terça-feira, 31 de julho de 2012

Generosos do século XIX à prova em Porto Covo

Não, não foi uma prova aberta. Estas raridades e outros vinhos que adiante darei fé, foram provados (e bebidos) ao longo de uma grande jornada em casa do casal Natalina/Modesto Pereira, em Porto Covo, que tiveram a amabilidade de convidar o núcleo duro dos Vinhos da Madeira, que se junta periodicamente para apreciar alguns destes fortificados. Os privilegiados deste grupo são o Adelino de Sousa , que esteve na base destas sessões, Juca, João Quintela, Paula Costa, Alfredo Penetra, José Rosa, Modesto Pereira, eu próprio e, por arrastamento, as nossas caras metades.
Foi um autêntico banquete, organizado de um modo muito profissional, não tendo sido sequer esquecido imprimir o menu do almoço, com a respectiva lista de vinhos. Mas também foi uma memorável sessão de convívio, onde todos apreciaram a qualidade dos comeres e beberes. Nota alta para a Natalina e o Modesto. Eles esmeraram-se!
O repasto iniciou-se com um vinho de Porto Santo (levado pelo João), colheita particular e em cujo rótulo alguém escreveu à mão 1979, desconhecendo-se se esta data corresponde ao ano de colheita, de engarrafamento ou qualquer outra coisa. A casta poderá ser a Listrão, mas é só um palpite. O vinho, servido a uma temperatura algo inadequada, mostrou uma secura um tanto agressiva e é uma curiosidade. Ligou bem com frutos secos.
Com as entradas (peixinhos da horta, rissóis, casquinha de sapateira, cogumelos recheados e presunto Joselito Gran Reserva) foram servidos o espumante Vértice Millésime (que não provei) e o Soalheiro Alvarinho 2010, algo evoluído para a idade. Uma referência para o pão da D.Ercília (Vila Nova de Mil Fontes?). Não me lembro de comer pão tão bom na minha vida.
Com a canja de garoupa e ameijoas, avançou o Soalheiro Alvarinho 2011, versão magnum, mais fresco e mineral.
A lebre com grão foi acompanhada por 3 tintos, versão magnum:
.Esporão Reserva 09 - estagiou em carvalho americano e francês, tendo sido engarrafado em Abril 2010; rótulo da autoria do artista plástico Rui Sanches; frutos vermelhos, alguma exuberância, acidez equilibrada, taninos macios, bom final de boca, muito guloso, a consumir em 4/5 anos. Nota 17,5.
.Qtª Poço do Lobo Reserva 09 - medalha de ouro no concurso Melhores Vinhos da Bairrada; tem 50% de Touriga Nacional, 35% de Baga e 15% de Cabernet; estagiou 12 meses em carvalho francês; fruta discreta,  notas florais, frescura e acidez no ponto, taninos equilibrados, estrutura e bom final de boca. Em forma mais 7/8 anos. Nota 17,5+.
.Qtª Mouro Rótulo Dourado 07 - 96 pontos na escala Parker; tipicidade alentejana bem patente, complexidade, alguma fruta, notas de tabaco, chocolate preto e couro, acidez equilibrada, boca poderosa, final longo; gastronómico e com personalidade. Pode ser guardado mais 5/6 anos. Nota 18,5.
Com as sobremesas (tábua de queijos, tarte de amêndoa, bolo chifon, pinhoadas e salada de frutas), apresentaram-se o clássico Blandy Bual 77 (engarrafamento de 2007), sempre ao nível da excelência, e 2 raridades do século XIX:
.Vinho Velho do Porto 1881, engarrafado para a Imobiliária Construtora Grão Pará - frutos secos, notas de iodo, doce mas equilibrado com alguma acidez, estruturado, bom final de boca; cheio de saúde. Nota 17,5.
.Artur Barros e Sousa Boal 1880 P.J.L.* (levada pelos nossos amigos Adelino e J.Rosa) - côr cristalina, frutos secos, notas de iodo e caril, excelente acidez, final longo; saúde invejável. Nota 17,5+.
* Leio em "A Vinha e o Vinho na História da Madeira - Séculos XV a XX", de Alberto Vieira, que P.J.L. significa Pedro José Lomelino, fundador da adega, tendo-a passado ao seu sobrinho Artur Barros e Sousa, avô dos actuais proprietários, Artur e Edmundo.
Grande jornada. Obrigado Natalina e Modesto!
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6 comentários:

  1. Parabens Natalina e Modesto;voçês conseguiram ultrapassar as minhas espetativas que eram bem altas.Só não subscrevo o texto do Francisco apenas porque não estou completamente de acordo com as classificações dadas aos vinhos.Quanto ao resto - o mais importante - estou 100% de acordo.Saudações enófilas e até breve pois não aceito a situação de que uma jornada como esta não se repita.Bjs-Natalina e Abs-Modesto Juca

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  2. Ó Juca, porque é que não divulgas as tuas classificações. O contraditório é sempre benvindo.

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  3. Estamos a reorganizar o nosso blog no novo endereço e a refazer as ligações para os nossos congéneres. Já colocámos este. Dê uma espreitadela.
    Saudações enófilas.

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  4. Gostei do contraditório.O meu desacordo e que motivou não estar completamente de acordo com as tuas "notas" foi a minha "irritação" por dizeres que o Soalheiro 10 está algo evoluido para a idade,não concordo e direi mesmo que para mim está ÓTIMO para consumo e está mais apetecivel que o 2011 tambem belissimo mas "algo" demasiado jovem e com uma exuberância de aromas "algo" exagerada.Talvez em 2013 esteja no ponto e até acredito que venha a ser mais apetecivel que o atual 2010.A ver vamos.As diferenças nos restantes vinhos não têm significado que justifique qualquer outro comentário.Claro que não aditei ou aditarei + ou - nas minhas notas,mas isso é outra conversa.Ok,grande Xico ? Já agora,não achas que podias ter sido mais simpático e dado,pelo menos,18 ao Bual 1880 ? Saudações enófilas e um grande abraço Juca

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  5. Tudo bem, só que, em relação ao Soalheiro, concerteza provámos 2 garrafas diferentes.

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  6. Não sabia que tinha existido tal prova em Porto Covo. Parabéns por terem escolhido esta magnifica Aldeia.

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