terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cozido na Cozinha Velha

O bufete na Cozinha Velha mudou de formato. De generalista passou a especializado em cozido. Boa matéria prima e comida à descrição. Como se diz (dizia) na tropa, bom, abundante e bem confeccionado. O preço foi actualizado de 25 para 30 €. De resto tudo na mesma, bons copos, serviço de vinhos, a cargo do Paulo Cunha, muito profissional e carta de vinhos muito fraca.
Bebeu-se o Duorum Reserva 07, trazido por um amigo - côr muito viva, frutos vermelhos, taninos ainda agressivos apesar de decantado, bom final de boca, perfil clássico. É pedofilia bebê-lo tão jóvem. Nota 17,5.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O vinho os une.550 anos os separam.

No Museu Nacional de Arte Antiga, no âmbito da exposiçao " Primitivos Portugueses 1450-1550; O Século de Nuno Gonçalves", pode ser apreciado o quadro "Retrato do Homem do Copo de Vinho" de autor desconhecido e datado de 1460, pertencente ao Museu do Louvre. Conotado desde sempre com a escola francesa, passou a partir de determinada altura a ser atribuido a Nuno Gonçalves, o que muito nos honra. Observando o quadro constatamos que o copo é tipo copo de água, sem pé (nada de Riedel nem de Schott!), e tinha por perto um naco de pão e uma fatia de queijo curado (seria terrincho?).
550 anos depois, no inesquecível espectáculo "Final de Rascunho", na Culturgest, deparamos com o nosso Sérgio Godinho, entre músicas e canções, de copo de tinto na mão, mas sem pão nem queijo.
Um belo quadro e um grande espectáculo, com o vinho em pano de fundo!

domingo, 28 de novembro de 2010

Grupo de Prova 3+4 (5ª sessão)

Este grupo foi substancialmente alargado a +3 (Luis Paulo, Francisco Esteves e Juha Videman) e +1 (Rui Miguel, um dos fundadores do Núcleo Duro e animador do blog Pingas no Copo). Acabou por funcionar com 11 provadores, revelando alguma heterogeneidade. O encontro foi no restaurante Colunas, escolhido pelo Raul Matos que levou os vinhos (5 tintos em garrafa magnum e 3 fortificados). O tema escolhido foi um confronto (mais um) Douro/Ribera del Duero e os resultados, em relação a alguns dos vinhos provados, foram algo controversos, com o painel dividido ao meio.
Com um muito apreciado arroz de galo do campo, degladiaram-se :
.Qtª do Crasto Vinhas Velhas 00 - francamente evoluído (parecia ter mais alguns anos), floral, muito elegante, fresco, suave na boca, bom final. Nota 17+. Foi o vinho da discórdia, com alguns provadores a encontrar-lhe defeitos que, confesso, não os vislumbrei.
.Aalto PS 00 - aroma recatado, mais carregado na côr, taninos algo bicudos, pouco elegante e harmonioso, persistente. Desiludiu. Nota 16,5 (noutra situação 18,5).
Mais um confronto com um empadão de javali :
.Aalto PS 04 - aroma exuberante, fruta, notas de tabaco, chocolate e algum couro, acidez q.b., taninos bem presentes, final longo, todo ele harmonioso. Nota 18.
.Qtª do Crasto Vinha da Ponte 04 - aroma mais discreto, algumas notas vegetais, acidez q.b., taninos macios, bom final de boca. Desiludiu. Nota 17.
Mais um tinto, mas desta vez sem confronto :
.Qtª do Crasto T.Nacional 05 - aroma exuberante e complexo, fruta, especiarias, bela acidez, profundidade de boca, final longo. Pujança e harmonia. Perfeito! Nota 18,5.
Em final de refeição, foram provados Niepoort Colheita 76 (Nota 15,5), Krohn Colheita 68 (17) e FMA Bual 64 (17,5), todos motivo de controvérsia.
Controvérsias à parte foi mais uma grande jornada. Parabéns Raul.

sábado, 27 de novembro de 2010

Grupo de Prova dos 3 (9ª sessão)

Mais um almoço-prova cega dos 3, sendo os vinhos do João Quintela que escolheu o restaurante do Corte Inglês. Este espaço continua recomendável e já merecia ser considerado "amigo do vinho". Ó gentes da Revista de Vinhos, então?
Começámos pelo branco Churchill 09, que começou da melhor maneira a sua introdução neste tipo de vinho. Entrou por cima e produziu um dos brancos de outono/inverno mais interessantes que tenho provado ultimamente. Nariz algo austero, fruta madura mas boa acidez, madeira presente mas sem marcar o vinho, boa presença na boca. Infelizmente não ligou bem com a salada de lagosta com fruta tropical. Nota 17,5.
A acompanhar um pregado com um excelente risoto de cogumelos, avançaram 2 tintos com alguma idade :
.Esporão Reserva 94 - aroma complexo com notas de couro e tabaco, excelente acidez, profundidade de boca, taninos macios, elegante, bom final
Nota 18+.
.Tapada de Coelheiros 96 - aroma floral, alguma mineralidade, acidez q.b., taninos ainda com algumas arestas, bom final de boca. Nota 17,5.
Com a sobremesa provámos um "late harvest" austríaco, Lenz Mozer Prestige 05 que deu muito boa conta de si. Informaram-me que tem um preço muito acessível. Nota 17,5.
Mais uma boa jornada. Obrigado João!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sidónio de Sousa, Caves São João e Qtª das Bágeiras : a Bairrada clássica

Depois das provas e almoço no Luis Pato rumámos ao Sidónio de Sousa, onde fomos recebidos pelo produtor, pai e filho. Aliás, residência e adega coincidem geograficamente. A sala de visitas, que é também de provas, é um brinco e contrasta com o resto da adega. Foi neste espaço que nos serviram um lanche ajantarado, mas a fome já não era muita.
Confesso que os vinhos deste produtor, no passado, raramente me entusiasmaram; mas o problema deve ser meu uma vez que a crítica tem tecido os maiores encómios. Provámos 2 espumantes e 7 tintos da linha pura e dura, onde impera a Baga. Desfilaram, então, os espumantes Sidónio de Sousa 09 Rosé e 07 Branco e os tintos (também Sidónio de Sousa) 89 (Nota 15), 90 (16), 88 (10 e depois de decantado e muito arejado 12,5), 95 (17), 97 (14), Garrafeira 95 (16) e Garrafeira 97 (18). Este último foi, de facto, o que me encheu as medidas. Todos fossem assim!
Domingo, ainda de manhã, fomos visitar as Caves São João, um ícone da Bairrada. Parte considerável da adega e das caves de armazenagem do seu imenso espólio estão no sub-solo. Albergam, imaginem só, um stock de 1.300.000 garrafas. Não, não é engano, são mesmo um milhão e trezentas mil garrafas, mas nem todas certamente bebíveis! E todo aquele espaço a perder de vista, imaginem, está impecavelmente limpo. É um exemplo que se aplaude.
Provámos apenas 3 vinhos, não havendo tempo para mais. Foram 1 espumante Qtª Poço do Lobo 06, cuja relação preço/qualidade é imbatível (Nota 16,5), 1 branco Frei João Reserva 09(15) e 1 tinto Caves São João Reserva 07 (14).
Já com um considerável atraso chegámos à Qtª das Bágeiras (não fará muito sentido o acento no a, mas é assim que está registada a marca), onde nos esperava o produtor Mário Sérgio Nuno. Fomos recebidos principescamente, almoçámos muito bem (novo serviço do Mugasa que apresentou bacalhau à lagareiro e cabrito no forno, ambos com muita qualidade) e provámos ao longo da tarde (o almoço estendeu-se até à hora de jantar) 3 espumantes, 5 brancos e 4 tintos. Foi para mim e,creio, para o resto do grupo, o melhor lote de vinhos provados em toda a jornada. É de acrescentar que a maior parte dos vinhos foi servida em copos Riedel. Obrigado Mário Sérgio!
Voltando aos vinhos Qtª das Bágeiras, desfilaram os espumantes Reserva 90, Grande Reserva 03 e Reserva 07. No excelente lote de brancos estavam o Reserva 94 (a maior surpresa da jornada; nota 17,5) e os Garrafeiras 02 (17+), 04 (17,5+), 06 (16,5) e 08 (16,5). Quanto aos tintos provámos os Garrafeiras 05 (17), 04 (17+), 01 (grandioso, a merecer a nota mais alta de 18,5) e 94 (16). Finalmente, com as sobremesas mais uma garrafa de Blandy Bual 77, engarrafado em 2009, oferta nossa que o anfitrião adorou.
O Mário Sérgio é um ganhador, daí que fique bem a fotografia do José Mourinho com uma garrafa Qtª das Bágeiras na mão.

Luis Pato : a ponte entre o clássico e o moderno

Sábado, ao final da manhã, fomos revisitar a adega do Luis Pato, que fez questão em estar presente e ser ele a conduzir a visita e as provas. Foi um anfitrião à altura e estamos gratos por isso.
Na adega fizemos provas de casco, iniciadas com um lote de Tinto Cão e um de Touriga Nacional (são para lotear com Baga e engarrafar o conjunto como BTT, uma novidade a sair oportunamente). Terminámos com amostras de Vinha Barrosa e de Qtª do Ribeirinho Baga Pé Franco, que prevejo virem a ser excepcionais. Nota - todas as amostras eram de 2009.
Já na mesa, com um leitão servido pelo restaurante Mugasa (um dos poucos genuinos, a par do Vidal), provámos os espumantes Luis Pato Baga/Touriga Nacional 09, Cerceal/Bical 10 e Vinha Formal 08. Seguiram-se os tintos Vinhas Velhas 03 (Nota 16,5+), Vinhas Velhas 01 (17) e Vinha Barrosa 01 (18). Terminámos com o já famoso FMA Bual 64 (18,5), oferta nossa.

Campolargo : a Bairrada moderna

Foi, seguramente, o ponto mais alto da nossa jornada bairradina, o jantar servido em casa do simpático casal Campolargo (Carlos e Mª da Glória), onde aliás ficámos alojados nas noites de 6ª e sábado.
Para preparar o palato começámos por 2 espumantes, o Campolargo - cuja data de colheita não retive - e o entusiasmante CC e CP 07, elaborado a meias pelo Carlos Campolargo e pelo Celso Pereira (esclarecimento : devido à quantidade de vinhos provados, não me foi possível anotar sistematicamente as minhas impressões, limitando-me a hierarquizá-los, reflectindo assim os meus gostos, embora não o tivesse feito para a totalidade).
Com um empadão de peixe bebemos o surpreendente branco Pinote 07, elaborado em parceria com o Rui Cunha (Nota 16,5+). Seguiu-se-lhe uma excepcional lebre no forno, direi mesmo a lebre da minha vida (parabéns Mª da Glória!). Acompanharam 3 tintos, Campolargo CC (leia-se Castelão Nacional e Cabernet Sauvignon) 08 (Nota 16,5+), CC 04 (16,5) e Calda Bordaleza 07 (17). Com a avalanche de sobremesas (nota muito alta para o pudim de abóbora), bebemos o C.S.E. 40 Anos (engarrafado em 2009) e o Malvasia 1879, este último oferta nossa. (17 para ambos).
Foi uma grande jornada no "restaurante" Campolargo, com a Mª da Glória a dirigir os tachos e o Carlos na sala a orientar o serviço de vinhos. O nosso sentido agradecimento a ambos!
No dia seguinte tivemos a ocasião de visitar a moderna e impressionante adega. Do terraço, a vista daquele panorama super colorido é de cortar a respiração. Se eu fosse pintor era ali que gostaria de me instalar com os pincéis e o cavalete.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Almoço no Manjar do Marquês

A caminho da Bairrada fiz um desvio para Pombal e abanquei no Manjar do Marquês. Logo à entrada, pode ler-se num prato de barro esta frase de um anónimo "Se há lugares neste mundo onde se deve ir mais do que uma vez um deles, não tenho dúvidas, é o Manjar do Marquês". Concordo inteiramente. O restaurante tem 2 salas enormes onde se podem comer doses fartas de pratos de cozinha tradicional, simples mas bem confeccionados, sob orientação da D.Lurdes.
Na sala está o filho, Paulo Graça, a alma do negócio e muito orientado para a componente vinho. A lista, com tudo datado, é alargada e criteriosa, com uma série de vinhos de referência a preços de rebentar (bate,neste ponto, a Tasca do Joel e o .come). Tem bons copos, temperaturas adequadas (possui armários térmicos) e serviço a condizer. Merece ser considerado "Amigo do Vinho" (à consideração da Revista de Vinhos). Um único senão : ainda não apostou no vinho a copo. Praticamente está reduzido ao vinho recomendado, que na altura era o Contra-a-Corrente 07 do Campolargo - muita fruta vermelha, acidez q.b., redondo na boca, guloso! Nota 16. Custou 2,50 e a garrafa vale 8 €. Um achado, "...onde se deve ir mais do que uma vez...".

Fugas dia 27/11

O Fugas, que vai sair com o Público já no próximo sábado, é inteiramente dedicado ao Vinho. A comprar obrigatoriamente.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Uma grande jornada na Bairrada

Lá andei na Região mal amada, com um grupo de amigos, numa visita organizada pelo João Quintela (obrigado João!). 6ª feira jantar e alojamento no Campolargo, sábado provas e almoço no Luis Pato, provas e lanche ajantarado no Sidónio de Sousa, domingo provas nas Caves de São João, provas e almoço na Qtª das Bágeiras. 40 vinhos provados! Darei, oportunamente, notícia mais desenvolvida.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Caça no Assinatura

Embora sem atingir a excelência do menú de cogumelos, este jantar de caça teve boa nota. Foram 5 momentos criados pelo Henrique Mouro (canjinha de faisão, terrina de lebre, peitos de pombo fumados, perdiz com marmelos e castanhas e javali guisado) e uma sobremesa. Nota alta para a perdiz. Divinal!
Bebeu-se o Vinha Paz Reserva 04 (80% de Touriga Nacional e 19 meses em carvalho novo francês e americano) - floral, acidez pronunciada, boca poderosa, final longo. Está ainda um pouco bruto e com uma juventude invejável, a precisar de mais tempo de garrafa. A beber daqui a 5 a 7 anos. Nota 17,5+.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Vinhos em família (IV)

Provados há pouco tempo e deram-me :
1.Muita satisfação
.Batuta 04 - aroma algo preso, belíssima acidez, boca portentosa, boa madeira, grande harmonia, final de boca interminável. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18 (noutras situações 17+/18,5).
.Batuta 99 - muita côr para a idade, frutos vermelhos, especiarias, tabaco, acidez q.b., taninos presentes, boa profundidade de boca, final longo. Daria um doce a quem, às cegas, acertasse no ano. Em forma mais 3/4 anos. Grande surpresa! Nota 18+ (noutras 18/16,5).
2.Um grande desgosto
.Chryseia 01 - nem aroma nem taninos, final curto. Está moribundo. Paz à sua alma! Nota 10 (noutras 3 situações 17).

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Guia de Vinhos 2011, do Rui Falcão

Saíu em finais de Outubro o último Guia do Rui Falcão, sob a chancela da editora Clube Autor, que contempla 4200 vinhos provados e classificados. E, com este, já vão 8 guias, 4 em colectivo e outros 4 com autoria individual.É obra!
Sobre o autor, devo dizer que o conheço praticamente desde que foi lançado o projecto Coisas do Arco do Vinho, já lá vão 14 anos! Lembro-me do Rui Falcão sempre atento, de caderno de apontamentos e caneta na mão, quando participava nas apresentações e provas de vinhos organizadas pelas CAV. Durante algum tempo fez parte do nossso Painel de Prova Cega e chegámos a estar juntos em jantares-provas de vinhos, mutuamente convidados. Lembro-me, como se fosse hoje, o dia em que o Rui Falcão, acompanhado pelo Pedro Gomes e o Tiago Teles, nos foi oferecer o 1º guia dos 5 às 8.
Tenho por ele uma grande estima pessoal e elevada consideração profissional e institucional. Estou, pois, à vontade para o elogiar mas também para referir um ponto ou outro susceptivel de crítica, segundo a minha óptica.
Em relação aos 4200 vinhos provados, ficamos sem saber quantos e quais o foram em 2010 e em que anos se reportam os restantes. De qualquer modo, um trabalho gigantesco e hercúleo. Quanto aos vinhos estrangeiros, que têm um peso evidente, entre 25 a 30% do total, só interessarão à maior parte dos leitores aqueles que por cá se vendem, no que o guia é omisso.
De aplaudir a análise e reflexão feitas sobre as colheitas de 2007, 2008 e 2009. Simples, concisa e eficaz.
Quanto aos top's dos vinhos, chegava o Top Portugal, que integra todos os vinhos classificados com 17,5 (inclusivé) para cima. Os top's das Regiões pouco adiantam, pois duplicam os melhores classificados e incluem vinhos com 15,5, o que, para mim, não faz muito sentido.
A lista inserta no capítulo "comprar vinhos na net" é manifestamente insuficiente, pois em Portugal há uma série de lojas/garrafeiras de porta aberta ou simplesmente virtuais que também se dedicam a esse negócio. Sem ser exaustivo indico :
.Aromas Douro
.Corte Inglês
.Decanter Vinho
.Enoteca
.Estado Líquido
.Fim de Boca
.Garrafeira Nacional
.Loja do Vinho
.Lusa Wines
.Portuguese Wines Shop
.Wine O'Clock
.Velvet Bull
.Vini Turismo
.Vinho Web
Tenho a informação que também as CAV o farão a curto prazo.
Finalmente, um aspecto melindroso a referir, o facto do Rui Falcão comentar e pontuar os vinhos elaborados pela sua mulher, Susana Esteban, já com provas dadas no Douro, nomeadamente na Qtª do Crasto e na Qtª da Casa Amarela. Ele não esconde o facto, justiça lhe seja feita, e acrescenta "Sei que a circunstância não me tolda a apreciação (...)", mas sujeita-se a críticas escusadas.
Como conclusão desta crónica considero obrigatória a consulta deste guia, que com o do João Paulo Martins, são peças fundamentais para todos os enófilos, militantes ou não. O resto é paisagem.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Jantar de caça no Assinatura

Jantar temático de caça no Assinatura nos dias 16 e 17/11. São 6 momentos criados pelo Henrique Mouro. Preço 40 €. Obrigatório reservar.

Grupo de Prova dos 3+4 (4ª sessão)

A bem dizer este grupo funcionou mais como 3 (Juca, João Quintela e eu) + 2 (Raul Matos e Rui Rodrigues, membros efectivos) + 1 (José Rosa, convidado).
O almoço foi na Enoteca de Belém (Trav. Marta Pinto, entre os pasteis e a CGD). Não sendo propriamente um restaurante - é um wine bar, serve jantares e almoços, desde que se combine com 2 ou 3 dias de antecedência. A garantia é dada pelo Nelson nos tachos e pelo Ângelo na sala, dois excelentes profissionais, como foi já aqui referido (ver crónicas de 21/4 e 2/7).
Com excepção do espumante Qtª de Bageiras Reserva 04, simpática oferta da casa, a acompanhar um tártaro de salmão, os restantes 8 vinhos,todos provados às cegas, eram da minha garrafeira.
A escolha recaíu em 2 brancos da excelente colheita de 2007, que acompanharam um carpaccio de novilho e 4 tintos de 2006, um ano mal amado entre nós (para baralhar o pessoal incluí um espanhol entre 2 do Douro e 1 do Dão), que fizeram frente a uma monumental posta de bacalhau à lagareiro.
Seguem notas telegráficas da minha responsabilidade.
.Soalheiro Alvarinho Reserva, já aqui comentado anteriormente - nariz exuberante, muito tropical, um ligeiro toque oxidativo, acidez suficiente a equilibrar a gordura, final longo. Nota 18 (noutras situações 17+/18,5/18/17+/18).
.Gouvyas Reserva, provado pela 1ª vez - aroma austero, notas florais, alguma acidez, madeira ainda demasiado presente a precisar de tempo de garrafa, bom final. Nota 16.
.Aneto Grande Reserva, seguramente o melhor tinto português de 2006, - algumas notas florais, muito mineral, boa acidez, taninos presentes mas domados, bom final de boca, todo ele muito elegante. Perfeito! A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5.
.Aalto (Ribera del Duero) - ainda com muita fruta, apelativo, taninos redondos, bom volume de boca, final persistente. Imponente! Nota 18 (noutra situação 18,5).
.Pellada Carrocel, o topo de gama do Alvaro de Castro - nariz complexo, notas de especiarias, tabaco, chocolate, boa acidez, final longo. Nota 17,5.
.Qtª da Foz, o elo mais fraco - prejudicado por um ligeiro toque de rolha, melhor na boca, boa estrutura e acidez, final persistente. Nota 16.
.Graham's Vintage 94 (o ano mágico), com os queijos - nariz preso (ainda não teria saído da fase estúpida?), boca espectacular e de grande potência, final muito longo. Nota 18.
.Blandy Bual 77 (engarrafado em 2009), com strudel de maçã - depois de se beber este vinho, a boca fica completamente arrumada e o aroma paira na sala tempos infinitos. Está tudo dito. Nota 18,5.
Grande jornada, companheiros!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Garrafeiras em queda e concorrência mais ou menos desleal

Nos últimos 10 anos garrafeiras e lojas gourmet têm aparecido um pouco por todo o lado. Parecem cogumelos. Mas, como não há mercado para tantos pontos de venda, também vão fechando ou empurrando para a falência algumas das mais antigas. Recentemente fecharam as portas a Mourinha (lojas na Av.Roma e na João XXI), a Garrafeira de São Bento e a Diogo's (Funchal). Já há uns tantos anos projectos megalónomos, como O Espírito do Vinho (3 lojas) e a Gourmet Lamour não se aguentaram. E, mais recentemente, o império da Vinho e Coisas soçobrou. Pelo caminho, entre outras, também ficaram Vinha d'Arte, O Culto do Vinho e Corpo e Alma.
A concorrência, mais ou menos desleal, por parte de alguns produtores, distribuidores e, até, jornais e revistas, têm ajudado ao enterro. Nesta altura de proximidade com a quadra natalícia, também aparecem empresas-fantasma a anunciar os tradicionais cabazes, desaparecendo logo que as festas terminam. Não têm praticamente despesas, ao contrário das lojas de porta aberta,algumas das quais com custos fixos quase incomportáveis.
E, pasme-se, até a banca (concretamente o Millennium) tem uma promoção, até ao final do ano, de cabazes de Natal!
À reflexão de todos.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ainda o EVS 2010

Em aditamento à crónica anterior, ficaram por provar alguns dos melhores vinhos que lá se encontravam por os já conhecer das provas nas Coisas do Arco do Vinho que, aliás, vivamente se recomendam (4ª feiras, das 18h30 ás 20h). É o caso do Três Bagos Grande Escolha 07, Qtª La Rosa Reserva 08, Poeira 08, Pintas 08, Passadouro Reserva 08 e Qtª do Crasto Vinhas Velhas 08. Para que conste!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Passagem pelo Encontro com os Vinhos e Sabores (EVS) 2010

Foi na minha nova condição de ex-profissional que passei no EVS para reencontrar amigos, produtores, enólogos, vendedores e antigos clientes.
No Sábado aproveitei para degustar uma reduzida amostra das largas centenas de vinhos em prova, concretamente 14 brancos e 20 tintos. Infelizmente as condições não eram as melhores, pois a partir das 15 h já não era fácil circular nos corredores. Mesmo assim retive o prazer que me deram os brancos Muros de Melgaço Alvarinho 09, Maritávora Reserva 08, Murganheira Vintage Bruto 04, Qtª Seara d'Ordens Reserva 09 (talvez a maior surpresa entre os brancos), Morgado Stª Catherina 08, Meruge 09 (veio a ser a escolha da crítica), Qtª das Marias Encruzado Barricas 09 e Vallado Reserva 09. Quanto aos tintos provados destaco o Abandonado 07, Dona Berta Grande Escolha 07, Qtª das Brôlhas Grande Escolha 07, Qtª do Perdigão T.Nacional Reserva 08, S de Soberanas 05, Tapadinha (Alves de Sousa) Grande Reserva 07, Vale Meão 08, Falorca Lagar Reserva 04, Dom Cosme Reserva 06, Herdade dos Coelheiros Garrafeira 05, e Dona Maria Petit Verdot 08. E ficaram tantos e tantos vinhos interessantes por apreciar. Lamentavelmente já não tive tempo para provar 2 ou 3 vinhos recomendados pelo Rui Miguel (Pingas no Copo), dos quais não retive os nomes. Ó Rui quer relembrar-me?
Já no Domingo, o tempo passado no EVS foi quase exclusivamente na prova especial Lavradores de Feitoria - 10 Anos, a convite deste original produtor, no qual acreditei desde a 1ª hora. Foi uma sessão didáctica concentrada na apresentação dos diferentes "terroirs" dos Lavradores de Feitoria, orientada pelo Dirk Niepoort e Paulo Ruão. Pena foi que a documentação distribuida tivesse escassa informação e, ainda por cima, com algumas gralhas.

domingo, 7 de novembro de 2010

Grupo de Prova dos 3 (8ª sessão)

Para quem ainda não saiba o Grupo de Prova dos 3 é constituído por Oliveira Azevedo (mais conhecido por Juca), João Quintela (um dos fundadores do extinto grupo 5 às 8) e eu próprio. Desta vez os vinhos foram da responsabilidade do Juca que escolheu o restaurante O Mattos (próximo dos cinemas King). O Mattos já é considerado, pela Revista de Vinhos, um dos restaurantes Amigos do Vinho. E com toda a justiça: tem uma excelente lista de vinhos, copos à altura e um serviço profissional. Desfilaram :
.Projectos Niepoort Chardonnay 03 (garrafa nº 1373 de 1417) - exibiu uma saúde incrível para a idade, aroma complexo, um ligeiro toque de oxidação a dar-lhe nobreza, acidez q.b., profundidade e bom final de boca. Nota 17,5 (noutra situação 17). Acompanhou bem uns cogumelos sem história e uma excelente alheira.
.CV 04 - aroma intenso, ainda com fruta, boa acidez, taninos ainda muito presentes sem serem agressivos, bom final de boca, todo ele deveras harmonioso. Nota 18,5 (noutras 18+/17,5).
.Icon d'Azamor 04 - aroma inicialmente algo complicado, melhorou ao longo da prova, boa acidez, encorpado, bom final de boca. Nota 17,5 (noutras 18/17,5+). Os 2 tintos acompanharam um sucolento naco de vitela.
.Blandy Malvasia 85 (engarrafado em 2009) - aroma exuberante, vinagrinho, iodo, caril, boa profundidade, final interminável, enfim soberbo. Nota 18,5 (noutra 17,5+). Obrigado Juca!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Almoço no Bocca

À semelhança do Assinatura, também o Bocca (R.Rodrigo da Fonseca, Lisboa) tem um menú executivo (almoços de 2ª a 6ª feira) a preços acessíveis. A refeição completa (entrada, prato e sobremesa) custa 27 € e inclui 1 copo de vinho (15 cl). Se for só o prato e uma entrada/sobremesa a conta desce para 21 €. No entanto há que somar o couvert e a água (5,50 €). No Assinatura a água e couvert estão incluidos no preço da refeição completa (24 €), mas há que acrescentar o preço do vinho (mais 3 ou 4 € por copo). Acaba por ficar ela por ela, talvez com uma pequena vantagem para o Assinatura.
Falta acrescentar que o Bocca é, neste momento, um dos restaurantes mais conceituados de Lisboa, com o chefe Alexandre Silva nos tachos e o Ricardo Barros na sala.
Quanto aos vinhos, o Bocca tem uma excelente carta (vai ser reformulada breve), que contempla o melhor que se produz por cá e, ainda, uma boa selecção de vinhos estrangeiros, colheitas tardias, Portos, Madeiras e Moscateis. Os preços, sem serem escaldantes, estão um pouco acima do esperado. Copos muito bons, temperaturas correctas (tem armários térmicos) e serviço profissional. Uma mais valia : oferta alargada de vinhos a copo.
Bebi o branco Maritávora 08 - aroma exuberante e complexo, presença de citrinos e notas de frutos secos, excelente acidez, madeira discreta e bom final de boca. Todo ele harmonioso e vai aguentar mais 3/4 anos em forma. Nota 17+.
Quanto à cozinha pareceu-me o elo mais fraco. Na entrada a compota de aipo abafou completamente o salmão e no prato (risotto de peixe) o dito meteu dispensa. O chefe estaria de folga? A voltar para tirar conclusões.

Visita à Lavinia em Barcelona

Esta garrafeira que nasceu em Madrid e já está em Paris, também foi implantada na capital da Catalunha. Fica no nº 605 da Diagonal, bem próximo do Corte Inglês (Metro : estação Maria Cristina, linha 3). É um espaço a perder de vista, num único piso, tudo bem organizado, com 4000 referências de vinhos, sendo 50% de Espanha e a outra metade do resto do mundo.
Portugal só tem direito a um expositor como país produtor autónomo, aparecendo os nossos vinhos em mais 2 expositores, mas a meias com a Alemanha e com a Itália (!?), sem que se perceba bem porquê. Estavam visíveis uma dezena de marcas de Porto Vintage, 2 referências de Madeira e 20 de vinhos de mesa (gamas alta, média e baixa). Curiosa a versão espanhola do Diálogo, Alonso Quijano 07, com bonecos de um artista dos nossos vizinhos. Os preços, de um modo geral, pareceram-me caros.
Em prova, tipo sirva-se a si mesmo, estavam 8 vinhos de diversas origens (nenhum português).
Nesta Lavinia também se podem adquirir acessórios para o serviço do vinho, copos (Ridel em maioria) e livros.
Em conclusão, tem uma dimensão impressionante em relação à nossa realidade, mas perde claramente com a loja de Paris, essa sim obrigatório conhecer.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Núcleo Duro (59ª Prova)

Regressado de uma excelente viagem cultural aos locais onde viveram e trabalharam Dali e Gaudi, retomo as habituais crónicas, começando com a 59ª jantar-prova de vinhos do Núcleo Duro. Esta sessão foi da responsabilidade do Juca e teve lugar no Colunas, conhecido restaurante situado na Venda Nova aqui já referido por diversas vezes. Ementa tipicamente portuguesa : canja de pombo bravo, caldeirada de tamboril e arroz de coelho bravo.
Começo por referir o 1º de 3 andamentos, os vinhos brancos, que tinham em comum serem todos Projectos Niepoort Riesling.
.Dócil 07 - nariz contido, citrinos, notas de mel, alguma acidez, todo ele muito soft e elegante. Óptimo como aperitivo. Nota 15,5 (noutra situação 16,5+).
.2004 - aroma estranho, boa acidez, volumoso, mas oxidado. Não o classifiquei (noutras situações 14,5+/15,5/15,5).
.2005 - aroma intenso, fruta cozida, boa acidez, estrutura e final de boca médios. Nota 15,5+ (noutras 15,5+/15,5).
.2007 - o mais floral de todos, mineral, excelente acidez, boa profundidade e final de boca. Nota 17 (noutras 16,5/15,5).
O 2º andamento foi constituido por 3 vinhos tintos, todos de 2004, tendo como ponto comum o facto de terem sido os vencedores em sessões anteriores do Núcleo Duro. Lamentavelmente ficaram todos abaixo da qualidade que tinham exibido nas referidas provas.
.Qtª do Crasto T.Nacional - aroma exuberante e complexo, fruta ainda presente, notas de tabaco e especiarias, boa acidez, grande volume de boca, taninos bem presentes, bom final de boca. Nota 17,5 (noutra situação 18,5).
.Charme - floral, algum vegetal, acidez equilibrada, taninos presentes, final médio. Nota 16,5 (noutras 18/17/17+/16,5).
.Esporão Garrafeira - notas vegetais e algo metálicas, taninos bicudos, persistência final. Foi a desilusão da noite. Nota 15,5 (noutras 17,5*/17).
No 3º andamento estiveram em confronto 2 vinhos fortificados completamente diferentes. Foi uma "luta" verdadeiramente desigual.
.Smithwoodhouse LBV 90 - aroma contido, corpo destapado, algo desequilibrado mas, ainda, com uma apreciavel saúde. Nota 15.
.FMA (Francisco Machado Albuquerque) Bual 64 - aroma e boca intensos, final interminável. Perfeito! Nota 18,5+ (provadas outras 3 garrafas, todas classificadas com 18,5).
Grande vinho que nos põe em tal estado de graça que até perdoamos aos nossos inimigos qualquer mal que nos tenham feito. Obrigado Juca!