quinta-feira, 1 de março de 2012

Jantar com Vinhos da Madeira (4ª sessão)

O núcleo duríssimo dos Vinhos da Madeira reuniu, mais uma vez, para jantar na Enoteca de Belém. As sessões anteriores estão descritas nas crónicas de 17/12/2010, 27/2/2011 e 1/11/2011, para quem tiver a curiosidade de saber o que temos andado a beber.
Esta última sessão correu muitíssimo bem, com a equipa da casa (Ângelo, Nelson e companhia) super afinada. As iguarias que vieram para a mesa (e foram muitas) estiveram ao melhor nível e o serviço de vinhos foi impecável. Só copos foram mais de 100! Não creio que haja muitos espaços em Lisboa e arredores que suportem uma logística desta dimensão. Para os mais distraidos recomendo a leitura da última Revista de Vinhos, que dedica 5 páginas, bem merecidas, à Enoteca de Belém.
Mas chega de conversa e vamos aos vinhos que trouxemos das nossas garrafeiras (antes da sessão foi servido o espumante 3B Rosé, da Filipa Pato, uma simpática oferta da casa, que acompanhou bem um dueto de atum):
.ABS Verdelho 84 (engarrafado em 97 e trazido pelo Alfredo Penetra) - complexidade aromática, frutos secos, notas de iodo e caril, boa acidez, elegância e potência, alguma gordura, final longo; tem um estilo mais aproximado dos vinhos da Blandy e está uns furos acima do que tenho provado da casa Artur Barros e Sousa. Nota 18,5 (noutra situação 18).
.ABS Verdelho Reserva Velha (engarrafado em 07 com cerca de 30/40 anos de casco, veio da casa do José Rosa) - mais seco, mais acidez e iodo, mas menos complexo e gordo; apesar de menos impressionante, ligou melhor com a salada de salmão com cebolinho e funcho. Nota 18 (noutra 18,5+, desconhecendo-se a data de engarrafamento).
.Batuta 04 (da responsabilidade do Juca) - muito fechado, alguma acidez e elegância, taninos ainda presentes, mas menos complexidade em relação a outras garrafas provadas em situações anteriores; ainda longe da reforma (pode ser guardado mais 5/6 anos). A desilusão (relativa) da noite. Nota 17,5+ (noutras 17+/18,5/18/18+).
.Qtª do Além Tanha Vinhas Velhas 04 (da garrafeira do João Quitela) - notas florais, elegante e equilibrado, boa acidez, madeira fina, estrutura de boca, bom final; também ainda longe da reforma. Nota 18 (noutras 16,5+/17,5+).
.S de Soberanas 04 (veio com o Modesto Pereira) - nariz exuberante, grande complexidade, acidez no ponto, boca poderosa, final longo e muito gastronómico; também aguenta mais uns anos em forma. A surpresa da noite. Nota 18,5 (noutras 18+/17,5/16/17/17,5+ ou seja alguma irregularidade entre garrafas).
Os 3 tintos acompanharam um naco de novilho com risotto porcini e molho de café.
.Leacock Bual 66 (sem data perceptivel de engarrafamento, foi trazido por mim) - complexidade aromática, elegância e acidez, grande estrutura de boca e final longo. Nota 18,5.
.Miles Bual 34 (mais uma pérola do Adelino de Sousa) - aroma exuberante, iodo e vinagrinho bem presentes, boca potente e final interminavel; grande personalidade e prémio para o vinho da noite. Nota 19 (noutra 19,5).
Acompanharam estes 2 últimos Madeiras, tábua de queijos, doçaria e fruta.
Grande jornada, comida de muita qualidade, vinhos quase todos ao nível da excelência, serviço eficiente e profissional e, sobretudo, um bom ambiente de amizade deste núcleo duro de Vinhos da Madeira. Parabens a todos!

1 comentário:

  1. Quando a desilusão (relativa)da noite foi um vinho a que atribuiste a classificação de 17,5+ ,penso que está tudo dito sobre as bebidas.Quanto ao resto estou solidário contigo,elogiando a dupla Angelo/Nelson e C.ia e colocando o assento tónico no saudavel e precioso convivio havido.Temos de continuar pois momentos destes são im perdiveis.Bjs e ou Abs para todos os que estiveram presentes Juca

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