sábado, 31 de dezembro de 2011

O grupo dos 3 (19ª sessão)

Mais uma sessão do grupo dos 3 (Juca, João Quintela e eu) a fechar o ano. O restaurante escolhido foi a Casa da Comida, já referida e elogiada por mim anteriormente (ver crónica de 2/10). A equipa, Bruno Salvado (antigo braço direito do Bertílio Gomes) na cozinha e Sílvia Martins na sala (prémio "Arte da Sala e da Mesa 2010", atribuido pela Academia Portuguesa de Gastronomia), foi agora reforçada com o escanção Marco Alexandre, vindo do Sem Dúvida, onde criou uma das mais interessantes cartas de vinhos que conheço. Este restaurante, Casa da Comida, ainda pouco badalado, é uma referência em Lisboa e um local de frequência obrigatória.
Antes de irmos para a mesa, provámos um agradável branco adocicado Moscato Casti 07, simpática oferta do Marco. Iniciada a sessão, com um complexo mas bem equilibrado entretem de boca, seguido de uma entrada de toro de atum com puré de funcho e lima, muito bem conseguida, provámos um branco de Colares 2008 da Fundação do Oriente, com uma surpreendente acidez, já por mim referido anteriormente (ver crónica de 3/12). Nota 17,5+ (noutra situação também 17,5+).
Com o prato principal, uma excelente costoleta de leite (vitela) com molho de queijo da serra e legumes braseados, beberam-se 2 tintos de 2005, o primeiro com problemas de excesso de sulfuroso, segundo informação do escanção que teve de o arejar previamente e o segundo em grande forma. Foi uma surpresa pois a ideia que tinhamos de provas anteriores apontava para uma situação contrária. Descodificando :
.Calda Bordaleza - depois da decantação e do forte arejamento que sofreu, mostrou-se ainda algo químico, acidez elevada, boa estrutura de boca e final longo. Nota 16,5+ (noutras 17,5/18,5/18,5).
.Qtª da Pellada - mais amigável, acidez equilibrada, elegante, profundidade e final longo; está ainda para durar e esta garrafa não tem nada a haver com uma outra que provámos em conjunto. Nota 18 (noutras 18/16,5/17,5+/15,5 a mostrar alguma irregularidade).
Finalmente, com uma original sobremesa de fruta em diferentes texturas num cremoso de dióspiro, avançou um surpreendente Noval Colheita 1974 (engarrafado em 1985) - notas de mel, citrinos, frutos secos, algum iodo, encorpado e bom final de boca; mostrou um perfil com semelhanças a moscatel e uma personalidade e características que nada têm a haver com um estágio em madeira de apenas 11 anos. Nota 17,5+ (noutra 15,5).
Uma grande jornada vínica (apesar de tudo) e gastronómica. Parabens à equipa da Casa da Comida.
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Os vinhos no Natal (2 situações)

1ª Situação (jantar de 24)
O jantar de 24 decorreu em casa de familiares, com muita gente, crianças à solta e sem o sossego necessário à degustação de grandes vinhos. No entanto, os vinhos de gama média/baixa, pelo menos no preço, portaram-se bem.
.Espumante Qtª Poço do Lobo Arinto/Chardonnay 07 - está na linha do 2006, aqui já referido, e tem uma relação preço/qualidade imbatível; acompanhou bem uns pastelinhos de bacalhau e outros entretens de boca. Nota 16,5.
.Catarina 10 - à base das castas Fernão Pires, Arinto e Chardonnay, fermentou parcialmente em barricas de carvalho francês; é um branco típico de outono/inverno; bebeu-se com polvo cozido, mas esta combinação não foi muito feliz. Nota 15,5+.
.Qtª da Fronteira Selecção do Enólogo 08 - medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas 2011; estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; está ainda muito jóvem e vai melhorar nos próximos 3/4 anos; aguentou bem um bacalhau com broa que é um prato bem pesado. Nota 16,5.
.Dalva LBV 05 - muita fruta, estrutura e final de boca; acompanhou bem algumas sobremesas e outras não tanto. Nota 16,5+.
2ª Situação (almoço de 25)
Como é tradição, foi em minha casa com um número de familiares mais reduzido e mais próximo das enofilias. Os vinhos servidos eram da minha garrafeira e situavam-se num patamar superior. Com excepção do espumante, tiveram um comportamento exemplar.
.Espumante Murganheira Chardonnay 04 - aroma muito discreto, bolha fina (acabou por morrer um dia depois), boca a impor-se, gastronómico e muito pesado para se beber a solo ou acompanhado de frutos secos, que foi o caso. Nota 16,5.
.Kompassus Private Selection 05 - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; exuberante no nariz, grande boca, final muito longo; a baga no seu melhor; tem ainda muitos anos pela frente. Nota 18,5.
.CV Curriculum Vitae 05 - mais elegante e sofisticado que o anterior; está ainda muito longe da reforma. Nota 18. Os 2 tintos beberam-se com umas Couves à Dom Prior.
.Sandeman 20 Anos (engarrafado em 2011) - cristalino, nariz discreto, citrinos, frutos secos, algum iodo, estrutura e final de boca. Nota 17,5.
.Blandy Bual 48 - excelente (esta mesma garrafa já foi referida na crónica de 10/12). Ambos fizeram boa companhia a um bolo de chila e amêndoa.

A terminar, lanço um desafio aos amigos e leitores deste blogue que comentem e partilhem connosco o que beberam nos respectivos Natais.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Empadaria do Chef : nem tudo o que parece, é...

A Empadaria do Chef, instalada na zona de restauração do Colombo, resultou de uma parceria do chefe José Avillez com a cadeia H3. Aposta forte nas empadas que, se forem pedidas na modalidade Menu, valem uma refeição. Por 6,95 €, tem-se direito a uma das 8 variedades de empadas (200 gramas) concebidas pelo José Avillez, servidas com 2 acompanhamentos (arroz, batata palha ou salada) e uma bebida. E para quem não goste de comer muito, chega perfeitamente. Experimentou-se a empada de cozido (excelente) e a de camarão. Só que, esta última, do dito só com uma lupa. Chamando a atenção dos empregados, por duas vezes, a reclamação não foi atendida, ficando o cliente com uma pedra no sapato e sem vontade de voltar. Não havia necessidade. Ó chefe Avillez, mude o nome à empada ou ponha lá camarão que se veja!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Irritante falta de informação

Ocasionalmente a descer a Calçada da Estrela, constatei que 2 restaurantes naquela zona de Lisboa, o clássico XL e o debutante Agua Benta estavam encerrados. Estão no seu direito, mas é uma grande falta de consideração por eventuais futuros clientes não afixarem o horário e dias de encerramento. Será que seremos todos obrigados a conhecer os ditos?
Por acaso já tinha almoçado e essa falta de informação não me afectou, mas irritou-me!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Quadro de Honra (QH) dos Vinhos Fortificados

Entraram mais 16 fortificados (2 Portos, 6 Madeiras e 8 Moscateis) para este meu QH. Num total de 74 eleitos, ficaram os Portos e Madeiras empatados cada um com 31 vinhos, correspondendo cada um a 42% do total. De salientar a grande recuperação dos Moscateis, atingindo a quantidade de 12 entrados no QH, ou seja 16% do total. Este acréscimo tem a haver com 2 visitas/provas feitas à José Maria da Fonseca no corrente ano.
Portos
.Os Colheitas (15) e os tawnies de idade (7 com 30 e 40 anos) continuam a ser a minha preferência, atingindo 71% do total nos Portos. Só os Colheitas são quase 50% (48,4%).
Seguem-se os Vintage com 8 e os brancos velhos apenas com 1 referência.
.A Burmester mantém-se no topo (6 referências), seguida da Noval (5) e da Wiese & Krohn (4).
Madeiras
.Nos Madeiras a minha escolha vai para a casta Bual, com 15 referências (48,4% do total), logo seguida pela casta Verdelho, com 7 referências. Estas 2 castas impõem-se com uns expressivos 71% do total.
Seguem-se Sercial, Terrantez e Malvasia, empatados com 3 eleitos cada.
.Quanto a marcas, a Blandy está presente em quase 50% dos vinhos que elegi (rigorosamente 48,4%).
Moscateis
São 12, todos da José Maria da Fonseca. Ao Trilogia e Moscateis Roxo de 1900, 60 e 71, vieram juntar-se algumas das raridades provadas no decorrer deste ano (52, 55, 62, 67, e 73, para além dos Alambre e Roxo 20 Anos e Bastardinho 30 Anos)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Quadro de Honra (QH) dos Vinhos de Mesa (brancos e tintos)

Neste ano de 2011, entraram para este QH uma quantidade igual de brancos e tintos, 20 para cada lado. O que quer dizer que a qualidade dos brancos tem vindo a subir, ano após ano. E também que provo brancos ao longo de todo o ano, com uma clara preferência para os de outono/inverno. Num total de 132 vinhos com direito a QH, 38 são brancos, a que corresponde uma percentagem de 28,8% (20% no final de 2010)!
Mais uma vez o Douro fez o pleno, tendo ficado em 1º lugar tanto nos brancos (39,5%) como nos tintos (74,5%)! Enquanto nos tintos o Douro não é ameaçado por nenhuma outra região, nos brancos os Alvarinhos estão bem colocados (26,3%).
Quanto às datas e colheita, mantém-se a preferência pelo ano de 2009 para os brancos e o de 2004 para os tintos.
Finalmente quanto a produtores/marcas, a competição entre a Qtª do Crasto e a Niepoort, é agora favorável a este último produtor. Em 3º lugar está a Sogrape, que descolou do resto do pelotão.
1. Por Região
Brancos
.Douro - 15
.V.Verdes - 10
.Estrangeiros - 4
.Bairrada/Beiras - 3
.Lisboa/Colares/Bucelas - 3
.Dão - 2
.Setúbal - 1
Tintos
.Douro - 70
.Bairrada/Beiras - 8
.Estrangeiros - 7 (sendo Ribera del Duero - 6)
.Alentejo - 5
.Dão - 3
.Lisboa/Estremadura - 1
.Austrália - 1
2.Por ano de colheita
Brancos
.2009 - 12
.2007 - 8
.2008 - 7
.2004 - 4
.2005, 2006 e 2010 - 2 cada
.2000 - 1
Tintos
.2004 - 21
.2005 - 16
.2007 - 13
.2003 - 11
.2001 - 9
.2000 - 7
.2006 - 6
.2002 - 3
.outros - 8

Actualização dos meus Quadros de Honra

À semelhança do que fiz há um ano (ver crónicas de 22 e 23/12/2010), chegou a altura de actualizar os meus Quadros de Honra, onde têm cabimento os vinhos por mim provados e classificados com notas a partir de 17,5+ (os brancos) e de 18,5 (os tintos e os fortificados). As preferências por regiões, anos ou tipo de vinho têm a haver com o meu gosto, com as referências que fui acumulando na minha garrafeira e, também, com os vinhos de qualidade que os meus amigos vão partilhando comigo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Perplexidades (V)

Era uma vez um senhor muito importante que sabia de tudo. Ele sabia de gastronomia, ele sabia de vinhos, entre outras coisas igualmente importantes, e até tinha jeito para escrever. No entanto e como há sempre o reverso da medalha, fazia promessas que não tencionava cumprir e afirmações, que mais tarde se constatava que não eram exactamente assim.
Saltam-me à memória 3 situações, vividas há uma série de anos.
1ª - Quando soube do projecto das Coisas do Arco do Vinho, afirmou que iria escrever algo sobre esse assunto, pois tinha gostado muito da ideia. Promessa feita, promessa não cumprida!
2ª - Mais tarde, em qualquer evento onde nos encontrámos, disse que nos convidaria (a mim e ao Juca, meu sócio na altura) para almoçarmos ou jantarmos juntos.
Promessa feita, promessa não cumprida!
3ª - Algum tempo depois, alguém me confidenciou que aquele senhor tinha um produto de qualidade e já assumira o compromisso de exclusividade com certo distribuidor. Questionado sobre o futuro do produto, não assumiu a decisão já tomada, tendo-me dado uma resposta vaga e acrescentando que, se calhar, o encaminharia para fora do país.
Afinal não era exactamente assim!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Almoço no Bg Bar

Conforme já referi anteriormente (ver crónica de 24/11), o Bg Bar faz parte do Grupo Bar do Guincho e qualquer semelhança com o Grelhas é pura coincidência. O espaço do Bg Bar, com uma invejável situação no Monte Estoril, bem próximo do mar, é um 3 em 1, restaurante, bar e garrafeira.
O ponto alto é a componente vínica, com uma carta bem apresentada e seleccionada, didáctica e com bons preços. Os copos são bons e possui armários térmicos que permitem temperaturas adequadas aos vinhos. O serviço, a cargo de um empregado ucraniano, de quem não fixei o nome, foi muito profissional, merecendo a classificação de 5 estrelas. Se eu tivesse um restaurante, era o tipo de empregado em que apostaria.
A carta inclui vinhos de mesa nacionais e estrangeiros, e generosos confinados ao Porto (vintages, tawnies de idade e colheitas). Os Moscatéis e Madeiras não foram contemplados, o que é pena. A carta tem uma gafe que necessita de correcção urgente, pois os colheitas tardias/late harvest foram indevidamente incluidos nos generosos!
Vinhos a copo eram 8 (2 brancos, 4 tintos, 1 espumante e 1 Porto), o que considero algo curto. Uma mais valia : pode levar-se o vinho de casa e paga-se 7 € pelo serviço de rolha.
Bebeu-se a copo, com as entradas o branco Lavradores de Feitoria 10 - exuberante no nariz, muita fruta, frescura, acidez no ponto, elegante e equilibrado; muito badalado recentemente, por ter sido um dos brancos escolhidos a nível mundial, pela crítica de vinhos Jancis Robinson. Nota 16,5+. E com o Polvo à Lagareiro, demasiado rijo, por sinal, o tinto Meandro 09 - quase ainda em gestação, um autêntico acto de pedofilia; muita fruta vermelha, boa estrutura de boca e final persistente; a beber daqui por mais 4/5 anos. Nota 17.
Resta dizer que o gerente deste espaço dá pelo nome de Pedro Batista e é primo do Rui Miguel, responsável pelo Blogue Pingas no Copo e meu companheiro de provas e copos, desde há muito.
Em conclusão, o Bg Bar é um espaço a visitar que se recomenda, especialmente nestes dias de inverno solarentos.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Maria Pimenta : o José Quitério deu-me razão!

Em 22/8/2010 publiquei neste blogue uma crónica intitulada "Almoço na Maria Pimenta", que é até hoje de longe a mais lida de todas. No espaço de um ano teve direito a 520 visualizações! Nessa crónica critiquei este restaurante referindo a ementa curta e pouco interessante, a sua apresentação numa ardósia, os guardanapos de papel para o foleiro, a lista de vinhos desinteressante e sem datas de colheita, os copos sofríveis na mesa, a inexistência de Visa e o MB avariado.
Passado pouco tempo, cerca de 1 mês, uma senhora (dona? amiga dos donos? cliente?), que penso sofrer de ileteracia grave, pois não entendeu minimamente o que escrevi, colocou um comentário a defender o restaurante e a atacar-me em tom desabrido e criticando-me sem fundamentação, chegando a afirmar que "Se não tem nada positivo para dizer não diga nada!"!
Agora vem o José Quitério a dar-me razão na sua última crítica gastronómica, publicada no Expresso de sábado passado, dia 16/12. O título, "Pólvora seca" é já de si sugestivo. Além de ter também criticado a ardósia e a carta de vinhos, refere em relação à ementa "(...) lista desequilibrada e correntia, insuficiências e deficiências culinárias, não estando à altura do lugar(...)".
É pena, pois este local privilegiado merecia melhor!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Vinhos em família (XXVI)

Mais alguns vinhos provados em família, mas também especialmente com amigos que os merecem :
.Grandjó Late Harvest 05 - aroma exuberante, notas de citrinos e alperces, mel, untuoso mas com uma boa acidez a equilibrar, bom final de boca; óptimo para acompanhar patés, mas também liga com algumas sobremesas. Nota 17,5 (noutras situações 16,5/18/16,5+/16,5/17/16,5+/17).
.Redoma Reserva 08 - austero, notas florais, boa acidez, ainda um pouco marcado pela madeira, estrutura e bom final de boca; é um típico branco de outono/inverno e estará melhor com mais 3/4 anos. Nota 17,5 (noutras 17,5/17+).
.Antónia Adelaide Ferreira 08 - feito a partir de vinhas velhas, estagiou 2 anos em barricas de carvalho francês; está ainda muito fechado, apesar da dupla decantação sofrida, nariz complexo, frutos vermelhos, especiado, acidez q.b., fino e elegante, boa estrutura de boca com os taninos bem presentes mas sem arestas, final longo; a beber com todo o respeito: é a mais recente aposta da Casa Ferreirinha, com vista a celebrar o 200º aniversário da Dona Antónia. Nota 18,5.
.Qtª do Crasto Vinhas Velhas 07 - estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês e americano; nariz cativante, muita fruta, especiarias, acidez equilibrada, profundidade, bom final de boca, a meio caminho entre o acessível e o sofisticado; está condenado a ficar sempre no Top da Wine Spectator. Nota 17,5+ (noutras 17/17,5/17,5+).
.Moscatel Roxo Superior 60 - comprado num leilão organizado há já alguns anos pela José Maria da Fonseca; complexo, notas de citrinos e mel, muito espesso e com uma óptima estrutura de boca, mas demasiado doce, final muito longo. Nota 18,5 (noutra 19,5).

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

"De Vez em Quando"/"Novo Formato" : um historial de vinhos (II)

Em continuação da última crónica e para a memória do futuro, aqui ficam registados os vinhos fortificados (Porto, Madeira e Moscatéis) e os colheita tardia/late harvest/icewine, da minha garrafeira, partilhados com os amigos já referidos.
PORTOS
.Niepoort Vintage 92 e Old VV (tawny)
.Noval Vintage 94 e Colheita 37
.Fonseca Guimaraes Vintage 76
.Taylor's Vintage 00
.Dow's Vintage 80
.Krohn Colheita 66
MADEIRAS
.Artur Barros e Sousa Sercial 80, Verdelho 81, Bastardo Reserva Velha e Bual Reserva Velha
.Blandy Verdelho Solera, Terrantez 75, Bual 48 e 1920 e Malvasia Solera
.FEM Verdelho (2 garrafas)
MOSCATEIS
.José Maria da Fonseca Roxo 71 (2 garrafas)
.Artur Barros e Sousa
COLHEITAS TARDIAS
.Grandjó 04 e 05
.Inniskillin Sparkling (ano?) e Vidal 05
Como se constata, vantagem para os Madeiras, esses vinhos um pouco arredados das mesas dos consumidores nacionais, ficando o 2º lugar para os Portos.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

"De Vez em Quando"/"Novo Formato" : um historial de vinhos (I)

Na crónica de 10/12 referi a constituição destes grupos de prova e, agora, parece-me interessante divulgar a informação quanto aos vinhos da minha garrafeira partilhados, ao longo de uma série de anos (2003/2010), com os amigos que faziam parte daqueles grupos. A maior parte das sessões foi temática, contemplando uma vertical da Qtª do Crasto, uma horizontal da Niepoort, Prémios Excelência da Revista de Vinhos, Os Melhores segundo o João Paulo Martins, e outros escolhidos por mim segundo outros critérios. Passo a indicar os vinhos de mesa (brancos e tintos) e os com "borbulhas", deixando os fortificados e os colheitas tardias para uma 2ª crónica:
CHAMPAGNES
.Krug Rosé (2 vezes)
ESPUMANTES
.Murganheira Chardonnay 98 e Vintage 99
BRANCOS
.Muros de Melgaço Alvarinho 02
.Anselmo Mendes Alvarinho 07
.Soalheiro Alvarinho Reserva 07
.Redoma Reserva 00, 03, 04, 05 e 06 (2)
.Aneto Reserva 07
.Qtª das Bageiras Garrafeira 04
.Vinha da Pala 04
.Bucellas & Colares 07
.Ossian 06
TINTOS
.Barca Velha 00
.Qtª do Crasto Vinha da Ponte 98, 00 e 03, Maria Teresa 05, T.Nacional 01, Colheita Seleccionada 02, Tinta Roriz 03
.Qtª de Nápoles, Redoma, Batuta e Charme, todos 00, Charme 05 e Robustus 04
.Qtª Vale Meão 01 e 04
.Duas Quintas Reserva 99
.Campo Ardosa RRR 00
.Qtª dos Carvalhais Único 05
.Homenagem a António Carqueijeiro 99
.T Terrugem 99
.Francisco Nunes Garcia 01
.Tapada de Coelheiros Garrafeira 00
.Torre do Esporão 04
.Paulo Laureano...05
.Zambujeiro 04
.Mouchão Tonel 3/4 03 e 05
.Júlio Bastos 04
.Opus One 00
De registar a quase omnipresença do Douro (50 % dos brancos e 60% dos tintos) e, com excepção dos Alvarinhos e dos tintos alentejanos, a quantidade residual das restantes regiões e de vinhos estrangeiros. Gostos!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Última hora : luto no mundo dos vinhos

Depois do desaparecimento prematuro do José Mendonça (Qtª dos Cozinheiros) e do António Carvalho (Casal Figueira), foi agora a vez do Hernani Verdelho (Dona Berta) sair de cena. Outros, melhor do que eu, farão o respectivo elogio fúnebre. Limito-me a afirmar que o mundo do vinho ficou mais pobre, ao perder um grande e original entusiasta na área da vitivinicultura.
A melhor homenagem que lhe podemos prestar é adquirir os seus vinhos e degustá-los com os amigos!

E o Expresso?

Quando recomendei a Fugas e a Visão (ver crónica de 8/12), não referi o Expresso, essa instituição que compro desde o nº 1. Era tão evidente que assumi não ser necessário recomendá-lo. No entanto e para que não haja leituras distorcidas, aqui estou a recomendar a Única (separata do dito semanário), onde escrevem o José Quitério sobre gastronomia e o João Paulo Martins sobre vinhos, eles também instituições nas respectivas áreas.
Esclarecimento feito!

sábado, 10 de dezembro de 2011

O grupo Novo Formato

O grupo de prova "Novo Formato" é o herdeiro do "De Vez em Quando", que se constituiu em 2003 e extinguiu em 2007. Juntávamo-nos 3 ou 4 vezes por ano, rodando de casa em casa. Além dos provadores da linha dura (Juca, João Quintela, Paula Costa e eu), participavam também nas provas, sempre às cegas, as mulheres dos fundadores das CAV (Lena e Bety). O casal Saldanha que fazia parte do grupo antigo, não integrou o "Novo Formato".
A última prova, organizada por mim, teve um convidado especial (o nosso amigo Alfredo Penetra), pelo que a esta nova composição se pode dar o nome de "Novo Formato+". O repasto não decorreu em minha casa, com era habitual, mas sim na Enoteca de Belém. Foi uma belíssima jornada gastronómica, ao longo daqual a equipa da casa (a Renata na cozinha e o Nelson na sala, ajudado pela Madalena) teve uma excelente prestação e, desta vez, não se sentiu a falta do Ângelo. É o maior elogio que lhes posso fazer.
Quanto aos vinhos, todos da minha garrafeira, foram provados 1 espumante com umas deliciosas tapas, 3 brancos com um estupendo pargo no forno, 3 tintos com umas saborosas bochechas de vitela, 1 Porto com queijos e bolo brigadeiro e 1 Madeira com o respectivo bolo regional e fruta a fechar. Todos os vinhos se portaram muito bem (apesar de um dos brancos se encontrar algo oxidado), metade dos quais na área da excelência e os outros por lá perto. Ei-los:
.Espumante Murganheira Assemblage 95 - incrível frescura para um espumante com 16 anos, bolha fina, notas de pão a sair do forno, estruturado. Nota 17,5 (noutras situações 17,5/17,5/17+).
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 07 - nariz exuberante, algo tropical sem excessos, bela acidez, untuoso a encher a boca, final persistente. Evolução harmoniosa, a provar que a casta Alvarinho precisa de tempo para se mostrar ao seu melhor nível. Nota 18 (noutras 16,5+/16,5/17/17/17,5).
.Pinto Viognier/Chardonnay 07 - discreto no nariz, boa acidez, madeira presente mas sem se impor, estrutura e final de boca médios. Um vinho quase desconhecido que se aguentou muito bem com os consagrados. Nota 17,5 (noutra 17,5+).
..Casal Figueira 95 - o primeiro branco criado pelo malogrado António Carvalho; apesar da oxidação evidente e dos seus 16 anos, defendeu-se bem com a acidez que lhe dá vida; é muito gastronómico e de acentuada personalidade. Nota 16,5+ (noutra 14,5).
.Ferreira Vinhas Velhas 07 - nariz complexo, acidez equilibrada, especiado, madeira fina e bem casada, taninos presentes mas elegantes, boa arquitectura de boca e final longo. Tem tido uma evolução surpreendente. Nota 18,5+ (noutras 17,5+/18).
.Qtª Monte d'Oiro ex-aequo 07 - resultante de uma parceria de Bento dos Santos com a casa Chapoutier; exuberante no nariz, muita fruta preta, acidez equilibrada, estruturado e bom final de boca; ficou entalado entre 2 vinhos de excepção, o que o prejudicou. Nota 18.
.Herdade do Peso Ícone 07 - notas de tabaco e chocolate, acidez equilibrada, madeira muito fina, taninos em evidência mas sem rugas, final persistente. O Alentejo no seu melhor. Nota 18,5 (noutra 18,5).
.Warre Vintage 94 - um bom exemplar de um ano de eleição; doçura acentuada, grande frescura, taninos ainda bem presentes, final longo. Nota 18.
.Blandy Bual 48 (engarrafado em 2004) - frutos secos, iodo, vinagrinho, taninos ainda de arrasar, final interminável; um grande Madeira que não deixa ninguém indiferente, a fechar em beleza este magnífico repasto. Algumas diferenças de garrafa para garrafa. Nota 18,5+ (noutras 19,5/17,5/18,5).
Mais uma grande jornada, em que tive a ocasião de partilhar alguns dos meus vinhos, com estes Amigos!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Fugas e Visão : a não perder

Quem se interessa por este mundo dos vinhos e gastronomia, tem que saber que este tema não se esgota nas revistas especializadas, nomeadamente a Revista de Vinhos e a Wine/Essência do Vinho (as outras não contam).
Nesta linha de pensamento, considero indispensável a leitura da Fugas (separata de sábado do jornal Público) e da revista Visão (sai à 5ª feira).
Começando pela Fugas, cujo "pai" e animador nos primeiros tempos foi o saudoso David Lopes Ramos, tem hoje uma equipa de peso. Rui Falcão, um nome já consagrado, Manuel Carvalho, autor do "Guia do Douro e do Vinho do Porto" (Edições Afrontamento,1995) que, creio, ter sido o 1º guia que se publicou em Portugal sobre este tema, e Pedro Garcias (PG), para o qual já chamei a atenção em 2 crónicas de 2010 (em 20/4: PG, um nome a reter e em 22/8: PG, um crítico emergente). De destacar, ainda, na última Fugas (3/12), uma belíssima reportagem da jornalista, responsável pela edição, Sandra Silva Costa, intitulada "Douro património mundial". De vez em quando sai uma Fugas especial, em parceria com a Revista de Vinhos. Foi o caso da edição de 26/11 que, penso, os enófilos não perderam.
Quanto à Visão, conta com a colaboração do decano da crítica de vinhos em Portugal, o José António Salvador, e na gastronomia com o Manuel Gonçalves da Silva. Recentemente, saíu a Visão Gourmet Outono/Inverno 2011. Por 1,50 € tem-se acesso a 82 páginas, que incluem uma entrevista com José Quitério, receitas do Vítor Sobral , Fausto Airoldi, Bertílio Gomes e dos finalistas do masterchef. Completa a edição, uma selecção de restaurantes de Lisboa e Porto da responsabilidade do Manuel Gonçalves da Silva e os 100 melhores vinhos de 2011, eleitos pelo José A. Salvador. E os melhores foram : espumante Raposeira Blanc de Noirs Bruto 2006, branco Soalheiro Alvarinho 2010, tinto Qtª do Noval 2009, rosé Qtª da Romaneira 2010 e Porto Qtª Senhora da Ribeira Vintage 2009. Esta Visão Gourmet ainda está nas bancas. Compre antes que esgote.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vinhos em família (XXV)

Nas minhas últimas jornadas em família, provei 3 tintos, 1 branco, 1 Vintage e 1 Madeira, com especial relevo para este fortificado. Ei-los :
.Adega Vila Real Grande Reserva 09 - nariz complexo, fruta e especiarias, acidez q.b., madeira equilibrada, frescura e bom final de boca; teor alcoólico comedido (13 % vol.); em forma mais 4/5 anos. A Adega de Vila Real é um produtor que está a fazer brancos de qualidade a muito bom preço (Colheita, Reserva e este Grande Reserva). Nota 17+ (noutra situação 16,5+).
.Batuta 04 - nariz discreto, algo floral, acidez equilibrada, taninos agressivos no primeiro ataque, que depois se civilizam, arquitectura de boca e final muito longo. Em forma mais 5/6 anos. Nota 18+ (noutras 17+/18,5/18).
.Poeira 05 - um toque de rolha e excesso de sulfuroso. Azar!
.San Roman 05 (Toro) - 23 meses em barricas de carvalho francês e americano; nariz exuberante, frutos pretos, especiarias, acidez equilibrada, taninos firmes, final longo; estilo Douro/Ribera del Duero; está para durar pelo menos mais 10 anos. Nota 18.
.Passadouro Vintage 97 (amostra de casco) - nariz inexpressivo, corpo e final medianos, pouco harmonioso; uma desilusão. Nota 13,5.
.Blandy Verdelho 77 (engarrafado em 2004) - nariz complexo, frutos secos, caril, brandy, vinagrinho, estruturado, final interminável. 2h30 depois de bebido o aroma ainda pairava na sala de jantar. A Madeira no seu melhor! Nota 18,5+ (noutras 18,5/17,5+/17/17,5+/18/18+).

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um banho de cultura

Fui visitar, recentemente, a magnífica exposição "A Natureza-Morta na Europa" 2ª parte séculos XIX-XX (1840-1955), a decorrer no Museu Calouste Gulbenkian até 8 de Janeiro. Das 93 obras expostas (maioritariamente telas, mas também fotografias, objectos e porcelanas), 1/3 tem algo a haver com o mundo do vinho, concretamente 29 pinturas, 1 foto e 1 objecto. Garrafas, jarros, copos e canecas com vinho ou sem ele estão presentes e foram uma preocupação dos artistas. Também os cachos de uvas fazem parte da temática.
Uns tantos põem em destaque estes motivos que são aproveitados para identificação da obra por parte dos autores. É o caso das telas de Pablo Picasso (Natureza-Morta com copo e...), Vicent van Gogh (Cesto com limões e garrafa), Mikhail Larimov (Natureza-Morta com garrafa e...), Juan Gris (Tabuleiro de xadrês, copo e...), Umberto Boccioni (Natureza-Morta com garrafa), Gustave Courbert (Cacho de uvas) e Amédée Ozefant (Garrafa, cachimbo e...). E, ainda, a fotografia de Charles Aubry (Cacho de uvas) e o objecto de Marcel Duchamp (Le porte bouteilles). Há a acrescentar mais 22 quadros com o título Natureza-Morta ou outros nomes relacionados com o tema, saídos das mãos de autores tão credenciados como Phillipe Rousseau, Claude Monet, Paul Gauguin, Henri Matisse, George Braque, Mário Eloy, Maria Helena Vieira da Silva ou René Magritte.
Uma exposição a não perder, até porque está relacionada com o vinho e suas coisas. Um banho de cultura não faz mal a ninguém!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Almoço no Azenhas do Mar

O Azenhas do Mar, localizado na vila com o mesmo nome, é um simpático espaço, solarengo e praticamente em cima do mar, quase sempre bem revolto.
Comeu-se um agradável caril de gambas e polvo assado, uma das especialidades da casa. Pena foi que viesse com as pontas dos tentáculos esturricadas.
A lista de vinhos é tamanhina, mas bem seleccionada, embora sem datação, o que é para mim inaceitável. Tem disponíveis uma dúzia de vinhos a copo. Serviço de vinhos a cumprir sem grandes rasgos, copos aceitáveis (a pedido vieram outros bem melhores) e preços relativamente altos.
Bebeu-se o Colares branco 2008 da Fundação Oriente - aroma complexo, grande frescura e acidez, algum fumado, madeira discreta, arquitectura de boca e bom final; vai ainda melhorar com mais uns anitos de garrafa (gostava de o voltar a provar daqui a 10 anos, poderá ser uma bela surpresa). Nota 17,5+.
Em conclusão, um local com uma localização espectacular, comida apenas agradável, serviço descoordenado (os cafés ficaram esquecidos e vieram frios), mas simpático (oferta de miniaturas de queijadas de Sintra). A voltar quando sentir saudades do mar por perto.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O grupo dos 3 (18ª sessão)

Mais uma sessão deste grupo em prova cega. Os vinhos foram da responsabilidade do João Quintela que escolheu, para local do repasto, o restaurante principal do Corte Inglês. O prato principal foi uma monumental cabeça de garoupa, que deu para repetir e levar para casa. O protagonismo foi dado aos brancos (2), ainda com uns anos pela frente, tendo ainda sido posto à prova 1 tinto e 1 Madeira (nota: todos eles foram decantados) :
.Projectos Niepoort Chardonnay 04 - fruta madura, citrinos, um toque oxidativo, acidez muito presente, alguma gordura, estruturado e grande final de boca; um grande branco de Outono/Inverno, deveras gastronómico. Nota 18 (noutra situação 17+).
.Redoma Reserva 05 - nariz contido, notas florais, mineral, acidez marcante, madeira bem comportada, boca evidente e bom final; um branco cheio de personalidade. Nota 17,5+ (de referir as diferenças de garrafa para garrafa : 17,5/16,5+/16/15,5/16,5/15,5/16,5/17,5/18/17/17,5+).
.Quanta Terra 01 - nariz fechado, alguma fruta e acidez, taninos pontiagudos, final longo, algo desequilibrado; passou nitidamente por debaixo dos brancos. Nota 16,5+ (noutras 17/17/18/13).
.Madeira Malvazia 1879 - frutos secos, muito iodo e vinagrinho, caril e maracujá, grande boca e final longo; foi a melhor garrafa deste 1879 (a decantação fez a diferença). Nota 18+ (noutras 16,5/18/17,5/17/18).
Grande jornada com os brancos em alta. Obrigado João!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Vinhos em família (XXIV)

Mais um lote de vinhos provados em família e com amigos, 1 branco de Outono e 5 tintos, todos com o rótulo à vista.
.Borges Reserva 09 Branco (Dão) - com base nas castas Encruzado e Malvasia Fina de vinhas com mais de 30 anos; citrinos presentes, alguma baunilha, acidez q.b., madeira na conta, um ligeiro toque oxidativo, volumoso na boca, bom final, muito gastronómico; pena o excesso de teor alcoólico (14,5 % vol.). Nota 17,5.
.Ferreirinha Reserva Especial 03 - ainda com fruta, especiado, notas de tabaco, algum chocolate, acidez a dar-lhe vida, taninos bem presentes mas não agressivos, elegante e equilibrado, bom final de boca. Nota 18,5 (noutras situações 17,5/17,5).
.VT' 04 - diz no contra-rótulo que estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês, embora pareça que há por ali madeira usada; vinificado em lagares, rusticidade evidente, taninos ainda agressivos, final longo com algum rebuçado, teor alcoólico abaixo da moda (13,5 % vol.); precisa de mais 7/8 anos para tudo se harmonizar. Nota 17 (noutra 16).
.Três Bagos Grande Escolha 05 - também com o álcool contido (13,5 % vol.), nariz fino, notas florais, especiado, estruturado, madeira sem se impor, elegante e equilibrado, final longo; um belo Douro que vai continuar em forma mais 6/7 anos. Nota 18,5 (noutras 18/17,5).
.Fronteira Selecção do Enólogo 07 (Douro) - estagiou 12 meses em carvalho francês; frutos vermelhos, especiarias, acidez no ponto, alguma rusticidade, taninos presentes, bom final de boca, gastronómico; mais um bom produto da Companhia das Quintas a bom preço. Nota 16,5+.
.FSF 05 - mais um fora da moda (13,5 % vol.); nariz austero, floral, notas especiadas, belíssima acidez, estrutura de boca, final extenso; no ponto mais 5/6 anos. Nota 17,5.

domingo, 27 de novembro de 2011

Caça no Assinatura

De todos os jantares temáticos no Assinatura em que estive presente (e já participei nuns tantos), este foi o melhor, um deslumbramento.
Foram 5 os momentos criados pelo chefe Henrique Mouro, "Canja de faisão assado, raízes e trufa preta", "Folhado de perdiz com tortulhos e tomilho", "Peito de pombo fumado e gratinado de gila", "Arroz de lebre em vinho tinto e feijão branco" e "Lombo de veado, castanhas e cogumelos". Estariam todos na área da excelência, não fora a lebre, de reduzida dimensão, ter ficado entalada entre o feijão e o presunto crocante, o que lhe retirou protagonismo. Mas, todos os outros momentos, excelência pura. No final, uma deliciosa surpresa, tarte de pera com gelado de caramelo. Serviço exemplar e ritmo adequado. O Henrique Mouro e sua equipa estão (mais uma vez) de parabens!
Com o couvert e a canja bebeu-se, a copo, Soalheiro Alvarinho 10 - nariz exuberante, notas tropicais sem serem em excesso, boa acidez, muito equilibrado e elegante. Nota 17,5 (noutra situação 16,5+).
Com os restantes momentos, usufruimos de uma garrafa de CARM BOCA 04, levada por mim. Produzido quando do 10º aniversário das CAV, resultou de uma viagem nossa (o Juca e eu) a Almendra, onde se situava a adega da CARM. O lote foi escolhido em prova cega entre 3 ou 4 preparados por nós. Revela uma grande boca e um final muito longo e tem tido, ao longo dos últimos 5 anos, uma evolução harmoniosa e surpreendente. É um dos grandes vinhos do Douro da colheita de 2004, lamentavelmente ignorado pela crítica especializada. Foi o vinho mais vendido nas CAV, 150 caixas em 3 meses, é obra!

sábado, 26 de novembro de 2011

Uma garrafeira que nasce e outra que muda de mãos

O mais profissional de todos os amadores, na área da enofilia, profissionalizou-se. Estou a referir-me ao João Quintela, do ex-núcleo duro das CAV e provador activo no Grupo dos 3, Grupo dos 3+4, Grupo do Raul, Núcleo Duro, etc. É, desde ontem, o responsável de um novo espaço dedicado ao vinho e outras coisas, a Garrafeira Néctar das Avenidas, localizada no nº 40 da Av. Luis Bivar, em Lisboa.
Depois de uma pré-inauguração para os amigos, abre hoje às 17 h oficialmente ao público. Pode ser visitada de 2ª a Sábado das 10 às 20 h, até ao final do ano. É uma aposta forte nos vinhos de qualidade, não descurando a mercearia fina, com especial atenção aos produtos açoreanos.
A loja, com muito bom gosto está dividida em 3 espaços, a Recepção (onde está a componente goumet e alguns vinhos), a Garrafeira propriamente dita (aposta forte nas garrafas magnum) e a Sala de Provas. É intenção do João Quintela ter provas periódicas (no futuro, porque agora o espaço está reservado à preparação de cabazes de Natal) e organizar jantares de vinhos (em parceria com um restaurante da zona). À entrada podem ver-se, agarradas à parede tampas de caixas de madeira : Passadouro, Qtª Bageiras, Qtª Crasto, Pintas, Qtª Vallado, Chryseia e Campolargo, algumas das suas marcas preferidas.
João : os meus sinceros votos para que a tua loja seja um êxito e uma referência em Lisboa.
Falta-me falar referir a garrafeira que mudou (outra vez) de mãos : as Coisas do Arco do Vinho, no CCB, que o Juca e eu fundámos em 1996. Também desejo aos novos proprietários que sejam bem sucedidos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Almoço no Grelhas

O Grelhas Restaurante, magnificamente situado no complexo Casa da Guia, a caminho do Guincho, está integrado no Grupo Bar do Guincho, uma espécie de troika que, além deste espaço de restauração, engloba o Bar do Guincho e o Bg Bar e respectiva garrafeira de venda ao úblico (no Monte do Estoril, a olhar o mar).
O Grelhas, o único espaço que tenho frequentado, é algo pretensioso, mas sem motivos para tal. A comida não é nada de especial e o serviço atrapalhado. A mais valia é mesmo a localização.
Quanto a vinhos, a lista é curta e sem a respectiva datação. Tem alguns vinhos a copo, com especial incidência nas referências da marca Monte Cascas, aliás um projecto muito interessante e original. Bebi o branco Monte Cascas Reserva Douro, cujo ano de colheita não registei, porque o copo já vinha servido. Inadmissivel! Pior ainda, o Grupo Bar do Guincho tem uma parceria com os enólogos do projecto Monte Cascas, Helder Cunha e Frederico Vilar Gomes, cujos vinhos estão presentes em todas as listas e à venda na garrafeira. Ó senhores enólogos, não podem dar uma mãozinha aqueles senhores e melhorar o serviço de vinhos?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Lisboa à Mesa

Acabou de sair o livro "Lisboa à Mesa - Guia Onde Comer. Onde Comprar" (Ed. Planeta), da autoria de Miguel Pires, crítico gastronómico da nova geração que, vaticino, será o sucessor natural do José Quitério e do saudoso David Lopes Ramos. O prefácio é do Duarte Calvão e as ilustrações, aliás belíssimas, do Tiago Albuquerque. Entre outros, faz crítica no Diário Económico e na Wine. É, ainda, o principal animador do blogue Mesa Marcada (pode-se entrar através do meu link), constituido em parceria com o Duarte Calvão e o Rui Falcão, cuja leitura recomendo.
Na contra-capa pode ler-se que é "Um guia para quem gosta de comer(...) (e) se interessa por restaurantes mas que gosta também de cozinhar e de saber onde comprar ingredientes (...)".
São 280 entradas para restaurantes e afins, lojas, mercados, mercearias, talhos, padarias,..., com informação pertinente e carregadas de sentido de humor.
A organização do guia baseia-se na divisão da cidade em 15 zonas geográficas e, em cada uma, inclui informação "onde comer" e "onde comprar", por ordem alfabética. Faz no entanto falta, no meu entender, uma planta de cada uma das zonas, com a indicação das entradas que poderiam ser numeradas. Por outro lado, parecia-me mais fácil que a ordem não fosse alfabética, mas sim geográfica, para não saltar da Elias Garcia para a Marquês da Fronteira e dali para a Latino Coelho (à consideração do Miguel Pires, com vista a novas edições).
De resto os índices são exaustivos, para além do alfabético inclui por preços, tipo de cozinha, abertos ao domingo, etc. A zona onde vivo (Belém/Restelo), infelizmente para mim, aparece com pouca oferta, ou porque é mesmo assim ou porque o autor vagueou menos por esta ponta da cidade. Só o Miguel poderá confirmar.
Eventuais alterações (encerramento do espaço,por exemplo) vão aparecendo em www.lisboamesa.wordpress.com, de molde a que o guia esteja sempre actualizado. Uma mais valia! Por outro lado, o autor está aberto a críticas e sugestões, através do endereço miguelpirex@yahoo.com. Bingo!
Alfacinhas, gastrónomos ou não : este guia é de consulta obrigatória e agora que o Natal está à porta, uma óptima ideia para uma prenda útil e com um preço adequado à crise.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

As marcas que interditei nas CAV

Em mais de 10 anos de gestão da área dos vinhos, tive duas monumentais "birras", do que resultou a interdição de venda nas CAV de algumas marcas muito conceituadas no mercado nacional. E isto por reacção natural ao comportamento inadequado dos principais responsáveis por aquelas marcas. Para que conste, tive sempre o apoio solidário do Juca, meu sócio na altura e amigo de sempre.
A primeira foi com a Carrie Jorgensen (Cortes de Cima), por ter reagido mal quando retirei da prateleira um dos seus vinhos, que fora desclassificado num painel da revista Epicur, organizado pelo malogrado José Matos Cristóvão. A senhora não aceitou bem a situação e enviou-me uma carta arrogante que não primava pela boa educação. Como resultado, devolvi-lhe a missiva e deixámos de vender os vinhos daquela produtora.
A segunda foi com o Carlos Lucas (Dão Sul), por não ter cumprido o que nos prometera. Este senhor, quando da saída do primeiro vinho tinto Pedro & Inês, garantiu-nos publicamente a exclusividade na área de Lisboa. Passado algum tempo, e depois de termos vendido umas dezenas de caixas, esqueceu-se da promessa e entregou o vinho a um distribuidor, fazendo tábua rasa da nossa parceria. Faltou à palavra dada, o que para mim é indesculpável. A partir daí todas as marcas comercializadas pela Dão Sul deixaram de ser vendidas nas CAV, durante largos anos.
Não me arrependo destas "birras" e, passados estes anos todos, voltaria a tomar as mesmas atitudes

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Caça no Assinatura

Nos dias 22, 23 e 24 de Novembro vai processar-se mais uma série de jantares temáticos no Assinatura, debaixo da batuta do chefe Henrique Mouro. São 5 momentos baseados em peças de caça (perdiz, lebre, veado,...). Isto promete. Boa pontaria e bom apetite!

Vinhos em família (XXIII)

Desta vez foram todos tintos, 3 Douro, 1 Alentejo que me surpreendeu e 1 de Pegões barato e com qualidade. Todos bebidos em família, sem a pressão da prova cega. Vamos então às minhas impressões.
.Qtª do Crasto T.Nacional 03 - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; floral, elegante, madeira bem integrada, notas de couro e tabaco, estruturado e bom final de boca, rolha muito boa; aguenta mais 3/4 anos em forma; pede um prato não demasiado intenso. Nota 18 (noutra situação 18+).
.Vallado Reserva 05 - 17 meses em meias pipas de carvalho francês; notas florais, alguma fruta, madeira discreta, taninos presentes sem arestas, bom final de boca, muito gastronómico, mais 4/5 anos apetecível. Nota 17,5 (noutra 17,5+).
.Passagem Reserva 07 - resultado de uma parceria entre a Qtª de La Rosa e o Jorge Moreira; frutos vermelhos, fino, super elegante, boa acidez, taninos equilibrados e bom final de boca; falta-lhe tempo para atingir a maioridade, mais 7/8 anos. Uma marca a reter, até porque tem um preço cordato. Nota 17,5.
.Qtª do Carmo Reserva 05 - 12 meses em barrica de carvalho francês; nariz austero, surpreendentemente fresco, taninos presentes, profundidade de boca e bom final; um tinto alentejano ainda longe da reforma, aguentando mais 4/5 anos. Nota 17,5.
.Adega de Pegões Colheita Seleccionada 08 - 12 meses em meias barricas de carvalho francês, nariz exuberante, muito frutado, taninos aveludados, guloso e bom final de boca; muito agradável, é pena não ter mais acidez (o contra-rótulo afirma que envelhece bem durante 10 anos; não me parece). Nota 16,5.

domingo, 13 de novembro de 2011

Perplexidades (IV)

Mais uma história passada comigo, há já longos anos, enquanto gerente das CAV e responsável pelos vinhos.
Telefonou-me o director comercial, hoje já retirado do negócio, de uma afamada marca, no sentido de lhe cedermos algumas caixas de um vinho, na altura muito badalado. Explicou-me que era para um cliente muito especial e a sua empresa já não tinha stock do vinho. Face à situação exposta e porque tinha aquele senhor em boa consideração, anuí ao pedido disponibilizando todo o stock existente nas CAV.
No dia combinado, qual é o meu espanto quando vejo entrar nas CAV um concorrente nosso e respectiva família, que vinham levantar a encomenda.
É claro que a nossa amizade acabou naquele minuto e os meus desabafos, via telefone, foram indecorosos e continuam impublicáveis. É preciso descaramento!

sábado, 12 de novembro de 2011

Almoço na Casa da Dízima

A Casa da Dízima é um restaurante bem localizado em Paço d'Arcos, ambiente agradável, cozinha segura mas sem fazer subir aos céus, preços justos, bons copos e serviço profissional. As sugestões do chefe, quinzenais, têm preços muito acessíveis.
A lista de vinhos é muito completa e criteriosa, com uma boa oferta de generosos, algumas surpresas e preços não especulativos, especialmente na gama alta, com custos um pouco acima dos praticados nas garrafeiras. Tem vinhos a copo e também se pode levar a garrafa de casa, pagando-se uma taxa de rolha de 10 €. Foi considerado pela Revista de Vinhos, com toda a justiça, Restaurante Amigo do Vinho.
Bebeu-se o branco Morgadio da Calçada 2010 - austero no nariz, alguma fruta, boa estrutura e final de boca bem presente. Cria boas expectativas para o Reserva da mesma marca, que ainda não tive oportunidade de provar. Nota 16,5+.
Em conclusão, está-se bem na Casa da Dízima e recomendo-a.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Grande Reserva

"Grande Reserva - as melhores histórias do vinho portugês" é uma obra da autoria do bloguista João Barbosa (Ed. Oficina do Livro), chegado recentemente ao mercado. Pode ler-se na badana que "Grande Reserva é um livro de histórias, um apanhado de pequenos tesouros, entre fait-divers e curiosidades(...)". O autor entrevistou 43 figuras ligadas de algum modo ao mundo do vinho, o que deu origem a 40 pequenas histórias ou meras curiosidades. Entre outras, destaco a do rótulo criado pela pintora Paula Rego, a pedido da Herdade do Esporão, mostrando uma mãe a dar de beber vinho ao bebé, que foi chumbado pelos burocratas da CVR Alentejo; o facto de o antigo ditador Salazar ter anexado a um cheque enviado ao Hotel do Buçaco, para pagamento de vinhos ali consumidos, um cartão a dizer que tinha achado a conta muito cara; a decisão dos exportadores de Vinho do Porto de só em 2010 autorizarem as mulheres ligadas ao negócio a entrar nas instalações da Feitoria dos Ingleses, situada na zona histórica do Porto. É um livro delicioso que os enófilos deveriam ter nas respectivas bibliotecas.
E já agora, também recomendo o livro "Barca Velha - histórias de um vinho", de Ana Sofia Fonseca (Ed. Bertrand, em Novembro 2004). Imperdível!
Ficam ainda bem na nossa biblioteca, embora pouco ou nada tenham a haver com a nossa realidade:
.Dicionário Sentimental do Vinho, de Bernard Pivot (Ed. Casa das Letras, em Novembro 2007). Tem uma entrada dedicada ao Vinho do Porto.
.Erótica do Vinho, de Jean-Luc Henning (Ed. Campo das Letras, em Julho 2008).
.Um Hedonista na Adega, de Jay McInerney (Ed. Casa das Letras, em Setembro 2008).
.Mondovino, de Jonathan Nossiter (Ed. Sextante Editora,em Setembro 2008). Prefácio de Luis Pato para a edição portuguesa.
Nota : embora com o mesmo nome, o livro nada tem a haver com o filme.
Boas leituras!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um passeio por Azenhas do Mar

Antes destas chuvadas, num belo dia cheio de sol, andámos pela zona de Azenhas do Mar e arredores.
O almoço foi na Adega das Azenhas, enorme, barulhento, vocacionado para grupos ruidosos e famílias numerosas. Ementa alargada, mas sem nada que o diferencie dos restaurantes do mesmo género. As meias doses são muito fartas e dão para 2 pessoas.
A carta de vinhos contempla uma série de "narizes de cera", como diz o José Quitério, sem qualquer data de colheita. Faz, ainda, referência a uma lista especial que, por mim solicitada, afinal não existia! As meias garrafas não me seduziram e vinho a copo é coisa em que não apostaram. Sugeriram-me Barão de Nelas Reserva 04 (50% de T.Nacional), que vinha numa garrafa já aberta e com o líquido por metade. Não me souberam dizer há quanto tempo fora aberta, mas resolvi arriscar. Boa surpresa : nariz discreto, ainda com fruta, belíssima acidez, taninos presentes, profundidade e bom final de boca. Nota 16,5. Copo aceitável e serviço a cumprir os mínimos.
Mas o melhor do passeio foi a "descoberta" da Mercearia d'Aldeia, que me tinha sido veementemente recomendada no decorrer do EVS. Fica no centro de Janas, um local improvável para uma loja de qualidade.
É um misto de mercado, mercearia fina e garrafeira. Tem uma louvável selecção de vinhos de qualidade, com evidente incidência nas gamas alta e média/alta. Vinhos da moda e novidades estão lá quase todas. E, mais ainda : os preços são uma tentação e o dono, Pedro Martins, uma simpatia.
Tenciono voltar e aconselho uma visita à Mercearia. Ninguém se arrependerá.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Vinhos em família (XXII)

Mais uma prova com os rótulos à vista, no sossego da minha casa. Os tintos ainda não entraram em força, apenas 2, acompanhados por 2 Madeiras e 1 branco.
.Artur Barros e Sousa Verdelho Reserva Velha (eng. em 2007) - nariz discreto, alguns sedimentos em suspensão, notas de iodo, acidez não muito pronunciada, corpo e final médios, muito "light" se comparado com um Blandy. Nota 15,5.
.Olho no Pé Grande Reserva 09 - a partir de vinhas velhas esteve 12 meses em borras finas; côr carregada, aroma exuberante, fruta madura, untuoso, alguma tosta, acidez no ponto, boca afirmativa, bom final, gastronómico; branco deveras original, mas com álcool excessivo (14 % vol.), o que é pena. Nota 17,5.
.Charme 04 - floral, taninos finos, madeira bem casada, acidez, profundidade, bom final de boca, elegante e harmonioso, álcool contido (13,5 % vol.), um vinho aristocrático. Em forma mais 7/8 anos. Nota 18,5.
.Vale Meão 03 - à base de T.Nacional (60%), fruta vermelha ainda bem presente, notas florais, tabaco e cacau, acidez equilibrada, elegante, fino na boca, taninos presentes mas domados, estruturado e bom final de boca. Aguenta mais 5/6 anos em bom estilo. Nota 18,5.
Artur Barros e Sousa Boal Reserva Velha (eng. em 2009) - límpido, cristalino, frutos secos, tangerina, notas de iodo, vinagrinho, taninos finos, elegante, bom final de boca. Nota 18.

sábado, 5 de novembro de 2011

A grande festa do Vinho a Copo

Não pondo em causa a importância deste evento, iniciativa da Viniportugal e com o apoio da Revista de Vinhos, fico perplexo com um dos cartazes difundidos pela organização que considero contraproducente. O referido cartaz mostra, em grande plano, dois jovens a agarrarem fortemente o corpo do copo, ignorando o pé do dito. E passando os olhos pelas diversas fotografias que suportam a reportagem da RV, constato que, salvo raras e honrosas excepções, a maioria esmagadora dos participantes não sabe pegar no copo. Este problema a nível nacional não é nada brilhante, a começar pelo inquilino de Belém (ver crónica de 9/6/2010) e outras figuras públicas. Falta formação a esta gente. A Academia Revista de Vinhos e outros formadores não podiam dar uma mãozinha em futuros eventos deste tipo? (a despropósito, no capítulo 3 do Módulo A do programa do curso, aparece referida "Terras do Sado" como Região vinícola, que me parece ter deixado de existir como tal).
Em abono da verdade, no meio desta desgraça quase total, salva-se a Ministra da Agricultura que ou já sabia pegar num copo de vinho ou teve formação adequada logo que tomou posse.

Os 200 anos da Blandy e a Revista de Vinhos

Fiquei deveras satisfeito ao ler, na RV de Novembro, o texto do João Afonso "200 anos da Blandy's" e as respectivas notas de prova dos 12 Madeiras degustados na ocasião, 5 dos quais na zona da excelência. Será desta que o Francisco Albuquerque vai ter direito ao prémio do melhor enólogo de vinhos generosos? Palpita-me que sim. Mais vale tarde do que nunca.
Ficou-me uma dúvida, porque razão o João Paulo Martins, também presente na prova comemorativa, não assinou o texto nem as notas de prova. Mistério...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Encontro com o Vinho e com os Sabores 2011 (EVS)

Participei na 2ª feira (das 14 às 18 h), como profissional reformado, neste grande e obrigatório evento que é o EVS. Foram 4 horas muito intensas, ao longo das quais (re)encontrei amigos, antigos clientes, produtores, enólogos, vendedores, etc e conheci pessoas com quem nunca tinha contactado no passado. 193 Stands com vinhos à prova, 15 de sabores, 7 de acessórios e 10 Provas Especiais é obra. Parabens à Revista de Vinhos!
É claro que me limitei a provar uma ínfima parte dos que estavam à prova, a grande maioria bem à vista e uns quantos debaixo da mesa. Para não cansar demasiado o palato quase não provei tintos, tendo privilegiado os brancos e deixado para o fim alguns fortificados. No entanto esta metodologia tem os seus inconvenientes, pois quando me propunha provar alguns frasqueiras da Blandy encontrei as garrafas vazias. Só deu para cheirar, os aromas ainda lá estavam!
Passando aos vinhos provados, é de realçar o patamar médio de grande qualidade dos brancos. Não me lembro de ter provado, no passado, um conjunto tão interessante. Correndo o risco de ser injusto, até porque apenas provei uma pequena quantidade, destaco em primeiro lugar (a ordem é a da prova) : Qtª de Bageiras Garrafeira 09, Muros de Melgaço Alvarinho 10, Monte Cascas 09 (Colares), Dona Berta Vinhas Velhas Reserva 10, Passagem 10 e Redoma Reserva 10. E, ainda nos brancos, registei a qualidade de mais os seguintes : Campolargo 10, Qtª das Marias Encruzado (Barricas) 10, Qtª Sant'Ana Alvarinho 10, Qtª Seara d'Ordens 10, Anselmo Mendes Curtimenta 09, Morgadio da Calçada 10, Borges Reserva 09 (Dão), Dona Berta Vinha Centenária 09, Pera Manca 09, Qtª do Pinto Grande Escolha 09, Pinto Limited Edition 10 e Malhadinha 10.
Quanto a tintos, é de referir (seguindo também a ordem dos stands) : Poeira 09, Qtª da Pellada 01, CH by Chocapalha 08 (a maior surpresa em tintos), MR Premium 07 (Monte da Ravasqueira), Altas Quintas Reserva-do 05, Três Bagos Grande Escolha 08, Vale Meão 09, Scala Coeli 07 (100% TN), Marquesa de Alorna Reserva 08, Vinha Barrosa 09, Qtª do Ribeirinho Baga Pé Franco 11 (solo argilo-calcáreo), Qtª da Casa Amarela Grande Reserva 09 e Casa da Passarela Vinhas Velhas 08. Contra a corrente, registei o desalinhado Lavradores de Feitoria X Edição Especial Tinto Cão 06 (um borgonhês a lembrar o Charme) e as provocações do Luis Pato, Pato Rebel 10 e Fernão Pires by LP 11 (um tinto a partir de uvas brancas!).
Finalmente e depois do cheirinho dos frasqueiras, tive a ocasião de provar Portos : Dalva Branco 20 Anos e Colheita 85 (ambos eng. em 2010), Barros 30 Anos e Colheita 81 (ambos em 2011), Poças 30 Anos (2011), Graham 20 Anos (2010), Ramos Pinto R P 20 Anos (2011) e Qtª do Noval Colheita 86 (2011). A grande surpresa deste lote foi o Barros Colheita 81. Simplesmente fantástico!
E, para o ano, há mais...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O grupo dos 3 (17ª sessão)

Mais uma sessão do grupo dos 3 (Juca, João Quintela e eu). Desta vez com os vinhos do Juca que escolheu o restaurante Horta dos Brunos (à Estefânia). Quando se entra na sala fica-se logo impressionado : estamos num local onde o culto do vinho é evidente. Prateleiras cheias, armários térmicos e caixas e caixas empilhadas em todo o espaço disponível. Deveras impressionante.
A lista de vinhos, mal arrumada e não contemplando todas as referências disponíveis, é extensa, embora muito centrada no Alentejo. Serviço profissional, copos Riedel e preços honestos. Tem uma dúzia de vinhos a copo, mas também demasiado alentejana.
Provámos, às cegas, 1 branco, 2 tintos e um colheita tardia, a saber :
.Qtª Foz de Arouce 08 - austero no nariz melhorou com o tempo, algo floral, acidez equilibrada, fresco e elegante, madeira discreta, bom final de boca e muito gastronómico. Ainda vai melhorar nos próximos anos.Nota 17. Acompanhou bem uma série de entradas.
.Qtª da Pellada 05 - aroma complicado, excesso de sulfuroso(?), acidez elevada, final longo, mas muito desequilibrado. Nota 15,5.
.Carrocel 03 - Rolha!
A acompanhar um excelente bife de vitela à Pedro, muito bem temperado.
.Anselmann Ortega 06 - um surpreedente colheita tardia desconhecido para nós com 8,5 % vol; notas de citrinos, algum melado, fresco e untuoso, encorpado e final longo; um vinho com personalidade que acompanhou bem as sobremesas. Nota 18.
Come-se bem na Horta dos Brunos, um restaurante com grande potencial na área dos vinhos. No entanto, para mim, tem 2 aspectos negativos que é importante corrigir. Fuma-se na sala, o que é uma incongruência para quem aposta forte nos vinhos, e não tem MB nem Visa, o que é incompreensível atendendo ao tipo de clientela que tem.
Obrigado Juca! A intenção era boa e não tens culpa que os tintos se tivessem portado mal.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mais um jantar com vinhos da Madeira

Verdade seja dita que este último jantar ficou uns furos abaixo dos 2 primeiros (ver crónicas de 17/12/2010 e 27/02/2011). De facto não esteve ao nível a que estamos habituados. A qualidade média dos Madeiras provados não estava na zona da excelência e com o Ângelo de baixa o serviço ressentiu-se (o Nelson desdobrou-se entre a cozinha e a sala, mas não foi suficiente).
O formato desta sessão foi diferente das anteriores pois, para além dos Madeiras (2 no início e 2 no final), foi dado algum protagonismo a 3 vinhos brancos, solução amiga dos nossos palatos.
Começámos com um agradável espumante bruto Qtª do Valdoeiro Baga/Chardonnay 05, simpática oferta da casa.
A acompanhar uma interessante salada de bacalhau, avançaram os primeiros Madeiras :
.Artur Barros e Sousa Serceal 80 (eng. em 97), trazida pelo Modesto Pereira - límpido e cristalino, secura acentuada, nariz discreto, notas de caril e iodo pouco acentuadas, algum metálico, algo desequilibrado, mas bom final de boca. Nota 16,5.
.Cossart Gordon Verdelho 75 (eng. em 2004), levada por mim - aroma mais presente, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e caril, boca mais potente e final mais longo do que o anterior. Nota 18.
Com uma entrada de vieiras com pouco sabor e uma belíssima espetada de polvo e gambas, foram provados 3 brancos do João Quintela :
.Projectos Niepoort Riesling 04 - ainda com fruta presente, fumado,, boa acidez, muito elegante, estrutura e bom final de boca, um grande branco pleno de equilibrio. Nota 18.
.Anselmo Mendes Alvarinho/Loureiro 10 - aroma exuberante, notas tropicais, acidez acentuada, corpo e final médios, foi melhorando ao longo da refeição. Nota 17.
.Soalheiro Reserva 09 - mais floral e delicado, mineral, elegante e equilibrado, bom final de boca; precisa de tempo de garrafa para atingir o seu máximo. Nota 17+.
Finalmente e com um série de sobremesas (bolos,doces e fruta):
.Artur Barros e Sousa Bastardo 66 (sem data de engarrafamento), saído da garrafeira do Adelino de Sousa - límpido e cristalino, austero, vinagrinho evidente, alguma secura, corpo médio e final longo, melhorou bastante no copo. Nota 17.
.Barbeito Malvasia 30 Anos (eng. em 2006; garrafa nº 1276 de 1550), levado pelo Juca - turvo, austero no nariz, acidez acentuada, aguardente evidente, muito desequilibrado, a desilusão da noite. Nota 15.
Apesar de tudo, mais uma boa jornada e um são convívio entre militantes dos Madeiras.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O último evento das CAV : 2 anos depois

Faz hoje precisamente 2 anos que ocorreu o último evento organizado pelas Coisas do Arco do Vinho. Por circunstâncias que já não recordo bem, foi almoço a um sábado e não um dos habituais jantares à 6ª feira. E para fechar com chave de ouro, o derradeiro evento foi com a presença e participação activa dos Douro Boys e teve lugar no restaurante do CCB, "A Commenda".
Foram servidos 10 vinhos, 2 brancos, 6 tintos e 2 fortificados. Para que fique registado para a posteriedade, foram apresentados, provados e bebidos os brancos Vallado Reserva 08 e VZ Van Zellers 08, os tintos Crasto 08, Vale Meão 07, Vallado Reserva 07, Batuta 07, Crasto Vinhas Velhas 07 e Vale D.Maria 07 e, ainda, os Porto Vintage Niepoort 07 e Vale Meão 07.
Foi uma grande jornada e uma tarde inesquecível para quem nela participou. Creio, muito sinceramente, não ser nada fácil a repetição deste evento com estes ou outros personagens.
E, dois anos depois, reiteramos o nosso agradecimento a estes grandes senhores do mundo do vinho que são os Douro Boys.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Qtª da Fonte Santa revisitada

A convite do amigo Alfredo Penetra, voltámos a almoçar no Refeitório da Qtª da Fonte Santa, propriedade do Banco de Portugal. O chefe Nuno Canilho (ver crónica de 14/3/2011) já não trabalha ali, tendo sido substituido pelo nº2, Filipe Marques, que passou a pontificar na cozinha, mas sem largar a orientação da sala, aqui ajudado pela Vanessa, a sua simpática cara metade.
Os vinhos eram da garrafeira do Alfredo, champanhe, branco e generoso e portaram-se todos bem.
O repasto iniciou-se com o President Germain Bruto não datado, completamente desconhecido entre nós, com base nas castas Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay. Bolha fina e persistente, aroma a lembrar pão fresco, notas florais, fresco e estruturado. Uma boa surpresa. Nota 17,5. Acompanhou um agradável cocktail de camarão.
Seguiu-se o Val d'Algares Alvarinho 09, um bom exemplar da casta, embora longe do seu berço de origem. Exuberante no nariz, presença de citrinos e notas tropicais, fresco e elegante, mas também a sentir-se alguma gordura na boca, final prolongado. Mais uma boa surpresa. Este produtor ribatejano está a fazer brancos consistentes e com muita qualidade. Nota 17,5+.
Bateu-se bem com uma inesquecível garoupa no forno. Comeu-se, repetiu-se e, ainda, levámos as sobras para casa.
Finalmente, encerrámos com o Dalva 30 Anos (eng. em 2009). Aroma complexo, com frutos secos em evidência, taninos firmes, profundidade de boca e final interminável. Não o troco por vintages com a mesma idade. Nota 18. Foi a companhia ideal para a sobremesa, um strudell de maçã com gelado de baunilha. O Filipe Marques está de parabéns e à altura das novas responsabilidades.
Mais uma boa jornada. Obrigado Alfredo!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Provas no CCB

Voltei, no princípio desta semana, à minha antiga casa, o CCB, a convite da distribuidora Heritage Wines (HW), na qualidade de bloguista. É o que está a dar! A HW é já uma distribuidora de referência, com um reduzido portefólio, mas de grande qualidade. Tudo o que provei era muito bom, não havendo desilusões a lamentar. Registei os clássicos Qtª do Crasto Vinha da Ponte 05 e Maria Teresa 07 (servida em dupla magnum ?), a novidade Mouchão Colheitas Antigas 02 (em magnum), Roda Reserva 07 e 06 (Rioja), Fonseca Vintage 85 (ainda muito jóvem), Fonseca 40 Anos (eng. em 2010), Taylor's 30 Anos (eng. em 2011), Romariz Vintage 00 e o surpreendente Romariz Colheita 88 (eng. em 2010). Finalmente 2 ou 3 gotas do Scion, rigorosamente controladas. Mas, francamente, pela décima ou vigésima parte daquele preço (ver crónica Imoralidades de 3/12/2010) tenho provado algumas dezenas de vinhos fortificados com uma qualidade semelhante.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Evento Wine Bloggers na José Maria da Fonseca (JMF)

1.Preliminares
A JMF está triplamente de parabens. Antes de mais nada, por ter sido a 1ª empresa produtora de vinhos, que eu saiba, a organizar uma visita e prova de vinhos, exclusivamente dedicada aos autores dos blogues nacionais e afins. A Herdade das Servas já tinha organizado, no principio do ano, um evento similar, onde alguns bloguistas foram convidados nessa qualidade (ver crónica "A Herdade das Servas e a Blogosfera" de 22 e 23 de Janeiro 2011). Mas não foi em exclusivo, embora representassem cerca de 1/3 dos convidados.
Em 2º lugar, por nos ter sido proporcionada uma extensa e didáctica prova, uma das mais interessantes em que participei nos últimos anos. Foram provados e bebidos 24 vinhos 24!
Em 3º e último, por a família Soares Franco se ter envolvido de alma e coração, a Sofia (7ª geração) e o meu confrade Domingos (6ª geração). Obrigado e bem hajam!
2.Os participantes : bloguistas e afins
Para que conste, participaram no evento 15 bloguistas e afins, tendo outros 3 sido convidados mas que não poderam comparecer :
.Abílio Neto
.Art Meets Bacchus
.Comer, Beber, Lazer
.Copo de 3
.Enófilo Militante
.E tudo o vinho levou
.Magna Casta
.Nuno Gonçalves
.O vinho é efémero
.Os Vinhos
.Pingamor
.Pingas no Copo
.Prazeres Requintados
.Saca-a-Rolha
.Wine & Lifestyle Report
3.Recepção e Visita
Na recepção dos convidados, a Sofia referiu, muito acertadamente, o papel e a importância dos "bloggers" para a difusão da informação descomprometida dos vinhos nacionais. A JMF inteligentemente percebeu isto, contrastando com algumas vozes institucionais que não perceberam ou não querem perceber a importância da blogosfera. Posturas...
A visita foi feita à imagem e semelhança do que é habitual fazer-se com os turistas que vão conhecer a JMF. Nem mais nem menos...
4.A prova
A degustação dos primeiros 4 vinhos, foi orientada pelo Miguel Remédio (?), responsável pela área de marketing da JMF. 2 brancos Qtª de Camarate 2010, ambos a partir das castas Alvarinho e Loureiro, um seco (tropical, elegante, fresco, estruturado, o mais interessante para o meu gosto) e o outro doce (discreto, pouco expressivo, embora fino) e 2 tintos, o Qtª de Camarate 08 (floral, corpo e final médios, discreto mas agradável) e o Pasmados 08 (mais exuberante no nariz, boca mais vigorosa, guloso e bom final).
A parte mais interessante veio a seguir, sendo a prova orientada pelo responsável máximo da enologia, Domingos Soares Franco, que quis partilhar connosco algumas das experiências em que tem trabalhado. Tudo muito didáctico. Primeira surpresa, os 2 brancos de 2011, um Verdelho e o outro Verdejo, são completamente diferentes, o 1º ainda em construção e o 2º já feito, muito tropical, muita frescura e equilibrado.
Outra experiência que serviu como exercício pedagógico foi a prova da Grand Noir, fermentada de 3 maneiras diferentes, em talha, em lagares e em cuba (inox). Pareceu-me a versão fermentada em talha com o aroma mais expressivo e os taninos mais macios, a versão lagar mais rústica e os taninos algo agressivos e a versão inox a mais equilibrada. Acabei por não me aperceber o que é que o autor pensa das suas experiências.
Seguiu-se a prova de 4 vinhos de gama alta, Domini Plus 08 (floral, requintado, acidez equilibrada, estruturado e bom final de boca, o "terroir" Douro bem marcado), FSF 07 (aromático, frutos vermelhos, notas de couro, fresco, taninos macios, final médio), Periquita Superyor 08 ( provado em Maio numa outra grande jornada na JMF mantém o nível, fruta ainda presente, especiado, alguma acidez, redondo, bom final de boca) e J de José de Sousa 09 (exuberante e complexo no nariz, fino e elegante, boa arquitectura de boca e final longo; o João Paulo Martins atribuiu-lhe a nota 18, mas não o seleccionou para os melhores do ano, sabe-se lá porquê).
Seguiram-se 3 moscatéis da Colecção Privada Domingos Soares Franco, já nossos conhecidos, com o "Armagnac" 98 a passar por cima do "Cognac" 99, uma experiência polémica e pouco consensual. O Roxo 03 mostrou-se à altura dos seus pergaminhos. Finalmente, o grande Moscatel Roxo 20 Anos, engarrafamento de 2010 - um festival de aromas e sabores, melado, boca potente, embora pudesse ter um pouco mais de acidez. Ainda houve 2 Bastardinhos (2009 e 2011), mas nesta altura do campeonato é coisa para pedófilos.
5.O almoço
Foi, antes de mais, um são e bem disposto convívio entre os donos da casa e seus convidados. Em relação ao almoço em si, nada de novidades. Já conheço esta agradável ementa desde há algum tempo. Mas, no entanto, há algo que discordo frontalmente, a introdução do queijo no início do repasto, como se fosse um aperitivo. Infelizmente não é caso único, pois na restauração há este hábito de porem em cima da mesa, como couvert, queijo de entorna, seja Azeitão, Serra ou Serpa. Não funciona. Mais vale apresentá-lo no fim e acompanhá-lo com um branco untuoso, com uma ligeira oxidação e pleno de acidez. Fica a matar. Experimentem. Este branco, Pasmados 08, já o tinha provado na JMF há cerca de meio ano. Está fabuloso e tem um perfil de branco que adoro. Pena é que nalgumas garrafas esteja completamente oxidado e praticamente imbebível. O Hexagon 03, servido em magnum, é o menos interessante dos vinhos de topo da JMF e pareceu-me com uma acidez volatil excessiva. O Bastardinho 30 Anos, engarrafado em 2008, sedutor no aroma, tem uma boa acidez, boca poderosa e final muito longo. Finalmente, a surpresa da tarde, o Moscatel Superior 55, engarrafado em 2011 - muito complexo no nariz e na boca, notas de frutos secos, iodo e caril, estrutura, profundidade e final interminável.Para beber com todo o respeito. Foi uma das 50 garrafas da reserva do produtor, as outras 100 vão ser leiloadas.
Embora seja meu hábito pontuar os vinhos que provo e registá-los para os hierarquizar e comparações futuras, nem sempre as difundo. Mas, no caso deste 1955, não resisto. Nota 19,5.
Mais uma grande e louvável jornada. Parabens à JMF pela aposta na blogosfera. Obrigado confrade Domingos.

domingo, 23 de outubro de 2011

Almoço na Tosca

Em tempo de crise convém saber onde se pode comer sem desequilibrar o orçamento, mais a mais se for funcionário público. A Tosca - Taberna de S.Paulo, na praça com o mesmo nome, ao Cais do Sodré, pratica de 2ª a 6ª um menu a 8,50 €, com direito a sopa, prato, bebida e café.
A Tosca é um espaço moderno com amplas janelas envidraçadas e uma agradável esplanada com capacidade para 24 mastigantes, embora prejudicada com a passagem de alguns carros. Mas com estas chuvadas que chegaram hoje, não há qualquer hipótese de usufruirmos da dita.
Lista de vinhos equilibrada com algumas referências a preços pouco meigos e aposta nos vinhos a copo (2 espumantes, 7 brancos, 3 rosés e 9 tintos, o que é uma oferta de elogiar). Copos Schott e serviço de vinhos profissional (a garrafa vem à mesa e o vinho é dado a provar). Bebi um copo de branco Fafide Reserva 09 - frutado, bela acidez, simples, fresco e agradável. Acompanha bem pratos leves. Nota 15,5.
Espaço agradável que se recomenda, apesar da lentidão na cozinha. Para quem não tenha pressa, tudo bem.

sábado, 22 de outubro de 2011

Almoço no Gspot Gastronomia

Fica em Sintra e dele já falei (ver crónica de 14/5/2010). Na criação dos pratos está o João Sá e na sala o Manuel Moreira, escanção com provas dadas, coadjuvado pelo André Simões. Uma boa equipa num espaço simpático. Ao almoço, de 2ª a 6ª, é possivel usufruir de um menú de 10 €, entrada+prato ou prato+sobremesa, sendo o couvert e uma bebida por conta da casa. Um achado, em tempo de crise.
Comi uma saladinha de batata e ovo com ventresca de atum, a acompanhar um copo do branco Attis 2010 (Lisboa), com base nas castas Fernão Pires e Arinto - muito frutado, presença de citrinos, acidez qb, frescura e elegância. Pensado para acompanhar entradas frias. Nota 16,5.
Com o lombinho de porco estufado em vinho tinto, bebi um copo do tinto Attis 07 - austero no nariz, neutro na boca, pouco interessante, fica uns furos abaixo do branco. Nota 14.
Óptimo serviço de vinhos (nem outra coisa seria de esperar), copos à altura e quantidades generosas. A lista é bastante original, com algumas propostas invulgares, mas a preços puxadotes. Ponto fraco : a oferta de vinhos a copo é escassa.
Por amabilidade de um amigo presente no restaurante, ainda provei o Qtª San Joanne 2000, um Regional Minho fermentado em madeira - côr evoluida, ligeira oxidação, untuoso, boa acidez, boca poderosa e final longo. Aguenta bem pratos pesados. Bebido em copo largo é uma boa surpresa. Nota 17,5+.
Quem andar por perto e não queira gastar muito dinheiro aposte no Gspot. Recomendo e tenciono voltar.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Uma volta pela Beira

Embora não tivesse sido uma grande jornada em termos gastronómicos e vínicos, não vou deixar de partilhar as minhas experiências na zona de Pedrogão Pequeno (onde ficámos instalados no Hotel da Montanha,com uma localização invejável, pessoal super simpático, mas a necessitar de algumas obras de manutenção), Sertã, Figueiró dos Vinhos e Proença-a-Nova.
Deu para actualizar leituras, tendo despachado o livro "Grande Reserva - as melhores histórias do vinho português" da autoria do bloguista João Barbosa (ver link para "joão à mesa"), edição Oficina do Livro. Oportunamente, dedicar-lhe-ei uma crónica.
Por sugestão do hotel, fomos visitar a aldeia de xisto Casal São Simão, bem próximo de Figueiró dos Vinhos. Almoçámos na Varanda do Casal, restaurante perfeitamente integrado na aldeia. Mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano (surpresa), típica cozinha regional, serviço eficiente e simpático. Por sugestão do empregado, comemos 3 belíssimos e bem servidos petiscos : sonhos de bacalhau, cogumelos silvestres e cachola da matança, ao preço de 2,50 € por pessoa, uma pechincha. Seguiu-se 1 dose de truta com presunto, que deu o que pode dar o peixe de "aviário".
Carta de vinhos com base nos alentejanos, preços cordatos, copos adequados e serviço a cumprir. Como nota negativa, extensiva a toda a jornada, ausência de vinhos a copo. E também, um grupo de motards espanhois, em alta rotação de poluição sonora.
Bebeu-se meia garrafa de tinto Monte das Servas Escolha 08 (já no jantar da véspera, no hotel, tinha-se bebido a versão branca 2010 da mesma marca). Simples, correctos, apelativos e com bom preço, uma boa solução enquanto não tiverem vinho a copo. À atenção da Viniportugal.
A outra jornada foi no Famado, em Vale d'Urso, Proença-a-Nova, já conhecido noutra ocasião há 5 ou 6 anos. Desilusão, os donos (2 amigos na sala e as mulheres ,por sinal irmãs, nos tachos) mudaram-se de armas e bagagens para Vila de Rei, Albergaria D.Diniz, segundo informação colhida no local. Comemos maranhos e bucho recheado e, ainda, cabrito assado no forno. Nada de especial. A cozinha está uns furos abaixo.
Quanto a vinhos, tem uma boa carta, copos a condizer, armários térmicos, preços acessíveis nalguns e exorbitantes noutros. Vinhos a copo, zero. Serviço simpático a cumprir os mínimos. Bebeu-se meia garrafa do tinto Duas Quintas 07, que surpreendeu pela positiva. Tem pernas para andar mais 4/5 anos.
Fica a intenção de, numa próxima, ir a Vila de Rei.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Mais provas no Ritz

A distribuidora Decante Vinhos voltou ao Ritz para apresentar os seus produtores e novidades para esta nova temporada. Tem, de facto, um excelente portefólio e a nata do vinho está com eles. Entre outros, matei saudades do Alvaro e Maria Castro, Filipa Pato, Jorge Moreira, Rui Cunha, Pedro Araujo,Luis Cerdeira, etc. Dos vinhos provados, praticamente 1 em cada uma das bancas, ficou-me na memória Soalheiro Alvarinho 98 (está um espanto e vai aguentar mais uns anos), Qtª do Ameal Escolha 09, Vallado Adelaide 09, Qtª da Manuela Vinhas Velhas 09, Primus 10, Qtª da Pellada 07, Doda 08, Nossa Calcário 10, IPO (Initial Public Offer) 08 do Pinhal da Torre, Zambujeiro 06, Herdade Grande Reserva 08, Gspot Alentejo 08 e Aalto PS, cujo ano não retive.
Uma grande e tranquila prova de vinhos de qualidade elevada. Parabens aos produtores e à equipa da Decante!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O grupo do Raul (10ª sessão)

Das mais de 100 provas cegas que tomei parte (61 com o Núcleo Duro, 16 com o Grupo dos 3, 10 com o Grupo do Raul (ex-3+4) e outras não contabilizadas), esta última com o Grupo do Raul, organizada por este, foi a mais surpreendente e desconcertante que a minha memória reteve. Foram 12 tintos, em séries de 4, provados às cegas. Os primeiros 4, muito evoluidos, apontavam para a década de 90, enquanto que os últimos pressupunham anos mais recentes. Puro engano, eram todos de 2003! Dava um doce se algum dos críticos mais conhecidos acertasse com esta charada.
A prova decorreu no Colunas e teve como prato principal um delicioso arroz de galo pica no chão.
A 1ª série, que contemplava 2 Ribatejo (Paço dos Falcões Reserva e Marquesa de Cadaval) e 2 Douro (Meruge e Vallado Reserva), foi a mais fraca, com os vinhos demasiado evoluidos e com notas animais. O Marquesa de Cadaval pareceu-me ser o único que pode aguentar mais algum tempo, enquanto os restantes são para consumir de imediato. O Vallado Reserva foi uma clara desilusão.
A 2ª série, muito superior, continha 3 Douro (Chryseia, Poeira e CV) e 1 Bairrada (Qtª da Dôna). Mais exuberantes e complexos, estruturados, plenos de pujança e com finais longos. Destacou-se o CV, no apogeu da sua existência, dando também boa nota de si o Chryseia e o Poeira. Um pouco menos interessante o Qtª da Dôna, que se apresentou mais evoluido e está na altura de ser despachado.
A 3ª e última série incluia, também 3 Douro (Batuta, Pintas e Vinha da Ponte) e desta vez 1 Alentejo (Pera Manca). Um quarteto de respeito, sendo o alentejano o elo mais fraco. Os Douro apresentaram-se todos em grande estilo, florais e elegantes, especiados, taninos bem presentes mas macios e bom final de boca. E ainda longe da reforma. Para o meu gosto, o Pintas foi o grande vencedor da prova. Nota alta para o Vinha da Ponte (talvez aquele que ainda vai durar mais anos) e para o Batuta.
Hierarquiamente e só em relação aos últimos 8 vinhos, ponho :
1. Pintas (18,5)
2. CV (18,5)
3. Vinha da Ponte (18)
4. Batuta (17,5+)
5. Chryseia (17,5+)
6. Poeira (17,5)
7. Pera Manca (17,5)
8. Qtª da Dôna (17)
Finalmente, com as sobremesas, 3 fortificados :
. Blandy Bual 77 (engarrafado em 2007) - mais uma garrafa em grande estilo, na linha que já nos habituou (18,5)
. Krohn Colheita 68 (engarrafado em 2008) - ligeiramente abaixo doutras garrafas provadas noutras situações (17+)
. Carcavelos Conde de Oeiras (a única garrafa que não veio com o Raul) - não faz esquecer o Qtª do Barão e da Belavista (16).
Uma grande e surpreendente jornada. Obrigado Raul!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Guia 2012 do João Paulo Martins (III)

Esta é a 3ª e última crónica dedicada ao Guia 2012 do JPM. Enquanto as primeiras poderiam ser consideradas com algum grau de subjectividade, esta é muito objectiva e tem a haver com a compra de vinhos em Portugal. Considere-se mais como uma achega para eventuais alterações em futuras edições ( alguns dos encerramentos já tinham sido anunciados neste blogue).
1.Lojas/Garrafeiras já encerradas
.Adivinho (ver crónica de 12/12/2010)
.Garrafeira de São Bento (crónica de 10/11/2010)
.Les Goûts du Vin (não cheguei a noticiar, mas encerrou há mais de 1 ano)
.Lx Gourmet (crónica de 1/2/2011)
2.Lojas/Garrafeiras com condições para serem consideradas nos guias
.Garrafeira da Sé (junto à Sé de Lisboa)
.Garrafeira São João (R.Reinaldo Santos, Benfica)
.Garrafeira The Wine Company (R.José Purificação Chaves, Benfica)
.Living Wines Gourmet (C.C.Roma)
.BG Bar (Monte Estoril)
.Garrafeira D.Nuno (Grândola)
.Sé Gourmet (Lamego)
.Museu do Douro (Régua)
.Vital (Tavira, uma das melhores garrafeiras algarvias)

domingo, 9 de outubro de 2011

O Guia 2012 do João Paulo Martins (II)

À semelhança da análise feita há 1 ano (ver crónica de 5/10/2010), pareceu-me interessante proceder à comparação dos "Melhores do Ano" dos últimos 3 guias, 2010, 2011 e 2012, por esta ordem.
BRANCOS
.Espumantes 0 / 1 / 0
.Alvarinhos 2 / 0 / 1
.Douro 0 / 2 / 1
.Dão 1 / 1 / 2
TINTOS
.Douro 7 / 6 / 5
.Dão 1 / 0 / 1
.Bairrada 0 / 0 / 0
.Lx/Estrem. 1 / 1 / 2
.Tejo/Riba. 1 / 0 / 0
.Setubal 1 / 0 / 0
.Alentejo 2 / 5 / 5
FORTIFICADOS
.Vintage 4 / 1 / 2
.Tawny/Colh. 2 / 5 / 3
.Moscatel 1 / 1 / 0
.Madeira 0 / 0 / 1
Olhando friamente para estes números, posso adiantar (pese embora a carga de subjectividade que possa ter):
a) a inexpressividade dos espumantes (embora haja Murganheiras com notas iguais aos brancos eleitos)
b) a consolidação dos brancos, nomeadamente o Dão a estar presente em todos os guias
c) a ligeira descida do Douro, beneficiando o Alentejo
d) a gritante ausência da Bairrada/Beiras (há pelo menos 4 vinhos com a mesma classificação do Dão eleito)
e) peso excessivo da Lx/Estremadura em comparação com o Tejo/Ribatejo (neste guia 2012 há 4 vinhos Tejo com a mesma nota de um de Lisboa)
f) ultrapassagem dos tawnies de idade e colheitas, em relação aos vintages
g) finalmente um Madeira!
Em relação às escolhas do JPM no Guia 2012, há algumas situações que não consigo entender. São vinhos que ficaram de fora, embora tenham obtido notas mais elevadas do que alguns dos eleitos. Concretamente e a título de exemplo, o Aneto Grande Reserva 09 e o CV 09 (curiosamente as versões anteriores também ficaram de fora no Guia 2011). Serão os desígnios insondáveis do JPM.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Guia 2012 do João Paulo Martins (I)

Já está no mercado o guia "Vinhos de Portugal 2012" do JPM que se publica desde 1995, sem interrupções. É de facto, como se pode ler na capa, "o guia de vinhos de maior sucesso em Portugal". O JPM é uma instituição e a consulta deste guia obrigatória. Mas não é "o guia mais antigo do país", como consta na contra-capa e que pode induzir os leitores em erro. Deveriam ter acrescentado que é, sim, o mais antigo dos que ainda se publicam. O pioneiro foi o "Guia de Vinhos Portugueses 1990", mais conhecido por Guia da Comporta, saído para o mercado em 1989. Da responsabilidade de Ponte Fernandes e Nelson Heitor, publicou-se até à versão de 1994. Seguiu-se, um ano depois, o "Roteiro dos vinhos portugueses 1991" do José António Salvador (JAS), que se despediu dos seus leitores com o roteiro de 2003. Só em 1994 é que foi publicado o 1º guia do JPM, que chegou a colaborar com o JAS no "Jornal à Mesa", separata do saudoso semanário "O Jornal". Está feito o devido esclarecimento.
A ideia corrente de um guia é que deve ser de fácil de consulta e transportável no bolso ou debaixo do braço. Lembro-me de ver clientes das CAV que entravam na loja para fazer compras já com o guia do JPM na mão.
Mas, agora, o guia é um pesadelo. Nos últimos anos aumentou mais de 50%. Das 419 páginas do Guia 2010, passou para 636 neste Guia 2012, ou seja um aumento de cerca de 52% ! Para quem não se lembre ou ainda não se interessava por vinhos, os guias do JPM tiveram as seguintes páginas : 291 (Guia 95), 282 (96), 305 (97), 251 (98), 272 (99), 325 (00), 364 (01), 355 (02), 456 (03), 384 (04), 342 (05), 382 (06), 415 (07), 463 (08), 444 (09), 419 (10), 556 (11) e agora 636 (12).
Eu entendo que cada vez há mais vinhos que o JPM tem que provar, mas sendo assim tem que cortar noutros lados, sob pena de guias futuros se tornarem inconsultáveis. Manter as notas de prova de 2009 e anos anteriores não me parece fazer sentido. O capítulo "Perguntas e respostas sobre os vinhos" igualmente. Hoje em dia, quem compra o guia é suficientemente esclarecido e dispensa o "b a bá" para principiantes. Quanto á "Magia dos vinhos velhos", considerando, segundo o próprio autor :
a) "...interessa a pouca gente..."
b) "...são vinhos aparentemente fora do circuito comercial..."
c) "A variação de garrafa para garrafa aumenta com a idade..."
é perfeitamente dispensável, pois se tivermos alguns dos vinhos apreciados pelo JPM, a nossa garrafa será concerteza diferente.
Há que cortar as gorduras para precaver o futuro. Ó JPM chame os senhores do FMI, eles andam por aí!
Mas estes reparos não invalidam que eu continue a comprar o Guia e considere o JPM o crítico da Revista de Vinhos com quem mais me identifico.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Vinhos em família (XXI)

Mais alguns vinhos provados em família ou com amigos, ainda maioritariamente brancos. Logo que termine este verão fora da época, a situação inverte-se e os tintos entrarão em força.
.Adega Vila Real Grande Reserva 09 - côr algo carregada, fruta madura, citrinos, acidez equilibrada, madeira discreta, algo untuoso na boca, bom final. Este produtor está a trabalhar muito bem os brancos, embora o título de Grande Reserva seja uma presunção algo desajustada. Nota 16,5+.
.Morgado Stª Catherina 09 - estagiou 10 meses em carvalho francês e mais uns tantos na garrafa, acabando de chegar ao mercado; frutado com notas de citrinos e melão, boa acidez, mineralidade, madeira discreta, estruturado, bom final de boca; ainda abaixo do 2008, mas com potencial para lá chegar; acompanha bem pratos de peixe. Nota 16,5+.
.CARM Reserva 09 - a partir de vinhas velhas no Douro Superior, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês; notas de melão e citrinos, boa acidez, fresco e mineral, madeira bem casada, alguma gordura na boca, bom final; muito gastronómico e cheio de personalidade, pede um peixe no forno. Um belo branco. Nota 17,5+.
.Marquesa de Alorna Reserva 09 - no rótulo aparece um poema de Leonor de Almeida, poetisa do séc.XVIII e 4ª Marquesa de Alorna; mas quanto a informações de interesse para o consumidor (castas, estágio em madeira, responsável pela enologia, etc) nem uma palavra; aroma complexo, notas de melão e pêssego, acidez equilibrada, madeira discreta, boca com alguma pujança, ainda terá alguns anos pela frente; muito gastronómico, acompanhou bem roupa velha. Nota 17,5.
.Vallado T.Nacional 05 - por ocasião do International Wine Challenge 2007, foi-lhe atribuido o Gold Douro Trophy, o que quer dizer alguma coisa; estagiou 16 meses em meias pipas de carvalho francês; aroma exuberante e complexo, especiado, notas de tabaco e cacau, bela acidez, estrutura, profundidade e bom final de boca; mereceu o prémio e vai estar em forma mais meia dúzia de anos. Nota 18,5.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Lisboa Restaurant Week (III)

O 3º e último almoço, que decorreu na Estufa Real no âmbito do LRW, foi um pouco desilusão. Este espaço e o fantástico meio envolvente mereciam mais. Pratos correctos mas sem imaginação, serviço eficiente mas frio, copos ultrapassados (continuam a pôr a água no maior e o vinho branco num ridiculamente pequeno).
Por 19+1 € tem-se direito a entrada, prato, sobremesa, couvert e café.
Comi "salada de queijo de cabra", "filetes de peixe-galo" (seriam?) e "tulipa de fruta exótica".
Acompanhou um copo do Qtª de Camarate 2010 branco (2 €), também ele correcto e sem brilhar, servido no copo já referido. A quantidade servida é a olho e devia andar pelos 10/12 cl, o que é manifestamente insuficiente.
A lista de vinhos é heterogénea na selecção e nos preços, alternando bons preços com outros excessivos. A oferta de vinhos a copo pareceu-me sem critério, pois mistura o Qtª de Camarate com o Barca Velha! São uma dúzia e inclui 1 champanhe, 2 ou 3 brancos e 8 ou 9 tintos.
Como mais valia possui um sistema para conservar e manter a temperatura correcta nas garrafas abertas.
Fica a perder de vista da Casa da Comida e está uns furos abaixo do que já foi no passado. E é pena.

domingo, 2 de outubro de 2011

Lisboa Restaurant Week (II)

Este 2º almoço, na Casa da Comida, foi um êxito e serviu para compensar o desastre do primeiro. A Casa da Comida é um restaurante clássico e muito requintado, mas acolhedor. Não tem nada a haver com o que era há uns anos atrás. A cozinha modernizou-se, graças ao trabalho do Bertílio Gomes (ex-Vírgula) e uma maior atenção na área dos vinhos. Nos tachos está o jóvem Bruno Salvado, antigo braço direito do Bertílio no Vírgula e também aqui na Casa da Comida, e na sala a Silvia Martins, discreta, mas eficiente e simpática. Pelo que me apercebi, tudo rola sobre esferas.
A ementa, no âmbito do LRW, custa 19 € (o euro de apoio era pago àparte) com direito a entrada, prato, sobremesa, couvert e água. Comi um belo "Tártaro de bacalhau com espuma de abacate..." e uma surpreendente "Alhada de raia avinagrada...". Houve quem comesse "Mozzarela assada com presunto..." e "Coxa de pato assada em vinho do porto...". A sobremesa, sem direito a opção, era "Parfait de damasco...". Estava tudo com elevada qualidade e, por este preço, foi um luxo!
Bebi um copo de Qtª da Giesta 2010 (5,50 €), do Nuno Cancella de Abreu, um especialista em brancos. Muito frutado, notas de citrinos, fresco, elegante, mas a encher a boca, gastronómico e bom final. Acompanha bem entradas e pratos leves. Nota 16,5.
A carta de vinhos está bem construida e alargada a estrangeiros e generosos. Tem, ainda, uma dúzia de vinhos a copo. Preços puxadotes, o que pode afastar alguns consumidores. No entanto, para compensar, pode levar-se vinho de casa, pagando-se uma taxa de rolha de 7,50 €, o que não é caro.
O serviço é profissional, com bons copos Schott e temperaturas correctas (tem armários térmicos, o que é uma mais valia).
Aconselho vivamente e tenciono voltar a esta Casa da Comida!

sábado, 1 de outubro de 2011

Lisboa Restaurant Week (I)

A 1ª incursão neste Lisboa Restaurant Week (LRW) não foi a mais feliz. Escolhi o Petra Rio, que fica no Parque das Nações, mesmo nas traseiras do Casino. Instalado num 1º andar, numa sala moderna com as paredes todas em vidro e com uma esplanada no exterior, tem todas as condições para ser um restaurante de referência, mas lamentavelmente não o é, apesar de ter um serviço eficiente e simpático.
O menú tipo do LRW consta de 1 entrada, prato e 1 sobremesa, pelo preço fixo de 19+1 € (este euro é para apoiar instituições, como é o caso da Cais). Este preço incluiu o couvert e a água.
Além de um shot à base de frutas (oferta da casa), vieram para a mesa umas estimáveis entradas, sendo uma trilogia de patés e a outra camarão com castanhas. Os pratos principais foram decepcionantes, um bife de atum seco e carregado de especiarias algo agressivas acompanhado de puré de batata doce, e um belo naco de vitela que conseguiram estragar com queijo e massa de pimentão em doses excessivas. Se o responsável da cozinha fosse ao Master Chef e eu estivesse no júri, levava um grande chumbo! A sobremesa, mascarpone com frutos vermelhos, foi o melhor do almoço.
Quanto a vinhos, a lista pareceu-me equilibrada e com preços acessíveis. No entanto era omissa quanto a datas de colheita e a oferta de vinhos a copo resumia-se aos vinhos da casa. Bebi água, pois claro.
Um desastre, esta estreia no LRW.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O grupo dos 3 (16ª sessão)

Foi o regresso do Grupo dos 3 (a última sessão foi em Junho, há um ror de tempo). Os vinhos eram da minha garrafeira e o restaurante escolhido foi o Sem Dúvida, na Elias Garcia e próximo da Culturgest, recentemente galardoado, pela Revista de Vinhos, com a menção "restaurante amigo do vinho".
Habitualmente escolho um restaurante que já conheça, apostando em não repetir o espaço seleccionado. Da minha responsabilidade, este grupo já se reuniu nos restaurantes Nariz de Vinho Tinto, A Commenda, Assinatura, Xico's e Manifesto. Com a escolha do Sem Dúvida, assumi o risco e não me arrependo. Foi tiro na "mouche"!
É um restaurante moderno, com uma decoração minimal, mesas bem aparelhadas, sendo evidente o contraste do branco destas com o negro das cadeiras. Na sala pontifica o Marco Alexandre, responsável pelo serviço e por uma carta de vinhos fora do comum, enquanto nos tachos está o chefe José Narciso. O dono (desculpe lá, mas não fixei o nome) está sempre presente, o que é uma mais valia.
A lista de vinhos, muito completa (vinhos nacionais e do mundo), organizada e bem seleccionada, contém informação suplementar (castas e enólogo responsável), para além do nome e ano de colheita. Os preços, na maior parte, são sensatos. Há também uma excepcional oferta de vinhos a copo (4 espumantes e similares, 14 brancos, 14 tintos e 15 generosos (Porto, Madeira e Moscatel). Bons preços e bons copos (15 cl), embora um pouco rebuscados para o meu gosto. Prefiro o tipo Bordeus, Riedel ou Schott.
O serviço é muito profissional, até algo requintado e muito acima do que é normal encontrar-se em espaços similares.
Mas chega de introdução e vamos aos vinhos degustados.
.Royal Palmeira Loureiro "sur les lies fines" 09 (curiosamente a garrafa é omissa quanto à origem; V.Verde ou V.Regional Minho?) - aromático, muito fresco, elegante e fino, madeira discreta, boa arquitectura e final de boca; muito gastronómico, melhora quando a temperatura sobe. Tem ainda uns anos de vida. Nota 17,5+. Acompanhou o couver, que incluiu salada de polvo, e um prato de garoupa braseada com couli de citrinos e batatinhas. Trazia uma cobertura de nozes e sultanas, perfeitamente desnecessárias.
.Qtª da Gricha 07 (garrafa nº 30 de 7200) - nariz exuberante, frutos vermelhos, boa estrutura, final adocicado. Fácil de gostar, mas não será um vinho de grande guarda. Nota 17,5.
.Qtª da Gaivosa Vinha do Lordelo 07 - mais austero, especiado, acidez equilibrada, taninos mais presentes, final longo. Tem condições para evoluir bem nos próximos 6/7 anos, apesar de algum excesso no teor alcoólico. Nota 18,5.
Os tintos acompanharam um belo lombo de veado assado com frutos silvestres e gratin de batata.
.Blandy Bual 68 (ano de engarrafamento não legível) - côr de ambar brilhante, aroma complexo, notas de frutos secos, caril, iodo,acidez incrível sem agressividade, estrutura e profundidade de boca, final interminável. Nota 19.
Acompanhou uma tarte e amêndoas em cama de bolacha com gelado de baunilha e, ainda, uns deliciosos figos Capa Rocha marinados com espuma de futo seco e mel (gentil oferta da casa).
Mais uma grande jornada. Os nossos agradecimentos ao Marco e restante equipa pelo apoio dado. Aconselho vivamente este restaurante a quem ainda não o conheça.

Eventos mais ou menos imperdíveis e outras notícias

1.Os enófilos, militantes ou não, vão ter 2 oportunidades para trocar impressões com produtores, enólogos e comerciais, provar novidades ou, simplesmente, confraternizar, participando nos seguintes eventos :
.Vinhos do Alentejo em Lisboa
Organizado pela CVRA, irá decorrer no CCB, em 30/9 (16 às 21 h) e 1/10 (15 às 21 h). Em tempo de crise há que aproveitar a entrada gratuita.
.Encontro com o Vinho e Sabores
Com a chancela da Revista de Vinhos e no espaço do Centro de Congressos de Lisboa, na Junqueira, terá lugar nos dias 28 a 30/10, para o público em geral, estando o dia 31 reservado a profissionais. Obrigatório ir.
2. E, ainda, 2 notícias que poderão interessar aos militantes :
.Já está "on line" "Falar de vinhos no CCB com a Blandys", onde se pode ver/ouvir o Francisco Albuquerque e o Chris Blandy, entrevistados quando do jantar que decorreu na Commenda em 11/7 (ver crónica de 12/7). Para aceder entrar em "Maria João Almeida" e clicar "Vinho.tv".
.Já saiu o Guia do João Paulo Martins (Vinhos de Portugal 2012), o qual será, oportunamente, objecto de análise e consequente crónica neste blogue.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Almoço na Taberna do Chiado

Este simpático restaurante/petisqueira, recomendado pela Time Out, fica em pleno Chiado, em consonância com o nome. Nesta altura do ano pode comer-se na esplanada, uma mais valia. Oferece pratos normais e uma série de petiscos, a preços acessíveis. Comi uns estimáveis pastelinhos de bacalhau e uns lombinhos de porco com cebola confitada e queijo fundido.
O vinho escolhido, a copo, foi o branco Fagote Reserva 2010 (?), uma boa surpresa. Frutado, aromático, acidez equilibrada, agradável na boca, final curto/médio. Custou 3,50 €, um preço justo. Nota 16+. Presumo que tivesse bebido o vinho referido, pois o mesmo já vinha servido, o que é incorrecto. Influências do Darwin's Café ou vice versa?
A carta de vinhos é redutora, contemplando praticamente apenas o Alentejo e o Douro. Não é entusiasmante e tem alguns preços de arrasar. A copo, pode optar-se por 4 brancos e 6 tintos a preços razoáveis. A quantidade pareceu-me bem (15 cl ?).
Serviço a cumprir os mínimos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Lisboa Restaurant Week

De 22 de Setembro a 5 de Outubro vamos ter a possibilidade de almoçar ou jantar, por uns módicos 20 € (sem bebidas), num dos locais que sempre sonhámos ao longo da vida, mas que o orçamento caseiro não o permitia. Um achado em tempo de crise.
Para se saber quais os restaurantes aderentes e poder proceder à respectiva reserva (obrigatória) entrar em www.sabordoano.com , clicar em Lisboa Restaurante Week (rectângulo amarelo em cima e à esquerda) e entrar em Restaurantes. Bons repastos!

sábado, 17 de setembro de 2011

O grupo do Raul (9ª sessão)

O grupo dos 3+4 foi agora rebaptizado para grupo do Raul, a fim de evitar charadas matemáticas. Nesta última sessão teria sido 3+4-1+2, uma confusão. Dos elementos permanentes, estiveram Raul Matos, João Quintela, Paula Costa, Rui Rodrigues, Oliveira Azevedo (Juca) e eu. Como convidados, Coelho Virgílio e António C. Ferreira. Os vinhos eram da garrafeira do João que escolheu o restaurante Colunas, já nosso conhecido, para a "rentrée" do grupo. É pertinente acrescentar que o Colunas, onde habitualmente se come bem, foi considerado, pela Revista de Vinhos, um restaurante amigo do vinho.
Foram provados 2 brancos, 4 tintos (2 velhos e 2 jóvens, sendo estes últimos em magnum) e 1 fortificado, todos rigorosamente às cegas. Desfilaram :
.Anselmo Mendes Alvarinho/Loureiro 10 (ainda sem marca comercial) - aromático, algumas notas tropicais, fresco e mineral, profundidade de boca e bom final. Tem um estilo que faz lembrar o Soalheiro 1ª Vinhas. Nota 17,5+. Acompanhou uns belíssimos cogumelos grelhados e umas gambas com garoupa.
.Crooked Vines 09 em Magnum - côr algo evoluida, fruta madura, notas de caril e baunilha, tosta, algo untuoso, bom final, muito gastronómico. Nota 17,5 (noutra situação 17,5+). Acompanhou bem um arroz de línguas de bacalhau.
.CRF Garrafeira 80 - um belíssimo Bairrada com mais de 30 anos (veio-me à memória que era um dos meus vinhos preferidos há uma boa vintena de anos atrás); aromas terciários, notas de tabaco, belíssima acidez, frescura e elegância, taninos sedosos, bom final de boca. Medalha de Ouro no 7º Concurso Nacional de Vinhos Engarrafados. O vinho da noite, para mim. Nota 18,5. Acompanhou muito bem a mesma iguaria.
.CRF 80 - infelizmente com rolha. Teve o 1º prémio no mesmo concurso.
.Vallado Reserva 08 - exuberante, muito frutado, boa acidez, concentrado, taninos bem presentes, profundidade e final longo. Tem muitos anos à sua frente. Nota 18+.
.Aalto 08 - aroma mais contido, frutado, taninos ainda algo agressivos, guloso na boca, bom final. Precisa de tempo para se harmonizar. Nota 18.
Acompanharam umas óptimas costoletas de vitela, mas a fome já não era muita.
.FMA Bual 64 - mais uma garrafa deste nectar dos deuses; frutos secos, notas de caril, vinagrinho, estrutura, profundidade e final muito longo; porque será que não nos cansamos de beber este vinho do Francisco Albuquerque? Nota 18,5+.
Mais uma grande jornada. Obrigado João.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Vinho do Porto segundo João Paulo Martins

Chegou ao mercado, em Junho deste ano, "O Prazer do Vinho do Porto", da responsabilidade do João Paulo Martins (JPM), autor já consagrado que dispensa apresentações. Este livro é uma 2ª edição de "Tudo sobre o Vinho do Porto", publicada em Junho de 2000 (e não em Janeiro de 2001, como erradamente agora se refere à 1ª edição). Foram feitas algumas importantes actualizações, nomeadamente com o aparecimento do Porto Rosé e do Porto Branco de idade (10, 20, 30 e 40 anos). Também o capítulo dedicado à Organização Institucional, foi devidamente actualizado. Mas a estrutura do livro mantém-se e os capítulos em que se divide são rigorosamente os mesmos :
1. Um rio, uma cidade, um vinho
2. O prazer do Porto
3. Um vinho com 300 anos de história
4. Solo, clima e três sub-regiões - um Douro com muitas cores
5. A vinha e as castas - passado e presente
6. Fazer Vinho do Porto - uma arte com várias formas
7. Do Douro até à mesa - os tormentos de um generoso
8. A organização institucional
Este livro, não demasiado extenso (tem, com os anexos, 182 páginas), nem erudito (um trabalho essencialmente jornalístico, segundo o próprio JPM), é direccionado a todos que se interessam por este generoso, onde se inserem os consumidores estrangeiros ou, até, a turistas meramente curiosos. Esta 2ª edição privilegia apenas a língua inglesa, enquanto a 1ª se publicou também em francês e espanhol. Da minha experiência no contacto com as largas centenas de turistas que visitaram as CAV, os franceses eram, de longe, os mais interessados e os melhores compradores de Porto e do livro do JPM. Mereciam uma edição na língua deles.
No capítulo "Do Douro até à mesa", há uma entrada que o autor chamou "Vintages - o que comprar", onde dá pistas de anos a adquirir. Na 1ª edição afirmou "Esteja igualmente atento aos excelentes vintages de 97 que acabam de ser declarados.", enquanto que nova edição nem sequer os menciona. Por lapso ou por já não os ter em conta? Fica a dúvida.
De qualquer modo, uma obra de divulgação altamente recomendável. Boas leituras!

domingo, 11 de setembro de 2011

Petiscos em Lisboa

Embora ainda não tivesse tido a oportunidade de os testar, pareceu-me pertinente partilhar com os leitores deste blogue, a existência de 3 espaços para petiscar, praticamente desconhecidos.
1.WE Wine Element
É um novo conceito, cujo 1º Wine Bar está a funcionar na livraria Ler Devagar, no espaço Lx Factory (praticamente nas traseiras da Carris, em Stº Amaro, Lisboa). Abriu nos finais de Maio, a meio gás, mas, segundo me afirmaram, irá trabalhar em pleno, logo que seja formalmente inaugurada em 29 deste mês. Mais, resulta de uma parceria entre a empresa beBUSINESS e o produtor/empresário João Portugal Ramos.
De momento, tem 16 vinhos a copo das marcas JPR (Marquês de Borba, Vila Santa, Qtª da Viçosa, Loios, Conde de Vimioso, Qtª Foz de Arouce e Duorum). Não tinham, ainda o Marquês de Borba Reserva e Foz de Arouce Vinhas Velhas.
As provas podem ser acompanhadas com tapas de queijo e charcutaria, oferta demasiado redutora, mas que será alargada no futuro. Os preços, sendo pertença de uma das empresas parceiras, podiam e deviam ser mais acessíveis.
Os copos são bons e os vinhos estão em armários térmicos. No entanto, os tintos guardados a 18º, vão chegar ao cliente a mais de 20º, o que é excessivo.
Em conclusão, um espaço simpático, onde se pode beber um copo enquanto se compra um livro, ou vice versa.
2.Sol e Pesca
É uma tasquinha modesta com petiscos, feitos exclusivamente a partir de conservas de peixe.Tem uma oferta fabulosa de conservas, mas inexplicavelmente não trabalham com a marca Gondola, a minha preferida.
Fica na Rua Nova do Carvalho (ao Cais do Sodré), num local não muito recomendável há uns anos atrás. Mas a tradição já não é o que era e hoje, em dia, pode-se circular por ali.
3.Cem Petiscos
A Time Out de 10 de Agosto dedica-lhe uma página inteira e em tom elogioso.
Fica na Rua do Cais de Santarém, depois da Casa dos Bicos, em direcção à Alfândega. A funcionar, de 2ª a Sábado, a partir das 15 h, escreveram eles. Bati com o nariz na porta, já passava daquela hora. Placa com o nome ou indicação do horário de funcionamento, são coisas que não existem. Francamente ó senhor Vitor Horta (o dono), isso não se faz!