domingo, 10 de junho de 2012

Vinhos na inauguração da estátua de D. José I

Fez no passado dia 6 de Junho, 237 anos que a estátua equestre de D. José I foi inaugurada, precisamente no 61º aniversário do monarca. A escultura foi feita por Joaquim Machado de Castro (1731/1822), cuja obra está exposta no Museu Nacional de Arte Antiga, até 30/9. Um familiar fez-me chegar às mãos um artigo intitulado "Vinhos na Inauguração da Estátua Equestre de D. José I", da autoria de Fernando Castelo-Branco, publicado na Revista Municipal de Lisboa, 2º trimestre de 1983.
O evento originou festa rija e dinheiros públicos esbanjados à tripa forra, como é a nossa tradição. Há uma curiosa folha arquivada na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, com o sugestivo título "Lista dos Vinhos, e Licores, que servirão na cea, que o Senado deo na primeira noute, em que se festejou a collocaçao da Estátua Equestre".
A lista abre com 22 vinhos estrangeiros (franceses, espanhois e italianos), nos quais se incluiam néctares de Champagne e Jerez.
Continua com 7 Madeiras (Malvasia, branco doce, tinto seco, branco seco, branco mais claro, palheto e palheto mais claro) e 1 da Ilha de S. Jorge. Curiosa a quantidade de vinhos com origem na Madeira, embora, à excepção do Malvasia, impossíveis de identificar.
Segue com Vinhos do Termo de Lisboa, onde constam Carcavelos, Lavradio (tinto e branco), Barra (barra de uva marota e barra doce), Moscatel de Setúbal, Golegã e Chave Dourada (?!). De estranhar a não inclusão de Colares, cujos vinhos, na altura, eram consumidos regularmente.
Depois de Lisboa, a lista contempla os Vinhos do Alto Douro, em sentido muito lato, pois são incluídos outros algo fora da região demarcada, com se conhece agora. Constam Monção (tinto e branco), Feitoria (Porto 5 anos, primeira, segunda, terceira, quarta e quinta forte), Taboado (tinto, branco e doce). É, para mim, um mistério, estas designações, nomeadamente os Feitoria.
Finalmente, foram ainda servidos 13 licores!
Estranha-se a ausência de qualquer referência às Beiras, em sentido lato, ou a vinhos provenientes do Dão ou de terras bairradinas. Mais ainda, a lista não contempla qualquer vinho alentejano, quando se sabe ser corrente beber-se vinho de Borba. Mistério...
Ó João Paulo Martins, v. que é, também, historiador, quer comentar?

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