sábado, 18 de fevereiro de 2012

Lampreia no Varanda de Lisboa

O Varanda de Lisboa, restaurante do Hotel Mundial, está a promover o mês da lampreia (à Bordalesa e à moda de Monção) e do sável (com açorda de ovas do mesmo e com meunier de citrinos e sementes de sésamo). Por 27,50 € tem-se direito a couvert, sopa ou entrada, um dos pratos de lampreia ou sável e sobremesa. Bebidas à parte. Com este menú e tratamento de vip, é uma oportunidade imperdível.
Situado no 8º piso com vista para a cidade histórica e Tejo, ambiente acolhedor, amesendação de qualiade, serviço simpático e profissional. Um dos chefes de sala (pareceu-me haver um segundo) ainda era do tempo dos jantares organizados pela Revista de Vinhos (finais da década de 80, princípio dos anos 90?). Nesses anos pontificava na sala o Manolo Carrera, galego de nascimento e alfacinha por adopção (irmão do Ceferino Carrera que foi professor na Escola Hoteleira, no Estoril, com obra publicada), um grande divulgador dos petiscos lisboetas.
Não me considero um militante de lampreia, mas uma vez por ano sabe-me muito bem (nos tempos do saudoso Flora, em Vila Franca, era ali que a ia degustar). Comi uma dose farta à moda de Monção e provei a à Bordalesa. Gostei francamente, embora pense que, para o meu gosto, com mais um toque de vinagre ficaria melhor.
Antes da lampreia comemos uma sopa de cozido divinal e acabámos com uma salada de frutas.
A carta de vinhos está equilibrada, tem algumas sugestões interessantes, mas a preços muito altos. Lamentavelmente não há datações, o que é indesculpável. Pode beber-se a copo uma dúzia de referências não muito entusiasmantes, a preços cordatos. Tem, ainda, uma trintena de raridades dos anos 50 a 70, Barca Velha de diversas colheitas e, por exemplo, um Colares Visconde de Salreu 1933 a 106 € (Museu do Vinho, como lhe chamam). Estas raridades estão bem armazenadas num armário térmico com temperatura e humidade controladas. Os restantes estão à temperatura da sala, isto é, quentes!
Bebi 1/2 garrafa de Qtª do Perdigão 07 - 1 ano em cascos de 225 l de carvalho francês, floral, belíssima acidez, elegância e equilibrio, especiado, taninos suaves, estrutura de boca e final médio. Aguentou bem o embate com a lampreia. Em forma mais 5/6 anos. Nota 17,5. Ó Rui, já provou este Dão?
Atenção, esta oferta é até ao dia 29. É de aproveitar!

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