sábado, 31 de dezembro de 2011

O grupo dos 3 (19ª sessão)

Mais uma sessão do grupo dos 3 (Juca, João Quintela e eu) a fechar o ano. O restaurante escolhido foi a Casa da Comida, já referida e elogiada por mim anteriormente (ver crónica de 2/10). A equipa, Bruno Salvado (antigo braço direito do Bertílio Gomes) na cozinha e Sílvia Martins na sala (prémio "Arte da Sala e da Mesa 2010", atribuido pela Academia Portuguesa de Gastronomia), foi agora reforçada com o escanção Marco Alexandre, vindo do Sem Dúvida, onde criou uma das mais interessantes cartas de vinhos que conheço. Este restaurante, Casa da Comida, ainda pouco badalado, é uma referência em Lisboa e um local de frequência obrigatória.
Antes de irmos para a mesa, provámos um agradável branco adocicado Moscato Casti 07, simpática oferta do Marco. Iniciada a sessão, com um complexo mas bem equilibrado entretem de boca, seguido de uma entrada de toro de atum com puré de funcho e lima, muito bem conseguida, provámos um branco de Colares 2008 da Fundação do Oriente, com uma surpreendente acidez, já por mim referido anteriormente (ver crónica de 3/12). Nota 17,5+ (noutra situação também 17,5+).
Com o prato principal, uma excelente costoleta de leite (vitela) com molho de queijo da serra e legumes braseados, beberam-se 2 tintos de 2005, o primeiro com problemas de excesso de sulfuroso, segundo informação do escanção que teve de o arejar previamente e o segundo em grande forma. Foi uma surpresa pois a ideia que tinhamos de provas anteriores apontava para uma situação contrária. Descodificando :
.Calda Bordaleza - depois da decantação e do forte arejamento que sofreu, mostrou-se ainda algo químico, acidez elevada, boa estrutura de boca e final longo. Nota 16,5+ (noutras 17,5/18,5/18,5).
.Qtª da Pellada - mais amigável, acidez equilibrada, elegante, profundidade e final longo; está ainda para durar e esta garrafa não tem nada a haver com uma outra que provámos em conjunto. Nota 18 (noutras 18/16,5/17,5+/15,5 a mostrar alguma irregularidade).
Finalmente, com uma original sobremesa de fruta em diferentes texturas num cremoso de dióspiro, avançou um surpreendente Noval Colheita 1974 (engarrafado em 1985) - notas de mel, citrinos, frutos secos, algum iodo, encorpado e bom final de boca; mostrou um perfil com semelhanças a moscatel e uma personalidade e características que nada têm a haver com um estágio em madeira de apenas 11 anos. Nota 17,5+ (noutra 15,5).
Uma grande jornada vínica (apesar de tudo) e gastronómica. Parabens à equipa da Casa da Comida.
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Os vinhos no Natal (2 situações)

1ª Situação (jantar de 24)
O jantar de 24 decorreu em casa de familiares, com muita gente, crianças à solta e sem o sossego necessário à degustação de grandes vinhos. No entanto, os vinhos de gama média/baixa, pelo menos no preço, portaram-se bem.
.Espumante Qtª Poço do Lobo Arinto/Chardonnay 07 - está na linha do 2006, aqui já referido, e tem uma relação preço/qualidade imbatível; acompanhou bem uns pastelinhos de bacalhau e outros entretens de boca. Nota 16,5.
.Catarina 10 - à base das castas Fernão Pires, Arinto e Chardonnay, fermentou parcialmente em barricas de carvalho francês; é um branco típico de outono/inverno; bebeu-se com polvo cozido, mas esta combinação não foi muito feliz. Nota 15,5+.
.Qtª da Fronteira Selecção do Enólogo 08 - medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas 2011; estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; está ainda muito jóvem e vai melhorar nos próximos 3/4 anos; aguentou bem um bacalhau com broa que é um prato bem pesado. Nota 16,5.
.Dalva LBV 05 - muita fruta, estrutura e final de boca; acompanhou bem algumas sobremesas e outras não tanto. Nota 16,5+.
2ª Situação (almoço de 25)
Como é tradição, foi em minha casa com um número de familiares mais reduzido e mais próximo das enofilias. Os vinhos servidos eram da minha garrafeira e situavam-se num patamar superior. Com excepção do espumante, tiveram um comportamento exemplar.
.Espumante Murganheira Chardonnay 04 - aroma muito discreto, bolha fina (acabou por morrer um dia depois), boca a impor-se, gastronómico e muito pesado para se beber a solo ou acompanhado de frutos secos, que foi o caso. Nota 16,5.
.Kompassus Private Selection 05 - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; exuberante no nariz, grande boca, final muito longo; a baga no seu melhor; tem ainda muitos anos pela frente. Nota 18,5.
.CV Curriculum Vitae 05 - mais elegante e sofisticado que o anterior; está ainda muito longe da reforma. Nota 18. Os 2 tintos beberam-se com umas Couves à Dom Prior.
.Sandeman 20 Anos (engarrafado em 2011) - cristalino, nariz discreto, citrinos, frutos secos, algum iodo, estrutura e final de boca. Nota 17,5.
.Blandy Bual 48 - excelente (esta mesma garrafa já foi referida na crónica de 10/12). Ambos fizeram boa companhia a um bolo de chila e amêndoa.

A terminar, lanço um desafio aos amigos e leitores deste blogue que comentem e partilhem connosco o que beberam nos respectivos Natais.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Empadaria do Chef : nem tudo o que parece, é...

A Empadaria do Chef, instalada na zona de restauração do Colombo, resultou de uma parceria do chefe José Avillez com a cadeia H3. Aposta forte nas empadas que, se forem pedidas na modalidade Menu, valem uma refeição. Por 6,95 €, tem-se direito a uma das 8 variedades de empadas (200 gramas) concebidas pelo José Avillez, servidas com 2 acompanhamentos (arroz, batata palha ou salada) e uma bebida. E para quem não goste de comer muito, chega perfeitamente. Experimentou-se a empada de cozido (excelente) e a de camarão. Só que, esta última, do dito só com uma lupa. Chamando a atenção dos empregados, por duas vezes, a reclamação não foi atendida, ficando o cliente com uma pedra no sapato e sem vontade de voltar. Não havia necessidade. Ó chefe Avillez, mude o nome à empada ou ponha lá camarão que se veja!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Irritante falta de informação

Ocasionalmente a descer a Calçada da Estrela, constatei que 2 restaurantes naquela zona de Lisboa, o clássico XL e o debutante Agua Benta estavam encerrados. Estão no seu direito, mas é uma grande falta de consideração por eventuais futuros clientes não afixarem o horário e dias de encerramento. Será que seremos todos obrigados a conhecer os ditos?
Por acaso já tinha almoçado e essa falta de informação não me afectou, mas irritou-me!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Quadro de Honra (QH) dos Vinhos Fortificados

Entraram mais 16 fortificados (2 Portos, 6 Madeiras e 8 Moscateis) para este meu QH. Num total de 74 eleitos, ficaram os Portos e Madeiras empatados cada um com 31 vinhos, correspondendo cada um a 42% do total. De salientar a grande recuperação dos Moscateis, atingindo a quantidade de 12 entrados no QH, ou seja 16% do total. Este acréscimo tem a haver com 2 visitas/provas feitas à José Maria da Fonseca no corrente ano.
Portos
.Os Colheitas (15) e os tawnies de idade (7 com 30 e 40 anos) continuam a ser a minha preferência, atingindo 71% do total nos Portos. Só os Colheitas são quase 50% (48,4%).
Seguem-se os Vintage com 8 e os brancos velhos apenas com 1 referência.
.A Burmester mantém-se no topo (6 referências), seguida da Noval (5) e da Wiese & Krohn (4).
Madeiras
.Nos Madeiras a minha escolha vai para a casta Bual, com 15 referências (48,4% do total), logo seguida pela casta Verdelho, com 7 referências. Estas 2 castas impõem-se com uns expressivos 71% do total.
Seguem-se Sercial, Terrantez e Malvasia, empatados com 3 eleitos cada.
.Quanto a marcas, a Blandy está presente em quase 50% dos vinhos que elegi (rigorosamente 48,4%).
Moscateis
São 12, todos da José Maria da Fonseca. Ao Trilogia e Moscateis Roxo de 1900, 60 e 71, vieram juntar-se algumas das raridades provadas no decorrer deste ano (52, 55, 62, 67, e 73, para além dos Alambre e Roxo 20 Anos e Bastardinho 30 Anos)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Quadro de Honra (QH) dos Vinhos de Mesa (brancos e tintos)

Neste ano de 2011, entraram para este QH uma quantidade igual de brancos e tintos, 20 para cada lado. O que quer dizer que a qualidade dos brancos tem vindo a subir, ano após ano. E também que provo brancos ao longo de todo o ano, com uma clara preferência para os de outono/inverno. Num total de 132 vinhos com direito a QH, 38 são brancos, a que corresponde uma percentagem de 28,8% (20% no final de 2010)!
Mais uma vez o Douro fez o pleno, tendo ficado em 1º lugar tanto nos brancos (39,5%) como nos tintos (74,5%)! Enquanto nos tintos o Douro não é ameaçado por nenhuma outra região, nos brancos os Alvarinhos estão bem colocados (26,3%).
Quanto às datas e colheita, mantém-se a preferência pelo ano de 2009 para os brancos e o de 2004 para os tintos.
Finalmente quanto a produtores/marcas, a competição entre a Qtª do Crasto e a Niepoort, é agora favorável a este último produtor. Em 3º lugar está a Sogrape, que descolou do resto do pelotão.
1. Por Região
Brancos
.Douro - 15
.V.Verdes - 10
.Estrangeiros - 4
.Bairrada/Beiras - 3
.Lisboa/Colares/Bucelas - 3
.Dão - 2
.Setúbal - 1
Tintos
.Douro - 70
.Bairrada/Beiras - 8
.Estrangeiros - 7 (sendo Ribera del Duero - 6)
.Alentejo - 5
.Dão - 3
.Lisboa/Estremadura - 1
.Austrália - 1
2.Por ano de colheita
Brancos
.2009 - 12
.2007 - 8
.2008 - 7
.2004 - 4
.2005, 2006 e 2010 - 2 cada
.2000 - 1
Tintos
.2004 - 21
.2005 - 16
.2007 - 13
.2003 - 11
.2001 - 9
.2000 - 7
.2006 - 6
.2002 - 3
.outros - 8

Actualização dos meus Quadros de Honra

À semelhança do que fiz há um ano (ver crónicas de 22 e 23/12/2010), chegou a altura de actualizar os meus Quadros de Honra, onde têm cabimento os vinhos por mim provados e classificados com notas a partir de 17,5+ (os brancos) e de 18,5 (os tintos e os fortificados). As preferências por regiões, anos ou tipo de vinho têm a haver com o meu gosto, com as referências que fui acumulando na minha garrafeira e, também, com os vinhos de qualidade que os meus amigos vão partilhando comigo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Perplexidades (V)

Era uma vez um senhor muito importante que sabia de tudo. Ele sabia de gastronomia, ele sabia de vinhos, entre outras coisas igualmente importantes, e até tinha jeito para escrever. No entanto e como há sempre o reverso da medalha, fazia promessas que não tencionava cumprir e afirmações, que mais tarde se constatava que não eram exactamente assim.
Saltam-me à memória 3 situações, vividas há uma série de anos.
1ª - Quando soube do projecto das Coisas do Arco do Vinho, afirmou que iria escrever algo sobre esse assunto, pois tinha gostado muito da ideia. Promessa feita, promessa não cumprida!
2ª - Mais tarde, em qualquer evento onde nos encontrámos, disse que nos convidaria (a mim e ao Juca, meu sócio na altura) para almoçarmos ou jantarmos juntos.
Promessa feita, promessa não cumprida!
3ª - Algum tempo depois, alguém me confidenciou que aquele senhor tinha um produto de qualidade e já assumira o compromisso de exclusividade com certo distribuidor. Questionado sobre o futuro do produto, não assumiu a decisão já tomada, tendo-me dado uma resposta vaga e acrescentando que, se calhar, o encaminharia para fora do país.
Afinal não era exactamente assim!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Almoço no Bg Bar

Conforme já referi anteriormente (ver crónica de 24/11), o Bg Bar faz parte do Grupo Bar do Guincho e qualquer semelhança com o Grelhas é pura coincidência. O espaço do Bg Bar, com uma invejável situação no Monte Estoril, bem próximo do mar, é um 3 em 1, restaurante, bar e garrafeira.
O ponto alto é a componente vínica, com uma carta bem apresentada e seleccionada, didáctica e com bons preços. Os copos são bons e possui armários térmicos que permitem temperaturas adequadas aos vinhos. O serviço, a cargo de um empregado ucraniano, de quem não fixei o nome, foi muito profissional, merecendo a classificação de 5 estrelas. Se eu tivesse um restaurante, era o tipo de empregado em que apostaria.
A carta inclui vinhos de mesa nacionais e estrangeiros, e generosos confinados ao Porto (vintages, tawnies de idade e colheitas). Os Moscatéis e Madeiras não foram contemplados, o que é pena. A carta tem uma gafe que necessita de correcção urgente, pois os colheitas tardias/late harvest foram indevidamente incluidos nos generosos!
Vinhos a copo eram 8 (2 brancos, 4 tintos, 1 espumante e 1 Porto), o que considero algo curto. Uma mais valia : pode levar-se o vinho de casa e paga-se 7 € pelo serviço de rolha.
Bebeu-se a copo, com as entradas o branco Lavradores de Feitoria 10 - exuberante no nariz, muita fruta, frescura, acidez no ponto, elegante e equilibrado; muito badalado recentemente, por ter sido um dos brancos escolhidos a nível mundial, pela crítica de vinhos Jancis Robinson. Nota 16,5+. E com o Polvo à Lagareiro, demasiado rijo, por sinal, o tinto Meandro 09 - quase ainda em gestação, um autêntico acto de pedofilia; muita fruta vermelha, boa estrutura de boca e final persistente; a beber daqui por mais 4/5 anos. Nota 17.
Resta dizer que o gerente deste espaço dá pelo nome de Pedro Batista e é primo do Rui Miguel, responsável pelo Blogue Pingas no Copo e meu companheiro de provas e copos, desde há muito.
Em conclusão, o Bg Bar é um espaço a visitar que se recomenda, especialmente nestes dias de inverno solarentos.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Maria Pimenta : o José Quitério deu-me razão!

Em 22/8/2010 publiquei neste blogue uma crónica intitulada "Almoço na Maria Pimenta", que é até hoje de longe a mais lida de todas. No espaço de um ano teve direito a 520 visualizações! Nessa crónica critiquei este restaurante referindo a ementa curta e pouco interessante, a sua apresentação numa ardósia, os guardanapos de papel para o foleiro, a lista de vinhos desinteressante e sem datas de colheita, os copos sofríveis na mesa, a inexistência de Visa e o MB avariado.
Passado pouco tempo, cerca de 1 mês, uma senhora (dona? amiga dos donos? cliente?), que penso sofrer de ileteracia grave, pois não entendeu minimamente o que escrevi, colocou um comentário a defender o restaurante e a atacar-me em tom desabrido e criticando-me sem fundamentação, chegando a afirmar que "Se não tem nada positivo para dizer não diga nada!"!
Agora vem o José Quitério a dar-me razão na sua última crítica gastronómica, publicada no Expresso de sábado passado, dia 16/12. O título, "Pólvora seca" é já de si sugestivo. Além de ter também criticado a ardósia e a carta de vinhos, refere em relação à ementa "(...) lista desequilibrada e correntia, insuficiências e deficiências culinárias, não estando à altura do lugar(...)".
É pena, pois este local privilegiado merecia melhor!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Vinhos em família (XXVI)

Mais alguns vinhos provados em família, mas também especialmente com amigos que os merecem :
.Grandjó Late Harvest 05 - aroma exuberante, notas de citrinos e alperces, mel, untuoso mas com uma boa acidez a equilibrar, bom final de boca; óptimo para acompanhar patés, mas também liga com algumas sobremesas. Nota 17,5 (noutras situações 16,5/18/16,5+/16,5/17/16,5+/17).
.Redoma Reserva 08 - austero, notas florais, boa acidez, ainda um pouco marcado pela madeira, estrutura e bom final de boca; é um típico branco de outono/inverno e estará melhor com mais 3/4 anos. Nota 17,5 (noutras 17,5/17+).
.Antónia Adelaide Ferreira 08 - feito a partir de vinhas velhas, estagiou 2 anos em barricas de carvalho francês; está ainda muito fechado, apesar da dupla decantação sofrida, nariz complexo, frutos vermelhos, especiado, acidez q.b., fino e elegante, boa estrutura de boca com os taninos bem presentes mas sem arestas, final longo; a beber com todo o respeito: é a mais recente aposta da Casa Ferreirinha, com vista a celebrar o 200º aniversário da Dona Antónia. Nota 18,5.
.Qtª do Crasto Vinhas Velhas 07 - estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês e americano; nariz cativante, muita fruta, especiarias, acidez equilibrada, profundidade, bom final de boca, a meio caminho entre o acessível e o sofisticado; está condenado a ficar sempre no Top da Wine Spectator. Nota 17,5+ (noutras 17/17,5/17,5+).
.Moscatel Roxo Superior 60 - comprado num leilão organizado há já alguns anos pela José Maria da Fonseca; complexo, notas de citrinos e mel, muito espesso e com uma óptima estrutura de boca, mas demasiado doce, final muito longo. Nota 18,5 (noutra 19,5).

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

"De Vez em Quando"/"Novo Formato" : um historial de vinhos (II)

Em continuação da última crónica e para a memória do futuro, aqui ficam registados os vinhos fortificados (Porto, Madeira e Moscatéis) e os colheita tardia/late harvest/icewine, da minha garrafeira, partilhados com os amigos já referidos.
PORTOS
.Niepoort Vintage 92 e Old VV (tawny)
.Noval Vintage 94 e Colheita 37
.Fonseca Guimaraes Vintage 76
.Taylor's Vintage 00
.Dow's Vintage 80
.Krohn Colheita 66
MADEIRAS
.Artur Barros e Sousa Sercial 80, Verdelho 81, Bastardo Reserva Velha e Bual Reserva Velha
.Blandy Verdelho Solera, Terrantez 75, Bual 48 e 1920 e Malvasia Solera
.FEM Verdelho (2 garrafas)
MOSCATEIS
.José Maria da Fonseca Roxo 71 (2 garrafas)
.Artur Barros e Sousa
COLHEITAS TARDIAS
.Grandjó 04 e 05
.Inniskillin Sparkling (ano?) e Vidal 05
Como se constata, vantagem para os Madeiras, esses vinhos um pouco arredados das mesas dos consumidores nacionais, ficando o 2º lugar para os Portos.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

"De Vez em Quando"/"Novo Formato" : um historial de vinhos (I)

Na crónica de 10/12 referi a constituição destes grupos de prova e, agora, parece-me interessante divulgar a informação quanto aos vinhos da minha garrafeira partilhados, ao longo de uma série de anos (2003/2010), com os amigos que faziam parte daqueles grupos. A maior parte das sessões foi temática, contemplando uma vertical da Qtª do Crasto, uma horizontal da Niepoort, Prémios Excelência da Revista de Vinhos, Os Melhores segundo o João Paulo Martins, e outros escolhidos por mim segundo outros critérios. Passo a indicar os vinhos de mesa (brancos e tintos) e os com "borbulhas", deixando os fortificados e os colheitas tardias para uma 2ª crónica:
CHAMPAGNES
.Krug Rosé (2 vezes)
ESPUMANTES
.Murganheira Chardonnay 98 e Vintage 99
BRANCOS
.Muros de Melgaço Alvarinho 02
.Anselmo Mendes Alvarinho 07
.Soalheiro Alvarinho Reserva 07
.Redoma Reserva 00, 03, 04, 05 e 06 (2)
.Aneto Reserva 07
.Qtª das Bageiras Garrafeira 04
.Vinha da Pala 04
.Bucellas & Colares 07
.Ossian 06
TINTOS
.Barca Velha 00
.Qtª do Crasto Vinha da Ponte 98, 00 e 03, Maria Teresa 05, T.Nacional 01, Colheita Seleccionada 02, Tinta Roriz 03
.Qtª de Nápoles, Redoma, Batuta e Charme, todos 00, Charme 05 e Robustus 04
.Qtª Vale Meão 01 e 04
.Duas Quintas Reserva 99
.Campo Ardosa RRR 00
.Qtª dos Carvalhais Único 05
.Homenagem a António Carqueijeiro 99
.T Terrugem 99
.Francisco Nunes Garcia 01
.Tapada de Coelheiros Garrafeira 00
.Torre do Esporão 04
.Paulo Laureano...05
.Zambujeiro 04
.Mouchão Tonel 3/4 03 e 05
.Júlio Bastos 04
.Opus One 00
De registar a quase omnipresença do Douro (50 % dos brancos e 60% dos tintos) e, com excepção dos Alvarinhos e dos tintos alentejanos, a quantidade residual das restantes regiões e de vinhos estrangeiros. Gostos!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Última hora : luto no mundo dos vinhos

Depois do desaparecimento prematuro do José Mendonça (Qtª dos Cozinheiros) e do António Carvalho (Casal Figueira), foi agora a vez do Hernani Verdelho (Dona Berta) sair de cena. Outros, melhor do que eu, farão o respectivo elogio fúnebre. Limito-me a afirmar que o mundo do vinho ficou mais pobre, ao perder um grande e original entusiasta na área da vitivinicultura.
A melhor homenagem que lhe podemos prestar é adquirir os seus vinhos e degustá-los com os amigos!

E o Expresso?

Quando recomendei a Fugas e a Visão (ver crónica de 8/12), não referi o Expresso, essa instituição que compro desde o nº 1. Era tão evidente que assumi não ser necessário recomendá-lo. No entanto e para que não haja leituras distorcidas, aqui estou a recomendar a Única (separata do dito semanário), onde escrevem o José Quitério sobre gastronomia e o João Paulo Martins sobre vinhos, eles também instituições nas respectivas áreas.
Esclarecimento feito!

sábado, 10 de dezembro de 2011

O grupo Novo Formato

O grupo de prova "Novo Formato" é o herdeiro do "De Vez em Quando", que se constituiu em 2003 e extinguiu em 2007. Juntávamo-nos 3 ou 4 vezes por ano, rodando de casa em casa. Além dos provadores da linha dura (Juca, João Quintela, Paula Costa e eu), participavam também nas provas, sempre às cegas, as mulheres dos fundadores das CAV (Lena e Bety). O casal Saldanha que fazia parte do grupo antigo, não integrou o "Novo Formato".
A última prova, organizada por mim, teve um convidado especial (o nosso amigo Alfredo Penetra), pelo que a esta nova composição se pode dar o nome de "Novo Formato+". O repasto não decorreu em minha casa, com era habitual, mas sim na Enoteca de Belém. Foi uma belíssima jornada gastronómica, ao longo daqual a equipa da casa (a Renata na cozinha e o Nelson na sala, ajudado pela Madalena) teve uma excelente prestação e, desta vez, não se sentiu a falta do Ângelo. É o maior elogio que lhes posso fazer.
Quanto aos vinhos, todos da minha garrafeira, foram provados 1 espumante com umas deliciosas tapas, 3 brancos com um estupendo pargo no forno, 3 tintos com umas saborosas bochechas de vitela, 1 Porto com queijos e bolo brigadeiro e 1 Madeira com o respectivo bolo regional e fruta a fechar. Todos os vinhos se portaram muito bem (apesar de um dos brancos se encontrar algo oxidado), metade dos quais na área da excelência e os outros por lá perto. Ei-los:
.Espumante Murganheira Assemblage 95 - incrível frescura para um espumante com 16 anos, bolha fina, notas de pão a sair do forno, estruturado. Nota 17,5 (noutras situações 17,5/17,5/17+).
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 07 - nariz exuberante, algo tropical sem excessos, bela acidez, untuoso a encher a boca, final persistente. Evolução harmoniosa, a provar que a casta Alvarinho precisa de tempo para se mostrar ao seu melhor nível. Nota 18 (noutras 16,5+/16,5/17/17/17,5).
.Pinto Viognier/Chardonnay 07 - discreto no nariz, boa acidez, madeira presente mas sem se impor, estrutura e final de boca médios. Um vinho quase desconhecido que se aguentou muito bem com os consagrados. Nota 17,5 (noutra 17,5+).
..Casal Figueira 95 - o primeiro branco criado pelo malogrado António Carvalho; apesar da oxidação evidente e dos seus 16 anos, defendeu-se bem com a acidez que lhe dá vida; é muito gastronómico e de acentuada personalidade. Nota 16,5+ (noutra 14,5).
.Ferreira Vinhas Velhas 07 - nariz complexo, acidez equilibrada, especiado, madeira fina e bem casada, taninos presentes mas elegantes, boa arquitectura de boca e final longo. Tem tido uma evolução surpreendente. Nota 18,5+ (noutras 17,5+/18).
.Qtª Monte d'Oiro ex-aequo 07 - resultante de uma parceria de Bento dos Santos com a casa Chapoutier; exuberante no nariz, muita fruta preta, acidez equilibrada, estruturado e bom final de boca; ficou entalado entre 2 vinhos de excepção, o que o prejudicou. Nota 18.
.Herdade do Peso Ícone 07 - notas de tabaco e chocolate, acidez equilibrada, madeira muito fina, taninos em evidência mas sem rugas, final persistente. O Alentejo no seu melhor. Nota 18,5 (noutra 18,5).
.Warre Vintage 94 - um bom exemplar de um ano de eleição; doçura acentuada, grande frescura, taninos ainda bem presentes, final longo. Nota 18.
.Blandy Bual 48 (engarrafado em 2004) - frutos secos, iodo, vinagrinho, taninos ainda de arrasar, final interminável; um grande Madeira que não deixa ninguém indiferente, a fechar em beleza este magnífico repasto. Algumas diferenças de garrafa para garrafa. Nota 18,5+ (noutras 19,5/17,5/18,5).
Mais uma grande jornada, em que tive a ocasião de partilhar alguns dos meus vinhos, com estes Amigos!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Fugas e Visão : a não perder

Quem se interessa por este mundo dos vinhos e gastronomia, tem que saber que este tema não se esgota nas revistas especializadas, nomeadamente a Revista de Vinhos e a Wine/Essência do Vinho (as outras não contam).
Nesta linha de pensamento, considero indispensável a leitura da Fugas (separata de sábado do jornal Público) e da revista Visão (sai à 5ª feira).
Começando pela Fugas, cujo "pai" e animador nos primeiros tempos foi o saudoso David Lopes Ramos, tem hoje uma equipa de peso. Rui Falcão, um nome já consagrado, Manuel Carvalho, autor do "Guia do Douro e do Vinho do Porto" (Edições Afrontamento,1995) que, creio, ter sido o 1º guia que se publicou em Portugal sobre este tema, e Pedro Garcias (PG), para o qual já chamei a atenção em 2 crónicas de 2010 (em 20/4: PG, um nome a reter e em 22/8: PG, um crítico emergente). De destacar, ainda, na última Fugas (3/12), uma belíssima reportagem da jornalista, responsável pela edição, Sandra Silva Costa, intitulada "Douro património mundial". De vez em quando sai uma Fugas especial, em parceria com a Revista de Vinhos. Foi o caso da edição de 26/11 que, penso, os enófilos não perderam.
Quanto à Visão, conta com a colaboração do decano da crítica de vinhos em Portugal, o José António Salvador, e na gastronomia com o Manuel Gonçalves da Silva. Recentemente, saíu a Visão Gourmet Outono/Inverno 2011. Por 1,50 € tem-se acesso a 82 páginas, que incluem uma entrevista com José Quitério, receitas do Vítor Sobral , Fausto Airoldi, Bertílio Gomes e dos finalistas do masterchef. Completa a edição, uma selecção de restaurantes de Lisboa e Porto da responsabilidade do Manuel Gonçalves da Silva e os 100 melhores vinhos de 2011, eleitos pelo José A. Salvador. E os melhores foram : espumante Raposeira Blanc de Noirs Bruto 2006, branco Soalheiro Alvarinho 2010, tinto Qtª do Noval 2009, rosé Qtª da Romaneira 2010 e Porto Qtª Senhora da Ribeira Vintage 2009. Esta Visão Gourmet ainda está nas bancas. Compre antes que esgote.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vinhos em família (XXV)

Nas minhas últimas jornadas em família, provei 3 tintos, 1 branco, 1 Vintage e 1 Madeira, com especial relevo para este fortificado. Ei-los :
.Adega Vila Real Grande Reserva 09 - nariz complexo, fruta e especiarias, acidez q.b., madeira equilibrada, frescura e bom final de boca; teor alcoólico comedido (13 % vol.); em forma mais 4/5 anos. A Adega de Vila Real é um produtor que está a fazer brancos de qualidade a muito bom preço (Colheita, Reserva e este Grande Reserva). Nota 17+ (noutra situação 16,5+).
.Batuta 04 - nariz discreto, algo floral, acidez equilibrada, taninos agressivos no primeiro ataque, que depois se civilizam, arquitectura de boca e final muito longo. Em forma mais 5/6 anos. Nota 18+ (noutras 17+/18,5/18).
.Poeira 05 - um toque de rolha e excesso de sulfuroso. Azar!
.San Roman 05 (Toro) - 23 meses em barricas de carvalho francês e americano; nariz exuberante, frutos pretos, especiarias, acidez equilibrada, taninos firmes, final longo; estilo Douro/Ribera del Duero; está para durar pelo menos mais 10 anos. Nota 18.
.Passadouro Vintage 97 (amostra de casco) - nariz inexpressivo, corpo e final medianos, pouco harmonioso; uma desilusão. Nota 13,5.
.Blandy Verdelho 77 (engarrafado em 2004) - nariz complexo, frutos secos, caril, brandy, vinagrinho, estruturado, final interminável. 2h30 depois de bebido o aroma ainda pairava na sala de jantar. A Madeira no seu melhor! Nota 18,5+ (noutras 18,5/17,5+/17/17,5+/18/18+).

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um banho de cultura

Fui visitar, recentemente, a magnífica exposição "A Natureza-Morta na Europa" 2ª parte séculos XIX-XX (1840-1955), a decorrer no Museu Calouste Gulbenkian até 8 de Janeiro. Das 93 obras expostas (maioritariamente telas, mas também fotografias, objectos e porcelanas), 1/3 tem algo a haver com o mundo do vinho, concretamente 29 pinturas, 1 foto e 1 objecto. Garrafas, jarros, copos e canecas com vinho ou sem ele estão presentes e foram uma preocupação dos artistas. Também os cachos de uvas fazem parte da temática.
Uns tantos põem em destaque estes motivos que são aproveitados para identificação da obra por parte dos autores. É o caso das telas de Pablo Picasso (Natureza-Morta com copo e...), Vicent van Gogh (Cesto com limões e garrafa), Mikhail Larimov (Natureza-Morta com garrafa e...), Juan Gris (Tabuleiro de xadrês, copo e...), Umberto Boccioni (Natureza-Morta com garrafa), Gustave Courbert (Cacho de uvas) e Amédée Ozefant (Garrafa, cachimbo e...). E, ainda, a fotografia de Charles Aubry (Cacho de uvas) e o objecto de Marcel Duchamp (Le porte bouteilles). Há a acrescentar mais 22 quadros com o título Natureza-Morta ou outros nomes relacionados com o tema, saídos das mãos de autores tão credenciados como Phillipe Rousseau, Claude Monet, Paul Gauguin, Henri Matisse, George Braque, Mário Eloy, Maria Helena Vieira da Silva ou René Magritte.
Uma exposição a não perder, até porque está relacionada com o vinho e suas coisas. Um banho de cultura não faz mal a ninguém!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Almoço no Azenhas do Mar

O Azenhas do Mar, localizado na vila com o mesmo nome, é um simpático espaço, solarengo e praticamente em cima do mar, quase sempre bem revolto.
Comeu-se um agradável caril de gambas e polvo assado, uma das especialidades da casa. Pena foi que viesse com as pontas dos tentáculos esturricadas.
A lista de vinhos é tamanhina, mas bem seleccionada, embora sem datação, o que é para mim inaceitável. Tem disponíveis uma dúzia de vinhos a copo. Serviço de vinhos a cumprir sem grandes rasgos, copos aceitáveis (a pedido vieram outros bem melhores) e preços relativamente altos.
Bebeu-se o Colares branco 2008 da Fundação Oriente - aroma complexo, grande frescura e acidez, algum fumado, madeira discreta, arquitectura de boca e bom final; vai ainda melhorar com mais uns anitos de garrafa (gostava de o voltar a provar daqui a 10 anos, poderá ser uma bela surpresa). Nota 17,5+.
Em conclusão, um local com uma localização espectacular, comida apenas agradável, serviço descoordenado (os cafés ficaram esquecidos e vieram frios), mas simpático (oferta de miniaturas de queijadas de Sintra). A voltar quando sentir saudades do mar por perto.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O grupo dos 3 (18ª sessão)

Mais uma sessão deste grupo em prova cega. Os vinhos foram da responsabilidade do João Quintela que escolheu, para local do repasto, o restaurante principal do Corte Inglês. O prato principal foi uma monumental cabeça de garoupa, que deu para repetir e levar para casa. O protagonismo foi dado aos brancos (2), ainda com uns anos pela frente, tendo ainda sido posto à prova 1 tinto e 1 Madeira (nota: todos eles foram decantados) :
.Projectos Niepoort Chardonnay 04 - fruta madura, citrinos, um toque oxidativo, acidez muito presente, alguma gordura, estruturado e grande final de boca; um grande branco de Outono/Inverno, deveras gastronómico. Nota 18 (noutra situação 17+).
.Redoma Reserva 05 - nariz contido, notas florais, mineral, acidez marcante, madeira bem comportada, boca evidente e bom final; um branco cheio de personalidade. Nota 17,5+ (de referir as diferenças de garrafa para garrafa : 17,5/16,5+/16/15,5/16,5/15,5/16,5/17,5/18/17/17,5+).
.Quanta Terra 01 - nariz fechado, alguma fruta e acidez, taninos pontiagudos, final longo, algo desequilibrado; passou nitidamente por debaixo dos brancos. Nota 16,5+ (noutras 17/17/18/13).
.Madeira Malvazia 1879 - frutos secos, muito iodo e vinagrinho, caril e maracujá, grande boca e final longo; foi a melhor garrafa deste 1879 (a decantação fez a diferença). Nota 18+ (noutras 16,5/18/17,5/17/18).
Grande jornada com os brancos em alta. Obrigado João!