sábado, 31 de dezembro de 2011

O grupo dos 3 (19ª sessão)

Mais uma sessão do grupo dos 3 (Juca, João Quintela e eu) a fechar o ano. O restaurante escolhido foi a Casa da Comida, já referida e elogiada por mim anteriormente (ver crónica de 2/10). A equipa, Bruno Salvado (antigo braço direito do Bertílio Gomes) na cozinha e Sílvia Martins na sala (prémio "Arte da Sala e da Mesa 2010", atribuido pela Academia Portuguesa de Gastronomia), foi agora reforçada com o escanção Marco Alexandre, vindo do Sem Dúvida, onde criou uma das mais interessantes cartas de vinhos que conheço. Este restaurante, Casa da Comida, ainda pouco badalado, é uma referência em Lisboa e um local de frequência obrigatória.
Antes de irmos para a mesa, provámos um agradável branco adocicado Moscato Casti 07, simpática oferta do Marco. Iniciada a sessão, com um complexo mas bem equilibrado entretem de boca, seguido de uma entrada de toro de atum com puré de funcho e lima, muito bem conseguida, provámos um branco de Colares 2008 da Fundação do Oriente, com uma surpreendente acidez, já por mim referido anteriormente (ver crónica de 3/12). Nota 17,5+ (noutra situação também 17,5+).
Com o prato principal, uma excelente costoleta de leite (vitela) com molho de queijo da serra e legumes braseados, beberam-se 2 tintos de 2005, o primeiro com problemas de excesso de sulfuroso, segundo informação do escanção que teve de o arejar previamente e o segundo em grande forma. Foi uma surpresa pois a ideia que tinhamos de provas anteriores apontava para uma situação contrária. Descodificando :
.Calda Bordaleza - depois da decantação e do forte arejamento que sofreu, mostrou-se ainda algo químico, acidez elevada, boa estrutura de boca e final longo. Nota 16,5+ (noutras 17,5/18,5/18,5).
.Qtª da Pellada - mais amigável, acidez equilibrada, elegante, profundidade e final longo; está ainda para durar e esta garrafa não tem nada a haver com uma outra que provámos em conjunto. Nota 18 (noutras 18/16,5/17,5+/15,5 a mostrar alguma irregularidade).
Finalmente, com uma original sobremesa de fruta em diferentes texturas num cremoso de dióspiro, avançou um surpreendente Noval Colheita 1974 (engarrafado em 1985) - notas de mel, citrinos, frutos secos, algum iodo, encorpado e bom final de boca; mostrou um perfil com semelhanças a moscatel e uma personalidade e características que nada têm a haver com um estágio em madeira de apenas 11 anos. Nota 17,5+ (noutra 15,5).
Uma grande jornada vínica (apesar de tudo) e gastronómica. Parabens à equipa da Casa da Comida.
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