segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Declaração de Princípios

Já tenho abordado este tema, por diversas vezes, embora sempre a avulso. Volto ao assunto, procurando agora sistematizá-lo. Pretendo que esta declaração seja simples e clara.
O primeiro e grande objectivo deste blogue é, simplesmente, partilhar com quem me lê as minhas impressões, sejam de vinhos da minha ou de outras garrafeiras, sejam de visitas a restaurantes, onde ponho o acento tónico no serviço de vinhos, sejam de livros relacionados com o tema. Não sou, nem pretendo ser, crítico de vinhos (daí não receber amostras para prova) nem de restaurants. Também tenho partilhado pequenas histórias, ocorridas durante a minha permanência nas Coisas do Arco do Vinho e que me pareceram interessantes difundir.
Continuarei a divulgar o que me parece susceptivel de reparo, independentemente do estatuto de quem critico. Para mim, não há intocáveis.
Embora este blogue esteja vocacionado para o mundo do vinho e tudo o que o rodeia, poderei abordar outros assuntos que ache importante partilhar.
Finalmente, escrevo e continuarei a escrever de acordo com a antiga ortografia.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Mais uma boa jornada na Fonte Santa

Em visita recente à Quinta da Fonte Santa, domínio do Banco de Portugal, tive o prazer de usufruir um belíssimo repasto, a que a equipa da casa (o Filipe e a Vanessa) já nos habituou (ver crónicas de 14/3 e 27/10/2011).
Começou-se por uma agradável e original entrada, uma espécie de 2 em 1 de camarão, isto é, um coquetel de camarão e uma cebolada de manga com o dito.
O prato principal foi um fresquíssimo e opulento pargo assado, com mais de 3 quilos, acompanhado de uma saborosa tibornada. Como sobremesa avançou um petit gateaux com coulis de frutos silvestres e gelado de baunilha, de comer e chorar por mais. E ainda havia queijos de Niza e Serra d'Ossa.
Os vinhos vieram todos da garrafeira do nosso amigo Alfredo Penetra, a saber:
.Champanhe Canard-Duchêne Charles VII - fresco, fino e elegante, bolha persistente; muito agradável para início de refeição. Nota 16,5.
.Morgado Santa Catherina 09 - a caminho da excelência do 2008, acidez, equilibrio, profundidade e final de boca. Nota 17,5 (noutras situações 16,5+/17,5).
.Qtª Monte d'Oiro Madrigal Viognier 09 - aroma complexo, ligeira oxidação, madeira discreta, acidez no ponto, elegância e personalidade, estrutura de boca, deveras gastronómico; não tem nada a haver com as colheitas iniciais, que eram uma fraude (vinhos pesados a preços especulativos). Nota 18.
.Ferreira Vinhas Velhas 07 - mantém o perfil já descrito (ver crónica sobre o grupo Novo Formato, em 10/12/2011). Nota 18,5 (noutras 17,5+/18/18,5+).
.Krohn Colheita 78 (engarrafado em 2008) - frutos secos, alperce, mel, caril, um toque de iodo, bela acidez, estrutura de boca, final longo. Esta marca nunca nos deixa ficar mal, além de excelente pratica preços não especulativos. Nota 18,5+.
Mais uma boa jornada. Obrigado Alfredo!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Bufete no Clara Chiado

Por 11 € pode-se comer, no wine bar do Clara Chiado, 1 sopa, uma série de entradas frias, 2 pratos quentes e 1 sobremesa, nada verdeiramente entusiasmante. Bebidas à parte.
A carta de vinhos, está elaborada com base no Alentejo e no Douro, tem algumas boas referências, mas sem critérios nos preços, alternando preços cordatos com outros algo especulativos. Datação incluida como mandam as regras.
A copo disponibiliza 1 espumante, 2 champanhes, 7 brancos, 3 rosés e 4 tintos, o que considero uma boa oferta, embora desequilibrada (a quantidade de tintos é, nesta altura do ano, curta). Custam a maioria 5 €, o que é um exagero, até porque os vinhos são quase todos de entrada de gama.
O serviço também não ajuda. Depois de se terem enganado na garrafa solicitada (Catarina em vez de Morgado de Santa Catherina), acabou por uma outra, um belíssimo arinto "Prova Régia", ter vindo para a mesa já aberta, embora fosse dada a provar. Copos aceitáveis.
Em conclusão, um espaço simpático, mas com nada de muito aliciante que me faça voltar tão cedo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Almoço no Faroleiro

O Faroleiro é um dos muitos restaurantes de peixe, espalhados pelo Guincho. Boa matéria prima, mas serviço atabalhoado.
Carta de vinhos sem datação, algumas escolhas criteriosas no Alentejo e Douro, preços altos com um ou outro mais cordato, ausência de oferta a copo. Serviço de copos à antiga, destinando-se o maior para a água e os outros para os vinhos, sendo o dos brancos minúsculo. Foi quase necessário obrigar o empregado trocar a ordem dos ditos.
Bebeu-se o Dona Berta Rabigato Vinhas Velhas Reserva 09 - fruta madura, acidez plena, madeira discreta, boca poderosa e bom final, personalidade quanto baste; ainda está longe da reforma. Nota 17,5+.
O vinho estava gelado e, ainda por cima, veio num balde com gelo. Só desgraças!
Curiosamente constatei, pelo parque automóvel circundante, que todos os restaurantes no Guincho estavam cheios. É a crise...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Uma volta por Linda-a-Velha

Numa primeira incursão abancámos no Jacó (Rua Rangel de Lima,2), restaurante tipicamente tradicional, paredes saturadas de fotografias e alguns artefactos, ementa em ardósias, televisão ligada embora sem som, toalhas e guardanapos de papel. Cozinha segura, com algumas opções de grande qualidade (provou-se um excelente javali estufado com puré de batata, arroz de bacalhau com gambas e Braz de camarão bem confeccionados.
Lista de vinhos mal arrumada e sem datas, algumas referências interessantes, preços desajustados e meia dúzia de vinhos a copo. Aposta forte em whiskies e aguardentes velhas. Bons copos, mas o serviço não foi testado (levei vinho de casa, já comentado anteriormente).
Um segundo repasto teve lugar no Alma Lusa (Rua Irene Lisboa,3 A), nos antípodas do anterior. Sala remodelada, sóbria, mesas bem parelhadas, guardanapos de pano, serviço eficiente mas nada personalizado. Cozinha tradicional com boas opções. Comi umas divinais iscas, prato que não é nada fácil encontrar nos nossos restaurantes.
Carta de vinhos com algumas raridades (uma colecção de Barca Velha e Pera Manca, a preços cordatos), razoável oferta de generosos, mas um pouco parada no tempo. Preços na generalidade altos, bons copos e oferta de vinho a copo diminuta. Aceitámos o vinho recomendado, que veio para a mesa um pouco acima da temperatura ideal, mas prontamente corrigida, o tinto Andreza Reserva 09 - muito frutado, jovem e irrequieto, boca poderosa, taninos redondos, guloso. Boa relação preço/qualidade (14,90 € até ao final do mês). Nota 16,5.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Uma volta por Algés

A nossa escolha para almoço apontou para o Restaurante Taberna Le Petit d' Algés, nas bordas de Lisboa, mas já em terras do Isaltino. O Le Petit é um clássico, recentemente transfigurado, no bom sentido, com cores vermelhas e fotos alusivas ao vinho. Cozinha tradicional, sem grandes rasgos, e petiscos para o final de tarde.
Lista de vinhos de média dimensão, com algumas referências interessantes e alguns narizes de cera, como diz o José Quitério, sem datas, com preços acessíveis, e algumas surpresas, como por exemplo, Barca Velha 148 €, Reserva Especial 49 €, CV 58 € e Torre do Esporão 75 €! Oferta centrada no Alentejo e Douro.
A oferta de vinhos a copo está reduzida a meia dúzia de tintos (e os brancos, senhores?), guardados em dispensadores, que lhes garantem conservação e temperaturas correctas. São servidos em copos bonitos, mas de formato invulgar. Nas mesas canecas de barro!? Serviço a cumprir os mínimos.
Bebeu-se a garrafa nº 1138 de 1400 de Projectos Niepoort Riesling 06 - nariz exuberante, fruta madura, frutos secos, toque oxidativo, belíssima acidez, presença na boca, persistência final. Não vale a pena guardar mais tempo. Nota 17.
Noutra visita poisámos no Afonsos, que fica na Av. General Norton de Matos, mesmo encostado à PSP (Algés? Miraflores?), o que tem vantagens (segurança pessoal e dos nossos teres e haveres), mas também inconvenientes (os primeiros a ser apanhados num eventual sopro de balão). Tem uma sala muito acolhedora, cheia de recantos e uma clientela à base de executivos. O serviço, embora com falhas, é esforçado, mas a cozinha precisa ser reciclada, pois apresentou algumas insuficiências.
Carta de vinhos com algumas ofertas interessantes, preços altos, sem datação e tudo arrumado por ordem alfabética!? Não tem vinhos a copo e o serviço não cumpre os mínimos. A garrafa solicitada (Fronteira Selecção do Enólogo 07) já veio aberta e não era a pedida. No seu lugar veio o Fronteira do mesmo ano, mas da gama de entrada, que nem sequer constava na carta. Ainda por cima cobraram ao preço do outro, o que originou que reclamassemos. O vinho acabou por ficar, mas tinha excesso de ácido acético. Nota 10. Só desgraças!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Uma volta por Campo de Ourique (II)

Ontem, finalmente, consegui ir à Cervejaria da Esquina e comer o prego de atum dos Açores. A conselho do empregado, o prego veio no pão, ainda quente e estaladiço. Simplesmente divinal! Também pode ser servido no prato, mas não é a mesma coisa. Como acompanhamento, à parte, pode-se comer batata frita, arroz ou legumes. Optei, em boa hora, pelos legumes, uma boa dose com base nuns deliciosos cogumelos frescos. Antes do prego, comi um belíssimo creme de marisco que me aqueceu a alma.
O restaurante, já muito badalado, resultou da remodelação de um antigo espaço. É muito agradável a decoração moderna, as madeiras e toda aquela claridade, com a cozinha à vista, praticamente dentro da sala. As toalhas, de papel, têm impresso a carta de vinhos. Ideia original, mas não muito prática. Imprimem novas toalhas cada vez que haja alteração dos vinhos? Não me parece. Os guardanapos são de pano, o serviço profissional e despachado.
A carta de vinhos contém 8 espumantes e 2 champanhes (4 a copo), 35 brancos (13 a copo) e 23 tintos (11 a copo). A Dão Sul tem quase 20% das referências o que, não sendo monopólio, considero excessivo. Não descortinei vinhos generosos, o que é um ponto fraco, caso não haja.
Bebi o Qtª do Pinto Chardonnay/Viognier 07, servido num bom copo, com uma boa quantidade (14 cl? 15 cl?), mas servida a olho. A garrafa veio à mesa e o vinho foi-me dado a provar.
Quanto ao vinho, mostrou um bom casamento das castas utilizadas, uma ligeira oxidação que o enobrece, aroma com complexidade, untuoso, acidez a equilibrar o conjunto, madeira discreta, estruturado e bom final de boca. Um grande branco de Lisboa de um produtor que importa conhecer melhor. Nota 17,5+.
Como apontamento final, a presença na equipa do Vitor Sobral da Catarina, que foi no passado responsável pela cozinha do restaurante A Commenda.
Hei-de voltar, quanto mais não seja, para comer o prego de atum!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Uma volta por Campo de Ourique (I)

No início do ano, exactamente dia 3, rumei a Campo de Ourique com destino à Cervejaria da Esquina, com um objectivo muito concreto : comer o badalado prego de atum. Só que este restaurante estava fechado e só abriria uns dias depois. Azar, bati com o nariz na porta.
Acabei por ir parar ao Degusta, uma marca produtora(?)/distribuidora de biscoitos, bolos e doces, especialmente de Aveiro, que também serve refeições. Por 4,95 € come-se uma bela sopa (a lembrar as do Celeiro), um crepe com acompanhamento (salada, batata frita ou arroz), bebida e café. Serviço simpático e eficiente. Um achado em tempo de crise. Difícil, por este preço, encontrar melhor. Fica na R. 4 de Infantaria, mesmo junto ao Jardim da Parada.
E já que estava na 4 de Infantaria, resolvi dar uma espreitadela à Soul Devotion, uma das esplanadas seleccionadas em artigo publicado na Revista de Vinhos e assinado pelo jornalista Samuel Alemão. Constatei "in loco" que estava definitivamente encerrada (há cerca de 3 meses, segundo informação colhida na zona). Não me espantou que tivesse morrido sem honra nem glória. Tive a oportunidade de confirmar as minhas suspeitas quanto às dimensões da defunta esplanada (ver crónica "Ainda o Prazer na Esplanada" de 4/8/2011), 5 por 2, ou seja 10 metros quadrados, o que é ridículo.
Não basta sê-lo, é preciso parecê-lo!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Vinhos em família (XXVII)

Mais umas tantas degustações em família e com amigos, incluindo o que foi provado e bebido no jantar de passagem do ano. Comecemos, então, pela última refeição do ano (notas telegráficas, pois o momento não deu para mais).
.Espumante Murganheira Millésime 02 - bolha muito fina, elegância e persistência. Bebido antes do jantar e no final já com um pé no 2012. Nota 17,5.
.Inniskylin Vidal 06 Icewine - um festival de aromas, complexidade, acidez insuficiente para equilibrar tanta doçura, estrutura e bom final de boca. Acompanhou foie gras. Nota 17,5+.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 09 - aguentou mal um caril de camarão, está uns furos abaixo dos excelentes 07 e 08; precisa de tempo de garrafa. Nota 17.
.Blandy Bual 77 (eng. em 2009) - excelente nariz, notas de caril e iodo, frutos secos, grande estrutura de boca, final interminável. Nota 18,5+.
Mais 2 vinhos bebidos em situação normal:
.Morgadio da Calçada Reserva 10 - um branco muito mineral, algumas notas vegetais, acidez equilibrada, elegante mas sem atingir o patamar em que alguma crítica o colocou. Há que esperar algum tempo mais na garrafa. Nota 16,5+.
.Vale Meão 01 - T.Nacional maioritária, ainda com alguma juventude, elegância, equilibrio, taninos domesticados, acidez q.b., final muito longo. Perfeito para beber agora.Nota 18+.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Jantar Qtª das Bágeiras

Estive presente no Assinatura,na passada 5ª feira, que em parceria com a garrafeira Nectar das Avenidas concebeu um repasto de 5 estrelas. O Mário Sérgio Nuno, responsável pela Qtª das Bágeiras e um dos valores mais seguros da Bairrada, apresentou os vinhos clara e objectivamente. Quem o conheceu há 15 anos atrás, nem parece a mesma pessoa. Está muito mais desenvolto e à vontade. E os vinhos, quase todos em grande estilo!
Neste 1º jantar, organizado pela Néctar das Avenidas (houve um outro, na mesa do chefe, para um grupo restrito de pessoas, o que não conta para este campeonato), correu tudo muito bem, o chefe Henrique Mouro estava inspirado, os vinhos tinham qualidade e os participantes eram quase todos de reconhecida militância enófila e a maioria passou pelo antigo núcleo duro das CAV. O próximo, com o Jorge Serôdio Borges, já está agendado para o dia 7 de Fevereiro, mantendo-se a parceria Néctar das Avenidas/Assinatura.
Mas vamos aos factos. Começou-se pelo espumante Rosé (bruto natural) 2010 - com base na casta Baga, muito seco, algo pesado sem comida por perto, gastronómico, bolha pouco persistente. Nota 14,5.
Seguiu-se-lhe outro espumante, o Grande Reserva 03, este já noutro patamar - feito a partir da Maria Gomes e Bical, ligeira oxidação, bolha mais persistente, notas de pão a sair do forno, fresco e gastronómico, estruturado e bom final de boca. Nota 16,5+. Acompanhou muito bem uma 1ª entrada que estava divinal, polvo assado, batata doce e azeitona.
Depois, com a 2ª entrada, uma terrina de veado com figos secos, ao nível da excelência, foi a apresentação nacional do branco Pai Abel 2010 (está na continuação do 09, esgotado quase instantâneamente) - também com base nas castas Maria Gomes e Bical, fruta madura, notas florais, mineralidade, toque oxidativo, perfil original, especiado, madeira discreta, alguma untuosidade, profundidade, acidez, final longo; melhor daqui a 4/5 anos. Nota 18.
Com o prato principal, umas saborisíssimas burras em baga e migas de pingo, brilhou o Garrafeira 05 - vinificado em lagar com engace, 80% de Baga e 20% de T.Nacional, exuberante no nariz, notas florais, acidez bem presente, complexidade, taninos firmes mas disciplinados, arquitectura de boca, final longo, gastronómico. A Bairrada no seu melhor. Nota 18,5.
Seguiu-se, a acompanhar uma bela sobremesa de abóbora, requeijão de ovelha e nozes, o branco Garrafeira 02 em magnum - ligeira oxidação, boa acidez, madeira bem integrada, notas de tabaco, gordura evidente, boca poderosa e final longo; ainda longe da reforma. Nota 17,5+.
Além deste branco foi servido um abafado experimental, com base na Baga e feito com a excelente aguardente Qtª das Bágeiras (que também foi provada, a par da bagaceira). Precisa de estagiar mais uns anitos. Poderá ser um caso sério, se houver paciêncis para esperar e não o pôr já à venda.
Parabens à parceria. Obrigado Mário Sérgio (jamais esquecerei o apoio dado às CAV, nomeadamente na comemoração do 1º aniversário, com a oferta de leitão e do espumante)!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Júlia Vinagre : uma grande senhora caída no esquecimento

A Júlia Vinagre, uma grande senhora da gastronomia alentejana, retirada prematuramente da vida activa, acabou por cair no esquecimento. Mas é de inteira justiça vir aqui relembrá-la. Para quem não saiba, foi a primeira mulher a receber um prémio da Academia Portuguesa de Gastronomia, na categoria de "Director de Restaurante" e referido ao ano de 2002, que foi o seu ano de ouro.
Responsável pelo seu restaurante "Bolota Castanha" na Terrugem, pela "Galeria do Esporão", na Herdade com o mesmo nome e, posteriormente, pelo "Terreiro do Paço", desdobrava-se por todos eles, com a paixão e o frenesim que todos lhe reconheciam. Foi numa destas correrias que sofreu um grave acidente de automóvel que lhe interrompeu a sua fulgurante carreira e a obrigou a recolher à sua casa na Terrugem.
Conheci pessoalmente a Júlia Vinagre em 2002, quando a Cerger, empresa responsável por uma série de espaços de restauração, entre os quais A Commenda, resolveu promover um concurso interno para os seus chefes/cozinheiros. Para isso era necessário um júri que avaliasse e classificasse os candidatos ao prémio, tendo a Cerger convidado a Júlia Vinagre, o presidente da Associação dos Cozinheiros (Carlos Miranda, na altura) e a loja Coisas do Arco do Vinho. A esta fizeram ainda o desafio de escolher os vinhos que melhor se harmonizassem com as ementas a concurso. E é aqui que eu entro, na qualidade de responsável pelos vinhos nas CAV, tendo participado na maioria dos jantares e apresentando as bebidas escolhidas, normalmente 1 branco, 1 tinto e 1 generoso.
Ao longo de mais de uma dezena de sessões, tive a oportunidade de conhecer a Júlia, tanto como gastrónoma profissional como pessoa. A ela ficarei ligado por muita consideração e uma grande estima. Estas sessões eram muito didácticas e com a Júlia consolidei alguns conhecimentos na área da gastronomia, nomeadamente o equilibrio dos aromas e sabores na composição de um prato ou de uma ementa completa. Da parte da Júlia, sempre se mostrou interessada nos vinhos escolhidos, confidenciando que desconhecia a maior parte, pois nos seus restaurantes e naqueles que frequentava, as cartas eram muito semelhantes e sem grandes rasgos.
Um belo dia, entrou eufórica n'A Commenda, afirmando que acabara de ser convidada pelo Turismo de Lisboa para explorar e gerir o restaurante Terreiro do Paço. Mas, para aceitar tal honra, contava com o apoio das CAV na elaboração de uma carta de vinhos que se impusesse pela qualidade e diferença. Assim nasceu uma parceria, que mereceu na altura rasgados elogios da imprensa especializada ou generalista, e que acabou abruptamente quando do acidente acima referido.
Obrigado Júlia por a termos conhecido e os nossos votos para que seja sempre lembrada!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Almoço no 5 Jotas Gourmet

Espaço agradável no último piso do Corte Inglês, mesas sem atoalhados, mas com guardanapos de pano. Tanto se pode petiscar com se pode fazer um refeição mais completa; é só optar pelas tapas, meias doses ou doses. A ementa está bem construida, desdobrando-se em presunto, paleta, cana e paiola, queijos e, ainda, para petiscar, à colher, do mar, da capoeira e da serra. Há muito por onde escolher. Quando da minha visita optei por tapas, que incluiram presunto ibérico puro de bolota, pimentos padron, cozido da Serra de Aracena e tortilha de escombro. Tudo aceitável, mas nada que me tivesse apaixonado.
A carta de vinhos aposta forte nas bebidas a copo, contemplando 2 com borbulhas (champanhe e cava), 5 Xerez, 5 brancos, 2 rosés e 4 tintos. As marcas eram, para mim, totalmente estranhas, não incluindo nenhum dos mais badalados dos nossos vizinhos. Copos aceitáveis, serviço despachado, mas não muito rigoroso (a garrafa vem à mesa, mas o vinho não é dado a provar e a quantidade é servida a olho).
Provei um copo de um branco de Cádiz, Gadir 2010, com 60% de palomino e 40% de chardonnay. Achei-o austero, pesado, pouco elegante e com o álcool muito evidente.
Na próxima vez, levarei debaixo do braço um guia de vinhos espanhois do João Paulo Martins lá daquelas bandas!

sábado, 7 de janeiro de 2012

2011 : na hora do balanço (IV)

Esta 4ª e última parte do balanço de 2011, diz respeito às crónicas que venho escrevendo neste blogue "enófilo militante", ou seja, as mais lidas, países de origem dos leitores e fontes de tráfego (como vieram aqui parar). Devo esclarecer que os resultados que a seguir apresento correspondem a valores acumulados, desde o início do blogue em Março de 2010, uma vez que o sistema não me dá informação desagregada por ano.
CRÓNICAS MAIS LIDAS (entre parêntesis as datas em que foram postas)
1.Almoço na Maria Pimenta (de longe, a mais lida) - 22/8/2010
2.Almoço no Cantinho do Avillez - 10/9/2011
3.Entender de Vinho, de João Afonso : um livro acabado à pressa? - 1/8/2010
4.Blandy e Francisco Albuquerque : os incompreendidos - 12/7/2011
5.Evento Wine Bloggers na José Maria da Fonseca - 25/10/2011
6.Almoço no Grelhas - 24/11/2011
7.Caça no Assinatura - 27/11/2011
8.Perplexidades (IV) - 13/11/2011
9.As marcas que interditei nas CAV - 17/11/2011
10.Almoço no Oito/Dezoito - 10/8/2011
PAISES DE ORIGEM
1.Portugal (a maioria esmagadora)
2.França
3.Brasil
4.EUA
5.Espanha
6.Alemanha
7.Reino Unido
8.Luxemburgo
9.Rússia (!?)
10.Coreia do Sul (!!!???)
FONTES DE TRÁFEGO
1.Google Portugal (a grande maioria)
2.Blogue Pingas no Copo
3.Blogue Rui Falcão
4.Blogue Copo de 3
5.Blogue Saca a Rolha
6.Blogue Adega dos Leigos
7.Google Brasil
8.Blogue Jardinagens
9.Blogue Pinga Amor
10.Blogue Pumadas

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

2011 : na hora do balanço (III)

Esta lista, por ordem alfabética, contempla os 10 Restaurantes que mais gostei, entre as largas dezenas que frequentei durante o ano de 2011. Factores que contribuiram para a minha escolha : a cozinha com qualidade e criatividade, o atendimento personalizado, o ambiente, o serviço de vinhos, os copos, a carta, a oferta de vinhos a copo, os preços, enfim uma imensidão de coisas que me agradaram nestes espaços e me farão voltar sempre que possa. Nem sempre é fácil hierarquizar restaurantes, como fiz com os vinhos, daí a ordem alfabética. De qualquer modo, é de inteira justiça destacar três, Sabores de Itália, Assinatura e Casa da Comida.
Vamos, então, à lista por ordem alfabética :
.Assinatura (Lisboa)
.Cais da Villa (Vila Real)
.Casa da Comida (Lisboa)
.DOC (Folgosa do Douro, Régua)
.Enoteca de Belém (não é propriamente um restaurante, mas tenho lá feito grandes refeições)
.Gspot (Sintra)
.Manifesto (Lisboa)
.Rubro (Lisboa)
.Sabores de Itália (Caldas da Rainha)
.UMAI (Lisboa)
É de facto uma grande concentração em Lisboa e arredores, embora desta vez tenha contemplado 2 restaurantes bem ao Norte. Falta-me o Grande Porto, mas tenho uma grande vontade de preencher esta lacuna em 2012.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

2011 : na hora do balanço (II)

Os vinhos seleccionados foram todos provados no decorrer do ano 2011, uns às claras em família ou com amigos e outros às cegas com o grupo dos 3, 3+4 ou amigos do Raul. Foram dezenas de provas e centenas de vinhos testados. Elegi 10 de cada tipo (brancos e tintos de mesa e fortificados). Muitos ficaram de fora e, se calhar, mereciam ter sido os eleitos. Algumas injustiças cometi, mas paciência.É a vida!
BRANCOS
1.Soalheiro Alvarinho Reserva 07 (18,5)
2.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 07 (18)
3.Parcela Única Alvarinho 09 (18)
4.Projectos Niepoort Chardonnay 04 (18)
5.Redoma Reserva 05 (17,5+)
6.Qtª dos Carvalhais Encruzado 07 e 09 (17,5+)
7.Qtª das Bageiras Garrafeira 09 (17,5+)
8.Morgado Stª Catherina 08 (17,5+)
9.CARM Reserva 09 (17,5+)
10.Fundação Oriente Colares 08 (17,5+)
De realçar a prestação da casta Alvarinho que obteve os 3 primeiros lugares e, ainda, a posição conquistada por 2 brancos de regiões não muito badaladas, Bucelas e Colares.
TINTOS
1.Robustus 04 (19)
2.Batuta 01 (18,5+)
3.Pintas 01 (18,5+)
4.Kompassus Private Seleccion 05 (18,5+)
5.Ferreira Vinhas Velhas 07 (18,5+)
6.Herdade do Peso Icone 07 (18,5)
7.Três Bagos Grande Escolha 04 e 05 (18,5)
8.Qtª do Crasto T.Nacional 01 (18,5)
9.CARM BOCA 04 (18,5)
10.Terrus 05 (18,5)
Maioria esmagadora do Douro e destaque para as posições alcançadas por um baga bairradino e um alentejano. Tiro também o chapéu ao nosso BOCA e ao Terrus, que passou completamente ao lado da crítica.
FORTIFICADOS
1.Moscatel Superior 55 JMF (19,5)
2.Moscatel 52 JMF (19,5)
3.Blandy Terrantez 75 (19)
4.Blandy Bual 68 (19)
5.Krohn Colheita 61 (19)
6.FMA Bual 64 (18,5+)
7.Blandy Bual 48 (18,5+)
8.Blandy Bual 71 (18,5+)
9.Blandy Verdelho 40 Anos (18,5+)
10.Blandy Verdelho 73 (18,5+)
Apesar da quase omnipresença dos Madeiras, o que vai sendo uma rotina, desta vez o meu destaque vai para os Moscateis da JMF que conquistaram os dois primeiros lugares. Uma palavra de apreço para o Colheita da Krohn que bem a merece.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2011 : na hora do balanço (I)

Enterrado o ano 2011 e passadas as festas, há que fazer o respectivo balanço. Começo pelos acontecimentos do ano, um sector que não foi contemplado em 2010. A listagem que se segue não está hierarquizada, mas pretende ser cronológica. Entre parêntesis indicam-se as datas das crónicas em que relatei os referidos acontecimentos.

.Jantares com Vinhos da Madeira
Dois na Enoteca de Belém, com o núcleo duro do nosso amigo Adelino de Sousa (27/2 e 1/11) e um no restaurante A Commenda, com a presença do Chris Blandy e do Francisco Albuquerque (12/7). Uma série de raridades provadas.

.Jantares temáticos no Assinatura
Participei em 5, dos quais o da Caça atingiu um patamar de qualidade, ao nível da excelência e nada fácil de alcançar. Foram 5 grandes jornadas, a saber : Queijos (13/1), Primavera (2/4), Cabrito Estonado (21/4), Ostras (20/5) e Caça (27/11).

.Peixe em Lisboa
Um acontecimento já consagrado e imperdível, desta vez de regresso ao Pátio da Galé (13/4).

.Visitas e provas na José Maria da Fonseca (JMF)
Foram 2 jornadas de alto nível, em que a JMF abriu os cofres e pôs à nossa disposição algumas das relíquias do seu património (18/5 e 25/10), tendo sido a última dedicada à blogosfera.

.Festas de aniversário
Pela quantidade e qualidade dos vinhos apresentados, pelo convívio e, ainda, pela amizade dos aniversariantes, é toda a justiça destacar os anos do João Quintela (23/5) e os 50 anos da Lena e do Juca (20/6).

.Exposição "Dona Antónia - uma vida singular"
Exposição comemorativa dos 200 anos do seu nascimento que esteve (está?) patente ao público no Museu do Douro, na Régua (21/7). Quem não viu, devia ter visto.

.Visita guiada à Qtª de Nápoles
Foi um privilégio termos feito esta visita guiados pelo próprio dono, o Dirk Niepoort, um grande senhor e o nosso embaixador dos vinhos do Douro (17/7).

.Encontro dos Vinhos e Sabores
Organizado pela Revista de Vinhos, é anualmente a grande ocasião para se provar vinhos nacionais e não só, reencontrar produtores e enólogos ou simples amigos e conhecidos (3/11).