Em final de refeição, foram provados Niepoort Colheita 76 (Nota 15,5), Krohn Colheita 68 (17) e FMA Bual 64 (17,5), todos motivo de controvérsia.
Controvérsias à parte foi mais uma grande jornada. Parabéns Raul.

sábado, 27 de novembro de 2010

Grupo de Prova dos 3 (9ª sessão)

Mais um almoço-prova cega dos 3, sendo os vinhos do João Quintela que escolheu o restaurante do Corte Inglês. Este espaço continua recomendável e já merecia ser considerado "amigo do vinho". Ó gentes da Revista de Vinhos, então?
Começámos pelo branco Churchill 09, que começou da melhor maneira a sua introdução neste tipo de vinho. Entrou por cima e produziu um dos brancos de outono/inverno mais interessantes que tenho provado ultimamente. Nariz algo austero, fruta madura mas boa acidez, madeira presente mas sem marcar o vinho, boa presença na boca. Infelizmente não ligou bem com a salada de lagosta com fruta tropical. Nota 17,5.
A acompanhar um pregado com um excelente risoto de cogumelos, avançaram 2 tintos com alguma idade :
.Esporão Reserva 94 - aroma complexo com notas de couro e tabaco, excelente acidez, profundidade de boca, taninos macios, elegante, bom final
Nota 18+.
.Tapada de Coelheiros 96 - aroma floral, alguma mineralidade, acidez q.b., taninos ainda com algumas arestas, bom final de boca. Nota 17,5.
Com a sobremesa provámos um "late harvest" austríaco, Lenz Mozer Prestige 05 que deu muito boa conta de si. Informaram-me que tem um preço muito acessível. Nota 17,5.
Mais uma boa jornada. Obrigado João!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sidónio de Sousa, Caves São João e Qtª das Bágeiras : a Bairrada clássica

Depois das provas e almoço no Luis Pato rumámos ao Sidónio de Sousa, onde fomos recebidos pelo produtor, pai e filho. Aliás, residência e adega coincidem geograficamente. A sala de visitas, que é também de provas, é um brinco e contrasta com o resto da adega. Foi neste espaço que nos serviram um lanche ajantarado, mas a fome já não era muita.
Confesso que os vinhos deste produtor, no passado, raramente me entusiasmaram; mas o problema deve ser meu uma vez que a crítica tem tecido os maiores encómios. Provámos 2 espumantes e 7 tintos da linha pura e dura, onde impera a Baga. Desfilaram, então, os espumantes Sidónio de Sousa 09 Rosé e 07 Branco e os tintos (também Sidónio de Sousa) 89 (Nota 15), 90 (16), 88 (10 e depois de decantado e muito arejado 12,5), 95 (17), 97 (14), Garrafeira 95 (16) e Garrafeira 97 (18). Este último foi, de facto, o que me encheu as medidas. Todos fossem assim!
Domingo, ainda de manhã, fomos visitar as Caves São João, um ícone da Bairrada. Parte considerável da adega e das caves de armazenagem do seu imenso espólio estão no sub-solo. Albergam, imaginem só, um stock de 1.300.000 garrafas. Não, não é engano, são mesmo um milhão e trezentas mil garrafas, mas nem todas certamente bebíveis! E todo aquele espaço a perder de vista, imaginem, está impecavelmente limpo. É um exemplo que se aplaude.
Provámos apenas 3 vinhos, não havendo tempo para mais. Foram 1 espumante Qtª Poço do Lobo 06, cuja relação preço/qualidade é imbatível (Nota 16,5), 1 branco Frei João Reserva 09(15) e 1 tinto Caves São João Reserva 07 (14).
Já com um considerável atraso chegámos à Qtª das Bágeiras (não fará muito sentido o acento no a, mas é assim que está registada a marca), onde nos esperava o produtor Mário Sérgio Nuno. Fomos recebidos principescamente, almoçámos muito bem (novo serviço do Mugasa que apresentou bacalhau à lagareiro e cabrito no forno, ambos com muita qualidade) e provámos ao longo da tarde (o almoço estendeu-se até à hora de jantar) 3 espumantes, 5 brancos e 4 tintos. Foi para mim e,creio, para o resto do grupo, o melhor lote de vinhos provados em toda a jornada. É de acrescentar que a maior parte dos vinhos foi servida em copos Riedel. Obrigado Mário Sérgio!
Voltando aos vinhos Qtª das Bágeiras, desfilaram os espumantes Reserva 90, Grande Reserva 03 e Reserva 07. No excelente lote de brancos estavam o Reserva 94 (a maior surpresa da jornada; nota 17,5) e os Garrafeiras 02 (17+), 04 (17,5+), 06 (16,5) e 08 (16,5). Quanto aos tintos provámos os Garrafeiras 05 (17), 04 (17+), 01 (grandioso, a merecer a nota mais alta de 18,5) e 94 (16). Finalmente, com as sobremesas mais uma garrafa de Blandy Bual 77, engarrafado em 2009, oferta nossa que o anfitrião adorou.
O Mário Sérgio é um ganhador, daí que fique bem a fotografia do José Mourinho com uma garrafa Qtª das Bágeiras na mão.

Luis Pato : a ponte entre o clássico e o moderno

Sábado, ao final da manhã, fomos revisitar a adega do Luis Pato, que fez questão em estar presente e ser ele a conduzir a visita e as provas. Foi um anfitrião à altura e estamos gratos por isso.
Na adega fizemos provas de casco, iniciadas com um lote de Tinto Cão e um de Touriga Nacional (são para lotear com Baga e engarrafar o conjunto como BTT, uma novidade a sair oportunamente). Terminámos com amostras de Vinha Barrosa e de Qtª do Ribeirinho Baga Pé Franco, que prevejo virem a ser excepcionais. Nota - todas as amostras eram de 2009.
Já na mesa, com um leitão servido pelo restaurante Mugasa (um dos poucos genuinos, a par do Vidal), provámos os espumantes Luis Pato Baga/Touriga Nacional 09, Cerceal/Bical 10 e Vinha Formal 08. Seguiram-se os tintos Vinhas Velhas 03 (Nota 16,5+), Vinhas Velhas 01 (17) e Vinha Barrosa 01 (18). Terminámos com o já famoso FMA Bual 64 (18,5), oferta nossa.

Campolargo : a Bairrada moderna

Foi, seguramente, o ponto mais alto da nossa jornada bairradina, o jantar servido em casa do simpático casal Campolargo (Carlos e Mª da Glória), onde aliás ficámos alojados nas noites de 6ª e sábado.
Para preparar o palato começámos por 2 espumantes, o Campolargo - cuja data de colheita não retive - e o entusiasmante CC e CP 07, elaborado a meias pelo Carlos Campolargo e pelo Celso Pereira (esclarecimento : devido à quantidade de vinhos provados, não me foi possível anotar sistematicamente as minhas impressões, limitando-me a hierarquizá-los, reflectindo assim os meus gostos, embora não o tivesse feito para a totalidade).
Com um empadão de peixe bebemos o surpreendente branco Pinote 07, elaborado em parceria com o Rui Cunha (Nota 16,5+). Seguiu-se-lhe uma excepcional lebre no forno, direi mesmo a lebre da minha vida (parabéns Mª da Glória!). Acompanharam 3 tintos, Campolargo CC (leia-se Castelão Nacional e Cabernet Sauvignon) 08 (Nota 16,5+), CC 04 (16,5) e Calda Bordaleza 07 (17). Com a avalanche de sobremesas (nota muito alta para o pudim de abóbora), bebemos o C.S.E. 40 Anos (engarrafado em 2009) e o Malvasia 1879, este último oferta nossa. (17 para ambos).
Foi uma grande jornada no "restaurante" Campolargo, com a Mª da Glória a dirigir os tachos e o Carlos na sala a orientar o serviço de vinhos. O nosso sentido agradecimento a ambos!
No dia seguinte tivemos a ocasião de visitar a moderna e impressionante adega. Do terraço, a vista daquele panorama super colorido é de cortar a respiração. Se eu fosse pintor era ali que gostaria de me instalar com os pincéis e o cavalete.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Almoço no Manjar do Marquês

A caminho da Bairrada fiz um desvio para Pombal e abanquei no Manjar do Marquês. Logo à entrada, pode ler-se num prato de barro esta frase de um anónimo "Se há lugares neste mundo onde se deve ir mais do que uma vez um deles, não tenho dúvidas, é o Manjar do Marquês". Concordo inteiramente. O restaurante tem 2 salas enormes onde se podem comer doses fartas de pratos de cozinha tradicional, simples mas bem confeccionados, sob orientação da D.Lurdes.
Na sala está o filho, Paulo Graça, a alma do negócio e muito orientado para a componente vinho. A lista, com tudo datado, é alargada e criteriosa, com uma série de vinhos de referência a preços de rebentar (bate,neste ponto, a Tasca do Joel e o .come). Tem bons copos, temperaturas adequadas (possui armários térmicos) e serviço a condizer. Merece ser considerado "Amigo do Vinho" (à consideração da Revista de Vinhos). Um único senão : ainda não apostou no vinho a copo. Praticamente está reduzido ao vinho recomendado, que na altura era o Contra-a-Corrente 07 do Campolargo - muita fruta vermelha, acidez q.b., redondo na boca, guloso! Nota 16. Custou 2,50 e a garrafa vale 8 €. Um achado, "...onde se deve ir mais do que uma vez...".

Fugas dia 27/11

O Fugas, que vai sair com o Público já no próximo sábado, é inteiramente dedicado ao Vinho. A comprar obrigatoriamente.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Uma grande jornada na Bairrada

Lá andei na Região mal amada, com um grupo de amigos, numa visita organizada pelo João Quintela (obrigado João!). 6ª feira jantar e alojamento no Campolargo, sábado provas e almoço no Luis Pato, provas e lanche ajantarado no Sidónio de Sousa, domingo provas nas Caves de São João, provas e almoço na Qtª das Bágeiras. 40 vinhos provados! Darei, oportunamente, notícia mais desenvolvida.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Caça no Assinatura

Embora sem atingir a excelência do menú de cogumelos, este jantar de caça teve boa nota. Foram 5 momentos criados pelo Henrique Mouro (canjinha de faisão, terrina de lebre, peitos de pombo fumados, perdiz com marmelos e castanhas e javali guisado) e uma sobremesa. Nota alta para a perdiz. Divinal!
Bebeu-se o Vinha Paz Reserva 04 (80% de Touriga Nacional e 19 meses em carvalho novo francês e americano) - floral, acidez pronunciada, boca poderosa, final longo. Está ainda um pouco bruto e com uma juventude invejável, a precisar de mais tempo de garrafa. A beber daqui a 5 a 7 anos. Nota 17,5+.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Vinhos em família (IV)

Provados há pouco tempo e deram-me :
1.Muita satisfação
.Batuta 04 - aroma algo preso, belíssima acidez, boca portentosa, boa madeira, grande harmonia, final de boca interminável. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18 (noutras situações 17+/18,5).
.Batuta 99 - muita côr para a idade, frutos vermelhos, especiarias, tabaco, acidez q.b., taninos presentes, boa profundidade de boca, final longo. Daria um doce a quem, às cegas, acertasse no ano. Em forma mais 3/4 anos. Grande surpresa! Nota 18+ (noutras 18/16,5).
2.Um grande desgosto
.Chryseia 01 - nem aroma nem taninos, final curto. Está moribundo. Paz à sua alma! Nota 10 (noutras 3 situações 17).

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Guia de Vinhos 2011, do Rui Falcão

Saíu em finais de Outubro o último Guia do Rui Falcão, sob a chancela da editora Clube Autor, que contempla 4200 vinhos provados e classificados. E, com este, já vão 8 guias, 4 em colectivo e outros 4 com autoria individual.É obra!
Sobre o autor, devo dizer que o conheço praticamente desde que foi lançado o projecto Coisas do Arco do Vinho, já lá vão 14 anos! Lembro-me do Rui Falcão sempre atento, de caderno de apontamentos e caneta na mão, quando participava nas apresentações e provas de vinhos organizadas pelas CAV. Durante algum tempo fez parte do nossso Painel de Prova Cega e chegámos a estar juntos em jantares-provas de vinhos, mutuamente convidados. Lembro-me, como se fosse hoje, o dia em que o Rui Falcão, acompanhado pelo Pedro Gomes e o Tiago Teles, nos foi oferecer o 1º guia dos 5 às 8.
Tenho por ele uma grande estima pessoal e elevada consideração profissional e institucional. Estou, pois, à vontade para o elogiar mas também para referir um ponto ou outro susceptivel de crítica, segundo a minha óptica.
Em relação aos 4200 vinhos provados, ficamos sem saber quantos e quais o foram em 2010 e em que anos se reportam os restantes. De qualquer modo, um trabalho gigantesco e hercúleo. Quanto aos vinhos estrangeiros, que têm um peso evidente, entre 25 a 30% do total, só interessarão à maior parte dos leitores aqueles que por cá se vendem, no que o guia é omisso.
De aplaudir a análise e reflexão feitas sobre as colheitas de 2007, 2008 e 2009. Simples, concisa e eficaz.
Quanto aos top's dos vinhos, chegava o Top Portugal, que integra todos os vinhos classificados com 17,5 (inclusivé) para cima. Os top's das Regiões pouco adiantam, pois duplicam os melhores classificados e incluem vinhos com 15,5, o que, para mim, não faz muito sentido.
A lista inserta no capítulo "comprar vinhos na net" é manifestamente insuficiente, pois em Portugal há uma série de lojas/garrafeiras de porta aberta ou simplesmente virtuais que também se dedicam a esse negócio. Sem ser exaustivo indico :
.Aromas Douro
.Corte Inglês
.Decanter Vinho
.Enoteca
.Estado Líquido
.Fim de Boca
.Garrafeira Nacional
.Loja do Vinho
.Lusa Wines
.Portuguese Wines Shop
.Wine O'Clock
.Velvet Bull
.Vini Turismo
.Vinho Web
Tenho a informação que também as CAV o farão a curto prazo.
Finalmente, um aspecto melindroso a referir, o facto do Rui Falcão comentar e pontuar os vinhos elaborados pela sua mulher, Susana Esteban, já com provas dadas no Douro, nomeadamente na Qtª do Crasto e na Qtª da Casa Amarela. Ele não esconde o facto, justiça lhe seja feita, e acrescenta "Sei que a circunstância não me tolda a apreciação (...)", mas sujeita-se a críticas escusadas.
Como conclusão desta crónica considero obrigatória a consulta deste guia, que com o do João Paulo Martins, são peças fundamentais para todos os enófilos, militantes ou não. O resto é paisagem.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Jantar de caça no Assinatura

Jantar temático de caça no Assinatura nos dias 16 e 17/11. São 6 momentos criados pelo Henrique Mouro. Preço 40 €. Obrigatório reservar.

Grupo de Prova dos 3+4 (4ª sessão)

A bem dizer este grupo funcionou mais como 3 (Juca, João Quintela e eu) + 2 (Raul Matos e Rui Rodrigues, membros efectivos) + 1 (José Rosa, convidado).
O almoço foi na Enoteca de Belém (Trav. Marta Pinto, entre os pasteis e a CGD). Não sendo propriamente um restaurante - é um wine bar, serve jantares e almoços, desde que se combine com 2 ou 3 dias de antecedência. A garantia é dada pelo Nelson nos tachos e pelo Ângelo na sala, dois excelentes profissionais, como foi já aqui referido (ver crónicas de 21/4 e 2/7).
Com excepção do espumante Qtª de Bageiras Reserva 04, simpática oferta da casa, a acompanhar um tártaro de salmão, os restantes 8 vinhos,todos provados às cegas, eram da minha garrafeira.
A escolha recaíu em 2 brancos da excelente colheita de 2007, que acompanharam um carpaccio de novilho e 4 tintos de 2006, um ano mal amado entre nós (para baralhar o pessoal incluí um espanhol entre 2 do Douro e 1 do Dão), que fizeram frente a uma monumental posta de bacalhau à lagareiro.
Seguem notas telegráficas da minha responsabilidade.
.Soalheiro Alvarinho Reserva, já aqui comentado anteriormente - nariz exuberante, muito tropical, um ligeiro toque oxidativo, acidez suficiente a equilibrar a gordura, final longo. Nota 18 (noutras situações 17+/18,5/18/17+/18).
.Gouvyas Reserva, provado pela 1ª vez - aroma austero, notas florais, alguma acidez, madeira ainda demasiado presente a precisar de tempo de garrafa, bom final. Nota 16.
.Aneto Grande Reserva, seguramente o melhor tinto português de 2006, - algumas notas florais, muito mineral, boa acidez, taninos presentes mas domados, bom final de boca, todo ele muito elegante. Perfeito! A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5.
.Aalto (Ribera del Duero) - ainda com muita fruta, apelativo, taninos redondos, bom volume de boca, final persistente. Imponente! Nota 18 (noutra situação 18,5).
.Pellada Carrocel, o topo de gama do Alvaro de Castro - nariz complexo, notas de especiarias, tabaco, chocolate, boa acidez, final longo. Nota 17,5.
.Qtª da Foz, o elo mais fraco - prejudicado por um ligeiro toque de rolha, melhor na boca, boa estrutura e acidez, final persistente. Nota 16.
.Graham's Vintage 94 (o ano mágico), com os queijos - nariz preso (ainda não teria saído da fase estúpida?), boca espectacular e de grande potência, final muito longo. Nota 18.
.Blandy Bual 77 (engarrafado em 2009), com strudel de maçã - depois de se beber este vinho, a boca fica completamente arrumada e o aroma paira na sala tempos infinitos. Está tudo dito. Nota 18,5.
Grande jornada, companheiros!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Garrafeiras em queda e concorrência mais ou menos desleal

Nos últimos 10 anos garrafeiras e lojas gourmet têm aparecido um pouco por todo o lado. Parecem cogumelos. Mas, como não há mercado para tantos pontos de venda, também vão fechando ou empurrando para a falência algumas das mais antigas. Recentemente fecharam as portas a Mourinha (lojas na Av.Roma e na João XXI), a Garrafeira de São Bento e a Diogo's (Funchal). Já há uns tantos anos projectos megalónomos, como O Espírito do Vinho (3 lojas) e a Gourmet Lamour não se aguentaram. E, mais recentemente, o império da Vinho e Coisas soçobrou. Pelo caminho, entre outras, também ficaram Vinha d'Arte, O Culto do Vinho e Corpo e Alma.
A concorrência, mais ou menos desleal, por parte de alguns produtores, distribuidores e, até, jornais e revistas, têm ajudado ao enterro. Nesta altura de proximidade com a quadra natalícia, também aparecem empresas-fantasma a anunciar os tradicionais cabazes, desaparecendo logo que as festas terminam. Não têm praticamente despesas, ao contrário das lojas de porta aberta,algumas das quais com custos fixos quase incomportáveis.
E, pasme-se, até a banca (concretamente o Millennium) tem uma promoção, até ao final do ano, de cabazes de Natal!
À reflexão de todos.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ainda o EVS 2010

Em aditamento à crónica anterior, ficaram por provar alguns dos melhores vinhos que lá se encontravam por os já conhecer das provas nas Coisas do Arco do Vinho que, aliás, vivamente se recomendam (4ª feiras, das 18h30 ás 20h). É o caso do Três Bagos Grande Escolha 07, Qtª La Rosa Reserva 08, Poeira 08, Pintas 08, Passadouro Reserva 08 e Qtª do Crasto Vinhas Velhas 08. Para que conste!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Passagem pelo Encontro com os Vinhos e Sabores (EVS) 2010

Foi na minha nova condição de ex-profissional que passei no EVS para reencontrar amigos, produtores, enólogos, vendedores e antigos clientes.
No Sábado aproveitei para degustar uma reduzida amostra das largas centenas de vinhos em prova, concretamente 14 brancos e 20 tintos. Infelizmente as condições não eram as melhores, pois a partir das 15 h já não era fácil circular nos corredores. Mesmo assim retive o prazer que me deram os brancos Muros de Melgaço Alvarinho 09, Maritávora Reserva 08, Murganheira Vintage Bruto 04, Qtª Seara d'Ordens Reserva 09 (talvez a maior surpresa entre os brancos), Morgado Stª Catherina 08, Meruge 09 (veio a ser a escolha da crítica), Qtª das Marias Encruzado Barricas 09 e Vallado Reserva 09. Quanto aos tintos provados destaco o Abandonado 07, Dona Berta Grande Escolha 07, Qtª das Brôlhas Grande Escolha 07, Qtª do Perdigão T.Nacional Reserva 08, S de Soberanas 05, Tapadinha (Alves de Sousa) Grande Reserva 07, Vale Meão 08, Falorca Lagar Reserva 04, Dom Cosme Reserva 06, Herdade dos Coelheiros Garrafeira 05, e Dona Maria Petit Verdot 08. E ficaram tantos e tantos vinhos interessantes por apreciar. Lamentavelmente já não tive tempo para provar 2 ou 3 vinhos recomendados pelo Rui Miguel (Pingas no Copo), dos quais não retive os nomes. Ó Rui quer relembrar-me?
Já no Domingo, o tempo passado no EVS foi quase exclusivamente na prova especial Lavradores de Feitoria - 10 Anos, a convite deste original produtor, no qual acreditei desde a 1ª hora. Foi uma sessão didáctica concentrada na apresentação dos diferentes "terroirs" dos Lavradores de Feitoria, orientada pelo Dirk Niepoort e Paulo Ruão. Pena foi que a documentação distribuida tivesse escassa informação e, ainda por cima, com algumas gralhas.

domingo, 7 de novembro de 2010

Grupo de Prova dos 3 (8ª sessão)

Para quem ainda não saiba o Grupo de Prova dos 3 é constituído por Oliveira Azevedo (mais conhecido por Juca), João Quintela (um dos fundadores do extinto grupo 5 às 8) e eu próprio. Desta vez os vinhos foram da responsabilidade do Juca que escolheu o restaurante O Mattos (próximo dos cinemas King). O Mattos já é considerado, pela Revista de Vinhos, um dos restaurantes Amigos do Vinho. E com toda a justiça: tem uma excelente lista de vinhos, copos à altura e um serviço profissional. Desfilaram :
.Projectos Niepoort Chardonnay 03 (garrafa nº 1373 de 1417) - exibiu uma saúde incrível para a idade, aroma complexo, um ligeiro toque de oxidação a dar-lhe nobreza, acidez q.b., profundidade e bom final de boca. Nota 17,5 (noutra situação 17). Acompanhou bem uns cogumelos sem história e uma excelente alheira.
.CV 04 - aroma intenso, ainda com fruta, boa acidez, taninos ainda muito presentes sem serem agressivos, bom final de boca, todo ele deveras harmonioso. Nota 18,5 (noutras 18+/17,5).
.Icon d'Azamor 04 - aroma inicialmente algo complicado, melhorou ao longo da prova, boa acidez, encorpado, bom final de boca. Nota 17,5 (noutras 18/17,5+). Os 2 tintos acompanharam um sucolento naco de vitela.
.Blandy Malvasia 85 (engarrafado em 2009) - aroma exuberante, vinagrinho, iodo, caril, boa profundidade, final interminável, enfim soberbo. Nota 18,5 (noutra 17,5+). Obrigado Juca!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Almoço no Bocca

À semelhança do Assinatura, também o Bocca (R.Rodrigo da Fonseca, Lisboa) tem um menú executivo (almoços de 2ª a 6ª feira) a preços acessíveis. A refeição completa (entrada, prato e sobremesa) custa 27 € e inclui 1 copo de vinho (15 cl). Se for só o prato e uma entrada/sobremesa a conta desce para 21 €. No entanto há que somar o couvert e a água (5,50 €). No Assinatura a água e couvert estão incluidos no preço da refeição completa (24 €), mas há que acrescentar o preço do vinho (mais 3 ou 4 € por copo). Acaba por ficar ela por ela, talvez com uma pequena vantagem para o Assinatura.
Falta acrescentar que o Bocca é, neste momento, um dos restaurantes mais conceituados de Lisboa, com o chefe Alexandre Silva nos tachos e o Ricardo Barros na sala.
Quanto aos vinhos, o Bocca tem uma excelente carta (vai ser reformulada breve), que contempla o melhor que se produz por cá e, ainda, uma boa selecção de vinhos estrangeiros, colheitas tardias, Portos, Madeiras e Moscateis. Os preços, sem serem escaldantes, estão um pouco acima do esperado. Copos muito bons, temperaturas correctas (tem armários térmicos) e serviço profissional. Uma mais valia : oferta alargada de vinhos a copo.
Bebi o branco Maritávora 08 - aroma exuberante e complexo, presença de citrinos e notas de frutos secos, excelente acidez, madeira discreta e bom final de boca. Todo ele harmonioso e vai aguentar mais 3/4 anos em forma. Nota 17+.
Quanto à cozinha pareceu-me o elo mais fraco. Na entrada a compota de aipo abafou completamente o salmão e no prato (risotto de peixe) o dito meteu dispensa. O chefe estaria de folga? A voltar para tirar conclusões.

Visita à Lavinia em Barcelona

Esta garrafeira que nasceu em Madrid e já está em Paris, também foi implantada na capital da Catalunha. Fica no nº 605 da Diagonal, bem próximo do Corte Inglês (Metro : estação Maria Cristina, linha 3). É um espaço a perder de vista, num único piso, tudo bem organizado, com 4000 referências de vinhos, sendo 50% de Espanha e a outra metade do resto do mundo.
Portugal só tem direito a um expositor como país produtor autónomo, aparecendo os nossos vinhos em mais 2 expositores, mas a meias com a Alemanha e com a Itália (!?), sem que se perceba bem porquê. Estavam visíveis uma dezena de marcas de Porto Vintage, 2 referências de Madeira e 20 de vinhos de mesa (gamas alta, média e baixa). Curiosa a versão espanhola do Diálogo, Alonso Quijano 07, com bonecos de um artista dos nossos vizinhos. Os preços, de um modo geral, pareceram-me caros.
Em prova, tipo sirva-se a si mesmo, estavam 8 vinhos de diversas origens (nenhum português).
Nesta Lavinia também se podem adquirir acessórios para o serviço do vinho, copos (Ridel em maioria) e livros.
Em conclusão, tem uma dimensão impressionante em relação à nossa realidade, mas perde claramente com a loja de Paris, essa sim obrigatório conhecer.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Núcleo Duro (59ª Prova)

Regressado de uma excelente viagem cultural aos locais onde viveram e trabalharam Dali e Gaudi, retomo as habituais crónicas, começando com a 59ª jantar-prova de vinhos do Núcleo Duro. Esta sessão foi da responsabilidade do Juca e teve lugar no Colunas, conhecido restaurante situado na Venda Nova aqui já referido por diversas vezes. Ementa tipicamente portuguesa : canja de pombo bravo, caldeirada de tamboril e arroz de coelho bravo.
Começo por referir o 1º de 3 andamentos, os vinhos brancos, que tinham em comum serem todos Projectos Niepoort Riesling.
.Dócil 07 - nariz contido, citrinos, notas de mel, alguma acidez, todo ele muito soft e elegante. Óptimo como aperitivo. Nota 15,5 (noutra situação 16,5+).
.2004 - aroma estranho, boa acidez, volumoso, mas oxidado. Não o classifiquei (noutras situações 14,5+/15,5/15,5).
.2005 - aroma intenso, fruta cozida, boa acidez, estrutura e final de boca médios. Nota 15,5+ (noutras 15,5+/15,5).
.2007 - o mais floral de todos, mineral, excelente acidez, boa profundidade e final de boca. Nota 17 (noutras 16,5/15,5).
O 2º andamento foi constituido por 3 vinhos tintos, todos de 2004, tendo como ponto comum o facto de terem sido os vencedores em sessões anteriores do Núcleo Duro. Lamentavelmente ficaram todos abaixo da qualidade que tinham exibido nas referidas provas.
.Qtª do Crasto T.Nacional - aroma exuberante e complexo, fruta ainda presente, notas de tabaco e especiarias, boa acidez, grande volume de boca, taninos bem presentes, bom final de boca. Nota 17,5 (noutra situação 18,5).
.Charme - floral, algum vegetal, acidez equilibrada, taninos presentes, final médio. Nota 16,5 (noutras 18/17/17+/16,5).
.Esporão Garrafeira - notas vegetais e algo metálicas, taninos bicudos, persistência final. Foi a desilusão da noite. Nota 15,5 (noutras 17,5*/17).
No 3º andamento estiveram em confronto 2 vinhos fortificados completamente diferentes. Foi uma "luta" verdadeiramente desigual.
.Smithwoodhouse LBV 90 - aroma contido, corpo destapado, algo desequilibrado mas, ainda, com uma apreciavel saúde. Nota 15.
.FMA (Francisco Machado Albuquerque) Bual 64 - aroma e boca intensos, final interminável. Perfeito! Nota 18,5+ (provadas outras 3 garrafas, todas classificadas com 18,5).
Grande vinho que nos põe em tal estado de graça que até perdoamos aos nossos inimigos qualquer mal que nos tenham feito. Obrigado Juca!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Provas no Ritz

A convite da Decante Vinhos, uma dos mais sérias, competentes e com melhor portfólio das empresas de distribuição que conheço, passei pelo Ritz para rever amigos e provar alguns vinhos. Fiquei-me praticamente pelos brancos, com receio que os tintos me encortiçassem a boca e me encapacitassem para mais um jantar-prova de vinhos com o Núcleo Duro. Ficaram-me na memória, pela positiva, os consagrados Quinta do Ameal (Loureiro 09 e Escolha 08), Nossa 09, Herdade Grande Colheita Seleccionada 09, Pó de Poeira 09 e a grande surpresa que é o Qtª Seara d'Ordens Reserva 09 (disseram-me que ia estar no mercado a um preço muito acessível).

Almoço no Fiorde

É uma grata surpresa este restaurante localizado em Tires. Sala modesta, ambiente informal, clientela do bairro, boa matéria prima, boa confecção, doses generosas e preços de acordo com o orçamento para 2011. O dono, Armindo Almeida de seu nome, é a alma do negócio. Já andou pela Noruega e daí o nome dado ao restaurante. Comeu-se um belíssimo caril de gambas e peixe (do mar) na grelha. Na época a lampreia atrai clientes de todo o lado, segundo o patrão (isto é um recado para os militantes da dita). Serviço simpático e despachado.
Quanto a vinhos é que o panorama não é brilhante. Lista curta e nada imaginativa, sem datas de colheita, copos na mesa desadequados. A pedido vieram outros aceitáveis, mas com a marca de um produtor. Serviço de vinhos a condizer. Mas 2 boas notícias : os vinhos são baratíssimos e podem-se levar as bombas que tivermos em casa, sem custos.
Bebeu-se o branco Adega de Vila Real Reserva 09. Muito frutado, alguma complexidade aromática, belíssima acidez, boa presença na boca. Nota 16+. Acompanhou bem o caril e o peixe grelhado. É dificil não gostar. Preço de saldo. Um achado.
Aconselha-se vivamente o Fiorde, mas convém marcar e levar GPS!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Almoço na Tia Alice

Já há algum tempo que não entrava nesta "catedral", que continua nas mãos da família (apenas um dos filhos na sala enquanto que os outros 2 já estão na cozinha). A vertente gastronómica continua com muita qualidade. Degustaram-se os pratos emblemáticos que fizeram desta casa uma referência nacional, o bacalhau gratinado e o arroz à transmontana. Excelentes, ambos.
A carta de vinhos melhorou imenso e está ao nível das melhores que conheço. Bem organizada, muito didáctica, extensa, excelente selecção de vinhos, incluindo champanhe e generosos, tudo datado, e uma invulgar colecção de whiskies e aguardentes velhas. Ponto fraco : oferta reduzida de vinhos a copo. Preços acessíveis em geral, embora com alguns (poucos) exageros. Bons copos (Riedel), embora me tivesse parecido que nem todas as mesas tiveram essa "benesse". O restaurante tem os tintos a uma temperatura controlada de 18º, o que me parece excessivo. Explicação do responsável : os clientes já se queixam que os vinhos vêm frios para a mesa! O serviço cumpriu os mínimos (penso que durante a semana é mais cuidado).
Resta esclarecer que fui no fim de semana e que tive que optar por um dos turnos, 12h30 ou 14h30 , o que não é do meu agrado mas compreendo. E tem mais uma sala. Pudera, os fiéis são muitos! Fico com a preocupação que o Tia Alice poderá estar à beira de se industrializar. Oxalá que não.
Bebeu-se o Churchill Reserva 07 - aroma discreto, frutos vermelhos, boa acidez, guloso, com algum corpo e bom final de boca. Boa relação preço/qualidade. Recomendo vivamente. Nota 17.

domingo, 24 de outubro de 2010

Adega dos Frades revisitada

Este restaurante do Hotel Villa Batalha merece uma visita, não só pelo espaço como também pela gastronomia e pelos vinhos. O único defeito que lhe apontei (ver crónica de 31/8) já foi corrigido. A quantidade de vinhos a copo aumentou e inclui, além de brancos, tintos e rosés, champanhe, espumantes, portos e colheitas tardias. Quem lá for peça ajuda ao Rafael que é impecável no serviço de vinhos.
Para quando uma visita da Revista de Vinhos?

Influências políticas?

Influências políticas na Fundação Batalha de Aljubarrota? Eu explico a minha dúvida : em visita recente ao respectivo Centro de Interpretação (atenção : é obrigatório conhecer), estranhei ao verificar que na loja está à venda um único vinho, o Regional Alentejano "Fundação Batalha de Aljubarrota Reserva 2008" da Casa Agrícola Alexandre Relvas (preço 4,95). Não faria mais sentido um vinho da região?

Uma Garrafaria (sic) a ter em conta

Chama-se A Casa, fica em frente ao Mosteiro de Alcobaça e é uma espécie de 4 em 1, pois é em simultâneo restaurante, cafetaria, wine bar e garrafeira (ou garrafaria segundo os donos). Além das novidades aposta, também, nos vinhos velhos, portos, moscateis e madeiras. De aplaudir a considerável colecção de vinhos da Madeira "Artur Barros e Sousa", uma autêntica raridade. À atenção do João Paulo Martins e do João Afonso que não a incluiram nos seus livros.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Grupo de Prova dos 3 (7ª sessão)

Os vinhos foram da minha garrafeira e o restaurante escolhido, o Assinatura, foi da minha responsabilidade. A qualidade gastronómica foi, mais uma vez, alta, e o serviço eficiente e profissional como sempre.
A entrada, salmão fumado, acompanhou o branco Qtª da Pellada Primus 09, um dos vencedores do painel de brancos organizado pela RV. Aroma frutado algo contido com notas de baunilha, acidez pronunciada, madeira discreta, algum tostado, profundidade e bom final. Vai seguramente durar ainda uns anos. Nota 17,5+.
O prato, vitela estufada com castanhas, acompanhou bem 2 tintos de gama alta :
.Kompassus Private Selection Baga 05 - muito elegante, notas florais, excelente acidez, boa profundidade de boca e final longo. Um dos grandes vinhos portugueses. Nota 18 (noutras situações 18,5/18,5+/18,5).
.Aalto PS 05 - aroma muito complexo com notas de tabaco e couro, boca potente com taninos domados e final longo. Nota 18,5 (noutra situação igual nota).
Veio ainda para a mesa, a pedido de um elemento mais esfomeado, um prato de vitela maronesa na sertã, excelente segundo o testemunho daquele amigo.
Com a sobremesa, tarte de limão e merengue, avançou um ice wine canadiano, o Inniskylin Vidal 06. Aroma exuberante com notas de citrinos, gordura equilibrada com excelente acidez, grande boca e final longo. Nota 18.
Uma grande jornada eno-gastronómica.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Henrique Mouro no seu melhor

Grande jornada a de ontem no Assinatura. Os 8 momentos de cogumelos, ou melhor, 7 momentos e mais a sobremesa, confirmaram a criatividade do Henrique Mouro. Foi um desfilar de diversas espécies de cogumelos (cantarelles, tortulhos, shitakes, shimeijis, pleurotus, capas de viúvas, morilles e lactários) que acompanharam e se fizeram acompanhar de vieiras, ovos mexidos com farinheira, queijo de ovelha, ostras, mexilhões, polvo, pargo e bochecha de porco. Na sala, o serviço esteve à altura dos acontecimentos. Foi muito eficiente e garantiu o ritmo adequado durante toda a refeição. Parabéns à equipa. Um único senão : nos vinhos a copo, como estes não estão calibrados, a quantidade servida é um bocado a olhómetro.
Quanto a vinhos, após a degustação do espumante 3 B da Filipa Pato, simpática oferta da casa, bebeu-se :
.Soalheiro Alvarinho Reserva 08 (garrafa) - aroma exuberante a citrinos e fruta tropical, excelente acidez, profundidade, bom final de boca. O tempo de garrafa só lhe tem feito bem. Com vincada personalidade é, seguramente, um dos melhores brancos portugueses. Nota 18+ (noutras situações 17,5/18).
.Esporão Aragonês 07 (a copo) - muita fruta vermelha, boa acidez, madeira discreta, encorpado com taninos bem presentes a precisarem de tempo para amaciarem, bom final de boca. É um salto qualitativo se o compararmos com edições anteriores. Nota 17,5+.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Vinhos em família (III)

Notas e apreciações telegráficas de vinhos provados em família em 2 ou 3 ocasiões :
.VZ 08 Branco - aroma a citrinos, fresco, madeira discreta, algum corpo e bom final. Recomendável para a meia estação. Nota 17 (noutras situações 17+/16,5/17/17,5).
.Terrenus 09 Branco - algo austero, muito mineral, excelente acidez, equilibrado, boa presença na boca e persistente. Também aconselhado para a meia estação. Nota 16,5+.
.Três Bagos Sauvignon 09 - aroma a frutos tropicais em excesso, com predominância de maracujá, notas vegetais (espargos), acidez q.b., melhor na boca. Nota 16 (noutra situação 16,5).
.VT 04 - vinificado em lagar com pisa a pé, rusticidade marcante, encorpado, bom final de boca. Nota 16.
.Herdade das Servas T.Nacional 06 - muito floral, taninos ainda presentes mas macios, boa acidez, todo ele muito equilibrado. A beber nos próximos 3/4 anos. Ao nivel do 05 e ligeiramente abaixo do 04. Nota 16,5+.
.Qtª Macedos 00 - ainda com alguma fruta vermelha, notas de couro e chocolate, taninos bem presentes com alguns picos, mas mais civilizado do que o 01, excelente final de boca. Aguenta mais 5 a 7 anos. O 00 foi a estreia deste produtor (apenas 3500 garrafas). Nota 18 (noutras situações 17,5/18,5/18/17).
.Blandy Bual 80 (engarrafado em 09) - notas de frutos secos e mel, vinagrinho e iodo moderados, bom final de boca. É um bom exemplar sem ser entusiasmante. Nota 17,5+.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Cogumelos no Assinatura

O chefe Henrique Mouro vai criar 8 "momentos" com cogumelos em 2 jantares temáticos (19 e 20/10), que terão lugar no Assinatura (R.Vale Pereiro,19 quase na esquina com a Alexandre Herculano, logo a seguir à Molaflex). Custam 45 € por pessoa e não inclui bebidas. É necessário marcar (tel 213867696).
Nota - este anúncio vem na sequência de pedidos de seguidores deste blog. É o que passarei a fazer sempre que a qualidade do evento, nas suas componentes vinho e/ou gastronomia, o justifique. A decisão de anunciar ou não, será exclusivamente minha.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Quem tem saudades do BOCA?

Para quem tiver saudades do CARM BOCA 2004 ou quem ainda não teve a oportunidade de o provar aqui fica uma dica. Este vinho, que foi o mais vendido nos 13 anos e meio que fomos os responsáveis pelas CAV (eu e o Juca), pode ser bebido na Real Marisqueira Nune's (R.Bartolomeu Dias,120 tel 213019899). Além de ser especializado em marisco, este restaurante tem uma componente de peixe muito forte que se recomenda. O BOCA custa 23 € no Nunes, que é um preço aceitável para a qualidade do vinho. Mais referências sobre o BOCA podem ser encontradas nas crónicas de 19/3, 16/5, 27/5 e 23/7.

domingo, 10 de outubro de 2010

O Alma continua em alta

Revisitei o Alma e mantenho os elogios da crónica anterior, isto é, nota alta para a cozinha, ambiente e serviço (muito profissional e, simultaneamente, simpático). Desta vez o Henrique Sá Pessoa estava e andou de mesa em mesa, o que cai bem junto da clientela. É um dos chefes mais prestigiados e, apesar disso, é bem simples e nada empertigado. Foi a cereja em cima do bolo!
Começou-se com um branco Maritávora 07, discretamente floral, acidez a dar-lhe frescura, boca bem presente sem ser excessiva, todo ele muito equilibrado. Óptimo para a meia estação. Nota 16,5+. O tinto foi o Vale Meão 00, que está em excelente forma e durará mais meia dúzia de anos. Côr ainda carregada, alguma fruta, especiado, grande volume de boca e final longo. Grande vinho! Nota 18,5+ (noutras situações 16,5/18/17/18/18,5+/17,5/18,5/18,5).

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Prova e Jantar Sogevinus. Aditamento.

Falhou-me a informação que, mais uma vez, tanto a prova como o serviço de vinhos no jantar, teve a mão competente da escanção Teresa Gomes. Mais vale tarde do que nunca!

Assinatura a preços de crise

Para quem não saiba, o restaurante do chefe Henrique Mouro pratica, ao almoço, preços condizentes com a actual situação financeira. Só o prato 18 €, entrada+prato ou prato+sobremesa 21 € e entrada+prato+sobremesa 24 €. De notar que estes preços incluem couvert, água e café. Convenhamos que os preços praticados pelo Assinatura são muito acessíveis. Os vinhos a copo da semana também têm preços módicos. Na semana que agora termina, o branco Rebouça Alvarinho 08 custa 3 € e o tinto Altas Quintas 06 4 €. Não há desculpas para não se beber um copo à refeição.
Optei por acompanhar o almoço (folhadinho de codorniz, filete de peixe espada e salada de frutas) com o Rebouça. Belíssimo Alvarinho, muito floral e fresco, elegante e equilibrado, boa presença na boca. Óptimo para a meia estação. Nota 16,5.
Finalmente é de registar com muito agrado a ida às mesas do Henrique Mouro. Só lhe fica bem e os clientes agradecem.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Cozinha Velha revisitada. Pazes feitas.

Afinal tudo não passou de um mal entendido. Para o futuro deve ligar-se para a recepção da Pousada (214356158), e pedir que passem a chamada para o restaurante (não tem telefone directo). Pode-se levar vinho de casa, custando o serviço de rolha 15 € por garrafa. Convém falar com o Paulo Cunha, responsável pelo serviço de vinhos e um excelente profissional. Almocei na Cozinha Velha no passado Domingo, com um grupo de amigos. O bufete (25 € por pessoa, sem bebidas) continua com qualidade elevada e recomenda-se. Nesta última visita bebeu-se o Morgado Stª Catherina 09 que me surpreendeu pela positiva, nariz complexo, boa arquitectura de boca e excelente acidez.É um belíssimo arinto que vai durar ainda mais alguns anos. Está uns furos acima da versão 08 e é pena que não tivesse sido incluído no recente painel de brancos organizado pela RV. Nota 17. E também o Convento de Tormina 08, um tinto alentejano agradável, guloso e fácil de beber, mas que se esquece rapidamente. Nota 16.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ainda o Guia do JPM

Pareceu-me interessante fazer uma análise comparativa de "Os Melhores do Ano" nos Guias 2011,2010 e 2009 e tentar tirar algumas ilacções sobre as escolhas do JPM.
Notas :
(a) deixei de fora espumantes e vinhos com castas estrangeiras
(b) o nº de brancos ficou entre parentesis
REGIÃO 2011 / 2010 /2009
.V.Verdes (Alvarinhos) 0 / 2 / 0
.Douro 8(2) / 7 / 8(1)
.Dão 1(1) / 2(1) / 3
.Bairrada/Beiras 0 / 0 / 1
.Lisboa/Estremadura 1 / 1 / 1
.Tejo/Ribatejo 0 / 1 / 0
.Palmela/T.Sado 0 / 1 / 1
.Alentejo 5 / 2 / 2
.Porto Vintage/LBV 1 / 4 / 1(LBV)
.Porto Tawny/Colheita 5 / 2 / 6
.Moscatel 1 / 1 / 1
.Madeira 0 / 0 / 0
Leituras possíveis, a partir da análise deste quadro resumo :
1.Os brancos têm vindo a consolidar a sua posição relativa (6,25 % no 2009 e 20 % no 2011
2.Os tintos do Douro têm sido os grandes vencedores
3.Os tintos do Alentejo só no último guia se aproximaram do Douro
4.Os tintos do Dão têm vindo a perder posição
5.O Porto Vintage só se impôs com a colheita de 2007, com as outras perdeu em toda a linha para os colheitas e tawnies velhos
6.Não aparece um único vinho Madeira a merecer estar entre os melhores, apesar de todos os anos aparecerem novos engarrafamentos. É uma grande injustiça! Óh JPM tem que estar mais atento aos Madeiras que têm saído últimamente das mãos do Francisco Albuquerque.

sábado, 2 de outubro de 2010

O Protocolo da Presidência da República precisa de reciclagem...

No âmbito das Comemorações do Centenário da Implantação da República no Palácio de Belém, organizadas pelo Museu da Presidência da República (PR), é possivel visitar parte do Palácio e os jardins. A entrada livre mantém-se até às 21h30 do dia 5 de Outubro.
Foi assim que tive a oportunidade de observar a sala de jantar, destinada ao repasto dos convidados oficiais da PR. A mesa está posta para meia dúzia de pessoas. Mas como é possível que o protocolo da PR ainda esteja atrasado algumas dezenas de anos? Os copos parecem aqueles que as nossas avós utilizavam. Cada lugar tem 4 copos, sendo 2 para os vinhos de mesa (falta o da água, o maior, segundo me esclareceram): para brancos (o médio) e tintos(o mais pequeno), sem serem totalmente lisos. Os restantes (um todo vermelho e o outro minúsculo) para os licores, segundo informação de uma funcionária. Então e os Siza Vieira, oficialmente recomendados pelo IVDP?, indaguei eu. Desconheço, foi a resposta.
O Protolo da PR precisa mesmo de reciclagem a sério. E o IVDP não pode dar uma mãozinha?
Um apontamento final : a loja do museu tem um único vinho à venda, o tinto Monte dos Cabaços 2002, engarrafado para o Museu da República (12,50 €).Ó Margarida Cabaço, que grande cunha!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Prova e Jantar Sogevinus. O pleno do nosso grupo.

Nesta prova de vinhos do Porto do grupo Sogevinus, seguida de jantar, os participantes ou eram do antigo núcleo das CAV ou amigos pessoais que foram comigo. Ou seja 100 %, o pleno! Ora esta situação é preocupante, pois se numa próxima vez não nos mobilizarmos, corre-se o risco do enólogo ficar a falar sozinho! Por onde andam os profissionais, os foristas e outros enófilos? Como lhes passou ao lado a prova de tantos vinhos do Porto com a qualidade dos que foram apresentados? E alguns quase impossíveis de encontrar? Mistérios insondáveis...
O evento foi organizado pela Quinta Wine Guide e decorreu no Clube de Jornalistas. Sob a batuta do enólogo Pedro Sá, já premiado pela Revista de Vinhos desfilaram na "passerele", por ordem, Burmester Branco 10 Anos, Kopke Branco 20 e 40 Anos, Burmester Tordiz 40 Anos, Kopke Colheita 60, Burmester Colheita 55 e 37. Curiosos e surpreendentes foram os brancos, com destaque para o 40 Anos. Deliciosos e inesquecíveis foram os últimos 4, o Kopke Colheita 60 e a brigada da Burmester (40 Anos, 1955 e 1937). Mais gordos na boca que os anteriores, mas simultaneamente muito frescos, com um final interminável. Pessoalmente e comparando os 2 últimos achei que o 37 ganhava em frescura e o 55 na potência de boca. Notas para o meu Quadro de Honra : Kopke Colheita 60 - 18,5 (provado pela 1ª vez), Burmester 40 Anos - 18,5 (noutra situação também 18,5), Burmester 55 - 19 (a mesma de uma situação anterior) e Burmester 37 - 18,5+ (19 noutra situação). Nota : foram todos engarrafados em 2010, para a prova.
Seguiu-se o jantar, com uma entrada não muito conseguida a acompanhar o belíssimo branco Curva Reserva 09, que foi o grande vencedor, em relação preço/qualidade, do painel de brancos da RV. Muito mineral, elegante e equilibrado, de uma frescura assinalável, bom volume de boca e persistente. Nota 17. Com o medalhão de vitela (muito bom) entrou o D+D 06 que, apesar do ano, surpreendeu pela frescura, taninos firmes sem agressividade e bom final de boca. Apresentou-se uns furos acima do 2005. Nota 17,5.
Em conclusão, um evento ao mais alto nível, que ficará nas memórias daqueles que participaram (lamentavelmente, poucos).

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Grupo de Prova dos 3 (6ª sessão). Confronto Portugal - Espanha

Espanha foi a grande vencedora deste confronto com o excepcional Aalto PS 05. O derrotado foi o Qtª Crasto Maria Teresa 05, que em situações anteriores se mostrou sempre ao nível da excelência. Os vinhos eram do João Quintela e o espaço escolhido foi o restaurante As Colunas, na Venda Nova. Cozinha simples bem confeccionada, matéria prima de primeira, serviço simpático e competente. Acompanharam os vinhos : pasteis de massa tenra, bacalhau lascado e arroz de galo do campo.
As minhas notas telegráficas sobre os vinhos provados :
.Aalto PS 05 - aroma exuberante e complexo, especiarias, tabaco, chocolate, bela acidez, boa madeira sem marcar o vinho, boa profundidade, final de boca muito longo. Nota 18,5 (a entrar no meu Quadro de Honra).
.Crasto Maria Teresa 05 - aroma mais floral, mineral, boca com alguma rusticidade (lagar?), taninos bem presentes, acidez q.b., final longo. Nota 17,5+ (noutras situações 18,5/18,5).
.FMA Bual 64 (o tal que o JPM gostou muito) - frutos secos, iodo, algum caril, acidez presente, volumoso na boca, final muito longo. Nota 18,5 (noutra situação 18,5).
.Bastardinho 30 Anos (garrafa pequena) - mel, frutos secos, déficite de acidez, gordo na boca, final longo. Nota 17,5 Noutra situação 17,5).
Mais uma grande sessão. Isto é qualidade de vida. Obrigado João!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Guia do João Paulo Martins (JPM)

Chegou ao público, na passada 6ª feira, o Guia do JPM "Vinhos de Portugal 2011" , editado por Publicações Dom Quixote (Grupo Leya). É o mais influente e o que mais se vende dos guias que se publicam em Portugal. Obrigatório consultar. O guia do JPM é uma instituição e já vai no 17º ano consecutivo. É obra!
Este último, uma espécie de 2 em 1, uma vez que engloba o guia de verão, é demasiado volumoso o que dificulta o seu manuseamento. Tem 556 páginas, enquanto o 2010 tinha apenas 419 e o 2009 444. Por outro lado, se fosse expurgado das notas de prova de 2009, 2008 e anteriores (excepção feita aos vinhos generosos) poupava cerca de 100 páginas. Este nº foi obtido por estimativa, a partir da análise das provas dos vinhos do Douro. Com efeito e em relação a esta região, há 130 vinhos provados em 2009 e 30 em 2008 e anos anteriores, ou seja 23% dos 693 vinhos do Douro provados.
Há ainda cerca de 20 páginas dedicadas a provas de vinhos velhos, o que sinceramente não creio que possa interessar à maioria dos leitores do JPM.
De qualquer modo, pesado ou não, está sempre condenado ao sucesso.

domingo, 26 de setembro de 2010

O Xico's revisitado

Porque não me canso de ir ao Xico's ? Vista da varanda para o Tejo, bom ambiente, excelente selecção de tapas, bons pratos de bacalhau e entrecôtes, serviço eficiente e simpático, doses generosas, preços imbatíveis para a qualidade do restaurante, são as minhas razões para voltar sempre. Áh, e também o nome!
Desta vez levei vinhos de casa. Com as tapas marchou lindamente o branco Passagem 09, resultado de uma parceria da Qtª de La Rosa com o Jorge Moreira, o enólogo da casa. É feito a partir de vinhas velhas do Douro Superior, situadas a 400 metros de altitude. Fruta discreta, muito mineral, elegante, austero, acidez q.b., boa presença na boca, ao estilo do Jorge. Um vinho para a meia estação e um dos melhores brancos provados este ano. Nota 17. O prato de carne foi acompanhado pelo Qtª Roriz Reserva 04, penso que o último saído com este nome (as uvas desta quinta estão destinadas ao Chryseia, segundo consta). Aroma especiado, notas de tabaco, taninos bem presentes mas macios, boa acidez, final longo. A consumir nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5+.

sábado, 25 de setembro de 2010

Vinhos do Alentejo em Lisboa

Passei ontem pela Lx Factory, para matar saudades, rever amigos, enólogos e produtores. O local, sem grandes condições para provar vinhos tranquilamente, estava repleto de enófilos e de curiosos, o que não permitia a concentração necessária. Mesmo assim provei uma dúzia de brancos ( retive alguns deles, em primeiro lugar o Terrenus 09 do Rui Reguinga, mas também Esporão Reserva, Herdade dos Grous Reserva, Herdade São Miguel Colh.Seleccionada, Dona Maria e, ainda, os brancos dos produtores Solar dos Lobos e Terras de Alter, todos de 2009 se não me engano) e 2 ou 3 tintos (destaque para o J de José de Sousa 07 do produtor José Maria da Fonseca, escolhido pelo João Paulo Martins como um dos "Melhores do Ano" no Guia 2011, saído ontem a público).

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Núcleo Duro (58ª Prova) com os Douro Boys

Após um interregno de mais de 2 meses, o Núcleo Duro reuniu-se no restaurante do CCB (A Commenda) para o seu 58º jantar/prova de vinhos.
Compareceram 6 elementos efectivos, Jorge Sousa, Oliveira Azevedo (Juca), João Quintela, Paula Costa, Pedro Brandão e eu próprio. O Rui Miguel, um dos fundadores do grupo não poude estar e foi substituído pelo Paulo Bento (fez parte do painel de prova das CAV). O Alfredo Penetra esteve como convidado. Os vinhos eram todos da minha garrafeira, foram provados às cegas e o tema incidiu nos Douro Boys colheita 2007 (com excepção dos vinhos fortificados). Já os tinha provado quando da apresentação pública há cerca de 1 ano na Qtª do Vallado. São vinhos fantásticos, do melhor que se faz em Portugal.
Passo a indicá-los telegraficamente, com as minhas classificações que não coincidem com a média do painel.
.Projectos Niepoort Riesling Dócil 07 - ligeiramente doce, mas equilibrado com uma excelente acidez,muito fino,bom final de boca. Nota 16,5 (noutra situação 16,5+). Funcionou como vinho de boas vindas e não competiu com os outros 2 brancos.
.Redoma Reserva 07 (uma das principais referências de brancos portugueses) - aroma complexo, muito especiado, fumado, madeira discreta,belíssima acidez, boca potente, final longo. Nota 17,5+.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 07 (não é um Douro Boy puro, mas tem a mão do Dirk) - aroma tropical sem excessos, alguma gordura, acidez suficiente, boa profundidade, persistência. Nota 17+ (noutras 17+/18,5/18). É o branco por mim mais pontuado desde sempre.
.Vallado Adelaide 07 - muita fruta, especiarias, chocolate, tabaco, boca potente, final longo, inebriante e sedutor deu-me muito gozo. Nota 18,5 (noutra também 18,5).
.Vale Meão 07 - especiado, fino, elegante, boa arquitectura, excelente final de boca. Nota 18 (noutra também 18).
.CV 07 - floral, fino, muito elegante, taninos presentes, bom final de boca. Nota 18 (noutras 18/18,5).
.Crasto Maria Teresa 07 - aroma intenso, fruta madura, ligeiramente adocicado, muito elegante, estruturado, bom final de boca. Nota 17,5 (noutra 17,5+). Na prova de há 1 ano atrás gostei mais do Vinha da Ponte.
De notar que as pontuações dadas aos tintos, em prova cega, coincidem praticamente com as notas que atribui aos mesmos vinhos na referida prova na Qtª do Vallado.
.Fonseca Vintage 94 (o tal dos 100 pontos na Wine Spectator) - aroma demasiado austero, boca fabulosa e final interminável. Nota 18.
.Blandy Malvasia (talvez a casta nobre menos interessante da Madeira) 85 - iodo, alguma acidez, final interminável. Nota 17,5+.
Grande sessão. Vou ficar a água 48 horas!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O painel de brancos da Revista de Vinhos

Este painel (ver a RV de Setembro) teve a virtude de confirmar o que se dizia à boca pequena, afinal o vinho de qualidade não se esgota nos tintos. E só surpreende quem andava distraído. Ora, num painel deste tipo, todos os vinhos que, ao longo dos anos, têm sido objecto de referência deviam lá estar. Concretamente, ficaram omissos alguns dos mais conceituados e com provas dadas, como Redoma Reserva, Bageiras Garrafeira, Foz de Arouce, Morgado Santa Catherina, Esporão Private Seleccion, Castelo d' Alba Vinhas Velhas, etc. Ficamos sem saber, se estes tivessem entrado, quem eram de facto os melhores. Os produtores não enviaram? Comprem-se que eles andam por aí!

domingo, 19 de setembro de 2010

Almoço no Mar do Inferno

Este restaurante situa-se na Boca do Inferno, a poucos metros do Atlântico. Tem algumas particularidades que só o abonam : a localização da esplanada, a qualidade do peixe (fresquíssimo) e dos mariscos, o serviço profissional e despachado, a cargo de uma equipa adulta que se mantém igual há já alguns anos, o que não é habitual nos tempos que correm. A cereja em cima do bolo : tem uma relação preço/qualidade imbatível (não há comparação possivel com os restaurantes mais badalados do Guincho). Convém marcar porque o restaurante está sempre cheio. Pelos vistos a crise não passou por aqui!
E quanto a vinhos? Tem uma boa selecção a preços acessíveis, bons copos, temperaturas adequadas (possui armários térmicos para os tintos). Pontos a corrigir : carta de vinhos sem datas de colheita e inexistência de vinhos a copo.
Bebeu-se um excelente Muros de Melgaço Alvarinho 08, da responsabilidade do Anselmo Mendes - muito frutado, aroma tropical sem excessos, acidez fabulosa, presença discreta da madeira, boa profundidade e final longo. Vai durar ainda mais alguns anos. Nota 18.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Jantar no Alma

O Henrique Sá Pessoa e sua equipa estão de parabens. Bom ambiente, decoração minimalista (tudo branco), atendimento correcto e simpático, menus de degustação imaginativos e com muita qualidade. Metade da mesa optou pelo Novidade e a outra metade pelo Clássico. No que me diz respeito, desfilaram, após o amouse de bouche, polvo assado, lombo de bacalhau de meia cura, leitão confitado, sorvete e tarte de pêra e amêndoas com gelado. Preço sem vinho 39 € (50 € com vinhos). Esta bela refeição foi acompanhada pelo tinto duriense Family Estates 06 - especiado, notas de tabaco e chocolate, boa profundidade e final de boca, muito equilibrado. Nota 17,5.
Temperaturas adequadas, serviço profissional e despachado. Mas nem tudo são rosas. A lista de vinhos é algo desequilibrada, com vinhos normais a par de topos de gama e algumas discrepâncias nos preços (por exemplo, o Pintas Character mais caro que o Poeira). Além disso tem pouca oferta de vinhos a copo (meia dúzia de referências de brancos e tintos).
Em conclusão : recomendo e hei-de voltar.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Imoralidades

Acabo de regressar a Lisboa, após 1 semana de descanso no Algarve, cheio de saudades de recomeçar a beber bons vinhos a preços sensatos. Foi uma semana para esquecer em termos vínicos. Só a título de exemplo, no hotel onde estive, o Palácio da Brejoeira custava 60 €, o Muros de Melgaço e o Dona Berta Rabigato 45 €. O vinho mais acessivel era o Esteva a 20 €!
Moral da história : aguinha e algumas imperiais.
Mas como homem prevenido vale por dois, levei comigo uma garrafa de Niepoort Colheita 1991 (eng. 2007) que estava soberbo. Aroma afirmativo, frutos secos em abundância, acidez no ponto, muito equilibrado, taninos bem presentes, final interminável. Nota 17,5 +.

sábado, 4 de setembro de 2010

Almoço no Furnas do Guincho

Recomendável e simpático restaurante com uma enorme esplanada quase em cima do Atlântico, especializado em marisco e peixe fresco. Tem uma boa carta de vinhos a preços sensatos, embora a oferta de vinho a copo e vinhos de sobremesa seja diminuta. Copos aceitáveis, serviço desembaraçado a cumprir os mínimos, apesar da confusão (era Domingo). Não tive a oportunidade de testar o serviço dos tintos. Bebeu-se um branco, o Três Bagos Sauvignon 09, já uma referência. Tropical, algumas notas de espargos, boa acidez, vinho de grande elegância. Nota 16+.

P.S. - o Blog vai de férias na próxima semana de 6 a 12/9. Boas provas|

E assim vão as Confrarias Gastronómicas

Está a passar completamente ao lado dos militantes da gastronomia portuguesa o 1º Festival das Confrarias Gastronómicas, promovido pela respectiva Federação, Câmara Municipal de Lisboa e Turismo de Lisboa. O evento começou hoje no Mercado da Ribeira e termina àmanhã,dia 5 (Domingo). Ainda se pode jantar hoje e almoçar àmanhã. Eu aproveitei e acabei de fazer uma degustação boa e barata, à base de tapas (2,50 € cada). Não cheguei a gastar 10 € ! A outra modalidade é uma refeição completa por 15 €.
Foi pena a organização não se ter empenhado na divulgação deste evento.
Todos ao Mercado da Ribeira em apoio da Confraria Nabos e Companhia(Carapelhos,Mira) e restantes congéneres!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Vinhos em família (II)

Notas telegráficas em relação aos vinhos provados em recente convívio familiar :
.VZ 08 B - um dos brancos mais interessantes provados ultimamente, aroma ainda um pouco preso, compensado por uma notável presença na boca, muito mineral, belíssima acidez, boa persistência no final de boca. Nota 17,5.
.Terrenus Reserva 04 - um dos grandes tintos alentejanos, obra de arte do Rui Reguinga, todo ele complexo no nariz e na boca, contribuição de mais de 1 ano de estágio em boa madeira, acidez equilibrada, acentada profundidade, bom final de boca. Ainda tem alguns anos pela frente. Nota 17,5+.
.FMA (Francisco Machado Albuquerque) Bual 64, engarrafado em 2004 - uma das grandes criações do Francisco Albuquerque, fora dos circuitos comerciais. Presença de frutos secos, iodo, vinagrinho, equilibrado, notável arquictetura de boca, final interminável com o aroma a pairar na sala de jantar. Nota 18,5 (a entrar no meu Quadro de Honra *). Constou-me que o João Paulo Martins já o provou e que ficou apaixonado.
* vem juntar-se aos seguintes Madeira (todos com 18,5 ou mais) :
.Blandy Terrantez 75
.Blandy Sercial 74
.Blandy Verdelho Solera
.Blandy Bual - 1920, 48, 63, 64, 68, 71 e 77
.Cossart Terrantez 77
.Cossart Verdelho 73
.Cossart Bual 58
.FEM (o avô do Francisco Albuquerque) Sercial
.idem Verdelho
.Artur Barros e Sousa Verdelho 81
.idem Malvasia 80 e Reserva Velha

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Independência, já!

Nestes dias de calor apetece-me beber brancos. E quem diz brancos diz alvarinhos, quase todos eles muito tropicais, notas de citrinos também, aromas inebriantes, frescos e elegantes, minerais, acidez presente sem excessos, prolongando-se no palato. Enfim, vinhos com vincada personalidade.
Como se pode não gostar desta casta? Lamentavelmente ainda há muitos consumidores que têm preconceitos quanto à região de origem destes vinhos. Quando ainda estava nas CAV, aconteceu-me por diversas vezes, ao aconselhar um alvarinho, obter como resposta "não gosto de vinhos verdes". Como ultrapassar este dilema? Independência aos alvarinhos, já!
Passo a resumir as minhas impressões dos alvarinhos provados recentemente.
.Soalheiro 09 - perfil algo discreto e contido, muito mineral. Nota 16.
.Soalheiro 1ª Vinhas 09 - ainda muito preso, a precisar de tempo de garrafa para se mostrar. Nota 16,5.
.Muros Antigos 09 - o mais inebriante de todos, não precisa de mais tempo, difícil não se gostar. Nota 16,5+.
.Anselmo Mendes Contacto 09 - discreto, acidez elevada, algumas semelhanças com o Soalheiro. Nota 16.
.Qtª do Regueiro Reserva 09 - algo discreto, o mais floral de todos. Nota 16.
.Qtª Edmun do Val 07 (Valença) - o único que não é da sub-região Monção-Melgaço (é um Regional Minho), aromas ausentes, demasiado vegetal, já com alguma oxidação. Nota 14.
De qualquer modo esta colheita de 2009 parece-me inferior à de 2008 e, especialmente à de 2007 que, para mim, produziu o melhor branco português dos últimos anos, o Soalheiro Alvarinho Reserva.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Almoço no Vinho em Qualquer Circunstância

Já conhecia este restaurante, que faz parte da selecção dos Amigos do Vinho, e confirmo :
.Pontos fortes
.carta de vinhos extensa e bem seleccionada
.preços imbatíveis
.bons copos (Riedel)
.armários térmicos em profusão, embora tivesse ficado na dúvida quanto às temperaturas
.serviço profissional
.Pontos fracos
.vinhos a copo reduzidos ao mínimo, o que é indesculpável neste espaço que também funciona como wine bar
.à falta de uma, duas televisões ligadas (!?)
Bebeu-se a copo um branco das Rias Baixas, Davide Alvarinho (sic) 08, estagiado em madeira. Aroma discreto, muito mineral, gordo na boca, boa acidez a equilibrar, bom final de boca. Tanto o rótulo como o contra-rótulo estavam em português, a pedido do restaurante. Nota 16+.

Adega dos Frades, a surpresa

A Adega dos Frades é o restaurante do Hotel Villa Batalha (4*) inaugurado em 2009 e do qual não tinha qualquer referência. O Villa Batalha é um bonito e confortavel hotel e o seu restaurante, com o Carlos Rafael (ex - Vinho em Qualquer Circunstância) na sala e o chefe Miguel Silva nos tachos, um deslumbramento. Além de uma cozinha moderna e imaginativa, o restaurante tem uma excelente carta de vinhos, toda datada, com quase tudo do melhor que se faz por cá e a preços cordatos. Bons copos, temperaturas controladas e serviço muito profissional são as restantes mais valias. Um único senão, que vai sendo regra geral : o vinho a copo está praticamente ausente.
De qualquer modo deveria ser incluído na lista dos restaurantes Amigos do Vinho (à atenção da Revista de Vinhos).
Bebeu-se o PAPE 07, muito fino e elegante, com muito boa madeira, ainda frutado, notas de tabaco, chocolate, especiarias, taninos presentes sem agressividade, excelente acidez, final longo. Nota 18.
No final da refeição foi-nos oferecido um belíssimo Rozés 10 Anos.
Qualidade e simpatia, em resumo.

Sabores de Itália, a confirmação

Nova visita a este espaço de grande qualidade veio confirmar os elogios tecidos na minha crónica de 13/6. Uma boa notícia : a carta de vinhos já está organizada (óptima selecção, as novidades especiais foram contempladas, tudo datado, preços não especulativos). Bom serviço (mantém-se o profissionalismo dos sempre presentes Norberto/Maria João e respectiva equipa), temperaturas adequadas e copos de qualidade. É pena faltarem os vinhos a copo mas, dizem-me, a clientela do restaurante ainda não aderiu.
Já deveria ter entrado para a lista dos restaurantes Amigos do Vinho, actualizada mensalmente pela Revista de Vinhos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Jantar no Salsa & Coentros

Este restaurante tem uma mais valia : o dono, José António Duarte de seu nome, está sempre presente com a sua simpatia e o seu profissionalismo, o que não é muito frequente na concorrência. Dar a cara, para o bem e para o mal, é meio caminho andado para fidelizar clientes. Aliado a esta postura temos uma cozinha de qualidade, preferencialmente alentejana, a preços sensatos. Comi um arroz de perdiz já desossada imperdível.
Carta de vinhos com uma boa selecção, bons copos, bom serviço e temperaturas adequadas. Apenas um aspecto a corrigir : oferta de vinhos a copo diminuta.
Bebi o Herdade das Servas (uma das marcas alentejanas mais consistentes) Touriga Nacional 05. Aroma muito floral, taninos ainda presentes mas macios, bom final de boca. Atingiu o seu apogeu e não vale a pena continuar a guardá-lo. Nota 16,5+.
Recomendo esta casa que já é uma referência em Lisboa.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

E já lá vão mais de 100 anos

Desde que foi organizado em 1909, pela Sociedade Propaganda de Portugal, o 1º Curso de Formação Profissional para empregados de hotel, com uma duração teórica de 6 meses, acrescida de outros tantos de prática. É curioso saber, há distância de 100 anos, que disciplinas eram ministradas (respeitei a ortografia da época) e em quantas horas semanais (a indicar entre parêntesis).
1ª Francez (7,5)
2ª Inglez (4,5)
3ª Calligraphia e Dactylographia (2)
4ª Serviço de Informações (entenda-se locais de interesse turístico, monumentos, termas, praias, alojamentos, transportes e respectivos horários, tarifas postais, etc) (2)
5ª Víveres e Culinária (6)
6ª Serviço de Hotel (6)
Esta curiosa informação pode ser vista no decorrer da exposição VIAJAR Viajantes e Turistas à Descoberta de Portugal, patente num dos Torreões do Terreiro do Paço, e integrada nas Comemorações do Centenário da Implantação da República. No outro Torreão pode ser visto CORPO Estado, Medicina e Sociedade no Tempo da I República. A exposição principal Viva a República! 1910-2010 encontra-se na Cordoaria. São ainda visitáveis as exposições POVO-PEOPLE no Museu da Electricidade e O Jogo da Política Moderna (Desenho Humorístico e Caricatura na I República) nos Paços do Conselho. Estão todas muito bem organizadas, são didáticas e recomenda-se a sua visita.
Voltando à formação dos empregados de hotel, constatamos que nas 24 horas semanais, nem 1 minuto se dedicava aos vinhos e seu serviço. Imagino que houvesse pouco conhecimento vitivinícola e que o serviço de vinhos fosse um desastre. Mas, decorridos 100 anos como estamos? Continuamos mal : os profissionais da restauração, salvo algumas honrosas excepções, têm pouca ou nenhuma formação e não cumprem os mínimos no serviço de vinhos. Os responsáveis não investem e ter um escanção é um verdadeiro luxo!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Almoço no Nectar

O Nectar é um restaurante wine bar e fica na Rua dos Douradores, em Lisboa.
Para quem se intitula de wine bar, a lista de vinhos é curta, embora a selecção, situada na gama média seja interessante. De qualquer modo, ficaria bem incluirem 2 ou 3 vinhos de referência. Por outro lado, para um wine bar, a oferta de vinho a copo é manifestamente insuficiente : meia dúzia de referências! Mais grave ainda, os tintos estão todos à temperatura ambiente! Os copos são adequados à função, mas a quantidade é a olho. Serviço atrapalhado sem cumprir os mínimos.
Bebi, ou melhor, fui obrigado a beber um branco (os tintos estavam todos quentes, como já disse). Avançou o Qtª do Perdigão Reserva 09 (Dão). É uma boa estreia deste produtor de tintos. Aroma discreto, fruta (melão?)algo tapada pela madeira, boa acidez, volume e final de boca acima da média. Um vinho com personalidade. Nota 16,5.
Em conclusão, ou melhoram o serviço de vinhos ou retiram o "wine bar" do nome do restaurante.

domingo, 22 de agosto de 2010

Almoço na Maria Pimenta

Este restaurante fica na antiga Fábrica da Pólvora, em Barcarena, um espaço recuperado há já alguns anos com muito bom gosto. O meio envolvente também é espectacular. É dos sítios mais agradáveis que conheço para passear e para se estar, o ideal para quem tenha crianças pequenas ou mais crescidas. Infelizmente o restaurante não está à altura. Ementa curta e pouco interessante, apresentada numa ardósia (se fica bem na Taberna 2780, neste espaço é de mau gosto), guardanapos de papel o mais foleiros que se possa imaginar, lista de vinhos totalmente desinteressante e sem datas de colheita, alguns (poucos) a copo. Os copos postos na mesa eram fracos, mas vislumbrei outros aceitáveis num expositor. Bebi àgua, pois claro!
Numa outra sala, mais ou menos reservada, tanto os copos como os guardanapos eram francamente melhores. Seria a sala dos amigos da C.M.Oeiras?
Não tem Visa e o MB não funcionava (por acaso levava dinheiro comigo; e se não levasse? aquilo fica no meio do deserto...). Só desgraças !
Ó Dr. Isaltino, assim fica mal na fotografia!

Pedro Garcias, um crítico emergente

Já na crónica de 20/4 no meu Blog, "Pedro Garcias, um nome a reter", tinha chamado a atenção deste colunista do Público. Já está, seguramente, na linha da frente, não só pelas equilibradas críticas de vinhos que tem feito semanalmente no Fugas, como também por artigos de opinião ponderados mas igualmente desassombrados. É o caso do Comentário publicado no Fugas de ontem, "Sulfitos,dores de cabeça e a tentação comercial da CARM", a não perder.
Este assunto, o vinho sem sulfitos, foi tema no Forum da Revista de Vinhos, mas rapidamente foi desviado para estéreis discussões laterais. O PG teve a virtude de o repor.
Nota - ainda não tive a oportunidade de provar o vinho em causa (CARM Touriga Nacional 2009).

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Como vamos de vinhos nos Museus ?

A resposta, pelo menos em relação ao Museu Nacional de Arte Antiga, é : mal ! Os visitantes daquele espaço mereciam melhor. Este museu tem óptimas condições, nomeadamente o jardim com vista para o Tejo, onde se pode comer desde que o tempo esteja de feição.
A comida, fornecida por uma empresa da qual não consegui reter o nome, é aceitável, mas no que respeita aos vinhos é tudo mau. Não tem sequer lista de vinhos organizada, limita-se a meia dúzia de referências com pouco interesse, os copos praticamente sem pé são da treta, embora eu tivesse vislumbrado numa prateleira alguns aceitáveis ( questionado o empregado, respondeu-me que eram montra !? ), os tintos são servidos à temperatura ambiente (estariam à volta de 25º ! ). Só desgraças...
Ó Dra Gabriela Canavilhas, então não pensaram que uma boa parte dos visitantes é estrangeira, que vem beber um pouco da nossa cultura ? E que acabam por beber, também, zurrapas ainda por cima em caldo ? Francamente...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Almoço n' A Commenda

Aos Domingos este restaurante do CCB, com uma situação invejável e talvez a melhor sala de visitas para quem vá a Lisboa, serve uma espécie de bufete de peixe, bem servido e a preço convidativo. Eu esclareço, o bufete é para as entradas e saladas frias, os queijos, os doces e a fruta. O peixe (2 tipos do dito e camarão gigante) vem para a mesa acabado de grelhar.
A Commenda tem tudo para agradar, bom ambiente, decoração simples e de bom gosto, bons copos, serviço profissional, controlo cuidado das temperaturas , etc.
A carta de vinhos tem uma boa selecção de néctares nacionais e estrangeiros, todos datados e inclui uns tantos que podem ser servidos a copo (12 cl). Como reparos, saliento os preços elevados dos vinhos e algumas referências sem stock.
Levei o espumante Vértice Gouveio 04 - muito fechado no nariz, melhor na boca, boa acidez, bolha fina, óptimo para acompanhar entradas. Nota 16.
Um casal amigo levou o Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 08 - um branco de respeito, aroma intenso e complexo, sente-se o abaunilhado da madeira sem excesso, belíssima acidez, algo encorpado e bom final de boca. Nota 17,5.
Em conclusão, uma tarde bem passada num local de 5 estrelas !

domingo, 15 de agosto de 2010

Fisiologia do Gosto, de Brillat-Savarin (II)

Completando a abordagem a este delicioso livro, passo a transcrever algumas afirmações sobre a gastronomia em geral e os gastrónomos.
. (...) A gastronomia é a preferência apaixonada, racional e habitual por todos os objectos que agradam ao paladar. A gastronomia é inimiga do excesso; qualquer homem que tenha uma indigestão ou que se embebede, corre o risco de ser excluido da classe dos gastrónomos (...) (p 107).
. (...) Uma série de observações exactas e rigorosas demonstrou que um regime suculento, delicado e cuidadoso, retarda por muito tempo as aparências exteriores da velhice (...) (p 109).
. (...) É também a gastronomia que motiva os esforços que qualquer anfitrião deve fazer para receber bem os seus convidados, assim como o reconhecimento destes, quando percebem que se preocuparam em servi-los bem. É aqui o local apropriado para amaldiçoar para sempre esses estúpidos comilões que devoram com a maior indiferença as iguarias mais requintadas, ou que despejam goela abaixo, com uma distracção sacrílega, um néctar límpido e odorífero (...) (p 110)
. (...) as mesas fartas estão longe de prejudicar a saúde, e em igualdade de circunstâncias, os gastrónomos vivem mais tempo do que os outros (...) (p 117).
Apoiado, digo eu !