quinta-feira, 22 de março de 2012

Pasmem-se, enófilos de todo o mundo!

Leio o Expresso de 17 de Março, concretamente a página 14 do caderno Economia, e não quero acreditar. O meu pasmo é o artigo "Nova marca desafia a indústria do vinho", assinado pela jornalista Conceição Antunes. A nova marca que dá pelo nome Wine with Spirit, foi concebida por 2 portugueses e, segundo um dos sócios, tem como objectivo "Viemos desafiar os senhores da indústria do vinho, e temos a mente aberta. No limite, se alguém quiser um vinho azul ou com sabor a banana, podemos fazê-lo.". Pasmem-se enófilos com este dislate!
Já foram lançados, no mercado nacional, o rosé Bastardo! 2010 (V.R.Setúbal) e o tinto Dine With Me Tonight 2008 (V.R.Alentejano) e, no mercado brasileiro, o Feijoada & Co. Estão para sair mais uns tantos, o Marry Me Today e outros. Os nomes são mais ou menos folclóricos, mas o que mais me pasma é o IVV, através da C.V.R.Setubal, no caso do Bastardo!, autorizar como marca o nome de uma casta, que nem sequer entra na composição deste vinho. Qualquer dia, encontramos nas prateleiras das garrafeiras, lojas gourmet ou mercados, um tinto Alvarinho produzido no Algarve, com Castelão ou um branco Touriga Nacional engarrafado na Bairrada, a partir da Baga!
Mas há mais. O sócio que deu a cara no artigo do Expresso, confessa "Sou um entusiasta do vinho, mas não percebo nada de vinhos (...)". Está na hora de aprender alguma coisa, nomeadamente a pegar correctamente no copo.
Ó senhores da Wine With Spirit, a Academia Revista de Vinhos tem um curso agendado para o dia 31 de Março. Inscrevam-se que bem precisam!

4 comentários:

  1. Não esquecer de oferecer inscrições aos senhores das CVRs e do IVV...
    Somos tão bons a proteger o que é nosso! Meu Deus!

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  2. Não fazendo defesa à má abordagem do sócio em questão, venho apenas a) esclarecer que o bastardo referente a este vinho não tem relação com a casta (se calhar os responsáveis nem sabem que exista tal casta) e , como tal, não vejo onde está a ausência de defesa do que é nosso (exceptuando se falarmos da qualidade do produto em si) e b) não vejo com maus olhos a atribuição de nomes "diferentes" ou a utilização de termos recorrentes no quotidiano (como a feijoada no Brasil), se o mesmo for acompanhado pela qualidade no produto que "veste"... Relativamente aos demais pontos, ora bem , também acho que quem investe no vinho e dá a cara pela defesa do seu produto deve ter alguma orientação para não sair confissões como a apresentada.

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  3. Caro Enófilo Militante, eu não vejo com grande drama a questão que apresentou. Na realidade isto parece-me ser um conceito de marketing altamente exportável destinado aos mercados emergentes. De qualquer modo a escolha é feita pelos consumidores e não pelos críticos. Dei uma vista de olhos no site e páginas de facebook da marca que já conta com mais de 10.000 fãs, mais do que qualquer outra marca de vinho em Portugal, pelo que me pareceu um feito notável para uma marca nova e desconhecida. Embora eu goste muito de vinho também acho que não podemos ter a arrogância de pensar que quem pode vender/consumir vinho são apenas os connaisseurs, até porque senão o mercado ficava reduzido a menos de 5% do total.

    Quanto à questão de não saber pegar num copo, francamente parece-me uma deselegância da sua parte. Apontar erros de educação ou de formalismo a outros é em si uma falta de educação. Já para não falar que é uma atitude muito burguesa e arrivista...


    Cumprimentos e saudações a todos os enófilos.

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  4. Caro anónimo,
    Os meus reparos, vão em dois sentidos :
    1º - Ao IVV, ao permitir que se dê o nome de uma casta, a um vinho onde ela nem sequer entra. Não faz sentido.
    2º - A um profissional do mundo do vinho, que confessa nada perceber de vinho e não sabe pegar no copo. Também não faz sentido.

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