terça-feira, 31 de agosto de 2010

Almoço no Vinho em Qualquer Circunstância

Já conhecia este restaurante, que faz parte da selecção dos Amigos do Vinho, e confirmo :
.Pontos fortes
.carta de vinhos extensa e bem seleccionada
.preços imbatíveis
.bons copos (Riedel)
.armários térmicos em profusão, embora tivesse ficado na dúvida quanto às temperaturas
.serviço profissional
.Pontos fracos
.vinhos a copo reduzidos ao mínimo, o que é indesculpável neste espaço que também funciona como wine bar
.à falta de uma, duas televisões ligadas (!?)
Bebeu-se a copo um branco das Rias Baixas, Davide Alvarinho (sic) 08, estagiado em madeira. Aroma discreto, muito mineral, gordo na boca, boa acidez a equilibrar, bom final de boca. Tanto o rótulo como o contra-rótulo estavam em português, a pedido do restaurante. Nota 16+.

Adega dos Frades, a surpresa

A Adega dos Frades é o restaurante do Hotel Villa Batalha (4*) inaugurado em 2009 e do qual não tinha qualquer referência. O Villa Batalha é um bonito e confortavel hotel e o seu restaurante, com o Carlos Rafael (ex - Vinho em Qualquer Circunstância) na sala e o chefe Miguel Silva nos tachos, um deslumbramento. Além de uma cozinha moderna e imaginativa, o restaurante tem uma excelente carta de vinhos, toda datada, com quase tudo do melhor que se faz por cá e a preços cordatos. Bons copos, temperaturas controladas e serviço muito profissional são as restantes mais valias. Um único senão, que vai sendo regra geral : o vinho a copo está praticamente ausente.
De qualquer modo deveria ser incluído na lista dos restaurantes Amigos do Vinho (à atenção da Revista de Vinhos).
Bebeu-se o PAPE 07, muito fino e elegante, com muito boa madeira, ainda frutado, notas de tabaco, chocolate, especiarias, taninos presentes sem agressividade, excelente acidez, final longo. Nota 18.
No final da refeição foi-nos oferecido um belíssimo Rozés 10 Anos.
Qualidade e simpatia, em resumo.

Sabores de Itália, a confirmação

Nova visita a este espaço de grande qualidade veio confirmar os elogios tecidos na minha crónica de 13/6. Uma boa notícia : a carta de vinhos já está organizada (óptima selecção, as novidades especiais foram contempladas, tudo datado, preços não especulativos). Bom serviço (mantém-se o profissionalismo dos sempre presentes Norberto/Maria João e respectiva equipa), temperaturas adequadas e copos de qualidade. É pena faltarem os vinhos a copo mas, dizem-me, a clientela do restaurante ainda não aderiu.
Já deveria ter entrado para a lista dos restaurantes Amigos do Vinho, actualizada mensalmente pela Revista de Vinhos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Jantar no Salsa & Coentros

Este restaurante tem uma mais valia : o dono, José António Duarte de seu nome, está sempre presente com a sua simpatia e o seu profissionalismo, o que não é muito frequente na concorrência. Dar a cara, para o bem e para o mal, é meio caminho andado para fidelizar clientes. Aliado a esta postura temos uma cozinha de qualidade, preferencialmente alentejana, a preços sensatos. Comi um arroz de perdiz já desossada imperdível.
Carta de vinhos com uma boa selecção, bons copos, bom serviço e temperaturas adequadas. Apenas um aspecto a corrigir : oferta de vinhos a copo diminuta.
Bebi o Herdade das Servas (uma das marcas alentejanas mais consistentes) Touriga Nacional 05. Aroma muito floral, taninos ainda presentes mas macios, bom final de boca. Atingiu o seu apogeu e não vale a pena continuar a guardá-lo. Nota 16,5+.
Recomendo esta casa que já é uma referência em Lisboa.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

E já lá vão mais de 100 anos

Desde que foi organizado em 1909, pela Sociedade Propaganda de Portugal, o 1º Curso de Formação Profissional para empregados de hotel, com uma duração teórica de 6 meses, acrescida de outros tantos de prática. É curioso saber, há distância de 100 anos, que disciplinas eram ministradas (respeitei a ortografia da época) e em quantas horas semanais (a indicar entre parêntesis).
1ª Francez (7,5)
2ª Inglez (4,5)
3ª Calligraphia e Dactylographia (2)
4ª Serviço de Informações (entenda-se locais de interesse turístico, monumentos, termas, praias, alojamentos, transportes e respectivos horários, tarifas postais, etc) (2)
5ª Víveres e Culinária (6)
6ª Serviço de Hotel (6)
Esta curiosa informação pode ser vista no decorrer da exposição VIAJAR Viajantes e Turistas à Descoberta de Portugal, patente num dos Torreões do Terreiro do Paço, e integrada nas Comemorações do Centenário da Implantação da República. No outro Torreão pode ser visto CORPO Estado, Medicina e Sociedade no Tempo da I República. A exposição principal Viva a República! 1910-2010 encontra-se na Cordoaria. São ainda visitáveis as exposições POVO-PEOPLE no Museu da Electricidade e O Jogo da Política Moderna (Desenho Humorístico e Caricatura na I República) nos Paços do Conselho. Estão todas muito bem organizadas, são didáticas e recomenda-se a sua visita.
Voltando à formação dos empregados de hotel, constatamos que nas 24 horas semanais, nem 1 minuto se dedicava aos vinhos e seu serviço. Imagino que houvesse pouco conhecimento vitivinícola e que o serviço de vinhos fosse um desastre. Mas, decorridos 100 anos como estamos? Continuamos mal : os profissionais da restauração, salvo algumas honrosas excepções, têm pouca ou nenhuma formação e não cumprem os mínimos no serviço de vinhos. Os responsáveis não investem e ter um escanção é um verdadeiro luxo!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Almoço no Nectar

O Nectar é um restaurante wine bar e fica na Rua dos Douradores, em Lisboa.
Para quem se intitula de wine bar, a lista de vinhos é curta, embora a selecção, situada na gama média seja interessante. De qualquer modo, ficaria bem incluirem 2 ou 3 vinhos de referência. Por outro lado, para um wine bar, a oferta de vinho a copo é manifestamente insuficiente : meia dúzia de referências! Mais grave ainda, os tintos estão todos à temperatura ambiente! Os copos são adequados à função, mas a quantidade é a olho. Serviço atrapalhado sem cumprir os mínimos.
Bebi, ou melhor, fui obrigado a beber um branco (os tintos estavam todos quentes, como já disse). Avançou o Qtª do Perdigão Reserva 09 (Dão). É uma boa estreia deste produtor de tintos. Aroma discreto, fruta (melão?)algo tapada pela madeira, boa acidez, volume e final de boca acima da média. Um vinho com personalidade. Nota 16,5.
Em conclusão, ou melhoram o serviço de vinhos ou retiram o "wine bar" do nome do restaurante.

domingo, 22 de agosto de 2010

Almoço na Maria Pimenta

Este restaurante fica na antiga Fábrica da Pólvora, em Barcarena, um espaço recuperado há já alguns anos com muito bom gosto. O meio envolvente também é espectacular. É dos sítios mais agradáveis que conheço para passear e para se estar, o ideal para quem tenha crianças pequenas ou mais crescidas. Infelizmente o restaurante não está à altura. Ementa curta e pouco interessante, apresentada numa ardósia (se fica bem na Taberna 2780, neste espaço é de mau gosto), guardanapos de papel o mais foleiros que se possa imaginar, lista de vinhos totalmente desinteressante e sem datas de colheita, alguns (poucos) a copo. Os copos postos na mesa eram fracos, mas vislumbrei outros aceitáveis num expositor. Bebi àgua, pois claro!
Numa outra sala, mais ou menos reservada, tanto os copos como os guardanapos eram francamente melhores. Seria a sala dos amigos da C.M.Oeiras?
Não tem Visa e o MB não funcionava (por acaso levava dinheiro comigo; e se não levasse? aquilo fica no meio do deserto...). Só desgraças !
Ó Dr. Isaltino, assim fica mal na fotografia!

Pedro Garcias, um crítico emergente

Já na crónica de 20/4 no meu Blog, "Pedro Garcias, um nome a reter", tinha chamado a atenção deste colunista do Público. Já está, seguramente, na linha da frente, não só pelas equilibradas críticas de vinhos que tem feito semanalmente no Fugas, como também por artigos de opinião ponderados mas igualmente desassombrados. É o caso do Comentário publicado no Fugas de ontem, "Sulfitos,dores de cabeça e a tentação comercial da CARM", a não perder.
Este assunto, o vinho sem sulfitos, foi tema no Forum da Revista de Vinhos, mas rapidamente foi desviado para estéreis discussões laterais. O PG teve a virtude de o repor.
Nota - ainda não tive a oportunidade de provar o vinho em causa (CARM Touriga Nacional 2009).

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Como vamos de vinhos nos Museus ?

A resposta, pelo menos em relação ao Museu Nacional de Arte Antiga, é : mal ! Os visitantes daquele espaço mereciam melhor. Este museu tem óptimas condições, nomeadamente o jardim com vista para o Tejo, onde se pode comer desde que o tempo esteja de feição.
A comida, fornecida por uma empresa da qual não consegui reter o nome, é aceitável, mas no que respeita aos vinhos é tudo mau. Não tem sequer lista de vinhos organizada, limita-se a meia dúzia de referências com pouco interesse, os copos praticamente sem pé são da treta, embora eu tivesse vislumbrado numa prateleira alguns aceitáveis ( questionado o empregado, respondeu-me que eram montra !? ), os tintos são servidos à temperatura ambiente (estariam à volta de 25º ! ). Só desgraças...
Ó Dra Gabriela Canavilhas, então não pensaram que uma boa parte dos visitantes é estrangeira, que vem beber um pouco da nossa cultura ? E que acabam por beber, também, zurrapas ainda por cima em caldo ? Francamente...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Almoço n' A Commenda

Aos Domingos este restaurante do CCB, com uma situação invejável e talvez a melhor sala de visitas para quem vá a Lisboa, serve uma espécie de bufete de peixe, bem servido e a preço convidativo. Eu esclareço, o bufete é para as entradas e saladas frias, os queijos, os doces e a fruta. O peixe (2 tipos do dito e camarão gigante) vem para a mesa acabado de grelhar.
A Commenda tem tudo para agradar, bom ambiente, decoração simples e de bom gosto, bons copos, serviço profissional, controlo cuidado das temperaturas , etc.
A carta de vinhos tem uma boa selecção de néctares nacionais e estrangeiros, todos datados e inclui uns tantos que podem ser servidos a copo (12 cl). Como reparos, saliento os preços elevados dos vinhos e algumas referências sem stock.
Levei o espumante Vértice Gouveio 04 - muito fechado no nariz, melhor na boca, boa acidez, bolha fina, óptimo para acompanhar entradas. Nota 16.
Um casal amigo levou o Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 08 - um branco de respeito, aroma intenso e complexo, sente-se o abaunilhado da madeira sem excesso, belíssima acidez, algo encorpado e bom final de boca. Nota 17,5.
Em conclusão, uma tarde bem passada num local de 5 estrelas !

domingo, 15 de agosto de 2010

Fisiologia do Gosto, de Brillat-Savarin (II)

Completando a abordagem a este delicioso livro, passo a transcrever algumas afirmações sobre a gastronomia em geral e os gastrónomos.
. (...) A gastronomia é a preferência apaixonada, racional e habitual por todos os objectos que agradam ao paladar. A gastronomia é inimiga do excesso; qualquer homem que tenha uma indigestão ou que se embebede, corre o risco de ser excluido da classe dos gastrónomos (...) (p 107).
. (...) Uma série de observações exactas e rigorosas demonstrou que um regime suculento, delicado e cuidadoso, retarda por muito tempo as aparências exteriores da velhice (...) (p 109).
. (...) É também a gastronomia que motiva os esforços que qualquer anfitrião deve fazer para receber bem os seus convidados, assim como o reconhecimento destes, quando percebem que se preocuparam em servi-los bem. É aqui o local apropriado para amaldiçoar para sempre esses estúpidos comilões que devoram com a maior indiferença as iguarias mais requintadas, ou que despejam goela abaixo, com uma distracção sacrílega, um néctar límpido e odorífero (...) (p 110)
. (...) as mesas fartas estão longe de prejudicar a saúde, e em igualdade de circunstâncias, os gastrónomos vivem mais tempo do que os outros (...) (p 117).
Apoiado, digo eu !

sábado, 14 de agosto de 2010

Fisiologia do Gosto, de Brillat-Savarin (I)

Este curioso livro, editado por Relógio d' Água em Janeiro deste ano, passou praticamente despercebido no meio gastrónomo. Que eu me apercebesse, apenas o Público se interessou por esta obra de Brillat-Savarin (ver o suplemento Ípsilon de 21 de Maio) , editada em 1825, uns meses antes da sua morte. O autor, parisiense, nascido em 1755, foi um homem dos 7 ofícios. Estudou direito, química e medicina, praticou advocacia, foi deputado e juiz do Supremo Tribunal em França. Pelo meio deu aulas de francês e violino nos EUA ! Mas do que ele gostava verdadeiramente era da gastronomia (teoria e prática). Este livro, a par de verdades irrefutáveis, tem alguns exageros e, também, afirmações delirantes. Não esqueçamos que tudo isto se passa há quase 200 anos !
Para provocar uma certa curiosidade em potenciais leitores, passo a transcrever algumas afirmações do autor, ficando ao critério de cada um concordar ou discordar de Brillat-Savarin.
1. Máximas sobre vinhos
. A ordem das bebidas deve ser das mais leves para as mais capitosas e para as mais perfumadas (p 34).
. Afirmar que não se deve mudar de vinhos é uma heresia. O paladar satura-se e, depois do terceiro copo, mesmo o melhor dos vinhos só consegue despertar uma sensação obtusa (p 34).
. (...) os verdadeiros apreciadores bebericam o vinho em pequenos goles. Fazendo um intervalo entre cada gole, desfrutam de um prazer que não teriam se bebessem o copo de uma só vez (p 49).
. O vinho, a mais amável das bebidas, quer a devamos a Noé, que plantou a vinha, quer a devamos a Baco, que extraiu o sumo da uva, data do início do mundo (p 102).
. O vinho de Champagne que tem efeitos excitantes no princípio torna-se entorpecente. Esta reacção de resto não é mais do que o efeito óbvio do gás ácido-carbónico que contém (p 115).
. Saboreia-se este prazer (da mesa) em quase toda a sua extensão, sempre que se reúnam as quatro condições seguintes : comida aceitável, bom vinho, convivas simpáticos e disponibilidade de tempo (p 124/5).
. (...) por mais requintada que seja uma refeição, (...) não há prazer à mesa se o vinho for de má qualidade, se os convidados forem mal escolhidos, se as fisionomias estiverem tristes e se a refeição for consumida à pressa ( p 125).
. (...) dividimos entre nós um prato de amêndoas amargas, cujas propriedades moderavam, de acordo com o que tinha ouvido dizer, os efeitos do vinho (p 198).
2. O consumo do vinho
. Bebeu-se à moda francesa, quer dizer, o vinho foi servido desde o começo da refeição : era um clarete forte excelente (...) (p 198).
. Depois do clarete, veio o Porto, depois do Porto o Madeira, com que nos entretivemos bastante tempo (...) (p 198).
. Depois do vinho, vieram as bebidas espirituosas, isto é, o rum, e o brandy, o uísque e a aguardente de framboesa (...) (p 199).
. (...) um champagne espumoso, a Malvasia da Madeira, os licores, criação do grande século (...) (p 215).
3. Alguns exageros
. (...) misturado com álcool, o açúcar dá licores espirituosos que, como é sabido, foram inventados para reanimar a velhice de Luis XIV, os quais, apoderando-se do paladar pelo seu efeito energético, e do olfacto pelos gases perfumados que contêm, formam actualmente o nec plus ultra dos prazeres do gosto (p 84/5).
. O café é uma bebida bem mais enérgica do que vulgarmente se julga. Um homem de boa constituição pode ter uma vida longa bebendo diariamente duas garrafas de vinho. O mesmo homem não conseguiria viver tanto se bebesse igual quantidade e café : enlouqueceria ou morreria de definhamento (p 87).
.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Grupo Pestana retalia

É assim que eu o entendo, só pode ser uma retaliação por parte do grupo Pestana. Passo a explicar, recebi um telefonema, ontem às 21h (!), da Pousada Santa Maria, em Queluz, na sequência de uma reserva feita para o almoço do próximo Domingo na Cozinha Velha, alertando-me para o facto de não ser permitido levar vinho de fora (são as regras da casa, disseram). O que não é verdade, pois já tinha sido anteriormente avisado que podia levar vinho comigo, sendo no entanto sujeito a pagamento de 5 € pelo serviço de rolha.
Só pode haver uma explicação lógica para esta contradição, alguém que não gostou do que escrevi no Blog em 21 de Junho retaliou! De facto afirmei nessa crónica " (...) a carta de vinhos é uma miséria (...) os anos de colheita foram omitidos, os preços inflacionados e não têm vinhos a copo.Os copos na mesa são maus e os bons só a pedido (...) O Grupo Pestana está ... a prestar um mau serviço (...)". Epílogo : perante esta retaliação, anulei a reserva feita para Domingo. Há mais restaurantes em Lisboa e arredores.
Moral da história : quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele !

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Petiscar na Tasca da Esquina

Nota alta para o Vitor Sobral e equipa (a Tasca funciona e bem sem o chefe presente, o que é um bom sinal). Penso que este é o caminho a seguir. Cozinha descomplicada mas, em simultâneo, criativa e com qualidade, boas doses e preços mais do que acessiveis, serviço eficiente e simpático. Uma aposta ganha. Um reparo : lista de vinhos curta e preços de alguns vinhos acima do que seria de esperar.
Nesta última visita desfilaram : sopa fria de tomate e ameixa, alhada de camarão, requeijão com pimentos e poejo, atum salteado com oregãos (excelente), figados de aves de escabeche com pera (excelente) e cogumelos gratinados.
Bons copos e selecção de vinhos a copo a condizer, serviço impecável. Bebeu-se o branco Luis Pato Vinhas Velhas 08, com base nas castas Cerceal, Cercealinho e Bical. Muito frutado, alguma complexidade dada pela madeira, boa acidez, equilibrado, final médio. Nota 16.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cozinha Velha revisitada

A qualidade gastronómica do bufete e o serviço, muito profissional, continuam em alta. Desta vez nem sequer foi necessário pedir bons copos. O empregado tinha boa memória e pô-los, de imediato, na mesa.
Levei um branco, o Altas Quintas 2008, para mim o vinho mais interessante deste produtor. Ligeira oxidação a dar-lhe complexidade, alguma fruta madura, notas tropicais, untuoso na boca, excelente acidez, bom final de boca. Um vinho com personalidade. Nota 17 (noutras situações 17/17).
E já que estou numa de brancos, bebi, recentemente e em família, 2 CARM 09 (Códega do Larinho e Rabigato), ambos de qualidade mas este último mais interessante, Herdade dos Grous 08 e o surpreendente Adega de Vila Real Reserva 08. Este com alguma exuberância e complexidade aromática, notas de citrinos, boa acidez, equilibrado e fresco, alguma persistência final e, sobretudo uma imbativel relação preço/qualidade. Notas 16/ 16,5/ 15,5+/ 16,5 respectivamente.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Um jantar no 27º andar

Foi no Panorama, o restaurante do Hotel Sheraton em Lisboa. É para ir uma vez na vida, pois os preços são elevadíssimos e não justificam a cozinha de autor do Leonel Pereira, aliás de grande qualidade, nem a vista sobre Lisboa, de cortar a respiração.
Pontos fortes :
. a vista, sempre
. o ambiente
. a inspiração e a segurança do chefe, patentes nos pratos provados
. o cuidado posto na garrafeira, situada num espaço transparente a temperatura controlada (faz lembrar a do Flor de Sal, em Mirandela)
. copos adequados
. serviço correcto e simpático
Pontos fracos :
. preços exorbitantes nalguns pratos e vinhos
. quantidades exíguas de alguns dos itens servidos
. lista de vinhos curta, atendendo a que estamos num hotel de referência
. pouca oferta de vinhos a copo
. omissão dos anos de colheita na maior parte dos vinhos (imperdoável)
Bebeu-se durante a refeição Morgado de Santa Catherina Reserva 2008, a copo, que desiludiu (madeira demasiado presente que o desequilibra). Nota 14,5.
Com a sobremesa, belíssima, avançou um Moscatel Alambre 20 Anos da JMF. Nariz extremamente complexo, com notas de citrinos, frutos secos, figos, mel, untuoso na boca e um final muito longo. Qualidade muito próxima de alguns dos grandes moscateis (Trilogia, 1960, 1971,...), com a vantagem de ter um preço acessivel. Nota 18.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Provas na Viniportugal

Vários cartazes à entrada anunciavam, para Agosto, provas de vinhos das Regiões Alentejo, Vinhos Berdes (sic!) e Bairrada. É claro que perguntei se a Viniportugal tinha aderido a um novo acordo ortográfico imposto pelo pessoal do Norte. Que não, fora apenas uma gralha. E os cartazes gralhados foram logo substituidos.
Estas provas são gratuitas e dirigem-se, prioritariamente aos turistas interessados nos nossos vinhos, o que é de louvar. Estavam à prova e estarão até ao final de Agosto cerca de 15 vinhos de cada uma das Regiões indicadas. Nenhum de 1ª linha, pareceu-me.
O espaço é muito agradável, bem decorado, confortável e com muita informação. Bons copos, temperaturas de serviço adequadas e apoio técnico feminino.
Na última 4ª feira de cada mês (Agosto excluido), também há provas de azeites. E segundo a Viniportugal "(...) Consumir azeite produzido em cooperativas é consumir um produto de grande qualidade". Afirmação no mínimo polémica. Ó senhores da Viniportugal, então os outros ?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Almoço n' A Margem

É um restaurante com uma magnífica esplanada, bem junto ao Tejo e paredes meias com o Hotel Altis Belém. Comida mais ou menos leve, à base de substanciais saladas, mas sempre com uma qualidade que não é habitual neste tipo de espaço. Um dos meus locais preferidos na zona de Belém.
Tem como mais valia o facto de se poder beber vinho a copo (1,4 dl). Lista curta, mas escolhida com critério, oferecendo algumas referências de brancos, tintos, rosés, espumantes e colheitas tardias. Como nota crítica a ausência das datas de colheita. Ó senhores Goliardos, é assim tão complicado ? Os clientes merecem a informação.
Bons copos, serviço impecável e temperaturas correctas, o que é uma boa surpresa.
Numa das últimas vezes bebi o tinto Vinha Paz 08. Muita fruta vermelha, algum corpo, acidez presente, muito fresco e bom final de boca. Nota 16,5.

domingo, 1 de agosto de 2010

Entender de Vinho, de João Afonso. Um livro acabado à pressa ?

O João Afonso (JA), com este livro editado por A Esfera dos Livros, em Junho de 2010, junta-se ao José Salvador e ao João Paulo Martins como divulgador de vinhos (ver crónica Críticos e Divulgadores de Vinhos, publicada neste Blog em 20 de Abril). Segundo o autor "É um livro de consulta, de partilha e entendimento entre o vinho e o seu consumidor. Aborda inúmeros temas da produção e consumo deste produto primário na origem e quantas vezes ambrósia(?) no destino. É um livro ao serviço do vinho e de quem o aprecia.(...)".
É, também, um livro ambicioso, digo eu, ao abarcar, em pouco mais de 200 páginas, assuntos tão diversos como :
.A História do Vinho
.Os Vinhos Portugueses
.A Produção do Vinho - da Vinha à Maturação
.Grandes Marcas de Grandes Vinhos
.A Degustação do Vinho - da Compra à Mesa
.Defeitos do Vinho
.Saúde e Vinho
É uma intenção louvável, mas prejudicada por algumas omissões (a mais grave é a que diz respeito aos enólogos) e falta de rigor nalgumas informações, nomeadamente no Anexo Garrafeiras.
Vou, então, tentar ser o mais objectivo possivel, de modo a que o título desta crónica faça algum sentido.
1. No capítulo Profissionais do Vinho, o JA apresenta a sua lista dos Principais Enólogos, a qual omite alguns dos grandes criadores dos vinhos portugueses. Só a pressa de pôr o livro cá fora justifica o injustificável.
Foram esquecidos Alvaro de Castro, António Luis Cerdeira, António Saramago, Carlos Campolargo, Celso Pereira, Francisco Albuquerque, Francisco Montenegro, Francisco Olazabal, João Brito e Cunha, José Maria Soares Franco, Luis Pato, Luis Seabra, Orlando Lourenço, Paulo Ruão, Pedro Baptista, Rita Ferreira, Rui Madeira, Susana Esteban, Virgílio Loureiro, ... E quanto a grupos falhou a Global Wines (equipa liderada por Carlos Lucas) e os enólogos principais do grupo João Portugal Ramos (Mário Andrade e Perry Vidal).
2. Contrariamente ao que fez noutros itens (Empresas e produtores mais prestigiados, Principais Enólogos e Someliers mais conhecidos) não há nenhum nome no capítulo Jornalistas e Críticos de Vinhos. Porque não assumiu ?
3. No capítulo Grandes Marcas de Grandes Vinhos e no que se refere a candidatos a Grande Marca, as omissões mais gritantes são a dos espumantes (a marca Vértice não merece ?) e das Regiões Tejo/Ribatejo, Lisboa/Estremadura e Palmela/Terras do Sado (então não há aqui grandes vinhos, incluindo alguns que o JA classificou com nota alta ?).
Finalmente e dentro do mesmo capítulo, os vinhos generosos esgotam-se nos Portos e Moscateis ? Então e os Madeiras ? Grande injustiça !
4. A escolha feita para Uma Possivel Garrafeira Ideal não contempla nenhum branco do Dão e de Bucelas (a única região só para brancos !)
5. No anexo Garrafeiras constam algumas desaparecidas desde há anos, diria desde o século passado (o Espírito do Vinho e a Torres & Brinkman) e outras omitidas sem que se perceba porquê (Tasca do Joel, Wine Company, Wine o'Clock, Veneza e Venha à Vinha) ! Algumas destas têm sido referidas na própria Revista de Vinhos e, inclusivé, uma delas foi premiada a Garrafeira do Ano ! Ó João Afonso, estava mesmo distraido !
Em conclusão, um bom projecto a que não foi dado o devido cuidado. A minha recomendação : se houver uma 2ª edição do livro, e espero que sim, não haja pressa em pô-la cá fora !

Para ler nas férias e deitar fora

É o que se deve fazer com o livro "Paixão Bordeaux" de Rosie Thomas, edição de Saída de Emergência (original em 1982, 1ª edição em 2009 e 2ª em 2010). Pertence ao género de literatura light, razoavelmente mal escrito, daria um bom guião para uma novela barata. O que nos conta ? Uma inglesa, jornalista de vinhos, embrulha-se com os produtores que vai entrevistar, um em Bordeus e outro em Napa Valey. Ponto positivo (único ?), a história desenvolve-se, em parte, com as vindimas em Bordeus como pano de fundo.
Já leu ? Já pode deitar fora !