domingo, 21 de outubro de 2012

Grupo dos 3 (25ª sessão)

Mais uma sessão deste núcleo durísimo, com vinhos da minha garrafeira e num espaço escolhido por mim, o Tágide Wine & Tapas Bar, sito no Largo da Academia Nacional de Belas Artes, do qual já dei notícia em 10/5/2012 ("Uma volta pelo Chiado (III)"). O serviço de vinhos, a cargo do responsável do restaurante Tágide, António Roquete de seu nome, foi impecável e muito profissional. A gastronomia, com pratos mais interessantes (fabulosa a sobremesa!) e outros menos, esteve a cargo do chefe Luis Santos.
Começámos por um colheita tardia e acabámos com um moscatel de eleição. Pelo meio, apreciámos 2 tintos de respeito do ano de 2004, considerada a colheita da década, sendo um do Douro e o outro do Alentejo, todos provados às cegas. Vejamos, então:
.Grandjó Late Harvest 07 - aroma intenso, citrinos bem presentes, gordura, estrutura e profundidade, final extenso; se tivesse um pouco mais de acidez, dava o salto para outro patamar. Mesmo assim, nota 17,5. Acompanhou uma terrina de fígados de aves, com pêra rocha e pistachios. Antes de virem os 2 tintos, devidamente decantados, foi servido um sorbet de limão com limoncello, para limpar o palato.
.Zambujeiro - côr muito viva, especiado, notas de tabaco e chocolate preto, acidez no ponto, taninos robustos mas não agressivos, estrutura e final muito longo; estará, neste momento, no pico da forma (em novo é praticamente imbebível), mas aguenta bem mais 5/6 anos. Quem diz que não há alentejanos de guarda? Sempre apreciei esta marca, mas acho que tem passado ao lado dos enófilos e outros consumidores. Nota 18,5 (noutras situações 18,5/18,5/18+/18,5 o que é uma regularidade impressionanate).
.Charme - côr mais aberta, aroma mais discreto, acidez bem presente, elegância, equilibrio e harmonia ao estilo da Borgonha, final longo; vai aguentar seguramente mais 7/8 anos a beber com prazer. Nota 18 (noutras 18/17/17+/16,5/16,5/18,5 o que denota alguma irregularidade). Os 2 tintos beberam-se com um lombo de bacalhau confitado em azeite extra virgem com aromas de caldeirada e um magret de pato com escargots, beterraba e esparregado de espinafres.
.Trilogia - um grande moscatel da José Maria da Fonseca, resultante de um lote de vinhos de 1900, 1934 e 1965, nariz exuberante, notas de laranja, presença de frutos secos e caril, acidez evidente, boca poderosa e final interminável. A levar para uma ilha deserta! Nota 19 (noutras 18,5/19). Foi lindamente com um mil folhas de azevia, que esteve à altura do desafio. Finalmente, com o chefe Luis Santos e o António Roquette sentados na nossa mesa, acabámos o almoço com um belo gelado de mel e nozes.
Mais uma boa sessão, com um lote de vinhos de se lhes tirar o chapéu!

2 comentários:

  1. Parabens Xico.A tua seleção de vinhos foi notável e merece ser colocada no podium destes almoços.O local magnifico aditando a sala do restaurante com aquela vista fabulosa de Lisboa.Quanto à gastronomia,subscrevo a tua ap+reciação.
    NF-Confesso que só não chamei ao Grandjó um Icewine do Canadá porque achei que lhe faltava um pouco mais de acidez e ...Este 2007 está talvez o melhor de todos os saidos até hoje.Mais uma vez,Xico,obrigado e só espero que repitas a dose na próxima vez.Juca

    ResponderEliminar
  2. Obrigado pelas tuas palavras e ainda bem que gostaste. Penso que o João tem a mesma opinião, mas tem "vergonha" de a escrever. Aliás só partilho este tipo de vinhos com quem sabe apreciá-los.

    ResponderEliminar