sábado, 11 de dezembro de 2010

Núcleo Duro (continuação)

O repasto foi iniciado com uma mousse de fois gras com cebola confitada e um paté de atum, tudo feito em casa por este casal de gourmets. Estavam ambos excelentes. Acompanhou um vinho de aperitivo, levado pelo Juca : Tio Pepe Palomino Fino (Jerez) - excessivamente seco, direi algo agressivo, direccionado ao palato dos andaluzes, que não ao nosso. Nem todos apreciaram.
Com uns lombos de corvina com crosta de ervas aromáticas desfilaram os 4 brancos :
.Aneto 07 - aroma inicialmente fechado foi abrindo ao longo da prova, citrinos, algum tropical, madeira fina, gordo na boca, acidez a compensar, final longo. Pede pratos gastronómicos, como foi o caso. Um dos bons brancos portugueses que tem vindo a crescer. Nota 17,5+ (noutras situações 16,5+/17,5/17+/17).
.Bétula 09 - aroma exuberante, acentuadamente floral, prima pela finura e elegância, acentuada acidez e bom final de boca. Está uns furos acima do 08. Nota 17.
.Castelo d'Alba 09 - este branco era o joker, muito mineral e fresco na boca, um vinho para todo o ano com excelente relação preço/qualidade. Nota 16,5.
.Qtª Foz de Arouce 08 - nariz afirmativo, fruta madura, notas de petróleo, madeira ainda presente, um pouco plano na boca. Desiludiu em relação a provas anteriores. Nota 16 (noutras 17/16,5).
Seguiu-se um belo naco de lombinho de porco com castanhas, cogumelos e tomate seco, acompanhado por 4 tintos, todos de 2005, com excepção do joker :
.Chateau de Pressac (Saint Emilion) - aroma intenso, muito floral, fino, excelente acidez, taninos bem presentes, profundidade, bom final de boca. Este Bordéus convenceu-me! Nota 18,5.
.Vinhas da Ira - nariz afirmativo, floral, acidez pronunciada, taninos redondos, todo ele elegante e equilibrado. O Alentejo no seu melhor! Nota 17,5+.
.Chryseia - ainda com fruta, algumas notas vegetais, boa acidez, corpo e final de boca medianos. Má relação preço/qualidade. Nota 16,5 (noutra 16).
.Castelo d'Alba 08 - algo vegetal, acidez q.b., alguma rusticidade, pouco harmonioso,corpo e final medianos. De qualquer modo razoável relação preço/qualidade. Nota 15,5.
Nos finalmentes havia queijos e doces em fartura, evidenciando-se uma imperdível panacotta com frutos silvestres. Acompanharam :
.Niepoort Vintage 97 (trazido por mim) - alguma polémica com este Vintage, a começar pela rolha toda encharcada, acidez volátil muito elevada e um ataque inicial na boca desagradável, no entanto boca poderosa e final longo.Possivelmente ainda não saiu da fase estúpida e/ou foi prejudicado pelo mau estado da rolha. Nota 17.
.Cossart Bual 69 (trazido pelo Juca) - nariz discreto, especiarias, iodo, acidez, boca potente, final interminável. Muito bom sem atingir a excelência dos 64 e 77. Nota 17,5+.
Grande jornada! Obrigado Pedro e Ana pelo repasto, por nos terem recebido na vossa casa e por terem partilhado o vosso amor connosco!

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