quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Jantar Quinta de Sant' Ana

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez em parceria com o Restaurante Tágide. Vista fabulosa sobre Lisboa, bons vinhos, gastronomia à altura, bons copos, temperaturas controladas e serviço profissional. O que se quer mais?
A Quinta de Sant' Ana fica em Gradil, encostada à Tapada de Mafra, num sítio improvável para grandes vinhos. Mas, no entanto, o trabalho de James Frost na viticultura e do António Maçanita na enologia deram fruto. A Quinta era pertença dos pais da Ann, de nacionalidade alemã, agora casada com o britânico James. Nela nasceram os vinhos que provámos no jantar de ontem, a saber:
.Qtª de Sant' Ana Riesling 2011 e Sauvignon Blanc 2011 - ambos austeros no nariz, frescos e elegantes, com uma acidez a prolongar-lhes a vida, mais mineral e citrino o Riesling, a pedir tempo de garrafa para se mostrar, mais estruturado e com uma componente de espargos bem evidente, o segundo. Notas 16 e 16,5. Acompanharam, respectivamente, uns tantos canapés e um tártaro de salmão.
.Q de Sant' Ana Pinot Noir 2010 - estagiou 14 meses em barricas usadas, côr não muito viva, alguma fruta, notas florais, fresco e harmonioso, taninos domesticados, estrutura e bom final de boca, em forma mais 7/8 anos; uma boa surpresa. Nota 17,5. Curiosamente este belo vinho foi desclassificado pelos burocratas da CVR Lisboa, por falta de côr (!?) e tipicidade, sendo considerado, à face da lei, um mero vinho de mesa. Haja paciência, para tanto dislate! Foi bebido com um folhado de cogumelos com faisão.
.Qtª de Sant' Ana Homenagem a Baron Gustav von Für Stenberg 2007 (o sogro) - com base nas castas Merlot e T.Nacional em partes iguais, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês - aroma vibrante, especiado, acidez equilibrada, taninos macios, profundidade e muito fino. Para beber nos próximos 6/7 anos. Nota 17,5. Servido com bochechas de porco e migas de legumes.
.Qtª de Sant' Ana Colheita Tardia (lote de 2010 e 2011) - tem um perfil nada comum aos Colheita Tardia/Late Harvest a que estamos habituados; nariz pouco expressivo, notas de maçã assada e mel, acidez evidente e gordura inexistente. Uma agradável curiosidade. Acompanhou uma belíssima sobremesa de mil folhas de azevia.
Finalmente, foi pena que a sala não tivesse ficado, na sua totalidade, por conta do jantar vínico, pois os clientes normais eram, para o meu gosto, demasiado ruidosos.

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