sábado, 28 de maio de 2011

Perplexidades (II)

Esta passou-se na loja Coisas do Arco do Vinho, ainda o euro não era nascido, no tempo do escudo portanto.
Um belo dia, entra-nos pela porta uma figura pública no mundo do vinho e questiona-nos : vocês têm o vinho xpto? E quanto custa?
Resposta : 7500$00.
Posso fazer um telefonema?
Faça favor.
Número discado e atendem do outro lado. Tia? Olhe, já encontrei o vinho que andava à procura. Custa 8000$00 cada garrafa. Fica a saber. Depois diga-me alguma coisa.
(Isto foi ouvido por 4 ou 5 pessoas que se encontravam naquele momento nas CAV. Nota - as quantias indicadas podem não ser rigorosamente estas, mas não devem andar longe).
E esta? Um lucro de 500$00 sem nenhum trabalho. É preciso descaramento!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Jantar de Vinhos Secret Spot no Rubro

Confesso que fui um bocado a medo para este jantar, embora soubesse que os vinhos produzidos e criados pelo Rui Cunha, que esteve presente, eram uma garantia de qualidade. No entanto não tinha qualquer referência, positiva ou negativa, deste restaurante que dá pelo nome de Rubro. A experiência que tive no passado com o seu antecessor, o Vino Tinto, não fora nada famosa e, daí, o meu receio. De qualquer modo, este jantar excedeu as minhas expecttivas pela positiva. Um menú de degustação bem concebido e com produtos de muita qualidade, vinhos bem tratados com temperaturas correctas e copos adequados, foram uma mais valia. O serviço inicialmente ressentiu-se (a casa estava cheia,coincidindo com um espectáculo marcado para o Campo Pequeno), mas depois melhorou. Mais uma vez o ex-núcleo duro das CAV marcou presença. Éramos 8 em 25, ou seja, cerca de 1/3!
O evento começou no exterior, onde puseram uma mesa repleta de excelentes tapas, a que chamaram tábuas de "pulgas" ibéricas, e ainda queijo manchego. A ideia era simpática, mas teve os seus riscos, pois alguns passantes, que nada tinham a haver com o jantar, meteram a mão nas tapas e andaram. Acompanharam 1 branco (2010) e 1 tinto (09) Vale da Poupa, marca que veio ocupar o espaço da Rhéa que foi descontinuada (pessoalmente prefiro a imagem antiga). Vinhos simpáticos que, especialmente o branco, ligaram bem com as tapas.
O menú de degustação, já com os participantes sentados no andar de cima, iniciou-se com 3 "amouse de bouche", shot de sopa de melão, tártaro de atum com manga e foie com maçã. Acompanhou o branco Crooked Vines 09, uma grande surpresa e para mim, o vinho da noite. Fruta madura, gordo na boca, fumado, excelente acidez a equilibrar o conjunto, madeira integrada, boa estrutura; melhorou quando a temperatura subiu para os 12º. Nota 17,5+.
Seguiu-se a entrada, salada de roast beef, com o tinto Crooked Vines 06. Não acho que tivesse sido uma ligação feliz. Complexidade aromática, notas de tabaco e chocolate, acidez q.b., alguma profundidade e bom final. Nota 17. Com o prato principal, um delicioso choletón, avançou o Secret Spot 05, a jóia da corôa. Já na fase adulta, ainda com fruta, especiado, excelente acidez, encorpado, final longo. Ligou muito bem com a carne. Nota 17,5+. A fechar, com uma surpreendente sobremesa, "brulé" de pera, muito pouco doce, foi servido o Moscatel do Douro Secret Spot, com mais de 40 anos. Austero no nariz,alguns citrinos e frutos secos, muito doce, a mostrar deficit de complexidade e acidez. Uma desilusão, para quem aprecia os grandes Moscatéis de Setúbal. Nota 14,5.
Em conclusão, nota alta para os vinhos de mesa do Rui Cunha e para a gastronomia do restaurante Rubro. Recomendo e tenciono voltar.
Uma achega: teria sido simpático, por parte do restaurante, que tivessem colocado em cada lugar a ementa e os vinhos servidos (a meu pedido enviaram-me por e-mail).

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Vinhos em família e entre amigos (XIV)

Mais uns tantos vinhos bebidos descontraidamente, sem a pressão da prova cega. Puro usufruto da coisa.
1. Em família
.Batuta 01 - côr ainda viva, especiado, notas de tabaco e café, boa acidez, fresco e elegante, taninos afinados, profundidade e final longo. Harmonia absoluta. Perfeito! No ponto para beber, mas pode-se guardar mais 4/5 anos. Nota 18,5+ (noutras situações 18/17,5).
.Batuta 03 - especiarias e tabaco, belíssima acidez, perdeu potência mas ganhou elegância, bom final de boca. Aguenta mais 2/3 anos em forma. Nota 18 (noutras 16/18,5/17/18+/16,5/18/18).
.Qtª da Leda 08 (Prémio Excelência 2010 da RV) - exuberante, muito frutado, notas especiadas, bem encorpado e com bom final de boca, guloso em contraste com colheitas mais antigas e austeras. Bebível desde já. Nota 18.
.Castelo d'Alba Reserva 07 - intensidade aromática, frutos vermelhos, acidez no ponto, taninos presentes e suaves, bom final de boca, muito equilibrado em todas as suas componentes. Uma grande surpresa, até pelo preço (ronda os 5 € !). Nota 17,5.
.Moscatel Roxo Bacalhôa 99 (medalha de ouro no Wine International Challenge 2010) - grande concentração aromática, com predominância de citrinos, acidez a equilibrar a gordura, bom final. Nota 17,5 (noutra 17,5). Uma curiosidade : envelheceu 9 anos em barricas de carvalho americano, vindas da Escócia, usadas na maturação de whisky de malte.
2. Nos anos do João Quintela
Embora não tivesse tido a oportunidade de apontar as habituais notas, não resisto a registar aqui, para memória futura, os vinhos que o João foi pondo na mesa, ao longo do jantar comemorativo do seu aniversário, que juntou uns tantos amigos e família, no Colunas. Tenho mesmo dúvidas que noutros aniversários por esse país fora, alguém tenha partilhado com os convivas tantos vinhos e com esta qualidade.
.Espumante Caves São João 08
.Espumante Qtª Poço do Lobo 06
.Espumante Filipa Pato 3 B
.Champanhe Paul Roger
.Vallado Reserva 09 Branco
.Passadouro Reserva 07
.Qtª Poço do Lobo Reserva 07
.Vallado Reserva 07
.Aalto 07
.Qtª do Noval Vintage 95
.Madeira Malvasia 1879
Obrigado e parabens João. Devias fazer anos todos os meses!

sábado, 21 de maio de 2011

Os vinhos do Raul

Foi a 8ª sessão de prova do grupo 3+4, ou melhor 3+4-2+1, uma autêntica charada matemática. Ou seja, do grupo original estavam os 3 (Juca, João Quintela e eu) e dos 4, apenas 2 (Raul Matos e Paula Costa). O +1 (o convidado) foi o Carlos Jorge, da Wine Company. Os vinhos eram da garrafeira do Raul, que escolheu a Enoteca de Belém, como espaço para o repasto. Gastronomia e serviço de vinhos a brilhar como já nos habituaram.
O Raul perdeu a cabeça e o amor a uma data de euros. Só os 4 tintos em prova custaram quase 1200 euros, o que dá uma média de 300 euros por botelha. Se o FMI vem a saber, estamos todos tramados...Levando a conversa para o sério, são preços estratoesféricos que não justificam o acréscimo de prazer, em relação a muitos vinhos na ordem dos 30/50 €.
O que bebemos, então? Após uma introdução com o espumante Qtª do Rol 08, simpática oferta da casa, vieram para a mesa 2 brancos da colheita de 2005 a acompanhar um belíssimo tártaro de salmão, enquanto que os 4 tintos, de colheitas diferentes, se bateram com uma excelente perna de pato confitada. Com os finalmentes (queijo,doce e fruta) marchou mais uma garrafa de Madeira, inseparável destes eventos. Foi assim :
.Esporão Private Seleccion 05 - tropical, evoluido, ligeiramente oxidado, untuoso, adocicado, alguma acidez, estrutura de boca e bom final. Apesar de tudo, tem evoluido bem, mas está na altura de despachar o que houver na garrafeira. Nota 17 (noutras situações 16+/14,5/16,5+).
.Redoma Reserva 05 - austero, mais floral e fresco, bela acidez, profundidade e bom final de boca. Pode guardar-se mais uns anos. Tem estrutura para isso. Deve ser o branco que mais tenho provado, embora uma ou outra garrafa não tenha estado à altura do esperado. Nota 17,5+ (noutras 17,5/16,5+/16/15,5/16,5/15,5/16,5/17,5/18/17).
.Viña el Pison 04 (Rioja) - notas metálicas, acidez presente, elegância, boa estrutura e final de boca. Nota 17,5+ (100 pontos no Parker).
.Black Pepper Shiraz 98 (Austrália) - ainda exuberante, acidez equilibrada, taninos doces, profundo e longo. Nota 18 (95 pontos na Wine Spectator).
.Vega Sicilia Único 94 (Ribera del Duero) - floral, acidez equilibrada, elegante, corpo e final de boca médios. Já conheceu melhores dias. Nota 17 (98+ no Parker).
.Penfolds Grange 01 (Austrália) - grande complexidade, notas florais, chocolate, tabaco, boa arquitectura de boca, final muito longo. O tinto da noite. Nota 18,5 (98+ no Parker).
.FMA Bual 64 - intensidade aromática, frutos secos, iodo, vinagrinho, elegancia, harmonia, final interminável. Não me canso de beber este Madeira! Nota 18,5+ (noutras 18,5/18,5/18,5/18,5+/17,5/18,5/18,5+/18,5+).
Mais uma grande jornada. Obrigado Raul!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Jantar de Vinhos Secret Spot

O restaurante Rubro, situado no Campo Pequeno (Praça de Touros), vai organizar na próxima 3ª feira, dia 24/5, pelas 20 h, um jantar com a presença do produtor e enólogo Rui Cunha. O restaurante é parco em informações e nada adianta sobre o menú. Preço 30 €. Reservas pelo telefone 210191191 ou e-mail reservas@restauranterubro.com. A considerar.

Mais um belo jantar no Assinatura

Foi mais um jantar temático, com o chefe Henrique Mouro inspiradíssimo. O tema era "As ostras do Sado"...
...ao natural com champanhe
...gratinadas com espinafres e panadas
...numa sopa folhada com açafrão e ovo
...em crosta num lombo de abrótea e algas
...num arroz de limão e coentros com porco
...em gelado com coco e ananás!
Tudo a nível de qualidade alto, atingindo o máximo nas ostras gratinadas. O menos conseguido : as ostras com abrótea, que deu aquilo que pode dar. Na mesa, para prova,estava o belíssimo azeite da Qtª Vale Meão. Recomendo!
Nota alta, também, para o serviço, sempre muito profissional. Uma rotina no Assinatura.
Acompanhou os primeiros 4 momentos o Reguengos de Melgaço Alvarinho 10 - floral, notas tropicais, boa acidez, fresco, equilibrado; falta-lhe alguma complexidade que só o tempo em garrafa lhe trará. Nota 16,5+.
Com o 5º momento, bebemos a copo o Qtª Saes Estágio Prolongado 07 - fruta, excelente acidez, taninos poderosos mas elegante, bom final de boca. Imbatível neste patamar. Nota 17,5.
Com o 6º e último momento, saboreámos o Blandy Verdelho 5 Anos, gentil oferta da casa.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Grande jornada na José Maria da Fonseca

Com esta grande prova de Moscatéis, fechou-se um ciclo dedicado aos vinhos fortificados, organizado pela Qtª Wine Guide (Rui Lourenço Pereira). A primeira, conduzida pelo enólogo Francisco Albuquerque, contemplou alguns dos melhores vinhos da Blandy (Madeira Wine) enquanto que na segunda o enólogo Pedro Sá partilhou connosco algumas das relíquias da Burmester e da Kopke (Grupo Sogevinus). Ambos os eventos foram realizados no Clube dos Jornalistas (ver crónicas de 15 Julho e 30 Setembro 2010 aqui no blog).
Mais uma vez, o antigo núcleo duro das CAV e amigos esteve em maioria. Éramos 9 em 13 (quase 70% dos participantes), a que se juntaram 2 bloguistas (Vinho Porto Vintage e Magna Casta) e, ainda, um casal de enófilos. É de lamentar, contudo, que não tivesse havido uma corrida às inscrições, até porque alguns dos moscatéis provados não estão no mercado, nem serão postos à prova nos tempos mais próximos. Os enófilos ausentes nem imaginam o que perderam!
Na impossibilidade do director da equipa de enologia, Domingos Soares Franco, ter estado presente, a prova foi muito bem conduzida pela Cláudia Monteiro Gomes, que trabalha na JMF desde 1988. Provámos estes 12 moscatéis/bastardinhos :
.Bastardinho 10 - muita fruta, doce, enjoativo.
.Bastardinho 09 - faz alguma diferença do anterior, menos doce, alguma acidez.
.Bastardinho 30 Anos (engarrafado em 2005) - frutos secos, acidez q.b., maior complexidade, untuoso, bom final de boca. Nota 17.
.Moscatel 06 - nariz contido, citrinos, notas de passas, alguma frescura, final simples. Nota 16,5.
.Moscatel DSF Armagnac 99 - citrinos, notas de chocolate, fino e fresco. Nota 17+.
.Moscatel DSF Cognac 99 - austero, mineral, nada consensual; vai ser lançado pela 1ª vez em 2011. Nota 16.
.Moscatel Alambre 20 Anos (engarrafado em 2009) - notas tropicais, citrinos, frutos secos, figos em passa, fresco, final de boca longo. Nota 18.
.Moscatel Roxo 20 Anos (engarrafado em 2011) - côr mais carregada, mais doce, notas de tangerina, frutos secos, iodo, vinagrinho, final longo. Nota 18+.
.Moscatel 73 (não foi engarrafado) - complexidade aromática, iodo, vinagrinho, potência de boca, untuoso, final longo. Nota 18,5+.
.Moscatel 67 (não foi engarrafado) - na linha do 73. Nota 18,5+.
.Moscatel 52 (não foi engarrafado) - na linha dos anteriores, mas mais complexo e equilibrado; o melhor moscatel em prova, o que por si só justificou a ida à JMF. Nota 19,5.
.Moscatel 39 (não foi engarrafado) - excessivo e demasiado doce, muito bom mas falta-lhe harmonia. Nota 18+.
Uma única nota não abonatória : os vinhos foram servidos inicialmente a cerca de 18º e, posteriormente, a mais de 20º, o que considero excessivo.
Seguiu-se um almoço, onde foram servidos :
.DSF Moscatel Roxo Rosé - não me encantou; apenas uma curiosidade. Nota 14.
.Pasmados 08 - com alguma oxidação, mas uma boa acidez a equilibrar o conjunto; muito gastronómico, ligou bem com o prato de bacalhau. Nota 15,5.
.Periquita Superior 08 - frutos vermelhos, notas de tabaco e chocolate, fresco e encorpado; pede um prato de forno. Nota 17+.
Em conclusão : uma grande e imperdível jornada. Parabéns à JMF e obrigado ao Rui Lourenço Pereira.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Frustração no Eleven

"Frustação é uma emoção que ocorre nas situações onde algo obstrui o alcance de um almejo pessoal. Quanto mais importante for o objectivo maior será a frustação.(...)" in Wikipédia.
Vem isto a propósito de um e-mail que recebi de Virgilio Gomes, gastrónomo militante e professor universitário na área da alimentação, que remetia para a sua última crónica (tenho um link para a sua página, que recomendo). Anunciava, então, que o Eleven promovia uma semana gastronómica com o chefe Jaime Pérez (trabalhou com o Ferran Adriá no El Bulli), vindo expressamente do Monte Rei Golf & Country Club de Sesmarias, em Vila Nova de Cacela, Algarve. O menú era fixo para almoço e jantar, ao aliciante preço de 35 €, sem bebidas. É claro que fiquei logo a salivar e reservei mesa para jantar no passado dia 12.
Chegados ao local depressa percebi que, afinal, não era nada do que estava à espera. O menú dos 35 € era apenas para almoço e o do jantar, onde também entrava Joachim Koerper, o chefe residente, custava a módica quanti de 89 €. Contrapusémos, agarrando-nos à informação do Virgilio Gomes, mas sem êxito. Que grande frustação e imenso desconforto com a situação criada! Entre sairmos de imediato ou mudarmos a agulha para a carta normal, prevaleceu o bom senso e acabámos por ficar.
Depois deste primeiro impacto não muito fácil, há que reconhecer que os 2 chefes, quando tiveram conhecimento do que se estava a passar, vieram à mesa e excederam-se em simpatia para que não saissemos mal impressionados. Além dos pratos pedidos, ofereceram-nos o habitual amouse de bouche e, ainda, três pequenos aperitivos inspirados no menú do almoço.
O Eleven é muito confortável, as mesas bem aparelhadas e uma vista sobre Lisboa de cortar a respiração. Serviço profissional como não podia deixar de ser. Uns comeram um prato de bacalhau com puré de batata roxa e outros uma sinfonia de porco com favinhas e macarrão (!?). Os pratos estavam francamente bons, mas não fizeram subir aos céus.
Quanto a vinhos, a carta é muito completa mas com preços demenciais. Tentámos os vinhos a copo mas, por exemplo, o Churchill Estates custava 10 €, que é o preço de uma garrafa no mercado! Acabámos por pedir uma garrafa de Vallado 09 que custou 27 € e era dos vinhos mais baratos. Mostrou muita fruta e juventude, taninos presentes e final curto. Simples e directo. Nota 15,5. Copos e serviço bons, embora tivesse sentido a necessidade de pedir para que lhe baixassem a temperatura.
Posteriormente, viemos a saber que o prof. Virgilio Gomes se limitou a transcrever o documento de apoio da empresa de comunicação que trabalha com o Eleven, o qual referia expressamente que o menú do chefe Pérez contemplava almoços e jantares.
Ficam a frustração e 2 perguntas por responder :
1ª a empresa de comunicação não enviou cópia ao cliente?
2ª caso afirmativo, o Eleven não a leu?

domingo, 15 de maio de 2011

Fiorde revisitado

Este restaurante já foi objecto de crónica em 26/10. Continua a valer a pena, mas é sempre melhor marcar e levar GPS!
Desta vez comeram-se umas suculentas enguias grelhadas, arroz de pato saborosíssimo e um imperdível leite de creme queimado. Preços meigos e doses avantajadas, com direito a levarem-se as sobras para casa.
Voltámos a beber o branco Adega de Vila Real Reserva 09 - muito frutado, excelente acidez, gastronómico, típico de meia estação. Nota 16,5 (noutras situações 16+/16). Custa no Fiorde 8 €. Imbatível!

Vinhos em família (XIII)

Mais alguns vinhos bebidos em família ou com amigos, calmamente e sem pressões. Uns melhores que outros, sem desgostos mas com algumas desilusões.
.Dona Paterna Alvarinho 10 - fresco, algo vegetal, notas metálicas, bela acidez mas falta-lhe complexidade e equilibrio. Precisa de tempo de garrafa. Muito aquém do Soalheiro. Gostos! Nota 15.
.Paulo Laureano Clássico 10 - frutado, muito fresco, simples mas agradável, para beber novo e a acompanhar entradas leves. Boa relação preço/qualidade. Nota 15,5.
.Vallado Reserva 09 - mineral e fresco, mas falta-lhe corpo e alma. Neste patamar esperava maior complexidade. Desiludiu , mas talvez melhore com a idade. Nota 15,5+.
.Ferreira Reserva Especial 03 - algo evoluido, aromas terciários, acidez alta a contrariar a tendência do ano, elegante, madeira discreta, taninos domesticados, bom final de boca. Nota 17,5.
.Qtª La Rosa Reserva 05 - aroma exuberante, ainda com fruta, acidez no ponto, madeira bem casada, profundidade, bom final de boca. Pede um prato de forno. Nota 18.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Mais bufetes em Lisboa

Lamentavelmente, devido a problemas com o blogger, as crónicas escritas na 3ª feira desapareceram. Ainda consegui recuperar parcialmente a do D'Oliva, mas a dos bufetes desapareceu sem deixar rasto. Vou ter que a reescrever, com os riscos inerentes.
1. 39 Degraus, no último piso da Cinemateca, com uma esplanada interior. Ambiente simpático e calmo, um oásis no centro de Lisboa.
Paga-se 12,50 €, com direito a sopa, saladas e pratos frios, um prato quente, sobremesa e café. Bebidas à parte.
Quanto a vinhos, uma autêntica desgraça. Meia dúzia de marcas desinteressantes, copos e serviço a condizer.
Uma mais valia : assistir a uma sessão clássica por 2,50 € (os reformados, com eu, só pagam 2 €).
2. Pérola, o restaurante da residencial com o mesmo nome, em frente ao Coliseu.
O custo do bufete é de 10,95 com direito a sopa, entradas frias, pratos quentes, sobremesa, bebida e café. Uma pechincha.
Bom serviço, eficiente e simpático. Uma mais valia, pode também comer-se peixe grelhado, no momento. E uma menos valia, falta inspiração na cozinha.
Lista de vinhos imaginativa, com uma oferta razoável a copo. Bons preços.
3. 1º Direito, pertencente ao Grupo Desportivo de Direito e junto ao campo de raguebi, no Parque de Monsanto, próximo de Pina Manique. Ambiente bucólico.
Por 14 € só se tem direito aos frios (poucos) e aos quentes. Couvert, sobremesa, bebidas e café são pagos à parte. Uma vez por semana o bufete é de cozido, com uma oferta abundante e produtos de qualidade.
A oferta de vinhos é fraca, mas estão a fazer um esforço para melhorar. Copos decentes só a pedido (os que estão na mesa são muito fracos).

Almoço no D'Oliva Lisboa

O Grupo Al Forno, que tem uma série de restaurantes no Norte, abriu recentemente mais um D'Oliva, desta vez em Lisboa (R. Barata Salgueiro, mesmo ao lado da Cinemateca). Pode-se comer à carta ou utilizar o serviço de bufete. Optei por este último e não me arrependi. Por 12 € temos direito a 1 sopa, uma série de saladas e pratos frios (contei 17!), 3 ou 4 quentes, doces, fruta e queijos. As bebidas são pagas à parte. Mas, por este preço e pela qualidade apresentada, nomeadamente os frios, é dificil encontrar melhor em Lisboa.
Com a sala completamente cheia, o serviço foi francamente eficiente, o que é uma mais valia para o restaurante. Optei por vinho a copo. A lista tinha uma dúzia de brancos e outros tantos tintos, a preços cordatos. Trouxeram a garrafa à mesa, o que lamentavelmente nem sempre acontece na restauração. O copo, tipo borgonha e capacidade de 17 cl, foi a grande surpresa pela positiva. Foi pena o vinho branco escolhido vir quase gelado.
Bebi o Qtª Cidrô Sauvignon 09 - fruta tropical, notas de espargos, bela acidez, madeira no ponto a dar-lhe complexidade, gastronómico. Nota 17.
Quanto á carta de vinhos, tem uma oferta alargada com algumas boas sugestões mas, lamentavelmente, as datas de colheita estão omissas em cerca de metade dos vinhos e não vislumbrei um único vinho fortificado. Mais, os vinhos de gama alta e média/alta têm preços aliciantes, ao passo que para os de gama mais baixa as margens são muito maiores. Faz sentido? Não me parece.
De qualquer modo, recomendo este espaço e hei-de voltar.

domingo, 8 de maio de 2011

Perplexidades (I)

Com este tema "Perplexidades" vou relatar algumas situações vividas ou presenciadas por mim, perfeitamente surrealistas. Mas não criarei embaraços a ninguém. Os nomes dos implicados manter-se-hão rigorosamente anónimos. É uma questão de elegância.
Uma vez, estava eu a almoçar com uns amigos num restaurante, bebendo um belo vinho que trouxera de casa, a uma temperatura correcta e em copos decentes. Mas reparei que na mesa ao meu lado a situação era completamente diferente. Bebia-se um tinto de gama baixa, à temperatura ambiente e em copos ridiculamente pequenos. Uma situação normal, poderá dizer-se, que acontece nos nossos restaurantes e com a esmagadora maioria dos clientes que os frequentam. Só que neste caso, por mim presenciado, os clientes eram profissionais do vinho e, um deles, enólogo muito conhecido na nossa praça!
E esta?

O grupo dos 3 (14ª sessão)

Mais uma boa jornada do grupo dos 3 (Juca, João e eu), mais um almoço com prova de vinhos às cegas. Os vinhos eram do Juca que escolheu o Restaurante da Ordem dos Engenheiros, onde já temos ido com o nosso amigo Adelino de Sousa. Não está aberto ao público, mas quem tiver um amigo engenheiro pode meter uma cunha ao senhor José Nogueira António, concessionário do restaurante. Espaço simpático, está situado num 6º andar que lhe proporciona uma invejável vista.
Come-se bem e em conta. O prato principal é à lista, mas as entradas e as sobremesas, com uma boa e alargada oferta, estão à disposição de cada um, em serviço de bufete.
A lista de vinhos não é uma referência da casa, mas há sempre a possibilidade de levar vinho próprio, com a anuência do concessionário que também é gerente e chefe de sala. Os copos na mesa são fracotes mas, a pedido, vêm outros com alguma dignidade. Serviço profissional e simpático.
Bebemos :
.Qtª dos Roques Encruzado 05 - aroma contido, bela acidez, boa estrutura de boca, gastronómico e longevo. Aguenta mais 2/3 anos. Pode considerar-se um branco de guarda, pois envelheceu muito bem. Nota 17 (noutras situações 14,5/16/15,5)
.Qtª da Romaneira 04 - notas de especiarias, chocolate e tabaco, algo evoluido, acidez presente, profundidade, boca poderosa e grande final, equilibrado e gastronómico. Está no ponto para ser consumido, embora aguente mais 5/6 anos. Sem estar na ribalta é um dos grandes vinhos do Douro. Nota 18,5 (noutras 18,5/18,5+).
.Cossart Verdelho 73 (não retive o ano de engarrafamento) - nariz discreto, notas de brandy e iodo, vinagrinho, pujança de boca e final longo. Nota 18 (noutras 18,5/17,5+).
Obrigado Juca!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Xico's mudou de nome

O Xico's mudou de nome, de ementa e de equipa da cozinha. Agora é Outro Rio. A ementa desinvestiu nas tapas, mas alargou a oferta dos outros pratos. Nos tachos pontifica o chefe Nuno Rebelo, vindo da Casa da Dízima, o que é uma boa recomendação. Na sala mantém-se o Tiago Pereira, a alma do negócio, coadjuvado pelo José Maria Azevedo.
Ao Domingo há bufete. Uma sopa, entradas frias, um prato de bacalhau com broa (excelente) e outro de parrilhada de porco preto (que não cheguei a provar), doces, fruta e queijos, tudo muito bem apresentado. Há, ainda, risottos feitos na hora pelo chefe que esteve sempre na sala. Tudo isto por 20 €, o que inclui o couvert e café. Só as bebidas ficaram de fora.
Fui no Dia da Mãe, a sala estava a abarrotar, as crianças eram mais que muitas e o serviço ressentiu-se. Espero voltar num dia mais sossegado.
Levei uma garrafa do Redoma Reserva 08 - austero, notas florais, muito mineral, boa acidez, madeira equilibrada. Nota 17+ (noutra situação 17,5).
O Xico's mudou de nome, mas a qualidade mantém-se. Continuo a recomendar!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Blog está de luto (II)

Face á pressão temporal para pôr um comentário no próprio dia do desaparecimento do David Lopes Ramos, ficou ainda muita coisa para para partilhar com os leitores deste blog. Escreverei á medida que me for lembrando.
Um aspecto que quero que fique bem claro é que a contribuição do David para a minha aprendizagem vínica e gastronómica, a par de outros contributos, não pode ser esquecida.
O David, ao ser o primeiro crítico a escrever sobre o Flora (situado em Vila Franca na residencial com o mesmo nome e lamentavelmente já encerrado), esteve na origem da minha "descoberta" do que viria a ser, para mim, o melhor restaurante português. Devo-lhe essa.
Foi também o responsável pelo meu primeiro contacto com os vinhos do Alvaro de Castro. Isto aconteceu durante um almoço na Quinta dos Frades, na década de 90 ainda com a antiga equipa. Foi o David quem escolheu o vinho, Quinta da Pellada 90 ou 92, belíssimo como ele costumava dizer. Devo lhe também essa. Parece que foi ontem.
Outro contributo seu foi quando estávamos (o Juca e eu) a elaborar o projecto das Coisas do Arco do Vinho. Inestimáveis "dicas" nos deu.
Mais tarde, já com as CAV em pleno funcionamento, sugeriu o nome da loja à editora Gallimard (ou teria sido à Hachette?) que estava a preparar um guia sobre a cidade de Lisboa. Devemos-lhe também essa.
E pode ser que recorde mais coisas...