quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Vinhos e peixe na Fonte Santa

Os elogios feitos por mim à equipa responsável pelo espaço de restauração da Qtª da Fonte Santa (ver crónica de 29/1/2012), mantêm-se com toda a justiça. O acento tónico incidiu no robalo grelhado e garoupa no forno. Sublimes! Também brilharam as entradas de navalhas e cocktail de camarão e, ainda, as sobremesas de strudel e pudim de queijo da Serra, ambas com gelado de baunilha.
Os vinhos vieram directamente da garrafeira do nosso amigo Alfredo Penetra, a saber :
.Champagne Marquis de Vauzelle - bolha fina e persistente, notas de pão cozido, acidez equilibrada, frescura e bom final de boca, gastronómico. Nota 17,5.
.Cerro das Mouras Grande Escolha 09 - a partir de vinhas velhas, fermentou em barricas novas de carvalho francês, fruta madura, ligeira oxidação, madeira discreta, acidez equilibrada, elegante e gastronómico; aguenta bem mais 5/6 anos. Nota 17,5.
.Condessa de Santar 09 - complexidade aromática, acidez q.b., fumado, madeira ainda presente, alguma gordura, estruturado, final longo; original e cheio de personalidade: melhor daqui a 2/3 anos. Nota 18.
.Taylors 40 Anos (engarrafado em 1989, com o nº 367) - frutos secos, canela, caril, iodo, boca poderosa, final muito longo. Uma delícia. Nota 18,5.
Mais uma grande jornada. Obrigado, Alfredo!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A lista negra continua

Mais duas garrafeiras que encerraram as portas :
.Wine & Flavours (em Telheiras), em finais de 2011, apesar de situada na zona de Lisboa com mais doutores e engenheiros por metro quadrado
.VINOdiVINO (à Praça da Ribeira), já em 2012 (definitiva ou temporariamente?), apesar (ou por causa?) de ser também enoteca/restaurante
Efeitos do FMI?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Painel de prova com luta renhida ganha pelo garrafeira RA 85!

O Garrafeira RA 85 foi o grande vencedor, deixando o 2º lugar para o Barca Velha 85. Esta notícia deu brado na altura, já lá vão 21 anos. O painel de prova onde isto aconteceu, teve lugar no restaurante Isaura e foi noticiado em 21 de Fevereiro de 1991 no "à Mesa", separata do semanário "O Jornal". Esta separata de "Vinhos & Gastronomia" era coordenada pelo José Salvador, sendo um dos colaboradores o João Paulo Martins. Além destes dois, participaram no painel os engenheiros Dias Cardoso (Estação Vitivinícola da Bairrada), Cancela de Abreu (agrónomo em Bucelas), João Nicolau de Almeida (Ramos Pinto) e José Gaspar (Caves Velhas).
Resultados da prova :
1º - Garrafeira RA 85 da JMF
2º ex-aequo - Barca Velha 85 e Luis Pato 88
4º - Qtª do Poço do Lobo 88
5º - Qtª do Carmo Garrafeira 86
6º - Qtª da Bacalhôa 88
7º - Qtª do Cotto Grande Escolha 87
De realçar a prestação dos vinhos de 88, considerada, na altura, uma colheita maldita.
Como curiosidade, o Luis Pato 88 foi o único vinho que se manteve nas prateleiras das CAV, ao longo de 13 anos e meio. É obra!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Almoço n' A Paz

Este restaurante, ao longo dos anos, tem sido um feudo do Eusébio e demais benfiquistas, bem expresso numa fotografia e busto da "pantera" e, ainda, em 2 cartazes antigos com a equipa do Benfica. Mas como os donos são democratas, ainda se pode ver na sala de entrada uma foto antiga da equipa do Belenenses e uma de um jogador do Sporting, em formato reduzido. E há também um relógio cujos ponteiros são o equipamento do Porto. Estão lá todos!
Depois do periodo do Eusébio, quem por lá circula são gestores, com o Mega Ferreira, recentemente afastado do CCB, à cabeça.
Sala pouco confortável e algo barulhenta, mas com toalhas e guardanapos de pano, a compensar. Aposta forte nos pratos de peixe, com a garoupa grelhada, no forno ou em filetes à cabeça. Carta de vinhos pouco interessante, cheia de falhas e cruzinhas a assinalar os faltosos, datas omissas e praticamente sem vinhos a copo. Perfeitamente fora do contexto, a carta inclui Barca Velha e Reserva Especial. Bons copos e serviço a cumprir os mínimos.
A acompanhar uma saborosa garoupa no forno e, também, grelhada, bebeu-se o tinto duriense Qtª dos Poços 08 (Medalha de Prata no Concurso Mundial de Bruxelas 2011) - muito frutado, notas vegetais desagradáveis, magro, estrutura mediana e final curto. Nota 14.
Respeito os benfiquistas que ajudaram a fazer esta casa, mas não saí de lá estusiasmado, apesar da garoupa e da fotografia do Belenenses (o meu malfadado clube).

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Porque deixei de ir ao Vin Rouge

Esta é mais uma história passada comigo há já alguns anos, enquanto sócio gerente das CAV. Por indicação de alguém, cujo nome não recordo (David Lopes Ramos? José Quitério?), "descobri" o Vin Rouge, perdido nos confins do Monte Estoril e nada fácil de encontrar à primeira.
Gostámos (eu e a minha mulher) francamente e passámos a frequentar este pequeno mas apelativo restaurante. Cozinha imaginativa da responsabilidade do chefe João Antunes, espaço acolhedor dirigido pela Rita Caldas, sua mulher. Mais ainda, tinhamos no balcão das CAV cartões do restaurante para recomendar aos nossos clientes e amigos.
Numa das nossas visitas, a Rita Caldas pediu-me se lhe fornecia 1 ou 2 garrafas de um Porto de 1958. Arranjo-lhe o Valriz Colheita 1958 e se não o tiver na loja, encomendo de imediato, disse-lhe.
Logo que o vinho chegou, passados 3 ou 4 dias, entrei em contacto com a senhora que, na maior das calmas, me respondeu que o marido já tinha arranjado o Porto 1958 que me tinham encomendado.
Resultado : os cartões do Vin Rouge foram para o lixo e nunca mais lá pusémos os pés! Não havia necessidade...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Vinhos em família (XXIX)

Mais uns tantos vinhos bebidos ultimamente em família. Tudo nas calmas sem o stresse das provas às cegas.
.Olho no Pé Grande Reserva 09 - complexidade aromática, notas de alperce, boa acidez, mais frescura e menos gordura do que as colheitas anteriores, mais equilibrado portanto, gastronómico e bom final; muito fechado no 1º dia, abriu no dia seguinte. Gosto muito deste branco, mas chamar-se Grande Reserva é algo pomposo. Nota 17,5 (noutra situação também 17,5).
.Guru 09 - aroma muito complexo, fumado, tosta bem presente, acidez no ponto, estruturado e bom final; gastronómico e pleno de personalidade. Nota 17,5+.
.Gouvyas Vinhas Velhas 05 (garrafa nº 1530 de 2490) - fermentou em lagar e estagiou parcialmente em barricas de carvalho francês usadas, durante 2 anos; austero, alguma rusticidade, boa acidez, pouca elegância, taninos ainda muito presentes e final prolongado; ainda longe da reforma, mas a rusticidade já não vai desaparecer. Nota 17+ (noutra 18+).
.Batuta 05 - todo ele elegância e equilibrio, acidez q.b., frescura, arquitectura de boca e final muito longo; no ponto para beber, mas aguenta bem mais 4/5 anos com boa saúde. Nota 18+ (noutras 18,5/18,5).
.CH by Chocapalha 08 - um touriga nacional de vinhas velhas, muito bem trabalhado pela Sandra Tavares da Silva; muita fruta, especiado, boa acidez, boca potente e final longo; melhor daqui a 5/6 anos. Já quando do último EVS, este vinho me impressionou, considerando-o na altura a maior surpresa em tintos. Nota 18.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Coisas de Comer

"Coisas de Comer" é um restaurante situado paredes meias com o Palácio de Belém, recentemente visitado pelo José Quitério que escreveu uma crítica, aliás positiva, na Revista do Expresso.
A história que se segue já tem alguns anos. Agora não sei como está a componente vínica, mas nessa altura era uma desgraça. A pedido do restaurante, as CAV elaboraram uma carta de vinhos, não muito extensa mas equilibrada, com uma série de referências que não era habitual encontrar na concorrência. A proposta de carta de vinhos, na qual se gastaram-se algumas horas de trabalho a custo zero, nunca chegou a ter uma resposta concreta.
A única coisa que aconteceu, foi um pedido de fornecimento de algumas caixas do branco Vale da Judia (um vinho barato, mas com alguma qualidade, que na altura não se vendia nas grandes superfícies), à consignação. Enviada a conta à dona do restaurante, foi um sarilho para sermos reembolsados de uma quantia irrisória. O pagamento durou uma eternidade. Não havia necessidade...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Lampreia no Varanda de Lisboa

O Varanda de Lisboa, restaurante do Hotel Mundial, está a promover o mês da lampreia (à Bordalesa e à moda de Monção) e do sável (com açorda de ovas do mesmo e com meunier de citrinos e sementes de sésamo). Por 27,50 € tem-se direito a couvert, sopa ou entrada, um dos pratos de lampreia ou sável e sobremesa. Bebidas à parte. Com este menú e tratamento de vip, é uma oportunidade imperdível.
Situado no 8º piso com vista para a cidade histórica e Tejo, ambiente acolhedor, amesendação de qualiade, serviço simpático e profissional. Um dos chefes de sala (pareceu-me haver um segundo) ainda era do tempo dos jantares organizados pela Revista de Vinhos (finais da década de 80, princípio dos anos 90?). Nesses anos pontificava na sala o Manolo Carrera, galego de nascimento e alfacinha por adopção (irmão do Ceferino Carrera que foi professor na Escola Hoteleira, no Estoril, com obra publicada), um grande divulgador dos petiscos lisboetas.
Não me considero um militante de lampreia, mas uma vez por ano sabe-me muito bem (nos tempos do saudoso Flora, em Vila Franca, era ali que a ia degustar). Comi uma dose farta à moda de Monção e provei a à Bordalesa. Gostei francamente, embora pense que, para o meu gosto, com mais um toque de vinagre ficaria melhor.
Antes da lampreia comemos uma sopa de cozido divinal e acabámos com uma salada de frutas.
A carta de vinhos está equilibrada, tem algumas sugestões interessantes, mas a preços muito altos. Lamentavelmente não há datações, o que é indesculpável. Pode beber-se a copo uma dúzia de referências não muito entusiasmantes, a preços cordatos. Tem, ainda, uma trintena de raridades dos anos 50 a 70, Barca Velha de diversas colheitas e, por exemplo, um Colares Visconde de Salreu 1933 a 106 € (Museu do Vinho, como lhe chamam). Estas raridades estão bem armazenadas num armário térmico com temperatura e humidade controladas. Os restantes estão à temperatura da sala, isto é, quentes!
Bebi 1/2 garrafa de Qtª do Perdigão 07 - 1 ano em cascos de 225 l de carvalho francês, floral, belíssima acidez, elegância e equilibrio, especiado, taninos suaves, estrutura de boca e final médio. Aguentou bem o embate com a lampreia. Em forma mais 5/6 anos. Nota 17,5. Ó Rui, já provou este Dão?
Atenção, esta oferta é até ao dia 29. É de aproveitar!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Anibal Coutinho : 5 em 1

Este engenheiro civil e cantante no Coro da Gulbenkian consegue também ser, no mundo do vinho, crítico, formador, enólogo, produtor e vendedor. Uma espécie de 5 em 1! O problema é, com todas estas facetas, não sabemos, em cada momento, com qual delas estamos a falar.
Vem isto a propósito de há uns tantos anos, quando produziu pela primeira vez o vinho Escondido, ter-me abordado nas CAV e tentado seduzir-me no sentido de lhe comprar umas tantas garrafas do seu vinho. São 60 € para venderem aqui a 100 €, disse. A minha resposta saiu pronta: a porta é ali!
Vendedor "escondido" com o rabo de fora...?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Uma volta pelo Algarve

Com a família algarvia plenamente envolvida em actividades escolares, ficámos libertos para poisarmos no restaurante/garrafeira Veneza, em Mem Moniz, Paderne, coisa que não fazíamos há um ror de anos.
Sala repleta, ambiente ruidoso e televisão acesa, embora sem som. Vinho omnipresente, com parte das tampas de caixas madeira espalhadas pelas paredes e garrafas arrumadas em vários expositores na sala.
Carta de vinhos muito completa e com bons preços, mas lamentavelmente com poucos datados e sem indicação da oferta de generosos. Vinhos a copo não incluidos na lista, dando a impressão que não há um critério para a abertura de garrafas destinadas a tal. Taxas de rolha : 3 € (meias garrafas), 6 € (formato normal) e 12 € (magnuns). Bons copos Riedel, temperaturas adequadas, quantidade servida a olho (15 cl?) serviço esforçado mas algo descoordenado (a garrafa vem à mesa e o vinho é dado a provar; no entanto, não o fizeram com uma 2ª garrafa).
Bebeu-se a copo:
.Branco Herdade dos Grous 2010 - muito fresco e aromático, elegante e gastronómico; foi bem com umas tapas de enchidos e queijo. Nota 16,5.
.Tinto Fraga da Galhofa T.Nacional Reserva 09 - um Douro feito em lagar, muita fruta, taninos doces, alguma acidez, corpo e final medianos. Nota 16.
O tinto acompanhou os pratos do dia, um saboroso coelho e um cozido de grão não tanto (o menú é à base de carne).
Mas a mais valia do Veneza é a garrafeira, onde se pode comprar o vinho para a refeição ou para levar para casa. Tem uma grande oferta e a bons preços. Entre os expositores há uma série de mesas, mais vocacionadas para grupos. Só para conhecer a garrafeira, vale a pena a deslocação ao Veneza!
Noutro dia almoçámos no Noélia e Jerónimo, em Cabanas, já aqui mencionado (ver crónica de 6/6/2011). Confirmo a qualidade da comida e a falta de uma componente de vinhos a condizer. Comeu-se atum grelhado e de cebolada, muitíssimo bons e doses avantajadas (as sobras deram para outra refeição). Tudo, infelizmente, acompanhado de cerveja.
No último dia, já com a família reunida, abancámos no inevitável Primo dos Caracóis (ver crónicas de 20/12/2010 e 23/2/2011). Enquanto a criançada comia bifes, os adultos deliciavam-se com enguias fritas, ovas de choco e canja de ameijoas, uma delícia! Tudo isto acompanhado com um Soalheiro Alvarinho 2010, em grande estilo. O que se pode pedir mais?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Bufete no Museu do Oriente

O restaurante do Museu do Oriente fica no último piso, com vistas para o Tejo, apesar da eventual presença de contentores poder perturbar. O espaço é amplo, luminoso e acolhedor. Está aberto no fim de semana, o que pode proporcionar uma boa ocasião para juntar a família.
Por 15 € tem-se direito a sopa, uma dezena de pratos frios, 2 quentes e meia dúzia de sobremesas. Tudo com qualidade e, nesta última visita, uns furos acima do que estava habituado. A gestão do espaço está a cargo da Cerger/Gertal, empresa responsável pelo restaurante do CCB.
O ponto fraco é a carta de vinhos, sem datações (indesculpável neste espaço), com muitas falhas (só acertei ao 3º pedido), pouca oferta de vinhos a copo e preços altos. Bons copos e serviço profissional.
Bebeu-se o Catarina 2010 - excepcional relação preço/qualidade, ligeira oxidação a dar-lhe complexidade, acidez no ponto, madeira discreta e boa estrutura de boca. Gastronómico (atenção, não é um vinho para o verão) e acima das colheitas anteriores. Um achado que se recomenda vivamente. Nota 17+.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Jantar Wine & Soul

Foi mais um jantar que resultou da parceria da garrafeira Néctar das Avenidas com o restaurante Assinatura e contou, desta vez, com a presença sempre estimável do Jorge Serôdio Borges (JSB). Sala completamente lotada, estando presentes 42 militantes, dos quais 32 pertenciam ou estavam próximo do antigo núcleo duro das CAV.
O repasto iniciou-se com uma pequena mas deliciosa porção de "Carapau de escabeche", servida numa lata tipo sardinha de conserva. Ideia original, mas pouco prática, que originou um certo receio de deixar cair o carapau em cima da toalha. Na próxima ponham um prato por baixo, ó senhores do Assinatura. Tem uma dupla vantagem, pois não se suja a toalha, nem se desperdiça pitada. Acompanhou lindamente o escabeche, o branco Passadouro 10 - nariz exuberante, notas florais, mineralidade e acidez q.b., versátil e gastronómico, bom final de boca. Já a ligação com a entrada de "Bacalhau gratinado com queijo", não funcionou tão bem, pois falta-lhe peso para aguentar o queijo. De qualquer modo, um belíssimo branco que vai envelhecer dignamente. Nota 17.
O prato principal, "Vitela, pêra e feijão", foi o menos consensual, pois não me pareceu linear que os elementos componentes interagissem muito bem, com o feijão a impor-se e a abafar os restantes. Entrou em cena o Passadouro Reserva 09, uma marca já consolidada - complexidade aromática, muita fruta e juventude, acidez equilibrada, notas de tabaco e chocolate, taninos macios, arquitectura de boca e final longo. Embora já esteja bebível, é melhor esperar mais 4/5 anos. Nota 18+.
Com a 1ª sobremesa, "Chocolate, queijo de cabra e pimenta", original experimentação do chefe Henrique Mouro, aliás muito bem conseguida, avançou o Qtª da Manoella Vinhas Velhas 09 - aroma ainda fechado, muito fresco, acidez no ponto, grande potência de boca com os taninos ainda por domar, final longo; apesar de tudo mostra elegância e personalidade. Um vinho para o futuro (beber daqui por 10 anos). Nota 18,5.
A 2ª sobremesa, uma belíssima "Tarte de maçã com gelado", teve por companhia o Porto Wine & Soul 10 Anos (engarrafado em 2011) - frescura e elegância, complexidade aromática e gustativa que não são normais em vinhos com esta idade. O meu palpite : tem pelo menos 15 anos.Nota 17,5.
Mais uma grande jornada, a que não foi alheia a presença do JSB.
Nota final : foi no decorrer do jantar que soube por ele próprio que nunca lhe fora atribuido o prémio de Enólogo do Ano, apesar da colecção de Prémios Excelência atribuidos a vinhos feitos por ele. Mais uma situação surrealista!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Rescaldo dos Prémios 2011 da Revista de Vinhos (RV)

Finalmente fez-se justiça : o Francisco Albuquerque, embora tardiamente, acabou por receber o prémio do Enólogo do Ano (Vinhos Generosos)! Parabens Francisco! Fico duplamente satisfeito, por ele, mas também por mim, pois desde há algum tempo que venho anunciando a injustiça só agora reparada (ver crónicas de 21/2/2011 "Francisco Albuquerque : mais uma vez injustiçado" e de 12/7/2011 "Blandy e Francisco Albuquerque : os incompreendidos").
Quanto às restantes pessoas e instituições premiadas, só acertei na Susana Esteban. Mas, diga-se em abono da verdade, que só incluí o seu nome porque estava, sincera e plenamente convencido, que o Jorge Serôdio Borges já tinha sido agraciado no passado. Puro engano, este enólogo de excepção, com provas dadas há uma série de anos, ficou esquecido. Tal é a contradição, pois praticamente todos os anos tem vinhos premiados (ainda agora teve 2 Prémios Excelência!). Surrealismo puro...
Finalmente, ao não acertar em mais nenhum dos premiados, concluo não ter entendido de todo os critérios insondáveis da RV. Mea culpa...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Novo Formato+ (2ª sessão)

Esta 2ª sessão do grupo Novo Formato+ (sobre a 1ª ver crónica de 10/12/2011), decorreu no restaurante principal do Corte Inglês, a convite do casal Lena/Juca Azevedo que também ofereceu os vinhos.
O tema era uma vertical de Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas (2006 a 2010), provada às cegas. O repasto, depois de um entretem de boca, foi cabeça de cherne no forno, acolitada por batatinhas, legumes e grelos, da responsabilidade do chefe Luis Filipe. Se há prato que vale a pena comer neste restaurante é cabeça de peixe. Mais uma vez estava divinal.
Quanto a vinhos, os convivas foram recebidos com um copo de Olho no Pé Colheita Tardia 07 - complexidade aromática, doçura, gordo na boca, persistência final. Com mais acidez teria ficado na área da excelência. Nota 17.
Seguiu-se a vertical do 1ª Vinhas. Os 5 vinhos provados dividiram-se em 2 grupos, os mais recentes (2010, 09 e 08) mais frescos e aromáticos, fruta tropical, belíssima acidez, estrutura e bom final de boca, estando o 09 ligeiramente abaixo dos outros 2. Estão ainda muito jovens e vão se complexificar nos próximos 2/3 anos. Notas 17,5+ (10 e 08) e 17,5 (09).
Os irmãos mais velhos têm um estilo semelhante, mas estão mais evoluidos e têm outra potência de boca, acompanhando melhor o peixe no forno. O 06, praticamente desconhecido, foi uma boa surpresa, e o 07 aproxima-se a passos gigantes do excelente Reserva do mesmo ano. Notas 18+ (07) e 18 (06).
Finalmente, a terminar com chave de ouro, o Cossart Bual 58 (engarrafado em 2006) - nariz discreto, iodo, notas de caril, vinagrinho, taninos vigorosos e final muito longo. É um Bual atípico, pouco doce e com uma secura bem evidente. Ligou muito bem com uma panqueca de maçã. Nota 18,5.
Bela, interessante e didáctica jornada. Obrigado Lena e Juca!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Os vencedores s(er)ão...(II)

Continuando a divulgar os meus palpites para os melhores do ano 2011, concluo com os Prémios Excelência :
BRANCOS
.Murganheira Pinot Blanc Bruto 05
.Vértice Millésime Bruto 07
.Muros de Melgaço Alvarinho 10 (V.Verdes)
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 10 (V.Verdes)
.Carvalhas (RCV) 10 (Douro)
.Conceito 10 (Douro)
.Guru 10 (Douro)
.Paço dos Cunhas de Santar V.Contador 10 (Dão)
.Pedro & Inês 09 (Dão)
.Qtª da Pellada Primus 10 (Dão)
.Qtª das Bageiras Garrafeira 09 (Bairrada)
.PL/PR 09 (Alentejo/Douro)
TINTOS
.Antónia Adelaide Ferreira 08 (Douro)
.Batuta 09 (Douro)
.Duorum Vinhas Velhas Reserva 09 (Douro)
.Passadouro Reserva 09 (Douro)
.Pintas 09 (Douro)
.Poeira 09 (Douro)
.Qtª do Crasto Maria Teresa 09 (Douro)
.Qtª de La Rosa Reserva 09 (Douro)
.Qtª Nova Nossa Srª do Carmo Referência 08 (Douro)
.Qtª da Touriga Chã 08 (Douro)
.Qtª do Vale Meão 09 (Douro)
.DODA 08 (Douro/Dão)
.Carrocel 08 (Dão)
.Ribeiro Santo Grande Escolha 08 (Dão)
.Qtª da Pellada 07 (Dão)
.Qtª Monte d'Oiro Syrah-24 07 (Lisboa)
.IPO (Qtª do Alqueve) 08 (Tejo)
.Blog 09 (Alentejo)
.Cortes de Cima Reserva 08 (Alentejo)
.Esporão Private Seleccion Garrafeira 08 (Alentejo)
.Esporão Touriga Nacional 08 (Alentejo)
.Mouchão 06 (Alentejo)
.Scala Coeli 09 (Alentejo)
.Solar dos Lobos Grande Escolha 09(Alentejo)
FORTIFICADOS
.Dow's Qtª Senhora da Ribeira Vintage 09
.Fonseca Vintage 09
.Qtª do Vesúvio Vintage 09
.Taylor's Vargellas Vinha Velha Vintage 09
.Warre Vintage 09
.Calém Colheita 61
.Poças 30 Anos
.Barbeito Sercial Frasqueira 78
.Blandy Bual Frasqueira 1920
.Blandy Bual Frasqueira 68
.Blandy Sercial Frasqueira 66
.Moscatel Roxo 20 Anos JMF
.Moscatel Roxo 00 Bacalhôa
.Moscatel Superior 55 JMF
ESPIRITUOSAS
.Aguardente Vinica Velha Alvarinha
.Aguardente Vinica Velha Ferreirinha

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Os vencedores s(er)ão...(I)

Passados a pente fino todos os nº da revista de Vinhos (RV), referentes ao último ano, e a uma semana da cerimónia, vou arriscar dar o meu palpite quanto aos melhores de 2011, de acordo com os critérios da própria RV, deixando apenas de fora restaurantes, loja gourmet e gastronomia. Se para os vinhos é fácil, pois basta destacar aqueles que obtiveram notas mais altas, já em relação às empresas e personagens a premiar, tem sempre alguma carga de subjectividade. Começarei por aqui.
.Produtor Revelação do Ano - Qtª de Sant'Ana ou Qtª de Lemos, pela postura e qualidade dos vinhos apresentados;
.Produtor do Ano - Pinhal da Torre (Alqueve), pelo dinamismo numa região mal amada;
.Cooperativa do Ano - não atribuido (não se vislumbra nenhuma)
.Empresa do Ano - Real Companhia Velha, pela mudança e aposta numa nova estratégia, a que não será alheio o regresso do Jorge Moreira;
.Empresa do Ano (Vinhos Generosos) - Blandy, pelo seu 200º aniversário e invejável portefólio;
.Enólogo do Ano - António Maçanita ou Susana Esteban, pelo trabalho desenvolvido e resultados alcançados, alguns na área da excelência;
.Enólogo do Ano (Vinhos Generosos) - Francisco Albuquerque, para reparação de uma enorme injustiça, ao premiá-lo (tardiamente) em Portugal;
.Viticultura do Ano - Hans Kristian Jorgensen, pela investigação de castas e actividade desenvolvida na vinha;
.Organização Vitivinícola - ViniPortugal, pela aposta na divulgação do consumo de vinho a copo;
.Enoturismo do Ano - Old Blandy Wine Lodge, o único organismo do sector a atingir a nota máxima em todos os parâmetro avaliados;
.Garrafeira do Ano - Garrafeira d'Almada, pela postura e carinho no tratamento e comercialização dos vinhos;
.Escanção do Ano - Marco Alexandre, pelas responsabilidades assumidas ao mais alto nível nos restaurantes Sem Dúvida e Casa da Comida;
.Senhor do Vinho - Hernani Verdelho, a título póstumo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Vinhos em família (XXVIII)

Mais alguns vinhos provados recatadamente em casa, em família, todos a portarem-se bem :
.Konzelmann Vidal 07 Icewine - exuberância aromática, citrinos, mel, acidez a equilibrar o conjunto, grande potência de boca, final longo. Boa surpresa, pois não conhecia esta marca. Nota 18.
.Pintas 04 - uma das 5500 produzidas; complexidade aromática, especiarias, tabaco, acidez equilibrada, elegante e sofisticado, estrutura e bom final de boca. Em forma mais 6/7 anos. Nota 18,5.
.Vale Meão 04 - notas florais, especiado, tabaco e chocolate, elegante e equilibrado, acidez no ponto, madeira discreta, taninos finos, profundidade e final longo. Aguenta bem mais 7/8 anos. Nota 18,5+.
.Qtª das Bageiras Pai Abel 09 - nariz original e complexo, fruta ainda presente, notas florais, um toque de baunilha, madeira discreta, belíssima acidez,estruturado, final muito longo. Todo ele equilibrio e personalidade. Um dos grandes brancos portugueses! Nota 18+.
.Qtª de Pancas Grande Escolha 08 - um dos preferidos do JPM; algo fechado, notas florais, acidez q.b., especiado, concentrado, madeira presente mas sem se impor, alguma rusticidade, bom final de boca. Vai melhorar nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Madeiras do século XIX no Gambrinus

O melhor fim de tarde em Lisboa, que se possa imaginar, é passar pelo Gambrinus e beber um cálice ou mais dos Madeiras que este restaurante de luxo tem à prova. Em recente visita, degustei algumas das relíquias da Adega do Torrão, concretamente o Bual 1856 e o Malvasia 1875. Ainda me deram a provar outro Malvasia sem data. Puro prazer, pois estão todos na área da excelência. Ficou por provar, entre mais uns tantos Madeiras, um Bastardo que me disseram ser imperdível.
Uma dica ao Miguel Pires, autor do guia "Lisboa à Mesa" : no Factor X relativo ao Gambrinus, para além do crepe suzete ao vivo, acrescentar a degustação destes Madeiras, raridades praticamente impossiveis de encontrar noutros espaços.