domingo, 29 de abril de 2012

Lisbon Restaurant Week (LRW)

Está a chegar uma nova edição do LRW, com início em 3 de Maio, terminando em 15. É a grande oportunidade, por apenas19+1 €, de termos acesso a restaurantes emblemáticos e, normalmente, demasiado caros para o comum dos mortais. Imperdível!
Aderiram mais de 60 restaurantes, entre os quais, Arola, Assinatura, Bica do Sapato, Claro, Eleven, Faz Gostos, Flores, Panorama, Papa Açorda, Pedro e o Lobo, Qtª dos Frades, Terraço (Hotel Tivoli) ou XL. Obrigatório reservar.
Depois, não digam que não foram avisados...

sábado, 28 de abril de 2012

Almoçar em hotéis: a grande (des)ilusão (II)

O outro restaurante envolvido dá pelo nome de "Marquês de Pombal" e pertence ao Hotel Zenit Lisboa, sito na Av. 5 de Outubro. Na qualidade de leitor assíduo do blogue "Mesa marcada", chamou-me a atenção uma crónica do Miguel Pires de 24 de Março, intitulada "Pub Gratis (desespero?)", com uma fotografia do cartaz à entrada do hotel, onde se pode ler "Especialistas em Cozinha de Autor" e "Aqui come-se muito muito bem".
Não resisti ao apelo e fui comprovar se era mesmo verdade. Lamentavelmente, conclui que de cozinha de autor não tinham nada e nem sequer se come muito bem. Os preços para hotel, esses, são imbatíveis e aplicam-se aos almoços de 2ª a 6ª feira. O prato "Z" custa 7,45 € e dá direito a couvert (pão, manteiga, azeite e azeitonas), um prato a escolher entre 2 e água ou vinho da casa. Gastando um pouco mais (9,90 €), tem-se direito ao menú "Z", ao qual acresce a sobremesa.
A sala é moderna e acolhedora, mas não faz sentido os guardanapos serem de papel e, embora sem som, terem a televisão ligada! O serviço é algo frio e distante. Optei pelo prato de peixe, que naquele dia era bacalhau frito com cebolada, ao qual não retiraram nem a pele nem as espinhas, e vinha acompanhado de salada. Tudo no mesmo prato! A dose era generosa, mas cozinha de autor? Francamente...
Quanto a vinhos, a lista é curta, desinteressante e sem anos de colheita. Imperdoável! Os copos cumprem os mínimos.
Em conclusão, eles são mesmo muito bons é em marketing. O resto é para esquecer!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Almoçar em hotéis: a grande des(ilusão) (I)

Há cerca de 1 mês, em 2 dias seguidos, tive a oportunidade de almoçar em hotéis. Em qualquer deles as experiências foram diferentes, mas igualmente frustantes. A primeira, no clássico Hotel Aviz e a segunda, no moderno Restaurante Marquês de Pombal (Hotel Zenit). Não escrevi de imediato as minhas impressões, pois dei prioridade a outros acontecimentos, que considerei mais interessante partilhar. Estão neste caso, os jantares vínicos com os produtores Niepoort, Qtª do Perdigão, Lavradores de Feitoria e Qtª do Crasto, a Páscoa na Bairrada (4 crónicas), as provas do Grupo dos 3 e do Novo Formato+, e, ainda, o Peixe em Lisboa (2 crónicas).
Começarei pelo Hotel Aviz, deixando o Zenit para a próxima crónica.
O menú do dia, de 2ª a 6ª feira, custa 18 € com direito a couvert, entretém de boca, entrada, prato, sobremesa e café. As bebidas, água e vinho a copo, são pagas. Em cada dia da semana o menú é fixo e não dá hipótese de escolha. Seria mais simpático se se pudesse optar entre 2 ou 3 alternativas.
No Aviz é tudo muito clássico e requintado, com salas separadas para fumadores e não fumadores. Serviço profissional e simpático. Comemos salada de tomate e mozarella, vinagrete balsâmico e rúcula (o entretém de boca também tinha queijo, o que contribuiu para o desequilibrio da refeição), seguida de um arroz de pato à antiga, algo seco e sem ponta de gordura. Uma nota positiva, perante o nosso comentário desfavorável, um dos cozinheiros veio à mesa para ouvir os nossos reparos e justificar-se. Tiro o meu chapéu, pois raramente os responsáveis pela cozinha dão a cara. A sobremesa, salada de laranja à Aviz, para compensar, estava excelente. O melhor do almoço.
Quanto à componente vínica, a lista é demasiado curta para um hotel como este, alternando preços acessíveis com outros bem altos, de acordo com o ambiente de luxo. Oferta de vinho acopo, reduzida a 3 referências de branco e igual número de tintos, a preços altos. O copo para vinho branco, com um pé muito alto, é ridiculamente diminuto na parte superior, esgotando-se em 3/4 goles. Eu até pensei que era um copo apenas para se provar o vinho antes de o beber!
Bebeu-se o Stanley Chardonnay 09, que veio para a mesa gelado - simples, frutado, muito tropical, menos interessante na boca. Nota 14,5.
Esta jornada foi uma grande desilusão, mas, ao menos uma vez na vida, há que almoçar no Aviz, quanto mais não seja para acrescentar ao currículo! Mas, em abono da verdade, tenho amigos meus que foram jantar à lista e sairam satisfeitos, embora tenham pago muito mais, imagino.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Cravos, música e livros

As crónicas vão rarear nos próximos dias, pois as minhas energias e tempo livre vão ser canalizados para as Comemorações do 25 de Abril, os Dias da Música (concertos no CCB em 27, 28 e 29 de Abril) e a tradicional Feira do Livro, com abertura prevista para hoje e que se estenderá até 13 de Maio.
Para além da militância enófila, a intervenção cívica e os interesses culturais são-me indispensáveis e completam-na. Pode ser que nos encontremos nalgum destes locais. Até breve!

As conservas estão na moda

As conservas nacionais entraram definitivamente nos nossos palatos. Mais: alguns dos chefes mais badalados já as introduziram nalgumas das suas criações. Vem isto a propósito de uma crónica assinada pelo Miguel Pires e publicada no Mesa Marcada, em 18/4, intitulada "Crónica e resultados de uma prova de conservas de peixe" (há um link do meu blogue para lá). Foram realizadas 3 provas, cujos vencedores foram:
.Sardinhas em azeite - Minerva
.Filetes de cavala em azeite - Vasco da Gama
.Prova especial com diversos tipos de conserva - Correctora (com ventresca de atum em azeite)
Resta dizer que no júri estavam nomes sonantes, tais como Luis Baena ou José Avillez.
Também eu fiz, a nível familiar, uma prova com conservas da marca Campos Santos (Albufeira), adquiridas quando do Peixe em Lisboa, que deram muito boa conta de si. Para o meu gosto, nota alta para as sardinhas em azeite e barrigas de atum em azeite, logo seguidas dos filetes de cavala mediterrânicos. Tudo isto acompanhado por um belíssimo branco, o Qtª de Carvalhais Encruzado 2009, que em futura crónica referirei em pormenor.
Para quem queira adquirir conservas de qualidade, aconselho a "Sol e Pesca", na Rua Nova de Carvalho,44 (ao Cais do Sodré), já aqui referida na crónica "Peticos em Lisboa" em 11/9/2011, onde também se podem comer. Tem uma oferta inigualável e está aberta de 3ª a sábado, a partir das 12h até às tantas da manhã.

domingo, 22 de abril de 2012

Jantar Qtª do Crasto

Mais um jantar vínico que participei, no âmbito da minha militância enófila. Não vou a todos, mas há eventos a que não posso faltar. Um deles é quando mete a Qtª do Crasto, mais a mais contando com a presença do Tomás Roquete e, também, do seu director comercial, Pedro Almeida. Recordo, pouco tempo depois de as CAV terem nascido, ter conhecido os irmãos Roquete, o Tomás e o Miguel, no encontro mundial em Bordeus (1988?), e de lhes ter mostrado o nosso interesse em sermos a primeira garrafeira em Portugal a vender os vinhos da Qtª do Crasto (por razões meramente burocráticas, o IVV ainda não tinha autorizado a venda desta marca no mercado nacional). E assim foi. Por essa e por outras, as nossas relações pessoais e institucionais com as pessoas da Qtª do Crasto, foram sempre exemplares. Eles são uns grandes Senhores!
Mas, voltando ao jantar, que decorreu no restaurante principal do Corte Inglês, no geral foi bastante positivo, mas poderia ter sido um grande fiasco. Participaram 24 pagantes (havia ainda 3 pessoas do Corte Inglês), dos quais 19 pertenciam ao antigo núcleo duro das CAV, isto é 80%. Se nós não nos tivessemos mobilizado, o jantar teria decorrido apenas com 5 participantes,  o que teria sido muito pouco simpático para o produtor e uma vergonha para a organização. Ó senhores do Corte Inglês, têm que trabalhar mais, não podem ficar sentados à espera que os clientes caiam do céu!
A gastronomia esteve a cargo do chefe Luis Filipe e sua equipa, que se portaram bem, embora as ligações com o vinho branco não tivessem sido as mais felizes. O serviço na sala, incluindo os vinhos, foi muito profissional, como sempre. Temperaturas correctas e muito bom ritmo em todo o repasto.
Basta de conversa e vamos aos vinhos:
.Crasto 2011 branco - elaborado a partir das castas tradidicionais do Douro, muito frutado e fresco, boa acidez natural, descomplicado,  equilibrado, vocacionado para acompanhar aperitivos e entradas ligeiras. Nota 15. Não ligou com o entretém de boca (foie gras), nem com a entrada de "pregado assado co camarão selvagem e arroz aromático".
.Crasto Superior 2010 - estagiou 12 meses em barrica, alguma fruta, notas florais, algo verde, acidez q.b., elegância, taninos presentes mas macios; para beber daqui a 1 ano. Nota 16,5. Ligou bem com "empada de caça com infusão de tangerina e notas de especiarias".
.Qtª do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2009 - estagiou 18 meses em barrica, nariz exuberante, frutado, especiado, notas de chocolate e tabaco, boa acidez, taninos bem comportados, estruturado, final muito longo; muito equilibrado, beneficiou das uvas da Vinha da Ponte e Maria Teresa; um valor seguro, a beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18+. Esteve muito bem acompanhado de "carré de borrego com legumes e batata confitada em azeite Qtª do Crasto (belíssimo, aliás) e tomilho limão".
.Qtª do Crasto Vintage 2005 - não tomei notas sobre este vinho, muito agradável, mas que me pareceu a meio da fase "estúpida" da sua vida. Teve por companhia "chocolate 70% com frutos vermelhos, pimenta rosa e flor e sal", sobremesa francamente bem conseguida.
Grande jornada de convívio, salva pela militância do antigo núcleo duro das CAV.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Peixe em Lisboa (II)

Segunda e última jornada no Pátio da Galé  (o Peixe em Lisboa encerra no Domingo). Desta vez provámos (3 entradas, 1 prato e 1 sobremesa):
.Pirolitos de lulas com maionese (Gspot) - agradável, original e irreverente.
.Ouriços do mar (Ribamar) - bons, mas sem atingir o patamar de há 1 ou 2 anos atrás.
.Travesseiro de marisco (Spazio Buondi) - entrada leve e agradável.
.Mil folhas de bacalhau com sapateira e batata doce (Spazio Buondi) -  muito bem apresentado e conseguido.
.Caril verde (Umai) - agradou, mas sem entusiasmar.
.Abade de Priscos com sopa de abacaxi (Peixaria da Esquina) - belíssima sobremesa com os dois paladares muito bem ligados.
Muito mais ficou por provar, mas em 2 dias não deu para mais.
Quanto a vinhos, fiquei-me pela José Maria da Fonseca. Primeiro, o Qtª de Camarate Branco Seco 10, seguido do José de Sousa Mayor 08. Ambos cumpriram, cada um no seu patamar, embora o tinto tivesse ficado prejudicado pela temperatura acima do recomendável.
Parabens ao Duarte Calvão e colaboradores. E, para o próximo ano, há mais. Lá estaremos!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Vinhos em família (XXXI)

Mais umas tantas provas de vinhos em família, sem grandes surpresas:
.Papa Figos 10 - é a nova "coqueluche" da Ferreirinha; estagiou 12 meses em carvalho francês, um autêntico luxo para um vinho que me custou no Clube 1500, a módica quantia de 5,60 €; aroma expressivo, fruta vermelha, madeira discreta, taninos macios e bom final de boca; é um vinho descomplicado para beber enquanto jovem. Nota 16,5.
.Doda 05 - uma das 4608 garrafas, resultante da parceria Dirk Niepoort/Álvaro de Castro; impetuoso e elegante, notas florais provenientes da Touriga do Dão, belíssima acidez, especiado, taninos bem presentes mas bem educados, estruturado e final muito longo; em forma mais 5/6 anos. Nota 18,5.
.Qtª do Carmo Reserva 05 - já aqui referido por diversas ocasiões; está no apogeu mas aguenta bem mais 4/5 anos. Nota 18,5 (noutras situações 17,5/18/18).
.Moscatel Roxo Colecção Privada DSF 98 - frutos secos, tangerina, notas de iodo, bom final de boca; pode-se beber com aperitivos ou sobremesas, preferindo eu esta última modalidade. Nota 17+ (noutras 16,5/16,5/16,5/16).
.Qtª do Noval Colheita 64 (engarrafado em 2006) - frutos secos, notas de caril, boca muito fresca, estruturado, final interminável. Nota 18,5+ (com outros engarrafamentos 18,5+/18,5/18,5).

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Novo Formato+ (4ª sessão)

Esta 4ª sessão decorreu na residência Paula Costa/João Quintela, que ofereceram o repasto e os vinhos. O vinho de boas vindas, que acompanhou umas tapas e frutos secos, foi o espumante Qtª das Bágeiras Grande Reserva 03. Já na mesa provou-se, em ante-estreia, o Três Bagos Sauvignon 2011, acabado de engarrafar, no seu estilo habitual, a pedir uns meses de garrafa antes de ser consumido.
Isto foi a fase de aquecimento, pois a parte mais substancial, a prova cega de 4 grandes vinhos, seguiu-se-lhe uns momentos depois. Tratou-se de um confronto Portugal/Espanha, ou mais concretamente, Douro/Ribera del Duero, ou especificamente, descodificados os vinhos, Pintas/Aalto (colheitas de 2007 e 2008). Bela prova, com o Aalto a impor-se e a ferir o nosso orgulho nacional. Acontece aos melhores...
As minhas impressões sobre os vinhos provados:
.Pintas 08 - notas vegetais, algo metálico, taninos ainda agressivos, longo final de boca; esperávamos mais deste vinho, mostrou uma evidente falta de harmonia, mas pode ter sido desta garrafa. Nota 17.
.Aalto 08 - nariz intenso, notas florais, especiado, chocolate, acidez no ponto, grande estrutura de boca, final extenso; harmonia e equilibrio. Nota 18,5.
.Pintas 07 - aroma complexo, notas florais, acidez presente, estrutura de boca, persistência final; elegante e sofisticado; uma menos-valia, o álcool excessivo (15% vol). Nota 17,5+.
.Aalto 07 - nariz discreto, acidez equilibrada, madeira discreta, boca potente, final muito longo; todo ele harmonioso. Nota 18+.
A acompanhar, inicialmente cogumelos estufados(?) e ovos de codorniz com salpicão e, no seguimento, várias e deliciosas carnes no forno. Tudo 5 estrelas.
A finalizar o repasto, com duas excelentes sobremesas, mais uma garrafa do Malvazia 1879, seguramente a que mais me agradou de umas tantas já provadas noutras ocasiões - aroma muito intenso, frutos secos, notas de iodo, caril e brandy, vinagrinho, um toque de garrafa, estruturado, final muito longo; uma saúde invejável para um vinho com mais de 130 anos! A Madeira no seu melhor. Nota 18,5,
Grande jornada de convívio, comeres e beberes. Obrigado Paula e João!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Peixe em Lisboa 2012 (I)

Acabo de chegar do Pátio da Galé, onde almocei, apesar de o Terreiro do Paço estar virado do avesso mais uma vez (aviso á navegação: a entrada faz-se pela Rua do Arsenal), e nalguns pontos da área de restauração estar demasiado calor. É mesmo necessária uma certa dose de militância para não desistir. Apesar destes inconvenientes, o balanço desta 1ª visita é francamente positivo. Além de se poder comer, também se pode provar vinho (estão lá umas tantas bancas, maioritariamente com vinhos Lisboa, mas também se encontram referências do Alentejo, Peninsula de Setúbal, Tejo, Douro e Bairrada) e comprar produtos de mercearia de qualidade (queijos, enchidos, compotas, etc).
Quanto a restaurantes, pode-se optar pelo 100 Maneiras, Bocca, Eleven, José Avillez, G-Spot, Ribamar, Spazio Buondi, A Peixaria da Esquina, Tasca do Joel ou Umai. Ou seja, o embaraço da escolha. Tiveram que ser tomadas algumas decisões, algumas mais acertadas do que outras, que foram as seguintes (sopas, pratos e sobremesas):
."Sopa de santola" do Spazio Buondi - alguma desilusão, pois se a memória não me atraiçoa, a versão 2011 era bem mais feliz.
."Creme frio de santola" do José Avillez - imperdível, está tudo dito!
."Peixe do dia com xerém de berbigão" do Bocca - embora o xerém estivesse muito bom,  o conjunto não atingiu a excelência.
."Linguas de bacalhau, molho de batata com ovo a baixa temperatura" também do Bocca - prato não muito harmonioso e dificil de comer com garfo e faca; tive que ir buscar uma colher.
."Travesseiro de Sintra com gelado" - agradável, mas sem entusiasmar.
."Penacotta de maracujá com salada de frutas e ..." - todos os ingredientes a ligarem muito bem; excelente sobremesa!
No final do almoço, café Nexpresso. Oferta do Clooney!
Quanto a vinhos, provei uns tantos, mas a minha maior surpresa vai para o produtor Sociedade Agrícola Areias Gordas, Salvaterra de Magos, desconhecido para mim. E que bela surpresa! O responsável pela enologia dá pelo nome de Tomaz Vieira da Cruz e costuma intervir (e bem) no Fórum da Revista de Vinhos.
.Terra Larga 99 branco (não é gralha, é mesmo do século passado) - com base nas castas Fernão Pires (70%), Arinto (25%) e Trincadeira das Pratas, estagiou 4/5 meses "em batonnâge sur lies"; ligeira oxidação que lhe dá nobreza, complexidade aromática, acidez equilibrada, estrutura de boca, bom final, muito gastronómico e cheio de personalidade. Nota 17,5+.
.Areias Gordas Colheita Tardia 09 - nariz exuberante, notas tropicais e de citrinos, algum mel, acidez no ponto, envolvente e bom final de boca; com mais um pouco de acidez daria o salto para outro patamar. Nota 16,5+.
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sábado, 14 de abril de 2012

Aditamento ao Jantar Lavradores de Feitoria

Corrija-se uma afirmação errada na minha crónica sobre o jantar. O primeiro branco foi bebido, informalmente, a solo, enquanto que o Meruge foi o que casou bem com o choco frito. Lapso corrigido.

Jantar Lavradores de Feitoria

Mais uma parceria da garrafeira Néctar das Avenidas com o restaurante Assinatura, desta vez com os Lavradores de Feitoria, representados pelo Paulo Ruão, administrador e responsável pela equipa técnica (viticultura e enologia). Nota alta para este evento, com vinhos de qualidade, chefe Henrique Mouro inspirado e casamentos perfeitos.
Os Lavradores de Feitoria, são uma associação de produtores, constituída em 2000. Pela consulta da respectiva página, ficamos a saber que são 15 proprietários (no "quem é quem" só aparecem identificados 14; não percebi ou é gralha?) de 18 quintas espalhadas pelo Douro (Baixo Corgo, Cima Corgo, onde se situa a maior parte, e Douro Superior). Na linha da frente está a Olga Martins, administradora executiva, e o já citado Paulo Ruão. Na retaguarda, aparecem algumas figuras bem conhecidas, como é o caso do Dirk Niepoort, António Barreto e Fernando Albuquerque (Casa de Mateus). Quando os Lavradores apareceram, as CAV foram a única loja/garrafeira em Lisboa que apostou neste projecto e lhe abriu de imediato as portas. Os outros não arriscaram e esperaram para ver.
Mas já é altura de irmos aos beberes e comeres:
.Lavradores de Feitoria 11 branco - aroma exuberante, muito fresco e frutado, descomplicado, vai bem com aperitivos e entradas não muito pesadas. A versão anterior teve projecção internacional, ao ser elogiada pela Jancis Robinson. Nota 15,5. Casou bem com um excelente "queijo de azeitão  panado em broa".
.Meruge 10 branco - aroma mais complexo, boa acidez, ainda um pouco marcado pela madeira vai melhorar com mais tempo de garrafa, estrutura e bom final de boca; muito gastronómico. Nota 17. Foi bem acompanhado por um imaginativo e saboroso "choco frito com açorda de coentros".
.Qtª da Costa das Aguaneiras 07 - fruta, notas especiadas, acidez equilibrada, alguma rusticidade, potência de boca e bom final. Foi o vinho menos consensual. Nota 17,5.
.Três Bagos Grande Escolha 07 - estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês e 8 meses em garrafa; aroma fino e intenso, especiado, notas de tabaco e chocolate, madeira discreta, elegante e harmonioso, estruturado e final de boca longo. O Douro no seu melhor. Nota 18,5+. Estes 2 tintos tiveram por companhia "peru preto assado, espargos e maçã", tendo resultado bem este casamento.
.Meruge 08 - muito aberto, ao estilo borgonhês, elegância e frescura, especiado, taninos presentes mas suaves, equilibrio e harmonia; um estilo oposto ao Qtª da Costa. Nota 17,5. Ligou muito bem com a excelente sobremesa  "leite creme queimado de morangos".
Uma grande jornada: os vinhos, a gastronomia e o convívio!

O Peixe em Liboa já arrancou

A 5ª edição do Peixe em Lisboa, coordenada pelo Duarte Calvão (blogue Mesa Marcada, em conjunto com o Rui Falcão e o Miguel Pires), arrancou no dia 12 e vai prolongar-se até ao dia 22 deste mês. A funcionar todos os dias, a partir das 12 h, no Pátio da Galé. Imperdível!
E depois não venham dizer que não foram avisados...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O grupo dos 3 (21ª sessão)

Mais uma sessão do grupo dos 3 (Juca, João Quintela e eu), desta vez com vinhos do João que escolheu o Assinatura, restaurante parceiro na organização de jantares vínicos. Esta escolha do João não foi inocente, pois permitiu-lhe testar alguns dos vinhos a apresentar no jantar com os Lavradores de Feitoria e respectivos casamentos gastronómicos. Foram provados ás cegas 3 vinhos do João, 1 branco, 1 tinto e um fortificado:
.Qtª das Bágeiras Pai Abel 10 - presença de citrinos, notas florais, ligeiramente untuoso equilibrado com uma boa acidez, madeira muito discreta, bom final de boca; precisa de tempo de garrafa e vai melhorar nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5+ (noutra situação 18). Acompanhou uma belíssima entrada de choco frito com açorda de coentros.
.Vinha Paz Reserva 08 - nariz discreto, especiado, notas de tabaco, acidez equilibrada, frescura e elegância, taninos presentes mas macios, final muito longo. Nota 18+. Teve como parceiro gastronómico um prato de lulas recheadas, que embora boas não chegaram a um patamar mais alto. As lulas dão o que podem dar e a mais não são obrigadas.
.Taylor's 40 Anos (engarrafado em 1989) - aroma austero, frutos secos, notas de iodo e de brandy, acidez no ponto, equilibrado e elegante, bom final de boca. Nota 18 (noutra 18,5). Fez um bom casamento com um doce à base de cenouras e chocolate. Uma delícia.
Mais uma boa jornada num local que muito prezo. Obrigado João!

Aditamento a Páscoa na Bairrada (IV)

Faltou dizer que, no final da visita, se pode ir à loja do Museu, onde se encontram à venda todas as referências produzidas pelas Caves Aliança. Só para comprar o belíssimo Moscatel Roxo 2000, agora em garrafa de 0,75, por apenas 17,55 €, vale a pena a visita.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Páscoa na Bairrada (IV)

Esta 4ª e última incursão na Bairrada, está exclusivamente centrada no Museu Berardo, instalado nas Caves Aliança em Sangalhos, que dá pelo sugestivo nome Aliança Underground Museum. Foram aproveitadas e adaptadas da melhor maneira, galerias com algumas centenas de metros, no sub-solo das Caves Aliança.
Paredes meias com a Galeria do Espumante ou com a Cave das Aguardentes, encontramos milhares de peças e obras de arte, organizadas nas Colecções de Minerais, Azulejos, Escultura Contemporânea do Zimbabué, Fósseis, Arqueológica, Cerâmica das Caldas e Arte Etnográfica Africana.
Embora eu não goste do estilo nem da pessoa, tenho que lhe tirar o chapéu. Onde quer que passe deixa obra. Sensibilidade, bom gosto e "feeling" para estas coisas, não lhe faltam. Obrigatório visitar quem for à Bairrada. Há visitas guiadas todos os dias, mediante marcação (234732045/916482226). Uma nota simpática, no final da visita é oferecido aos participantes um flute de espumante.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Páscoa na Bairrada (III)

Tenho como referência para comer leitão na Bairrada, o restaurante Mugasa, a umas escassas centenas de metros da Qtª das Bágeiras. Ou no próprio restaurante ou em casa de produtores bairradinos, tive a ocasião de comer Leitão à Bairrada de grande qualidade. Desta vez não foi bem assim. O leitão até estava saboroso, a pele estaladiça, mas havia pedaços, especialmente da parte da cabeça, que indiciavam tamanhos superiores aos recomendados. A sala é desconfortável, fria e com a televisão acesa. O serviço, a despachar e pouco atento, poderia ser mais cuidado. Soubemos que o pessoal que trabalha no restaurante estava a preparar as encomendas para a Páscoa, aposta forte do dono, deixando os clientes na sala um tanto abandonados.
Além do leitão, salada e batatas fritas, veio para a mesa cabidela de miúdos de leitão que estava agradável. Mas não veio o tradicional molho. Esquecimento ou não o fizeram?
Por amabilidade do Carlos Campolargo, levámos uma garrafa de espumante Borga 08, que acompanhou bem o reco. A propósito de vinhos, a lista do Mugasa só tem referências do século passado! Estará desactualizada? Mistérios...
Para compensar este relativo desaire, tivémos uma bela refeição no Manjar do Marquês, em Pombal, já de regresso a Lisboa. Com mais de cem  pessoas no restaurante, em pleno Domingo de Páscoa, o serviço foi despachado, atento e profissional, sob a batuta do Paulo Graça, um senhor. No seguimento de uns aprazíveis petiscos, comemos uma belíssima posta de garoupa, impecavelmente grelhada.
Mas o melhor estava para vir. Da garrafeira do Paulo Graça, saltou para a nossa mesa um Borgonha Bouchard Père et Fils, Grand Cru Clos Vougeot 08, Domaine Chateau de Beaume - evoluido, elegante, equilibrado, boa acidez, taninos macios e final longo; todo ele sofisticado. Nota 18.
Obrigado Paulo Graça, pela sua atenção. Jamais esqueceremos!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Páscoa na Bairrada (II)

Na ida para a Bairrada, uma sugestão de paragem para almoço é nas Caldas da Rainha, concretamente no restaurante Sabores d' Itália, um dos meus eleitos a nivel nacional, já aqui referido por mais de uma vez. Casa requintada e confortável, cozinha segura e criativa, a situar-se num patamar alto de qualidade, boa selecção de vinhos, copos apropriados, serviço gentil e muito profissional. Como ponto ainda a afinar, é a oferta de vinho a copo, ainda reduzida. É caro, mas dou por bem empregados todos os euros ali gastos.
 Em relação á minha última visita, houve uma alteração bem visível: a responsabilidade da cozinha passou para a Maria João, continuando o marido na sala. Tudo o que comi, sopa de peixe e marisco, risoto de sapateira e sopa de amoras com gelado, estava divinal e recomendo vivamente.
Bebeu-se o branco DFJ Alvarinho 10 - nariz discreto, ligeira oxidação, acidez equilibrada e bom final de boca; gastronómico, acompanhou bem todo o almoço. Nota 16,5.
Foi ainda provado, por sugestão do dono, Norberto de seu nome, o tinto biológico Humus Reserva 09 (V.R.Lisboa) - com base na Touriga Nacional, embora a casta não esteja muito presente, mostrou-se exuberante no nariz, frutos vermelhos, boca pujante, guloso, bom final. Fácil de gostar, e uma boa surpresa e com um pouco mais de acidez seria um caso sério. Nota 17.
A terminar, bebeu-se com muito agrado o Blandy Malvasia 10 Anos, simpática oferta da casa.
Recomendação final a quem viaje pela A8: paragem obrigatória nos Sabores d' Itália. Sempre! 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Páscoa na Bairrada (I)

Aproveitei este fim de semana pascal e rumei à Bairrada, concretamente a Mogofores, onde me instalei, mais uma vez,  no Turismo de Habitação da família Campolargo, cujos anfitriões (Maria da Glória e Carlos Campolargo) praticam uma hospitalidade de 5 estrelas.
Para além de uns simpáticos pequenos almoços, com produtos de primeira qualidade, fizemos um jantar leve na 1ª noite e, na 2ª noite, outro mais completo no espaço em frente da casa, que será no futuro o restaurante Campolargo. Neste último, comemos uma cabeça de xara feita em casa pela Maria da Glória, que tem uma mão para a cozinha deveras invejável, ovos mexidos com pimentos, abóbora e tomate, bacalhau à Conde da Guarda  e umas tantas sobremesas. Tudo regado com vinhos que o Carlos Campolargo ia pondo na mesa, um espumante Campolargo, Rol de Coisas Antigas 08, Termeão Pássaro Vermelho 09 e Catchorro Tinto Cão 09?. Todos a acompanhar bem o repasto, com destaque para o Termeão que estará noutro patamar.
A fechar o mítico FEM Verdelho Muito Velho que o Alfredo Penetra levou e partilhou connosco e com os familiares do casal anfitrião. Obrigado a todos!
Aconselho vivamente a estadia neste Turismo de Habitação e o convívio, altamente gratificante, com o casal anfitrião.

Problemas com o blogue

Desde a passada 5ª feira que este blogue tem-me dado problemas e muitas dores de cabeça. Não me permite escrever novas mensagens, nem tão pouco consultar as estatísticas ou os comentários. Para publicar esta mensagem, tive que ir por um atalho, através do draft.blogger.com.
Aos mais entendidos da blogosfera : algum palpite sobre o que me aconteceu? Respostas para o meu e-mail
efbcunha@gmail.com
Obrigado!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Jantar Qtª do Perdigão

A Garrafeira Néctar das Avenidas organizou mais um Jantar de Vinhos, desta vez em parceria com o Restaurante Colunas. O produtor convidado foi a Qtª do Perdigão (Dão), que foi representada pelo seu proprietário, arquitecto José Perdigão. Participaram cerca de 40 pessoas, sentadas numa mesa corrida, em franca convivência, contrastando com o que se passou no Jantar Niepoort (ver crónica de 31/3).
Foram provados 6 vinhos deste produtor, dos quais se destacaram o Touriga Nacional e, muito especialmente, o Encruzado 2010 - ligeira oxidação, acidez bem presente, alguma gordura, tosta da madeira ainda presente, estrutura, personalidade e bom final. Precisa de tempo em garrafa; gostava de o voltar a provar daqui a 2/3 anos. Nota 17,5+.
Dos tintos sobressaiu o Touriga 08 - aroma complexo e exuberante, notas florais, acidez equilibrada, elegante, arquitectura e bom final de boca. Nota 18.
Bebeu-se, ainda:
.Rosé 2010 - fresco e seco, simplesmente agradável. Nota 14,5
.Colheita 08 - fresco, especiado, algumas notas metálicas, taninos polidos, final médio. Uns furos abaixo do 2007. Nota 16,5.
.Alfrocheiro 08 - nariz exuberante, fresco e elegante, taninos poderosos, bom final; prevejo-lhe alguma longevidade. Nota 17+.
.Reserva 05 - notas de couro, um toque animal, algo desequilibrado, taninos ainda presentes, evolução pouco harmoniosa. A decepção da noite. Nota 14,5.
Quanto a comes, após o introito com pasteis de massa tenra e requeijão de Seia, veio para a mesa uma caldeirada de lulas, simplesmente agradável. As lulas dão o que podem dar. Seguiu-se um "Entretém Misto", com as carnes muito bem temperadas e grelhadas. Nota alta para este petisco. O prato de substância foi um muito saboroso "Arroz malandrinho de vitela Barrosã".
Nos finalmentes, foi servido queijo de ovelha amanteigado que casou muito mal com o Reserva e muito bem com o Encruzado que, avisadamente, guardei para o final do repasto. Os crepes de chocolate com morangos, cuja ligação com o Touriga não foi nada feliz, mereciam um generoso. Porque não convidar um pequeno produtor de Porto, quando a empresa convidada não possuir vinhos de sobremesa no seu portefólio?
Finalmente, o Colunas está de parabens por ter conseguido sair-se airosamente do complicado problema logístico que tinha pela frente, copos para os 6 vinhos servidos e mais 1 para a água. É obra!

terça-feira, 3 de abril de 2012

De regresso a casa

Já cá estou depois de um princípio de semana passado em Tavira. A registar um almoço no "Primo dos Caracois" (no lugar Quatrim, à entrada de Olhão, para quem vem de Tavira) e outro no "Noélia e Jerónimo" (Cabanas), os meus preferidos naquela zona.
No "Primo dos Caracois" comemos, pela enésima vez, enguias fritas, ovas de choco e canja de ameijoas, com a qualidade de sempre. Saímos do restaurante sempre satisfeitos, mas não surpreendidos.
No "Noélia e Jerónimo" há sempre um prato que nos surpreende. Desta vez foi uma entrada de "muxama de atum, com azeite e alho", com as fatias de atum finíssimas e nada agressivas, e um prato de "lingueirão com batata doce" de fazer subir aos céus. A Noélia no seu melhor!
Não se bebeu vinho, que não é o forte de ambos os restaurantes. Marcharam umas imperiais que nos souberam muito bem.