terça-feira, 12 de julho de 2011

Blandy e Francisco Albuquerque : os incompreendidos

Há praticamente um ano, precisamente em 15/7/2010, publiquei uma crónica intitulada "O Francisco (Albuquerque) não merecia isto!", a que se seguiu uma outra "Francisco Albuquerque : mais uma vez injustiçado", em 21/2/2011, onde lamento que as revistas da especialidade, nomeadamente a Revista de Vinhos e a Wine, nunca lhe tenham atribuido qualquer menção ou prémio, nem tão pouco reconhecerem a excelência dos vinhos Blandy.
Ao ostracismo da critica especializada, em relação aos vinhos do Grupo Blandy, vem somar-se a animosidade pública e declarada do grande "soba" da Ilha, chegando ao ridículo de ignorar as comemorações do bicentenário do grupo. Sobre este assunto e outros relacionados, recomendo a leitura do texto assinado por Lília Bernardes "Uma família Inglesa da Madeira", publicado na Notícias Sábado, separata do Diário de Notícias do passado dia 2 de Julho.
Mas a Blandy e o Francisco Albuquerque sairam em apoteose no Jantar de Vinhos da Madeira, que ocorreu ontem, dia 11, no restaurante A Commenda (CCB), onde participaram 100 pessoas, das quais 60 da Tertúlia Madeirense e 40 militantes do antigo núcleo duro das Coisas do Arco do Vinho, organizado pelo nosso amigo Adelino de Sousa, que pertence aos 2 grupos simultâneamente, e que teve o apoio da Portefolio, distribuidora da Symington. Estiveram presentes, além do Francisco, um representante da família (Chris Blandy) e o responsável comercial (Ricardo Tavares) e, ainda, o coordenador da Tertúlia (João Abel Freitas).
De destacar a ausência das revistas da especialidade e a presença da equipa da Maria João Almeida que entrevistou o Francisco, o Chris e o Adelino. Penso que essas entrevistas estarão on-line brevemente. Destaque, ainda, para os Blogues Mesa Marcada (Duarte Calvão) e Saca a Rolha (Nuno Garcia).
A prosa vai longa e ainda não falei nos vinhos. Foram provados e bebidos 13 vinhos Madeira, o branco Altano 2010 e o tinto Qtª Roriz Reserva 2005, estes 2 últimos da Symington. O evento iniciou-se com os Madeiras mais simples, Sercial Colheita 2001 e Sercial 10 Anos, tudo muito informal e de copo na mão. Depois, com as pessoas já sentadas à mesa, seguiu-se o momento mais sério do evento, a prova dos 40 Anos, orientada pelo Francisco Albuquerque. Foram as 5 castas nobres para comemorar os 200 anos ( a ideia é comercializar o conjunto das 5, em garrafas de 20 cl). Estou a falar de 5 vinhos de um patamar muito alto, em que destaco o Verdelho, o Terrantez e o Bual, sendo o Sercial e a Malvasia os menos interessantes. Resumidamente :
.Sercial - alguma complexidade aromática, boa acidez, boca poderosa, final longo, secura não agressiva. Nota 17,5+.
.Verdelho - ainda mais complexo, acidez incrível, estrutura e profundidade, presença na boca interminável. O meu preferido. Nota 18,5+.
.Terrantez - todo muito complexo, mas mais doce e untuoso do que seria seria de esperar desta casta. Nota 18,5.
.Bual - complexidade no nariz e na boca, acidez no ponto, final longo, elegância e personalidade. Nota 18,5.
.Malvasia - complexidade média, doce e untuoso, final longo.Nota 17,5.
Se eu fosse crítico já tinha aqui atribuído 3 Prémios Excelência!
No final do jantar, com as sobremesas, foram bebidos mais 6 Vintage, vulgo Frasqueiras, a saber : Verdelho 1973, 1968 e 1934, Boal 1968 e Terrantez 1976 e, a fechar, o Boal 1920. Nesta fase do campeonato foi só usufruir, nem houve tempo para tomar notas.
Finalmente, é de referir que a logística do evento não foi nada fácil, pois foram servidos 1500 copos (15 copos por pessoa) a um ritmo sem quebras. E isto só foi possível graças à competência e profissionalismo do Cândido, chefe de sala de A Commenda, que soube orientar, sem falhas, a sua equipa. E penso, mesmo, que isto não teria sido possível em qualquer um outro restaurante em Lisboa e arredores.
Em conclusão, um evento de excepção, o melhor do ano (ou da década, ou do século, o que quiserem!), que jamais sairá da memória das pessoas que tiveram a felicidade de terem podido participar.
Parabens à Blandy pelo 200º aniversário! Obrigado Francisco! Obrigado Adelino!

5 comentários:

  1. Caríssimo,

    Achei o seu Post muito interessante e obrigado por partilhar essa experiência connosco.
    Gosto e tenho muita curiosidade em relação aos Vinhos da Madeira, e lamento que não haja mais eventos desse género,ou mesmo provas abertas para todos os interessados, pois, acredito que essa seria mais uma forma de divulgar e massificar o consumo e também criar outras correntes de opinião, nomeadamente através dos bloggers.

    Cumprimentos,
    Elias Macovela
    ovinhoeefemero.blogspot.com

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  2. Tem razão. Este assunto foi abordado durante o jantar e a Madeira Wine tem a consciência que terá que apostar forte na divulgação dos seus vinhos. A ver vamos...

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  3. Faço minhas as palavras do Rui Lourenço Pereira...

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  4. Também tenho pena que não pudessem ter ido, mas 100 pessoas era o máximo da capacidade do restaurante que ficou totalmente lotado. Para vossa informação, alguns dos enófilos do ex-núcleo duro das CAV ficaram de fora, por se terem atrasado na marcação da respectiva reserva. De qualquer modo, os convites foram da exclusiva responsabilidade do Adelino de Sousa, que pertencia, em simultâneo, aos 2 grupos (Tertúlia Madeirense e ex CAV).

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