terça-feira, 18 de outubro de 2011

O grupo do Raul (10ª sessão)

Das mais de 100 provas cegas que tomei parte (61 com o Núcleo Duro, 16 com o Grupo dos 3, 10 com o Grupo do Raul (ex-3+4) e outras não contabilizadas), esta última com o Grupo do Raul, organizada por este, foi a mais surpreendente e desconcertante que a minha memória reteve. Foram 12 tintos, em séries de 4, provados às cegas. Os primeiros 4, muito evoluidos, apontavam para a década de 90, enquanto que os últimos pressupunham anos mais recentes. Puro engano, eram todos de 2003! Dava um doce se algum dos críticos mais conhecidos acertasse com esta charada.
A prova decorreu no Colunas e teve como prato principal um delicioso arroz de galo pica no chão.
A 1ª série, que contemplava 2 Ribatejo (Paço dos Falcões Reserva e Marquesa de Cadaval) e 2 Douro (Meruge e Vallado Reserva), foi a mais fraca, com os vinhos demasiado evoluidos e com notas animais. O Marquesa de Cadaval pareceu-me ser o único que pode aguentar mais algum tempo, enquanto os restantes são para consumir de imediato. O Vallado Reserva foi uma clara desilusão.
A 2ª série, muito superior, continha 3 Douro (Chryseia, Poeira e CV) e 1 Bairrada (Qtª da Dôna). Mais exuberantes e complexos, estruturados, plenos de pujança e com finais longos. Destacou-se o CV, no apogeu da sua existência, dando também boa nota de si o Chryseia e o Poeira. Um pouco menos interessante o Qtª da Dôna, que se apresentou mais evoluido e está na altura de ser despachado.
A 3ª e última série incluia, também 3 Douro (Batuta, Pintas e Vinha da Ponte) e desta vez 1 Alentejo (Pera Manca). Um quarteto de respeito, sendo o alentejano o elo mais fraco. Os Douro apresentaram-se todos em grande estilo, florais e elegantes, especiados, taninos bem presentes mas macios e bom final de boca. E ainda longe da reforma. Para o meu gosto, o Pintas foi o grande vencedor da prova. Nota alta para o Vinha da Ponte (talvez aquele que ainda vai durar mais anos) e para o Batuta.
Hierarquiamente e só em relação aos últimos 8 vinhos, ponho :
1. Pintas (18,5)
2. CV (18,5)
3. Vinha da Ponte (18)
4. Batuta (17,5+)
5. Chryseia (17,5+)
6. Poeira (17,5)
7. Pera Manca (17,5)
8. Qtª da Dôna (17)
Finalmente, com as sobremesas, 3 fortificados :
. Blandy Bual 77 (engarrafado em 2007) - mais uma garrafa em grande estilo, na linha que já nos habituou (18,5)
. Krohn Colheita 68 (engarrafado em 2008) - ligeiramente abaixo doutras garrafas provadas noutras situações (17+)
. Carcavelos Conde de Oeiras (a única garrafa que não veio com o Raul) - não faz esquecer o Qtª do Barão e da Belavista (16).
Uma grande e surpreendente jornada. Obrigado Raul!

Sem comentários:

Enviar um comentário