domingo, 23 de setembro de 2012

Grupo dos 3 (24ª sessão)

Após o interregno do verão, que ainda demorou alguns meses, regressaram as provas do Grupo dos 3. Esta última sessão foi da responsabilidade do João Quintela que escolheu o restaurante Casa da Dízima, situado em Paço d'Arcos, num espaço histórico devidamente modernizado. Segundo o portal do restaurante, a Casa da Dízima, inaugurada em Maio 2003, ocupa um espaço quinhentista, utilizado no tempo do Marquês de Pombal para recepção do pagamento do imposto sobre o pescado, do qual uma décima parte revertia a favor do dito Marquês. Daí o nome.
Foi uma boa aposta. Sabe sempre bem, estarmos a provar vinhos num espaço acolhedor, com um bom serviço de vinhos, ambiente requintado e bons copos Schott. Tem, ainda, um terraço/esplanada com todas as condições para se refeiçoar no tempo ameno. O responsável e animador deste espaço dá pelo nome de Pedro Baptista, curiosamente homónimo do gerente do BG Bar que é primo do nosso amigo bloguista Rui Miguel (Pingas no Copo). Coincidências...
Não registei o nome do chefe, mas tudo o que veio para a mesa estava irrepreensível. Comemos:
.folhado de cogumelos e presunto pata negra com redução de Vinho do Porto
.filetes de polvo com arroz de coentros e ameijoas
.naco de vitela com molho de vinho tinto e risotto de espargos verdes
.carpaccio de morango com bolo de chocolate de leite
Quanto aos vinhos provados às cegas, como é habitual:
.Bill Sauvignon Blanc 07 (Chile) - aroma inicialmente austero (veio demasiado frio para a mesa), ataque na boca adocicado, notas de glicerina, belíssima acidez, alguma estrutura e bom final. Gastronómico e fácil de gostar. Nota 17,5.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 09 (em magnum) - côr palha, austero, acidez elevada a dar-lhe longevidade, notas de citrinos, mineral, equilibrado e elegante, final longo; melhorou com a subida da temperatura. Tem, ainda, uns tantos anos de vida. Nota 17+ (noutras situações 16+/16,5/16,5/17,5+/17,5+/17,5+/17,5+/17,5/).
.Dow's Vintage 07 (amostra de casco) - ficou aquém da expectativa criada para um vintage pontuado com 100 pela Wine Spectator ( houve mais provas não coincidentes: Wine Advogate 96, Wine Enthusiast 96, International Wine Cellar 95 e Wine & Spirits 94); de qualquer modo, provar uma amostra de casco não é a mesma coisa que estarmos a provar de uma garrafa. Mostrou fruta preta, doçura, acidez  equilibrada, taninos firmes e bom final de boca. Nota 17,5.
Extra concurso, como se costuma dizer, e por simpática oferta do Pedro Baptista, provámos o Blandy Terrantez 20 Anos, muito agradável, mas sem fazer subir aos céus (foi um dos escolhidos pelo João Paulo Martins, como um dos melhores do ano, no Guia 2013, saído recentemente). Em relação a este vinho, há 2 pormenores que me surpreenderam e que gostaria que alguém me elucidasse: não indica a data de engarrafamento e declara-se meio doce (achei-o seco, algures entre o Sercial e o Verdelho, talvez mais próximo do 1º). Mistérios...
Mais uma boa jornada, num espaço de eleição. Obrigado João!

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