quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Grupo de Prova dos 3+4 (4ª sessão)

A bem dizer este grupo funcionou mais como 3 (Juca, João Quintela e eu) + 2 (Raul Matos e Rui Rodrigues, membros efectivos) + 1 (José Rosa, convidado).
O almoço foi na Enoteca de Belém (Trav. Marta Pinto, entre os pasteis e a CGD). Não sendo propriamente um restaurante - é um wine bar, serve jantares e almoços, desde que se combine com 2 ou 3 dias de antecedência. A garantia é dada pelo Nelson nos tachos e pelo Ângelo na sala, dois excelentes profissionais, como foi já aqui referido (ver crónicas de 21/4 e 2/7).
Com excepção do espumante Qtª de Bageiras Reserva 04, simpática oferta da casa, a acompanhar um tártaro de salmão, os restantes 8 vinhos,todos provados às cegas, eram da minha garrafeira.
A escolha recaíu em 2 brancos da excelente colheita de 2007, que acompanharam um carpaccio de novilho e 4 tintos de 2006, um ano mal amado entre nós (para baralhar o pessoal incluí um espanhol entre 2 do Douro e 1 do Dão), que fizeram frente a uma monumental posta de bacalhau à lagareiro.
Seguem notas telegráficas da minha responsabilidade.
.Soalheiro Alvarinho Reserva, já aqui comentado anteriormente - nariz exuberante, muito tropical, um ligeiro toque oxidativo, acidez suficiente a equilibrar a gordura, final longo. Nota 18 (noutras situações 17+/18,5/18/17+/18).
.Gouvyas Reserva, provado pela 1ª vez - aroma austero, notas florais, alguma acidez, madeira ainda demasiado presente a precisar de tempo de garrafa, bom final. Nota 16.
.Aneto Grande Reserva, seguramente o melhor tinto português de 2006, - algumas notas florais, muito mineral, boa acidez, taninos presentes mas domados, bom final de boca, todo ele muito elegante. Perfeito! A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5.
.Aalto (Ribera del Duero) - ainda com muita fruta, apelativo, taninos redondos, bom volume de boca, final persistente. Imponente! Nota 18 (noutra situação 18,5).
.Pellada Carrocel, o topo de gama do Alvaro de Castro - nariz complexo, notas de especiarias, tabaco, chocolate, boa acidez, final longo. Nota 17,5.
.Qtª da Foz, o elo mais fraco - prejudicado por um ligeiro toque de rolha, melhor na boca, boa estrutura e acidez, final persistente. Nota 16.
.Graham's Vintage 94 (o ano mágico), com os queijos - nariz preso (ainda não teria saído da fase estúpida?), boca espectacular e de grande potência, final muito longo. Nota 18.
.Blandy Bual 77 (engarrafado em 2009), com strudel de maçã - depois de se beber este vinho, a boca fica completamente arrumada e o aroma paira na sala tempos infinitos. Está tudo dito. Nota 18,5.
Grande jornada, companheiros!

3 comentários:

  1. Totalmente de acordo.Apenas uma pequena nota para dizer que o Vintage me surpreendeu apresentando-se muito acima do celebre Fonseca 94 (100 pontos)que levaste num dos últimos Jantares.Não posso deixar de dizer tambem OBRIGADO Xico.

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  2. Grande jornada! Já tinha saudades destas " reuniões enófilas". Em relação a esta prova, a surpresa foi o ano, 2006, ano tão díficil, mas com algumas preciosidades e apareceu mais uma, Aneto Grande Reserva 2006, grande vinho. Em relação aos outros, menção especial aos "do costume", vinhos que mais um ou menos um pormenor,são certezas confiáveis, o Soalheiro Reserva, o Aalto 2006, Graham's Vintage 1994, Blandy Bual 1977. Estes 2 últimos, um verdadeiro prazer. Obrigado, Francisco.

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