quinta-feira, 30 de agosto de 2012

À descoberta do novo Terreiro do Paço (II)

Depois de, há cerca de 1 mês, ter falado sobre o Populi, a crónica de hoje é sobre o Can the Can, ali mesmo ao lado. É um espaço de grandes contrastes que ou se ama ou se odeia. Para quem goste de conservas de qualidade, como eu, o menú deste restaurante, muito original e imaginativo, vem mesmo ao nosso encontro. Para quem venha por engano, há sempre 1 prato de bacalhau e 1 bife.
O espaço é, todo ele, dedicado e inspirado nas nossas conservas. Logo à entrada, um enorme candeeiro de tecto, feito com dezenas de latas de conserva, paira sobre as nossas cabeças. No final, até a conta vem numa destas latas ! Já no início do repasto o pão veio em latas redondas, onde se pode ler "filetes de atum",  que pode ser molhado no azeite em lata posta em cima da mesa. Há, ainda, expositores dentro do restaurante e fora (na esplanada) com diversos tipos e marcas de conservas.
Voltando à ementa, constatamos haver 7 entradas (com base em anchovas, muxama, bacalhau, peixe espada preto, cavala alimada, truta fumada e, ainda, uma tábua de degustação das ditas), diversas tibornas, saladas e massas, onde a conserva é praticamente omnipresente. Já tinha anteriormente provado uma excelente salada de ventresca de atum com favinhas mas, desta vez, optei por carpaccio de beterraba com cavala fumada, não tão bem conseguida (a cavala dá só aquilo que pode dar e a mais não é obrigada).
Mas, onde este curioso projecto claudica é no sector dos vinhos. A lista é curta, desequilibrada e desinteressante, inclui 11 brancos, 5 tintos (zero Douro!), 2 rosés, 2 espumantes, 2 moscateis e 3 portos de baixa gama. Com excepção dos mais caros, os preços são exagerados e poderão afastar potenciais clientes.
A copo, apenas os da casa (JP branco e tinto a 3,60 €) e o Ninfa, também nas versões branco e tinto, a 5,80 €, um preço especulativo que não se entende. Bebi o JP branco (simples e correcto, mas sem deixar recordações), em copo generosamente servido, que não foi dado a provar nem sequer mostrada a garrafa.
Em conclusão, vale a pena a visita ao Can the Can pela ementa, lamentando-se que a componente vínica não acompanhe a gastronómica (já agora, senhores responsáveis pelo restaurante, não podem dar uma espreitadela ao vosso vizinho Populi?).
Nota final, as conservas podem ser aqui compradas, mas também no "Sol e Pesca" (R.Nova do Carvalho, ao Cais Sodré) ou na "Loja PortueZa da Baixa" (esquina da R.Fanqueiros com a R.Comércio).

domingo, 26 de agosto de 2012

Quadro de Honra de Vinhos Fortificados (III)

3. Moscatel de Setúbal
Comparado com os restantes fortificados, o Moscatel tem apenas 12 eleitos, pelo que publico a lista completa, para memória futura (incluo aqui o Bastardinho, com características semelhantes ao Moscatel e tratado do mesmo modo):
.com 19,5 - 3 (1952, Superior 1955 e Roxo 1960)
.com 19 - 2 (Roxo 1900 e Trilogia)
.com 18,5+ - 4 (1967, 1973, Roxo Superior 1971 e Superior 1962)
.com 18 - 3 (Roxo 20 Anos, Alambre 20 Anos e Bastardinho 30 Anos)
A José Maria da Fonseca está de parabens, pois todos os eleitos são da sua produção.

Quadro de Honra de Vinhos Fortificados (II)

2. Vinhos da Madeira
a)Por casta
.Bual - 17 (46 % destes eleitos)
.Verdelho - 9 (24 %)
.Malvasia - 4 (11 %)
.Terrantez - 4 (11%)
.Sercial - 3 (8 %)
As castas que mais aprecio são a Bual (meio doce) e a Verdelho (meio seco), ou seja 70 % dos Madeira com 18,5 pontos ou mais. A Sercial (seco) e a Malvasia (doce) são as menos apreciadas por mim, enquanto que a reduzida quantidade de vinhos Terrantez se deve à sua raridade.
b)Por Produtor/Marca
.Madeira Wine - 27 (19 Blandy, 6 Cossart Gordon), 1 Leacock e 1 Miles)
.Artur Barros e Sousa - 5
.FEM - 2
.FMA - 1
.Adega do Torreão - 1
Há ainda o produtor do Malvasia 1879, cujo nome não retive.
A minha iniciação aos Madeira foi com a marca Artur Barros e Sousa, mas quando "descobri" a Blandy foi amor à primeira degustação. Mais de 50 % dos seleccionados é obra!
c)Por anos de colheita
.século XIX - 3 (1814, 1879 e 1891)
.1ª metade do séc.XX (mais ou menos) - 5 (1905, 1920, 1934, 1948 e 1958)
.década de 60 - 8 (60, 63, 64, 66, 68 e 69)
.década de 70 - 9 (71, 73, 74, 75, 76 e 77)
.década de 80 - 4 (80, 81, 84 e 85)
.40 Anos - 2
.sem data, mas com algumas dezenas de anos - 5
d)Os mais de sempre
.com 19,5 - 6 (Adega do Torreão Terrantez 1905, Blandy Solera Bual 1891, Blandy Bual 1920, 1948, 1964 e Miles Bual 1934)
.com 19+ - 1 (Blandy Bual 1977)
.com 19 - 8 (Blandy Terrantez 1975, Cossart Terrantez 1977, Blandy Verdelho Solera, FEM Verdelho, Blandy Bual 1963, 1968, 1969 e 1971)
De realçar a presença da marca Bual (10 em 15), a ausência da Sercial e da Malvasia, enquanto que a Terrantez quase faz o pleno (3 em 4).

sábado, 25 de agosto de 2012

Quadro de Honra de Vinhos Fortificados (I)

1.Vinho do Porto
a) Por tipo
Estão contabilizados 33 (mínimo 18,5 pontos), desdobrados do seguinte modo:
.Tawnies - 24 (73 % dos fortificados), sendo 16 Colheitas e 7 de idade (30 e 40 Anos)
.Vintage - 8 (24 %)
.Branco Velho -1
Ou seja, uma clara apetência pelos tawnies com alguns anos em cima, em desfavor do Vintage (os ingleses que me perdoem).
b) Por Produtor/Marca e Ano
Em relação aos tawnies:
.Krohn - 6 (60, 61, 66, 68, 78 e 30 Anos)
.Burmester - 5 (20, 37, 44, 55 e Tordiz 40 Anos)
.Noval - 4 (37, 64, 71 e 40 Anos)
.Dalva - 2 (85 e 30 Anos)
.Kopke - 2 (41 e 60)
.Alfarella - 1 (40 Anos)
.Barros - 1 (35; o branco muito velho, com um perfil próximo dos tawnies, também é Barros)
.Ferreirinha - 1 (Dona Antónia 1877?)
.Poças  - 1 (40 Anos)
.Taylor's - 1 (40 Anos)
Quanto aos Vintage:
.Fonseca - 2 (03 e Fonseca Guimaraes 76)
.Burmester (63), Dow's (80), Noval (94), Qtª Roriz (03), Ramos Pinto (55) e Taylor's (94) - 1
c) Os mais de sempre
Os melhores, entre os melhores, com classificações de 19, foram, por ordem alfabética:
.Barros Colheita 1935
.Burmester Colheita 1937,1944 e 1955 e, ainda, o Novidade 1920 (este com 19+)
.Fonseca Guimaraes Vintage 1976
.Krohn Colheita 1961
.Noval Colheita 1971
Na continuação desta crónica, a próxima será dedicada aos Vinhos da Madeira e aos Moscatel de Setúbal.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Quadro de Honra de Vinhos Brancos

1.Por Região
.Vinhos Verdes - 14 (Alvarinho 13 e Loureiro 1)
.Douro - 17 (inclui 2 Colheita Tardia)
.Dão - 4
.Bairrada/Beiras - 5
.Ribatejo/Tejo - 1
.Estremadura/Lisboa - 3
.Bucelas - 2
.Colares - 1
.Península de Setúbal - 1
.Alentejo - 1
.Austria - 1 (Late Harvest)
.Canadá - 2 (Late Harvest)
.Nova Zelândia - 1
De realçar a hegemonia dos brancos mais a Norte (perto dos 60 %), com 32 % dos eleitos situados no Douro e 27 % de Vinhos Verdes.
2.Por ano de colheita
Não tendo a mesma importância em relação aos tintos, refira-se no entanto:
.1999 - 1
.2000 - 1
.2004 - 4
.2005 - 2
.2006 - 2
.2007 - 9
.2008 - 8
.2009 - 17 (33 % dos eleitos)
.2010 - 7
.2011 - 2
3.Por Produtor/Marca
.Soalheiro - 10 (1ª Vinhas 6, Reserva 3 e colheita 1)
.Niepoort  - 5 (Redoma Reserva 3, Projectos Chardonnay e Projectos Riesling 1 de cada)
.Qtª Bageiras - 5 (Garrafeira 3 e Pai Abel 2)
.Anselmo Mendes - 3 (Muros de Melgaço 2 e Parcela Única 1)
Seguem-se mais 27 produtores com 1 ou 2 vinhos.
De notar a minha clara apetência pela casta Alvarinho, destinguindo os vinhos Soalheiro, os meus preferidos.
4.Os mais de sempre
Lista, por ordem alfabética, dos brancos classificados com 18 pontos, com excepção do Soalheiro Alvarinho Reserva 2007, o único branco a que atribui 18,5:
.Buçaco Reservado 2007
.Condessa de Santar 2009
.Madrigal Viognier 2009
.Maritávora Reserva 2008
.Morgado Stª Catherina 2008
.Muros de Melgaço Alvarinho 2008 e 2009
.Parcela Única Alvarinho 2009
.Projectos Niepoort Chardonnay e Riesling, ambos de 2004
.Qtª Bageiras Garrafeira 07 e Pai Abel 2009 e 2010
.Redoma Reserva 2000 e 2005
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2007 e 2008 e 1ª Vinhas 2006 e 2007.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Quadro de Honra de Vinhos Tintos

1.Por Região
.Douro - 77 (70 % dos tintos)
.Dão - 3
.Bairrada/Beiras - 10
.Estremadura/Lisboa - 1
.Península de Setúbal - 1
.Alentejo - 8
.Dão /Douro - 1
.Estrangeiros - 9 (Espanha 8 e Austrália 1)
Em resumo:
.uma clara apetência pelos tintos do Douro, os mais provados e apreciados;
.chauvinismo puro e duro da minha parte, que assumo, embora aceite que possa ser criticado pela pouca importância que os estrangeiros ocupam no QH (e 8 são Ribera del Duero, região muito aparentada com o nosso Douro).
2.Ano de Colheita
.2004 - 25 (22 % do total dos tintos do QH)
.2005 - 20 (18 %)
.2007 - 17 (15,5 %)
.2003 - 11
.2001 - 9
.2000 - 8
.década de 90 - 6
.2006 - 6
.2002 - 3
.2008 - 3
.década de 80 - 1
.2009 - 1
De realçar o ano 2004, a colheita do século, seguido do 2005 e 2007. O 2008, considerado de excepção, é demasiado jovem para andar a provar os vinhos produzidos nesse ano. Há que esperar mais algum tempo.
3.Por Produtor/Marca
.Qtª do Crasto - 13 (Vinha da Ponte 4, Maria Teresa 4, T.Nacional 3, Vinhas Velhas 1 e Xisto 1)
.Niepoort - 11,5 (Batuta 6, Charme 4, Robustus 1 e Doda 1/2)
.Casa Ferreirinha - 7 (Barca Velha 3, Reserva Especial 2, Vinhas Velhas 1 e Antónia Adelaide Ferreira 1)
.Qtª Vale Meão - 7
.Aalto - 7 (PS 4 e colheita 3)
.Qtª do Vallado - 6 (Reserva 3, Adelaide 2 e T.Nacional 1)
.Wine & Soul - 6 (Pintas 5 e Qtª da Manoella 1)
.Lavradores de Feitoria - 4 (Três Bagos Grande Escolha)
.Campolargo - 3 (Calda Bordaleza)
.Domingos Alves de Sousa - 3 (Abandonado 2 e Vinha Lordelo 1)
.Poeira - 3
.Qtª Vale D.Maria - 3 (CV)
E, ainda, 21 produtores com 1 ou 2 referências.
.De notar:
.que destes 12, 10 são Douro e 1 Ribera del Duero;
.o único produtor que impediu a hegemonia do Douro, foi Campolargo com vinhos da Bairrada moderna;
.o produtor mais consistente é a Qtª Vale Meão, representado exclusivamente por uma marca.
4. Os mais de sempre
Lista por ordem alfabética dos tintos classificados com 19 pontos. Deram-me um grande prazer quando os provei e ficaram-me na memória. Eles, ainda andam por aí...
.Aalto PS 2001
.Barca Velha 1995, 1999 e 2004
.Pintas 2001
.Qtª Crasto Vinha da Ponte 1998 e 2003
.Qtª Crasto T.Nacional 2001
.Qtª Vale Meão 2004
.Robustus 2004
.Três Bagos Grande Escolha 2004
Mais uma vez o Douro e a Ribera del Duero; a Qtª Crasto e a Ferreirinha em força e um empate técnico entre as colheitas de 2001 e 2004.


domingo, 19 de agosto de 2012

Actualização dos meus Quadros de Honra (QH)

Foi em Maio de 2010, um mês após ter iniciado este blogue, que fiz um primeiro balanço dos vinhos provados, registados e classificados, a partir de 1997/98, balanço este actualizado em Dezembro de 2010 e 2011. Eram vinhos provados em serviço ou em sessões privadas (em família, com o Núcleo Duro, Grupo dos 3, Grupo dos 3+4, Novo Formato, etc). Inventariei, até agora, cerca de 3300 vinhos e, se calhar, outros tantos foram provados mas não registados (foi o caso das visitas anuais às mostras organizadas pela Revista de Vinhos e pela Wine, entre outras).
Os critérios que estabeleci para a entrada nos QH, exigiam uma classificação de 18,5 o que, mais tarde, considerei injusto para os brancos. Assim, alterei o critério relativo à excelência dos brancos, baixando-o para 17,5. Como consequência, os vinhos eleitos passaram dos 115 iniciais (3,8 % do total registado) para os actuais 243 (7,4 %), o que dá uma média de 20 por ano, quantidade inferior aos Prémios Excelência atribuídos anualmente pela revista de Vinhos ou aos Melhores do Ano seleccionados pelo João Paulo Martins no seu guia Vinhos de Portugal. Nada de mais, portanto...
Nesta última actualização, contabilizei 163 vinhos de mesa/consumo (67,1 % dos eleitos) e 80 fortificados (32,9 %). Dos 163, 110 são tintos (45,3 %) e 53 brancos (21,8 %). Quanto aos fortificados, 32 são Porto (13,2 %), 37 Madeira (15,2 %) e 11 Moscatel de Setúbal (4,5 %).
Em próximas crónicas, tratarei destes números em pormenor, para melhor se perceber as minhas preferências, nomeadamente quanto a tipos de vinho, marcas/produtores e anos de colheita. É um exercício deveras interessante que os enófilos organizados poderiam fazer, a partir dos seus registos e anotações. Chegarão, pela certa, a conclusões bem diferentes das minhas ou não tanto. Fica aqui o desafio.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Vinhos em família (XXXV)

Em recente convívio em minha casa, para comemoração de 2 aniversários, bebemos umas pingas de acordo com a efeméride, a saber:
.Soalheiro Alvarinho Reserva 10 - austero no nariz, com notas de citrinos, marcado ainda pela madeira, mas com boa acidez e estrutura de boca; gastronómico, mas não fez a melhor ligação com uma sopa rica de peixe, aliás ao nível da excelência. Há que esperar  mais 2/3 anos para estar na melhor forma. Nota 17.
.Barca Velha 04 - decantado na hora, côr ainda muito viva, saúde invejável, complexidade aromática, notas fumadas, tabaco e chocolate preto, acidez equilibrada, frescura, madeira discreta, estruturado e final persistente. Um hino ao vinho! Nota 19.
 Era a nº 1900 de 26068 garrafas. Se hipoteticamente fossem todas vendidas, ao preço do Clube 1500 (100 €), a Sogrape encaixava 2 milhões, seiscentos seis mil e oitocentos €, o que é muita massa. O valor de mercado tem a tendência para ir subindo, ao longo dos anos, à medida que as existências vão encolhendo. Mas, não sendo o caso deste Barca Velha 2004 ( praticamente ainda não foi iniciada a sua comercialização), fico surpreendido ao constatar  que a Garrafeira Nacional já anunciou a sua venda a 300 €. Pura e desenfreada especulação!
.Ramos Pinto Colheita 37 (engarrafado em 1979, portanto com mais de 40 anos de casco) - límpido, frutos secos, notas florais, iodo, algum vinagrinho, madeira discreta, boca poderosa e final interminável. Nota 18 (fica a anos luz de outro exemplar engarrafado em 1968; mais 11 anos de casco fez a diferença).
Já fora deste convívio, continuei com as sobras da sopa de peixe, mas desta vez acompanhada com:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 11 - mais mineral e com os citrinos mais presentes, acidez equilibrada, elegante, harmonioso, final longo; ligou francamente melhor com a sopa rica. Nota 17,5+.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Petiscos em Lisboa (VI)

Desta vez fui à "descoberta" do Duetos da Sé, situado na travessa do Almargem. A reportagem (uma página inteira) no Fugas de 28/7, aguçou-me o apetite. Os mentores deste projecto são os dois irmãos Lála e, daí, o nome da casa. Enquanto o Eduardo, músico e professor no Conservatório, se movimenta nessa área, o irmão Carlos é o gastrónomo, com experiência e passagem pelo Feitoria, Pragma e Faces in Chiado.
A sala tem um piano que, penso, só estará activo pela noite fora. Durante o dia, apenas música de fundo, que estava demasiado alta. Eu não me importei , até porque a música de jazz é a minha preferida. Mas, imagino, o desconforto para quem não a aprecie.
Fiquei com a impressão que este Dueto está preferencialmente vocacionado para a noite e abancar para almoço, com eu fiz, é um verdadeiro risco. No dia que o visitei, estava visível apenas um empregado que, a cada pergunta que eu fazia, tinha que se ausentar da sala para perguntar ao patrão. Se a sala estivesse composta de clientes, teria sido um desatino. O patrão, apareceu já com o almoço a decorrer e, diga-se em abono da verdade, foi extremamente simpático e atenuou a má impressão inicial.
O menú contempla "petiscos e entradinhas" de 1,50 a 7 €, pratos de 9 a 12 € e, ainda, sopas, saladas, sandocas e sobremesas. Comi francanente bem, a começar pelo caldo verde, que nada tem a haver com o descrito pela jornalista do Fugas, continuando com um pastel de bacalhau e croquete, acompanhados de salada, finalizando com chouriço assado.
Quanto a vinhos, a lista é curta (5 brancos, 4 tintos, 1 rosé e 1 frizante (!?))e desinteressante, mas todos com o ano de colheita. A copo só têm um vinho do Dão, branco e tinto, o Terras S.Miguel. A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar (serviço prestado pelo patrão; fiquei com dúvidas como seria se o patrão não estivesse). Os copos são aceitáveis, mas a quantidade servida a olho fica aquém do esperado. Bebi um copo do branco Terras S.Miguel 2010 - fechado no nariz, austero, presença de citinos, acidez equilibrada, boca mediana e final adocicado. Nota 14. Salvou-se o preço, 2,50 €, o que é um verdadeiro achado. Provei, ainda, o branco leve Fiuza 3 castas Nature, simpática oferta do Carlos Lála, mas que não fez a minha felicidade.
Em conclusão, recomendável para o pessoal da noite e a evitar à hora do almoço.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Aditamento a "2 Anos de Assinatura (I)"

Na crónica publicada em 1/7/2012, ponto "2.Os sortudos", não referi, por lapso, a presença de Adriana Freire, animadora do blogue "o estado da cozinha portuguesa". Reparação feita. Mais vale tarde do que nunca!

Petiscos em Lisboa (V)

Acabei de "descobrir" o Descobre Restaurante Mercearia, aberto há muito pouco tempo na Rua Bartolomeu Dias, mesmo em frente da Cervejaria Nunes, uma das referências em Lisboa. Uma grande surpresa, pela positiva. Espaço sóbrio, luminoso e decorado com gosto. Ambiente requintado, mesas bem aparelhadas, serviço eficiente e profissional. À entrada fica o espaço gourmet/enoteca e, ao lado, o restaurante propriamente dito.
Na sala estão as sócias Fátima Rodrigues e Susana Luis, sendo uma delas a mentora do menú, uma das cartas mais originais que conheço na restauração. Para além das clássicas divisões peixe/carne/vegetarianos/saladas/acompanhamentos/sobremesas, marca a diferença nos items "descobre as espetadinhas", "descobre os sentidos" e "pic'aqui-pic'ali". Isto é, tanto se pode petiscar, com fizemos, como comer uma refeição habitual. Nesta minha primeira incursão, petisquei filetes de carapau com ervas, espetadinha de lulas com molho de coentros,  acompanhada com batata doce salteada com sésamo. Tudo delicioso. O menos conseguido foi a sobremesa, bolo de alfarroba com gelado.
Quanto aos vinhos, a lista está centrada no Alentejo e Douro, mas lamentavelmente parte dos vinhos não tem o ano de colheita. Os preços são de venda ao público, acrescendo 20 % (taxa de rolha) quando consumidos lá dentro. Vinhos a copo são 12 (2 espumantes, 5 tintos, 4 brancos e 1 rosé), a preços surpreendentemente em conta. Como mais valia deste espaço, qualquer vinho da carta pode ser consumido a copo, custando 1/4 do preço da garrafa, acrescido dos tais 20 %. É uma postura correcta que os clientes agradecem. Os copos são Schott e as temperaturas, dada a existência de armários térmicos, as correctas. Não tendo consumido vinho a copo reparei, no entanto, que ao meu lado a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
Bebeu-se o branco Olho no Pé Grande Reserva 09 - proveniente de vinhas velhas, estagiou 12 meses em barricas de carvalho; côr dourada, ligeiro toque oxidativo, fruta madura, citrinos, acidez bem presente, madeira discreta, estrutura de boca e muito gastronómico. É pena o teor alcoólico (14 % vol), algo excessivo. Nota 17,5.
Este Descobre é um espaço polivalente, onde se pode comer, petiscar, provar e adquirir vinhos ou fazer compras de produtos gourmet, seja azeites, conservas, compotas, etc. Recomendo-o vivamente. À atenção do Miguel Pires, quando da 2ª edição do seu "Lisboa à Mesa".

domingo, 5 de agosto de 2012

Roubos e "distracções"

No condomínio onde resido, anda toda a gente num reboliço. Desde meados de Maio deste ano, já foram assaltadas 5 apartamentos. Segundo a polícia,  trata-se de um gangue romeno, altamente treinado e profissional, que consegue calmamente entrar nas casas, sem  forçar as portas, mesmo aquelas com trancas de alta segurança e consideradas invioláveis, até agora.
E a propósito disto, lembrei-me de alguns casos, relacionados com roubos e "distracções", que tivemos enquanto responsáveis das CAV. Vou, então, partilhar algumas pequenas histórias vividas por nós:
1.Tinha referenciado um sujeito, que só entrava na loja à hora do almoço e desde que tivesse apenas um de nós presente. Trazia sempre um casaco por cima das costas, uma espécie de kit de mãos livres. E, de vez em quando, lá desaparecia uma garrafita, quase sempre whisky. Imagino que não seria enófilo.
Um belo dia, à hora do almoço, estava eu sózinho nas CAV, entrou o dito sujeito. Fiquei de olho nele e disse, para mim, é hoje que apanho este fdp. Azar o meu, entra um cliente que me pergunta o preço de algo que estava numa montra atrás de mim, o que me obrigou a voltar as costas por um instante. Foi o suficiente. O sujeito desapareceu e, no lugar das garrafas de whiski,  ficou uma clareira. Um grande FDP, mas também um grande profissional, na sua área. Mas, como ele percebeu que eu percebi, nunca mais voltou a pôr os pés nas CAV.
2.Quem frequentou as CAV, deve lembrar-se da existência de um saco de lona, com capacidade para 6 garrafas, tanto utilizado por nós como pelos próprios clientes. Servia para transporte dos vinhos das prateleiras até ao balcão, onde eram acondicionados e feito o respectivo pagamento.
Ora este saco foi, por 2 vezes, parar a casa de clientes. O que nos valeu, foi o visionamento das gravações das câmaras dos seguranças, instaladas no exterior da loja, mas que cobriam a respectiva porta.
Numa primeira vez, avistámos um grupo que esteve a fazer compras, mas que não identificámos por não serem clientes habituais. No entanto, lembrámo-nos que tinham sido acompanhados por alguém que conhecíamos bem e tinha sido formador daquele grupo. O saco foi recuperado e tudo acabou em bem. Tinha sido uma mera "distração"...
Na outra vez, identificámos claramente um cliente nosso, de quem sabiamos o nome, morada e telefone. Feito o contacto, deu uma justificação algo atabalhoada. Passados 2 ou 3 dias, um seu familiar foi á loja devolver-nos o saco de transporte. Quanto ao cliente, tal foi a vergonha, nunca mais apareceu nas CAV. Grande "distracção"!
3.Um domingo de manhã, uma altura sempre tranquila, estavam na loja um nosso cliente, bastante assíduo, por sinal, e um casal de estrangeiros, de meia idade e com bom aspecto. O que é certo é que, um bocado depois de terem saído e com a loja vazia, saltou-me à vista que 2 garrafas de Porto Vintage, por sinal bem caras, tinham voado, com preço e tudo. Teria sido o casal com bom aspecto? Teria sido o nosso cliente assíduo? O visionamento da gravação não foi conclusivo, de modo que ainda hoje vivo com essa dúvida. Apenas uma certeza, não foi nenhuma distracção, mas sim um roubo descarado!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Vidago: o que ficou por dizer

Para além da minha referência à "Não-Garrafeira" do Vidago Palace (ver crónica "O meu não-assunto" de 14/7), há mais 2 pontos que importa divulgar.
O primeiro, foi a "descoberta" do restaurante Quinta dos Carvalhos (276907241/937220988), localizado no Vidago, o único recomendado pelo Palace. E merece bem a recomendação. Sala em estilo moderno, bem aparelhada, guardanapos de pano, uma parede totalmente envidraçada. Serviço profissional, bons copos, decantadores para utilizar nos vinhos que deles careçam. Não tem armários térmicos para controlar as temperaturas dos tintos, mas o dono, Carlos Ferreira de seu nome, tem sensibilidade suficiente para mergulhar a garrafa em água e gelo, quando necessário. Tudo isto dispõe bem e é meio caminho andado para dar nota muito positiva a este restaurante. E a comida? Excelente, no seu estilo tradicional ultramontano. Além das entradas e sobremesas, comeu-se bacalhau e naco de carne barrosã, ambos à moda da Quinta, em meias doses que dão para uma família inteira.
Carta de vinhos centrada no Douro e Alentejo, sem anos de colheita, uma falha desnecessária. Ausência de critérios nos preços, com alguns acessíveis e os mais badalados demenciais.
Bebeu-se um tinto de Trás-os-Montes, o Qtª Arcossó 2007 (13 €), da responsabilidade enológica do Francisco Montenegro (Aneto e Terrus, entre outros) - vinificado em lagar com pisa a pé, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês e americano; fruta ainda presente, algo rústico, acidez no ponto, taninos espigadotes e final longo. Nota 16,5.
Uma boa surpresa este restaurante, que recomendo a quem vá para aquelas bandas.
O segundo, a existência de um novo hotel no Vidago, a menos de 100 metros do Palace, que dá pelo sugestivo nome de Primavera Perfume Hotel. Uma óptima solução para quem não possa, por restrições orçamentais, ou não queira, ficar no Palace. Por metade do preço ou menos, tem á disposição um moderno, aromático e confortável hotel, com bons quartos, um restaurante de qualidade (com bons copos e serviço de vinho profissional) e piscina à disposição.