quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Rescaldo da ida ao Norte (IV)

A caminho de Guimarães para o Porto, é obrigatório o desvio em direcção à Portela, próximo de Famalicão, onde se situa um dos melhores restaurantes de cozinha de autor que conheço. Dá pelo nome de Ferrugem e foi objecto de reportagem e crítica desenvolvida, aliás muito positiva, por parte da Revista de Vinhos (Abril 2009). O casal de chefes Dalila Mónica e Renato Cunha propõe "(...) uma cozinha de alquimia, onde os ingredientes tradicionais portugueses se vão descobrindo em novas texturas e harmonias, numa ementa dinâmica (...)".
O Ferrugem é um espaço moderno e requintado, perdido numa aldeia, com as mesas bem aparelhadas, mas com déficite de iluminação (há zonas de penumbra onde será difícil apreciar o que se está a comer). Oferece, nesta altura do ano, Menu Outono em 3 momentos (29 €), Menu Degustação em 4 momentos (33 €, mais 16 € para vinhos) ou em 6 momentos (45 €, mais 24 € para vinhos) e, ainda, Menu Concurso Vinhos Verdes e Gastronomia 2012 (50 €).
Foi escolhido o de 4 momentos, tendo desfilado na mesa:
.caviar português (ovas de sardinha e caviares de vinagre, tomate, broa de milho, ervas finas e espuma de azeite)
.caldo verde com broa
.bacalhau com tosta, azeitonas e legumes
.trilogia de porco bísaro (orelha, língua e rojão) com puré de favas e chouriço
e, ainda, sobremesa, pera bêbeda com tarte de queijo.
Estava tudo 5 estrelas, tanto nos paladares com na apresentação. Os parabens à Dalila, a chefe de serviço quando da minha visita.
Oferta equilibrada de vinhos, nem curta nem excessiva, bem seleccionada, tudo datado e preços cordatos. Têm 12 vinhos de mesa a copo (15 cl), sendo 4 brancos, 1 rosé, 5 tintos e 2 espumantes. Acresce 10 Portos (para os Vintage, mínimo 4 pessoas), 2 Madeiras e 3 Moscatéis (7 cl), o que é uma excelente e invulgar oferta.
Bons copos (Schott), serviço a olho, a garrafa vem à mesa e o vinho é dado a provar. Acompanhei os 3 primeiros momentos com Soalheiro Alvarinho 2011 (3,60 €), uma aposta sempre segura e já aqui referido. O 4º momento teve a companhia do Sedna Reserva 2009 (4 €), cuja 1ª garrafa veio à temperatura ambiente, tendo sido de imediato substituída por uma outra à temperatura correcta. O Sedna, ainda demasiado jóvem para o meu gosto, cumpriu a sua função. Serviço eficiente.
Em conclusão, uma grande jornada num restaurante de muita qualidade. Só é pena, não ficar mais à mão.

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