terça-feira, 29 de novembro de 2011

Vinhos em família (XXIV)

Mais um lote de vinhos provados em família e com amigos, 1 branco de Outono e 5 tintos, todos com o rótulo à vista.
.Borges Reserva 09 Branco (Dão) - com base nas castas Encruzado e Malvasia Fina de vinhas com mais de 30 anos; citrinos presentes, alguma baunilha, acidez q.b., madeira na conta, um ligeiro toque oxidativo, volumoso na boca, bom final, muito gastronómico; pena o excesso de teor alcoólico (14,5 % vol.). Nota 17,5.
.Ferreirinha Reserva Especial 03 - ainda com fruta, especiado, notas de tabaco, algum chocolate, acidez a dar-lhe vida, taninos bem presentes mas não agressivos, elegante e equilibrado, bom final de boca. Nota 18,5 (noutras situações 17,5/17,5).
.VT' 04 - diz no contra-rótulo que estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês, embora pareça que há por ali madeira usada; vinificado em lagares, rusticidade evidente, taninos ainda agressivos, final longo com algum rebuçado, teor alcoólico abaixo da moda (13,5 % vol.); precisa de mais 7/8 anos para tudo se harmonizar. Nota 17 (noutra 16).
.Três Bagos Grande Escolha 05 - também com o álcool contido (13,5 % vol.), nariz fino, notas florais, especiado, estruturado, madeira sem se impor, elegante e equilibrado, final longo; um belo Douro que vai continuar em forma mais 6/7 anos. Nota 18,5 (noutras 18/17,5).
.Fronteira Selecção do Enólogo 07 (Douro) - estagiou 12 meses em carvalho francês; frutos vermelhos, especiarias, acidez no ponto, alguma rusticidade, taninos presentes, bom final de boca, gastronómico; mais um bom produto da Companhia das Quintas a bom preço. Nota 16,5+.
.FSF 05 - mais um fora da moda (13,5 % vol.); nariz austero, floral, notas especiadas, belíssima acidez, estrutura de boca, final extenso; no ponto mais 5/6 anos. Nota 17,5.

domingo, 27 de novembro de 2011

Caça no Assinatura

De todos os jantares temáticos no Assinatura em que estive presente (e já participei nuns tantos), este foi o melhor, um deslumbramento.
Foram 5 os momentos criados pelo chefe Henrique Mouro, "Canja de faisão assado, raízes e trufa preta", "Folhado de perdiz com tortulhos e tomilho", "Peito de pombo fumado e gratinado de gila", "Arroz de lebre em vinho tinto e feijão branco" e "Lombo de veado, castanhas e cogumelos". Estariam todos na área da excelência, não fora a lebre, de reduzida dimensão, ter ficado entalada entre o feijão e o presunto crocante, o que lhe retirou protagonismo. Mas, todos os outros momentos, excelência pura. No final, uma deliciosa surpresa, tarte de pera com gelado de caramelo. Serviço exemplar e ritmo adequado. O Henrique Mouro e sua equipa estão (mais uma vez) de parabens!
Com o couvert e a canja bebeu-se, a copo, Soalheiro Alvarinho 10 - nariz exuberante, notas tropicais sem serem em excesso, boa acidez, muito equilibrado e elegante. Nota 17,5 (noutra situação 16,5+).
Com os restantes momentos, usufruimos de uma garrafa de CARM BOCA 04, levada por mim. Produzido quando do 10º aniversário das CAV, resultou de uma viagem nossa (o Juca e eu) a Almendra, onde se situava a adega da CARM. O lote foi escolhido em prova cega entre 3 ou 4 preparados por nós. Revela uma grande boca e um final muito longo e tem tido, ao longo dos últimos 5 anos, uma evolução harmoniosa e surpreendente. É um dos grandes vinhos do Douro da colheita de 2004, lamentavelmente ignorado pela crítica especializada. Foi o vinho mais vendido nas CAV, 150 caixas em 3 meses, é obra!

sábado, 26 de novembro de 2011

Uma garrafeira que nasce e outra que muda de mãos

O mais profissional de todos os amadores, na área da enofilia, profissionalizou-se. Estou a referir-me ao João Quintela, do ex-núcleo duro das CAV e provador activo no Grupo dos 3, Grupo dos 3+4, Grupo do Raul, Núcleo Duro, etc. É, desde ontem, o responsável de um novo espaço dedicado ao vinho e outras coisas, a Garrafeira Néctar das Avenidas, localizada no nº 40 da Av. Luis Bivar, em Lisboa.
Depois de uma pré-inauguração para os amigos, abre hoje às 17 h oficialmente ao público. Pode ser visitada de 2ª a Sábado das 10 às 20 h, até ao final do ano. É uma aposta forte nos vinhos de qualidade, não descurando a mercearia fina, com especial atenção aos produtos açoreanos.
A loja, com muito bom gosto está dividida em 3 espaços, a Recepção (onde está a componente goumet e alguns vinhos), a Garrafeira propriamente dita (aposta forte nas garrafas magnum) e a Sala de Provas. É intenção do João Quintela ter provas periódicas (no futuro, porque agora o espaço está reservado à preparação de cabazes de Natal) e organizar jantares de vinhos (em parceria com um restaurante da zona). À entrada podem ver-se, agarradas à parede tampas de caixas de madeira : Passadouro, Qtª Bageiras, Qtª Crasto, Pintas, Qtª Vallado, Chryseia e Campolargo, algumas das suas marcas preferidas.
João : os meus sinceros votos para que a tua loja seja um êxito e uma referência em Lisboa.
Falta-me falar referir a garrafeira que mudou (outra vez) de mãos : as Coisas do Arco do Vinho, no CCB, que o Juca e eu fundámos em 1996. Também desejo aos novos proprietários que sejam bem sucedidos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Almoço no Grelhas

O Grelhas Restaurante, magnificamente situado no complexo Casa da Guia, a caminho do Guincho, está integrado no Grupo Bar do Guincho, uma espécie de troika que, além deste espaço de restauração, engloba o Bar do Guincho e o Bg Bar e respectiva garrafeira de venda ao úblico (no Monte do Estoril, a olhar o mar).
O Grelhas, o único espaço que tenho frequentado, é algo pretensioso, mas sem motivos para tal. A comida não é nada de especial e o serviço atrapalhado. A mais valia é mesmo a localização.
Quanto a vinhos, a lista é curta e sem a respectiva datação. Tem alguns vinhos a copo, com especial incidência nas referências da marca Monte Cascas, aliás um projecto muito interessante e original. Bebi o branco Monte Cascas Reserva Douro, cujo ano de colheita não registei, porque o copo já vinha servido. Inadmissivel! Pior ainda, o Grupo Bar do Guincho tem uma parceria com os enólogos do projecto Monte Cascas, Helder Cunha e Frederico Vilar Gomes, cujos vinhos estão presentes em todas as listas e à venda na garrafeira. Ó senhores enólogos, não podem dar uma mãozinha aqueles senhores e melhorar o serviço de vinhos?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Lisboa à Mesa

Acabou de sair o livro "Lisboa à Mesa - Guia Onde Comer. Onde Comprar" (Ed. Planeta), da autoria de Miguel Pires, crítico gastronómico da nova geração que, vaticino, será o sucessor natural do José Quitério e do saudoso David Lopes Ramos. O prefácio é do Duarte Calvão e as ilustrações, aliás belíssimas, do Tiago Albuquerque. Entre outros, faz crítica no Diário Económico e na Wine. É, ainda, o principal animador do blogue Mesa Marcada (pode-se entrar através do meu link), constituido em parceria com o Duarte Calvão e o Rui Falcão, cuja leitura recomendo.
Na contra-capa pode ler-se que é "Um guia para quem gosta de comer(...) (e) se interessa por restaurantes mas que gosta também de cozinhar e de saber onde comprar ingredientes (...)".
São 280 entradas para restaurantes e afins, lojas, mercados, mercearias, talhos, padarias,..., com informação pertinente e carregadas de sentido de humor.
A organização do guia baseia-se na divisão da cidade em 15 zonas geográficas e, em cada uma, inclui informação "onde comer" e "onde comprar", por ordem alfabética. Faz no entanto falta, no meu entender, uma planta de cada uma das zonas, com a indicação das entradas que poderiam ser numeradas. Por outro lado, parecia-me mais fácil que a ordem não fosse alfabética, mas sim geográfica, para não saltar da Elias Garcia para a Marquês da Fronteira e dali para a Latino Coelho (à consideração do Miguel Pires, com vista a novas edições).
De resto os índices são exaustivos, para além do alfabético inclui por preços, tipo de cozinha, abertos ao domingo, etc. A zona onde vivo (Belém/Restelo), infelizmente para mim, aparece com pouca oferta, ou porque é mesmo assim ou porque o autor vagueou menos por esta ponta da cidade. Só o Miguel poderá confirmar.
Eventuais alterações (encerramento do espaço,por exemplo) vão aparecendo em www.lisboamesa.wordpress.com, de molde a que o guia esteja sempre actualizado. Uma mais valia! Por outro lado, o autor está aberto a críticas e sugestões, através do endereço miguelpirex@yahoo.com. Bingo!
Alfacinhas, gastrónomos ou não : este guia é de consulta obrigatória e agora que o Natal está à porta, uma óptima ideia para uma prenda útil e com um preço adequado à crise.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

As marcas que interditei nas CAV

Em mais de 10 anos de gestão da área dos vinhos, tive duas monumentais "birras", do que resultou a interdição de venda nas CAV de algumas marcas muito conceituadas no mercado nacional. E isto por reacção natural ao comportamento inadequado dos principais responsáveis por aquelas marcas. Para que conste, tive sempre o apoio solidário do Juca, meu sócio na altura e amigo de sempre.
A primeira foi com a Carrie Jorgensen (Cortes de Cima), por ter reagido mal quando retirei da prateleira um dos seus vinhos, que fora desclassificado num painel da revista Epicur, organizado pelo malogrado José Matos Cristóvão. A senhora não aceitou bem a situação e enviou-me uma carta arrogante que não primava pela boa educação. Como resultado, devolvi-lhe a missiva e deixámos de vender os vinhos daquela produtora.
A segunda foi com o Carlos Lucas (Dão Sul), por não ter cumprido o que nos prometera. Este senhor, quando da saída do primeiro vinho tinto Pedro & Inês, garantiu-nos publicamente a exclusividade na área de Lisboa. Passado algum tempo, e depois de termos vendido umas dezenas de caixas, esqueceu-se da promessa e entregou o vinho a um distribuidor, fazendo tábua rasa da nossa parceria. Faltou à palavra dada, o que para mim é indesculpável. A partir daí todas as marcas comercializadas pela Dão Sul deixaram de ser vendidas nas CAV, durante largos anos.
Não me arrependo destas "birras" e, passados estes anos todos, voltaria a tomar as mesmas atitudes

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Caça no Assinatura

Nos dias 22, 23 e 24 de Novembro vai processar-se mais uma série de jantares temáticos no Assinatura, debaixo da batuta do chefe Henrique Mouro. São 5 momentos baseados em peças de caça (perdiz, lebre, veado,...). Isto promete. Boa pontaria e bom apetite!

Vinhos em família (XXIII)

Desta vez foram todos tintos, 3 Douro, 1 Alentejo que me surpreendeu e 1 de Pegões barato e com qualidade. Todos bebidos em família, sem a pressão da prova cega. Vamos então às minhas impressões.
.Qtª do Crasto T.Nacional 03 - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; floral, elegante, madeira bem integrada, notas de couro e tabaco, estruturado e bom final de boca, rolha muito boa; aguenta mais 3/4 anos em forma; pede um prato não demasiado intenso. Nota 18 (noutra situação 18+).
.Vallado Reserva 05 - 17 meses em meias pipas de carvalho francês; notas florais, alguma fruta, madeira discreta, taninos presentes sem arestas, bom final de boca, muito gastronómico, mais 4/5 anos apetecível. Nota 17,5 (noutra 17,5+).
.Passagem Reserva 07 - resultado de uma parceria entre a Qtª de La Rosa e o Jorge Moreira; frutos vermelhos, fino, super elegante, boa acidez, taninos equilibrados e bom final de boca; falta-lhe tempo para atingir a maioridade, mais 7/8 anos. Uma marca a reter, até porque tem um preço cordato. Nota 17,5.
.Qtª do Carmo Reserva 05 - 12 meses em barrica de carvalho francês; nariz austero, surpreendentemente fresco, taninos presentes, profundidade de boca e bom final; um tinto alentejano ainda longe da reforma, aguentando mais 4/5 anos. Nota 17,5.
.Adega de Pegões Colheita Seleccionada 08 - 12 meses em meias barricas de carvalho francês, nariz exuberante, muito frutado, taninos aveludados, guloso e bom final de boca; muito agradável, é pena não ter mais acidez (o contra-rótulo afirma que envelhece bem durante 10 anos; não me parece). Nota 16,5.

domingo, 13 de novembro de 2011

Perplexidades (IV)

Mais uma história passada comigo, há já longos anos, enquanto gerente das CAV e responsável pelos vinhos.
Telefonou-me o director comercial, hoje já retirado do negócio, de uma afamada marca, no sentido de lhe cedermos algumas caixas de um vinho, na altura muito badalado. Explicou-me que era para um cliente muito especial e a sua empresa já não tinha stock do vinho. Face à situação exposta e porque tinha aquele senhor em boa consideração, anuí ao pedido disponibilizando todo o stock existente nas CAV.
No dia combinado, qual é o meu espanto quando vejo entrar nas CAV um concorrente nosso e respectiva família, que vinham levantar a encomenda.
É claro que a nossa amizade acabou naquele minuto e os meus desabafos, via telefone, foram indecorosos e continuam impublicáveis. É preciso descaramento!

sábado, 12 de novembro de 2011

Almoço na Casa da Dízima

A Casa da Dízima é um restaurante bem localizado em Paço d'Arcos, ambiente agradável, cozinha segura mas sem fazer subir aos céus, preços justos, bons copos e serviço profissional. As sugestões do chefe, quinzenais, têm preços muito acessíveis.
A lista de vinhos é muito completa e criteriosa, com uma boa oferta de generosos, algumas surpresas e preços não especulativos, especialmente na gama alta, com custos um pouco acima dos praticados nas garrafeiras. Tem vinhos a copo e também se pode levar a garrafa de casa, pagando-se uma taxa de rolha de 10 €. Foi considerado pela Revista de Vinhos, com toda a justiça, Restaurante Amigo do Vinho.
Bebeu-se o branco Morgadio da Calçada 2010 - austero no nariz, alguma fruta, boa estrutura e final de boca bem presente. Cria boas expectativas para o Reserva da mesma marca, que ainda não tive oportunidade de provar. Nota 16,5+.
Em conclusão, está-se bem na Casa da Dízima e recomendo-a.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Grande Reserva

"Grande Reserva - as melhores histórias do vinho portugês" é uma obra da autoria do bloguista João Barbosa (Ed. Oficina do Livro), chegado recentemente ao mercado. Pode ler-se na badana que "Grande Reserva é um livro de histórias, um apanhado de pequenos tesouros, entre fait-divers e curiosidades(...)". O autor entrevistou 43 figuras ligadas de algum modo ao mundo do vinho, o que deu origem a 40 pequenas histórias ou meras curiosidades. Entre outras, destaco a do rótulo criado pela pintora Paula Rego, a pedido da Herdade do Esporão, mostrando uma mãe a dar de beber vinho ao bebé, que foi chumbado pelos burocratas da CVR Alentejo; o facto de o antigo ditador Salazar ter anexado a um cheque enviado ao Hotel do Buçaco, para pagamento de vinhos ali consumidos, um cartão a dizer que tinha achado a conta muito cara; a decisão dos exportadores de Vinho do Porto de só em 2010 autorizarem as mulheres ligadas ao negócio a entrar nas instalações da Feitoria dos Ingleses, situada na zona histórica do Porto. É um livro delicioso que os enófilos deveriam ter nas respectivas bibliotecas.
E já agora, também recomendo o livro "Barca Velha - histórias de um vinho", de Ana Sofia Fonseca (Ed. Bertrand, em Novembro 2004). Imperdível!
Ficam ainda bem na nossa biblioteca, embora pouco ou nada tenham a haver com a nossa realidade:
.Dicionário Sentimental do Vinho, de Bernard Pivot (Ed. Casa das Letras, em Novembro 2007). Tem uma entrada dedicada ao Vinho do Porto.
.Erótica do Vinho, de Jean-Luc Henning (Ed. Campo das Letras, em Julho 2008).
.Um Hedonista na Adega, de Jay McInerney (Ed. Casa das Letras, em Setembro 2008).
.Mondovino, de Jonathan Nossiter (Ed. Sextante Editora,em Setembro 2008). Prefácio de Luis Pato para a edição portuguesa.
Nota : embora com o mesmo nome, o livro nada tem a haver com o filme.
Boas leituras!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um passeio por Azenhas do Mar

Antes destas chuvadas, num belo dia cheio de sol, andámos pela zona de Azenhas do Mar e arredores.
O almoço foi na Adega das Azenhas, enorme, barulhento, vocacionado para grupos ruidosos e famílias numerosas. Ementa alargada, mas sem nada que o diferencie dos restaurantes do mesmo género. As meias doses são muito fartas e dão para 2 pessoas.
A carta de vinhos contempla uma série de "narizes de cera", como diz o José Quitério, sem qualquer data de colheita. Faz, ainda, referência a uma lista especial que, por mim solicitada, afinal não existia! As meias garrafas não me seduziram e vinho a copo é coisa em que não apostaram. Sugeriram-me Barão de Nelas Reserva 04 (50% de T.Nacional), que vinha numa garrafa já aberta e com o líquido por metade. Não me souberam dizer há quanto tempo fora aberta, mas resolvi arriscar. Boa surpresa : nariz discreto, ainda com fruta, belíssima acidez, taninos presentes, profundidade e bom final de boca. Nota 16,5. Copo aceitável e serviço a cumprir os mínimos.
Mas o melhor do passeio foi a "descoberta" da Mercearia d'Aldeia, que me tinha sido veementemente recomendada no decorrer do EVS. Fica no centro de Janas, um local improvável para uma loja de qualidade.
É um misto de mercado, mercearia fina e garrafeira. Tem uma louvável selecção de vinhos de qualidade, com evidente incidência nas gamas alta e média/alta. Vinhos da moda e novidades estão lá quase todas. E, mais ainda : os preços são uma tentação e o dono, Pedro Martins, uma simpatia.
Tenciono voltar e aconselho uma visita à Mercearia. Ninguém se arrependerá.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Vinhos em família (XXII)

Mais uma prova com os rótulos à vista, no sossego da minha casa. Os tintos ainda não entraram em força, apenas 2, acompanhados por 2 Madeiras e 1 branco.
.Artur Barros e Sousa Verdelho Reserva Velha (eng. em 2007) - nariz discreto, alguns sedimentos em suspensão, notas de iodo, acidez não muito pronunciada, corpo e final médios, muito "light" se comparado com um Blandy. Nota 15,5.
.Olho no Pé Grande Reserva 09 - a partir de vinhas velhas esteve 12 meses em borras finas; côr carregada, aroma exuberante, fruta madura, untuoso, alguma tosta, acidez no ponto, boca afirmativa, bom final, gastronómico; branco deveras original, mas com álcool excessivo (14 % vol.), o que é pena. Nota 17,5.
.Charme 04 - floral, taninos finos, madeira bem casada, acidez, profundidade, bom final de boca, elegante e harmonioso, álcool contido (13,5 % vol.), um vinho aristocrático. Em forma mais 7/8 anos. Nota 18,5.
.Vale Meão 03 - à base de T.Nacional (60%), fruta vermelha ainda bem presente, notas florais, tabaco e cacau, acidez equilibrada, elegante, fino na boca, taninos presentes mas domados, estruturado e bom final de boca. Aguenta mais 5/6 anos em bom estilo. Nota 18,5.
Artur Barros e Sousa Boal Reserva Velha (eng. em 2009) - límpido, cristalino, frutos secos, tangerina, notas de iodo, vinagrinho, taninos finos, elegante, bom final de boca. Nota 18.

sábado, 5 de novembro de 2011

A grande festa do Vinho a Copo

Não pondo em causa a importância deste evento, iniciativa da Viniportugal e com o apoio da Revista de Vinhos, fico perplexo com um dos cartazes difundidos pela organização que considero contraproducente. O referido cartaz mostra, em grande plano, dois jovens a agarrarem fortemente o corpo do copo, ignorando o pé do dito. E passando os olhos pelas diversas fotografias que suportam a reportagem da RV, constato que, salvo raras e honrosas excepções, a maioria esmagadora dos participantes não sabe pegar no copo. Este problema a nível nacional não é nada brilhante, a começar pelo inquilino de Belém (ver crónica de 9/6/2010) e outras figuras públicas. Falta formação a esta gente. A Academia Revista de Vinhos e outros formadores não podiam dar uma mãozinha em futuros eventos deste tipo? (a despropósito, no capítulo 3 do Módulo A do programa do curso, aparece referida "Terras do Sado" como Região vinícola, que me parece ter deixado de existir como tal).
Em abono da verdade, no meio desta desgraça quase total, salva-se a Ministra da Agricultura que ou já sabia pegar num copo de vinho ou teve formação adequada logo que tomou posse.

Os 200 anos da Blandy e a Revista de Vinhos

Fiquei deveras satisfeito ao ler, na RV de Novembro, o texto do João Afonso "200 anos da Blandy's" e as respectivas notas de prova dos 12 Madeiras degustados na ocasião, 5 dos quais na zona da excelência. Será desta que o Francisco Albuquerque vai ter direito ao prémio do melhor enólogo de vinhos generosos? Palpita-me que sim. Mais vale tarde do que nunca.
Ficou-me uma dúvida, porque razão o João Paulo Martins, também presente na prova comemorativa, não assinou o texto nem as notas de prova. Mistério...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Encontro com o Vinho e com os Sabores 2011 (EVS)

Participei na 2ª feira (das 14 às 18 h), como profissional reformado, neste grande e obrigatório evento que é o EVS. Foram 4 horas muito intensas, ao longo das quais (re)encontrei amigos, antigos clientes, produtores, enólogos, vendedores, etc e conheci pessoas com quem nunca tinha contactado no passado. 193 Stands com vinhos à prova, 15 de sabores, 7 de acessórios e 10 Provas Especiais é obra. Parabens à Revista de Vinhos!
É claro que me limitei a provar uma ínfima parte dos que estavam à prova, a grande maioria bem à vista e uns quantos debaixo da mesa. Para não cansar demasiado o palato quase não provei tintos, tendo privilegiado os brancos e deixado para o fim alguns fortificados. No entanto esta metodologia tem os seus inconvenientes, pois quando me propunha provar alguns frasqueiras da Blandy encontrei as garrafas vazias. Só deu para cheirar, os aromas ainda lá estavam!
Passando aos vinhos provados, é de realçar o patamar médio de grande qualidade dos brancos. Não me lembro de ter provado, no passado, um conjunto tão interessante. Correndo o risco de ser injusto, até porque apenas provei uma pequena quantidade, destaco em primeiro lugar (a ordem é a da prova) : Qtª de Bageiras Garrafeira 09, Muros de Melgaço Alvarinho 10, Monte Cascas 09 (Colares), Dona Berta Vinhas Velhas Reserva 10, Passagem 10 e Redoma Reserva 10. E, ainda nos brancos, registei a qualidade de mais os seguintes : Campolargo 10, Qtª das Marias Encruzado (Barricas) 10, Qtª Sant'Ana Alvarinho 10, Qtª Seara d'Ordens 10, Anselmo Mendes Curtimenta 09, Morgadio da Calçada 10, Borges Reserva 09 (Dão), Dona Berta Vinha Centenária 09, Pera Manca 09, Qtª do Pinto Grande Escolha 09, Pinto Limited Edition 10 e Malhadinha 10.
Quanto a tintos, é de referir (seguindo também a ordem dos stands) : Poeira 09, Qtª da Pellada 01, CH by Chocapalha 08 (a maior surpresa em tintos), MR Premium 07 (Monte da Ravasqueira), Altas Quintas Reserva-do 05, Três Bagos Grande Escolha 08, Vale Meão 09, Scala Coeli 07 (100% TN), Marquesa de Alorna Reserva 08, Vinha Barrosa 09, Qtª do Ribeirinho Baga Pé Franco 11 (solo argilo-calcáreo), Qtª da Casa Amarela Grande Reserva 09 e Casa da Passarela Vinhas Velhas 08. Contra a corrente, registei o desalinhado Lavradores de Feitoria X Edição Especial Tinto Cão 06 (um borgonhês a lembrar o Charme) e as provocações do Luis Pato, Pato Rebel 10 e Fernão Pires by LP 11 (um tinto a partir de uvas brancas!).
Finalmente e depois do cheirinho dos frasqueiras, tive a ocasião de provar Portos : Dalva Branco 20 Anos e Colheita 85 (ambos eng. em 2010), Barros 30 Anos e Colheita 81 (ambos em 2011), Poças 30 Anos (2011), Graham 20 Anos (2010), Ramos Pinto R P 20 Anos (2011) e Qtª do Noval Colheita 86 (2011). A grande surpresa deste lote foi o Barros Colheita 81. Simplesmente fantástico!
E, para o ano, há mais...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O grupo dos 3 (17ª sessão)

Mais uma sessão do grupo dos 3 (Juca, João Quintela e eu). Desta vez com os vinhos do Juca que escolheu o restaurante Horta dos Brunos (à Estefânia). Quando se entra na sala fica-se logo impressionado : estamos num local onde o culto do vinho é evidente. Prateleiras cheias, armários térmicos e caixas e caixas empilhadas em todo o espaço disponível. Deveras impressionante.
A lista de vinhos, mal arrumada e não contemplando todas as referências disponíveis, é extensa, embora muito centrada no Alentejo. Serviço profissional, copos Riedel e preços honestos. Tem uma dúzia de vinhos a copo, mas também demasiado alentejana.
Provámos, às cegas, 1 branco, 2 tintos e um colheita tardia, a saber :
.Qtª Foz de Arouce 08 - austero no nariz melhorou com o tempo, algo floral, acidez equilibrada, fresco e elegante, madeira discreta, bom final de boca e muito gastronómico. Ainda vai melhorar nos próximos anos.Nota 17. Acompanhou bem uma série de entradas.
.Qtª da Pellada 05 - aroma complicado, excesso de sulfuroso(?), acidez elevada, final longo, mas muito desequilibrado. Nota 15,5.
.Carrocel 03 - Rolha!
A acompanhar um excelente bife de vitela à Pedro, muito bem temperado.
.Anselmann Ortega 06 - um surpreedente colheita tardia desconhecido para nós com 8,5 % vol; notas de citrinos, algum melado, fresco e untuoso, encorpado e final longo; um vinho com personalidade que acompanhou bem as sobremesas. Nota 18.
Come-se bem na Horta dos Brunos, um restaurante com grande potencial na área dos vinhos. No entanto, para mim, tem 2 aspectos negativos que é importante corrigir. Fuma-se na sala, o que é uma incongruência para quem aposta forte nos vinhos, e não tem MB nem Visa, o que é incompreensível atendendo ao tipo de clientela que tem.
Obrigado Juca! A intenção era boa e não tens culpa que os tintos se tivessem portado mal.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mais um jantar com vinhos da Madeira

Verdade seja dita que este último jantar ficou uns furos abaixo dos 2 primeiros (ver crónicas de 17/12/2010 e 27/02/2011). De facto não esteve ao nível a que estamos habituados. A qualidade média dos Madeiras provados não estava na zona da excelência e com o Ângelo de baixa o serviço ressentiu-se (o Nelson desdobrou-se entre a cozinha e a sala, mas não foi suficiente).
O formato desta sessão foi diferente das anteriores pois, para além dos Madeiras (2 no início e 2 no final), foi dado algum protagonismo a 3 vinhos brancos, solução amiga dos nossos palatos.
Começámos com um agradável espumante bruto Qtª do Valdoeiro Baga/Chardonnay 05, simpática oferta da casa.
A acompanhar uma interessante salada de bacalhau, avançaram os primeiros Madeiras :
.Artur Barros e Sousa Serceal 80 (eng. em 97), trazida pelo Modesto Pereira - límpido e cristalino, secura acentuada, nariz discreto, notas de caril e iodo pouco acentuadas, algum metálico, algo desequilibrado, mas bom final de boca. Nota 16,5.
.Cossart Gordon Verdelho 75 (eng. em 2004), levada por mim - aroma mais presente, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e caril, boca mais potente e final mais longo do que o anterior. Nota 18.
Com uma entrada de vieiras com pouco sabor e uma belíssima espetada de polvo e gambas, foram provados 3 brancos do João Quintela :
.Projectos Niepoort Riesling 04 - ainda com fruta presente, fumado,, boa acidez, muito elegante, estrutura e bom final de boca, um grande branco pleno de equilibrio. Nota 18.
.Anselmo Mendes Alvarinho/Loureiro 10 - aroma exuberante, notas tropicais, acidez acentuada, corpo e final médios, foi melhorando ao longo da refeição. Nota 17.
.Soalheiro Reserva 09 - mais floral e delicado, mineral, elegante e equilibrado, bom final de boca; precisa de tempo de garrafa para atingir o seu máximo. Nota 17+.
Finalmente e com um série de sobremesas (bolos,doces e fruta):
.Artur Barros e Sousa Bastardo 66 (sem data de engarrafamento), saído da garrafeira do Adelino de Sousa - límpido e cristalino, austero, vinagrinho evidente, alguma secura, corpo médio e final longo, melhorou bastante no copo. Nota 17.
.Barbeito Malvasia 30 Anos (eng. em 2006; garrafa nº 1276 de 1550), levado pelo Juca - turvo, austero no nariz, acidez acentuada, aguardente evidente, muito desequilibrado, a desilusão da noite. Nota 15.
Apesar de tudo, mais uma boa jornada e um são convívio entre militantes dos Madeiras.