quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A Qtª do Crasto, a Blogosfera e a Bo Derek (II)

Continuando a crónica anterior...
4.A prova
Em ambiente recatado foram provados 8 vinhos, 1 branco e 7 tintos, sendo 3 da colheita de 2010 e estando os restantes já fora do mercado. De salientar que, no meu entender:
.a grande surpresa da prova foi o branco, a ter uma evolução surpreendente
.o teor alcoólico subiu acentuadamente das colheitas mais antigas, com excepção do Tinta Roriz, para a mais recente, passando dos 12 a 13 % vol. para os actuais 14 % vol.
.o mais velho deste painel (Reserva 94) ainda está cheio de saúde
Vejamos, então, as minhas impressões em versão telegráfica:
.Crasto 07 Branco (12,5 % vol.) - fruta madura, notas abaunilhadas, boa acidez, estruturado e equilibrado; evoluiu muito bem e está no ponto para ser consumido, mas aguenta mais 3/4 anos. Nota 17,5 (noutra situação 15,5+).
.Qtª do Crasto 98 (12,5 % vol.) - engarrafado em Junho 99, com base nas castas T.Roriz (30 %), T.Barroca (20 %) e T.Nacional (50 %); nuances atijoladas, aromas terciários, boca delicada, está na curva descendente; a despachar rapidamente. Nota 12,5.
.Qtª do Crasto T.Nacional 96 (12 % vol.) - engarrafado em Novembro 97, estagiou 1 ano em barricas de carvalho francês; côr ainda viva, especiado, chocolate preto, notas florais, acidez no ponto, elegante e equilibrado, taninos macios e bom final. Nota 17.
.Qtª do Crasto Reserva 94 (13 % vol.) - engarrafado em Novembro 95, estagiou 1 ano em barricas de carvalho francês; exuberância aromática, especiado, notas de tabaco e couro, taninos aveludados, final extenso; ainda está longe da reforma. Nota 17,5.
.Qtª do Crasto T.Roriz 97 (14 % vol.) - engarrafado em Novembro 98, estagiou 14 meses em carvalho americano; ainda com alguma fruta madura, redondo, algo marcado pela madeira, já passou pela fase mais interessante. Nota 16+.
.Crasto 10 (13,5 % vol.) - muito frutado, acidez e taninos discretos, algo chato na boca, moderno e fácil de beber, indicado para se beber enquanto novo. Nota 15 (noutra 15,5+).
.Crasto Superior 10 (14 % vol.) - produzido a partir de uvas do Douro Superior, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; aroma intenso, fruta vermelha, taninos macios e um final doce; fácil de beber, não é um vinho de guarda. Nota 16+ (noutra 16,5).
.Qtª do Crasto Vinhas Velhas 10 (14 % vol.) - estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês e americano; alguma complexidade aromática, acidez no ponto, elegante e equilibrado, profundidade e final extenso; tem tudo no sítio e aguenta mais 7/8 anos. Nota 17,5+.
5.O almoço
Antes de irmos para a mesa, junto à piscina, bebemos o Crasto 11 Branco (terá uma evolução tão boa como o 07, interrogo-me) a acompanhar uns aperitivos. Obrigatório contemplar o rio e os vinhedos à volta. Uma paisagem deslumbrante, a preparar os espíritos e os corpos para o almoço. Só lá faltava a Bo Derek...
O repasto correu em ambiente de são convívio e na companhia do Pedro Almeida. Comemos o prato típico das vindimas, ou seja, uma bela feijoada, bem regada com uma série de pingas que foram desfilando pela mesa. Começámos pelo Crasto Superior 07 e continuámos com os tintos Vinhas Velhas 04 (em grande forma), Tinta Roriz 09 (ainda demasiado novo, para ser bebido agora) e Vinha da Ponte 04, versão magnum (a colheita da década e um grande vinho, do melhor que tenho bebido nos últimos anos). Depois, com a sobremesa, vieram o Porto Reserva (um rubi superior), o LBV 07 e o Vintage 87, a portarem-se bem.
Aproveito para dar uma boa notícia aos apreciadores do estilo tawny, onde eu me incluo: a Qtª do Crasto vai lançar um Colheita 97, ainda não engarrafado. Aguardemos, então...
6.A fechar
Contabilizados os vinhos provados à séria (8) e os bebidos descontraidamente no almoço (8), chegamos ao total de 16, o que já é uma quantidade de respeito. O pessoal da Qtª do Crasto esmerou-se. Fomos mesmo bem tratados!
A propósito e consultado o meu Quadro de Honra de Vinhos Tintos (vinhos registados e classificados com 18,5 ou mais), balanço feito em 21/8/2012, constato que a Qtª do Crasto está em 1º lugar com 13 referências (4 Vinha da Ponte, 4 Maria Teresa, 3 T.Nacional, 1 Vinhas Velhas e 1 Xisto). É, pois o produtor da minha preferência.
Finalmente, não resisto a repetir o que já escrevi em crónica anterior: "(...) as nossas relações pessoais e institucionais com as pessoas da Qtª do Crasto, foram sempre exemplares. Eles são uns grandes Senhores! (...)".


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