segunda-feira, 16 de abril de 2012

Peixe em Lisboa 2012 (I)

Acabo de chegar do Pátio da Galé, onde almocei, apesar de o Terreiro do Paço estar virado do avesso mais uma vez (aviso á navegação: a entrada faz-se pela Rua do Arsenal), e nalguns pontos da área de restauração estar demasiado calor. É mesmo necessária uma certa dose de militância para não desistir. Apesar destes inconvenientes, o balanço desta 1ª visita é francamente positivo. Além de se poder comer, também se pode provar vinho (estão lá umas tantas bancas, maioritariamente com vinhos Lisboa, mas também se encontram referências do Alentejo, Peninsula de Setúbal, Tejo, Douro e Bairrada) e comprar produtos de mercearia de qualidade (queijos, enchidos, compotas, etc).
Quanto a restaurantes, pode-se optar pelo 100 Maneiras, Bocca, Eleven, José Avillez, G-Spot, Ribamar, Spazio Buondi, A Peixaria da Esquina, Tasca do Joel ou Umai. Ou seja, o embaraço da escolha. Tiveram que ser tomadas algumas decisões, algumas mais acertadas do que outras, que foram as seguintes (sopas, pratos e sobremesas):
."Sopa de santola" do Spazio Buondi - alguma desilusão, pois se a memória não me atraiçoa, a versão 2011 era bem mais feliz.
."Creme frio de santola" do José Avillez - imperdível, está tudo dito!
."Peixe do dia com xerém de berbigão" do Bocca - embora o xerém estivesse muito bom,  o conjunto não atingiu a excelência.
."Linguas de bacalhau, molho de batata com ovo a baixa temperatura" também do Bocca - prato não muito harmonioso e dificil de comer com garfo e faca; tive que ir buscar uma colher.
."Travesseiro de Sintra com gelado" - agradável, mas sem entusiasmar.
."Penacotta de maracujá com salada de frutas e ..." - todos os ingredientes a ligarem muito bem; excelente sobremesa!
No final do almoço, café Nexpresso. Oferta do Clooney!
Quanto a vinhos, provei uns tantos, mas a minha maior surpresa vai para o produtor Sociedade Agrícola Areias Gordas, Salvaterra de Magos, desconhecido para mim. E que bela surpresa! O responsável pela enologia dá pelo nome de Tomaz Vieira da Cruz e costuma intervir (e bem) no Fórum da Revista de Vinhos.
.Terra Larga 99 branco (não é gralha, é mesmo do século passado) - com base nas castas Fernão Pires (70%), Arinto (25%) e Trincadeira das Pratas, estagiou 4/5 meses "em batonnâge sur lies"; ligeira oxidação que lhe dá nobreza, complexidade aromática, acidez equilibrada, estrutura de boca, bom final, muito gastronómico e cheio de personalidade. Nota 17,5+.
.Areias Gordas Colheita Tardia 09 - nariz exuberante, notas tropicais e de citrinos, algum mel, acidez no ponto, envolvente e bom final de boca; com mais um pouco de acidez daria o salto para outro patamar. Nota 16,5+.
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