sábado, 31 de março de 2012

Jantar Niepoort

Primeira decepção: as estrelas não estiveram presentes, nem o Dirk que se fez representar pelo José Teles, director geral da Niepoort, nem o José Cordeiro, o badalado chefe do Feitoria (Hotel Altis, Belém), onde decorreu o evento.
Segunda decepção: faltou calor humano ao evento, ninguém se aproximou, ninguém conviveu, ninguém curtiu à volta do vinho, uma frieza quase glacial. Estavam 9 mesas apenas com 2 pessoas, 2 com 3 (uma delas da Niepoort) e 2 com 4, num total de 32 manducantes. Isto faz algum sentido?
Terceira decepção: o menu degustação não esteve à altura dos vinhos. Pelo preço que pagaram, os participantes mereciam melhor.
Marcado para as 20 h, o repasto só começou verdadeiramente 1 hora depois e acusou algumas quebras no ritmo. De notar que puseram na mesa um copo para cada vinho, uns melhores que outros, logística não muito fácil, com destaque para o serviço sempre muito profissional.
Antes do vento ter início, foi servido champanhe Mumm, simpática oferta da casa. Mas vamos aos comes e bebes:
.Niepoort Projectos Riesling Dócil 09 - subtil, elegante e delicado, inicialmente fechado, desenvolveu bem aromas tropicais, adocicado, mostrou frescura e bom final. Nota 17. Acompanhou "Mi-cuit de foi, cujo biscoito estava seco.
.Niepoort Dócil Loureiro 10 - mais seco e fresco, mas menos exuberante e expressivo, final pouco persistente. Nota 16. Acompanhou um duo de salmão, correcto mas sem entusiasmar.
.Redoma Reserva 10 - notas florais, acidez equilibrada, potência de boca e final prolongado. Nota 17,5. Bebeu-se com um belíssimo lagostim com espargos e caviar.
.Batuta 09 - muita fruta, exuberância, fresco, potência de boca, mas ainda demasiado jovem, a precisar de tempo de garrafa; é pedofilia bebê-lo agora. Nota 17,5.
.Batuta 05 - muito fino, fresco e elegante, sofisticado, especiado, notas de tabaco e chocolate, estruturado, bom final de boca. Belíssimo. Nota 18,5. Os 2 Batuta acompanharam um tamboril sem sabor com um saborosíssimo xerém de berbigão.
.Charme 09 - notas florais, fino e elegante, harmonioso, boa acidez, porfundidade e equilibrio. Merecia um copo melhor. Nota 18. Bebeu-se com uma excelente bochecha de porco com puré de batata e trufa.
.Niepoort Bioma Vintage 08 - exuberante, muita fruta, taninos omnipresentes, final longo, mas falta-lhe complexidade. Nota 17.
.Niepoort Vintage 05 - ainda na fase estúpida, algo agressivo e final interminável. Nota 17,5. A combinação com a sobremesa, toucinho do céu com sorvete, foi um desastre.
Em conclusão, o preço pago por este jantar não compensou a alta qualidade dos vinhos. Uma pena!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Francisco Olazabal (Vito) : 17 anos depois

Esta é mais uma pequena história para partilhar com os leitores deste blogue. Conheci o Vito (não, confundir com o Xito, o filho com o mesmo nome do pai) há praticamente 17 anos. Ou, para ser mais preciso, conheci-o em 28 de Abril de 1995, no Jantar "Casa Ferreirinha", organizado pela Revista de Vinhos no Restaurante English Bar (hoje Cimas), no Monte Estoril.
Eu, na altura, já era sócio do Reserva 1500, clube de vinhos da Sogrape. E, nessa qualidade, tinha encomendado alguns vinhos experimentais da Casa Ferreira, concretamente Casco 27 e Moscatel Quinta do Seixo, de colheitas que já não recordo, que não me foram enviados por ruptura de stock. Dei conhecimento ao Vito (como é carinhosamente conhecido) desta minha frustação, tendo-me pedido o contacto. Que iria ver, foi a resposta. E não pensei mais no assunto.
Um mês depois, qual foi a minha surpresa ao receber em minha casa, uma garrafa de cada um dos vinhos, acompanhada por uma carta da Administração da A.A.Ferreira,S.A., assinada pelo Francisco Olazabal. Não estava nada à espera, pois tinhamos acabado de conhecer. Embora já tivesse alguma militância enófila, não estava no meu projecto de vida profissionalizar-me. Uma atitude destas, só vinda de um grande senhor, que ele é!
Nessa carta, o Vito confessava que tinha obtido as garrafas por "métodos inconfessáveis" e dizia "peço-lhe que não envolva o meu nome nesta aquisição!". Ó Vito, desculpe lá a inconfidência, mas já passaram tantos anos e já ninguém pode levar a mal. Bem haja pela sua atitude!
Todos fossem assim e este mundo seria bem melhor.
Para memória futura, passo a transcrever a ementa e os vinhos provados nesse jantar :
.Porto Ferreira Branco Doce c/ aperitivos
.Qtª dos Carvalhais Branco 1993 c/ vol au vent de gambas com cogumelos
.Reserva Especial 1986 c/ costela de vaca na grelha
.Ferreira Vintage 1982 c/ queijo da Serra
.Qtª do Porto 10 Anos c/ tarte de maçã
.Aguardente Velha Chancella c/ café

segunda-feira, 26 de março de 2012

Petit d' Algés revisitado

Voltei, recentemente, a este restaurante taberna, um porto seguro para quem mora em Belém, como é o meu caso. Oferta alargada, com 7 peixes, 7 carnes, 9 mariscos, 10 entradas/petiscos e 8 sugestões do dia. Aviso aos militantes da lampreia : o Petit d' Algés ainda a tem na ementa (à Bordalesa), embora me pareça que já está fora do prazo aconselhável à sua degustação. Comeu-se, nesta última visita, sopa rica de peixe, chocos à algarvia e atum à portimonense, tudo bem confeccionado e em doses fartas. Serviço simpático, mas por vezes atrapalhado.
É pena que não levem muito a sério a componente viníca. Há meia dúzia de tintos a copo e, nos brancos, apenas o da casa, o que não se entende de todo, pois é muito mais fácil conservar brancos do que tintos. Os copos também não ajudam, são estéticamente bonitos, mas pouco práticos. A quantidade servida, essa é generosa.
Bebi um copo do tinto Herdade dos Grous 09 - muito frutado, um pouco verde, taninos ainda por domar, final presistente; vinho descomplicado, para beber nos próximos 3 anos. Nota 16.
Duas notas, a fechar :
.toda a área do restaurante é para fumadores, o que pode ser desagradável para quem não tenha esse hábito;
.a sala estava completamente lotada : a crise não passou por aqui!

domingo, 25 de março de 2012

Irritante falta de informação (II)

Mais 2 restaurantes que estão convencidos que todo o mundo sabe em que dias encerram, se só servem jantares ou só almoços. O que lhes custa afixar essa informação junto das ementas, no exterior? Não será um pouco de falta de consideração pelos potenciais clientes? Ou será uma acção concertada, pois estão encostados um ao outro?
Estou a falar do Largo e do Belcanto. Idiossincrasias!

sábado, 24 de março de 2012

Reclamar, sempre! (I)

Na "Declaração de Princípios" que assumi (ver crónica de 30/1/2012), deixei a porta aberta para abordar assuntos externos ao mundo do vinho, desde que considerasse importante partilhá-los com os leitores deste blogue.
Ao longo da minha vida, pessoal e profissional, nunca tive dúvidas em reclamar ou protestar, sempre que os meus direitos fossem postos em causa, estando a razão do meu lado. Foram pequenas, médias e grandes reclamações. Vou ficar pelas grandes. A primeira, que agora relato, foi um conflito de consumo contra a firma Linea Mare - Comércio de Vestuário, representantes em Portugal da marca Paul & Shark.
1.Em 16/1/2006, adquiri uma parka em tecido impermeável, com aplicações em pele, da referida marca.
2.Em Julho desse ano, desloquei-me à Islândia, em gozo de férias, tendo levado vestida esta parka. Choveu durante quase toda a semana, o que provocou que as aplicações em pele tivessem manchado o tecido, inutilizando-o.
3.Contactado por diversas vezes o representante da marca, através da sua loja em Lisboa, em Janeiro de 2007 fui informado que a respectiva administração se recusara a solucionar o problema, pelo que apresentei uma reclamação escrita no respectivo livro. Uma das cópias foi endereçada à ASAE, sem que até esta data se tivesse pronunciado.
4.O passo seguinte foi apresentar uma queixa no Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo (Rua dos Douradores,108 em Lisboa), que marcou um Julgamento Arbitral. Realizado em 1/3/2007, nada se concluiu por falta de comparência da Linea Mare.
5.Com a ajuda de um advogado amigo, recorreu-se ao Julgado de Paz de Lisboa (Rua Professor Vieira de Almeida,3) que marcou para 6/2/2008 uma sessão de Pré-Mediação, igualmente sem resultados práticos por recusa da Linea Mare em comparecer.
6.Não cruzámos os braços e o meu advogado submeteu o processo a tribunal.
Finalmente, o 3º Juizo do Tribunal de Pequena Instância Cível de Lisboa, marcou para o dia 7/2/2011, uma Audiência de Discussão e Julgamento.
7.Na véspera do julgamento, o advogado da Linea Mare entrou em contacto com o meu advogado propondo solucionar o problema. Se tivéssemos de acordo viria uma parka nova de Itália, ficando o julgamento sem efeito.
8.Finalmente, passados quase 5 anos, fez-se justiça!
Moral da história : reclamar, sempre!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Pasmem-se, enófilos de todo o mundo!

Leio o Expresso de 17 de Março, concretamente a página 14 do caderno Economia, e não quero acreditar. O meu pasmo é o artigo "Nova marca desafia a indústria do vinho", assinado pela jornalista Conceição Antunes. A nova marca que dá pelo nome Wine with Spirit, foi concebida por 2 portugueses e, segundo um dos sócios, tem como objectivo "Viemos desafiar os senhores da indústria do vinho, e temos a mente aberta. No limite, se alguém quiser um vinho azul ou com sabor a banana, podemos fazê-lo.". Pasmem-se enófilos com este dislate!
Já foram lançados, no mercado nacional, o rosé Bastardo! 2010 (V.R.Setúbal) e o tinto Dine With Me Tonight 2008 (V.R.Alentejano) e, no mercado brasileiro, o Feijoada & Co. Estão para sair mais uns tantos, o Marry Me Today e outros. Os nomes são mais ou menos folclóricos, mas o que mais me pasma é o IVV, através da C.V.R.Setubal, no caso do Bastardo!, autorizar como marca o nome de uma casta, que nem sequer entra na composição deste vinho. Qualquer dia, encontramos nas prateleiras das garrafeiras, lojas gourmet ou mercados, um tinto Alvarinho produzido no Algarve, com Castelão ou um branco Touriga Nacional engarrafado na Bairrada, a partir da Baga!
Mas há mais. O sócio que deu a cara no artigo do Expresso, confessa "Sou um entusiasta do vinho, mas não percebo nada de vinhos (...)". Está na hora de aprender alguma coisa, nomeadamente a pegar correctamente no copo.
Ó senhores da Wine With Spirit, a Academia Revista de Vinhos tem um curso agendado para o dia 31 de Março. Inscrevam-se que bem precisam!

terça-feira, 20 de março de 2012

Vinhos em família (XXX)

Mais meia dúzia de vinhos, 3 brancos e 3 tintos, provados em família ou com amigos. Com excepção de 1 tinto, estavam todos em grande forma.
.Morgado Stª Catherina Reserva 08 - estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês; complexidade aromática, notas tropicais, melão e alperce, madeira discreta, acidez equilibrada, alguma mineralidade, estrutura e bom final de boca, gastronómico, no apogeu mas aguenta bem mais 3/4 anos; para mim, o melhor branco português em relação preço/qualidade e não só. Nota 18 (noutras situações 14,5 (garrafa avariada?)/17/17,5+/17,5+/17,5+/17,5+/18)
.Passagem 10 - um branco resultante da parceria do Jorge Moreira com a Qtª de La Rosa, a partir de uma vinha velha; aromático, frutado, mineral, fresco, elegante e equilibrado, com alguma gordura e bom final; bom para a meia estação, aguenta mais uns anos. Nota 17,5+.
.Muros Antigos Alvarinho 10 - nariz exuberante, notas tropicais, presença de citrinos, muito fresco, bom final; bebido no restaurante Mar do Inferno, com uma travessa do mar. Nota 17,5 (noutra 16,5+)
.Qtª de Roriz Reserva 05 - estagiou 10 meses em cascos novos de carvalho francês; complexidade aromática, ainda com fruta vermelha, especiado,fresco e elegante, madeira discreta, taninos finos, estrutura e bom final de boca; ainda está longe da reforma; uma aposta segura, excelente relação preço/qualidade. Nota 18.
.Pintas 05 - vinificado em lagar, a partir de vinhas velhas; fino e legante, especiado, notas de tabaco, couro e chocolate, acidez equilibrada, taninos ainda presentes mas polidos, arquitectura e bom final de boca; rolha excepcional; a beber com prazer mais 4/5 anos. Nota 18+ (noutras 18/17,5/18,5).
.Qtª do Soque 08 - um tinto do Douro simples e descomplexado; fruta, acidez equilibrada, taninos algo rugosos, corpo e final médios; para despachar. Nota 15.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O 2º aniversário do Enófilo Militante

Foi precisamente no dia 19 de Março de 2010, alguns dias depois de me ter reformado das CAV, que publiquei a minha 1ª crónica neste blogue, dedicada ao Núcleo Duro (a 52ª sessão em que participei com este grupo).
O melhor prémio que me poderiam atribuir, foi ter ficado no top 10 dos blogues nacionais sobre vinhos. O portal brasileiro de vinhos Eno Eventos (www.enoeventos.com.br), da responsabilidade de Oscar Daudt (?), publicou a crónica "Quem é quem...em Portugal, as páginas de vinhos mais visitadas", tendo por base os dados do portal americano Alexa. O Eno Eventos fez o levantamento de 30 blogues portugueses, cujo tema principal é o vinho.
Para memória futura, aqui se registam os 10 mais dos 30 seleccionados:
1.Copo de 3
2.Pingamor
3.Pingas no Copo
4.Nova Crítica
5.Os Vinhos
6.Rui Falcão
7.Infovini
8.Pumadas
9.Enófilo Militante
10.Saca a Rolha

domingo, 18 de março de 2012

Perplexidades (VII)

Esta pequena história passou-se, há uns tantos anos, com um cliente das CAV. Este senhor era um "pedinte" militante, pois em cada compra que fazia, a título individual ou para o seu partido, a pedinchice era mais que muita. Ele era descontos e descontos sobre os descontos, ele era embalagens de prestígio de borla, ou qualquer outra coisa que lhe palpitasse tirar vantagens para si ou para os seus.
Um belo dia, para estupefacção do senhor, encontramo-nos numa recepção incluida nas comemorações do 30º aniversário do 25 de Abril. Éramos ambos convidados do Presidente Jorge Sampaio, eu na qualidade de membro da Associação 25 de Abril e ele na qualidade de deputado da nação. Estávamos, portanto, em pé de igualdade. E logo ali tentou estabelecer uma espécie de relação hierárquica entre um cliente importante e um simples comerciante, iniciando uma conversa que desembocou numa tentativa de encomenda, não esquecendo pedinchar os descontos inerentes. Óbviamente, cortei-lhe a conversa e disse que encomendas só na loja.
Voltei a vê-lo, passado algum tempo, numa garrafeira da concorrência, presumo que a pedinchar descontos ainda maiores. Foi a última vez que nos cruzámos. A partir daí, só me entrava em casa via televisão, nas suas funções de deputado ou porta-voz do partido.
Moral da história: clientes destes, mais vale não os ter!

segunda-feira, 12 de março de 2012

O Blogue vai de férias

Até ao final da semana, não há blogue para ninguém. Para a semana, prevêem-se crónicas sobre o 2º aniversário do enófilo militante, mais vinhos em família, mais perplexidades e o que mais adiante se verá.

domingo, 11 de março de 2012

A Quinta de Roriz

Das dezenas de quintas no Douro, visitadas pelo antigo núcleo duro das CAV, foi a Quinta de Roriz que mais nos surpreendeu. Fomos recebidos com pompa e circunstância pelo anfitrião, na altura o João van Zeller. Foguetes e concertinas não faltaram, foi uma verdadeira festa. Para além da visita, da prova de vinhos, orientada pela Sandra Tavares da Silva e de um excelente almoço servido no espaço dos lagares, foi o calor humano e o empenho pessoal do João van Zeller que nos empolgaram.
Vem isto a propósito do livro "Roriz história de uma quinta no coração do Douro", publicado em finais do ano passado (Edições Afrontamento), da autoria do historiador Gaspar Martins Pereira, com obra publicada sobre a região. O prefácio é do António Barreto, um homem do Douro de alma e coração, que falando sobre o autor afirma "(...)Este seu livro tem um carácter extraordinário : é uma verdadeira biografia. Não de pessoa, como é habitual, nem de família, como também se pode fazer, mas de uma quinta. De uma quinta maravilhosa que, com vários séculos de existência, quase ganha vida, quase se transforma em sujeito(...)" e, a terminar, escreve "(...)A história da Quinta de Roriz é uma história de quinta, certo. Mas é sobretudo uma história de gente. E uma historia do Douro".
De acordo com o autor, ficamos a saber que "(...)Roriz foi a primeira grande quinta do Douro a ser adquirida por um negociante britânico(...), de seu nome Diogo Archbold". Ao longo dos anos foi mudando de mãos, dos Archbold para os Kopke, destes para os van Zeller, até Maio de 2009, altura que João van Zeller a vendeu à Família Symington.
Os vinhos Qtª de Roriz passaram a ter visibilidade com a colheita de 1996, na sequência do comentário, altamente favorável, tecido pela jornalista e master wine Jancis Robinson no Finantial Times. A nota 18 dada a um vinho portugês, permitiu o seu reconhecimento a nível mundial. Quem se lembra, ainda, deste Roriz de 96?
Conta ainda o autor que a Jansis Robinson, quando visitou Roriz, escreveu no livro das visitas "Finalmente, cheguei à origem.", penso que em inglês pois não consta que esta crítica de vinhos domine a língua portuguesa.
A finalizar, recomenda-se vivamente este livro aos indefectíveis do Douro.

sábado, 10 de março de 2012

O grupo dos 3 (20ª sessão)

A 1ª sessão deste grupo em 2012, desenrolou-se no Colunas com vinhos do Juca. Começou com um Madeira, apenas com cajú torrado por companhia, tendo terminado com o mesmo vinho a acompanhar uma belíssima tarte de amêndoa. Prefiro-o no início da refeição, pois acho que esta casta (Verdelho) não liga tão bem com doces.
O tema do repasto foi a avaliação de 2 vinhos de 2006, a colheita maldita, que se portaram muito bem. Bateram-se, inicialmente, com empadas de pombo bravo e espetadinhas de cogumelos e enchidos e, posteriormente, com uma empada de lebre de grande qualidade. Foi, com efeito, a melhor refeição que fiz no Colunas.
Mas vamos aos vinhos :
.Cossart Gordon Verdelho 73 (sem data de engarrafamento visível) - frutos secos, notas de iodo e caril, vinagrinho bem presente, elegante, equilibrado, complexo, arquitectura de boca, final longo. Nota 18,5+.
.os 2 tintos mostraram-se florais, finos e elegantes, estruturados, taninos presentes mas polidos e bom final de boca. O Carrocel é mais fresco e o Qtª de Vale Meão mais potente e com um final mais prolongado. Notas 18 (noutra situação 17,5) e 18,5 (noutra 18), respectivamente.
Mais uma boa sessão. Obrigado Juca!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Não há fome que não dê em fartura...(aditamento)

É um aditamento à crónica de 6/3 sobre este tema. Quero acrescentar à lista dos restaurantes que organizam jantares de vinhos, o Clara Chiado. Falha indesculpável, até porque participei em 2. Haverá mais algum em Lisboa?

quinta-feira, 8 de março de 2012

A colheita de 2002

Penso que passou um pouco ao lado dos enófilos, o painel de prova com tintos de 2002, organizado pela Revista de Vinhos (RV), cuja reportagem, com o elucidativo título "Pérolas de uma vindima difícil", foi publicada em Fevereiro deste ano, com resultados surpreendentes. Mas como este nº da RV era dedicado, quase em exclusivo, aos Melhores do Ano 2011, aquele painel ficou algo marginalizado. Talvez fosse melhor publicar estes paineis em meses mais pacatos, que não em Fevereiro.
Eu também alinhei na desconfiança em relação à colheita de 2002 e não investi em vinhos deste ano. Pelos vistos fiz mal. Da minha garrafeira provei no decorrer do ano 2011: Charme (nota 18,5 ver crónica de 2/4), Qtª do Vale Meão (nota 18 crónica de 18/3) e Pintas (nota 18 crónica de 9/6).
Tenho andado a consumir regularmente as colheitas de 2000, 2001, 2002, 2003 e anteriores. De quando em vez não resisto aos tintos de 2004 e vou testando a 2005. A fabulosa colheita de 2007 ainda terá que aguardar algum tempo e considero impensável abrir as minhas garrafas de 2008 ou 2009.
Mesmo nos brancos prefiro-os com algum tempo de garrafa, apostando nas colheitas de 2008 e 2009.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Novo Formato+ (3ª sessão)

Mais uma sessão de convívio entre os amigos que compõem este grupo. Os convites foram feitos pelo Alfredo Penetra que ofereceu os vinhos e o almoço, que decorreu na Qtª da Fonte Santa.
O repasto iniciou-se com uma das 3200 garrafas do espumante Vinha Formal 08, criação do Luis Pato, a partir das castas T.Nacional e Bical, em partes iguais - nariz discreto, bolha não muito fina, acidez, mas falta-lhe elegância e estrutura de boca. Nota 15,5 (noutra situação 15,5). Acompanhou ima entrada de meloa com cocktail de camarão.
O tema do almoço foi o confronto entre 2 tintos de 2005 e 2 de 2008, tudo às cegas como é norma nestes encontros. Estes 4 tintos, com 3 a portarem-se muito bem e 1 completamente irreconhecivel, bateram-se bem com um cabrito no forno, batata assada e migas de couve.
.Qtª do Carmo Reserva 05 - estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês; algo evoluido para a idade, muito floral, algumas notas vegetais, fresco na boca, elegante, estruturado e final longo. Nota 18 (noutras 17,5/18).
.Kompassus Private Seleccion 05 - muito complexo, especiado, notas de tabaco, acidez equilibrada, taninos firmes mas polidos, arquitectura de boca e final extenso. Mais uma vez este Bairrada não dá hipótese à concorrência. Um dos vinhos da minha vida. Nota 18,5 (noutras 18,5/18,5+/18,5/18/18,5+/18,5).
.Qtª de Pancas Grande Escolha 08 - com base nas castas Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e T.Nacional, estagiou 20 meses em barricas novas de carvalho francês; fumo acetuado no nariz, notas metálicas, agressivo, corpo e final médios. O que teria acontecido a esta garrafa? Nota 13 (noutra 17,5).
.Antónia Adelaide Ferreira 08 - aroma intenso, muito fino, notas florais, acidez no ponto, profundidade e bom final de boca. Muito bom, mas sem esmagar. Nota 17,5+ (noutra 18,5).
.Dalva Colheita 68 (engarrafado em 2009) - iodo, brandy, taninos poderosos, final longo, mas não muita complexidade para um Porto com mais de 40 anos. Nota 17,5. Acompanhou uma mousse de chocolate com frutos silvestres.
Mais uma grande jornada de são convívio. Obrigado Alfredo!

terça-feira, 6 de março de 2012

Não há fome que não dê em fartura

Vem isto a propósito de uns tantos restaurantes estarem a organizar jantares de vinhos, depois do vazio deixado pelas CAV. Que eu saiba, para além da parceria da Garrafeira Néctar das Avenidas com o restaurante Assinatura, têm feito pontualmente jantares em Lisboa o Corte Inglês, o Sessenta, o Faz Figura, a Casa da Comida e o Rubro, este já com alguma regularidade. O Cimas English Bar, onde há muitos anos a Revista de Vinhos organizava estes eventos, marcou para o dia 10 de Março uma sessão com o Celso Pereira. Também o Olivier anunciou pretender levar a cabo jantares de vinhos, num dos seus restaurantes, todas as quintas feiras, já neste mês de Março. Não há fome que não dê em fartura!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Perplexidades (VI)

Num dos Jantares de Vinhos organizados pelas CAV, há já uma série de anos, uma figura pública no mundo do vinho ( na altura ainda não o era), apareceu quase no final do evento, sem ser convidada. Abancou numa mesa onde estavam produtores e enólogos, provou vinhos, bebeu café, mas esqueceu-se de cumprimentar os anfitriões (o Juca e eu). Era elementar! No mínimo, foi falta de cortesia e de educação.
Desabafando eu com o Dirk, que participou no Jantar, na sua tripla qualidade de produtor, enólogo e nosso amigo, respondeu-me, pondo água na fervura : "Faça de conta que ele é meu convidado...".
Sem comentários...

domingo, 4 de março de 2012

Almoço na Tasca República

Este restaurante, que de tasca não tem nada, fica no nº 312 da Rua de São Bento e pertence aos mesmos donos da Tasca Urso, instalada na Rua Monte Olivete nº 32-A, ao Príncipe Real.
É uma sala aconchegada, bem aparelhada, com guardanapos de pano, serviço eficiente e profissional, feminino e super simpático. De referir o pormenor de um cliente que, ao levantar-se da mesa para atender uma chamada, deixou cair no chão o guardanapo que tinha no colo. Rapidamente, uma das empregadas, sem que o cliente se tivesse apercebido, apanhou o guardanapo e substituiu-o de imediato. É assim que se vê o profissionalismo de cada um (neste caso, de cada uma).
A Tasca República parece ser uma antena do Parlamento, tal a quantidade de deputados e ex-ministros que por lá almoçam. Todos da oposição, a avaliar por umas caras bem conhecidas. Os deputados da maioria e os actuais governantes devem estar mais preocupados, em consonância com o FMI, em congeminar mais medidas para apertarmos o cinto. Nem têm tempo para almoçar fora da Assembleia!
Mas voltando ao que interessa, optei pelo Menú da semana; por 10 € tem-se direito a couvert, sopa, 1 prato (a escolher entre 4), sobremesa e 1 bebida (o café é à parte). Estava tudo com qualidade, especialmente o Bacalhau à Braz, saboroso e sem vir a pingar gordura, como é habitual noutras paragens.
Mas nem tudo são rosas. A componente vínica tem que dar uma grande volta. Lista mal estruturada, sem anos de colheita e sem vinho a copo (só estava disponível o da casa, francamente desinteressante; já no final do almoço, descobri que, afinal, havia como vinho do mês, o Altas Quintas Crescendo, a 2,50 €, que teria sido uma boa solução se me tivessem informado). Ainda por cima, os preços eram altos. Quanto a copos, havia de várias espécies e feitios, tendo ficado com a impressão que o modelo posto na mesa tinha a haver com a atitude de cada cliente. A mim, calhou-me um copo dos bons.
Por simpatia do dono, acabei por beber o tinto Maritávora 07, aberta a garrafa na altura e tendo pago apenas o correspondente ao que consumira. O Maritávora estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e mostrou fruta vermelha, acidez, alguma rusticidade, taninos vigorosos e um bom final de boca. Nota 16,5+.
Finalmente, à 5ª feira têm leitão vindo expressamente da Bairrada. Hei-de voltar.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Comemorar os 50 Anos (versão 2012)

Está na altura de se comemorar os 50 anos de qualquer coisa, seja aniversário de nascimento, anos de casado ou do divórcio, quando o Belenenses (o meu clube) era um dos grandes ou quando o Sporting foi campeão nacional. Para isso é preciso encontrar um vinho de 1962, o que não é nada fácil. No entanto, encontrei as seguintes hipóteses :
1ª - Niepoort Colheita (a marca mais credenciada)
.Garrafeira Nacional 230 €
.Gn Cellar 250 €
.Casa Macário 360 €
.Manuel Tavares 635 € !?
2ª - Ramos Pinto Colheita
.Gn Cellar 102 €
3ª - Qtª do Castelinho (a mais modesta)
.Garrafeira Nacional 95 €
.Snack Baiana (Av.Liberdade) 300 € !?
De registar, ainda, o facto de o Solar do Vinho do Porto, em Lisboa, não ter no seu catálogo qualquer Porto de 1962 para venda.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Jantar com Vinhos da Madeira (4ª sessão)

O núcleo duríssimo dos Vinhos da Madeira reuniu, mais uma vez, para jantar na Enoteca de Belém. As sessões anteriores estão descritas nas crónicas de 17/12/2010, 27/2/2011 e 1/11/2011, para quem tiver a curiosidade de saber o que temos andado a beber.
Esta última sessão correu muitíssimo bem, com a equipa da casa (Ângelo, Nelson e companhia) super afinada. As iguarias que vieram para a mesa (e foram muitas) estiveram ao melhor nível e o serviço de vinhos foi impecável. Só copos foram mais de 100! Não creio que haja muitos espaços em Lisboa e arredores que suportem uma logística desta dimensão. Para os mais distraidos recomendo a leitura da última Revista de Vinhos, que dedica 5 páginas, bem merecidas, à Enoteca de Belém.
Mas chega de conversa e vamos aos vinhos que trouxemos das nossas garrafeiras (antes da sessão foi servido o espumante 3B Rosé, da Filipa Pato, uma simpática oferta da casa, que acompanhou bem um dueto de atum):
.ABS Verdelho 84 (engarrafado em 97 e trazido pelo Alfredo Penetra) - complexidade aromática, frutos secos, notas de iodo e caril, boa acidez, elegância e potência, alguma gordura, final longo; tem um estilo mais aproximado dos vinhos da Blandy e está uns furos acima do que tenho provado da casa Artur Barros e Sousa. Nota 18,5 (noutra situação 18).
.ABS Verdelho Reserva Velha (engarrafado em 07 com cerca de 30/40 anos de casco, veio da casa do José Rosa) - mais seco, mais acidez e iodo, mas menos complexo e gordo; apesar de menos impressionante, ligou melhor com a salada de salmão com cebolinho e funcho. Nota 18 (noutra 18,5+, desconhecendo-se a data de engarrafamento).
.Batuta 04 (da responsabilidade do Juca) - muito fechado, alguma acidez e elegância, taninos ainda presentes, mas menos complexidade em relação a outras garrafas provadas em situações anteriores; ainda longe da reforma (pode ser guardado mais 5/6 anos). A desilusão (relativa) da noite. Nota 17,5+ (noutras 17+/18,5/18/18+).
.Qtª do Além Tanha Vinhas Velhas 04 (da garrafeira do João Quitela) - notas florais, elegante e equilibrado, boa acidez, madeira fina, estrutura de boca, bom final; também ainda longe da reforma. Nota 18 (noutras 16,5+/17,5+).
.S de Soberanas 04 (veio com o Modesto Pereira) - nariz exuberante, grande complexidade, acidez no ponto, boca poderosa, final longo e muito gastronómico; também aguenta mais uns anos em forma. A surpresa da noite. Nota 18,5 (noutras 18+/17,5/16/17/17,5+ ou seja alguma irregularidade entre garrafas).
Os 3 tintos acompanharam um naco de novilho com risotto porcini e molho de café.
.Leacock Bual 66 (sem data perceptivel de engarrafamento, foi trazido por mim) - complexidade aromática, elegância e acidez, grande estrutura de boca e final longo. Nota 18,5.
.Miles Bual 34 (mais uma pérola do Adelino de Sousa) - aroma exuberante, iodo e vinagrinho bem presentes, boca potente e final interminavel; grande personalidade e prémio para o vinho da noite. Nota 19 (noutra 19,5).
Acompanharam estes 2 últimos Madeiras, tábua de queijos, doçaria e fruta.
Grande jornada, comida de muita qualidade, vinhos quase todos ao nível da excelência, serviço eficiente e profissional e, sobretudo, um bom ambiente de amizade deste núcleo duro de Vinhos da Madeira. Parabens a todos!