segunda-feira, 13 de junho de 2011

As Pousadas e os vinhos

É ideia assumida que nas Pousadas se come bem e bebe bastante mal. Eu conheço-as razoavelmente, pois aderi a este projecto ainda na década de 60. E confirmo que a componente gastronómica está muitos furos acima da componente vínica que, em grande parte das Pousadas, é uma vergonha. A maioria das cartas de vinhos é completamente desinteressante, os vinhos escolhidos demasiado óbvios e os preços exorbitantes. Nalguns vinhos, a margem de lucro é tão desmedida que pode ser considerada um roubo à mão armada, ou seja, um caso de polícia!
Todo este desabafo vem a propósito de uma entrevista com Manuel Bio, conduzida por João Paulo Martins e Fernando Melo (ver Revista de Vinhos de Maio 2011). O entrevistado é Director das Pousadas desde 2008 e, em simultâneo, pertence à direcção da Adega Cooperativa Granja-Amareleja. E este Director, muito honestamente, admite que nada percebe de vinhos. Admitiu, também, que se sentiu envergonhado quando, na Pousada de Estremoz, almoçava com o respectivo Presidente da Câmara, e constataram que a carta de vinhos não incluia um único néctar daquela região!
Referiu na entrevista que, a partir de 2010, foi dada autonomia às Pousadas para elaborarem as respectivas cartas, acrescentando ser sua intenção terem 70% da carta igual em todo o país, destinando-se os restantes 30% a selecção regional.
Estamos já no 2º semestre de 2011 e não se vislumbram progressos nas Pousadas, no mundo do vinho. E daí parecer-me pertinente lançar as seguintes questões :
.Se não percebe nada de vinhos, porque não contrata um consultor ?
.Se foi dada autonomia às Pousadas em 2010, estão à espera de quê ?
.Em relação às margens praticadas, porque não trabalham com preços justos, em vez de especularem ?

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