domingo, 30 de dezembro de 2012

Rescaldo natalício

Após uma ausência mais ou menos prolongada, motivada pelas festas tradicionais desta época, eis-me de regresso a casa e ao contacto regular com a blogosfera.
A consoada foi passada em casa de familiares na margem Sul, na companhia de pequenos, médios e grandes enófilos, sendo os vinhos ajustados a esta realidade.
Começou-se com o excelente Morgado de Stª Catherina 2010, já aqui referido por diversas vezes, que acompanhou uns pastelinhos de bacalhau como aperitivo e continuou com o prato de polvo cozido com todos. Com o bacalhau no forno, couves e ovos cozidos, mudámos para o tinto Vale Pradinhos 2007, muito interessante mas ainda com taninos demasiado duros que não ligaram bem com o prato. Finalmente, com as sobremesas, o Moscatel DSF Armagnac 1998, que cumpriu bem a sua função.
O almoço de Natal foi passado em Tavira, com um nível de enofilia algo semelhante. Comemos cozido à portuguesa, devidamente acompanhado pelo grande Qtª do Crasto Vinhas Velhas 2009. A fechar, com os doces, foi servido um Noval 20 Anos, sem rótulo, de um ano de engarrafamento desconhecido, mas que se sabe ser antigo. Está, apesar de tudo, em grande forma.
Na sequência das festas e ainda no Algarve, almoçámos com uns amigos no Chá com Água Salgada, na Manta Rota. E, como estávamos no Algarve, bebemos vinhos algarvios Barranco Longo, a marca daquela região que mais me seduz. Começámos com o Rosé 2011 (para mim o rosé mais interessante que se faz em Portugal), que acompanhou o couver e continuou com a sopa de peixe. Com o prato, um naco de atum com polenta, avançou o Reserva 2008, em grande estilo.
Esta crónica será a última deste ano. Recomeçarei, no início de 2013, com o balanço do ano 2012.
Boas entradas e esqueçam, pelo menos nesta altura, o gaspar, o relvas, o coelho e a troika propriamente dita...

domingo, 23 de dezembro de 2012

Vinhos em família (XXXIX)

Quase a fechar o ano, aqui vão as minhas últimas provas anotadas:
.Qtª dos Carvalhais Colheita Seleccionada 08 - estagiou mais de 2 anos em barrica; uma desilusão, apesar da boa acidez, este branco apareceu muito pesado, com a madeira a sobrepor-se à fruta; o excesso de teor alcoólico (14,5% vol.) também não ajuda. A despachar rápido. Nota 14.
.Cavalo Maluco 06 - produzido num ano difícil, ainda está com muita fruta e vivo, acidez equilibrada, notas especiadas, potência de boca e final longo. Aguenta ainda mais meia dúzia e anos. Nota 17,5+ (noutras situações 17,5/17,5+ a denotar uma grande regularidade).
.Ferreira Reserva Especial 97 - ainda em grande forma, com a côr e acidez bem evidentes, complexidade no nariz e boca, notas de tabaco e especiarias, taninos civilizados, estrutura de boca e final longo; no ponto mais alto, mas ainda longe da reforma. Nota 18,5+ (noutras 18,5/17,5/18,5/18,5/18,5/18 a confirmar que é mesmo um grande vinho em qualquer parte do mundo!).
Bebi, ainda, descontraidamente e sem registar as minhas impressões: Poeira 05 (17,5), Meandro 10 (17,5), Ferreira Reserva Especial 03 (18), Pontual Syrah 07 (16,5), Ramos Pinto Collection 07 (16,5), Casa de Santar 09 (16,5), Morgado Stª Catherina 08 (17,5) e Qtª dos Castellares 11 (16).

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

"Leitoando" em Lisboa

Para quem goste do chamado leitão à Bairrada e não possa ou não queira ir à Mealhada, sugiro 2 boas alternativas em Lisboa.
1.Servejaria
O título desta crónica foi inspirado na Servejaria (fica na Praça dos Restauradores, no lado oposto à Loja do Cidadão), em cujas toalhas de papel se pode ler "Eu leitão, Tu leitoas, Ele leitoa". Também referem, como produto principal, "Leitão da Bairrada assado no nosso forno a lenha". As toalhas são de papel, mas os guardanapos de pano (não joga a gota com a perdigota).
Este simpático espaço de restauração, para além da esplanada, desenvolve-se em 3 salas ensolaradas, aposta forte no leitão, mas também nos petiscos (são 14, o que é uma excelente oferta) e nos bifes, embora a preços nada meigos. Fiquei-me pelo caldo verde e uma sandes de bom leitão, servido em quantidade generosa, acompanhada por batatas fritas às rodelas.
A carta de vinhos oferece 5 espumantes, 2 champanhes, 14 brancos, 15 tintos e 1 rosé, com uma ou outra sugestão interessante, mas a maioria sem imaginação, a preços em geral acima da média. A copo apenas 1 branco e 1 tinto (versões colheita e reserva), o que é manifestamente insuficiente. Optei por beber uma cerveja Bohemia, escolhida entre 12 alternativas. Serviço correcto, mas distante.
Um senão: televisão acesa, embora sem som. Perfeitamente dispensável!
2.Tasca República
A Tasca República, já aqui referida em 4/3/2012, tem sempre às quintas feiras um excelente leitão estaladiço e deveras saboroso, que mete num chinelo a maioria dos leitões servidos na Bairrada. O menú completo custa 12,50 € e inclui couvert, sopa, sobremesa e café, um bom preço para a qualidade dos produtos servidos. O leitão é confecionado em fornos existentes em Setúbal e pode ser encomendado, passe a publicidade (ligar para o senhor Hélio, 933782440, da parte de Francisco Completo, o dono da Tasca).
Acompanhou o leitão o espumante Palavrar, sem qualquer indicação de origem ou de ano de colheita. Apenas refere que foi engarrafado, em Anadia, para a empresa Ampulheta Mágica. É um espumante barato, mas muito fresco, frutado, com bolha fina e muito agradável na boca. É gastronómico: vai muito bem com aperitivos mas, também, como foi o caso, fez boa companhia ao leitão. Nota 16.
Com ou sem deputados, recomendo vivamente este espaço e a excelência do leitão.
Um senão: a sala é para fumadores, o que pode prejudicar os narizes mais sensíveis. Não havia necessidade...

Última hora

O programa da RTP1 "Linha da frente: À Mesa", vai ser dedicado aos Douro Boys, recentemente premiados pelaComissão Europeia. Está previsto para as 21 h de hoje. Organizemos as nossas vidas, para a essa hora estarmos em frente da caixinha mágica. Eles merecem!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Curtas (II)

1.Nectar diVino
Trata-se de um concurso organizado pela BASF, que já vai na 2ª edição. Na Press Release que me enviaram, dá-se conhecimento das classificações atribuidas a Tintos, Brancos e Verdes (!?). Fiquei deveras intrigado: então a Região Demarcada dos Vinhos Verdes não produz tintos, brancos e até rosés? Que grande confusão reina nas cabeças dos alemães da BASF (influências da senhora Merkel?). Não se entende esta confusão, até porque a BASF teve a colaboração da Directora de Vinhos do Yeatman Hotel!
2.Leka-Leka
É um pequeno espaço de restauração, que vinha recomendado na Revista do Expresso (diga-se, desde já, que não era na coluna do José Quitério). Comi a sopa rica de peixe, que de rica nada tinha. Era, antes, uma sopa de pobres, pois se limitava a um caldo sensaborão, 1 (uma) posta de peixe, 2 camarões e 2 fatias de pão torrado. Lista de vinhos curta e serviço dos mesmos medíocre. A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar, pois foi de imediato despejado num copo de água/sumo! Bem seria melhor alterarem o nome para Meia Leca!
3.Casa da Mó
Regressei ao bufete de cozido que continua bom e se pode comer até rebentar. O preço teve um ligeiro aumento de 10 € para 10,50 €, o que não tem significado face á alteração do IVA (para quando o regresso ao passado?). Saído o chefe de sala para outras paragens, chama a atenção o serviço muito profissional do empregado Rui Coelho. O único senão, continua a ser não autorizarem que se leve vinho das nossas garrafeiras, a troco de uma taxa de rolha. Aguardemos que as cabeças dos responsáveis se iluminem.
4.Turismo de Setúbal
Recomendo, a quem for para aquelas paragens, que dê um salto ao Turismo, onde está instalada uma surpreendente loja de vinhos, com uma grande oferta dos néctares daquela região. Boas compras!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Petiscos em Lisboa (X)

Atrás de um palpite que li (Expresso? Time out?), fui parar ao Alcântara 50 sabores genuinos (Rua Vieira da Silva), que teria sido, em tempos, se a memória não me atraiçoa, o restaurante Cuidado com o Degrau, frequentado pelo nosso Nobel da Literatura, José Saramago. É um espaço aparentemente rústico, mas decorado com muito gosto, tampos de mármore a lembrar as antigas tascas, mesas despojadas e guardanapos de pano (a gota a não dar com a perdigota). Vale a pena espreitar as casas de banho, forradas com histórias aos quadradinhos e foto novelas, que nos remetem para tempos das nossas infâncias.
Este Alcântara 50 aposta forte na petisqueira, com uma oferta de 11 petiscos e mais 8 pratos de queijos e enchidos. Aposta ganha pois, para mim e daquilo que conheço e tenho vindo a partilhar neste blogue, estes petiscos são do melhor que tenho provado. O responsável pelos tachos é o chefe Filomeno Nogueira, um nome a reter. Escolhi o menú de 4 petiscos (com direito a uma sobremesa), que foram da escolha do chefe. Avançaram cogumelos pleurotus com ervas do campo, ameijoas em vinho verde, farinheira salteada com espinafres e ovos e pimentos padron salteados com alho, a que se juntaram umas pataniscas de bacalhau, simpática oferta da dona deste espaço.
Quanto a vinhos a oferta é equilibrada para este tipo de espaço: 3 espumantes, 11 brancos, 12 tintos e 1 rosé, alguns destes a copo. Escolhi o Qtª de Alorna Arinto & Chardonnay 2011 (4 €) - presença bem marcada de citrinos, notas florais, mineralidade, frescura, algum amanteigado e estrutura; muito elegante. Nota 16,5. Com excepção da farinheira, acompanhou bem os restantes petiscos.
A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar, o que é uma falha fácil de corrigir. O copo era bom, foi servida uma porção razoável, mas a olho. Faltou testar o serviço dos tintos, que é onde os restaurantes normalmente falham.
Concluindo, o Alcântara 50 é um espaço agradável, onde se podem comer uns tantos petiscos muito bem confeccionados. Recomendo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Petiscos em Lisboa (IX)

O Meson Andaluz aterrou em Lisboa, concretamente na Travessa do Alecrim (ao Cais Sodré), onde era o Alecrim às Flores. Além dos pratos clássicos, o Meson continua a apostar na petisqueira, oferecendo 20 entre tapas e raciones. Na minha visita degustei catalana (entretém de boca, oferta da casa), montadito de jamon ibérico (3 €) e pimientos de piquillo, recheados com bacalhau (6,50 €), em doses suficientes, mas que não me fizeram subir aos céus.
A carta de vinhos é deveras pujante e inclui algumas raridades (Barca Velha, Vinha da Ponte, Maria Teresa, Vega Sicilia Único, etc.). Os preços dos vinhos mais conceituados são francamente acessíveis. Inventariei 3 espumantes, 4 cavas, 3 champanhes, 27 brancos, 52 tintos (dos quais 14 apelidados de excelências), 3 rosés, 3 colheitas tardias, 18 Portos, 2 Madeiras, 5 Moscateis (incluem o1900, 1934 e 1951!) e 3 Jerez.
Nos vinhos a copo é que a porca torce o rabo, pois a oferta se resume a 1 branco e 1 tinto, o que não faz sentido numa casa deste tipo. Mais a mais está escrito que "(...) A carta de vinhos do Meson Andaluz começa com uma proposta de vinhos a copo que varia todos os meses(...)". Parece tratar-se apenas de uma intenção ainda não levada à prática.
Bebi o branco alentejano Duende 2010 (4 €, um exagero) - 100% Rabo de Ovelha; frutado, muito agradável na boca, despretencioso, bem feito, embora sem grande complexidade; tipicamente um branco de primavera/verão, que não aguentou os petiscos que vieram para a mesa. Nota 15,5.
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar e servido a olho (quantidade que me pareceu inferior aos 15 cl habituais) num bom copo Schott. Serviço eficiente e temperatura adequada (o restaurante possui armários térmicos).
Aguardemos, então, a promessa quanto ao aumento da oferta de vinho a copo. Ver para crer...

sábado, 8 de dezembro de 2012

Novo Formato+ (9ª sessão)

A responsabilidade desta sessão foi minha, tendo escolhido como "lar" emprestado a Enoteca de Belém. Os vinhos provados, todos às cegas, eram da minha garrafeira e portaram-se todos muito bem. Escolhi 2 brancos de 2009, 4 tintos de 2005 e 1 fortificado. A bebida de boas vindas foi um espumante Raposeira Blanc des Blancs 2006, simpática oferta da equipa da casa. O espumante, de boa qualidade, portou-se à altura. Nos tachos esteve o Ricardo e na sala o Ângelo. Gastronomia e serviço de vinhos 5 estrelas. Os meus parabéns à equipa!
E os vinhos foram:
.Redoma Reserva - presença de citrinos, notas florais, mineral, elegante, acidez equilibrada, notas amanteigadas, madeira discreta, estrutura e bom final de boca. Em forma mais 5/6 anos. Nota 18.
.Pai Abel - ainda muito fechado, fruta exótica, boa acidez, madeira presente a precisar de tempo de garrafa,    potência de boca e final longo. Tem muitos anos à sua frente. Nota 17,5 (noutra situação 18).
Estes brancos acompanharam a entrada (mozarella em presunto) e o prato de peixe (filete de robalo com arroz cremoso de marisco).
.Qtª do Crasto T.Nacional - nariz exuberante, notas florais, especiado, boa acidez, estruturado e final longo; grande potencial para nos dar prazer mais 7/8 anos. Nota 18,5+.
.Qtª do Ribeirinho Baga em Pé Franco (garrafa nº 827 de 1400) - notas de couro e tabaco, acidez equilibrada, taninos bem presentes mas civilizados, estrutura e bom final de boca. No ponto para ser bebido. Nota 17,5 (noutra situação 18).
.Qtª Foz de Arouce Vinhas Velhas - floral e elegante, boa acidez, arquitectura de boca, taninos ainda por amaciar, persistência final. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5+ (noutra 16, a denotar uma bela evolução na garrafa).
.Aalto PS - fruta presente, notas florais, acidez equilibrada, complexidade, estrutura e elegância. Em forma mais 5/6 anos. Nota 18 (noutras 18,5/18,5).
Os tintos fizeram companhia a uma perna de pato com batata doce e molho de laranja.
.Krohn Colheita 1964 Branco (engarrafado em 2008) - frutos secos, boa acidez, alguma gordura, elegância,  potência de boca e final longo. Uma grande surpresa. Nota 18,5 (noutra 17,5+).
Como curiosidade, o JPM atribuiu ao Redoma Reserva 17,5 no Guia 2011 (não provou o Pai Abel) e 18 aos tintos nacionais e ao fortificado, no Guia 2008. Quanto ao Aalto PS o Parker deu-lhe 98 pontos na Wine Advocate.
Mais uma grande jornada de convívio, gastronomia e vinhos, para esquecer as malfeitorias do Gaspar e do Coelho!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Jantar Casa da Passarela

Mais um jantar vínico, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas (o 18º num ano, é obra!), desta vez em parceria com o restaurante As Colunas. Esteve presente, a dar a cara pelos vinhos, o enólogo responsável Paulo Nunes, que fez uma bela exposição. Clareza e pedagogia não lhe faltam.
Ao longo do repasto, depois de provado o Rosé 2011, seco e mineral, foram apresentados:
.Encruzado 2011 - fermentou em barricas novas; mineral, elegante e muito equilibrado, madeira bem casada, um vinho que se pode beber durante todo o ano. Nota 16,5. Fizeram-lhe companhia umas excelentes pataniscas de polvo.
.Vinhas Velhas 08 - fruta presente, notas especiadas, acidez equilibrada, fresco e estruturado, taninos domesticados, persistência final. Em forma mais 6/7 anos. Nota 17,5.
.Vinhas Velhas 09 - uns furos abaixo do anterior, aroma adocicado, taninos redondos, pastoso; auguro-lhe uma vida mais curta do que o 2008. Nota 16,5. Estes 2 tintos acompanharam um bacalhau assado com batata a murro.
.Villa Oliveira T.Nacional 09 (garrafa nº 28 de ???) - nariz exuberante, fruta vermelha, notas de tabaco e chocolate preto, frescura e elegância, madeira discreta, potência de boca, final longo; perfil moderno com a Touriga não muito evidente; aguenta mais 9/10 anos. Nota 18. Bebido com vitela estufada e puré de batata.
.Villa Oliveira Encruzado 11 (curiosamente com o mesmo nº) - estagiou 9 meses em madeira já usada (carvalho russo); austero, mineral, notas de fruta cozida, madeira discreta, algum amanteigado, boa acidez e final longo; pode-se guardar para o beber daqui a 5/6 anos. Nota 17,5+. Fez uma óptima maridagem com queijo dos Açores.
De qualquer modo, a diferença de qualidade destes Villa Oliveira para os Casa da Passarela, não justifica a diferença de preços.
Finalmente, com a sobremesa, o Colheita Tardia, com um perfil muito ligth, é uma mera curiosidade (ainda não bebi um vinhos deste tipo, produzido no Dão, que me enchesse as medidas...).
A fechar, uma boa sessão, embora inicialmente prejudicada pelo frio que se fazia sentir na sala e pela televisão a transmitir o Braga-Porto. Não havia necessidade...
E a Joana, sempre atenta, sempre incansável!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Curtas

Curtas são, para mim, pequenos e breves apontamentos que, por si só, não têm a dimensão de uma crónica normal.
1.Porto e Douro Wine Show 2012
Estive neste evento patrocinado pelo IVDP, que decorreu no Convento do Beato nas tardes de 30 de Novembro e 1 de Dezembro. Poucos produtores presentes e nenhum peso pesado. Quanto ao Vinho do Porto, quase não se vislumbrou. Mesmo os enófilos, pelo menos na 6ª feira, não acorreram. Qualquer semelhança entre este evento e o EVS da RV, é pura coincidência. Mas provaram-se umas boas pingas, tendo ficado na memória, por ordem da prova: Vallegre Reserva Especial 09, Qtª das Brolhas Grande Escolha 07, Portal Grande Reserva 07, Qtª da Fronteira Grande Escolha 09, Qtª D:Basília Old Vines 09 (Super Premium), idem 08 (Premium), Qtª da Foz 07, Alta Pontuação 10, Qtª dos Murças Reserva 09, Qtª Sequeira Grande Reserva 08 e Vista Alegre 40 Anos.
2.Fugas
Separata do Público, editada em 1 de Dezenbro, em parceria com a Revista de Vinhos. É de leitura obrigatória, mas:
a) Sobre o Moscatel Superior da JMF, escreve o Miguel Esteves Cardoso (MEC) que é um sacrilégio comer qualquer coisa e "Também é uma estupidez refrescá-lo". Olhe que não, MEC, olhe que não!
b) Grandes vinhos por detrás de 20 grandes marcas, escolha de Luis Lopes, director da RV.
A selecção recaiu sobre 15 vinhos de mesa/consumo e 5 fortificados, sendo destes últimos três Vintage, um tawny de idade (20 Anos) e o Moscatel Roxo da JMF (também de 20 Anos). E Madeiras? A escolha foi zero! De propósito ou por esquecimento? Qualquer que seja a justificação, é injustificável!
Quanto aos preços a que se podem adquirir, referir o preço de 120 € para o Barca Velha 2004, é um autêntico dislate. Na Garrafeira Nacional custa 300 €, por exemplo...
3.Ainda o Fugas
Para amenizar esta crónica, valha-nos o espírito de humor do João Paulo Martins. Numa das perguntas  do seu habitual "Quizz", "O nome Ramisco refere-se a:", o JPM escreveu como uma das respostas que seria "Uma bebida consumida por rameiras". O JPM no seu melhor!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Grupo dos 3 (26ª sessão)

Esta sessão foi com os vinhos do Juca, que escolheu o restaurante da Ordem dos Engenheiros já aqui referido. A sala estava a deitar por fora e o ambiente demasiado ruidoso, o que dificultou a concentração necessária no usufruto dos vinhos postos à prova. Como a oferta é à base de peixe, o Juca levou 2 brancos que acompanharam o bufete de entradas e o prato. E a escolha caíu no Redoma Reserva, um dos brancos nacionais mais conceituados e o que mais tenho provado:
.2003 (14% vol.) - côr algo evoluida, ligeira oxidação, fruta madura, amanteigado, belíssima acidez a equilibrar o conjunto, madeira discreta, estruturado e gastronómico; no ponto, não vale a pena guardá-lo mais tempo. Nota 17,5+ (noutras situações 16/17/16,5/16,5/17/17/16,5+).
.2005 (13% vol.) - nariz austero, mineral, notas florais, acidez muito equilibrada, elegante e harmonioso, final longo e potencial para estar em forma mais uma meia dúzia de anos, gastronómico. Nota 17+ (noutras 17,5/16,5+/16/15,5/16,5/15,5/16,5/17,5/18/17/17,5+/17,5+ isto é, uma boa evolução, com uma ou outra garrafa menos interessante).
Para o bufete de sobremesas, o Juca levou um Madeira com pouca idade que surpreendeu pela sua complexidade e me baralhou totalmente (imaginei que pudesse ser um tawny com alguma idade):
.Blandy Malvasia Harvest 2004 (engarrafado em 2010) - aroma exuberante, frutos secos, notas de maracujá, untuoso, acidez q.b., elegante, boca imponente e final longo. Nota 18,5.
Mais uma boa jornada. Obrigado Juca!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Almoço com Vinhos da Madeira (6ª sessão)

Nós, os componentes deste núcleo duríssimo, somos uns privilegiados, ao termos no nosso grupo um amigo madeirense, Adelino de Sousa, possuidor de uma excelente garrafeira particular e muito chegado ao Francisco Albuquerque, o que lhe permite partilhar connosco algumas novidades e raridades.
Nesta última sessão, todos os 5 Madeiras provados foram trazidos por ele, a saber:
.Artur Barros e Sousa Verdelho 83 (engarrafado em 2012) - mais seco do que o esperado nesta casta, iodo, caril, acidez bem presente, estrutura, bom final de boca, gastronómico; uma boa surpresa e uma grande harmonia e equilibrio. Nota 18.
.Blandy Terrantez 20 Anos (sem data de engarrafamento) - frutos secos, notas de caril e citrinos, untuosidade, grande potência de boca e alguma persistência, penalizado pelo déficite de acidez; muito gastronómico. Nota 17,5 (noutra situação 17).
Estes primeiros 2 Madeiras foram bem acompanhados por salmão em salmoura (voltei a provar o Terrantez, mas com o prato de carne, e funcionou muito bem esta ligação).
.Blandy Centennial (engarrafado em 1999) - resultante de um lote com 4 castas (Cercial, Verdelho, Bual e Malvasia) - aroma muito complicado e algo desagradável (trapo molhado?), mas boca poderosa e final longo. Não lhe atribui nota.
.Blandy Bual 1969 (amostra sem rótulo, engarrafada em 2012) - frutos secos, notas de caril e brandy, vinagrinho, grande estrutura e final interminável; equilibrio e harmonia, a Madeira no seu melhor. Nota 19 (na EVS 18+).
.FEM Sercial Muito Velho (sem data de engarrafamento, estimado em cerca de 90 anos) - aroma austero, acidez alta, boca de arrasar e final interminável; a secura da casta, ao fim destes anos todos, esbateu-se. Nota 18,5+ (noutras 17,5/17+/18,5/18+).
Estes últimos 3 Madeiras foram consumidos no final do repasto, a acompanhar queijos, doce Abade de Priscos, Bolo da Madeira, pinhoadas (oferta da Natalina) e fruta.
O vinho de boas vindas foi o espumante Aliança Particular 05, simpática oferta da equipa da Enoteca de Belém, e cumpriu bem a sua função.
Os pratos de peixe (lombo de bacalhau) e carne (naco de vitela), tiveram a companhia de 3 tintos de 2005: Três Bagos Grande Escolha (trazido pelo Juca), CV (pelo Modesto) e S de Soberanas (pelo João), todos a portarem-se bem, com o CV a impor-se. Veio, ainda, o Qtª da Falorca Garrafeira 03 (mais uma simpática oferta da casa), que não cheguei a provar.
Resta dizer que a equipa da Enoteca se portou muito bem, a gastronomia em alta (a cozinha foi reforçada com a entrada do Ricardo, vindo do Populi), o serviço na sala a rolar muito bem (o Nelson regressou ao seu lugar; o Ângelo não esteve presente), apesar dos 130 copos utilizados!
Grande jornada de convívio. Obrigado amigo Adelino, pelos Madeiras!
.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Mais um evento a considerar

Patrocinada pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), vai haver uma mostra de vinhos e produtos gourmet no Convento do Beato, a decorrer no dias 30/11 e 1/12, das 15h às 21h.
Todos ao Beato e em força! As iguarias esperam por nós, enófilos miltantes!

sábado, 24 de novembro de 2012

Vinhos em família (XXXVIII)

Finalmente os tintos, embora acompanhados de um branco de outono e um Porto Colheita:
.Redoma 10 - citrinos e notas de melão, perfumadao, acidez equilibrada, madeira ainda presente, profundidade e bom final de boca; melhorou quando a temperatura subiu; vai precisar de mais algum tempo de garrafa para tudo se harmonizar. Nota 16,5+ (noutra situação 16,5).
.Poeira 06 - esta garrafa desencantou-me, nem a complexidade aromática, nem a estrutura e subtileza de outras provadas anteriormente. Nota 16,5 (noutras 18,5/16,5+/18/17,5, a denotar alguma irregularidade).
.Qtª do Crasto T.Nacional 06 - ainda com muita fruta vermelha madura, especiado, não se nota muito a casta, acidez nos mínimos, mais potente que elegante, final longo; no ponto para ser bebido, não vale a pena guardar mais. Nota 17,5.
.Qtª do Noval 07 - notas florais, acidez equilibrada, alguma rusticidade, estrutura pujante, bom final de boca; não vai melhorar, mas aguenta bem mais 9/10 anos. Nota 17,5+.
.Dalva 85 (engarrafada em 2010) - frutos secos, caril, notas de brandy, alguma acidez, estruturado, persistência; nota-se demasiado o refrescamento. Nota 17+ (noutra 18,5 de que não retive a data de engarrafamento).

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Almoço no novo Umai

Em 23/8/2011, publiquei aqui uma crónica dedicada ao restaurante Umai, onde pontifica o casal Paulo Morais e Anna Lins, que pratica uma cozinha oriental ao meu gosto. Desde há pouco tempo (2 ou 3 meses), abriram outro na Rua da Misericórdia, edifício do Hotel Mercy, mesmo em frente à Associação 25 de Abril.
Este Umai tem uma carta com uma boa selecção de vinhos a preços cordatos, muito equilibrada e uma oferta a copo mais do que suficiente. São 3 champanhes (1 a copo), 6 espumantes (2), 44 brancos (8), e 35 tintos (5), não me tendo apercebido da existência de fortificados e colheitas tardias. Um ponto a melhorar. Copos Stölzle de qualidade; a garrafa veio à mesa, o vinhos dado a provar e servida, a olho, uma boa quantidade.
Bebi um copo do branco Vale da Poupa 2011 (2,50 €) - enologia de Rui Cunha; frutado e mineral, a meio caminho entre a frescura e a untuosidade, acompanha muito bem a comida asiática. Nota 16.
Quanto à gastronomia, escolhi o menú malaio (15 €), composto por cucur badek (pastelinho de batata doce), camarão nonya, salada de peixe de Bornéu e rendang (caril de novilho com côco). Um autêntico festival de côres, aromas e sabores.Serviço profissional e simpático.
Um espaço que vale apena conhecer. Um senão: a música estava muito alta. Não havia necessidade...

sábado, 17 de novembro de 2012

O Guia 2013 do João Paulo Martins (II)

4.Os gostos do JPM
Como tenho feito no passado, vou comparar os Melhores do Ano, referentes aos 3 últimos Guias (2011/2012/2013), por tipo de vinho e região.
BRANCOS
.Espumantes - 1/0/1
.Alvarinhos   - 0/1/1
.Douro         - 2/1/2
.Dão            - 1/2/2
.Lisboa        - 0/0/3
.Bucelas       - 0/0/1
TINTOS
.Douro         - 6/5/9
.Dão            - 0/1/3
.Bairrada      - 0/0/2
.Lisboa         - 1/2/0
.Tejo            - 0/0/1
.Setúbal        - 0/0/2
.Alentejo      - 5/5/3
FORTIFICADOS
.Vintage        - 1/2/1
.LBV            - 0/0/5
.Tawny/Colh.- 5/3/3
.Madeira       - 0/1/3
.Moscatel      - 1/0/1
Como comentários, posso concluir:
a)Reconhecimento da actual qualidade dos brancos, passando a mais do dobro
b)Entradas de leão dos brancos de Lisboa e, finalmente, um Bucelas, a única região demarcada só para brancos
.c)Recuperação do Douro nos tintos, em desfavor do Alentejo
d)Ascenção do Dão e estreia da Bairrada, Tejo e Setúbal, em prejuizo de Lisboa
e)Inexpressividade do Vintage, resultante da ausência de anos de grande qualidade
f)Inclusão do LBV, mas com classificações muito abaixo dos restantes seleccionados
g)Finalmente a consolidação dos Madeiras
Em relação aos Melhores do Ano, continuo sem perceber a ausência do Aneto Grande Reserva dos 3 últimos Guias, embora tivesse sempre a mesma nota de outros que foram seleccionados. Caso idêntico, em relação ao CV e Qtª da Manoella Vinhas Velhas, em 2 anos seguidos. Serão, como já disse na crónica do ano passado, os desígnios insondáveis do JPM?  
5.Onde comprar?
Uma achega para futuras correcções e eventuais inclusões:
a)Garrafeiras encerradas:
.Lx Gourmet (já constava na minha crónica de há um ano)
.Wine & Flavours
b)Garrafeiras em Lisboa com condições para serem incluídas:
.São João (R.Reinaldo dos Santos)
.Wine Company (R.José Purificação Chaves)
Ó JPM, estas ficam em Benfica e, portanto, perto da sua casa. Pode lá dar um saltinho e constatar.
c)E fora de Lisboa:
.Grandola (Dom Nuno)
.Lamego (Sé Gourmet)
.Régua (Loja do Museu do Douro)
.Tavira (Vital, talvez a melhor oferta de vinhos de todo o Algarve)
Para fechar esta crónica que já vai longa, declaro solenemente que continuo a comprar o Guia do JPM.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Guia 2013 do João Paulo Martins (I)

1.Preliminares
Tenho a maior consideração e estima pelo JPM, identifico-me com o seu gosto e sou seu leitor desde o Guia 1995 (o 1º que publicou), ainda nem sequer sonhava que me iria profissionalizar. Prezo o seu trabalho, que chega a ser hercúleo, tantos são os vinhos que tem de provar num curto espaço de tempo.
Mas não há ninguém neste mundo do vinho que seja intocável. Apesar de fiel seguidor do JPM (tenho na minha casa todos os seus Guias, para além de outros livros por ele publicados), ficaria mal com a minha consciência se não referisse alguns aspectos do Guia de que discordo e que deveriam/poderiam ser alterados.
2.A questão da antiguidade
Na contra capa continua a afirmar-se que "Vinhos de Portugal, o mais antigo e prestigiado guia de vinhos do país, é publicado há 19 anos consecutivos e continua a ser a referência do sector vinícola, do consumidor e do bom apreciador.(...)". Eu concordo que seja o mais prestigiado, mais a mais que a concorrência foi ficando pelo caminho (João Afonso, Pedro Gomes, Rui Falcão,...), mas discordo frontalmente com a afirmação de que é o Guia mais antigo (é o chamado Guia da Comporta publicado em 1990). Ficaria correcto se a "o mais antigo" tivessem acrescentado "dos que se continuam a publicar", como já sugeri em crónica anterior. O seu a seu dono.
3.A questão do tamanho
Disse o JPM, creio que no Forum da RV, "(...) Como vai ver, o livro aumentou de tamanho, com mais 16 páginas(...) não sei onde isto vai parar (...)". O Guia, nesta edição vai com 653 páginas (e pesa 650 gramas!), quando começou com 291, em 2000 passou para 325, em 2005 para 342 e em 2010 para 419. Tem subido exponencialmente!
A ideia que se faz de um guia é que deve ser facilmente transportável e manuseável, logo não muito volumoso ou pesado. Ó JPM, tem que ser drástico e cortar nas gorduras. Os seus leitores vão comprando os seus Guias e não é necessário repetir notas de prova. Este Guia 2013 tem mais de 1000 notas de prova repetidas, o que representa cerca de 130 páginas. Se somar a isto 15 páginas de perguntas e respostas (b a bá para principiantes) e 17 de vinhos velhos ("(...) A variação de garrafa para garrafa aumenta com a idade (...) Caso esteja boa não quer isso dizer que todas estejam (...)", palavras do JPM).
E já vamos em 162 páginas de gorduras!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Jantar Quinta de Sant' Ana

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez em parceria com o Restaurante Tágide. Vista fabulosa sobre Lisboa, bons vinhos, gastronomia à altura, bons copos, temperaturas controladas e serviço profissional. O que se quer mais?
A Quinta de Sant' Ana fica em Gradil, encostada à Tapada de Mafra, num sítio improvável para grandes vinhos. Mas, no entanto, o trabalho de James Frost na viticultura e do António Maçanita na enologia deram fruto. A Quinta era pertença dos pais da Ann, de nacionalidade alemã, agora casada com o britânico James. Nela nasceram os vinhos que provámos no jantar de ontem, a saber:
.Qtª de Sant' Ana Riesling 2011 e Sauvignon Blanc 2011 - ambos austeros no nariz, frescos e elegantes, com uma acidez a prolongar-lhes a vida, mais mineral e citrino o Riesling, a pedir tempo de garrafa para se mostrar, mais estruturado e com uma componente de espargos bem evidente, o segundo. Notas 16 e 16,5. Acompanharam, respectivamente, uns tantos canapés e um tártaro de salmão.
.Q de Sant' Ana Pinot Noir 2010 - estagiou 14 meses em barricas usadas, côr não muito viva, alguma fruta, notas florais, fresco e harmonioso, taninos domesticados, estrutura e bom final de boca, em forma mais 7/8 anos; uma boa surpresa. Nota 17,5. Curiosamente este belo vinho foi desclassificado pelos burocratas da CVR Lisboa, por falta de côr (!?) e tipicidade, sendo considerado, à face da lei, um mero vinho de mesa. Haja paciência, para tanto dislate! Foi bebido com um folhado de cogumelos com faisão.
.Qtª de Sant' Ana Homenagem a Baron Gustav von Für Stenberg 2007 (o sogro) - com base nas castas Merlot e T.Nacional em partes iguais, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês - aroma vibrante, especiado, acidez equilibrada, taninos macios, profundidade e muito fino. Para beber nos próximos 6/7 anos. Nota 17,5. Servido com bochechas de porco e migas de legumes.
.Qtª de Sant' Ana Colheita Tardia (lote de 2010 e 2011) - tem um perfil nada comum aos Colheita Tardia/Late Harvest a que estamos habituados; nariz pouco expressivo, notas de maçã assada e mel, acidez evidente e gordura inexistente. Uma agradável curiosidade. Acompanhou uma belíssima sobremesa de mil folhas de azevia.
Finalmente, foi pena que a sala não tivesse ficado, na sua totalidade, por conta do jantar vínico, pois os clientes normais eram, para o meu gosto, demasiado ruidosos.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Encontro com os Vinhos e Sabores (EVS) 2012

À semelhança dos anos anteriores, marquei presença no EVS, onde estive das 12 às 18 h de 2ª feira. Só que este ano a deslocação para o Centro de Congressos foi um sofrimento, graças à senhora Merkel. Com o trânsito altamente condicionado e uma notória falta de transportes colectivos, meti-me a caminho, a pé, só chegando ao meu destino 1 hora depois de ter saído de casa. Ainda por cima os polícias estavam descoordenados e debitaram-me 3 diferentes versões para o melhor acesso. Lá cheguei, mas reconheço que é preciso muita militância para enfrentar estas contrariedades e não ter desistido dos meus intentos.
Mas não me arrependo. Frequentar este evento é mesmo obrigatório para os enófilos, militantes ou não. 197 expositores de Vinhos, 26 de Sabores, 8 de Acessórios e 9 sessões de Provas Especiais é obra. Mais uma vez os meus parabéns à Revista de Vinhos. Aproveitei, como sempre, para matar saudades de inúmeros amigos e conhecidos, fossem produtores, enólogos, antigos clientes ou fornecedores. Perdoem-me a imodéstia, mas as palavras de apreço que ouvi encheram-me o ego e justificaram plenamente a minha ida ao EVS.
Como é fácil de entender só provei uma ínfima parte dos vinhos presentes, umas largas centenas. Mesmo assim, consegui degustar uns 50, que quase me anestesiaram a boca e o nariz. E ficaram uns tantos para trás, porque estavam mal colocados, como foi o caso da José Maria da Fonseca, entre outros. Depois de ter provado Madeiras, Portos e Moscatéis, é praticamente impossivel meter à boca vinhos de mesa/consumo.
Ficaram-me na memória (a ordem é aleatória) os brancos Qtª do Regueiro Blend (um lote dos Avarinhos de 2007, 2008, 2009 e 2010), Porta dos Cavaleiros 85 (grande surpresa), Vinha de Saturno 10, Nostalgia Alvarinho 11, Uniqo Sercial 09 (um vinho muito original produzido pela Companhia das Quintas em Bucelas), Tons de Duorum 11, Altas Quintas 10, Esporão Private Selection 11, Qtª do Pinto Grande Escolha 10, Scala Coeli 10 e Fonte do Ouro Encruzado 11, os tintos Pape 08, Qtª Monte d'Oiro Syrah 24 08, Vinha Saturno 09, Grandes Quintas Reserva 09, CV 10, Herdade das Servas Vinhas Velhas 09, Duorum Vinhas Velhas Reserva 09, Qtª da Casa Amarela Grande Reserva 09, PL/LR 08 (amostra), Altas Quintas Reserva-do 05, Qtª da Leda 09, Esporão Private Selection 08, Três Bagos Grande Escolha 08, Qtª Vale Meão 10, Borges 08 (Dão), Borges 09 (Douro), Kompassus Private Selection 09, Qtª dos Frades Vinhas Velhas 08 e Tributo 10 e, ainda, os fortificados Blandy Bual 69 (amostra), Graham's Colheita 69, Burmester 40 Anos, Calém Colheita 61, Noval Colheita 37 (sublime, ou não fosse o meu ano) e Alambre 20 Anos.
E, para o ano, há mais!  

domingo, 11 de novembro de 2012

Intenções

Depois de um fim de semana alargado em Tavira, tenciono:
.Ir amanhã ao EVS 2012, se a segurança da senhora Merkel não impedir que me desloque da zona do CCB, onde resido, até ao local do encontro.
.Actualizar o blogue, prevendo as seguintes crónicas sobre:
..Rescaldo da ida ao EVS
..Guia 2013 do João Paulo Martins (JPM)
..Almoço no novo UMAI
..Jantar de Vinhos Qtª de Santana

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Reclamar, sempre! (II)

Em 24/3/2012 publiquei uma crónica intitulada "Reclamar, sempre! (I)", sobre um conflito de consumo contra a empresa representante da marca Paul & Shark. Ajudado por um advogado amigo, consegui que fosse marcado julgamento em tribunal, que só não se efectivou porque o advogado da parte contrária entrou em contacto connosco, no sentido de apresentar uma solução que nos fosse favorável.
Na crónica de hoje, irei relatar um conflito com o Estado, o qual subiu até à Provedoria de Justiça que me deu inteira razão. Desde já autorizo a utilização do despacho do Provedor-Adjunto de Justiça, caso algum dos leitores deste blogue esteja a viver um caso semelhante.
Poderá parecer algo deslocadas estas crónicas, que nada têm a haver com vinhos, mas achei alguma pertinência na sua divulgação. Se forem úteis a alguém, fico satisfeito.
Passemos, então à cronologia dos factos:
1.No início de Março de 2010, recebi uma carta da SPET (Secção de Processo Executivo de Lisboa) do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, intimando-me a pagar um determinado montante, no prazo de 30 dias, referente a dívidas de uma empresa da qual nem sequer sabia da sua existência.
2.Reclamei via e-mail, sem qualquer resultado. O SPET exigia-me que apresentasse uma certidão da referida empresa. Em vez de a terem solicitado oficial e directamente, empurraram para mim a responsabilidade de provar a minha inocência.
3.Perante tal prova de força, desloquei-me à Conservatória do Registo Comercial de Lisboa, onde obtive uma certidão da tal empresa, onde logicamente o meu nome não constava. Custou-me a certidão 19,50 €.
4.Todo este processo só foi possivel devido:
 a)À incompetência do Centro Distrital de Lisboa da S.S., ao não controlarem correctamente as dívidas da empresa em causa, nem identificarem os seus responsáveis, enviando as Certidões de Dívida para o SPET, sem qualquer controlo.
Deste facto apresentei em 27/5 reclamação escrita na Av. Afonso Costa.
b)À prepotência do SPET que, face às minhas reiteradas afirmações de inocência, não se deu ao incómodo de as averiguar.
Desta atitude também apresentei em 4/5 reclamação escrita na Praça de Londres.
5.Face à ausência de respostas válidas sobre as minhas reclamações, apresentei em 20/7, por escrito, um pedido de audiência ao Gabinete do Secretário de Estado da Segurança Social, que não se dignou a conceder-ma.
6.Após algumas insistências, em 29/11 recebi um e-mail do Departamento de Gestão da Dívida do IGFSS, o qual se limitava a "(...) lamentamos qualquer inconveniente pelo incómodo causado a V.Exª".
Quanto ao pedido de desculpas e ao ressarcimento do custo da certidão, por mim solicitados, silêncio total!
7.Em 10/2/2011, não tendo notícias nem das desculpas nem da devolução dos 19,50 €, decidi avançar com uma queixa junto da Provedoria de Justiça.
8.Em 19/10/2011, finalmente, recebi um ofício assinado pelo Provedor-Adjunto de Justiça, dando-me conhecimento do respectivo despacho enviado para o IGFSS que, a dada altura, refere "(...)No caso em apreço, a Administração demitiu-se claramente do dever de apurar e confirmar os factos alegados (...). Ao demitir-se desse dever, transferiu para o executado injustamente a necessidade de fazer prova de um facto negativo, com as inerentes dificuldades e encargos (...).
Mais, a dada altura do ofício enviado para mim, afirma "reconhecendo que não cabia a V.Exª obter a certidão comercial da empresa... e, nesse sentido, disponibilizando-se para ressarcir V.Exª do valor de € 19,50 (...)".
9.Embora não me tivesse sido feito um pedido formal de desculpas, o despacho referido é-me inteiramente favorável. Sei que, na altura, brindei com um dos frasqueiras da Blandy, mas não me lembro de qual.
Em conclusão: reclamar, sempre!

domingo, 4 de novembro de 2012

Petiscos em Lisboa (VIII)

Estive recentemete no Bar/Enoteca do Hotel Avenue (Av. Liberdade, 129), um espaço moderno onde se pode petiscar, beber um copo de vinho ou, mesmo, comprar uma garrafa. Um contra: a música demasiado alta. Era jazz que eu adoro. Mas, e se não gostasse?
A lista de vinhos é apresentada em suporte iPad (?), o que não dá para inventariar, com rigor, a respectiva oferta. Fiquei, no entanto, com a ideia que têm uma selecção criteriosa e uma boa quantidade de vinhos a copo. Mais: os copos são os apropriados, as temperaturas as adequadas (possuem armários térmicos) e os preços de acordo com aquele espaço, isto é, acima da média.
Bebi um copo do branco Churchill Estates 2011 (5,50 €) - frutado, alguma mineralidade, fresco, bom final de boca. Nota 16,5. Um senão: a garrafa é de rosca! Ó senhores produtores, então não devemos defender a rolha de cortiça? Lembro-me, a propósito, de nos tempos das CAV ter deixado de comprar o rosé da Churchill por idêntico motivo. E isto apesar da amizade que tínhamos com a responsável da área comercial/marketing.
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar e a quantidade, servida a olho, generosa. Serviço profissional e simpático.
Quanto a comeres escolhi alguns petiscos/entradas: peixinhos da horta com maionese de coentros (3 €), choquinhos em tempura com aioli de caril (4 €) e moelas de pato confitadas com cerveja, tomate e gindungo (6 €), servidas em boas doses. Ao almoço a oferta de petiscos/entradas é algo reduzida, o que não se compreende, pois ao jantar é praticamente o dobro.
Para terminar, uma nota simpática: a chefe Marlene Vieira veio à mesa para se inteirar se estava tudo ao meu gosto, o que raramente acontece noutros espaços de restauração.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Jantar Herdade dos Grous

Mais uma parceria da garrafeira Nectar das Avenidas com o restaurante As Colunas, desta vez com a Herdade dos Grous, que esteve representada pelo enólogo residente, Pedro Ribeiro, muito seguro a explicar as características de cada vinho. Estava acompanhado por um elemento da Prime Drinks, empresa distribuidora.
Os vinhos apresentados, todos com uma qualidade acima da média, foram:
.Colheita 2011 - com base nas castas Antão Vaz (50 %), Arinto e Roupeiro; nariz discreto, alguma fruta, notas florais, muito fresco, estrutura e final médios; um branco para todo o ano. Nota 16+. Ligou bem com os pastéis de massa tenra (excelentes!) e o requeijão de Seia.
.Reserva 2010 - a partir de Antão Vaz, Verdelho e Viognier, estagiou 6 a 8 meses em barricas novas de carvalho francês; mais complexo e aromático que o anterior, madeira bem casada com a fruta, boa acidez, alguma gordura, mas menos pesado do que as colheitas anteriores; claramente um branco de outono/inverno; dois reparos: o excesso de graduação alcoólica, 14,5 % vol (não havia necessidade...) e, por outro lado, a diferença de qualidade para o colheita não justifica a diferença de preço. Nota 16,5. Acompanhou uma massada de garoupa com gambas.
.Colheita tinto 2010 - com base  em Aragonês, Syrah, Alicante Bouschet e T.Nacional, estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês; nariz exuberante, fruta vermelha, fresco, algo rústico, taninos bem presentes; para beber em novo. Nota 16.
.23 Barricas 2010 - vinificado apenas com T.Nacional e Syrah, estagiou 12 meses (?) em carvalho francês; mais complexo que o colheita, especiado, notas de tabaco, acidez equilibrada, taninos presentes mas aveludados, bom final de boca; tem perfil para estar em forma mais meia dúzia de anos. Nota 17,5. Estes 2 tintos foram bem acompanhados por uma perna de porco preto no forno com grelos salteados.
.Reserva 2009 - a partir de Alicante Bouschet, Tinta Miúda e T. Nacional, esteve 16 meses em barricas novas de carvalho francês; ainda com muita fruta, notas de chocolate preto e couro, acidez no ponto, taninos ainda por domesticar; estrutura e final persistente; mais 2 reparos: teor alcoólico algo excessivo (15 % vol) e a diferença de qualidade para o 23 Barricas não justifica a diferença de preço. Nota 17,5+. Bebido a solo.
A sobremesa, que não apreciei, não teve companhia. Palpita-me que , com outra sobremesa (queijo, por exemplo), o reserva branco teria uma boa prestação.
Nota final: a Joana, mais uma vez, esteve incansável!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Matar saudades no Ritz

A convite da Decante Vinhos, com a qual e seus colaboradores mantive as melhores relações pessoais e profissionais, passei pelo Ritz para matar saudades de alguns produtores e enólogos, que já não via há algum tempo, nomeadamente o Álvaro de Castro, Jorge Moreira, Sophia Berqvist, Rui Cunha, Filipa Pato, Pedro Araújo, Luis Cerdeira, Nuno Malta (Qtª do Zambujeiro), um dos irmãos Moreira (Seara d' Ordens), entre outros.
E, claro, também aproveitei para provar alguns vinhos. Destaco (a ordem é a da prova) os brancos Soalheiro 1ª Vinhas 11, Primus 10, Gurú 11, Nossa Calcário 11 e Qtª do Ameal Escolha 11 e os tintos Poeira 09, Vale da Poupa Vinhas Velhas 09, Talentus Grande Escolha 10 (grande surpresa), Qtª Pellada 08, Qtª Manoella Vinhas Velhas 10, Nossa Calcário 10 e Zambujeiro 07. A terminar, um curioso e inesperado Porto Branco Krohn 64. E, para o ano, há mais...

domingo, 28 de outubro de 2012

Vinhos em família (XXXVII)

Mais uma série de brancos, alguns de se lhes tirar o chapéu, alguns provados quando o tempo ainda estava quente. Apenas 1 destoou:
 .Qtª do Ferrão Chardonnay 10 - é um branco bairradino, para mim completamente desconhecido, uma desilusão completa; excesso de madeira, chato na boca, déficite de acidez, final adocicado. Nota 12. Provado no Café Restaurante Guarany (Av. Aliados, Porto).
 .Basília 11 - produzido por Qtª Basília do Todão (Douro), responsabilidade enológica do João Brito e Cunha; com base nas castas Viosinho e Rabigato, esteve 5 meses em cuba, em contacto com as borras finas; presença de citrinos, alguma frescura e mineralidade, estrutura e final médios; parecido com tantos outros. Esperava mais. Nota 15.
 .Qtª das Bageiras Garrafeira 09 - com base nas castas Maria Gomes e Bical, fermentou em toneis de madeira avinhada; todo ele de grande complexidade, alguma fruta madura, notas minerais, acidez equilibrada, madeira bem inserida no conjunto, estruturado e final longo. Um dos mais interessantes brancos portugueses e em forma mais 5/6 anos. Nota 18 (noutra situação 17,5+).
 .Catarina 11 - mais fresco do que colheitas anteriores, madeira discreta e muito bem casada, alguma estrutura, final curto, gastronómico; excelente relação preço/qualidade, é sempre uma boa escolha na restauração. Nota 17. Bebido no restaurante Can the Can (Terreiro do Paço, Lisboa).
.Morgado Stª Catherina 10 - um belo arinto de Bucelas, estagiado 10 meses em carvalho francês; nariz afirmativo, notas cítricas e florais, equilíbrio da acidez com a untuosidade, madeira discreta e bem inserida, profundidade e final extenso, harmonia total; mais meia dúzia de anos em forma; uma das marcas da minha preferência e incluído, acho que pela primeira vez, nos melhores do ano, pelo João Paulo Martins. Nota 17,5+.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O rescaldo do Lisboa Restaurant Week (LRW)

Embora com um atraso de cerca de 1 mês, vou referir nesta crónica as minhas impressões do último LRW. Restaurantes visitados, onde já não ia há alguns anos: Vela Latina (V), Tágide (T) e Colares Velho (C).
1.O ambiente
.V - decoração sóbria, estilo clássico "very british", luminosidade em fartura à conta de duas paredes envidraçadas
.T - simpático, requintado, acolhedor e uma vista espectacular
.C - intimista, adaptado de uma antiga mercearia, conserva os antigos armários, estilo rústico e um tanto "kitsh"
2.O menú
.V - couvert (vários tipos de pão de qualidade, azeite, queijo fresco e salmão fumado), creme aveludado de santola (excelente), fígados de aves em tarte de maçã (alternativa: bacalhau com migas de pão de milho) e tiramisú com Pedro Ximenez; chefe...?
.T - couvert (pão, azeite e azeitonas), capuccino de couve flor com salmão fumado, bochechas de porco preto com especiarias e esparregado (ou: polvinhos em carnaroli de Alcácer do Sal cremoso) e gaspacho de frutos vermelhos com gelado de natas (ou: bolo de bolacha, gelado de wassabi, frutos secos com chocolate quente); chefe Luis Santos
.C - couvert (pão de forma saloio, manteiga com ervas, azeitonas, saladinha de tomate com oregãos e tostinha com sabores terra e mar), croquetes de alheira com salada biológica, molho de iogurte e hortelã, bacalhau à Zé do Pipo com puré de batata, aipo e lâminas de maçã de Colares e, ainda, pastel de nata com gelado de canela; queijadinhas de amêndoa com o café; chefe Frederico Ferreira (usa boina à Chakal)
3.A carta de vinhos
.V - carta organizada por preços e algo confusa, desequilibrada, com boas ofertas, mas demasiado clássica (faltam as novidades e os vinhos da moda), ausência de generosos, preços altos (alguns demenciais), mas tudo datado; oferta diminuta de vinhos a copo
.T - oferta alargada e criteriosa, com 5 espumantes (3 a copo), 7 champanhes, 28 brancos (6), 3 rosés (1), 29 tintos (7), 2 colheita tardia, 1 Madeira, 2 moscatéis e 8 Porto (todos a copo); tudo datado e preços altos
.C - selecção média sem grandes rasgos, com 3 espumantes (2 a copo), 7 champanhes (1), 26 brancos (3), 20 tintos (5), mais 14 tintos a que chamam "da cave"; tudo datado, preços acima da média
4.Serviço de vinhos
.V - bebeu-se Cartuxa 2010 branco - notas de citrinos e melão, untuoso, mas com boa acidez, madeira ainda a marcar o vinho, alguma profundidade (Nota 16,5+); a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar; custou 5 € servido em bom copo Schott, quantidade servida a olho
.T - escolheu-se o tinto Qtª La Rosa 2009 - algo verde e rústico, está demasiado novo e precisa de tempo de garrafa ( o meu palato já não está habituado a provar vinhos tão novos) (Nota 15); serviço profissional, servido num bom copo, quantidade a olho, temperatura correcta (o restaurante possui armários térmicos); custou 5,50 €
.C - avançou o branco Casal da Azenha, lote de 2008 - vinho austero e original, mostrou personalidade, acidez equilibrada, estrutura e deveras gastronómico; uma boa surpresa, este Colares (Nota 16,5); a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar, custou 5 €, copo aceitável, quantidade servida a olho
5.Os preços e os postais
A refeição custava 20 €, sendo 1 € doado a causas sociais. Só o V é que facturou 19 €, tendo 1 € sido pago à parte. Era pressuposto que, no final de cada refeição, o restaurante entregasse a cada cliente um postal comprovativo. Aliás, pode ler-se "(...) Por isso leve este postal. Só desta forma garante o seu contributo a favor das instituções beneficiárias."  E aconteceu assim?  Não, apenas o Vela Latina entregou os 2 postais, enquanto que o Colares Velho entregou apenas 1 e o Tágide nenhum!
Nenhum dos 3 restaurantes cobrou couvert, o que acho correcto (no passado houve um ou outro que cobraram).
Água: 2 € no V e no C e 2,80 no T
Café: 1,75 € no V, 2;80 no T e 1 no C (grandes discrepâncias!)
6.A fechar
De um modo geral correu tudo bem, o que me motiva a estar presente no próximo LRW. Apenas uma nota menos simpática: enquanto estivemos no Colares Velho, a dona(?) esteve sentada numa mesa em grande conversa com 2 clientes, ignorando ostensivamente os restantes. Não havia necessidade...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Novo Formato+ (8ª sessão)

Este núcleo duro que dá pelo nome de Novo Formato+, continua a reunir-se. Esta 8ª sessão decorreu, da melhor maneira, chez João Quintela/Paula Costa. Os vinhos provados, 1 espumante, 3 brancos de 2010, 2 tintos de 2008 e 1 fortificado, eram da garrafeira do João. Os comeres estavam 5 estrelas, ou não fossem eles gourmets militantes. Tirando o espumante Vinha Formal 08, que se portou à altura, os restantes vinhos foram provados às cegas, como é habitual. E eles foram:
.Projectos Niepoort Colheita Tardia 03 - garrafa nº 912 de 1002; fermentação e estágio em inox; 11,5 % vol; não tem o perfil habitual de um colheita tardia, nariz austero, déficite de gordura, acidez no ponto, corpo e final médios. Nota 14,5 (noutras situações 15/16/14). Não se aguentou com os patés. Melhor se bebido sem nada, antes de iniciado o repasto.
.Esporão Private Selection  - estagiou 6 meses em carvalho francês; inicialmente fechado, foi abrindo ao longo do almoço, notas minerais, uma boa acidez, fresco e gordo em simultâneo, equilibrado e elegante; ligou muito bem com a comida. Uns furos acima dos últimos provados por mim. Nota 17,5+ (noutra situação 16).
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas - aroma exuberante, notas tropicais, abaunilhado, acidez equilibrada, estrutura e bom final de boca; no entanto, o adocicado não permitiu uma melhor ligação gastronómica. Nota 17,5 (noutras 17,5+/17,5+/17,5/18) .
.Meruge - estagiou em barricas de carvalho português, que o marcaram excessivamente; nariz muito afirmativo, notas florais, profundidade e persistência; gastronómico, vai melhorar com mais algum tempo de garrafa. Nota 17 (noutra 17).
Estes 3 brancos acompanharam umas excelentes empadas de bacalhau e de galinha com cogumelos.
.PL/LR (amostra de casco) - proveniente de uma parceria da Laura Regueiro com o Paulo Laureano; muita fruta, acidez evidente, taninos espigados e final longo. Nota 17.
.Aalto - vinificado a partir de vinhas velhas, estagiou 23 meses em barrica; mais floral, fresco, taninos ainda não domados, algo agressivos, estruturado, final longo; esteve abaixo de outra garrafa provada há cerca de 6 meses (estará na idade do armário?). Nota 17,5 (noutra 18).
Qualquer destes 2 tintos, a precisar de tempo de garrafa, acompanharam um saboroso coelho na púcara(?).
.Bastardinho 30 Anos - presença de citrinos e frutos secos, boa acidez, taninos suaves e final longo; já tenho provado outras garrafas com maior complexidade. Nota 16,5+ (noutras 17,5/17,5/17/18,5).
Mais uma boa sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado João! Obrigado Paula!

domingo, 21 de outubro de 2012

Grupo dos 3 (25ª sessão)

Mais uma sessão deste núcleo durísimo, com vinhos da minha garrafeira e num espaço escolhido por mim, o Tágide Wine & Tapas Bar, sito no Largo da Academia Nacional de Belas Artes, do qual já dei notícia em 10/5/2012 ("Uma volta pelo Chiado (III)"). O serviço de vinhos, a cargo do responsável do restaurante Tágide, António Roquete de seu nome, foi impecável e muito profissional. A gastronomia, com pratos mais interessantes (fabulosa a sobremesa!) e outros menos, esteve a cargo do chefe Luis Santos.
Começámos por um colheita tardia e acabámos com um moscatel de eleição. Pelo meio, apreciámos 2 tintos de respeito do ano de 2004, considerada a colheita da década, sendo um do Douro e o outro do Alentejo, todos provados às cegas. Vejamos, então:
.Grandjó Late Harvest 07 - aroma intenso, citrinos bem presentes, gordura, estrutura e profundidade, final extenso; se tivesse um pouco mais de acidez, dava o salto para outro patamar. Mesmo assim, nota 17,5. Acompanhou uma terrina de fígados de aves, com pêra rocha e pistachios. Antes de virem os 2 tintos, devidamente decantados, foi servido um sorbet de limão com limoncello, para limpar o palato.
.Zambujeiro - côr muito viva, especiado, notas de tabaco e chocolate preto, acidez no ponto, taninos robustos mas não agressivos, estrutura e final muito longo; estará, neste momento, no pico da forma (em novo é praticamente imbebível), mas aguenta bem mais 5/6 anos. Quem diz que não há alentejanos de guarda? Sempre apreciei esta marca, mas acho que tem passado ao lado dos enófilos e outros consumidores. Nota 18,5 (noutras situações 18,5/18,5/18+/18,5 o que é uma regularidade impressionanate).
.Charme - côr mais aberta, aroma mais discreto, acidez bem presente, elegância, equilibrio e harmonia ao estilo da Borgonha, final longo; vai aguentar seguramente mais 7/8 anos a beber com prazer. Nota 18 (noutras 18/17/17+/16,5/16,5/18,5 o que denota alguma irregularidade). Os 2 tintos beberam-se com um lombo de bacalhau confitado em azeite extra virgem com aromas de caldeirada e um magret de pato com escargots, beterraba e esparregado de espinafres.
.Trilogia - um grande moscatel da José Maria da Fonseca, resultante de um lote de vinhos de 1900, 1934 e 1965, nariz exuberante, notas de laranja, presença de frutos secos e caril, acidez evidente, boca poderosa e final interminável. A levar para uma ilha deserta! Nota 19 (noutras 18,5/19). Foi lindamente com um mil folhas de azevia, que esteve à altura do desafio. Finalmente, com o chefe Luis Santos e o António Roquette sentados na nossa mesa, acabámos o almoço com um belo gelado de mel e nozes.
Mais uma boa sessão, com um lote de vinhos de se lhes tirar o chapéu!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Jantar Qtª Roques/Qtª Maias

Mais um jantar resultante da parceria da Garrafeira Néctar das Avenidas com o restaurante Assinatura, o qual contou com a presença do produtor, Luis Lourenço. Mas, desta vez, o antigo núcleo duro das CAV não estava em maioria.
Na minha opinião foi um dos jantares vínicos mais bem conseguidos: um menú de degustação fabuloso, resultado da inspiração do Henrique Mouro, ou seja, um festival de sabores, acompanhado por 1 espumante, 2 brancos e 3 tintos. Foram estes últimos que se impuseram, não ficando nem o espumante nem os brancos na minha memória. Descodificando:
.Espumante Qtª Roques 10 Rosé - bebido antes do jantar, achei-o pouco sofisticado e algo pesado, a pedir comida mais consistente. Nota 15. Acompanhou camarão salteado com caviar de beringela.
.Qtª Maias Malvasia Fina 11 - 10 % fermentado em barrica, para lhe dar volume; exuberância aromática, notas apetroladas, alguma agressividade na boca; a casta, isolada, é pouco interessante, mas melhora em lote. Nota 15,5. Bebeu-se com creme de espargos e saladinha de berbigão; prato bem conseguido, mas a saber a pouco...
.Qtª Roques Encruzado 11 - 65 % fermentou em barricas e carvalho francês, o restante em inox; austero no nariz, notas minerais, alguma estrutura de boca, gastronómico, mas prejudicado pelo protagonismo da madeira; precisa de tempo de garrafa. Nota 15,5+. Fez-lhe companhia um belíssimo polvo fumado com puré de maçã.
.Qtª Maias Jaen 08 - notas florais, elegante, boa acidez, taninos ainda espigados, bom final de boca, precisa de tempo para tudo se harmonizar. Nota 17,5. Bebido com uma excelente brandade de bacalhau com queijo terrincho e figo. No entanto, para o meu gosto, a maridagem não foi muito feliz. Talvez daqui por mais 5/6 anos.
.Qtª Roques T.Nacional 10 - nariz exuberante, ainda mais floral do que o anterior, sofisticado e harmonioso,  taninos finos, madeira bem integrada, final muito longo; grande potencial, bebível desde já e nos próximos 10/12 anos. Nota 18. Acompanhou uma perdiz com nabos, maçãs e castanhas.
.Qtª Roques Garrafeira 03 - a surpresa da noite, mais a mais com origem num ano complicado; ainda cheio de côr e saúde, aromas e fruta, excelente acidez, taninos vigorosos e final longo; em forma mais 9/10 anos. Nota 18+. Infelizmente, não ligou mesmo nada com a sobremesa, um pudim de pão flamejado em absinto. Um tawny velho vinha mesmo a calhar.
Em conclusão, mais uma boa sessão de comeres e beberes, com o chefe inspirado e os tintos a darem muito boa conta de si. Apenas um reparo: não foi posta nas mesas a ementa habitual, a que já nos habituámos. Um corte no orçamento?

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Lembrando o 10º aniversário das Coisas do Arco do Vinho (3ª parte)

Nesta 3ª e última parte da crónica sobre as comemorações do 10º aniversário das CAV, vou relembrar o jantar regado com raridades oferecidas pelo amigo Adelino de Sousa e, ainda, tecer algumas considerações sobre a brochura alusiva à efeméride.
1.Embora não da nossa iniciativa, o jantar com vinhos do Adelino de Sousa foi, em termos cronológicos, o primeiro evento das comemorações, pois teve lugar antes da prova e do jantar organizados por nós. Sobre o referido evento, nada melhor do que dar a palavra ao Duarte Calvão, na altura jornalista do Diário de Notícias e grande apreciador de vinhos fortificados. Escreveu ele na edição de 16 de Setembro de 2006, página Boa Vida, com o feliz e oportuno título "Uma celebração do vinho e da amizade": "Há dez anos, dois sexagenários reformaram-se, mas, em vez de irem jogar dominó para o jardim, decidiram envolver-se numa actividade de risco: abrir uma loja de vinhos direccionada para enófilos exigentes. Os hoje septuagenários Francisco Barão da Cunha e José Oliveira Azevedo, donos e mentores da Coisas do Arco do Vinho, no Centro Cultural de Belém, são actualmente duas figuras de referência para enófilos, produtores, enólogos e até outros comerciantes, tendo encontrado muitos novos amigos numa fase da vida em que isso raramente acontece. Um desses amigos é o advogado Adelino de Sousa, dono de uma colecção de mais de três mil garrafas (...) à base de portos, moscateis e madeiras (...). Pois ele teve a boa ideia de promover um jantar comemorativo dos dez anos, em que homenageou os seus dois amigos (...)".
Para memória futura, os vinhos do convívio foram: Artur Barros e Sousa Verdelho 1965, Fonseca Vintage 1970 (em magnum), Warre Colheita 1935 (o ano do Juca), Ramos Pinto Colheita 1937 (o meu ano), Terrantez Colecção Particular 1842, Terrantez Adega do Torreão 1870 e 1906, Terrantez Favila Vieira 1900, Campanário Boal 1896 e Qtª da Consolação Malvasia 1907. Um conjunto de raridades que só se bebe uma vez na vida!
2.Finalmente a brochura comemorativa, com o sugestivo título "10 Anos a Brindar às Coisas Boas do Vinho", sendo de toda a justiça referir que isto só  foi possível graças ao empenho pessoal do meu filho Bruno, profissional na área da publicidade (copy). Também é de realçar o contributo do nosso amigo e cliente António Barreto, ao aceitar escrever a respectiva introdução. São dele estas palavras: "(...) Comemoram este ano o seu 10º aniversário. Ou antes, comemoramos...Tanto estão eles de parabéns, que fizeram obra, como nós, que dela beneficiamos. Este Arco deu o seu contributo para uma nova realidade portuguesa : saber e gostar de beber vinho (...)". Alem da introdução, a brochura desdobra-se em:
.A bem do vinho, uma estratégia bem delineada
.A inauguração, um dia para recordar
.A primeira crónica (sobre as CAV, entenda-se, cujo autor foi o David Lopes Ramos)
.O discurso do 1º Aniversário
.Os vinhos 10 anos depois
.A atenção da Comunicação Social
.Depoimentos de clientes e amigos
.Os eventos: jantares, provas e visitas
.Painéis de prova cega: quem participou?
Também, para memória futura, aqui ficam os nomes de pessoas ligadas ao vinho que nos enviaram um depoimento, a tempo e horas (ficaram uns tantos por publicar e outros tantos por enviar, mas já não podiamos esperar mais): Dirk e Verena Niepoort, Cristiano van Zeller (Qtª Vale D.Maria), Filipa e Luis Pato, Maria Emília Campos (Churchill), Tomás e Miguel Roquette (Qtª do Crasto), Olga Martins (Lavradores e Feitoria), Ricardo Nicolau de Almeida (Vinicom), António Torres (Symington), Pedro Araújo (Qtª do Ameal), Francisco Ferreira (Qtª do Vallado), António Saramago, Rui Reguinga, Rui Cunha, Francisco Olazabal (Qtª Vale Meão), Carlos Campolargo, Paulo Laureano, Nuno Cancela de Abreu, Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges, Laura Regueiro (Qtª da Casa Amarela), João Matos (VDS-Vinhos do Douro Superior), Manuel Vieira (Sogrape), Maria e Álvaro de Castro (Qtª da Pellada), José Mendonça (Qtª dos Cozinheiros, entretanto falecido), Pedro Carvalho (Casa Santa Eufémia) e Anselmo Mendes.

domingo, 14 de outubro de 2012

Lembrando o 10º aniversário das Coisas do Arco do Vinho (2ª parte)

Enunciadas as nossas intenções, vejamos o que correu bem e o que correu mal.
1.Começo pela carta dirigida ao presidente do CCB, António Mega Ferreira, nunca respondida, apesar das inúmeras insistências e recados da nossa parte. Perdeu-se uma oportunidade única de se organizar uma grande exposição de artes plásticas, cujo tema seria a vinha e o vinho. Para além dos já mencionados cartazes da Ramos-Pinto e rótulos do Esporão, contávamos também, entre outros, com alguns pintores naif de nomeada, com a Luisa Caetano, que tinha trabalhado com o meu sócio. A atitude do presidente do CCB, já alvo da crónica "Um desabafo 5 anos depois", publicada em 17/1/2011, roça a má educação. Uma má acção fica com quem a praticou.
2.A prova na loja foi um êxito, não só pela presença do enólogo António Saramago e o produtor do Hero da Machoca, Artur Oliveira de seu nome, como também pela expectativa criada pela apresentação nacional do CARM BOCA 2004, com a presença do Rui Madeira e João Matos, enólogos desta última empresa  produtora . Como já referi na 1ª parte, o lote final foi construido por nós e aprovado na sequência de uma prova às cegas com outros lotes alternativos, realizada em Almendra. Tanto o Juca como eu apostámos no vencedor. O BOCA esgotou rapidamente e foi o vinho mais vendido, no decorrer dos 13 anos e meio em que fomos os responsáveis pelas CAV. Resta dizer que tem evoluido muito bem e estará, neste momento, no pico da qualidade. Tem sido posto à prova em confronto com alguns dos melhores vinhos do Douro e sempre se portou à altura. Sortudos aqueles que acreditaram e o compraram  mal foi posto à venda.
3.O jantar foi outro êxito. Ao contar com mais de 200 participantes, deve ter batido o recorde de presenças em eventos deste tipo realizados em Portugal, reunindo muitos amigos e clientes das CAV e uma série de convidados, onde se encontravam algumas figuras públicas, ligadas à cultura. Lembro-me do António Barreto, António Pedro Vasconcellos e Sérgio Godinho. Também as revistas especializadas e algumas generalistas se fizeram representar. Se a memória não me atraiçoa, estiveram presentes a Revista de Vinhos (João Paulo Martins), Wine (Rui Falcão), Escanção (Santos Mota), Epicur (Eduardo Miragaia), Diário de Notícias/Boa Vida (Duarte Calvão), Público/Fugas (O saudoso David Lopes Ramos), Expresso (Maria João Almeida) e A Hora e Baco (José Silva).
Este jantar não teria sido possível sem o apoio dos nossos amigos Álvaro de Castro (que esteve connosco) e Dirk Niepoort (na altura no estrangeiro, fez-se representar pela sua irmã Verena Niepoort e pelo José Teles, director geral da empresa). E é de inteira justiça, nomear aqui o empenho do António Mesquita (responsável pel' A Commenda e outros espaços de restauração no CCB) e respectiva equipa, que muito contribuiram para que tudo corresse o melhor possível.
E o que bebemos neste jantar do 10º aniversário? Por ordem de chegada à mesa : Niepoort Dry White, Tiara 2005, Redoma e Dado 2004, Pape e Qtª da Pellada 2005, Niepoort LBV 2001 e Niepoort Colheita 1996, este último especialmente engarrafado para esta efeméride.
A crónica vai longa, mas deixo para uma 3ª parte o jantar com vinhos da Madeira, oferecidos pelo nosso amigo Adelino De Sousa e algo relativo à brochura comemorativa do 10º aniversário.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Lembrando o 10º aniversário das Coisas do Arco do Vinho (1ª parte)

Teria sido mais oportuno ter escrito esta crónica precisamente no dia 27 de Setembro, data da inauguração das CAV. Mas não consegui, pois estava de partida para  Douro, a convite da Qtª do Crasto, como já relatei. Mas, como mais vale tarde do que nunca, irei lembrar as comemorações do 10º aniversário da loja, que tiveram algum impacto no mundo do vinho.
Após longas reflexões e troca de opiniões com alguns amigos, acordámos (o Juca e eu):
1.solicitar o apoio do CCB, para a realização de uma exposição de artes plásticas, cujo tema seria a vinha e o vinho (entre outros, lembrámo-nos dos cartazes da Ramos-Pinto e dos rótulos da Herdade do Esporão);
2.organizar um jantar de vinhos, convidando algumas figuras públicas apoiantes do nosso projecto e, ainda, a imprensa especializada e também alguma generalista; por cortesia incluimos o presidente do CCB, dr. António Mega Ferreira, com convidado de honra;
3.solicitar o apoio e presença neste jantar, dos produtores Álvaro de Castro e Dirk Niepoort, amigos desde a 1ª hora;
4."fabricar" um tinto, a partir de vinhos base da colheita de 2004, do produtor CARM, cujo lote final seria da nossa responsabilidade e baptisá-lo de BOCA (anagrama das iniciais dos nossos nomes: Barão/Oliveira/Cunha/Azevedo)
5.organizar uma prova de vinhos, aberta, onde seriam apresentados o BOCA e um lote especial do Hero da Machoca Grande Escolha 2001, engarrafado expressamente para nós, por proposta do produtor (Artur Oliveira) e do enólogo (António Saramago);
6.elaborar uma brochura comemorativa, que seria um balanço das nossas actividades, ao longo de 10 anos, e que incluiria uma série de depoimentos de amigos, produtores e enólogos;
7.convidar o nosso cliente e amigo dr. António Barreto, para escrever  o respectivo prefácio.
Na 2ª parte desta crónica, a publicar na próxima semana, darei notícia de como correram todas estas actividades acima referidas e consequentes alegrias e tristezas, por nós vividas.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Assim se vê a força da TV !

Mais uma história passada no tempo das CAV, para partilhar com os leitores deste blogue. A loja sempre foi muito procurada por jornalistas de vinhos que nos pediam emprestados alguns dos produtos que comercializávamos (vinhos, livros e, muito especialmente, acessórios para o serviço do vinho), para ilustrarem as crónicas que publicavam não só nas revistas especializadas, com também nas generalistas. Foi o caso do José Salvador, João Paulo Martins, Duarte Calvão, Manuel Gonçalves da Silva, Vasco d'Avillez, entre outros menos conhecidos. Cedíamos com todo o gosto os produtos solicitados, com uma condição: uma referência às CAV e indicação do preço de venda.
Um dos pedidos foi do Manuel Gonçalves da Silva (MGS), na altura cronista de vinhos na revista Exame (está agora na Visão, mas mais virado para a gastronomia), que nos solicitou uma série de garrafas de champanhe, para ilustrar um artigo a sair antes do Natal de um ano que já não recordo. Entretanto a crónica foi publicada, mas a referência às CAV ficou na tipografia. Perante a nossa decepção, o MGS teve uma ideia genial e saíu por cima. Propôs à Maria Elisa a nossa presença num programa sobre o vinho a ir para o ar no canal 1 da RTP, sugerindo que levássemos alguns dos acessórios mais emblemáticos. E assim fizémos.
Acabei por ser eu a dar a cara pelas CAV e a fazer uma pequena demonstração com um saca rolhas de alavanca Screwpull, na altura ainda pouco conhecido.
Foi um êxito e, no dia seguinte, quando chegámos à loja, já havia "bicha" á porta. A própria Maria Elisa também apareceu. Como resultado, a existência daquele tipo de saca rolhas ficou a zero. Assim se vê a força da TV!

domingo, 7 de outubro de 2012

O novo Terreiro do Paço revisitado

Algum tempo depois de ter visitado o Populi (crónica de 29/7) e o Can the Can (30/8), revisitei-os, não só porque tinha apreciado aqueles espaços, como também para me inteirar se os meus reparos não tinham caído em saco roto.
O Can the Can continua com uma oferta gastronómica original e a confeccionar bem os pratos com base em conservas. Quanto à carta de vinhos e serviço de vinhos a copo, está tudo na mesma, isto é, mal. Mesmo todo o serviço, de um modo geral, é atrapalhado e pouco simpático. Cartão amarelo!
Quanto ao Populi, com uma oferta gastronómica menos interessante, continua na mesma, apesar da aposta forte (falhada) no sector dos vinhos. Escrevi na crónica acima referida que "Tenciono voltar e recomendo-o sem reservas, esperando que os aspectos menos positivos já se encontrem resolvidos". Afinal a carta continua sem os anos de colheita e os vinhos a copo já vêm servidos, sem que seja dada a oportunidade ao cliente de provar o vinho ou, no mínimo, ver a garrafa. Mais ainda, a única pessoa que percebia alguma coisa de vinhos, já se foi embora, não chegando a aquecer o lugar. Cartão vermelho!

sábado, 6 de outubro de 2012

Rescaldo da ida ao Norte (VII)

Para terminar a incursão em terras nortenhas, um salto a Melgaço, onde a casta Alvarinho é rainha. Abancámos no restaurante Foral de Melgaço, pertencente ao Hotel Monte do Prado. Sala ampla, moderna, luminosa, mesas bem aparelhadas, um grande terraço com esplanada e um meio envolvente de se lhe tirar o chapéu.
A lista de vinhos tem uma oferta excepcional de referências da Região de Vinhos Verdes, com especial incidência nos Alvarinhos, todos a preços muito aceitáveis. São 17 Alvarinhos, 9 brancos, 2 tintos, 5 espumantes e 2 aguardentes desta região. Acresce ainda uma boa oferta de champanhes, espumantes de outras regiões e 6 fortificados (3 Portos, 2 Madeiras e 1 Moscatel). Tem, ainda, brancos e tintos de outras regiões. O ponto fraco desta lista é a diminuta oferta de vinhos do Douro, que deveria merecer uma melhor atenção por parte dos responsáveis do restaurante.
A copo, pode-se escolher entre meia dúzia de referências, sendo os preços condizentes com a quantidade solicitada, 3, 6 ou 12 cl !? (confesso que não percebi bem a intenção desta diversidade). Nos vinhos a copo, a temperatura e quantidade são controladas por um equipamento tipo Enomatic (não fixei a marca). Paradoxalmente, não têm armários térmicos para controlo das temperaturas dos vinhos que se vendam à garrafa.
Bebeu-se o Qtª do Regueiro Reserva Alvarinho 2011 - fruta exuberante com notas e citrino e tropicais, mineral, belíssima acidez, estrutura e final de boca ligeiramente adocicado; o melhor elogio que lhe posso fazer é que não fica a perder com o Soalheiro. Nota 17,5. Este produtor engarrafou em 2006 um Alvarinho estagiado em madeira, situação esta que o responsável pelos vinhos ignorava e que nos levou a uma civilizada discussão.
Estou a chegar ao fim da crónica e ainda não referi a parte gastronómica. Comemos um delicioso "Polvo da Feira".
Quem for para aqueles lados, é obrigatório conhecer o Foral de Melgaço e/ou o Monte do Prado.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A Qtª do Crasto, a Blogosfera e a Bo Derek (II)

Continuando a crónica anterior...
4.A prova
Em ambiente recatado foram provados 8 vinhos, 1 branco e 7 tintos, sendo 3 da colheita de 2010 e estando os restantes já fora do mercado. De salientar que, no meu entender:
.a grande surpresa da prova foi o branco, a ter uma evolução surpreendente
.o teor alcoólico subiu acentuadamente das colheitas mais antigas, com excepção do Tinta Roriz, para a mais recente, passando dos 12 a 13 % vol. para os actuais 14 % vol.
.o mais velho deste painel (Reserva 94) ainda está cheio de saúde
Vejamos, então, as minhas impressões em versão telegráfica:
.Crasto 07 Branco (12,5 % vol.) - fruta madura, notas abaunilhadas, boa acidez, estruturado e equilibrado; evoluiu muito bem e está no ponto para ser consumido, mas aguenta mais 3/4 anos. Nota 17,5 (noutra situação 15,5+).
.Qtª do Crasto 98 (12,5 % vol.) - engarrafado em Junho 99, com base nas castas T.Roriz (30 %), T.Barroca (20 %) e T.Nacional (50 %); nuances atijoladas, aromas terciários, boca delicada, está na curva descendente; a despachar rapidamente. Nota 12,5.
.Qtª do Crasto T.Nacional 96 (12 % vol.) - engarrafado em Novembro 97, estagiou 1 ano em barricas de carvalho francês; côr ainda viva, especiado, chocolate preto, notas florais, acidez no ponto, elegante e equilibrado, taninos macios e bom final. Nota 17.
.Qtª do Crasto Reserva 94 (13 % vol.) - engarrafado em Novembro 95, estagiou 1 ano em barricas de carvalho francês; exuberância aromática, especiado, notas de tabaco e couro, taninos aveludados, final extenso; ainda está longe da reforma. Nota 17,5.
.Qtª do Crasto T.Roriz 97 (14 % vol.) - engarrafado em Novembro 98, estagiou 14 meses em carvalho americano; ainda com alguma fruta madura, redondo, algo marcado pela madeira, já passou pela fase mais interessante. Nota 16+.
.Crasto 10 (13,5 % vol.) - muito frutado, acidez e taninos discretos, algo chato na boca, moderno e fácil de beber, indicado para se beber enquanto novo. Nota 15 (noutra 15,5+).
.Crasto Superior 10 (14 % vol.) - produzido a partir de uvas do Douro Superior, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; aroma intenso, fruta vermelha, taninos macios e um final doce; fácil de beber, não é um vinho de guarda. Nota 16+ (noutra 16,5).
.Qtª do Crasto Vinhas Velhas 10 (14 % vol.) - estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês e americano; alguma complexidade aromática, acidez no ponto, elegante e equilibrado, profundidade e final extenso; tem tudo no sítio e aguenta mais 7/8 anos. Nota 17,5+.
5.O almoço
Antes de irmos para a mesa, junto à piscina, bebemos o Crasto 11 Branco (terá uma evolução tão boa como o 07, interrogo-me) a acompanhar uns aperitivos. Obrigatório contemplar o rio e os vinhedos à volta. Uma paisagem deslumbrante, a preparar os espíritos e os corpos para o almoço. Só lá faltava a Bo Derek...
O repasto correu em ambiente de são convívio e na companhia do Pedro Almeida. Comemos o prato típico das vindimas, ou seja, uma bela feijoada, bem regada com uma série de pingas que foram desfilando pela mesa. Começámos pelo Crasto Superior 07 e continuámos com os tintos Vinhas Velhas 04 (em grande forma), Tinta Roriz 09 (ainda demasiado novo, para ser bebido agora) e Vinha da Ponte 04, versão magnum (a colheita da década e um grande vinho, do melhor que tenho bebido nos últimos anos). Depois, com a sobremesa, vieram o Porto Reserva (um rubi superior), o LBV 07 e o Vintage 87, a portarem-se bem.
Aproveito para dar uma boa notícia aos apreciadores do estilo tawny, onde eu me incluo: a Qtª do Crasto vai lançar um Colheita 97, ainda não engarrafado. Aguardemos, então...
6.A fechar
Contabilizados os vinhos provados à séria (8) e os bebidos descontraidamente no almoço (8), chegamos ao total de 16, o que já é uma quantidade de respeito. O pessoal da Qtª do Crasto esmerou-se. Fomos mesmo bem tratados!
A propósito e consultado o meu Quadro de Honra de Vinhos Tintos (vinhos registados e classificados com 18,5 ou mais), balanço feito em 21/8/2012, constato que a Qtª do Crasto está em 1º lugar com 13 referências (4 Vinha da Ponte, 4 Maria Teresa, 3 T.Nacional, 1 Vinhas Velhas e 1 Xisto). É, pois o produtor da minha preferência.
Finalmente, não resisto a repetir o que já escrevi em crónica anterior: "(...) as nossas relações pessoais e institucionais com as pessoas da Qtª do Crasto, foram sempre exemplares. Eles são uns grandes Senhores! (...)".


terça-feira, 2 de outubro de 2012

A Qtª do Crasto, a Blogosfera e a Bo Derek (I)

1.Preâmbulo
A minha ligação à Qtª do Crasto e aos seus responsáveis já vem de longe, desde que nos conhecemos numa feira mundial em Bordéus (1998?). Desde então para cá, praticamente todos os anos, a Qtª do Crasto, com os seus vinhos e os seus responsáveis, inicialmente a sós e, posteriormente, integrada no colectivo Douro Boys, esteve presente em eventos organizados pelas CAV. Foram provas, jantares (também houve 1 almoço) e visitas ao Douro com o nosso antigo núcleo duro. Posteriormente, depois de termos deixado as CAV, estivemos (o Juca e eu) num jantar do Corte Inglês e, a convite do nosso amigo Tomás Roquete, num almoço na própria quinta.
Algumas destas actividades, relatei-as em crónicas publicadas neste mesmo blogue:
."O último evento das CAV: 2 anos depois", em 31/10/2011
."Jantar Qtª do Crasto", em 22/4/2012
."Matar saudades...", em 16/5/2012
2.Os sortudos
Tive agora a ocasião de voltar à Qtª do Crasto, integrado numa visita expressamente organizada para a blogosfera. Estão de parabéns os seus responsáveis, ao terem a sensibilidade para entender que a participação em provas de vinhos não se esgota na opinião dos críticos encartados. É sempre positivo ouvir outras abordagens. No passado, também tive a ocasião de ter participado em eventos semelhantes, que aqui dei notícia:
."A Herdade das Servas e a Blogosfera", em 22/1/2011
."Evento Wine Bloggers na José Maria da Fonseca", em 25/10/2011
."João Portugal Ramos e a Blogosfera", em 3/6/2012
Para memória futura, responderam ao convite os seguintes bloguistas e afins (por ordem alafabética):
.Adega dos leigos (Nuno Ciríaco)
.Abílio Neto (freelancer)
.Art meets bacchus (Rui Lourenço Pereira)
.Comer, beber, lazer (Carlos Janeiro)
.Enófilo militante (eu próprio)
.Os vinhos (Pedro Barata)
.Saca a rolha (Nuno Garcia)
.Wine & lifestyle (André Peres)
.Vinho Porto vintage (Francisco Brito)
3.A grande recepção
Roam-se de inveja os bloguistas que não puderam comparecer. À nossa chegada, estava a Bo Derek, actriz já retirada dos écrans! Era o que poderia pensar alguém que não estivesse a par do evento Douro Film Harvest. De facto, foi uma feliz coincidência. Ela efectivamente dormiu na Qtª do Crasto, na qualidade de homenageada na 4ª edição do referido evento, do qual o anfitrião era parceiro.
Fomos recebidos pelo Tomás Roquette e Pedro Almeida, tendo sido este último que nos acompanhou em toda a visita. O ritmo de visitas, nesta altura de vindimas é infernal. Durante o dia de sábado 29 de Setembro, para além da Bo Derek, estiveram pessoas ligadas ao Douro Film Harvest, o nosso grupo de bloguistas, agentes importadores colombianos, gente ligada a Angola, um fotógrafo em serviço, para além de familiares de colaboradores que ali trabalham. Um frenesim...
Também tivémos contactos com  Manuel Lobo e Cátia Barbeta (o consultor Dominic Morris já não acompanhou esta vindima), que constituem a equipa de enologia, Manuel Luis Gomes, responsável pela viticultura (há, ainda, o Tiago Nogueira, que tem a cargo as vinhas do Douro Superior) e a Rosário Sousa, do laboratório.
E seria injusto não referir o Poli, simpático ser de 4 patas, que nos acompanhou durante toda a visita!
Em próxima crónica darei notícia das provas e do almoço.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Próximos eventos a não perder

Para quem andar distraído, lembro os próximos eventos a não perder:
.Vinhos do Alentejo em Lisboa, na Fundação Champalimaud (organização da CVRAlentejo)
dias 12/10 (das 15 às 21 h) e 13/10 (das 16 às 21 h)
.Mercado de Vinhos no Campo Pequeno
dias 1 a 4/11 (das 11 às 21 h)
.Encontro com o Vinho e Sabores 2012, no Centro de Congressos de Lisboa (organização da Revista de Vinhos)
dias 9/11 (das 18 às 22 h), 10 e 11 (das 14 às 20 h) e, ainda, 12 (das 11 às 18 h, só para profissionais)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Rescaldo da ida ao Norte (VI)

Continuando pela Passos Manuel e atravessando a Avenida dos Aliados, vamos parar à Elísio Melo. Foi aqui que "descobri" o Canelas de Coelho, antiga taberna "A Minhôta", onde se pode apreciar um painel de azulejos alusivo ao antigo nome. Este espaço, com um curioso nome (Canelas e Coelho são os nomes dos 2 sócios), acaba por funcionar como um 3 em 1 (restaurante - tapas - wine bar).
Tem um ambiente informal e simpático, apostando forte na componente petisqueira, com preços muito acessíveis até às 19 h. E foram os petiscos que avançaram para a mesa: favinhas e salada de coelho, vieira salteada com molho e vinho branco e gambas salteadas com molho de citrinos, tudo muito bem elaborado e apresentado.
A carta de vinhos é uma autêntica surpresa, não só pela selecção como pela quantidade, tudo a preços aceitáveis. Senão vejamos (entre parentesis a quantidade a copo): 40 brancos (7, sendo 1 colheita tardia), 70 tintos (3), 5 rosés (1),  4 espumantes (1), 2 champanhes (1), 9 Portos e 2 Moscatéis (estes generosos podem ser bebidos a copo, na quase totalidade). É, de facto, uma lista pujante, que rivaliza com as melhores que conheço.
Bebi, a copo (4 €), o Alvarinho Toucas 2011 (há ali uma relação com o Touquinheiras, que não entendi) - frutado, com citrinos bem presentes e notas tropicais, muito fresco, apelativo e equilibrado, boa textura e final de boca; um belo exemplar da casta. Nota 17,5. Foi servido em copo Schott, uma quantidade a olho que me pareceu ficar aquém dos 14 cl. A garrafa veio à mesa, mas não me lembro se foi dado a provar.
Serviço profissional e simpático. Em conclusão, recomendo vivamente este espaço.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Rescaldo da ida ao Norte (V)

Já há alguns anos que não ia ao Porto. Calhou agora, depois de visitar Guimarães e antes de regressar a Lisboa. Numa das minhas deambulações pela cidade, ao passar na Passos Manuel, fiquei vidrado nas montras do restaurante La Ricotta. Em grande evidência, lá estavam umas tantas garrafas da Niepoort (Charme, Batuta, Robustus, Redoma Reserva, entre outras) a provocarem quem passava. Cá fora, uma ardósia referia que se podia almoçar por 12 €, de 2ª a 6ª feira, com direito a couvert, entrada, prato, sobremesa e uma bebida. Não resisti...
O La Ricotta aposta forte no vinho, com uma série de expositores no interior, grande parte dedicada ao Vinho do Porto. Têm uma boa selecção e a carta de vinhos muito didáctica, pois indica as castas de cada vinho e, ainda, o tempo de estágio em madeira, o que é uma agradável surpresa. Contabilizei 123 referências, tudo datado. São 4 champanhes, 6 espumantes, 32 brancos (1 é colheita tardia), 52 tintos, 1 rosé, 26 Porto, 1 Madeira e 1 Moscatel. Os preços das gamas baixa/média são para o caro, mas a gama alta é deveras acessível. Quanto a vinhos a copo, a oferta é também alargada: 3 brancos, 5 tintos, 1 champanhe, 1 espumante, uma vintena de Porto, 1 Madeira e 1 Moscatel.
Bebi um copo do branco Burmester 2011 - aroma discreto, notas de citrinos, fresco, descomplicado, estrutura média e final seco. Acompanhou bem a entrada, mas passou por baixo do prato. Nota 15. Foi servido num bom copo (Schott), mas a olho (15 cl?), a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
Quanto a comidas, comecei por uma entrada vegetariana, sem história, continuei com um bacalhau à Braz, farto, saboroso e bem apresentado. Optei, em vez da sobremesa, por beber um copo de Niepoort Tawny Senior (7 anos), uma autêntica surpresa, pois apresentou uma complexidade dificil de encontrar num 10 anos. Nota 17.
Falta referir que este espaço é aconchegado e tem um bom ambiente, embora a música de fundo pudesse estar mais baixa. Serviço eficiente e profissional. Finalmente, nos tachos está a Liliana Alves e a gerir o Miguel Sousa. Recomendo vivamente, pois é um espaço onde um enófilo se sente bem.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Vinhos em família (XXXVI)

Comparada com a sessão XXXV, esta é mesmo para principiantes. Foi dada a palavra aos brancos, todos de boa relação preço/qualidade, ficando de fora os topo de gama. Vejamos:
.Vale da Judia 2011 (consumido no restaurante Solar do Peixe, em Alcochete) - frutado sem a casta Moscatel se mostrar muito, mineral e muito fresco; óptimo para acompanhar entradas leves; a beber até ao final do verão de 2013 (o contra rótulo tem uma indicação interessante, tipo prazo de validade: "período máximo de guarda 3 anos"; recomenda, ainda , 10 a 12º como temperatura de consumo, de que discordo absolutamente). Enologia do Jaime Quendera. Nota 15.
.Beyra Quartz 2011 (bebido em casa) - frutado, muito fresco e mineral, elegante e descomplicado; uma boa surpresa, vai bem com saladas e entradas leves; tempo de vida, mais 2/3 anos. Enologia do Rui Reboredo Madeira, que está a trabalhar muito bem os brancos. Nota 16,5+.
.Três Bagos 2010 (bebido em casa) - a partir das castas tradicionais do Douro, Viosinho, Malvasia Fina e Gouveio; citrinos presentes, acidez q.b., mineral, elegante e muito equilibrado; bom para pratos de peixe não muito pesados; é sempre uma aposta segura. Nota 16,5.
.Pedra Cancela Malvasia/Encruzado 2010 (bebido em casa) - irritante falta de informação no contra rótulo, tendo sido necessário recorrer ao portal do produtor para perceber que estagiou 3 meses em barricas de carvalho francês, referindo notas de maracujá e manga, o que sinceramente não consegui encontrar (volatizaram-se?); discreto no nariz e na boca, notas de citrinos, madeira bem casada, mas difícil de beber a solo. Nota 15,5.
.Castelo d'Alba Reserva 2011 (consumido no restaurante Populi) - com base nas castas Códega do Larinho, Rabigato e Viosinho; frutado, notas minerais, acidez equilibrada, alguma estrutura e bom final; gastronómico. Nota 16,5.
.Muros Antigos Alvarinho 2011 (consumido no Mar do Inferno) - a casta bem presente, embora não muito exuberante, notas de citrinos, mineral e bom final de boca; acompanhou bem peixe grelhado; em forma mais 5/6 anos. Nota 17.
E já que estou a falar de brancos, chamo a atenção para os 2 painéis da Revista de Vinhos, o de Agosto dedicado aos Alvarinhos e o de Setembro aos topos de gama. É de louvar estas iniciativas, até porque os brancos de qualidade precisam de visibilidade e protagonismo. No entanto, houve uns tantos brancos de gama alta que ficaram de fora, sem que se entenda porquê. Foi o caso dos Alvarinhos Palácio da Brejoeira, Soalheiro 1ª Vinhas e Parcela Única e, ainda, Royal Palmeira Loureiro, Gurú, Crooked Vines, Maritávora Reserva, Morgadio da Calçada Reserva (é de todo incompreensível a exclusão deste branco, incluido pelo JPM nos Melhores do Ano nos Guias 2012 e 2013), Pai Abel, Buçaco Reservado e Qtª da Murta Clássico. Os produtores não enviaram? Comprem-se, eles andam por aí.

domingo, 23 de setembro de 2012

Grupo dos 3 (24ª sessão)

Após o interregno do verão, que ainda demorou alguns meses, regressaram as provas do Grupo dos 3. Esta última sessão foi da responsabilidade do João Quintela que escolheu o restaurante Casa da Dízima, situado em Paço d'Arcos, num espaço histórico devidamente modernizado. Segundo o portal do restaurante, a Casa da Dízima, inaugurada em Maio 2003, ocupa um espaço quinhentista, utilizado no tempo do Marquês de Pombal para recepção do pagamento do imposto sobre o pescado, do qual uma décima parte revertia a favor do dito Marquês. Daí o nome.
Foi uma boa aposta. Sabe sempre bem, estarmos a provar vinhos num espaço acolhedor, com um bom serviço de vinhos, ambiente requintado e bons copos Schott. Tem, ainda, um terraço/esplanada com todas as condições para se refeiçoar no tempo ameno. O responsável e animador deste espaço dá pelo nome de Pedro Baptista, curiosamente homónimo do gerente do BG Bar que é primo do nosso amigo bloguista Rui Miguel (Pingas no Copo). Coincidências...
Não registei o nome do chefe, mas tudo o que veio para a mesa estava irrepreensível. Comemos:
.folhado de cogumelos e presunto pata negra com redução de Vinho do Porto
.filetes de polvo com arroz de coentros e ameijoas
.naco de vitela com molho de vinho tinto e risotto de espargos verdes
.carpaccio de morango com bolo de chocolate de leite
Quanto aos vinhos provados às cegas, como é habitual:
.Bill Sauvignon Blanc 07 (Chile) - aroma inicialmente austero (veio demasiado frio para a mesa), ataque na boca adocicado, notas de glicerina, belíssima acidez, alguma estrutura e bom final. Gastronómico e fácil de gostar. Nota 17,5.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 09 (em magnum) - côr palha, austero, acidez elevada a dar-lhe longevidade, notas de citrinos, mineral, equilibrado e elegante, final longo; melhorou com a subida da temperatura. Tem, ainda, uns tantos anos de vida. Nota 17+ (noutras situações 16+/16,5/16,5/17,5+/17,5+/17,5+/17,5+/17,5/).
.Dow's Vintage 07 (amostra de casco) - ficou aquém da expectativa criada para um vintage pontuado com 100 pela Wine Spectator ( houve mais provas não coincidentes: Wine Advogate 96, Wine Enthusiast 96, International Wine Cellar 95 e Wine & Spirits 94); de qualquer modo, provar uma amostra de casco não é a mesma coisa que estarmos a provar de uma garrafa. Mostrou fruta preta, doçura, acidez  equilibrada, taninos firmes e bom final de boca. Nota 17,5.
Extra concurso, como se costuma dizer, e por simpática oferta do Pedro Baptista, provámos o Blandy Terrantez 20 Anos, muito agradável, mas sem fazer subir aos céus (foi um dos escolhidos pelo João Paulo Martins, como um dos melhores do ano, no Guia 2013, saído recentemente). Em relação a este vinho, há 2 pormenores que me surpreenderam e que gostaria que alguém me elucidasse: não indica a data de engarrafamento e declara-se meio doce (achei-o seco, algures entre o Sercial e o Verdelho, talvez mais próximo do 1º). Mistérios...
Mais uma boa jornada, num espaço de eleição. Obrigado João!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Rescaldo da ida ao Norte (IV)

A caminho de Guimarães para o Porto, é obrigatório o desvio em direcção à Portela, próximo de Famalicão, onde se situa um dos melhores restaurantes de cozinha de autor que conheço. Dá pelo nome de Ferrugem e foi objecto de reportagem e crítica desenvolvida, aliás muito positiva, por parte da Revista de Vinhos (Abril 2009). O casal de chefes Dalila Mónica e Renato Cunha propõe "(...) uma cozinha de alquimia, onde os ingredientes tradicionais portugueses se vão descobrindo em novas texturas e harmonias, numa ementa dinâmica (...)".
O Ferrugem é um espaço moderno e requintado, perdido numa aldeia, com as mesas bem aparelhadas, mas com déficite de iluminação (há zonas de penumbra onde será difícil apreciar o que se está a comer). Oferece, nesta altura do ano, Menu Outono em 3 momentos (29 €), Menu Degustação em 4 momentos (33 €, mais 16 € para vinhos) ou em 6 momentos (45 €, mais 24 € para vinhos) e, ainda, Menu Concurso Vinhos Verdes e Gastronomia 2012 (50 €).
Foi escolhido o de 4 momentos, tendo desfilado na mesa:
.caviar português (ovas de sardinha e caviares de vinagre, tomate, broa de milho, ervas finas e espuma de azeite)
.caldo verde com broa
.bacalhau com tosta, azeitonas e legumes
.trilogia de porco bísaro (orelha, língua e rojão) com puré de favas e chouriço
e, ainda, sobremesa, pera bêbeda com tarte de queijo.
Estava tudo 5 estrelas, tanto nos paladares com na apresentação. Os parabens à Dalila, a chefe de serviço quando da minha visita.
Oferta equilibrada de vinhos, nem curta nem excessiva, bem seleccionada, tudo datado e preços cordatos. Têm 12 vinhos de mesa a copo (15 cl), sendo 4 brancos, 1 rosé, 5 tintos e 2 espumantes. Acresce 10 Portos (para os Vintage, mínimo 4 pessoas), 2 Madeiras e 3 Moscatéis (7 cl), o que é uma excelente e invulgar oferta.
Bons copos (Schott), serviço a olho, a garrafa vem à mesa e o vinho é dado a provar. Acompanhei os 3 primeiros momentos com Soalheiro Alvarinho 2011 (3,60 €), uma aposta sempre segura e já aqui referido. O 4º momento teve a companhia do Sedna Reserva 2009 (4 €), cuja 1ª garrafa veio à temperatura ambiente, tendo sido de imediato substituída por uma outra à temperatura correcta. O Sedna, ainda demasiado jóvem para o meu gosto, cumpriu a sua função. Serviço eficiente.
Em conclusão, uma grande jornada num restaurante de muita qualidade. Só é pena, não ficar mais à mão.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Novo Formato+ (7ª sessão)

Foi a vez do nosso amigo Alfredo Penetra nos ter convidado para mais uma sessão de bom convívio, gastronomia e pingas à altura. Desenrolou-se na esplanada do magnífico espaço da Qtª Fonte Santa, propriedade do Banco de Portugal. O tempo, solarento, também ajudou.
Provámos (e bebemos) 7 vinhos, todos situados num patamar alto/médio alto (1 espumante, 3 brancos de 2010, 2 tintos de 2007 e, a fechar, mais um grande colheita da Wiese & Krohn.
A comida, uma bela garoupa cozida e uns saborosos escalopes de vitela grelhados, com esparregado e batatinha salteada, esteve ao nível dos vinhos (excepção para o espumante Soalheiro Alvarinho 2010 que, embora agradável, era de esperar mais).
O painel de brancos talvez tivesse sido a maior surpresa da sessão, pois qualquer um deles merece nota alta:
.Redoma Reserva - a partir e vinhas velhas, estagiou 9 meses em barrica; fruta madura, madeira presente sem excessos, algo untuoso, estruturado, bom final de boca; todo muito equilibrado. Nota 17,5+ (noutra situação 17,5).
.Paço dos Cunhas Vinha do Contador - notas minerais/vegetais, acidez não muito pronunciada, algo guloso e fácil de gostar, final longo. Nota 17,5.
.Qtª das Bageiras Garrafeira - proveniente de vinhas velhas; complexidade aromática com notas e citrinos e tropicais, acidez excelente a dar-lhe longevidade, boca e persistência evidentes. Nota 17,5+.
Os 2 tintos também tiveram uma boa prestação:
.Qtª dos Carvalhais Reserva - estagiou 1 ano em meias barricas de carvalho francês; aroma intenso e complexo, boa acidez a dar-lhe vida, taninos presentes mas não agressivos, final muito longo. Muito equilibrado, tem evoluido muito bem. Em forma mais 7/8 anos. Nota 18,5 (noutra 17,5).
.Herdade do Peso Ícone (garrafa nº1223 de 3700) - especiado, acidez bem presente, estrutura e profundidade, taninos aveludados, final longo. A beber até mais 5/6 anos. Nota 18 (noutras 18,5/18,5).
E a terminar em beleza:
.Krohn Colheita 1967 (engarrafado em 2010) - citrinos presentes, a fazer lembrara um Moscatel Roxo velho, alguma gordura, acidez equilibrada, boca potente e final longo. Nota 18,5.
Mais uma grande sessão. Obrigado Alfredo!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Lisboa Restaurant Week (LRW) 2012

Está aí a chegar a 8ª edição do LRW, que se vai desenrolar de 20 a 30 deste mês. Por 19+1 € é a grande oportunidade de frequentar restaurantes que, no dia a dia, estão fora dos nossos orçamentos.
Para mais informações entrar em www.sabordoano.com ou www.besttables.com. É de aproveitar.
A despropósito, saiu o Guia do João Paulo Martins 2013. E já vai em 653 páginas. Em vez de encolher, esticou mais um bocado. Será que o autor quer chegar, daqui a uns anitos, às 1000?

Rescaldo da ida ao Norte (III)

Situo-me, ainda, em Guimarães para partilhar a minha última experiência nesta bela cidade. O espaço em causa, um dos recomendados quando da edição do Fugas dedicada à Capital Europeia da Cultura 2012 (edição de 14 de Janeiro), é o Rolhas & Rótulos - winehouse & winebar (Largo da Oliveira).
Na véspera já tinha constatado a existência de um aparelho Enomatic - wine serving systems, que controla a quantidade a servir e a temperatura, além de preservar cada garrafa, depois de aberta, até 3 semanas. O ideal, portanto, para um espaço que privilegie o vinho a copo.
Na altura da visita tinha 8 tintos, com preços a variar de 3 a 4,45 €. Para além destes, tinham mais 2 brancos da casa, 1 espumante e 1 champanhe, o que me parece manifestamente insuficiente. Mas a realidade ultrapassa a ficção, como é costume dizer-se. Escolhido um dos 8 tintos expostos, o Adega Vila Real Reserva 2008, constatei que vinha quente!? Então para que serve o aparelho de controlo de temperaturas? Devolvi o copo e troquei-o por um fino bem fresco. Mas ficou a irritação perante o insólito da situação. Questionado o empregado, mostrou uma ignorância quase total quanto ao serviço de vinhos e desculpou-se com o patrão que, obviamente, não estava presente. Verdade seja dita que havia mais clientes à minha volta a consumirem vinho quente, mas mais ninguém reclamou. Lamentavelmente falta-nos massa crítica.
E a minha irritação foi tanta que nem sequer registei o que veio para a mesa. Além de nada ter registado, também se me varreu da memória. Apenas retive quanto foi agradável usufruir de uma esplanada em pleno centro histórico de Guimarães! Um aviso aos potenciais visitantes do Rolhas & Rótulos: antes de encomendarem o vinho verifiquem se o Enomatic já se encontra ligado.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Rescaldo da ida ao Norte (II)

Continuando em Guimarães fui conhecer o Prós & Contras, situado no edifício do teleférico. É o sítio ideal para pousar depois de um passeio matinal pelo Parque da Penha. Espaço moderno, decoração minimal, mesas bem aparelhadas, copos de qualidade, ambiente requintado, serviço eficiente e simpático. O que se pode mais exigir?
Como parece ser habitual em Guimarães, a ementa aposta forte na área petisqueira, aqui em versão moderna com inspiração do país vizinho. Degustámos cogumelos recheados com legumes, gambas à guilho, revuelto de setas e gambas e revuelto de bacalhau. Com excepção dos cogumelos, algo insípidos, os restantes petiscos estavam muito bons, tanto no paladar como na apresentação.
Quanto a vinhos, a lista está bem seleccionada e os preços são convidativos. Lamentavelmente, os anos de colheita estão ausentes. A copo só os da casa, o que é manifestamente insuficiente. À consideração dos donos deste agradável espaço. Perante o meu manifesto desagrado perante tal situação, o proprietário (chefe João Silva) mandou abrir uma garrafa do tinto Altas Quintas Crescendo 2008, que veio para a mesa à temperatura ambiente. Nova reclamação rapidamente corrigida, ao mergulharem a garrafa num balde com água e gelo. Cobraram 4 € por cada copo, o que é aceitável naquele tipo de restauração.
Este Crescendo está ainda muito frutado, possui acidez para lhe dar vida durante mais 2/3 anos, mostrou complexidade, estrutura e final médios. Cumpriu a sua missão.
Como conclusão, é pena que o sector vinhos não esteja à altura da cozinha e do ambiente que ali se respira. De qualquer modo, aconselha-se a visita ao restaurante e o passeio no teleférico.