domingo, 1 de agosto de 2010

Entender de Vinho, de João Afonso. Um livro acabado à pressa ?

O João Afonso (JA), com este livro editado por A Esfera dos Livros, em Junho de 2010, junta-se ao José Salvador e ao João Paulo Martins como divulgador de vinhos (ver crónica Críticos e Divulgadores de Vinhos, publicada neste Blog em 20 de Abril). Segundo o autor "É um livro de consulta, de partilha e entendimento entre o vinho e o seu consumidor. Aborda inúmeros temas da produção e consumo deste produto primário na origem e quantas vezes ambrósia(?) no destino. É um livro ao serviço do vinho e de quem o aprecia.(...)".
É, também, um livro ambicioso, digo eu, ao abarcar, em pouco mais de 200 páginas, assuntos tão diversos como :
.A História do Vinho
.Os Vinhos Portugueses
.A Produção do Vinho - da Vinha à Maturação
.Grandes Marcas de Grandes Vinhos
.A Degustação do Vinho - da Compra à Mesa
.Defeitos do Vinho
.Saúde e Vinho
É uma intenção louvável, mas prejudicada por algumas omissões (a mais grave é a que diz respeito aos enólogos) e falta de rigor nalgumas informações, nomeadamente no Anexo Garrafeiras.
Vou, então, tentar ser o mais objectivo possivel, de modo a que o título desta crónica faça algum sentido.
1. No capítulo Profissionais do Vinho, o JA apresenta a sua lista dos Principais Enólogos, a qual omite alguns dos grandes criadores dos vinhos portugueses. Só a pressa de pôr o livro cá fora justifica o injustificável.
Foram esquecidos Alvaro de Castro, António Luis Cerdeira, António Saramago, Carlos Campolargo, Celso Pereira, Francisco Albuquerque, Francisco Montenegro, Francisco Olazabal, João Brito e Cunha, José Maria Soares Franco, Luis Pato, Luis Seabra, Orlando Lourenço, Paulo Ruão, Pedro Baptista, Rita Ferreira, Rui Madeira, Susana Esteban, Virgílio Loureiro, ... E quanto a grupos falhou a Global Wines (equipa liderada por Carlos Lucas) e os enólogos principais do grupo João Portugal Ramos (Mário Andrade e Perry Vidal).
2. Contrariamente ao que fez noutros itens (Empresas e produtores mais prestigiados, Principais Enólogos e Someliers mais conhecidos) não há nenhum nome no capítulo Jornalistas e Críticos de Vinhos. Porque não assumiu ?
3. No capítulo Grandes Marcas de Grandes Vinhos e no que se refere a candidatos a Grande Marca, as omissões mais gritantes são a dos espumantes (a marca Vértice não merece ?) e das Regiões Tejo/Ribatejo, Lisboa/Estremadura e Palmela/Terras do Sado (então não há aqui grandes vinhos, incluindo alguns que o JA classificou com nota alta ?).
Finalmente e dentro do mesmo capítulo, os vinhos generosos esgotam-se nos Portos e Moscateis ? Então e os Madeiras ? Grande injustiça !
4. A escolha feita para Uma Possivel Garrafeira Ideal não contempla nenhum branco do Dão e de Bucelas (a única região só para brancos !)
5. No anexo Garrafeiras constam algumas desaparecidas desde há anos, diria desde o século passado (o Espírito do Vinho e a Torres & Brinkman) e outras omitidas sem que se perceba porquê (Tasca do Joel, Wine Company, Wine o'Clock, Veneza e Venha à Vinha) ! Algumas destas têm sido referidas na própria Revista de Vinhos e, inclusivé, uma delas foi premiada a Garrafeira do Ano ! Ó João Afonso, estava mesmo distraido !
Em conclusão, um bom projecto a que não foi dado o devido cuidado. A minha recomendação : se houver uma 2ª edição do livro, e espero que sim, não haja pressa em pô-la cá fora !

3 comentários:

  1. Aconselho a ler melhor o livro e aprender um pouco mais sobre o assunto dos vinhos. Se JA o escreveu o que escreveu é por sabe o que está a dizer ( ao contrário do Francisco Cunha que não tem noção da quantidade de asneiras que escrever no texto acima).
    E não, o livro não foi escrito à pressa.
    Inês S.

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  2. Não costumo responder a provocações, mais a mais anónimas.

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