domingo, 27 de fevereiro de 2011

Novo jantar com vinhos da Madeira : a excelência

Foi uma espécie de continuação do 1º jantar (ver crónica de 17/12/2010), também levada a cabo na Enoteca de Belém. Em equipa ganhadora não se mexe! Mais uma grande jornada com o Nelson a brilhar nos tachos e o Ângelo no serviço de vinhos. Um desempenho de qualidade, como era de esperar.
Antes da entrada dos pesos pesados bebemos, com o couvert e um curioso entretém de boca (tártaro de salmão com puré de feijão preto), 1 espumante (Lagar de Baixo 08, nota 15) gentil oferta da casa e 2 brancos madeirenses de desigual qualidade. O 1º, o já nosso conhecido Primeira Paixão Verdelho 09, simultaneamente gordo e fresco na boca e cheio de personalidade, e o 2º uma curiosidade que dá pelo nome de Rocha Branca Arnsburger 02, pesado e com falta de acidez (notas 17 e 14, respectivamente).
Depois desta introdução, desfilaram :
.Cossart Gordon Terrantez 77 (engarrafado em 2004), trazido pelo João Quintela, que acompanhou uma entrada de carpaccio de polvo. Foi a garrafa nº 608 de 2000. Menos seco do que é normal nesta casta, notas de iodo, caril e brandy, acidez equilibrada, encorpado, final muito longo. Nota 18.
.Blandy Bual 71 (engarrafado em 2004), da garrafeira do Alfredo Penetra, que acompanhou uma monumental posta de bacalhau, embora esta ligação não tivesse sido perfeita. Nariz exuberante, muito tropical, frutos secos, iodado, vinagrinho bem presente, boca poderosa, final longo. Nota 18,5.
.Blandy Bual Solera 1891, levado em boa hora pelo Modesto Pereira, que acompanhou um excelente carré de borrego com cogumelos e grelos, em crosta de brôa. Ligação perfeita! Faltam-me palavras para definir com rigor este vinho. Ele fala por si. Concluindo : é a complexidade total e a quase perfeição. Nota 19,5.
.Borges Malvazia +40 Anos (engarrafado em 2007), comemorativo dos 500 anos da cidade do Funchal, oferta do Adelino de Sousa, que acompanhou bem as sobremesas (queijo, doces e fruta). Foi a garrafa nº 492 de 1000. Disseram-nos que é capaz de ser o único Madeira +40 Anos existente. Presença de citrinos, notas de mel, vinagrinho,boa profundidade de boca, muito longo. Foi prejudicado por ter entrado logo a seguir ao Solera. Nota 18+.
Saímos em êxtase deste excelente jantar-prova de vinhos da Madeira. Não há-de haver no planeta muitas pessoas que tenham tido o privilégio de terem provado estas raridades!
Finalmente, é de inteira justiça expressar o nosso agradecimento ao nosso amigo Adelino de Sousa, madeirense de nascimento e grande conhecedor e coleccionador de vinhos generosos, que tem aberto mão de algumas das suas relíquias e tantas alegrias nos tem proporcionado!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Grupo de Prova dos 3 (12ª sessão)

Os vinhos, todos brancos, eram do João Quintela que escolheu o restaurante principal do Corte Inglês para a realização da prova. O prato principal foi uma excelente e avantajada cabeça de garoupa grelhada. Uma delícia que se recomenda. O serviço de vinhos foi, mais uma vez, de grande qualidade. Quando lhe será atribuido pela Revista de Vinhos o estatuto de restaurante amigo do vinho? Não fica assim tão longe que dificulte uma visita.
Quanto à prova, os 2 alvarinhos em competição mostraram quanto valem. O Dão presente, desta vez desiludiu.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 08 - tropical, alguma mineralidade, gordo na boca mas com boa acidez, profundo, final extenso. Muito gastronómico é claramente um branco de outono/inverno. Tem vindo a crescer na garrafa e a aproximar-se do 2007. Nota 18 (noutras situações 17,5/18/18+).
.Anselmo Mendes Alvarinho Curtimenta 09 - muito floral e feminino, bela acidez, elegância, madeira na quantidade certa, bom final de boca. Nota 17,5.
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 09 - fumado, tosta em excesso, falta de elegância, boca poderosa, desequilibrado. Nota 15,5 (noutra 17,5+). Problema desta garrafa?
Como estamos mal habituados, sentimos a falta de um bom generoso, Madeira de preferência, para encerrar o encontro.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O Primo dos Caracóis revisitado

Publiquei em 20/12/2010 as minhas impressões (boas) deste simpático restaurante à entrada de Olhão, para quem vem de Tavira pela 125. Nova visita recente confirma aquilo que escrevi. Come-se bem e paga-se abaixo do esperado. Nesta última incursão, comemos (3 pessoas) :
.Enguias grelhadas - 13,00
.Ovas de choco - 14,00
.Canja de ameijoas - 13,00
A acompanhar bebemos um branco, Adega de Vila Real Reserva 09, frutado sem ser excessivo, acidez equilibrada, muito fresco e excelente relação preço/qualidade (8,00). Nota 16 (noutra situação 16+).
Recomendo vivamente este espaço!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O regresso dos 3+4 (6ª sessão)

Após um longo interregno, concretamente desde Novembro 2010, recomeçaram os almoços do Grupo 3+4, embora desta feita tivessem sido 3 (João Quintela, Juca e eu) + 3 (Paula Costa, Raul Matos e Rui Rodrigues). Faltou o Carlos Borges (falta justificada).
Os vinhos, provados às cegas, sairam da garrafeira do Juca. O restaurante escolhido foi, novamente o Colunas.
A prova foi deveras interessante, tendo sido degustados 6 tintos da Qtª do Crasto das colheitas de 2005, 2006 e 2007 (2 de cada). Foram 3 Vinhas Velhas em confronto com 1 Maria Teresa, 1 T.Nacional e 1 Xisto. Os vinhos portaram-se à altura, tendo o Xisto sido a grande surpresa pela positiva e o Vinhas Velhas 05 a (relativa) decepção. Para azar nosso o Vinhas Velhas 06 tinha rolha. Com as sobremesas avançou um Cossart Gordon Bual 69 da Madeira Wine, cuja responsabilidade enológica é dum tal Francisco Albuquerque, personagem desconhecida dos críticos desta praça!
As minhas impressões telegráficas dos vinhos em prova :
.Xisto 05 - aroma intenso, muito floral, bela acidez,elegante e harmonioso, profundidade de boca, final extenso. Nota 18,5. Teve uma surpreendente evolução (noutras situações 17/17,5).
.Touriga Nacional 06 - muito especiado, acidez equilibrada, boa estrutura de boca e final longo. Original e cheio de personalidade. Nota 18 (noutras 18+/18/18,5).
.Maria Teresa 07 - muito fechado inicialmente, foi abrindo ao longo da prova, mineral, elegante, bom final de boca. Nota 17,5+ (noutras 17,5+/17,5).
.Vinhas Velhas 07 - aroma intenso, floral, notas de tabaco, boa profundidade, final de boca extenso. Nota 17,5+ (noutras 17/17,5).
.Vinhas Velhas 05 - fruta madura, algum lagar, acidez q.b., corpo mediano, bom final de boca. Nota 17 (noutra 18).
.Cossart Bual 69 (engarrafado em 2004) - frutos secos, iodo, caril, vinagrinho, boa arquitectura de boca, final muito longo. Mais um grande Madeira. Nota 18,5+ (noutra 17,5+).
Mais uma grande jornada. Obrigado Juca.

Francisco Albuquerque : mais uma vez injustiçado

Francisco Albuquerque, o mais prestigiado enólogo português, foi eleito, em 3 anos consecutivos (2006, 2007 e 2008), o Enólogo do Ano de Vinhos Generosos de todo o mundo, pelo júri do International Wine Challenge, considerado o mais importante concurso mundial de vinhos.
Que outro país vitivinícola mereceu esta honra? Que me conste mais nenhum!
E em Portugal que entidades lhe atribuiram os prémios que o Francisco merece desde há muito? Que eu saiba nenhuma! O que andam a fazer os críticos da Revista de Vinhos e da Wine, tão pródigos em inflacionar prémios? Porque não provam os vinhos da Madeira Wine, os mais consistentes dos vinhos da Madeira lançados no mercado? Simplesmente indesculpável!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A colheita de 2001 novamente no palco

Na minha crónica de 12 de Janeiro deste ano, referia que a RV iria publicar o resultado de um painel com tintos de 2001 e que seria interessante comparar aqueles resultados com os meus. O painel da RV saíu com o nº de Fevereiro acabado de chegar às bancas e aos assinantes. Ficou comprovado que 2001 foi um ano de eleição e que as garrafas que restam nas nossas garrafeiras ainda nos vão dar grandes alegrias e momentos altos de convívio e partilha.
Na referida crónica não pus as notas que fui atribuindo ao longo do último ano (influências do Pingas no Copo?), mas vou fazê-lo agora, comparando as minhas classificações com as do painel da RV, que ficam entre ().
.Vale Meão - 18,5+ (18)
.Qtª Bágeiras - 18,5 (18)
.Crasto Vinhas Velhas - 18,5 (16,5)
.Poeira - 18 (17,5)
.Vinha Barrosa - 18 (Vinha Pan 17)
.Vale D.Maria - 17,5 (17,5)
.Pintas - 17,5 (16,5)
Não há grandes diferenças na maior parte, embora a minha bitola seja ligeiramente superior. A excepção foi o Crasto Vinhas Velhas. Teria estado mal guardada?
Por outro lado houve vinhos provados por mim, mas que o painel da RV omitiu. Esquecimento?
Ei-los :
.Crasto T.Nacional - 18,5
.Homenagem a António Carqueijeiro - 18,5
.Qtª Macedos - 18
.Campo Ardosa - 18
.Qtª Dôna - 17,5+
.Luis Pato Vinhas Velhas - 17
.Utopia - 16
.Quanta Terra - 13
.Chryseia - 10 (uma) e 15,5 (outra)
E é pena que não tivessem submetido à prova o Chryseia que tanta polémica levantou na Blogosfera e, até, no Forum da RV. Falta de curiosidade?

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Falhei (pela 1ª vez) a festa dos Óscares

É verdade, tenho estado presente em todos os jantares, organizados pela Revista de Vinhos, onde são atribuídos os chamados Óscares do mundo do vinho. Vantagens e inconvenientes (depende do ponto de vista de cada um) de quem se reforma. Tenho, como argumentos a favor deste evento anual, a possibilidade de provar e avaliar os vinhos mais badalados e de contactar as pessoas que os produzem, os elaboram, os promovem ou os vendem. E contra, o tempo excessivo que leva a atribuição dos inúmeros prémios (alguns de duvidosa oportunidade), prolongando a cerimónia para além do razoável.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Mais um espaço simpático, desta vez em Belém

É uma espécie de 3 em 1 (Taste/Drink/Night), no espaço do antigo Espelho d'Agua e por onde já passaram "n" restaurantes, mas só vou debruçar-me sobre a componente Taste. Dá pelo sugestivo nome ONE e é um espaço acolhedor com vistas para o Tejo, mesas bem aparelhadas, serviço eficiente e simpático e preços decentes. Para além da lista à carta, tem a modalidade económica que dá pelo nome de Sugestão e consiste no prato do dia, sobremesa, couvert, água e café, tudo isto a troco de 12 €. Um achado em tempo de crise! Mas tem um senão : o prato do dia não tem uma alternativa, o que não faz qualquer sentido. A rever urgentemente.
Quanto a vinhos, achei a lista algo desequilibrada, resumindo-se praticamente a meia dúzia de alentejanos e douros, embora com algumas boas sugestões. Os preços, embora não sejam especulativos podiam ser mais apelativos. Vinho a copo só o da casa, o que é manifestamente insuficiente. Os copos (Schott) são bons, mas os tintos estão à temperatura ambiente, o que se lamenta.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Vinhos em família (VIII)

Dos últimos vinhos bebidos em família ou com amigos, descontraidamente às claras, sem o stress da prova cega, aquele que mais me marcou foi um da Estremadura. Desta vez o Douro foi ultrapassado. É a vida!
Qtª Pancas Selecção do Enólogo 06 (para que não digam que só provo vinhos caros) - um vinho barato com 9 meses de estágio em barrica e em garrafa de luxo, côr aberta, aromas terciários, excelente acidez, corpo médio, bom final de boca. A beber nos próximos 3 anos. Excelente relação preço/qualidade (foi o campeão de vendas na gama vinhos de combate, nas CAV). Nota 16,5.
Qtª Garrida T.Nacional Reserva 05 - ainda com fruta, notando-se pouco a presença da touriga, algo fechado, encorpado mas um pouco rústico, bom final de boca, pouco harmonioso neste momento, melhor daqui a 4/5 anos. Nota 17,5.
Dominio de Atauta 04 (Ribera del Duero) - tem tudo no sítio, fruta, acidez, taninos, bom final de boca; é um vinho muito gastronómico . Nota 17,5 (noutra 17,5+).
Homenagem a António Carqueijeiro 01 - um festival de aromas e sabores, notas de pimenta e tabaco, bela acidez, elegante e envolvente, profundidade de boca, final extenso. Aguenta bem mais 6/7 anos. Um único defeito : o preço excessivo. Nota 18,5 e entrada no meu Quadro de Honra (noutra 18).
Qtª Sequeira Grande Reserva 04 - estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e 6 meses em garrafa, notas de frutos secos, taninos ainda não domados, rústico, final longo, penalizado pela falta de elegância. Nota 17 (noutras situações 18+/18).

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Novamente o Solar do Vinho do Porto em Lisboa

Uma boa notícia : o Solar reabriu, após 1 mês de obras para modernização do espaço. Mantém-se a oferta alargada de Vinho do Porto de qualidade e os preços sensatos. Agora a má notícia : infelizmente, segundo informação do pessoal que ali trabalha, apenas 15% dos clientes são nacionais, sendo estrangeiros a esmagadora maioria. Andamos todos distraidos e é pena. Que é dos consumidores em geral e dos enófilos em particular? Para o Solar já e em força!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Maria João Almeida (MJA) para ler, ver e ouvir

Para além de alguns livros de divulgação do vinho, dos quais destaco "Memórias do Vinho", a MJA tem um portal da sua responsabilidade e de que é a principal animadora. Mais : consulta obrigatória por parte dos enófilos (há um link no meu blog para o portal da MJA).Tem, diariamente, notícias frescas que podem ser lidas e/ou vistas e ouvidas. Pode aceder-se, igualmente, a inúmeras notas de prova, artigos e crónicas. Mas, o mais importante é o "Vinho.tv", uma série de entrevistas curtas, mas muito interessantes. É, aqui, que a MJA marca pontos. O Vinho.tv, por sua vez, subdivide-se em "vox pop", "de mesa em mesa" e "entre copos". Nesta última rubrica pode-se ver/ouvir conversas com algumas das principais figuras do mundo do vinho, como por exemplo, João Pires, Laura Regueiro, Tomás Roquete, Anselmo Mendes, Luis Pato, João Portugal Ramos, João Paulo Martins, Sandra Tavares da Silva, Domingos Soares Franco ou Jancis Robinson, um verdadeiro furo jornalístico.
Para os antigos e actuais clientes e amigos das Coisas do Arco do Vinho, aconselho a visualização da entrevista com a Eulália Gomes, actual proprietária, gravada em 15 de Dezembro (entrar em Vinho.tv > programas anteriores > entre copos).

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Vinhos em família (VII)

Impressões telegráficas dos últimos vinhos provados em família ou com amigos, tudo às claras:
.Momentos 04 - o vinho mais personalizado elaborado pelo Luis Soares Duarte, ostentando a impressão digital no rótulo; feito com base numa vinha velha em Vale Mendiz, estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês, austero, acidez equilibrada, profundidade, bom final de boca, com saúde para durar mais 5/6 anos. Nota 17,5+ (noutra situação 17,5).
.Qtª Crasto T.Nacional 01 - um dos grandes vinhos do Douro, côr ainda carregada, aroma complexo com notas de tabaco e chocolate, madeira fina e na quantidade certa, taninos presentes, final longo, todo ele elegância e harmonia. Aguenta mais uns anos. Nota 18,5 (noutras 17,5/19/18/18/17,5/18/18).
.Batuta 00 - aroma débil, acidez presente, alguma elegância, taninos domados, bom final de boca, mas longe dos bons velhos tempos. A consumir pois já entrou na curva descendente. Nota 16,5+ (noutras 18/18,5 em Magnum/17,5).
.Blandy Bual 80 (engarrafado em 2009) - era a botelha 384 de 1000; nariz de início muito fechado, citrinos bem presentes, frutos secos, vinagrinho discreto, demasiado seco para esta casta, corpo mediano mas final longo. Nota 17,5 (noutra 18).
.Baton 08 - vinho duriense de um novo produtor, Terroir d'Origem (Casal de Loivos); ainda demasiado jóvem precisa de tempo para se mostrar, aroma muito frutado e exuberante, acidez q.b., taninos doces, bom final de boca. Nota 17.
.Pios 07 - outro tinto do Douro; correcto e simples não fica na memória. Nota 15+.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mais um espaço simpático a recomendar

Trata-se do All in One, restaurante do Hotel Golfe do Montado, perto de Algeruz. Sala confortável, mesas muito bem aparelhadas, ementa não muito extensa com pratos agradáveis e em conta. Está sempre aberto (almoço e jantar). Serviço eficiente e simpático.
Quanto aos vinhos, a carta é curta (mesmo em relação aos vinhos das Terras do Sado) e sem inspiração, datas de colheita omissas. Safam-se os copos, vá lá.

Garrafeiras : a lista negra continua

Mais más notícias para os enófilos. Encerraram, recentemente, a Lx Gourmet (Restelo), Enomania (York House) e a Vinodivino mantém-se fechada para balanço há 1 mês. Será que ainda reabrirá? Se fechar definitivamente, lamento sinceramente pois tenho a maior estima e consideração pelas "meninas da Lapa". Mas é a vida!