quinta-feira, 30 de agosto de 2012

À descoberta do novo Terreiro do Paço (II)

Depois de, há cerca de 1 mês, ter falado sobre o Populi, a crónica de hoje é sobre o Can the Can, ali mesmo ao lado. É um espaço de grandes contrastes que ou se ama ou se odeia. Para quem goste de conservas de qualidade, como eu, o menú deste restaurante, muito original e imaginativo, vem mesmo ao nosso encontro. Para quem venha por engano, há sempre 1 prato de bacalhau e 1 bife.
O espaço é, todo ele, dedicado e inspirado nas nossas conservas. Logo à entrada, um enorme candeeiro de tecto, feito com dezenas de latas de conserva, paira sobre as nossas cabeças. No final, até a conta vem numa destas latas ! Já no início do repasto o pão veio em latas redondas, onde se pode ler "filetes de atum",  que pode ser molhado no azeite em lata posta em cima da mesa. Há, ainda, expositores dentro do restaurante e fora (na esplanada) com diversos tipos e marcas de conservas.
Voltando à ementa, constatamos haver 7 entradas (com base em anchovas, muxama, bacalhau, peixe espada preto, cavala alimada, truta fumada e, ainda, uma tábua de degustação das ditas), diversas tibornas, saladas e massas, onde a conserva é praticamente omnipresente. Já tinha anteriormente provado uma excelente salada de ventresca de atum com favinhas mas, desta vez, optei por carpaccio de beterraba com cavala fumada, não tão bem conseguida (a cavala dá só aquilo que pode dar e a mais não é obrigada).
Mas, onde este curioso projecto claudica é no sector dos vinhos. A lista é curta, desequilibrada e desinteressante, inclui 11 brancos, 5 tintos (zero Douro!), 2 rosés, 2 espumantes, 2 moscateis e 3 portos de baixa gama. Com excepção dos mais caros, os preços são exagerados e poderão afastar potenciais clientes.
A copo, apenas os da casa (JP branco e tinto a 3,60 €) e o Ninfa, também nas versões branco e tinto, a 5,80 €, um preço especulativo que não se entende. Bebi o JP branco (simples e correcto, mas sem deixar recordações), em copo generosamente servido, que não foi dado a provar nem sequer mostrada a garrafa.
Em conclusão, vale a pena a visita ao Can the Can pela ementa, lamentando-se que a componente vínica não acompanhe a gastronómica (já agora, senhores responsáveis pelo restaurante, não podem dar uma espreitadela ao vosso vizinho Populi?).
Nota final, as conservas podem ser aqui compradas, mas também no "Sol e Pesca" (R.Nova do Carvalho, ao Cais Sodré) ou na "Loja PortueZa da Baixa" (esquina da R.Fanqueiros com a R.Comércio).

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