quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Grupo de Prova dos 3 (10ª sessão)

Os vinhos eram da minha garrafeira e o restaurante escolhido foi o Xico's, um dos meus preferidos em Lisboa. A proposta de ementa e o serviço de vinhos foram da responsabilidade do Tiago que desempenhou muito bem o seu papel.
Com uns belíssimos Mexilhões à Leon de Bruxelles, bebeu-se o branco Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 09 - aroma intenso e complexo, acidez muito boa, mineral, notas de fumo dadas pela madeira que não marca o vinho, boca poderosa, bom final. Nota 17,5+, a entrar no meu Quadro de Honra.
Com um Magret de pato e umas excelentes batatas coradas na sua gordura, foi provado o 1º tinto, Qtª de Bágeiras Garrafeira 05 - algo mineral, azeitonado, acidez q.b., gastronómico, taninos presentes, final longo. Demasiado rústico não ligou bem com o pato. Nota 16,5 (noutras situações 15/17).
O Entrecôte reforçado com queijo da Serra (este prato não convenceu, pois o queijo não trouxe valor acrescentado, só o prejudicou), foi acompanhado pelo 2º tinto, Qtª Macedos 05 - aroma intenso,frutos vermelhos, especiado, notas metálicas, boa acidez, potente na boca, final longo, menos bruto que os irmãos mais velhos e com alguma elegância. Aguenta bem mais 7/8 anos. Nota 18+.
Finalmente, com um Crumble de maçã foi servido um incrível Moscatel de Setúbal da JMF, o Superior 62 - côr carregada, citrinos, notas de mel, taninos bem presentes, gordo na boca, excelente acidez a equilibrar o conjunto, final muito longo. Uma delícia a fechar da melhor maneira esta prova. Nota 18,5+, a entrar também no meu Quadro de Honra.
Mais uma grande jornada, quase a fechar o ano.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Harmonias

Faltou dizer na crónica de ontem que os vinhos escolhidos para o Natal casaram bem com os pratos confeccionados. Verdade se diga que não costumamos seguir à risca a tradição. Assim, o Natal de 2010 manteve-se nesta linha. Os casamentos foram, então, os seguintes :
1.Jantar de 24
.Espumante com pastelinhos de bacalhau, camarões, etc.
.Olho no Pé com polvo
.Wine Note com pato e arroz no forno
.LBV com queijo e doçaria
2.Almoço de 25
.Verdelho com frutos secos
.Grandjó com paté e fígados de pato na frigideira
.Vinha da Ponte com bacalhau com broa
.Moscatel e tawny velho com peras bêbedas e doces conventuais
E, para o próximo ano, há mais!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Os vinhos do Natal (2 situações)

1ª situação (jantar de 24)
Em face de um grupo familiar algo heterogéneo, em termos enófilos, avancei com vinhos de gama média, que deram muito boa conta de si, a saber :
.Espumante Qtª Poço do Lobo Reserva 06 - um belo espumante, já aqui referido quando da visita às caves São João, bolha fina, notas de pão quente e uma excelente relação preço/qualidade. Nota 16,5+ (noutra situação 16).
.Olho no Pé Grande Reserva 08 - um dos meus brancos preferidos, muito gastronómico, óptimo para ser bebido nesta altura do ano, impróprio para beber no verão (14,5 % de álcool é excessivo), também excelente relação preço/qualidade. Nota 17,5 (noutras 16,5+/17/16,5+/17,5).
.Wine Note T-N 08 - medalha de ouro da C.V.R.Dão, recentemente lançado no Clube 1500, produzidas apenas 1800 garrafas, côr retinta, muito frutado, o floral da Touriga demasiado escondido, acidez q.b., taninos presentes, guloso na boca, bom final. Nota 17,5+.
.Warre LBV 95 - cheio de saúde, frutos vermelhos, doçura, bela acidez, potente mas elegante, final extenso, dificil de destinguir de um vintage se provado às cegas.Nota 18 (noutra também 18).

2ª situação (almoço de 25)
Nesta refeição o grupo era mais homogéneo, daí ter escolhido vinhos já na gama acima:
.FEM Verdelho Velha Reserva - um dos vinhos da minha vida, já comentado em 5/12.
.Grandjó Late Harvest 05 - aroma inconfudível, potência de boca, final longo. Com mais um pouco de acidez seria divinal. Nota 17 (noutras situações 16,5/18/16,5+/16,5/17/16,5+).
.Crasto Vinha da Ponte 00 - depois de algumas experiências menos felizes com outras garrafas, esta estava sublime, muita côr e saúde, aroma complexo, acidez presente, estrutura de boca, final longo. Aguentava mais 5/6 anos. Nota 18+ (noutras 19/19/19/15,5/17,5/15). Cada garrafa é um caso.
.Crasto Vinha da Ponte 04 - estilo semelhante ao 2000, embora mais discreto, apesar do ano. Melhor do que anteriores provas. Nota 18 (noutras 16,5/17).
.Moscatel de Setúbal Superior J.M.S. 93 - apresentado pelo António Saramago, num almoço em Catralvos, organizado pelas CAV, já há alguns bons anos, mas só agora posto à venda, aroma complexo, citrinos, figos secos, taninos sedosos, boa profundidade, final longo. Nota 17,5+.
.Dona Antónia A. Ferreira, "Principe de Galles" em subtítulo, tawny com algumas dezenas de anos, côr carregada, nariz complexo, frutos secos, boa acidez, taninos bem presentes, final longo, elegante e harmonioso. Nota 18.

Uma boa quadra natalícia, pelo menos em termos de vinhos partilhados em família.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Quadro de Honra dos Vinhos Fortificados

Decorridos mais de 7 meses, os eleitos cresceram de 50 para 58 vinhos fortificados, o que corresponde a um aumento de 16 %. Concretamente os Portos passaram de 26 para 29, os Madeiras de 20 para 25 e os Moscatéis mantiveram-se nos 4.
1.Vinhos do Porto
a)Desagregando estes generosos, obtemos 13 Colheitas, 8 Vintage, 7 Tawnies de Idade (5 com 40 Anos ou mais e 2 com 30 Anos) e 1 Branco Velho. Ou seja, uma clara preferência pelos tawnies velhos, quer sejam colheitas ou de idade (quase 70 % do total dos Portos).
b)Por produtor/marca o grande destaque é para a Burmester com 6 referências.
Seguem-se :
.Noval - 5
.Fonseca/Taylors, Krohn e Kopke - 3 cada
.Barros e Dalva - 2 cada
.Roriz, Dows, Ramos Pinto, Poças e Alfarella - 1 cada
c)Quanto a anos dos Colheitas
.1937 e 1960 - 2 referências de cada
.1920, 35, 41, 44, 55, 64, 68, 71 e 85 - 1 de cada
d)idem em relação aos Vintage
.1994 e 2003 - 2 referências de cada
.1955, 63, 76 e 80 - 1 de cada
2.Vinhos da Madeira
a)Desagregando por castas, a Bual é claramente a minha preferida :
.Bual - 11 referências
.Verdelho - 6
.Sercial e Malvasia - 3 de cada
.Terrantez - 2
b)Por produtor/marca, a Madeira Wine é a grande vencedora :
.Blandy/Cossart - 16
.Artur,Barros e Sousa - 4
.FEM - 2
.FMA e Miles - 1 de cada
c)Por anos de colheita :
.Madeiras velhos sem indicação do ano - 5
.1977 - 3
.1964 - 2
.1814, 1920, 34, 48, 58, 60, 63, 68, 71, 73, 74, 75, 80, 81 e 85 - 1 de cada
3.Moscatéis
Moscatel Roxo 1900, 60 e 71, e Trilogia, todos da José Maria da Fonseca.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Quadro de Honra dos Vinhos de Mesa

Registe-se o considerável aumento, pois dos 65 eleitos (64 tintos e 1 branco) em Maio, atingiu-se o patamar dos 92 (74 tintos e 18 brancos, incluindo-se neste nº os colheita tardia/late harvest). Isto é, um incremento de 41,5%. Quanto ao peso dos brancos na totalidade dos melhores, passou-se de 1,5 % para quase 20 %!
1.Desagregando estes valores por Região, constatamos que o Douro mantém o 1º lugar nos tintos, a grande distância das outras Regiões, e ganha também nos brancos. O pleno! Que me perdoem os indefectíveis de outras Regiões, nomeadamente do Alentejo e do Dão. E isto explica-se, não apenas pelo meu gosto pessoal, mas também pelo gosto de alguns dos meus amigos, com quem tenho feito provas cegas e não só (cerca de 80 % dos vinhos provados são do Douro). Vamos, então, às Regiões, separando os tintos dos brancos.
a)Tintos
.Douro - 54
.Bairrada/Beiras - 7
.Ribera del Duero - 5
.Alentejo - 4
.Dão - 3
.Estremadura - 1
b)Brancos
.Douro - 9 (inclui 2 Colheita Tardia)
.V.Verdes (Alvarinhos) - 5
.Canadá (Ice Wine)- 2
.Bairrada - 1
.Bucelas - 1
2.Quanto aos anos de colheita, mantêm-se os tintos de 2004 na vanguarda, logo seguidos dos 2005, enquanto nos brancos a preferência é para os de 2008. Vamos, então, aos resultados.
a)Tintos
.2004 - 19
.2005 - 13
.2000, 2001, 2003 e 2007 - 7
.2006 - 6 (surpresa!)
.1998, 1999 e 2002 - 2
.1995 e 1997 - 1
b)Brancos
.2008 - 5
.2007 e 2009 - 3
.2004, 2005 e 2006 - 2
.2000 - 1
3.Finalmente, em relação a produtores/marcas o empate de Maio entre a Niepoort e a Qtª do Crasto, decidiu-se a favor deste último produtor. Segue-se a lista dos produtores/marcas com um mínimo de 2 referências, não tendo sido feita a desagregação em tintos e brancos.
.Qtª do Crasto - 13
.Niepoort - 11
.Aalto, Sogrape, Vale Meão e Vallado - 4
.Campolargo, Poeira, Pintas, Lavradores de Feitoria, Real Companhia Velha, Soalheiro e Francisco Montenegro (Aneto e Terrus) - 3
.Domingos Alves de Sousa, Symington, Noval/Romaneira, Vale D.Maria, Muros de Melgaço e Qtª das Bageiras - 2

Actualização dos meus Quadros de Honra

Passados mais de 7 meses (ver crónicas de 11 de Maio), impunha-se a actualização dos meus Quadros de Honra, nomeadamente em relação aos vinhos provados desde aquela data e à alteração do conceito respeitante à entrada dos vinhos brancos. Repesquei todos os brancos com classificações atribuídas a partir dos 17,5+ , deixando a bitola dos 18,5 apenas para os tintos e fortificados. Injustiça reparada!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Primo dos Caracóis : cozinha tradicional algarvia

Este modesto restaurante de estrada, situado em Quatrim de Cima (antes de chegar a Olhão, para quem vem de Tavira pela EN 125), prima pela genuidade da gastronomia algarvia. Simples, produtos de qualidade, doses fartas, preços módicos, serviço simpático e despachado.
Comemos, em visita recente, biqueirões albardados, ovas de choco, enguias fritas e um fabuloso arroz de ameijoas (que é mais uma sopa do que um arroz, note-se).
A lista de vinhos, sem datas, é curta mas tem algumas referências interessantes a bons preços. Os copos na mesa são banais, mas também têm outros mais apropriados que vêm para a mesa, desde que o vinho pedido não seja o da casa, servido em jarro. Informaram-me que, sempre que necessário e desejável, decantam o vinho. Refira-se que o serviço de vinhos não chegou a ser posto à prova.
Em conclusão : um restaurante manifestamente recomendável aos algarvios mais distraídos que ainda não o conheçam ou a quem se desloque para aquelas bandas.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Jantar com vinhos da Madeira : puro prazer !

O desafio foi lançado por um de nós (João Quintela, se bem me lembro), um jantar acompanhado por vinhos da Madeira, a ter lugar na Enoteca de Belém. A ligação gastronómica não é nada fácil e impunha-se uma ajuda externa ao nosso grupo. Solução encontrada : pormos em contacto a Enoteca, concretamente o Nelson, com o Francisco Albuquerque, o conhecido e reputado enólogo da Madeira Wine. As dicas do Francisco, complementadas por alguma pesquisa na net, permitiu à Enoteca conceber a melhor ligação dos vinhos, concretamente das castas Cerceal, Verdelho e Bual, com a comida. O casamento encontrado teve a nossa adesão e os vinhos provados brilharam a grande altura. Puro prazer !
Ficámos descansados com o Nelson nos tachos e o Ângelo no serviço de vinhos, a merecerem, mais uma vez, nota alta.
Antes da brigada da Madeira entrar em acção, bebemos 2 brancos, um madeirense e outro açoreano, que acompanharam o "amuse de bouche", à base de camarão e lagosta em molho ácido. Foram eles :
.Primeira Paixão Verdelho 08 (trazido pelo nosso amigo Adelino de Sousa, madeirense radicado em Lisboa e grande conhecedor e coleccionador de vinhos da Madeira e outros fortificados) - fresco e elegante, tropical, boa presença na boca, um branco com personalidade. Teve uma bela evolução. Nota 17,5 (noutra situação 16,5).
.Terras de Lava 09 (simpática oferta da Enoteca) - muito discreto, perdeu o confronto com o madeirense. Nota 15,5.
Depois deste intróito, entrámos na parte séria do repasto, a saber :
.Cossart Sercial 60 (levado por mim) - ligeiramente turvo, frutos secos, caril, secura não agressiva, boca poderosa, final longo. Nota 18,5. Acompanhou a 1ª entrada de salmão fumado e maracujá.
.Blandy Verdelho 77 (engarrafado em 2004; trazido pelo Juca) - cristalino, especiado, caril bem presente, muito fino e elegante, bom final de boca. Nota 18+ (noutras situações 18,5/17,5+/17/17,5+/18). Acompanhou a 2ª entrada de paté com geleia de moscatel.
.Miles Bual 34 (trazido pelo Adelino de Sousa) - aroma complexo, especiarias, frutos secos, notas de mel, iodo, vinagrinho q.b., boca enorme, elegância apesar disso, final interminável. Um assombro! Nota 19,5.
Acompanhou o prato principal, uma excelente empada de pato em cama de cogumelos.
.Boal Solera 1814 ( mais um Madeira do nosso amigo Adelino) - garrafa aberta em 23/10, saúde espectacular, aroma limpo e complexo, belíssima acidez, boca poderosa, final imenso. Agrande surpresa da noite. Nota 18,5.
Acompanhou muito bem as sobremesas (bolo de mel, bolo rainha e bolo conventual).
Grande e inesquecível jornada! Obrigado a todos intervenientes!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Jantar no Pedro e o Lobo

É, neste momento, o restaurante da moda em Lisboa. Sala cheia (era uma 6ª feira e havia 2 turnos, um às 20 h e outro às 22h30), muita gente jóvem e endinheirada, a avaliar pelos vinhos consumidos nalgumas mesas (champanhe cuja marca não retive, espumante Murganheira Vintage, Ferreira Reserva Especial, Qtª do Mouro, Cartuxa, etc).
O restaurante, algo pretensioso, está bem decorado, é acolhedor e tem algum requinte. O serviço nas mesas correu bem, mas a parte gastronómica não nos convenceu (embora a minha entrada, polvo assado com chouriço, estivesse agradável, o prato foi um desastre ; deveria ter sido um arroz de lebre, mas não foi, a lebre veio em fatias de peito de aviário, separadas de um arroz pesado que até tinha nozes!?).
Quanto a vinhos, a lista não é muito extensa mas é criteriosa, incluindo vinhos do mundo e alguns vinhos do Porto (um vintage a copo é que não faz sentido), preços sensatos, copos bons e serviço profissional. A carta não contempla vinho a copo mas, segundo me informaram, embora não conste, há algumas referências (fiquei sem saber quais).
Bebeu-se o Qtª Além Tanha Vinhas Velhas 04 - aroma complexo, especiado, notas de chocolate e tabaco, acidez q.b., taninos presentes não agressivos, boa arquitectura de boca, final longo. Está muito elegante e no ponto para ser bebido, Nota 17,5+.
Durante as mais de 2 horas que estivemos no restaurante, ninguém se chegou à mesa, nem donos nem chefes. E é aqui o grande contraste entre este Pedro e o Lobo e o seu vizinho Assinatura, cujo dono e chefe (Henrique Mouro) está quase sempre presente.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Um fecho anunciado

Mais uma garrafeira que vai fechar até ao final do ano : a Venha à Vinha, na João XXI, frente à sede da CGD. Abriu pouco tempo depois das CAV, com um conceito semelhante. Este fecho anunciado vem aumentar a lista negra, aqui anunciada em crónica de 10/11. Adiciono a Garrafeira Adivinho, fechada há algum tempo e confirmo o encerramento da Charcutaria Brasil (não Brasília), que tinha uma forte componente de vinhos.
Lamentavelmente, continua a concorrência desleal, já referida na citada crónica.

Mais um cozido recomendável

Todas as 5ª feiras, ao almoço, pode-se degustar um belo cozido no restaurante "Casa da Mó", junto à Praça da Figueira. Por 10 € pode-se repetir tantas vezes até rebentar. À atenção dos comilões...
Quanto a vinhos já não estamos tão bem. A lista é fraca e sem imaginação, embora tenha 2 ou 3 excepções que são cartas fora do baralho (por exemplo Barca Velha 1999 a 170 €). Os copos que estão na mesa, ridiculamente pequenos, destinam-se ao vinho da casa, o único que pode ser servido a copo. Para vinhos melhores há copos muito aceitáveis. Quanto ao serviço, não tive a oportunidade de o testar.
Recomendo este restaurante (o meu refúgio quando ando pela baixa) e o seu cozido das 5ª feiras. Quanto a vinhos, não se pode ter tudo...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Núcleo Duro (continuação)

O repasto foi iniciado com uma mousse de fois gras com cebola confitada e um paté de atum, tudo feito em casa por este casal de gourmets. Estavam ambos excelentes. Acompanhou um vinho de aperitivo, levado pelo Juca : Tio Pepe Palomino Fino (Jerez) - excessivamente seco, direi algo agressivo, direccionado ao palato dos andaluzes, que não ao nosso. Nem todos apreciaram.
Com uns lombos de corvina com crosta de ervas aromáticas desfilaram os 4 brancos :
.Aneto 07 - aroma inicialmente fechado foi abrindo ao longo da prova, citrinos, algum tropical, madeira fina, gordo na boca, acidez a compensar, final longo. Pede pratos gastronómicos, como foi o caso. Um dos bons brancos portugueses que tem vindo a crescer. Nota 17,5+ (noutras situações 16,5+/17,5/17+/17).
.Bétula 09 - aroma exuberante, acentuadamente floral, prima pela finura e elegância, acentuada acidez e bom final de boca. Está uns furos acima do 08. Nota 17.
.Castelo d'Alba 09 - este branco era o joker, muito mineral e fresco na boca, um vinho para todo o ano com excelente relação preço/qualidade. Nota 16,5.
.Qtª Foz de Arouce 08 - nariz afirmativo, fruta madura, notas de petróleo, madeira ainda presente, um pouco plano na boca. Desiludiu em relação a provas anteriores. Nota 16 (noutras 17/16,5).
Seguiu-se um belo naco de lombinho de porco com castanhas, cogumelos e tomate seco, acompanhado por 4 tintos, todos de 2005, com excepção do joker :
.Chateau de Pressac (Saint Emilion) - aroma intenso, muito floral, fino, excelente acidez, taninos bem presentes, profundidade, bom final de boca. Este Bordéus convenceu-me! Nota 18,5.
.Vinhas da Ira - nariz afirmativo, floral, acidez pronunciada, taninos redondos, todo ele elegante e equilibrado. O Alentejo no seu melhor! Nota 17,5+.
.Chryseia - ainda com fruta, algumas notas vegetais, boa acidez, corpo e final de boca medianos. Má relação preço/qualidade. Nota 16,5 (noutra 16).
.Castelo d'Alba 08 - algo vegetal, acidez q.b., alguma rusticidade, pouco harmonioso,corpo e final medianos. De qualquer modo razoável relação preço/qualidade. Nota 15,5.
Nos finalmentes havia queijos e doces em fartura, evidenciando-se uma imperdível panacotta com frutos silvestres. Acompanharam :
.Niepoort Vintage 97 (trazido por mim) - alguma polémica com este Vintage, a começar pela rolha toda encharcada, acidez volátil muito elevada e um ataque inicial na boca desagradável, no entanto boca poderosa e final longo.Possivelmente ainda não saiu da fase estúpida e/ou foi prejudicado pelo mau estado da rolha. Nota 17.
.Cossart Bual 69 (trazido pelo Juca) - nariz discreto, especiarias, iodo, acidez, boca potente, final interminável. Muito bom sem atingir a excelência dos 64 e 77. Nota 17,5+.
Grande jornada! Obrigado Pedro e Ana pelo repasto, por nos terem recebido na vossa casa e por terem partilhado o vosso amor connosco!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Núcleo Duro (60ª Prova) e uma história de amor

Contrariamente ao habitual, a prova do Núcleo Duro (N.D.), que foi também um encontro de Natal, com distribuição de prendas e tudo o mais, decorreu ao longo de um excelente almoço, mas desta vez num "restaurante" muito especial, a casa do Pedro Brandão (um dos elementos do N. D.) e da noiva, Ana Carolina Almeida. O almoço foi uma oferta do simpático casal e nós, os restantes componentes do N.D., tivémos o privilégio de termos sido dos primeiros a tomar conhecimento do seu casamento, com data marcada para o 1º trimestre de 2011. Num original folheto que nos foi distribuido, pode ler-se "(...) Pedro : Sou um sortudo em ter alguém como a Ana ao meu lado (...)" e "(...) Ana : Já não sei viver de outra maneira que não seja com a paz que ele me dá." Enfim, uma bela história de amor do domínio privado!
Mas esta história de amor fez-me lembrar uma outra, essa do domínio público. É a história do José Saramago e da Pilar, a sua última mulher. O amor entre um homem taciturno, mas excelente escritor e uma mulher que é uma força da natureza. Trata-se de uma brilhante longa metragem, "José e Pilar" realizada por Miguel Gonçalves Mendes, com a duração de cerca de 2 horas que passam a correr. Pode ser vista na sala 4 do Corte Inglês. Imperdível!
Mas vamos à prova. Os vinhos da responsabilidade do Pedro eram 8 (4 brancos e 4 tintos). Só que em ambas as séries havia 1 joker, precisamente os vinhos escolhidos para o chamado copo d'água, os Castelo d'Alba branco e tinto, de uma relação preço/qualidade praticamente imbatível. Se o tinto não me enganou, o branco sim. De qualquer modo, as escolhas do Pedro ficaram aprovadas. As classificações a seguir anotadas são pessoais, nem todas coincidentes com o painel (ver, oportunamente, a continuação desta crónica).

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Cozido e vinhos com fartura

Num dia chuvoso um grupo de amigos juntou-se à lareira, para um grande repasto que tão cedo não se esquecerá. O tema : o cozido rico à moda da Paula Costa, isto é, cerca de 20 ingredientes (produtos de 1ª) em quantidades fartas, tudo feito no momento. Um grande cozido! Obrigado Paula!
Foram servidas 4 magnum e 3 de 0,75, ou seja, uma quantidade equivalente a 11 garrafas. Como, das 13 pessoas presentes, só 2 não beberam, dá uma média impressionante de 1 garrafa "per capita". Que grandes alarves...
Desfilaram os tintos :
.Qtª Poço do Lobo Reserva 05 Magnum - vibrante, bela acidez, taninos bem presentes mas sem bicos, um vinho com personalidade. O melhor dos Bairradas em prova. Nota 17+.
.Porta dos Cavaleiros Reserva 02 Magnum - o nariz não estava limpo, sulfuroso em excesso, uma desilusão. Nota 10.
.Luis Pato Vinha Pan 97 Magnum - rusticidade agressiva, outra desilusão. Nota 12.
.Frei João Reserva 01 Magnum - uma boa surpresa, cheio de nervo, acidez q.b., taninos firmes, um baga muito elegante. Nota 17.
.Passadouro Reserva 03 - acidez elevada apesar do ano, potência de boca, bom final. Nota 17.
.Vale Meão 01 - está em grande forma, nariz complexo, boa acidez, grande estrutura de boca, final longo. Portentoso e cheio de personalidade. Tem mais 4/5 anos no pico da forma. Nota 18,5+.
No final da refeição, foram servidas bebidas destiladas e, ainda, o FMA Bual 64 para os indefectíveis de vinhos da Madeira. Obrigado João!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Vinhos em família (V) e não só

Impressões e notas telegráficas de vinhos provados em família e, noutras situações, com amigos. Tudo às claras e descontraidamente.
Num almoço recente com a família, bebeu-se :
.FEM Verdelho Muito Velho (produção do avô do Francisco Albuquerque) - aroma envolvente que fica a pairar mesmo com o copo vazio, frutos secos, iodo, especiarias, vinagrinho, final interminável. Nota 18,5 (noutras situações 18,5+/19/19/18,5/18,5/18/18,5; é um dos vinhos mais vezes provados e sempre com notas muito altas, ou seja, um dos vinhos da minha vida)
.Redoma Reserva 06 Branco - um bom branco que lhe falta personalidade para ser um grande branco, o menos interessante dos Redoma Reserva que já tenho provado. Nota 16+ (noutras situações 15,5/16/15,5/16)
.Equinócio 09 Branco - um vinho do João Afonso apadrinhado pelo Dirk Niepoort; não subscrevo os encómios atribuídos por alguma crítica embora lhe reconheça um perfil "sui generis"; vinhos originários da Serra São Mamede, prefiro o Terrenus e o Altas Quintas, bem mais interessantes. Nota 16.
.Esporão T.Nacional 07 - uma aposta na diferença em relação às colheitas anteriores, aroma exuberante, muita fruta vermelha, acidez q.b., boca potente, madeira sem marcar, bom final; equilibrado e guloso, embora não se sinta a casta. Nota 17,5.
.Niepoort Colheita 74 (engarrafado em 89) - uma muito boa surpresa, aroma discreto, frutos secos, algumas notas de mel, acidez q.b., boca poderosa, final longo e um ano que me diz muito. Nota 17,5+ (noutra situação engarrafada em 85 : 17).
Noutras ocasiões :
.Júlia Kemper 08 (Dão) - uma boa surpresa, nariz exuberante, muito frutado, acidez não muito evidente, profundidade, taninos macios, bom final de boca, perfil moderno e pouco tradicional. Nota 16,5.
.Chryseia 01 - nova garrafa e a última da minha garrafeira, não estava morto, não senhor, tinha alguma vida e acidez, mas continua a grande distância de outras garrafas provadas há mais tempo. A quem, ainda, as tiver, aconselho a despachá-las rapidamente. Nota 15,5 (noutras situações 17/17/17/10).
.Ferreira Reserva Especial 97 - festival de aromas terciários, notas de tabaco, couro, cacau, côr ainda com alguma vivacidade, taninos presentes mas suaves, excelente acidez, final longo; está no pico da forma e dá muito gozo bebê-lo nesta fase; mais interessante que o 01 aguenta bem mais 3/4 anos, antes de iniciar a curva descendente. Nota 18,5 (noutras situações 18,5/17,5/18,5/18,5).
.Valado Reserva 07 - aroma presente, boa acidez, madeira fina, elegante, harmonioso, bom final de boca, a melhorar com mais tempo de garrafa. Nota 17,5 (noutras situações 18/17,5/17,5+).

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Imoralidades (II)

Muito se tem escrito sobre 2 vinhos do Porto, postos no mercado recentemente, o pré filoxérico Tawny Scion da Taylor e o Andresen Colheita 1910 (excepcionais para quem teve a ocasião de os provar), a preços que rondam os 2500 €. Mas, senhores, estes preços são uma afronta para o cidadão comum e para os consumidores em particular. Garrafas a estes preços só para quem beneficia de reformas douradas ou para novos ricos angolanos. E ninguém se insurge?
Nesta quadra natalícia fique-se pelo mítico Barca Velha, vinho que,segundo consulta ao programa "wine searcher", pode ser adquirido nas garrafeiras Coisas do Arco do Vinho, Estado Líquido (Caldas da Rainha), Garrafeira Campo de Ourique, Garrafeira Nacional e Wine o' Clock ou nas lojas virtuais Lusa Wines e Velvet Bull. É uma questão de comparar preços...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Restaurante Manifesto revisitado

O conceito deste espaço do Luis Baena mudou. Desapareceram os menús de degustação e as diferentes ofertas gastronómicas entre almoço e jantar. Passou a haver uma ementa única, constituída por 34 pequenos pratos em porção de degustação individual, com preços a variar entre os 2,50 e os 5,50 €, não me parecendo que possam ser partilhados. O que provei numa ida recente ao Manifesto (bife de atum, Mac Silva, miga de bacalhau e burra de porco) estava excelente e foi um verdadeiro festival de aromas e sabores. Um deslumbramento!
Quanto a vinhos a carta (em reestruturação), os copos e o serviço continuam em alta. Pontos susceptiveis de crítica, a pouca oferta de vinho a copo e preços de alguns vinhos demasiado puxados.

ViniPortugal : um novo fôlego?

Após uma série de anos a viver no marasmo, eis que com a entrada de Francisco Borba, a ViniPortugal parece renascer. Entre outras iniciativas é de louvar a realização da 1ª conferência internacional (Wines of Portugal International Conference 2010), de 9 a 11 de dezembro no Porto, tendo a Touriga Nacional como a grande vedeta do acontecimento.Durante este evento e com a participação de um júri internacional (Portugal faz-se representar por José António Salvador e Luis Lopes), vai ser eleito o Top 10 Touriga Nacional, a partir de uma amostra de 30 vinhos pré-seleccionados.
A ViniPortugal noticiou, ainda, com pompa e circunstância, a campanha descobrir o vinho a copo, remetendo-nos para a página www.acopo.pt, mas que parece estar inacessível. Falsa partida?
Já agora, nos links constantes na página oficial da ViniPortugal ainda se encontram a Vinho e Coisas e a Garrafeira Adivinho, desaparecidas em 2009! Ninguém actualiza?