sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Blog está de luto

Morreu o David Lopes Ramos, um grande jornalista que se especializou em gastronomia. Mas, sobretudo, era um amigo e um homem bom. Ficámos todos a perder com o seu desaparecimento. Não vou fazer-lhe o elogio fúnebre. Melhor do que eu, alguém já o fez. Quero apenas partilhar com os leitores deste blog a minha profunda consideração e amizade pelo David. Quando eu já era um enófilo militante, embora sem grandes critérios de apreciação dos vinhos que ia provando, tive a oportunidade e o privilégio de conhecer o David. Na década de 80, numa visita ás caves da Adega Cooperativa de Colares, seguida de almoço, calhou ficarmos na mesma mesa. Conversa puxa conversa, encontrámos muitos pontos de interesse comuns. Os vinhos, a gastronomia, o facto de estarmos do mesmo lado da barricada em termos políticos, etc. Mantivémos o contacto ao longo de décadas. Trocávamos impressões sobre restaurantes e outros assuntos que nos interessavam. Parte da minha biblioteca temática (sobre vinhos, claro!) devo-a às sábias sugestões do David. Onde quer que estejas, obrigado amigo!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Restaurante Ibo revisitado

Confirma-se o que foi dito na minha crónica de 11 de Junho 2010. Localização privilegiada junto ao Tejo (atrás da estação do Cais do Sodré), cozinha de inspiração moçambicana e não só, pratos bem apresentados, doses fartas, serviço eficiente, sala confortável, bom ambiente. Lista de vinhos alargada com boas sugestões para todas as bolsas, uma apreciável quantidade de vinhos a copo, temperaturas controladas, bons copos.
Degustámos alguns dos pratos recomendados, tendo a nossa escolha caído no caril de camarão com arroz basmati, lombinhos de peixe com molho de coco, puré de mandioca e batata doce e, ainda, chacuti de cabrito.
Quanto a vinhos foi bebido o Qtª de Saes Reserva Estágio Prolongado 07 - austero, alguma rusticidade, boa acidez, boca potente, final longo. Aguenta bem mais 10 anos. Nota 17,5.
Volto a recomendar este restaurante que, além de ter passado ao lado da crítica, bem merece ser considerado amigo do vinho. À atenção da Revista de Vinhos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Vinhos em família (XII)

Mais uns tantos vinhos provados pacificamente com a família, a darem-nos imenso prazer. É pena que, para alguns, tivesse sido a última garrafa. Mas, para aqueles que ainda tenham algum exemplar, são boas notícias.
.Qtª Foz de Arouce Vinhas Velhas de Stª Maria 03 - vinificado em lagar, estagiou em barricas novas; perdeu a pujança que tinha nos primeiros anos, mas ganhou em elegância e frescura. A consumir desde já ou nos próximos 2/3 anos. No contra rótulo pode ler-se que o vinho não foi filtrado, mas não me pareceu. De qualquer modo, uma grande referência da equipa do João Portugal Ramos. Nota 17,5 (noutras situações 17,5/18,5/17/18,5/18+).
.Terrus 05 - complexidade aromática, acidez incrível, potência de boca, final muito longo, grande harmonia. Enologia do Francisco Montenegro. Um dos grandes vinhos produzidos no Douro em 2005 e um dos meus preferidos. Tem mais 10 anos pela frente. Surpreendentemente passou ao lado da crítica. Estavam distraidos? Nota 18,5 (noutra 18,5/17,5).
.Qtª dos Carvalhais Colheita Seleccionada 07 Branco - começou a ser comercializado só em 2011 e apenas para os sócios do Clube Reserva 1500 (ignoro se já estará no mercado); discreto no nariz, acidez bem presente que lhe proporciona uma grande frescura, gordo na boca, gastronómico, em forma mais 3/4 anos. Uma boa surpresa. Nota 17.
.Morgado Stª Catherina 08 - estagiou 9 meses em carvalho francês; aromático, notas tropicais, fruta madura, gordo na boca, equilibrado com uma excelente acidez, gastronómico, a beber ainda nos próximos 3/4 anos. Um dos mais entusiasmantes brancos portugueses e, para mim, o melhor na relação preço/qualidade. É de lamentar que não tivesse sido incluído no grande painel de brancos, publicado na RV de Setembro 2010. Este painel, aliás, lamentavelmente, omitiu a região de Bucelas, a única exclusivamente de brancos, vá lá perceber-se porquê. Nota 17,5+ (noutras 17/17,5+).
.Blandy Verdelho 73 - intenso, frutos secos, iodo, caril, acidez bem presente, profundidade de boca, final interminável. Perfeito! Nota 18,5+

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Brindemos...

Crise. Déficit. Dívida soberana. Taxas de juro. Agências de rating. Default. PPP. Desemprego. Troika. FMI. BCE. UE. Orçamento. PEC. SCUTs. Crédito mal parado. Sondagens. Geração à Rasca. Compromisso Nacional. Manifesto 74/74. Um que não quer sair, um que quer entrar, outro que quer presidir.
Chega! Nesta data brindemos ao que resta da Revolução dos Cravos. Com um Bual, com um Porto 40 Anos ou com um Moscatel Roxo. E, porque não, com o CARM BOCA?

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Uma prova de moscatéis imperdível

O Rui Lourenço Pereira (Qtª Wine Guide) vai organizar uma grande degustação de moscatéis da José Maria da Fonseca, seguida de almoço. Vão estar em prova 12 generosos (4 são colheitas antigas), alguns nunca comercializados. O evento, previsto para o dia 14 de Maio, vai ser nas instalações da JMF, em Azeitão. As reservas devem ser feitas para o TM 914323878 do Rui L. Pereira.
Uma prova que os enófilos, militantes ou não, não devem perder. Uma oportunidade única de ficar a conhecer alguns dos moscatéis nunca comercializados.
Ficarei muito triste se o evento for cancelado por falta de participantes!

Almoçar por 1,20 € !

Não é treta. É mesmo possivel almoçar por 1,20 € no Celeiro (Rua 1º de Dezembro). É o custo de uma malga de sopa a deitar por fora. Para os mais comilões há salgados em conta. E a água é de borla. No final da refeição beba-se um café no Nicola (0,50 €). É só atravessar a rua. Nos tempos que correm é um achado e poupam-se umas massas para gastar nos outros restaurantes.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Cabrito estonado no Assinatura

Cabrito estonado preparado pelo chefe Henrique Mouro (estaladiço, á moda do leitão bairradino), foi o que nos levou ao Assinatura. Acompanhado por um arroz de miúdos e pontas de espargos. Excelente confecção, como era de prever. Mas não ficámos por aqui. Iniciámos o almoço com um interessante creme de alcachofras, ovo estrelado a baixa temperatura e croquete de presunto e queijo, especialmente concebido para acompanhar um Madeira Verdelho. Acabámos com uma belíssima sobremesa de morango, ruibarbo e hissopo, a ligar muito bem com outro vinho da Madeira, desta vez da casta Boal. Nota muito alta para este repasto! Serviço muito profissional, como é usual no Assinatura.
Especificando os vinhos provados ao longo da refeição :
.Artur Barros e Sousa Verdelho 84, levado pelo João Quintela - tropical, notas caril, iodo, acidez e frescura, profundidade e final longo. Nota 18.
.Batuta 07, levado por mim - complexidade aromática, frescura, equilibrio, taninos aveludados, bom final de boca. Todo ele harmonia. Nota 18,5 (noutras situações 18,5/18).
.Pera Manca 07, da carta de vinhos do Assinatura - pouco harmonioso, taninos algo agressivos, a contrastar com o vinho anterior. Longe de merecer a fama e os preços demenciais com que aparece no mercado. Nota 16.
.Batuta 03 em Magnum, trazido pelo Raul Matos - notas de tabaco, especiarias, muito fresco com uma bela acidez, perdeu potência mas ganhou em elegância, bom final de boca. Nota 18 ( de notar a irregularidade das garrafas provadas ao longo de alguns anos : 16/18,5/17/18+/16,5/18).
.Blandy Boal 71 (engarrafado em 2004), da garrafeira do Juca - frutos secos, iodo, caril, vinagrinho, boca poderosa, final interminável. Um encerramento com chave de ouro! Nota 18,5+ (também tem havido variações de garrafa para garrafa : 19/17/17,5/18+/18,5).

terça-feira, 19 de abril de 2011

Colheita 2003 : uma avaliação precipitada

A colheita de 2003 (estamos a falar de tintos) foi claramente injustiçada. De facto, o verão desse ano foi anormalmente quente e parte das uvas foi considerada com excesso de maturação. Também me precipitei e comecei a despachar os meus vinhos de 2003, deixando para trás as colheitas de 2000 e 2001. Mea culpa! Salvo raras excepções (o Xisto e, de certo modo, o Chryseia desiludiram-me) os vinhos de 2003 que provei, a maior parte saídos da minha garrafeira, mostraram-se cheios de saúde, com boa acidez, elegantes e equilibrados, a contrariar as vozes mais derrotistas. Ou seja, surpreenderam-me pela positiva e deram-me muita satisfação consumi-los. Verdade seja dita que pertenciam a um patamar alto/médio alto e, a esmagadora maioria era de origem Douro.
No espaço de 1 ano (o tempo que tem este blog) provei :
.Vallado Reserva - 18,5
.Qtª Crasto Vinha da Ponte - 18,5 (outra menos boa 17)
.Esporão Garrafeira - 18
.Poeira - 18 (outra 17,5+)
.Batuta Magnum - 18 (normal 17,5+)
.Qtª Vale Meão - 17,5+
.Ferreirinha Reserva Especial - 17,5+
.Campo Ardosa RRR - 17,5+
.Qtª Foz Arouce Vinhas Velhas - 17,5
.Herdade das Servas T.Nacional - 17,5
.Meruge - 16,5
.Chryseia - 16
.Xisto - 14,5

sábado, 16 de abril de 2011

O grupo dos 3 (13ª sessão)

O grupo dos 3 reuniu-se, no passado dia 14 de Abril, para mais uma jornada à volta do vinho e da gastronomia. Os vinhos eram da minha garrafeira e o restaurante, escolhido por mim, foi o Manifesto de Luis Baena. Foi uma grande sessão com os vinhos a portarem-se muito bem. A ementa proposta pelo chefe Luis Baena, tirando o excesso de lima no 1º prato, era de uma qualidade exemplar e casou bem com os vinhos. Bons copos, temperaturas adequadas e um serviço muito profissional, a cargo de Francisco Castro Ferreira. Parabéns ao Luis Baena e à sua equipa.
Desfilaram :
.Conceito Sauvignon Blanc 09, um branco elaborado pela Rita Ferreira na Nova Zelândia, ao nível dos brancos que esta jovem enóloga já nos habituou. Aroma tropical sem excessos, muito fresco, cheio de personalidade, corpo e acidez, muito equilibrado, final médio/longo. Está óptimo para beber já, mas aguenta mais 2/3 anos em forma. Nota 17,5+.
Acompanhou o couvert (uma curiosa colecção de manteigas e pão) e os 2 primeiros pratos, ceviche de espada preto (com lima em excesso) e cherne com puré de batata doce e molho de bivalves.
.Qtª Touriga Chã 07, Prémio Excelência 2010 atribuido pela RV. Aroma exuberante, frutado, acidez presente, potência de boca, final longo. Ainda é cedo para consumir. Vai evoluir bem e estará no ponto daqui a 5/7 anos. Nota 18+.
.PAPE 07, também Prémio Excelência 2010. Um dos grandes tintos do Álvaro de Castro. Aroma ainda preso, mais floral e fresco, acidez bem presente, muito elegante, corpo e final médio/longo. Prevejo-lhe uma longevidade acentuada, Mais 7/8 anos em forma. Nota 18.
Os 2 tintos acompanharam os 2 excelentes pratos de carne, risotto de molejas com boletos e burras confitadas com favas. Uma delícia.
.Wensel Beeren Auslese Late Harvest 07, resultante de uma parceria do Rui Reguinga com o seu amigo austriaco Michael Wenzel. Boca untuosa equilibrada com uma boa acidez, final muito longo. Nota 17,5+.
Acompanhou muito bem doces conventuais com sorvete.
Uma grande jornada ao nosso melhor nível!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Peixe em Lisboa : uma viagem pela restauração

Lamentavelmente só hoje tive a oportunidade de participar no Peixe em Lisboa, coordenado pelo jornalista Duarte Calvão (lembram-se da página Boa Vida no DN ?) e com sede no recém inaugurado Páteo da Galé. É a grande oportunidade de se frequentarem uma série de restaurantes, ali concentrados. Cada bilhete custa 15 € e dá direito a 2 degustações de 5 €, 2 bebidas no valor de 1,50 € e um copo.Deixei de lado aqueles que melhor conheço e fui-me aos outros.
Nas entradas (5 € cada) seleccionámos o Spacio Buondi/Nobre (excepcional a sopa de santola) e a Fortaleza do Guincho (boa a dourada marinada com legumes crocantes). A escolha do prato (8 €) recaiu na Fortaleza do Guincho (vieiras salteadas com gnocchis e endívias, muito bem conseguidas) e no UMAI (óptimo o strudell de corvina). Quanto às sobremesas fomos para o Arola/Penha Longa (imaginativo o arroz doce de morango) e Eleven (panacotta de pera e cassis, sem entusiasmar).
Graças à atenção dos meus amigos e confrades da José Maria da Fonseca, bebeu-se um aromático, fresco, equilibrado e gastronómico Domingos Soares Franco Verdelho 09 (Nota 17) e um soberbo Moscatel 20 Anos (Nota 18,5) a rematar o repasto em beleza.
Parabens à organização e aos restaurantes aderentes!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lisboa Restaurant Week : a confirmação e a surpresa

Aproveitei este evento e pousei em 2 restaurantes aderentes, o Faz Figura (a confirmação) e o Guarda Real (a surpresa). As ementas (entrada/prato/sobremesa) tinham um valor fixo de 19+1 € (bebidas àparte), o que, face às ameaças do FMI e companhia, é uma mais valia. O Faz Figura fez alguma batota, ao cobrar 2,50 € de "couvert" por pessoa, ao passo que o Guarda Real, restaurante do Hotel Real Palácio, não só não cobrou o "couvert", como ofereceu o "amouse de bouche", numa simpática aposta em potenciais clientes.
No Faz Figura, o chefe Pedro Dias comanda bem a cozinha e o que veio para a mesa, gaspacho com trouxas de bacalhau, bacalhau assado com broa, folhado de capão, tinha qualidade, embora sem nos fazer subir aos céus.
O chefe Ricardo Mourão pontifica nos tachos do Guarda Real e surpreendeu pela qualidade e apresentaçao dos pratos escolhidos, creme de camarão, carpaccio de novilho, veado braseado com risotto de espargos, salmão..., panacotta de frutos silvestres e um irish coffee adaptado a sobremesa.
O Faz Figura tinha a lotação quase esgotada e o senhor Fernandes, já nosso conhecido e responsável pela sala e pelos vinhos, deu boa conta do recado. Mas é pena que alguns dos empregados, se calhar chamados à pressa, tenham pouco jeito para o serviço de vinhos e, até, da água! Se há coisa que me irrite é quererem encher-me o copo contra a minha vontade.
De qualquer modo, este restaurante tem apostado num bom serviço de vinhos, com copos à altura, um armazem climatizado e uma lista alargada e bem seleccionada, com preços não especulativos. Penso que o Faz Figura já podia ser considerado restaurante amigo do vinho.
Bebeu-se um branco, Esporão Reserva 09, que mostrou fruta tropical, frescura, algum abaunilhado da madeira e bom final de boca. Interessante sem esmagar. Nota 16.
No restaurante do hotel, com um ambiente a fazer lembrar um "pub" algo pretensioso, havia várias mesas vagas, serviço eficiente mas algo desatento. Copos francamente bons, temperaturas correctas e uma carta de vinhos com boas ofertas, mas com uma política de preços sem critério, alternando vinhos muito acessíveis com outros estupidamente caros. Vinhos a copo só o da casa, cujo nome e ano não fixei. Perante a minha reacção de descontentamento, o chefe de sala, cujo nome não retive, teve a gentileza de me oferecer um copo (servido em excelente recipiente) de um muito agradável Cadouços Natur 07. Muita fruta, boa acidez, taninos domados, final médio, fácil de beber. Nota 16+ (noutra situação 15,5). Evoluiu muito bem no espaço de 1 ano.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Vinhos em família (XI)

Mais uns tantos vinhos provados descontraidamente em família ou com os amigos. Tudo às claras. Portaram-se todos bem e, portanto, não houve desgostos.
.Qtª dos Frades Vinhas Velhas 08. A Revista de Vinhos, em Fevereiro de 2011, atribuiu-lhe um dos seus Prémios Excelência. Trabalho enológico do Anselmo Mendes. Aroma discreto, notas de tabaco, especiado, muito fresco, bom final de boca, todo ele harmonioso, mas falta-lhe uma maior profundidade para dar o salto. Preço cordato. Nota 17,5.
.Pintas 01 (a minha última garrafa). Produzidas 5000, a partir de vinhas com mais de 80 anos. Complexidade aromática, equilibrado, vivacidade e acidez, profundidade, harmonia, final longo. Em forma mais 5/6 anos. Um vinho de classe mundial e um dos melhores Pintas que bebi até hoje. Nota 18,5+ (noutras situações 18/17,5/19/17/18/18,5/17/17,5).
.Ferreirinha Reserva Especial 94. Côr ainda bem viva, notas de especiarias, acidez presente a prolongar-lhe a vida, perdeu alguma potência de boca, mas ganhou em elegância e sofisticação, final longo. Rolha impecável. Nota 18.
.Qtª Noval Colheita 64 (engarrafado em 2007). Aroma complexo, frutos secos predominantes, iodo, acidez, boca poderosa, grande profundidade, final extenso. Um grande vinho do Porto. Nota 18,5 (noutras 18,5+/18,5).

quarta-feira, 6 de abril de 2011

CARM em alta no Corte Inglês

Foi um grande jantar no Corte Inglês, no passado dia 1 de Abril, muito por "culpa" dos vinhos que a Casa Agrícola Reboredo Madeira (CARM), representada pelo Filipe Reboredo Madeira, apresentou. Pena foi que os enófilos não tivessem aderido. Os vinhos provados bem o mereciam. Estiveram presentes 31 pessoas, sendo que 12 pertenciam ao Corte Inglês e à CARM. Participantes inscritos eram apenas 21, 12 dos quais do ex-núcleo duro das CAV, ou seja 57% !
O menu de degustação teve qualidade, embora sem deslumbrar, e o serviço foi sempre muito profissional. Um reparo, para mim indesculpável, ainda se provavam vinhos e já havia gente na sala a fumar!
Quanto a vinhos, desfilaram :
.CARM 10 Rosé - muito discreto, embora gastronómico, não fez a minha felicidade. Nota 13.
.CARM 10 e CARM Reserva 09, brancos. Dois estilos diferentes. Mais frutado, fresco e equilibrado o 2010, mais abaunilhado, fumado e ainda à procura de harmonia o Reserva. Ambos gastronómicos e com boa acidez. Notas 15,5 e 15 respectivamente.
.Maria de Lourdes 09 Branco - já noutro patamar, muito fino e aromático, algo aristocrático, madeira no ponto, boa profundidade, frescura, harmonia, final longo. O que mais se pode pedir? Um branco de eleição. Nota 17,5+.
.Maria de Lourdes 08 Tinto - exuberante no nariz, notas de tabaco e chocolate preto, bela acidez, grande frescura e equilibrio, madeira fina, grande final. Um perfil algo internacional e de grande qualidade. Nota 18.
.CM (Celso Madeira) 07. É o 2º CM produzido (o 1º foi em 2000). Perfil muito Douro, nariz complexo, madeira ainda presente a pedir mais alguns anos de garrafa, acidez perfeita, potência de boca, final longo. Um grande vinho e um dos melhores da colheita de 2007. Nota 18,5.
.CARM Vintage 08 - um erro de casting. Apenas um aprazivel LBV. Não havia necessidade. Nota 14.
Parabens ao Filipe Reboredo Madeira e equipa pelos Maria de Lourdes e CM, afinal uma homenagem aos seus pais. E que bela homenegem!

sábado, 2 de abril de 2011

Duas confirmações : Assinatura e Casa da Mó

A 1ª é, mais uma vez, o Assinatura. O tema foi a chegada da primavera com "As flores, os rebentos, os cheiros doces e as cores vibrantes (...)". O chefe Henrique Mouro concebeu um menu com 5 momentos (entretém, entrada, peixe, carne e doce), com a qualidade que já nos habituou. Para o meu gosto o momento mais alto foi o prato de carne (coelho manso com feijão branco, tomate e alho fresco). Excelente.
Os vinhos foram levados por mim, tendo sido debitado 7 € de taxa de rolha por cada garrafa consumida:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 09, a acompanhar o entretém de boca e a entrada. Já aqui comentado por diversas vezes, o tempo de garrafa só lhe fez bem, está mais complexo, aromas tropicais bem presentes, gastronómico, final longo. Nota 17,5+ (noutras situações 16+/16,5/16,5/17,5+).
.Charme 02, com os pratos de peixe e carne. É, para mim, o melhor Charme de sempre, apesar do ano difícil. Côr aberta, complexidade aromática, grande frescura, profundidade de boca, final extenso. Muito gastronómico. Vai estar em forma mais 7/8 anos. Nota 18,5 (noutras 17/18/18).
Serviço profissional, como sempre. Uma grande jornada!
A 2ª confirmação é o cozido servido ao almoço das 5ª feiras no restaurante Casa da Mó, à Praça da Figueira. Relação preço/qualidade imbatível. Recomendo vivamente e alerto para a necessidade de reservar mesa nos dias de cozido.
O ponto fraco continuam a ser os vinhos, embora já os sirvam a copo, para além do vinho da casa. Continua a interdição de levar vinhos de casa. Vá lá perceber porquê!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dois eventos imperdíveis

O primeiro, "Lisboa Restaurante Week", começou ontem e prolonga-se até ao dia 9 de Abril. Por 20 € é possivel usufruir de um almoço ou jantar num dos locais dos nossos sonhos e que são caríssimos no dia a dia. É o caso do Eleven, Panorama (Hotel Sheraton), Varanda (Hotel Ritz) ou qualquer um outro (o portal com o nome do evento tem toda a informação necessária, seja os restaurantes aderentes, respectivas ementas, etc). A reservar quanto antes. É de aproveitar!
O outro é o "Peixe em Lisboa" que vai regressar ao reformulado Pátio da Galé, ali ao Terreiro do Paço, depois de alguns anos desviado para o Pavilhão de Portugal. Ponham já nas vossas agendas.
Quem vos avisa vosso amigo é!