domingo, 18 de março de 2012

Perplexidades (VII)

Esta pequena história passou-se, há uns tantos anos, com um cliente das CAV. Este senhor era um "pedinte" militante, pois em cada compra que fazia, a título individual ou para o seu partido, a pedinchice era mais que muita. Ele era descontos e descontos sobre os descontos, ele era embalagens de prestígio de borla, ou qualquer outra coisa que lhe palpitasse tirar vantagens para si ou para os seus.
Um belo dia, para estupefacção do senhor, encontramo-nos numa recepção incluida nas comemorações do 30º aniversário do 25 de Abril. Éramos ambos convidados do Presidente Jorge Sampaio, eu na qualidade de membro da Associação 25 de Abril e ele na qualidade de deputado da nação. Estávamos, portanto, em pé de igualdade. E logo ali tentou estabelecer uma espécie de relação hierárquica entre um cliente importante e um simples comerciante, iniciando uma conversa que desembocou numa tentativa de encomenda, não esquecendo pedinchar os descontos inerentes. Óbviamente, cortei-lhe a conversa e disse que encomendas só na loja.
Voltei a vê-lo, passado algum tempo, numa garrafeira da concorrência, presumo que a pedinchar descontos ainda maiores. Foi a última vez que nos cruzámos. A partir daí, só me entrava em casa via televisão, nas suas funções de deputado ou porta-voz do partido.
Moral da história: clientes destes, mais vale não os ter!

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