segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O último evento das CAV : 2 anos depois

Faz hoje precisamente 2 anos que ocorreu o último evento organizado pelas Coisas do Arco do Vinho. Por circunstâncias que já não recordo bem, foi almoço a um sábado e não um dos habituais jantares à 6ª feira. E para fechar com chave de ouro, o derradeiro evento foi com a presença e participação activa dos Douro Boys e teve lugar no restaurante do CCB, "A Commenda".
Foram servidos 10 vinhos, 2 brancos, 6 tintos e 2 fortificados. Para que fique registado para a posteriedade, foram apresentados, provados e bebidos os brancos Vallado Reserva 08 e VZ Van Zellers 08, os tintos Crasto 08, Vale Meão 07, Vallado Reserva 07, Batuta 07, Crasto Vinhas Velhas 07 e Vale D.Maria 07 e, ainda, os Porto Vintage Niepoort 07 e Vale Meão 07.
Foi uma grande jornada e uma tarde inesquecível para quem nela participou. Creio, muito sinceramente, não ser nada fácil a repetição deste evento com estes ou outros personagens.
E, dois anos depois, reiteramos o nosso agradecimento a estes grandes senhores do mundo do vinho que são os Douro Boys.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Qtª da Fonte Santa revisitada

A convite do amigo Alfredo Penetra, voltámos a almoçar no Refeitório da Qtª da Fonte Santa, propriedade do Banco de Portugal. O chefe Nuno Canilho (ver crónica de 14/3/2011) já não trabalha ali, tendo sido substituido pelo nº2, Filipe Marques, que passou a pontificar na cozinha, mas sem largar a orientação da sala, aqui ajudado pela Vanessa, a sua simpática cara metade.
Os vinhos eram da garrafeira do Alfredo, champanhe, branco e generoso e portaram-se todos bem.
O repasto iniciou-se com o President Germain Bruto não datado, completamente desconhecido entre nós, com base nas castas Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay. Bolha fina e persistente, aroma a lembrar pão fresco, notas florais, fresco e estruturado. Uma boa surpresa. Nota 17,5. Acompanhou um agradável cocktail de camarão.
Seguiu-se o Val d'Algares Alvarinho 09, um bom exemplar da casta, embora longe do seu berço de origem. Exuberante no nariz, presença de citrinos e notas tropicais, fresco e elegante, mas também a sentir-se alguma gordura na boca, final prolongado. Mais uma boa surpresa. Este produtor ribatejano está a fazer brancos consistentes e com muita qualidade. Nota 17,5+.
Bateu-se bem com uma inesquecível garoupa no forno. Comeu-se, repetiu-se e, ainda, levámos as sobras para casa.
Finalmente, encerrámos com o Dalva 30 Anos (eng. em 2009). Aroma complexo, com frutos secos em evidência, taninos firmes, profundidade de boca e final interminável. Não o troco por vintages com a mesma idade. Nota 18. Foi a companhia ideal para a sobremesa, um strudell de maçã com gelado de baunilha. O Filipe Marques está de parabéns e à altura das novas responsabilidades.
Mais uma boa jornada. Obrigado Alfredo!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Provas no CCB

Voltei, no princípio desta semana, à minha antiga casa, o CCB, a convite da distribuidora Heritage Wines (HW), na qualidade de bloguista. É o que está a dar! A HW é já uma distribuidora de referência, com um reduzido portefólio, mas de grande qualidade. Tudo o que provei era muito bom, não havendo desilusões a lamentar. Registei os clássicos Qtª do Crasto Vinha da Ponte 05 e Maria Teresa 07 (servida em dupla magnum ?), a novidade Mouchão Colheitas Antigas 02 (em magnum), Roda Reserva 07 e 06 (Rioja), Fonseca Vintage 85 (ainda muito jóvem), Fonseca 40 Anos (eng. em 2010), Taylor's 30 Anos (eng. em 2011), Romariz Vintage 00 e o surpreendente Romariz Colheita 88 (eng. em 2010). Finalmente 2 ou 3 gotas do Scion, rigorosamente controladas. Mas, francamente, pela décima ou vigésima parte daquele preço (ver crónica Imoralidades de 3/12/2010) tenho provado algumas dezenas de vinhos fortificados com uma qualidade semelhante.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Evento Wine Bloggers na José Maria da Fonseca (JMF)

1.Preliminares
A JMF está triplamente de parabens. Antes de mais nada, por ter sido a 1ª empresa produtora de vinhos, que eu saiba, a organizar uma visita e prova de vinhos, exclusivamente dedicada aos autores dos blogues nacionais e afins. A Herdade das Servas já tinha organizado, no principio do ano, um evento similar, onde alguns bloguistas foram convidados nessa qualidade (ver crónica "A Herdade das Servas e a Blogosfera" de 22 e 23 de Janeiro 2011). Mas não foi em exclusivo, embora representassem cerca de 1/3 dos convidados.
Em 2º lugar, por nos ter sido proporcionada uma extensa e didáctica prova, uma das mais interessantes em que participei nos últimos anos. Foram provados e bebidos 24 vinhos 24!
Em 3º e último, por a família Soares Franco se ter envolvido de alma e coração, a Sofia (7ª geração) e o meu confrade Domingos (6ª geração). Obrigado e bem hajam!
2.Os participantes : bloguistas e afins
Para que conste, participaram no evento 15 bloguistas e afins, tendo outros 3 sido convidados mas que não poderam comparecer :
.Abílio Neto
.Art Meets Bacchus
.Comer, Beber, Lazer
.Copo de 3
.Enófilo Militante
.E tudo o vinho levou
.Magna Casta
.Nuno Gonçalves
.O vinho é efémero
.Os Vinhos
.Pingamor
.Pingas no Copo
.Prazeres Requintados
.Saca-a-Rolha
.Wine & Lifestyle Report
3.Recepção e Visita
Na recepção dos convidados, a Sofia referiu, muito acertadamente, o papel e a importância dos "bloggers" para a difusão da informação descomprometida dos vinhos nacionais. A JMF inteligentemente percebeu isto, contrastando com algumas vozes institucionais que não perceberam ou não querem perceber a importância da blogosfera. Posturas...
A visita foi feita à imagem e semelhança do que é habitual fazer-se com os turistas que vão conhecer a JMF. Nem mais nem menos...
4.A prova
A degustação dos primeiros 4 vinhos, foi orientada pelo Miguel Remédio (?), responsável pela área de marketing da JMF. 2 brancos Qtª de Camarate 2010, ambos a partir das castas Alvarinho e Loureiro, um seco (tropical, elegante, fresco, estruturado, o mais interessante para o meu gosto) e o outro doce (discreto, pouco expressivo, embora fino) e 2 tintos, o Qtª de Camarate 08 (floral, corpo e final médios, discreto mas agradável) e o Pasmados 08 (mais exuberante no nariz, boca mais vigorosa, guloso e bom final).
A parte mais interessante veio a seguir, sendo a prova orientada pelo responsável máximo da enologia, Domingos Soares Franco, que quis partilhar connosco algumas das experiências em que tem trabalhado. Tudo muito didáctico. Primeira surpresa, os 2 brancos de 2011, um Verdelho e o outro Verdejo, são completamente diferentes, o 1º ainda em construção e o 2º já feito, muito tropical, muita frescura e equilibrado.
Outra experiência que serviu como exercício pedagógico foi a prova da Grand Noir, fermentada de 3 maneiras diferentes, em talha, em lagares e em cuba (inox). Pareceu-me a versão fermentada em talha com o aroma mais expressivo e os taninos mais macios, a versão lagar mais rústica e os taninos algo agressivos e a versão inox a mais equilibrada. Acabei por não me aperceber o que é que o autor pensa das suas experiências.
Seguiu-se a prova de 4 vinhos de gama alta, Domini Plus 08 (floral, requintado, acidez equilibrada, estruturado e bom final de boca, o "terroir" Douro bem marcado), FSF 07 (aromático, frutos vermelhos, notas de couro, fresco, taninos macios, final médio), Periquita Superyor 08 ( provado em Maio numa outra grande jornada na JMF mantém o nível, fruta ainda presente, especiado, alguma acidez, redondo, bom final de boca) e J de José de Sousa 09 (exuberante e complexo no nariz, fino e elegante, boa arquitectura de boca e final longo; o João Paulo Martins atribuiu-lhe a nota 18, mas não o seleccionou para os melhores do ano, sabe-se lá porquê).
Seguiram-se 3 moscatéis da Colecção Privada Domingos Soares Franco, já nossos conhecidos, com o "Armagnac" 98 a passar por cima do "Cognac" 99, uma experiência polémica e pouco consensual. O Roxo 03 mostrou-se à altura dos seus pergaminhos. Finalmente, o grande Moscatel Roxo 20 Anos, engarrafamento de 2010 - um festival de aromas e sabores, melado, boca potente, embora pudesse ter um pouco mais de acidez. Ainda houve 2 Bastardinhos (2009 e 2011), mas nesta altura do campeonato é coisa para pedófilos.
5.O almoço
Foi, antes de mais, um são e bem disposto convívio entre os donos da casa e seus convidados. Em relação ao almoço em si, nada de novidades. Já conheço esta agradável ementa desde há algum tempo. Mas, no entanto, há algo que discordo frontalmente, a introdução do queijo no início do repasto, como se fosse um aperitivo. Infelizmente não é caso único, pois na restauração há este hábito de porem em cima da mesa, como couvert, queijo de entorna, seja Azeitão, Serra ou Serpa. Não funciona. Mais vale apresentá-lo no fim e acompanhá-lo com um branco untuoso, com uma ligeira oxidação e pleno de acidez. Fica a matar. Experimentem. Este branco, Pasmados 08, já o tinha provado na JMF há cerca de meio ano. Está fabuloso e tem um perfil de branco que adoro. Pena é que nalgumas garrafas esteja completamente oxidado e praticamente imbebível. O Hexagon 03, servido em magnum, é o menos interessante dos vinhos de topo da JMF e pareceu-me com uma acidez volatil excessiva. O Bastardinho 30 Anos, engarrafado em 2008, sedutor no aroma, tem uma boa acidez, boca poderosa e final muito longo. Finalmente, a surpresa da tarde, o Moscatel Superior 55, engarrafado em 2011 - muito complexo no nariz e na boca, notas de frutos secos, iodo e caril, estrutura, profundidade e final interminável.Para beber com todo o respeito. Foi uma das 50 garrafas da reserva do produtor, as outras 100 vão ser leiloadas.
Embora seja meu hábito pontuar os vinhos que provo e registá-los para os hierarquizar e comparações futuras, nem sempre as difundo. Mas, no caso deste 1955, não resisto. Nota 19,5.
Mais uma grande e louvável jornada. Parabens à JMF pela aposta na blogosfera. Obrigado confrade Domingos.

domingo, 23 de outubro de 2011

Almoço na Tosca

Em tempo de crise convém saber onde se pode comer sem desequilibrar o orçamento, mais a mais se for funcionário público. A Tosca - Taberna de S.Paulo, na praça com o mesmo nome, ao Cais do Sodré, pratica de 2ª a 6ª um menu a 8,50 €, com direito a sopa, prato, bebida e café.
A Tosca é um espaço moderno com amplas janelas envidraçadas e uma agradável esplanada com capacidade para 24 mastigantes, embora prejudicada com a passagem de alguns carros. Mas com estas chuvadas que chegaram hoje, não há qualquer hipótese de usufruirmos da dita.
Lista de vinhos equilibrada com algumas referências a preços pouco meigos e aposta nos vinhos a copo (2 espumantes, 7 brancos, 3 rosés e 9 tintos, o que é uma oferta de elogiar). Copos Schott e serviço de vinhos profissional (a garrafa vem à mesa e o vinho é dado a provar). Bebi um copo de branco Fafide Reserva 09 - frutado, bela acidez, simples, fresco e agradável. Acompanha bem pratos leves. Nota 15,5.
Espaço agradável que se recomenda, apesar da lentidão na cozinha. Para quem não tenha pressa, tudo bem.

sábado, 22 de outubro de 2011

Almoço no Gspot Gastronomia

Fica em Sintra e dele já falei (ver crónica de 14/5/2010). Na criação dos pratos está o João Sá e na sala o Manuel Moreira, escanção com provas dadas, coadjuvado pelo André Simões. Uma boa equipa num espaço simpático. Ao almoço, de 2ª a 6ª, é possivel usufruir de um menú de 10 €, entrada+prato ou prato+sobremesa, sendo o couvert e uma bebida por conta da casa. Um achado, em tempo de crise.
Comi uma saladinha de batata e ovo com ventresca de atum, a acompanhar um copo do branco Attis 2010 (Lisboa), com base nas castas Fernão Pires e Arinto - muito frutado, presença de citrinos, acidez qb, frescura e elegância. Pensado para acompanhar entradas frias. Nota 16,5.
Com o lombinho de porco estufado em vinho tinto, bebi um copo do tinto Attis 07 - austero no nariz, neutro na boca, pouco interessante, fica uns furos abaixo do branco. Nota 14.
Óptimo serviço de vinhos (nem outra coisa seria de esperar), copos à altura e quantidades generosas. A lista é bastante original, com algumas propostas invulgares, mas a preços puxadotes. Ponto fraco : a oferta de vinhos a copo é escassa.
Por amabilidade de um amigo presente no restaurante, ainda provei o Qtª San Joanne 2000, um Regional Minho fermentado em madeira - côr evoluida, ligeira oxidação, untuoso, boa acidez, boca poderosa e final longo. Aguenta bem pratos pesados. Bebido em copo largo é uma boa surpresa. Nota 17,5+.
Quem andar por perto e não queira gastar muito dinheiro aposte no Gspot. Recomendo e tenciono voltar.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Uma volta pela Beira

Embora não tivesse sido uma grande jornada em termos gastronómicos e vínicos, não vou deixar de partilhar as minhas experiências na zona de Pedrogão Pequeno (onde ficámos instalados no Hotel da Montanha,com uma localização invejável, pessoal super simpático, mas a necessitar de algumas obras de manutenção), Sertã, Figueiró dos Vinhos e Proença-a-Nova.
Deu para actualizar leituras, tendo despachado o livro "Grande Reserva - as melhores histórias do vinho português" da autoria do bloguista João Barbosa (ver link para "joão à mesa"), edição Oficina do Livro. Oportunamente, dedicar-lhe-ei uma crónica.
Por sugestão do hotel, fomos visitar a aldeia de xisto Casal São Simão, bem próximo de Figueiró dos Vinhos. Almoçámos na Varanda do Casal, restaurante perfeitamente integrado na aldeia. Mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano (surpresa), típica cozinha regional, serviço eficiente e simpático. Por sugestão do empregado, comemos 3 belíssimos e bem servidos petiscos : sonhos de bacalhau, cogumelos silvestres e cachola da matança, ao preço de 2,50 € por pessoa, uma pechincha. Seguiu-se 1 dose de truta com presunto, que deu o que pode dar o peixe de "aviário".
Carta de vinhos com base nos alentejanos, preços cordatos, copos adequados e serviço a cumprir. Como nota negativa, extensiva a toda a jornada, ausência de vinhos a copo. E também, um grupo de motards espanhois, em alta rotação de poluição sonora.
Bebeu-se meia garrafa de tinto Monte das Servas Escolha 08 (já no jantar da véspera, no hotel, tinha-se bebido a versão branca 2010 da mesma marca). Simples, correctos, apelativos e com bom preço, uma boa solução enquanto não tiverem vinho a copo. À atenção da Viniportugal.
A outra jornada foi no Famado, em Vale d'Urso, Proença-a-Nova, já conhecido noutra ocasião há 5 ou 6 anos. Desilusão, os donos (2 amigos na sala e as mulheres ,por sinal irmãs, nos tachos) mudaram-se de armas e bagagens para Vila de Rei, Albergaria D.Diniz, segundo informação colhida no local. Comemos maranhos e bucho recheado e, ainda, cabrito assado no forno. Nada de especial. A cozinha está uns furos abaixo.
Quanto a vinhos, tem uma boa carta, copos a condizer, armários térmicos, preços acessíveis nalguns e exorbitantes noutros. Vinhos a copo, zero. Serviço simpático a cumprir os mínimos. Bebeu-se meia garrafa do tinto Duas Quintas 07, que surpreendeu pela positiva. Tem pernas para andar mais 4/5 anos.
Fica a intenção de, numa próxima, ir a Vila de Rei.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Mais provas no Ritz

A distribuidora Decante Vinhos voltou ao Ritz para apresentar os seus produtores e novidades para esta nova temporada. Tem, de facto, um excelente portefólio e a nata do vinho está com eles. Entre outros, matei saudades do Alvaro e Maria Castro, Filipa Pato, Jorge Moreira, Rui Cunha, Pedro Araujo,Luis Cerdeira, etc. Dos vinhos provados, praticamente 1 em cada uma das bancas, ficou-me na memória Soalheiro Alvarinho 98 (está um espanto e vai aguentar mais uns anos), Qtª do Ameal Escolha 09, Vallado Adelaide 09, Qtª da Manuela Vinhas Velhas 09, Primus 10, Qtª da Pellada 07, Doda 08, Nossa Calcário 10, IPO (Initial Public Offer) 08 do Pinhal da Torre, Zambujeiro 06, Herdade Grande Reserva 08, Gspot Alentejo 08 e Aalto PS, cujo ano não retive.
Uma grande e tranquila prova de vinhos de qualidade elevada. Parabens aos produtores e à equipa da Decante!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O grupo do Raul (10ª sessão)

Das mais de 100 provas cegas que tomei parte (61 com o Núcleo Duro, 16 com o Grupo dos 3, 10 com o Grupo do Raul (ex-3+4) e outras não contabilizadas), esta última com o Grupo do Raul, organizada por este, foi a mais surpreendente e desconcertante que a minha memória reteve. Foram 12 tintos, em séries de 4, provados às cegas. Os primeiros 4, muito evoluidos, apontavam para a década de 90, enquanto que os últimos pressupunham anos mais recentes. Puro engano, eram todos de 2003! Dava um doce se algum dos críticos mais conhecidos acertasse com esta charada.
A prova decorreu no Colunas e teve como prato principal um delicioso arroz de galo pica no chão.
A 1ª série, que contemplava 2 Ribatejo (Paço dos Falcões Reserva e Marquesa de Cadaval) e 2 Douro (Meruge e Vallado Reserva), foi a mais fraca, com os vinhos demasiado evoluidos e com notas animais. O Marquesa de Cadaval pareceu-me ser o único que pode aguentar mais algum tempo, enquanto os restantes são para consumir de imediato. O Vallado Reserva foi uma clara desilusão.
A 2ª série, muito superior, continha 3 Douro (Chryseia, Poeira e CV) e 1 Bairrada (Qtª da Dôna). Mais exuberantes e complexos, estruturados, plenos de pujança e com finais longos. Destacou-se o CV, no apogeu da sua existência, dando também boa nota de si o Chryseia e o Poeira. Um pouco menos interessante o Qtª da Dôna, que se apresentou mais evoluido e está na altura de ser despachado.
A 3ª e última série incluia, também 3 Douro (Batuta, Pintas e Vinha da Ponte) e desta vez 1 Alentejo (Pera Manca). Um quarteto de respeito, sendo o alentejano o elo mais fraco. Os Douro apresentaram-se todos em grande estilo, florais e elegantes, especiados, taninos bem presentes mas macios e bom final de boca. E ainda longe da reforma. Para o meu gosto, o Pintas foi o grande vencedor da prova. Nota alta para o Vinha da Ponte (talvez aquele que ainda vai durar mais anos) e para o Batuta.
Hierarquiamente e só em relação aos últimos 8 vinhos, ponho :
1. Pintas (18,5)
2. CV (18,5)
3. Vinha da Ponte (18)
4. Batuta (17,5+)
5. Chryseia (17,5+)
6. Poeira (17,5)
7. Pera Manca (17,5)
8. Qtª da Dôna (17)
Finalmente, com as sobremesas, 3 fortificados :
. Blandy Bual 77 (engarrafado em 2007) - mais uma garrafa em grande estilo, na linha que já nos habituou (18,5)
. Krohn Colheita 68 (engarrafado em 2008) - ligeiramente abaixo doutras garrafas provadas noutras situações (17+)
. Carcavelos Conde de Oeiras (a única garrafa que não veio com o Raul) - não faz esquecer o Qtª do Barão e da Belavista (16).
Uma grande e surpreendente jornada. Obrigado Raul!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Guia 2012 do João Paulo Martins (III)

Esta é a 3ª e última crónica dedicada ao Guia 2012 do JPM. Enquanto as primeiras poderiam ser consideradas com algum grau de subjectividade, esta é muito objectiva e tem a haver com a compra de vinhos em Portugal. Considere-se mais como uma achega para eventuais alterações em futuras edições ( alguns dos encerramentos já tinham sido anunciados neste blogue).
1.Lojas/Garrafeiras já encerradas
.Adivinho (ver crónica de 12/12/2010)
.Garrafeira de São Bento (crónica de 10/11/2010)
.Les Goûts du Vin (não cheguei a noticiar, mas encerrou há mais de 1 ano)
.Lx Gourmet (crónica de 1/2/2011)
2.Lojas/Garrafeiras com condições para serem consideradas nos guias
.Garrafeira da Sé (junto à Sé de Lisboa)
.Garrafeira São João (R.Reinaldo Santos, Benfica)
.Garrafeira The Wine Company (R.José Purificação Chaves, Benfica)
.Living Wines Gourmet (C.C.Roma)
.BG Bar (Monte Estoril)
.Garrafeira D.Nuno (Grândola)
.Sé Gourmet (Lamego)
.Museu do Douro (Régua)
.Vital (Tavira, uma das melhores garrafeiras algarvias)

domingo, 9 de outubro de 2011

O Guia 2012 do João Paulo Martins (II)

À semelhança da análise feita há 1 ano (ver crónica de 5/10/2010), pareceu-me interessante proceder à comparação dos "Melhores do Ano" dos últimos 3 guias, 2010, 2011 e 2012, por esta ordem.
BRANCOS
.Espumantes 0 / 1 / 0
.Alvarinhos 2 / 0 / 1
.Douro 0 / 2 / 1
.Dão 1 / 1 / 2
TINTOS
.Douro 7 / 6 / 5
.Dão 1 / 0 / 1
.Bairrada 0 / 0 / 0
.Lx/Estrem. 1 / 1 / 2
.Tejo/Riba. 1 / 0 / 0
.Setubal 1 / 0 / 0
.Alentejo 2 / 5 / 5
FORTIFICADOS
.Vintage 4 / 1 / 2
.Tawny/Colh. 2 / 5 / 3
.Moscatel 1 / 1 / 0
.Madeira 0 / 0 / 1
Olhando friamente para estes números, posso adiantar (pese embora a carga de subjectividade que possa ter):
a) a inexpressividade dos espumantes (embora haja Murganheiras com notas iguais aos brancos eleitos)
b) a consolidação dos brancos, nomeadamente o Dão a estar presente em todos os guias
c) a ligeira descida do Douro, beneficiando o Alentejo
d) a gritante ausência da Bairrada/Beiras (há pelo menos 4 vinhos com a mesma classificação do Dão eleito)
e) peso excessivo da Lx/Estremadura em comparação com o Tejo/Ribatejo (neste guia 2012 há 4 vinhos Tejo com a mesma nota de um de Lisboa)
f) ultrapassagem dos tawnies de idade e colheitas, em relação aos vintages
g) finalmente um Madeira!
Em relação às escolhas do JPM no Guia 2012, há algumas situações que não consigo entender. São vinhos que ficaram de fora, embora tenham obtido notas mais elevadas do que alguns dos eleitos. Concretamente e a título de exemplo, o Aneto Grande Reserva 09 e o CV 09 (curiosamente as versões anteriores também ficaram de fora no Guia 2011). Serão os desígnios insondáveis do JPM.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Guia 2012 do João Paulo Martins (I)

Já está no mercado o guia "Vinhos de Portugal 2012" do JPM que se publica desde 1995, sem interrupções. É de facto, como se pode ler na capa, "o guia de vinhos de maior sucesso em Portugal". O JPM é uma instituição e a consulta deste guia obrigatória. Mas não é "o guia mais antigo do país", como consta na contra-capa e que pode induzir os leitores em erro. Deveriam ter acrescentado que é, sim, o mais antigo dos que ainda se publicam. O pioneiro foi o "Guia de Vinhos Portugueses 1990", mais conhecido por Guia da Comporta, saído para o mercado em 1989. Da responsabilidade de Ponte Fernandes e Nelson Heitor, publicou-se até à versão de 1994. Seguiu-se, um ano depois, o "Roteiro dos vinhos portugueses 1991" do José António Salvador (JAS), que se despediu dos seus leitores com o roteiro de 2003. Só em 1994 é que foi publicado o 1º guia do JPM, que chegou a colaborar com o JAS no "Jornal à Mesa", separata do saudoso semanário "O Jornal". Está feito o devido esclarecimento.
A ideia corrente de um guia é que deve ser de fácil de consulta e transportável no bolso ou debaixo do braço. Lembro-me de ver clientes das CAV que entravam na loja para fazer compras já com o guia do JPM na mão.
Mas, agora, o guia é um pesadelo. Nos últimos anos aumentou mais de 50%. Das 419 páginas do Guia 2010, passou para 636 neste Guia 2012, ou seja um aumento de cerca de 52% ! Para quem não se lembre ou ainda não se interessava por vinhos, os guias do JPM tiveram as seguintes páginas : 291 (Guia 95), 282 (96), 305 (97), 251 (98), 272 (99), 325 (00), 364 (01), 355 (02), 456 (03), 384 (04), 342 (05), 382 (06), 415 (07), 463 (08), 444 (09), 419 (10), 556 (11) e agora 636 (12).
Eu entendo que cada vez há mais vinhos que o JPM tem que provar, mas sendo assim tem que cortar noutros lados, sob pena de guias futuros se tornarem inconsultáveis. Manter as notas de prova de 2009 e anos anteriores não me parece fazer sentido. O capítulo "Perguntas e respostas sobre os vinhos" igualmente. Hoje em dia, quem compra o guia é suficientemente esclarecido e dispensa o "b a bá" para principiantes. Quanto á "Magia dos vinhos velhos", considerando, segundo o próprio autor :
a) "...interessa a pouca gente..."
b) "...são vinhos aparentemente fora do circuito comercial..."
c) "A variação de garrafa para garrafa aumenta com a idade..."
é perfeitamente dispensável, pois se tivermos alguns dos vinhos apreciados pelo JPM, a nossa garrafa será concerteza diferente.
Há que cortar as gorduras para precaver o futuro. Ó JPM chame os senhores do FMI, eles andam por aí!
Mas estes reparos não invalidam que eu continue a comprar o Guia e considere o JPM o crítico da Revista de Vinhos com quem mais me identifico.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Vinhos em família (XXI)

Mais alguns vinhos provados em família ou com amigos, ainda maioritariamente brancos. Logo que termine este verão fora da época, a situação inverte-se e os tintos entrarão em força.
.Adega Vila Real Grande Reserva 09 - côr algo carregada, fruta madura, citrinos, acidez equilibrada, madeira discreta, algo untuoso na boca, bom final. Este produtor está a trabalhar muito bem os brancos, embora o título de Grande Reserva seja uma presunção algo desajustada. Nota 16,5+.
.Morgado Stª Catherina 09 - estagiou 10 meses em carvalho francês e mais uns tantos na garrafa, acabando de chegar ao mercado; frutado com notas de citrinos e melão, boa acidez, mineralidade, madeira discreta, estruturado, bom final de boca; ainda abaixo do 2008, mas com potencial para lá chegar; acompanha bem pratos de peixe. Nota 16,5+.
.CARM Reserva 09 - a partir de vinhas velhas no Douro Superior, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês; notas de melão e citrinos, boa acidez, fresco e mineral, madeira bem casada, alguma gordura na boca, bom final; muito gastronómico e cheio de personalidade, pede um peixe no forno. Um belo branco. Nota 17,5+.
.Marquesa de Alorna Reserva 09 - no rótulo aparece um poema de Leonor de Almeida, poetisa do séc.XVIII e 4ª Marquesa de Alorna; mas quanto a informações de interesse para o consumidor (castas, estágio em madeira, responsável pela enologia, etc) nem uma palavra; aroma complexo, notas de melão e pêssego, acidez equilibrada, madeira discreta, boca com alguma pujança, ainda terá alguns anos pela frente; muito gastronómico, acompanhou bem roupa velha. Nota 17,5.
.Vallado T.Nacional 05 - por ocasião do International Wine Challenge 2007, foi-lhe atribuido o Gold Douro Trophy, o que quer dizer alguma coisa; estagiou 16 meses em meias pipas de carvalho francês; aroma exuberante e complexo, especiado, notas de tabaco e cacau, bela acidez, estrutura, profundidade e bom final de boca; mereceu o prémio e vai estar em forma mais meia dúzia de anos. Nota 18,5.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Lisboa Restaurant Week (III)

O 3º e último almoço, que decorreu na Estufa Real no âmbito do LRW, foi um pouco desilusão. Este espaço e o fantástico meio envolvente mereciam mais. Pratos correctos mas sem imaginação, serviço eficiente mas frio, copos ultrapassados (continuam a pôr a água no maior e o vinho branco num ridiculamente pequeno).
Por 19+1 € tem-se direito a entrada, prato, sobremesa, couvert e café.
Comi "salada de queijo de cabra", "filetes de peixe-galo" (seriam?) e "tulipa de fruta exótica".
Acompanhou um copo do Qtª de Camarate 2010 branco (2 €), também ele correcto e sem brilhar, servido no copo já referido. A quantidade servida é a olho e devia andar pelos 10/12 cl, o que é manifestamente insuficiente.
A lista de vinhos é heterogénea na selecção e nos preços, alternando bons preços com outros excessivos. A oferta de vinhos a copo pareceu-me sem critério, pois mistura o Qtª de Camarate com o Barca Velha! São uma dúzia e inclui 1 champanhe, 2 ou 3 brancos e 8 ou 9 tintos.
Como mais valia possui um sistema para conservar e manter a temperatura correcta nas garrafas abertas.
Fica a perder de vista da Casa da Comida e está uns furos abaixo do que já foi no passado. E é pena.

domingo, 2 de outubro de 2011

Lisboa Restaurant Week (II)

Este 2º almoço, na Casa da Comida, foi um êxito e serviu para compensar o desastre do primeiro. A Casa da Comida é um restaurante clássico e muito requintado, mas acolhedor. Não tem nada a haver com o que era há uns anos atrás. A cozinha modernizou-se, graças ao trabalho do Bertílio Gomes (ex-Vírgula) e uma maior atenção na área dos vinhos. Nos tachos está o jóvem Bruno Salvado, antigo braço direito do Bertílio no Vírgula e também aqui na Casa da Comida, e na sala a Silvia Martins, discreta, mas eficiente e simpática. Pelo que me apercebi, tudo rola sobre esferas.
A ementa, no âmbito do LRW, custa 19 € (o euro de apoio era pago àparte) com direito a entrada, prato, sobremesa, couvert e água. Comi um belo "Tártaro de bacalhau com espuma de abacate..." e uma surpreendente "Alhada de raia avinagrada...". Houve quem comesse "Mozzarela assada com presunto..." e "Coxa de pato assada em vinho do porto...". A sobremesa, sem direito a opção, era "Parfait de damasco...". Estava tudo com elevada qualidade e, por este preço, foi um luxo!
Bebi um copo de Qtª da Giesta 2010 (5,50 €), do Nuno Cancella de Abreu, um especialista em brancos. Muito frutado, notas de citrinos, fresco, elegante, mas a encher a boca, gastronómico e bom final. Acompanha bem entradas e pratos leves. Nota 16,5.
A carta de vinhos está bem construida e alargada a estrangeiros e generosos. Tem, ainda, uma dúzia de vinhos a copo. Preços puxadotes, o que pode afastar alguns consumidores. No entanto, para compensar, pode levar-se vinho de casa, pagando-se uma taxa de rolha de 7,50 €, o que não é caro.
O serviço é profissional, com bons copos Schott e temperaturas correctas (tem armários térmicos, o que é uma mais valia).
Aconselho vivamente e tenciono voltar a esta Casa da Comida!

sábado, 1 de outubro de 2011

Lisboa Restaurant Week (I)

A 1ª incursão neste Lisboa Restaurant Week (LRW) não foi a mais feliz. Escolhi o Petra Rio, que fica no Parque das Nações, mesmo nas traseiras do Casino. Instalado num 1º andar, numa sala moderna com as paredes todas em vidro e com uma esplanada no exterior, tem todas as condições para ser um restaurante de referência, mas lamentavelmente não o é, apesar de ter um serviço eficiente e simpático.
O menú tipo do LRW consta de 1 entrada, prato e 1 sobremesa, pelo preço fixo de 19+1 € (este euro é para apoiar instituições, como é o caso da Cais). Este preço incluiu o couvert e a água.
Além de um shot à base de frutas (oferta da casa), vieram para a mesa umas estimáveis entradas, sendo uma trilogia de patés e a outra camarão com castanhas. Os pratos principais foram decepcionantes, um bife de atum seco e carregado de especiarias algo agressivas acompanhado de puré de batata doce, e um belo naco de vitela que conseguiram estragar com queijo e massa de pimentão em doses excessivas. Se o responsável da cozinha fosse ao Master Chef e eu estivesse no júri, levava um grande chumbo! A sobremesa, mascarpone com frutos vermelhos, foi o melhor do almoço.
Quanto a vinhos, a lista pareceu-me equilibrada e com preços acessíveis. No entanto era omissa quanto a datas de colheita e a oferta de vinhos a copo resumia-se aos vinhos da casa. Bebi água, pois claro.
Um desastre, esta estreia no LRW.