domingo, 2 de setembro de 2012

O Pera-Manca, a OIV e nós

A Revista do Expresso, editada em 25 de Agosto e dedicada à década 1993/2002, incluiu a crónica habitual do João Paulo Martins, só que, desta vez, este crítico faz o balanço dos anos 90 e dá-nos conta da sua selecção da década, sendo um dos vinhos eleitos o tinto Pera-Manca 1998. Eu não sou, nem nunca fui, um fã do Pera-Manca. Embora sem o estatuto deste, acho muito mais interessante o Scala Coeli, uma aposta mais recente da Fundação Eugénio Almeida.
Mas a leitura da crónica do JPM, fez-me lembrar uma história passada connosco nas CAV e que teve, como figura central, o badalado Pera-Manca. É uma história que quero partilhar com os amigos e leitores deste blogue. Situamo-nos precisamente no ano de 1998. Foi neste ano que decorreu, no período de 22 a 26 de Junho, no Centro Cultural de Belém, o XXIII Congresso Mundial da Vinha e do Vinho, organizado pela OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho).
As CAV, estrategicamente situadas no CCB, onde iria decorrer o referido Congresso, com profissionais de todo o mundo vitivinícola, era um espaço apetecido pelos produtores e distribuidores que gostariam de ver os seus vinhos de referência nas prateleiras da nossa loja. Alguns dias antes do início do Congresso, as CAV foram objecto de visita dos citados produtores e distribuidores, que vinham confirmar "in loco", se os seus vinhos mais emblemáticos estavam ali bem visíveis. Uma das visitas foi dos responsáveis máximos da Fundação Eugénio Almeida, que ficaram deveras admirados e confusos quando não avistaram qualquer garrafa de Pera-Manca. Questionados sobre tão insólita situação, respondemos que não alinhávamos em especulações, pois os preços praticados pelas distribuidoras apontavam para aí. Proposta da FEA: e se nós lhes vendessemos directamente? E assim aconteceu. O Pera-Manca passou a ficar bem visível nas CAV e a um preço acessível, após termos chegado a um acordo quanto às condições de compra e venda, que respeitámos até à última garrafa..
Um final feliz para nós, para a FEA e para os congressistas que quiseram levar de Portugal um vinho emblemático.

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