quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Rescaldo da ida ao Norte (VI)

Continuando pela Passos Manuel e atravessando a Avenida dos Aliados, vamos parar à Elísio Melo. Foi aqui que "descobri" o Canelas de Coelho, antiga taberna "A Minhôta", onde se pode apreciar um painel de azulejos alusivo ao antigo nome. Este espaço, com um curioso nome (Canelas e Coelho são os nomes dos 2 sócios), acaba por funcionar como um 3 em 1 (restaurante - tapas - wine bar).
Tem um ambiente informal e simpático, apostando forte na componente petisqueira, com preços muito acessíveis até às 19 h. E foram os petiscos que avançaram para a mesa: favinhas e salada de coelho, vieira salteada com molho e vinho branco e gambas salteadas com molho de citrinos, tudo muito bem elaborado e apresentado.
A carta de vinhos é uma autêntica surpresa, não só pela selecção como pela quantidade, tudo a preços aceitáveis. Senão vejamos (entre parentesis a quantidade a copo): 40 brancos (7, sendo 1 colheita tardia), 70 tintos (3), 5 rosés (1),  4 espumantes (1), 2 champanhes (1), 9 Portos e 2 Moscatéis (estes generosos podem ser bebidos a copo, na quase totalidade). É, de facto, uma lista pujante, que rivaliza com as melhores que conheço.
Bebi, a copo (4 €), o Alvarinho Toucas 2011 (há ali uma relação com o Touquinheiras, que não entendi) - frutado, com citrinos bem presentes e notas tropicais, muito fresco, apelativo e equilibrado, boa textura e final de boca; um belo exemplar da casta. Nota 17,5. Foi servido em copo Schott, uma quantidade a olho que me pareceu ficar aquém dos 14 cl. A garrafa veio à mesa, mas não me lembro se foi dado a provar.
Serviço profissional e simpático. Em conclusão, recomendo vivamente este espaço.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Rescaldo da ida ao Norte (V)

Já há alguns anos que não ia ao Porto. Calhou agora, depois de visitar Guimarães e antes de regressar a Lisboa. Numa das minhas deambulações pela cidade, ao passar na Passos Manuel, fiquei vidrado nas montras do restaurante La Ricotta. Em grande evidência, lá estavam umas tantas garrafas da Niepoort (Charme, Batuta, Robustus, Redoma Reserva, entre outras) a provocarem quem passava. Cá fora, uma ardósia referia que se podia almoçar por 12 €, de 2ª a 6ª feira, com direito a couvert, entrada, prato, sobremesa e uma bebida. Não resisti...
O La Ricotta aposta forte no vinho, com uma série de expositores no interior, grande parte dedicada ao Vinho do Porto. Têm uma boa selecção e a carta de vinhos muito didáctica, pois indica as castas de cada vinho e, ainda, o tempo de estágio em madeira, o que é uma agradável surpresa. Contabilizei 123 referências, tudo datado. São 4 champanhes, 6 espumantes, 32 brancos (1 é colheita tardia), 52 tintos, 1 rosé, 26 Porto, 1 Madeira e 1 Moscatel. Os preços das gamas baixa/média são para o caro, mas a gama alta é deveras acessível. Quanto a vinhos a copo, a oferta é também alargada: 3 brancos, 5 tintos, 1 champanhe, 1 espumante, uma vintena de Porto, 1 Madeira e 1 Moscatel.
Bebi um copo do branco Burmester 2011 - aroma discreto, notas de citrinos, fresco, descomplicado, estrutura média e final seco. Acompanhou bem a entrada, mas passou por baixo do prato. Nota 15. Foi servido num bom copo (Schott), mas a olho (15 cl?), a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
Quanto a comidas, comecei por uma entrada vegetariana, sem história, continuei com um bacalhau à Braz, farto, saboroso e bem apresentado. Optei, em vez da sobremesa, por beber um copo de Niepoort Tawny Senior (7 anos), uma autêntica surpresa, pois apresentou uma complexidade dificil de encontrar num 10 anos. Nota 17.
Falta referir que este espaço é aconchegado e tem um bom ambiente, embora a música de fundo pudesse estar mais baixa. Serviço eficiente e profissional. Finalmente, nos tachos está a Liliana Alves e a gerir o Miguel Sousa. Recomendo vivamente, pois é um espaço onde um enófilo se sente bem.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Vinhos em família (XXXVI)

Comparada com a sessão XXXV, esta é mesmo para principiantes. Foi dada a palavra aos brancos, todos de boa relação preço/qualidade, ficando de fora os topo de gama. Vejamos:
.Vale da Judia 2011 (consumido no restaurante Solar do Peixe, em Alcochete) - frutado sem a casta Moscatel se mostrar muito, mineral e muito fresco; óptimo para acompanhar entradas leves; a beber até ao final do verão de 2013 (o contra rótulo tem uma indicação interessante, tipo prazo de validade: "período máximo de guarda 3 anos"; recomenda, ainda , 10 a 12º como temperatura de consumo, de que discordo absolutamente). Enologia do Jaime Quendera. Nota 15.
.Beyra Quartz 2011 (bebido em casa) - frutado, muito fresco e mineral, elegante e descomplicado; uma boa surpresa, vai bem com saladas e entradas leves; tempo de vida, mais 2/3 anos. Enologia do Rui Reboredo Madeira, que está a trabalhar muito bem os brancos. Nota 16,5+.
.Três Bagos 2010 (bebido em casa) - a partir das castas tradicionais do Douro, Viosinho, Malvasia Fina e Gouveio; citrinos presentes, acidez q.b., mineral, elegante e muito equilibrado; bom para pratos de peixe não muito pesados; é sempre uma aposta segura. Nota 16,5.
.Pedra Cancela Malvasia/Encruzado 2010 (bebido em casa) - irritante falta de informação no contra rótulo, tendo sido necessário recorrer ao portal do produtor para perceber que estagiou 3 meses em barricas de carvalho francês, referindo notas de maracujá e manga, o que sinceramente não consegui encontrar (volatizaram-se?); discreto no nariz e na boca, notas de citrinos, madeira bem casada, mas difícil de beber a solo. Nota 15,5.
.Castelo d'Alba Reserva 2011 (consumido no restaurante Populi) - com base nas castas Códega do Larinho, Rabigato e Viosinho; frutado, notas minerais, acidez equilibrada, alguma estrutura e bom final; gastronómico. Nota 16,5.
.Muros Antigos Alvarinho 2011 (consumido no Mar do Inferno) - a casta bem presente, embora não muito exuberante, notas de citrinos, mineral e bom final de boca; acompanhou bem peixe grelhado; em forma mais 5/6 anos. Nota 17.
E já que estou a falar de brancos, chamo a atenção para os 2 painéis da Revista de Vinhos, o de Agosto dedicado aos Alvarinhos e o de Setembro aos topos de gama. É de louvar estas iniciativas, até porque os brancos de qualidade precisam de visibilidade e protagonismo. No entanto, houve uns tantos brancos de gama alta que ficaram de fora, sem que se entenda porquê. Foi o caso dos Alvarinhos Palácio da Brejoeira, Soalheiro 1ª Vinhas e Parcela Única e, ainda, Royal Palmeira Loureiro, Gurú, Crooked Vines, Maritávora Reserva, Morgadio da Calçada Reserva (é de todo incompreensível a exclusão deste branco, incluido pelo JPM nos Melhores do Ano nos Guias 2012 e 2013), Pai Abel, Buçaco Reservado e Qtª da Murta Clássico. Os produtores não enviaram? Comprem-se, eles andam por aí.

domingo, 23 de setembro de 2012

Grupo dos 3 (24ª sessão)

Após o interregno do verão, que ainda demorou alguns meses, regressaram as provas do Grupo dos 3. Esta última sessão foi da responsabilidade do João Quintela que escolheu o restaurante Casa da Dízima, situado em Paço d'Arcos, num espaço histórico devidamente modernizado. Segundo o portal do restaurante, a Casa da Dízima, inaugurada em Maio 2003, ocupa um espaço quinhentista, utilizado no tempo do Marquês de Pombal para recepção do pagamento do imposto sobre o pescado, do qual uma décima parte revertia a favor do dito Marquês. Daí o nome.
Foi uma boa aposta. Sabe sempre bem, estarmos a provar vinhos num espaço acolhedor, com um bom serviço de vinhos, ambiente requintado e bons copos Schott. Tem, ainda, um terraço/esplanada com todas as condições para se refeiçoar no tempo ameno. O responsável e animador deste espaço dá pelo nome de Pedro Baptista, curiosamente homónimo do gerente do BG Bar que é primo do nosso amigo bloguista Rui Miguel (Pingas no Copo). Coincidências...
Não registei o nome do chefe, mas tudo o que veio para a mesa estava irrepreensível. Comemos:
.folhado de cogumelos e presunto pata negra com redução de Vinho do Porto
.filetes de polvo com arroz de coentros e ameijoas
.naco de vitela com molho de vinho tinto e risotto de espargos verdes
.carpaccio de morango com bolo de chocolate de leite
Quanto aos vinhos provados às cegas, como é habitual:
.Bill Sauvignon Blanc 07 (Chile) - aroma inicialmente austero (veio demasiado frio para a mesa), ataque na boca adocicado, notas de glicerina, belíssima acidez, alguma estrutura e bom final. Gastronómico e fácil de gostar. Nota 17,5.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 09 (em magnum) - côr palha, austero, acidez elevada a dar-lhe longevidade, notas de citrinos, mineral, equilibrado e elegante, final longo; melhorou com a subida da temperatura. Tem, ainda, uns tantos anos de vida. Nota 17+ (noutras situações 16+/16,5/16,5/17,5+/17,5+/17,5+/17,5+/17,5/).
.Dow's Vintage 07 (amostra de casco) - ficou aquém da expectativa criada para um vintage pontuado com 100 pela Wine Spectator ( houve mais provas não coincidentes: Wine Advogate 96, Wine Enthusiast 96, International Wine Cellar 95 e Wine & Spirits 94); de qualquer modo, provar uma amostra de casco não é a mesma coisa que estarmos a provar de uma garrafa. Mostrou fruta preta, doçura, acidez  equilibrada, taninos firmes e bom final de boca. Nota 17,5.
Extra concurso, como se costuma dizer, e por simpática oferta do Pedro Baptista, provámos o Blandy Terrantez 20 Anos, muito agradável, mas sem fazer subir aos céus (foi um dos escolhidos pelo João Paulo Martins, como um dos melhores do ano, no Guia 2013, saído recentemente). Em relação a este vinho, há 2 pormenores que me surpreenderam e que gostaria que alguém me elucidasse: não indica a data de engarrafamento e declara-se meio doce (achei-o seco, algures entre o Sercial e o Verdelho, talvez mais próximo do 1º). Mistérios...
Mais uma boa jornada, num espaço de eleição. Obrigado João!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Rescaldo da ida ao Norte (IV)

A caminho de Guimarães para o Porto, é obrigatório o desvio em direcção à Portela, próximo de Famalicão, onde se situa um dos melhores restaurantes de cozinha de autor que conheço. Dá pelo nome de Ferrugem e foi objecto de reportagem e crítica desenvolvida, aliás muito positiva, por parte da Revista de Vinhos (Abril 2009). O casal de chefes Dalila Mónica e Renato Cunha propõe "(...) uma cozinha de alquimia, onde os ingredientes tradicionais portugueses se vão descobrindo em novas texturas e harmonias, numa ementa dinâmica (...)".
O Ferrugem é um espaço moderno e requintado, perdido numa aldeia, com as mesas bem aparelhadas, mas com déficite de iluminação (há zonas de penumbra onde será difícil apreciar o que se está a comer). Oferece, nesta altura do ano, Menu Outono em 3 momentos (29 €), Menu Degustação em 4 momentos (33 €, mais 16 € para vinhos) ou em 6 momentos (45 €, mais 24 € para vinhos) e, ainda, Menu Concurso Vinhos Verdes e Gastronomia 2012 (50 €).
Foi escolhido o de 4 momentos, tendo desfilado na mesa:
.caviar português (ovas de sardinha e caviares de vinagre, tomate, broa de milho, ervas finas e espuma de azeite)
.caldo verde com broa
.bacalhau com tosta, azeitonas e legumes
.trilogia de porco bísaro (orelha, língua e rojão) com puré de favas e chouriço
e, ainda, sobremesa, pera bêbeda com tarte de queijo.
Estava tudo 5 estrelas, tanto nos paladares com na apresentação. Os parabens à Dalila, a chefe de serviço quando da minha visita.
Oferta equilibrada de vinhos, nem curta nem excessiva, bem seleccionada, tudo datado e preços cordatos. Têm 12 vinhos de mesa a copo (15 cl), sendo 4 brancos, 1 rosé, 5 tintos e 2 espumantes. Acresce 10 Portos (para os Vintage, mínimo 4 pessoas), 2 Madeiras e 3 Moscatéis (7 cl), o que é uma excelente e invulgar oferta.
Bons copos (Schott), serviço a olho, a garrafa vem à mesa e o vinho é dado a provar. Acompanhei os 3 primeiros momentos com Soalheiro Alvarinho 2011 (3,60 €), uma aposta sempre segura e já aqui referido. O 4º momento teve a companhia do Sedna Reserva 2009 (4 €), cuja 1ª garrafa veio à temperatura ambiente, tendo sido de imediato substituída por uma outra à temperatura correcta. O Sedna, ainda demasiado jóvem para o meu gosto, cumpriu a sua função. Serviço eficiente.
Em conclusão, uma grande jornada num restaurante de muita qualidade. Só é pena, não ficar mais à mão.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Novo Formato+ (7ª sessão)

Foi a vez do nosso amigo Alfredo Penetra nos ter convidado para mais uma sessão de bom convívio, gastronomia e pingas à altura. Desenrolou-se na esplanada do magnífico espaço da Qtª Fonte Santa, propriedade do Banco de Portugal. O tempo, solarento, também ajudou.
Provámos (e bebemos) 7 vinhos, todos situados num patamar alto/médio alto (1 espumante, 3 brancos de 2010, 2 tintos de 2007 e, a fechar, mais um grande colheita da Wiese & Krohn.
A comida, uma bela garoupa cozida e uns saborosos escalopes de vitela grelhados, com esparregado e batatinha salteada, esteve ao nível dos vinhos (excepção para o espumante Soalheiro Alvarinho 2010 que, embora agradável, era de esperar mais).
O painel de brancos talvez tivesse sido a maior surpresa da sessão, pois qualquer um deles merece nota alta:
.Redoma Reserva - a partir e vinhas velhas, estagiou 9 meses em barrica; fruta madura, madeira presente sem excessos, algo untuoso, estruturado, bom final de boca; todo muito equilibrado. Nota 17,5+ (noutra situação 17,5).
.Paço dos Cunhas Vinha do Contador - notas minerais/vegetais, acidez não muito pronunciada, algo guloso e fácil de gostar, final longo. Nota 17,5.
.Qtª das Bageiras Garrafeira - proveniente de vinhas velhas; complexidade aromática com notas e citrinos e tropicais, acidez excelente a dar-lhe longevidade, boca e persistência evidentes. Nota 17,5+.
Os 2 tintos também tiveram uma boa prestação:
.Qtª dos Carvalhais Reserva - estagiou 1 ano em meias barricas de carvalho francês; aroma intenso e complexo, boa acidez a dar-lhe vida, taninos presentes mas não agressivos, final muito longo. Muito equilibrado, tem evoluido muito bem. Em forma mais 7/8 anos. Nota 18,5 (noutra 17,5).
.Herdade do Peso Ícone (garrafa nº1223 de 3700) - especiado, acidez bem presente, estrutura e profundidade, taninos aveludados, final longo. A beber até mais 5/6 anos. Nota 18 (noutras 18,5/18,5).
E a terminar em beleza:
.Krohn Colheita 1967 (engarrafado em 2010) - citrinos presentes, a fazer lembrara um Moscatel Roxo velho, alguma gordura, acidez equilibrada, boca potente e final longo. Nota 18,5.
Mais uma grande sessão. Obrigado Alfredo!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Lisboa Restaurant Week (LRW) 2012

Está aí a chegar a 8ª edição do LRW, que se vai desenrolar de 20 a 30 deste mês. Por 19+1 € é a grande oportunidade de frequentar restaurantes que, no dia a dia, estão fora dos nossos orçamentos.
Para mais informações entrar em www.sabordoano.com ou www.besttables.com. É de aproveitar.
A despropósito, saiu o Guia do João Paulo Martins 2013. E já vai em 653 páginas. Em vez de encolher, esticou mais um bocado. Será que o autor quer chegar, daqui a uns anitos, às 1000?

Rescaldo da ida ao Norte (III)

Situo-me, ainda, em Guimarães para partilhar a minha última experiência nesta bela cidade. O espaço em causa, um dos recomendados quando da edição do Fugas dedicada à Capital Europeia da Cultura 2012 (edição de 14 de Janeiro), é o Rolhas & Rótulos - winehouse & winebar (Largo da Oliveira).
Na véspera já tinha constatado a existência de um aparelho Enomatic - wine serving systems, que controla a quantidade a servir e a temperatura, além de preservar cada garrafa, depois de aberta, até 3 semanas. O ideal, portanto, para um espaço que privilegie o vinho a copo.
Na altura da visita tinha 8 tintos, com preços a variar de 3 a 4,45 €. Para além destes, tinham mais 2 brancos da casa, 1 espumante e 1 champanhe, o que me parece manifestamente insuficiente. Mas a realidade ultrapassa a ficção, como é costume dizer-se. Escolhido um dos 8 tintos expostos, o Adega Vila Real Reserva 2008, constatei que vinha quente!? Então para que serve o aparelho de controlo de temperaturas? Devolvi o copo e troquei-o por um fino bem fresco. Mas ficou a irritação perante o insólito da situação. Questionado o empregado, mostrou uma ignorância quase total quanto ao serviço de vinhos e desculpou-se com o patrão que, obviamente, não estava presente. Verdade seja dita que havia mais clientes à minha volta a consumirem vinho quente, mas mais ninguém reclamou. Lamentavelmente falta-nos massa crítica.
E a minha irritação foi tanta que nem sequer registei o que veio para a mesa. Além de nada ter registado, também se me varreu da memória. Apenas retive quanto foi agradável usufruir de uma esplanada em pleno centro histórico de Guimarães! Um aviso aos potenciais visitantes do Rolhas & Rótulos: antes de encomendarem o vinho verifiquem se o Enomatic já se encontra ligado.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Rescaldo da ida ao Norte (II)

Continuando em Guimarães fui conhecer o Prós & Contras, situado no edifício do teleférico. É o sítio ideal para pousar depois de um passeio matinal pelo Parque da Penha. Espaço moderno, decoração minimal, mesas bem aparelhadas, copos de qualidade, ambiente requintado, serviço eficiente e simpático. O que se pode mais exigir?
Como parece ser habitual em Guimarães, a ementa aposta forte na área petisqueira, aqui em versão moderna com inspiração do país vizinho. Degustámos cogumelos recheados com legumes, gambas à guilho, revuelto de setas e gambas e revuelto de bacalhau. Com excepção dos cogumelos, algo insípidos, os restantes petiscos estavam muito bons, tanto no paladar como na apresentação.
Quanto a vinhos, a lista está bem seleccionada e os preços são convidativos. Lamentavelmente, os anos de colheita estão ausentes. A copo só os da casa, o que é manifestamente insuficiente. À consideração dos donos deste agradável espaço. Perante o meu manifesto desagrado perante tal situação, o proprietário (chefe João Silva) mandou abrir uma garrafa do tinto Altas Quintas Crescendo 2008, que veio para a mesa à temperatura ambiente. Nova reclamação rapidamente corrigida, ao mergulharem a garrafa num balde com água e gelo. Cobraram 4 € por cada copo, o que é aceitável naquele tipo de restauração.
Este Crescendo está ainda muito frutado, possui acidez para lhe dar vida durante mais 2/3 anos, mostrou complexidade, estrutura e final médios. Cumpriu a sua missão.
Como conclusão, é pena que o sector vinhos não esteja à altura da cozinha e do ambiente que ali se respira. De qualquer modo, aconselha-se a visita ao restaurante e o passeio no teleférico.

domingo, 16 de setembro de 2012

Rescaldo da ida ao Norte (I)

A 1ª etapa desta incursão no Norte foi em Guimarães, Capital da Cultura 2012. Esta cidade, que não visitava há uns anos, está um brinco. Não querendo armar-me em guia turístico, recomendo, no entanto, que se visite o Paço dos Duques de Bragança, os jardins do Palácio de Vila Flor, o Parque da Cidade, a Plataforma das Artes (essencialmente para quem aprecie arte africana), o Bairro dos Couros e a Ilha do Sabão (praticamente desconhecidos, até pela gente da terra), o centro histórico (onde se pode poisar numa das esplanadas da Praça da Oliveira ou do Largo de São Tiago) e, ainda, o Parque da Penha, onde se chega de teleférico.
Quanto a restaurantes apenas tive a ocasião de conhecer o Histórico, Prós e Contras e Rolhas & Rótulos (este é mais wine bar). Pelo que constatei, em relação ao serviço de vinhos, esta cidade ainda tem muito para evoluir, não chegando a cumprir os mínimos nalguns destes espaços que, à partida,  seriam dos melhores. Imagino o que se passará nos mais modestos.
Começo pelo Histórico by Papaboa (Rua de Val Donas), instalado num palacete do século XVII e com um fabuloso pátio esplanada interior. Só pelo espaço este restaurante merece uma visita (tem uma série de salas e uma loja de vinhos com algumas raridades e velharias). O interior é confortável, com uma televisão ligada, embora sem som, mas que considero de mau gosto para aquele espaço algo requintado.
A aposta forte da casa é nos petiscos em doses generosas para partilhar. Comemos salada de migas de bacalhau, pataniscas do mesmo, gambas panadas (aldrabadas, digo eu) e alheira com grelos. Chegou e sobrou.
Quanto à lista de vinhos, tem algumas boas sugestões a preços acessíveis, mas sem anos de colheita. Os tintos são servidos à temperatura ambiente e a copo só o vinho da casa. Ó senhores da ViniPortugal, não podem dar uma mãozinha aqui? Bem precisam!
Bebeu-se o branco Adega Vila Real Reserva 2011, um vinho fresco e frutado, com alguma consistência dada pelo estágio em madeira. Uma aposta sempre segura.

sábado, 8 de setembro de 2012

Uma pausa no blogue

Durante a próxima semana, o blogue andará por terras do Norte. Espero que descubra por lá algo interessante para poder partilhar.

À descoberta do novo Terreiro do Paço (III)

Depois de ter travado conhecimento com o Populi e o Can the Can, foi agora a vez do Museu da Cerveja, que tem como sub-título "dos Países de Língua Oficial Portuguesa". No piso inferior está o restaurante propriamente dito, um espaço de alguma dimensão e bom gosto (obrigatório visitar as casas de banho), que se prolonga numa invejável e agradável esplanada. No piso superior desenvolve-se o museu, que mais adiante daremos pormenores. Mais: o fado está sempre presente, como música de fundo.
A ementa contempla uma dúzia de petiscos, para além de diversos pratos de peixe e meia dúzia de bifes, nada que especialmente se recomende. Comi um caldo verde saboroso e um petisco, em dose avantajada, de meia desfeita de bacalhau, sem entusiasmar.
A aposta forte, como não podia deixar de ser, é na cerveja. A respectiva carta contempla mais de 20 referências, sendo 3 as da casa (a que apelidam de museu), 3 angolanas e as restantes, diversas marcas nacionais. Em falta, estão as brasileiras e moçambicanas, a chegar a todo o momento, segundo me informaram.
Quanto a vinhos, como já esperava, a oferta está abaixo dos mínimos (1 branco, 2 tintos e 1 rosé). Zero a copo! Optei por beber uma cerveja Bohemia, servida numa espécie de copo duplo, a fim de conservar a temperatura durante mais tempo. O serviço, depois de um deslize inicial, foi eficiente e simpático.
Findo o repasto, aconselho que se visite o museu (os clientes são convidados da casa, enquanto que os visitantes que não abancaram pagam 3,50 €).
Está dividido em 4 áreas temáticas: 1.Dos primórdios ao início da produção industrial 2.A história dos produtores nacionais 3.A cerveja nos países de língua oficial portuguesa e 4.A adega monástica.
Pareceu-me bem organizado e com algumas referências históricas curiosas. Já nesses tempos recuados, eram notórias as queixas dos produtores de vinho contra o consumo da cerveja, a que alguém chamou "água choca"!
Uma delas, foi a queixa da Câmara de Lisboa ao rei D.Pedro II, em 6 de Julho de 1689. Rezava assim: "Grande ruina ameaça o vinho (...) se continuar o fabrico e venda de cerveja (...)".
Aconselha-se este espaço especialmente aos apreciadores de cerveja. Mas também aos outros, nem que seja para visitar o WC!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Petiscos em Lisboa (VII)

Mesmo ao lado do Sol e Pesca (R.Nova do Carvalho, ao Cais Sodré), abriu há pouco tempo mais um espaço de petisqueira. Chama-se Povo, tem uma ementa deveras original e comida, à base de petiscos, bem saborosa. Para além do Povo do dia (um prato diferente de 2ª a 6ª), a casa oferece os chamados Almoços do Povo, cada um deles composto por 3 petiscos, em porções mais que suficientes para ficarmos satifeitos. Tanto pode ser o Povo Operário (salada de favas e chouriço, pica-pau e bolo do caco com painho alentejano e queijo de Niza), que foi a minha opção, como o Povo Camponês, Marinheiro, Rico, Vaidoso ou Vegetariano, variando os preços de 8 a 14 € para doses individuais ou de 14,50 a 25 €, no caso de 2 pessoas escolherem a mesma ementa. Tem, ainda, 14 variedades de petiscos de 3,20 € a 10,20 € e 9 de tostas, pregos e bifanas. Muito por onde escolher, portanto.
Quanto a vinhos, a lista contempla 2 espumantes, 7 brancos, 8 tintos, 1 rosé, 1 Porto e 1 Madeira. Nenhuma datação e preços algo puxados para este tipo de espaço. A oferta a copo é praticamente inexistente (2 brancos e 2 tintos), uma incongruência para quem aposta na petisqueira.
Optei pelo Niepoort Ubunto!! 2008 (3,60 €, o que é um preço aceitável) - edição alusiva ao mundial de futebol na Africa do Sul; fruta preta, álcool muito evidente e algo rústico. Prejudicado pela temperatura a que foi servido. Nota 14,5.
Os copos são bons, a garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar. A quantidade, servida a olho, foi generosa. O serviço, de um modo geral, foi eficiente e simpático.
É um espaço a recomendar, mas temos que estar atentos à temperatura do vinho escolhido.

domingo, 2 de setembro de 2012

O Pera-Manca, a OIV e nós

A Revista do Expresso, editada em 25 de Agosto e dedicada à década 1993/2002, incluiu a crónica habitual do João Paulo Martins, só que, desta vez, este crítico faz o balanço dos anos 90 e dá-nos conta da sua selecção da década, sendo um dos vinhos eleitos o tinto Pera-Manca 1998. Eu não sou, nem nunca fui, um fã do Pera-Manca. Embora sem o estatuto deste, acho muito mais interessante o Scala Coeli, uma aposta mais recente da Fundação Eugénio Almeida.
Mas a leitura da crónica do JPM, fez-me lembrar uma história passada connosco nas CAV e que teve, como figura central, o badalado Pera-Manca. É uma história que quero partilhar com os amigos e leitores deste blogue. Situamo-nos precisamente no ano de 1998. Foi neste ano que decorreu, no período de 22 a 26 de Junho, no Centro Cultural de Belém, o XXIII Congresso Mundial da Vinha e do Vinho, organizado pela OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho).
As CAV, estrategicamente situadas no CCB, onde iria decorrer o referido Congresso, com profissionais de todo o mundo vitivinícola, era um espaço apetecido pelos produtores e distribuidores que gostariam de ver os seus vinhos de referência nas prateleiras da nossa loja. Alguns dias antes do início do Congresso, as CAV foram objecto de visita dos citados produtores e distribuidores, que vinham confirmar "in loco", se os seus vinhos mais emblemáticos estavam ali bem visíveis. Uma das visitas foi dos responsáveis máximos da Fundação Eugénio Almeida, que ficaram deveras admirados e confusos quando não avistaram qualquer garrafa de Pera-Manca. Questionados sobre tão insólita situação, respondemos que não alinhávamos em especulações, pois os preços praticados pelas distribuidoras apontavam para aí. Proposta da FEA: e se nós lhes vendessemos directamente? E assim aconteceu. O Pera-Manca passou a ficar bem visível nas CAV e a um preço acessível, após termos chegado a um acordo quanto às condições de compra e venda, que respeitámos até à última garrafa..
Um final feliz para nós, para a FEA e para os congressistas que quiseram levar de Portugal um vinho emblemático.