terça-feira, 28 de junho de 2011

O Secretário de Estado da Cultura

O recém empossado Francisco José Viegas (FJV) teve, durante algum tempo, uma coluna na separata de sábado do Diário de Notícias, onde apreciava produtos gourmet. Até aqui tudo bem, só que, com tantas lojas com produtos gourmet em Lisboa e arredores, o FJV comentava, praticamente em exclusivo, os produtos do El Corte Inglês. Dá que pensar...
E assim, vai a Cultura em Portugal!

O 1º aniversário do Assinatura

O Assinatura está a comemorar o 1º aniversário. Podem participar, jantando nos dias 28, 29 ou 30 (é o "Best of 1º ano do Assinatura") ou almoçando até ao dia 1/7 (oferecem a sobremesa). Mais informações em www.assinatura.com.pt.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Ponto.Come revisitado

Não há a registar grandes alterações no Ponto.Come, depois de ter visitado este restaurante de Alcabideche há mais de 1 ano (ver crónica de 30/4/2010). Na sala pontifica o dono, António Delgado de seu nome, e na cozinha a sua mulher, Serafina Delgado. A carta de vinhos continua merecedora de todos os prémios, embora a Bairrada mereça uma maior atenção. Os copos, da marca Riedel, são um luxo, a existência de armários térmicos uma mais valia e, com os preços praticados, não há desculpas para não se beber um vinho de qualidade.
Então, o que falta para que o considere um restaurante de referência? Resposta : a cozinha. Continua muito pesada (em pleno verão, há pratos tipicamente de inverno) e com falta de imaginação, o que é uma pena.
Bebeu-se Qtª dos Carvalhais Encruzado 07 - muito floral, sem ponta de oxidação, acidez bem presente, boca poderosa, equilibrado, final extenso. Nota 17,5+.

domingo, 26 de junho de 2011

Prazer na Esplanada

"Prazer na Esplanada" é o título de uma reportagem, assinada por Samuel Alemão e publicada na última Revista de Vinhos (Junho 2011). Pode ler-se na introdução "(...) Saborear um copo de vinho na esplanada é um dos recém-adquiridos prazeres dos lisboetas amigos da boa vida.(...)".
Uma das esplanadas mencionadas no artigo da RV, onde estive recentemente, situa-se no Terreiro do Paço e dá pelo nome de Aura. Só que, em vez dos 25 vinhos servidos a copo, apenas serviam o vinho da casa! Ou o Samuel Alemão não percebeu o que lhe disse o dono do Aura ou este não sabe o que se passa na sua própria casa. Eu, aliás, também fiquei na dúvida e questionei os responsáveis do restaurante que me confirmaram que a grande oferta de vinhos a copo era exclusiva do restaurante e que na esplanada da cafetaria era mesmo só o vinho da casa. Que grande confusão!
Mas nem tudo são desgraças. De 2ª a 6ª é possivel usufruir da esplanada a preços módicos. O menú 1 custa 7,50 € (sopa, prato, sobremesa e bebida) e o 2 (sem a sobremesa) apenas 6 €. Só pela vista vale a pena. Esqueça-se é o vinho a copo (que já vem servido para a mesa, segundo pude constatar) e beba-se água ou uma imperial.
Aproveitei para espreitar a carta de vinhos do restaurante, tendo constatado que é francamente bem elaborada, com tudo datado e uma selecção de prestígio. Os copos são bons e possuem armários térmicos para os tintos. Oxalá que o dono tenha um rasgo de inteligência e possibilite aos clientes da cafetaria o acesso à carta de vinhos e o privilégio de os poderem desfrutar a copo.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O grupo dos 3 (15ª sessão)

Mais uma prova cega com o Juca e o João Quintela. Os vinhos eram do João, que escolheu o Colunas. Com o branco comeu-se uma salada fria de garoupa e gambas e os 2 tintos foram acompanhados por um estufado de galo, tudo com a qualidade habitual deste restaurante. Desfilaram :
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 10 - aroma exuberante, moderadamente tropical, grande frescura, fino e elegante, bom final de boca; estilo inconfundível; melhora com mais 2/3 anos de garrafa. Nota 17,5+.
.Passadouro Reserva 08 - nariz discreto, notas de tabaco e couro, algum floral, acidez equilibrada, boca pujante, final longo; melhora se for decantado; para beber daqui a 4/6 anos. Nota 18.
.Ferreira Reserva Especial 03 - especiado, notas de tabaco e chocolate, acidez e elegância, taninos dóceis, bom final de boca; um belo Douro, mas sem atingir a excelência; no ponto para ser consumido. Nota 17,5 (noutra situação também 17,5).
.Artur Barros e Sousa Malvazia 86 (sem data de engarrafamento) - frutos secos, figos, notas de mel, iodo, algo doce, bom final de boca; precisava de mais acidez para atingir o estrelato. Nota 17,5.
Mais uma boa jornada. Obrigado João.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Comemorar os 50 Anos

Estando numa de comemorações dos 50 anos, então não é que, por mero acaso, tropecei numa garrafa de Krohn Colheita 1961 a um preço incrível? Custa 105,59 € na Mercearia Pérola do Arsenal, na Rua do Arsenal (ao Cais do Sodré). Corram, que pode ser a última!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Os 50 anos da Lena e do Juca

A comemoração foi do 50º aniversário de casamento da Maria Helena e do José Oliveira Azevedo, meu amigo de longa data e ex-sócio nas CAV.
O repasto foi almoço, mas recriou mais um Jantar de Vinhos, um dos badalados pontos fortes das CAV. O formato era idêntico, aperitivos diversos, entrada de Bacalhau à Lagareiro, prato principal Costoletas de Borrego com Migas (excelentes), bufete de queijos, doces e fruta. Uma entusiasmante sessão que se prolongou até à hora de jantar e, entre família e amigos, juntou mais de 60 pessoas.
Mas o ponto alto foram os vinhos e aí o Juca foi um mãos largas. Vejam só o que desfilou pela tarde fora :
.Espumante Qtª Poço do Lobo 06 (já nosso conhecido, excelente relação preço/qualidade)
.Soalheiro Alvarinho 2010 (um clássico que se porta sempre bem)
.CARM Reserva 07 (grande Douro, merece todos os encómios que as revistas da especialidade lhe têm atribuido)
Qtª de Roriz Reserva 05 (outro Douro de eleição, na linha do 2004)
.Sidónio de Sousa 00 (em dupla magnum, não cheguei a provar)
.Qtª das Bágeiras Garrafeira 01(excelente, talvez o melhor de sempre)
.Niepoort Vintage 97 (estará a atravessar uma fase má ou seria da garrafa?)
.Krohn Colheita 61 (engarrafado em 2010, um Porto divinal e uma grande marca)
.Malvasia 1879 (já nosso conhecido, a fechar o evento com chave de ouro)
.Aguardente Velhíssima Caves São João e Whisky Bowmore (já fora do contexto).
Não acredito que haja festas de aniversário, por esse mundo fora, que apresentem tantos vinhos com esta qualidade. Obrigado Juca! Quando voltas a comemorar?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Almoço no Zina Food & Wine

O Zina é um simpático restaurante no Parque das Nações, onde o vinho é bem tratado. Fica na Alameda dos Oceanos, não muito longe onde se situava o Culto do Vinho. A zona oriental de Lisboa não é famosa pelos restaurantes que alberga, o que promove o Zina a uma espécie de oásis no deserto.
O restaurante tem um bom ambiente, mas é pena que o som esteja com uns decibéis a mais. A esplanada nas traseiras é uma mais valia.
A cozinha é simples, mas bem confeccionada. Comeu-se o menú Inspirações, com direito a um prato (escolhemos umas belíssimas pataniscas de bacalhau com arroz de grelos), uma bebida (vinhos à parte) e o café, tudo por 8,50 €. Excelente relação preço/qualidade!
A carta de vinhos, com tudo datado, é curta, equilibrada e didáctica, com alguns excelentes preços e outros não tanto. Os copos (Schott) são bons, as temperaturas correctas (o Zina possui armários térmicos) e o serviço profissional e simpático. No vinho a copo, a garrafa vem à mesa e é dada a provar. As garrafas dos tintos a copo são fechadas a vácuo. Tudo correcto.
O único senão : a quantidade de vinhos a copo é ínfima. Há que rever este ponto fraco.
Bebi, a copo (15 cl), o branco Monte Cascas 09 - aroma discreto, pouca fruta e acidez, algo pesado, paracendo-me já oxidado. Nota 13.
Em conclusão, um porto de abrigo para quem vá para aquelas bandas.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

As Pousadas e os vinhos

É ideia assumida que nas Pousadas se come bem e bebe bastante mal. Eu conheço-as razoavelmente, pois aderi a este projecto ainda na década de 60. E confirmo que a componente gastronómica está muitos furos acima da componente vínica que, em grande parte das Pousadas, é uma vergonha. A maioria das cartas de vinhos é completamente desinteressante, os vinhos escolhidos demasiado óbvios e os preços exorbitantes. Nalguns vinhos, a margem de lucro é tão desmedida que pode ser considerada um roubo à mão armada, ou seja, um caso de polícia!
Todo este desabafo vem a propósito de uma entrevista com Manuel Bio, conduzida por João Paulo Martins e Fernando Melo (ver Revista de Vinhos de Maio 2011). O entrevistado é Director das Pousadas desde 2008 e, em simultâneo, pertence à direcção da Adega Cooperativa Granja-Amareleja. E este Director, muito honestamente, admite que nada percebe de vinhos. Admitiu, também, que se sentiu envergonhado quando, na Pousada de Estremoz, almoçava com o respectivo Presidente da Câmara, e constataram que a carta de vinhos não incluia um único néctar daquela região!
Referiu na entrevista que, a partir de 2010, foi dada autonomia às Pousadas para elaborarem as respectivas cartas, acrescentando ser sua intenção terem 70% da carta igual em todo o país, destinando-se os restantes 30% a selecção regional.
Estamos já no 2º semestre de 2011 e não se vislumbram progressos nas Pousadas, no mundo do vinho. E daí parecer-me pertinente lançar as seguintes questões :
.Se não percebe nada de vinhos, porque não contrata um consultor ?
.Se foi dada autonomia às Pousadas em 2010, estão à espera de quê ?
.Em relação às margens praticadas, porque não trabalham com preços justos, em vez de especularem ?

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Perplexidades (III)

Esta passou-se com um antigo cliente nosso que, por herança familiar, resolveu assumir-se como produtor engarrafador. Mas faltou-lhe humildade e sensibilidade para o negócio.
CENA 1 - Depois de lhe termos comprado o vinho Y a um preço x, viemos a saber que um outro ponto de venda estava a comercializá-lo a um valor inferior a x ! Em consequência, devolvemos- lhe as garrafas ainda não vendidas.
CENA 2 - Num jantar de divulgação de vinhos de um prestigiado produtor, foi também incluido o vinho Y acima referido, o qual nada tinha a haver com aquele evento. A um amigo nosso que estava presente e que questionou a inclusão do vinho Y, foi-lhe respondido que o produtor presente era completamente alheio àquela embaraçosa situação, mas que o dono do vinho Y era amigo do chefe !
CENA 3 - Numa sessão de apresentação do Guia do João Paulo Martins (JPM), cujo ano já não recordo, o vinho Y apareceu entre "Os Melhores do Ano", bem à vista dos convidados, apesar de ter tido uma modesta pontuação.
Perante tão insólita situação chamei a atenção do JPM, que não se tinha apercebido de tal facto. O vinho Y em causa acabou por ser retirado do meio dos vinhos seleccionados, mas não saiu da sala. Acabaram por me confidenciar que o produtor seria amigo de um dos responsáveis por aquele espaço.
E esta, hem ? É preciso ter descaramento !

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Vinhos em família (XV)

Mais uns tantos vinhos partilhados em ambiente familiar, com predominância dos brancos.
.Qtª Foz Arouce 08 Branco - abaunilhado, algum fumo, madeira bem casada, acidez qb; gastronómico, pede um peixe no forno. Nota 16,5 (noutras situações 17/16,5/16).
.Qtª Murta 10 - citrinos bem presentes, simples, muito fresco, um branco típico para o verão. Muito longe da complexidade doutro Bucelas, o Morgado Santa Catherina. Nota 14,5.
.Qtª Alorna Arinto/Chardonnay Reserva 10 - nariz complexo, simultaneamente untuoso e fresco, harmonioso, bom final; gastronómico e uma excelente relação preço/qualidade. Bom trabalho da enóloga Marta Reis Simões. É justo afirmar que o Nuno Cancella de Abreu fez escola na Alorna. Nota 16,5+.
.Terrus 07 - austero no nariz, belíssima acidez, taninos suaves, elegante, harmonioso, bom final de boca. Estilo mais moderno do que o 2005, poderá não ser tão longevo. Um belo vinho, mas continuo a preferir o 2005. Nota 17,5.
.Pintas 02 - côr ainda surpreendentemente jóvem, especiado, vivacidade, bela acidez, taninos presentes, profundidade e bom final de boca. Tudo isto apesar do ano. Evoluiu muito bem e tem vindo a melhorar imenso. Nota 18 (noutras 15/17/16).
.Artur Barros e Sousa Malvasia 85 (omissa a data de engarrafamento) - aroma demasiado discreto, notas de iodo , vinagrinho, boca mediana, final longo; uma rolha ridiculamente curta ( mais parece uma meia rolha !). A Malvasia é, para mim, a menos interessante das castas nobres. Nota 17.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A "troika" algarvia

Este título é inspirado numa crónica do Saca a Rolha, "Troika de Brancos". Ó Nuno, desculpe lá o plágio, mas "troika" é o que está a dar (infelizmente!). Mas a minha "troika" diz respeito a 3 restaurantes na zona de Tavira que recomendo vivamente (atenção Raul!). O primeiro, Primo dos Caracóis, à entrada de Olhão para quem vem de Tavira, já foi objecto de 2 crónicas neste blog (20/12/2010 e 23/2/2011). Os outros membros desta "troika" dão pelo nome de "Noélia e Jerónimo" e "A Casa...". Têm em comum a simplicidade e o informalismo do espaço, a boa cozinha tradicional algarvia e o preçário honesto, o que não é pouco.
"Noélia e Jerónimo" fica na marginal de Cabanas, junto e com vistas para a Ria Formosa (281370649). Recomendado no Guia "Boa Cama Boa Mesa 2011" editado com o Expresso.Posso afirmar que foi aqui que comi o melhor atum da minha vida. Escusado será dizer que era atum da costa. Qualquer semelhança com os pratos de atum, apresentados pela esmagadora maioria dos restaurantes nacionais, é pura coincidência. Provámos barriga de atum grelhada e espinhaço de atum de cebolada. Doses consideráveis, o que possibilita comer as sobras em casa. Quanto a vinhos a lista, sem datas, é fraquinha, os preços razoáveis e os copos, a pedido, são bons. Bebi uma imperial.
"A Casa..." é outro restaurante situado na marginal de Santa Luzia, também virado para a Ria Formosa (965084207). Chamava-se "A Casa do Polvo", mas por qualquer litígio que não percebi, perdeu o direito ao nome que passou para um outro restaurante que abriu recentemente ali mesmo ao lado! Que grande confusão... O polvo é maioritário e apresenta-se sobre diversas formas, tais como salada de ovas, à galega, à lagareiro, em rissóis, abafado, em pataniscas, de feijoada,etc. Mas a oferta não se esgota nos octópedes, sendo possível degustar carapaus alimados, biqueirões fritos, estupeta ou muxama de atum. Tudo em doses individuais a preços baixos. A carta de vinhos alterna algumas boas propostas com outras corriqueiras, as datas de colheita estão em minoria e os preços são cordatos. Os copos, a pedido, são aceitáveis. Marchou outra imperial.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Almoço no Sessenta

Este restaurante foi citado no tópico "refeições baratas", forum Nova Crítica. Já há algum tempo que andava de olho no dito e só precisava de um empurrão. Fica na Tomás Ribeiro e quase faz gaveto com a Luis Bivar. Ambiente intimista e aconchegado, boa confecção, doses generosas, serviço eficiente e despachado. Cada prato custa 8,50 e o café é oferta da casa. Bebidas são pagas à parte.
Quanto a vinhos, a lista é abrangente e inclui uma vintena de vinhos a copo, o que é de louvar. Os copos são dignos e as temperaturas dos vinhos controladas. O vinho a copo é servido à vista do cliente, o que nem sempre acontece noutros locais. Os preços não me pareceram muito aliciantes, o que pode afastar alguns potenciais consumidores. De quando em quando, organizam jantares de vinhos, mas não me parece que tenham condições para tal. Só vendo...
Em conclusão, vale a pena conhecer e, em tempo de crise, é um achado.

Ainda o Rubro (aditamento)

Faltou referir que nos tachos pontifica o promissor Ricardo Bandeira, um jóvem de 23 anos. Estagiou no Hotel Dom Pedro e trabalhou no Tavares (ultimamente com o José Avillez). Se não se deslumbrar e continuar a trabalhar, tem um futuro à sua frente, preconizo eu.