quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Rescaldo da ida ao Norte (V)

Já há alguns anos que não ia ao Porto. Calhou agora, depois de visitar Guimarães e antes de regressar a Lisboa. Numa das minhas deambulações pela cidade, ao passar na Passos Manuel, fiquei vidrado nas montras do restaurante La Ricotta. Em grande evidência, lá estavam umas tantas garrafas da Niepoort (Charme, Batuta, Robustus, Redoma Reserva, entre outras) a provocarem quem passava. Cá fora, uma ardósia referia que se podia almoçar por 12 €, de 2ª a 6ª feira, com direito a couvert, entrada, prato, sobremesa e uma bebida. Não resisti...
O La Ricotta aposta forte no vinho, com uma série de expositores no interior, grande parte dedicada ao Vinho do Porto. Têm uma boa selecção e a carta de vinhos muito didáctica, pois indica as castas de cada vinho e, ainda, o tempo de estágio em madeira, o que é uma agradável surpresa. Contabilizei 123 referências, tudo datado. São 4 champanhes, 6 espumantes, 32 brancos (1 é colheita tardia), 52 tintos, 1 rosé, 26 Porto, 1 Madeira e 1 Moscatel. Os preços das gamas baixa/média são para o caro, mas a gama alta é deveras acessível. Quanto a vinhos a copo, a oferta é também alargada: 3 brancos, 5 tintos, 1 champanhe, 1 espumante, uma vintena de Porto, 1 Madeira e 1 Moscatel.
Bebi um copo do branco Burmester 2011 - aroma discreto, notas de citrinos, fresco, descomplicado, estrutura média e final seco. Acompanhou bem a entrada, mas passou por baixo do prato. Nota 15. Foi servido num bom copo (Schott), mas a olho (15 cl?), a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
Quanto a comidas, comecei por uma entrada vegetariana, sem história, continuei com um bacalhau à Braz, farto, saboroso e bem apresentado. Optei, em vez da sobremesa, por beber um copo de Niepoort Tawny Senior (7 anos), uma autêntica surpresa, pois apresentou uma complexidade dificil de encontrar num 10 anos. Nota 17.
Falta referir que este espaço é aconchegado e tem um bom ambiente, embora a música de fundo pudesse estar mais baixa. Serviço eficiente e profissional. Finalmente, nos tachos está a Liliana Alves e a gerir o Miguel Sousa. Recomendo vivamente, pois é um espaço onde um enófilo se sente bem.

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