terça-feira, 27 de setembro de 2011

O grupo dos 3 (16ª sessão)

Foi o regresso do Grupo dos 3 (a última sessão foi em Junho, há um ror de tempo). Os vinhos eram da minha garrafeira e o restaurante escolhido foi o Sem Dúvida, na Elias Garcia e próximo da Culturgest, recentemente galardoado, pela Revista de Vinhos, com a menção "restaurante amigo do vinho".
Habitualmente escolho um restaurante que já conheça, apostando em não repetir o espaço seleccionado. Da minha responsabilidade, este grupo já se reuniu nos restaurantes Nariz de Vinho Tinto, A Commenda, Assinatura, Xico's e Manifesto. Com a escolha do Sem Dúvida, assumi o risco e não me arrependo. Foi tiro na "mouche"!
É um restaurante moderno, com uma decoração minimal, mesas bem aparelhadas, sendo evidente o contraste do branco destas com o negro das cadeiras. Na sala pontifica o Marco Alexandre, responsável pelo serviço e por uma carta de vinhos fora do comum, enquanto nos tachos está o chefe José Narciso. O dono (desculpe lá, mas não fixei o nome) está sempre presente, o que é uma mais valia.
A lista de vinhos, muito completa (vinhos nacionais e do mundo), organizada e bem seleccionada, contém informação suplementar (castas e enólogo responsável), para além do nome e ano de colheita. Os preços, na maior parte, são sensatos. Há também uma excepcional oferta de vinhos a copo (4 espumantes e similares, 14 brancos, 14 tintos e 15 generosos (Porto, Madeira e Moscatel). Bons preços e bons copos (15 cl), embora um pouco rebuscados para o meu gosto. Prefiro o tipo Bordeus, Riedel ou Schott.
O serviço é muito profissional, até algo requintado e muito acima do que é normal encontrar-se em espaços similares.
Mas chega de introdução e vamos aos vinhos degustados.
.Royal Palmeira Loureiro "sur les lies fines" 09 (curiosamente a garrafa é omissa quanto à origem; V.Verde ou V.Regional Minho?) - aromático, muito fresco, elegante e fino, madeira discreta, boa arquitectura e final de boca; muito gastronómico, melhora quando a temperatura sobe. Tem ainda uns anos de vida. Nota 17,5+. Acompanhou o couver, que incluiu salada de polvo, e um prato de garoupa braseada com couli de citrinos e batatinhas. Trazia uma cobertura de nozes e sultanas, perfeitamente desnecessárias.
.Qtª da Gricha 07 (garrafa nº 30 de 7200) - nariz exuberante, frutos vermelhos, boa estrutura, final adocicado. Fácil de gostar, mas não será um vinho de grande guarda. Nota 17,5.
.Qtª da Gaivosa Vinha do Lordelo 07 - mais austero, especiado, acidez equilibrada, taninos mais presentes, final longo. Tem condições para evoluir bem nos próximos 6/7 anos, apesar de algum excesso no teor alcoólico. Nota 18,5.
Os tintos acompanharam um belo lombo de veado assado com frutos silvestres e gratin de batata.
.Blandy Bual 68 (ano de engarrafamento não legível) - côr de ambar brilhante, aroma complexo, notas de frutos secos, caril, iodo,acidez incrível sem agressividade, estrutura e profundidade de boca, final interminável. Nota 19.
Acompanhou uma tarte e amêndoas em cama de bolacha com gelado de baunilha e, ainda, uns deliciosos figos Capa Rocha marinados com espuma de futo seco e mel (gentil oferta da casa).
Mais uma grande jornada. Os nossos agradecimentos ao Marco e restante equipa pelo apoio dado. Aconselho vivamente este restaurante a quem ainda não o conheça.

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