quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Almoço com Vinhos da Madeira (6ª sessão)

Nós, os componentes deste núcleo duríssimo, somos uns privilegiados, ao termos no nosso grupo um amigo madeirense, Adelino de Sousa, possuidor de uma excelente garrafeira particular e muito chegado ao Francisco Albuquerque, o que lhe permite partilhar connosco algumas novidades e raridades.
Nesta última sessão, todos os 5 Madeiras provados foram trazidos por ele, a saber:
.Artur Barros e Sousa Verdelho 83 (engarrafado em 2012) - mais seco do que o esperado nesta casta, iodo, caril, acidez bem presente, estrutura, bom final de boca, gastronómico; uma boa surpresa e uma grande harmonia e equilibrio. Nota 18.
.Blandy Terrantez 20 Anos (sem data de engarrafamento) - frutos secos, notas de caril e citrinos, untuosidade, grande potência de boca e alguma persistência, penalizado pelo déficite de acidez; muito gastronómico. Nota 17,5 (noutra situação 17).
Estes primeiros 2 Madeiras foram bem acompanhados por salmão em salmoura (voltei a provar o Terrantez, mas com o prato de carne, e funcionou muito bem esta ligação).
.Blandy Centennial (engarrafado em 1999) - resultante de um lote com 4 castas (Cercial, Verdelho, Bual e Malvasia) - aroma muito complicado e algo desagradável (trapo molhado?), mas boca poderosa e final longo. Não lhe atribui nota.
.Blandy Bual 1969 (amostra sem rótulo, engarrafada em 2012) - frutos secos, notas de caril e brandy, vinagrinho, grande estrutura e final interminável; equilibrio e harmonia, a Madeira no seu melhor. Nota 19 (na EVS 18+).
.FEM Sercial Muito Velho (sem data de engarrafamento, estimado em cerca de 90 anos) - aroma austero, acidez alta, boca de arrasar e final interminável; a secura da casta, ao fim destes anos todos, esbateu-se. Nota 18,5+ (noutras 17,5/17+/18,5/18+).
Estes últimos 3 Madeiras foram consumidos no final do repasto, a acompanhar queijos, doce Abade de Priscos, Bolo da Madeira, pinhoadas (oferta da Natalina) e fruta.
O vinho de boas vindas foi o espumante Aliança Particular 05, simpática oferta da equipa da Enoteca de Belém, e cumpriu bem a sua função.
Os pratos de peixe (lombo de bacalhau) e carne (naco de vitela), tiveram a companhia de 3 tintos de 2005: Três Bagos Grande Escolha (trazido pelo Juca), CV (pelo Modesto) e S de Soberanas (pelo João), todos a portarem-se bem, com o CV a impor-se. Veio, ainda, o Qtª da Falorca Garrafeira 03 (mais uma simpática oferta da casa), que não cheguei a provar.
Resta dizer que a equipa da Enoteca se portou muito bem, a gastronomia em alta (a cozinha foi reforçada com a entrada do Ricardo, vindo do Populi), o serviço na sala a rolar muito bem (o Nelson regressou ao seu lugar; o Ângelo não esteve presente), apesar dos 130 copos utilizados!
Grande jornada de convívio. Obrigado amigo Adelino, pelos Madeiras!
.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Mais um evento a considerar

Patrocinada pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), vai haver uma mostra de vinhos e produtos gourmet no Convento do Beato, a decorrer no dias 30/11 e 1/12, das 15h às 21h.
Todos ao Beato e em força! As iguarias esperam por nós, enófilos miltantes!

sábado, 24 de novembro de 2012

Vinhos em família (XXXVIII)

Finalmente os tintos, embora acompanhados de um branco de outono e um Porto Colheita:
.Redoma 10 - citrinos e notas de melão, perfumadao, acidez equilibrada, madeira ainda presente, profundidade e bom final de boca; melhorou quando a temperatura subiu; vai precisar de mais algum tempo de garrafa para tudo se harmonizar. Nota 16,5+ (noutra situação 16,5).
.Poeira 06 - esta garrafa desencantou-me, nem a complexidade aromática, nem a estrutura e subtileza de outras provadas anteriormente. Nota 16,5 (noutras 18,5/16,5+/18/17,5, a denotar alguma irregularidade).
.Qtª do Crasto T.Nacional 06 - ainda com muita fruta vermelha madura, especiado, não se nota muito a casta, acidez nos mínimos, mais potente que elegante, final longo; no ponto para ser bebido, não vale a pena guardar mais. Nota 17,5.
.Qtª do Noval 07 - notas florais, acidez equilibrada, alguma rusticidade, estrutura pujante, bom final de boca; não vai melhorar, mas aguenta bem mais 9/10 anos. Nota 17,5+.
.Dalva 85 (engarrafada em 2010) - frutos secos, caril, notas de brandy, alguma acidez, estruturado, persistência; nota-se demasiado o refrescamento. Nota 17+ (noutra 18,5 de que não retive a data de engarrafamento).

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Almoço no novo Umai

Em 23/8/2011, publiquei aqui uma crónica dedicada ao restaurante Umai, onde pontifica o casal Paulo Morais e Anna Lins, que pratica uma cozinha oriental ao meu gosto. Desde há pouco tempo (2 ou 3 meses), abriram outro na Rua da Misericórdia, edifício do Hotel Mercy, mesmo em frente à Associação 25 de Abril.
Este Umai tem uma carta com uma boa selecção de vinhos a preços cordatos, muito equilibrada e uma oferta a copo mais do que suficiente. São 3 champanhes (1 a copo), 6 espumantes (2), 44 brancos (8), e 35 tintos (5), não me tendo apercebido da existência de fortificados e colheitas tardias. Um ponto a melhorar. Copos Stölzle de qualidade; a garrafa veio à mesa, o vinhos dado a provar e servida, a olho, uma boa quantidade.
Bebi um copo do branco Vale da Poupa 2011 (2,50 €) - enologia de Rui Cunha; frutado e mineral, a meio caminho entre a frescura e a untuosidade, acompanha muito bem a comida asiática. Nota 16.
Quanto à gastronomia, escolhi o menú malaio (15 €), composto por cucur badek (pastelinho de batata doce), camarão nonya, salada de peixe de Bornéu e rendang (caril de novilho com côco). Um autêntico festival de côres, aromas e sabores.Serviço profissional e simpático.
Um espaço que vale apena conhecer. Um senão: a música estava muito alta. Não havia necessidade...

sábado, 17 de novembro de 2012

O Guia 2013 do João Paulo Martins (II)

4.Os gostos do JPM
Como tenho feito no passado, vou comparar os Melhores do Ano, referentes aos 3 últimos Guias (2011/2012/2013), por tipo de vinho e região.
BRANCOS
.Espumantes - 1/0/1
.Alvarinhos   - 0/1/1
.Douro         - 2/1/2
.Dão            - 1/2/2
.Lisboa        - 0/0/3
.Bucelas       - 0/0/1
TINTOS
.Douro         - 6/5/9
.Dão            - 0/1/3
.Bairrada      - 0/0/2
.Lisboa         - 1/2/0
.Tejo            - 0/0/1
.Setúbal        - 0/0/2
.Alentejo      - 5/5/3
FORTIFICADOS
.Vintage        - 1/2/1
.LBV            - 0/0/5
.Tawny/Colh.- 5/3/3
.Madeira       - 0/1/3
.Moscatel      - 1/0/1
Como comentários, posso concluir:
a)Reconhecimento da actual qualidade dos brancos, passando a mais do dobro
b)Entradas de leão dos brancos de Lisboa e, finalmente, um Bucelas, a única região demarcada só para brancos
.c)Recuperação do Douro nos tintos, em desfavor do Alentejo
d)Ascenção do Dão e estreia da Bairrada, Tejo e Setúbal, em prejuizo de Lisboa
e)Inexpressividade do Vintage, resultante da ausência de anos de grande qualidade
f)Inclusão do LBV, mas com classificações muito abaixo dos restantes seleccionados
g)Finalmente a consolidação dos Madeiras
Em relação aos Melhores do Ano, continuo sem perceber a ausência do Aneto Grande Reserva dos 3 últimos Guias, embora tivesse sempre a mesma nota de outros que foram seleccionados. Caso idêntico, em relação ao CV e Qtª da Manoella Vinhas Velhas, em 2 anos seguidos. Serão, como já disse na crónica do ano passado, os desígnios insondáveis do JPM?  
5.Onde comprar?
Uma achega para futuras correcções e eventuais inclusões:
a)Garrafeiras encerradas:
.Lx Gourmet (já constava na minha crónica de há um ano)
.Wine & Flavours
b)Garrafeiras em Lisboa com condições para serem incluídas:
.São João (R.Reinaldo dos Santos)
.Wine Company (R.José Purificação Chaves)
Ó JPM, estas ficam em Benfica e, portanto, perto da sua casa. Pode lá dar um saltinho e constatar.
c)E fora de Lisboa:
.Grandola (Dom Nuno)
.Lamego (Sé Gourmet)
.Régua (Loja do Museu do Douro)
.Tavira (Vital, talvez a melhor oferta de vinhos de todo o Algarve)
Para fechar esta crónica que já vai longa, declaro solenemente que continuo a comprar o Guia do JPM.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Guia 2013 do João Paulo Martins (I)

1.Preliminares
Tenho a maior consideração e estima pelo JPM, identifico-me com o seu gosto e sou seu leitor desde o Guia 1995 (o 1º que publicou), ainda nem sequer sonhava que me iria profissionalizar. Prezo o seu trabalho, que chega a ser hercúleo, tantos são os vinhos que tem de provar num curto espaço de tempo.
Mas não há ninguém neste mundo do vinho que seja intocável. Apesar de fiel seguidor do JPM (tenho na minha casa todos os seus Guias, para além de outros livros por ele publicados), ficaria mal com a minha consciência se não referisse alguns aspectos do Guia de que discordo e que deveriam/poderiam ser alterados.
2.A questão da antiguidade
Na contra capa continua a afirmar-se que "Vinhos de Portugal, o mais antigo e prestigiado guia de vinhos do país, é publicado há 19 anos consecutivos e continua a ser a referência do sector vinícola, do consumidor e do bom apreciador.(...)". Eu concordo que seja o mais prestigiado, mais a mais que a concorrência foi ficando pelo caminho (João Afonso, Pedro Gomes, Rui Falcão,...), mas discordo frontalmente com a afirmação de que é o Guia mais antigo (é o chamado Guia da Comporta publicado em 1990). Ficaria correcto se a "o mais antigo" tivessem acrescentado "dos que se continuam a publicar", como já sugeri em crónica anterior. O seu a seu dono.
3.A questão do tamanho
Disse o JPM, creio que no Forum da RV, "(...) Como vai ver, o livro aumentou de tamanho, com mais 16 páginas(...) não sei onde isto vai parar (...)". O Guia, nesta edição vai com 653 páginas (e pesa 650 gramas!), quando começou com 291, em 2000 passou para 325, em 2005 para 342 e em 2010 para 419. Tem subido exponencialmente!
A ideia que se faz de um guia é que deve ser facilmente transportável e manuseável, logo não muito volumoso ou pesado. Ó JPM, tem que ser drástico e cortar nas gorduras. Os seus leitores vão comprando os seus Guias e não é necessário repetir notas de prova. Este Guia 2013 tem mais de 1000 notas de prova repetidas, o que representa cerca de 130 páginas. Se somar a isto 15 páginas de perguntas e respostas (b a bá para principiantes) e 17 de vinhos velhos ("(...) A variação de garrafa para garrafa aumenta com a idade (...) Caso esteja boa não quer isso dizer que todas estejam (...)", palavras do JPM).
E já vamos em 162 páginas de gorduras!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Jantar Quinta de Sant' Ana

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez em parceria com o Restaurante Tágide. Vista fabulosa sobre Lisboa, bons vinhos, gastronomia à altura, bons copos, temperaturas controladas e serviço profissional. O que se quer mais?
A Quinta de Sant' Ana fica em Gradil, encostada à Tapada de Mafra, num sítio improvável para grandes vinhos. Mas, no entanto, o trabalho de James Frost na viticultura e do António Maçanita na enologia deram fruto. A Quinta era pertença dos pais da Ann, de nacionalidade alemã, agora casada com o britânico James. Nela nasceram os vinhos que provámos no jantar de ontem, a saber:
.Qtª de Sant' Ana Riesling 2011 e Sauvignon Blanc 2011 - ambos austeros no nariz, frescos e elegantes, com uma acidez a prolongar-lhes a vida, mais mineral e citrino o Riesling, a pedir tempo de garrafa para se mostrar, mais estruturado e com uma componente de espargos bem evidente, o segundo. Notas 16 e 16,5. Acompanharam, respectivamente, uns tantos canapés e um tártaro de salmão.
.Q de Sant' Ana Pinot Noir 2010 - estagiou 14 meses em barricas usadas, côr não muito viva, alguma fruta, notas florais, fresco e harmonioso, taninos domesticados, estrutura e bom final de boca, em forma mais 7/8 anos; uma boa surpresa. Nota 17,5. Curiosamente este belo vinho foi desclassificado pelos burocratas da CVR Lisboa, por falta de côr (!?) e tipicidade, sendo considerado, à face da lei, um mero vinho de mesa. Haja paciência, para tanto dislate! Foi bebido com um folhado de cogumelos com faisão.
.Qtª de Sant' Ana Homenagem a Baron Gustav von Für Stenberg 2007 (o sogro) - com base nas castas Merlot e T.Nacional em partes iguais, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês - aroma vibrante, especiado, acidez equilibrada, taninos macios, profundidade e muito fino. Para beber nos próximos 6/7 anos. Nota 17,5. Servido com bochechas de porco e migas de legumes.
.Qtª de Sant' Ana Colheita Tardia (lote de 2010 e 2011) - tem um perfil nada comum aos Colheita Tardia/Late Harvest a que estamos habituados; nariz pouco expressivo, notas de maçã assada e mel, acidez evidente e gordura inexistente. Uma agradável curiosidade. Acompanhou uma belíssima sobremesa de mil folhas de azevia.
Finalmente, foi pena que a sala não tivesse ficado, na sua totalidade, por conta do jantar vínico, pois os clientes normais eram, para o meu gosto, demasiado ruidosos.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Encontro com os Vinhos e Sabores (EVS) 2012

À semelhança dos anos anteriores, marquei presença no EVS, onde estive das 12 às 18 h de 2ª feira. Só que este ano a deslocação para o Centro de Congressos foi um sofrimento, graças à senhora Merkel. Com o trânsito altamente condicionado e uma notória falta de transportes colectivos, meti-me a caminho, a pé, só chegando ao meu destino 1 hora depois de ter saído de casa. Ainda por cima os polícias estavam descoordenados e debitaram-me 3 diferentes versões para o melhor acesso. Lá cheguei, mas reconheço que é preciso muita militância para enfrentar estas contrariedades e não ter desistido dos meus intentos.
Mas não me arrependo. Frequentar este evento é mesmo obrigatório para os enófilos, militantes ou não. 197 expositores de Vinhos, 26 de Sabores, 8 de Acessórios e 9 sessões de Provas Especiais é obra. Mais uma vez os meus parabéns à Revista de Vinhos. Aproveitei, como sempre, para matar saudades de inúmeros amigos e conhecidos, fossem produtores, enólogos, antigos clientes ou fornecedores. Perdoem-me a imodéstia, mas as palavras de apreço que ouvi encheram-me o ego e justificaram plenamente a minha ida ao EVS.
Como é fácil de entender só provei uma ínfima parte dos vinhos presentes, umas largas centenas. Mesmo assim, consegui degustar uns 50, que quase me anestesiaram a boca e o nariz. E ficaram uns tantos para trás, porque estavam mal colocados, como foi o caso da José Maria da Fonseca, entre outros. Depois de ter provado Madeiras, Portos e Moscatéis, é praticamente impossivel meter à boca vinhos de mesa/consumo.
Ficaram-me na memória (a ordem é aleatória) os brancos Qtª do Regueiro Blend (um lote dos Avarinhos de 2007, 2008, 2009 e 2010), Porta dos Cavaleiros 85 (grande surpresa), Vinha de Saturno 10, Nostalgia Alvarinho 11, Uniqo Sercial 09 (um vinho muito original produzido pela Companhia das Quintas em Bucelas), Tons de Duorum 11, Altas Quintas 10, Esporão Private Selection 11, Qtª do Pinto Grande Escolha 10, Scala Coeli 10 e Fonte do Ouro Encruzado 11, os tintos Pape 08, Qtª Monte d'Oiro Syrah 24 08, Vinha Saturno 09, Grandes Quintas Reserva 09, CV 10, Herdade das Servas Vinhas Velhas 09, Duorum Vinhas Velhas Reserva 09, Qtª da Casa Amarela Grande Reserva 09, PL/LR 08 (amostra), Altas Quintas Reserva-do 05, Qtª da Leda 09, Esporão Private Selection 08, Três Bagos Grande Escolha 08, Qtª Vale Meão 10, Borges 08 (Dão), Borges 09 (Douro), Kompassus Private Selection 09, Qtª dos Frades Vinhas Velhas 08 e Tributo 10 e, ainda, os fortificados Blandy Bual 69 (amostra), Graham's Colheita 69, Burmester 40 Anos, Calém Colheita 61, Noval Colheita 37 (sublime, ou não fosse o meu ano) e Alambre 20 Anos.
E, para o ano, há mais!  

domingo, 11 de novembro de 2012

Intenções

Depois de um fim de semana alargado em Tavira, tenciono:
.Ir amanhã ao EVS 2012, se a segurança da senhora Merkel não impedir que me desloque da zona do CCB, onde resido, até ao local do encontro.
.Actualizar o blogue, prevendo as seguintes crónicas sobre:
..Rescaldo da ida ao EVS
..Guia 2013 do João Paulo Martins (JPM)
..Almoço no novo UMAI
..Jantar de Vinhos Qtª de Santana

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Reclamar, sempre! (II)

Em 24/3/2012 publiquei uma crónica intitulada "Reclamar, sempre! (I)", sobre um conflito de consumo contra a empresa representante da marca Paul & Shark. Ajudado por um advogado amigo, consegui que fosse marcado julgamento em tribunal, que só não se efectivou porque o advogado da parte contrária entrou em contacto connosco, no sentido de apresentar uma solução que nos fosse favorável.
Na crónica de hoje, irei relatar um conflito com o Estado, o qual subiu até à Provedoria de Justiça que me deu inteira razão. Desde já autorizo a utilização do despacho do Provedor-Adjunto de Justiça, caso algum dos leitores deste blogue esteja a viver um caso semelhante.
Poderá parecer algo deslocadas estas crónicas, que nada têm a haver com vinhos, mas achei alguma pertinência na sua divulgação. Se forem úteis a alguém, fico satisfeito.
Passemos, então à cronologia dos factos:
1.No início de Março de 2010, recebi uma carta da SPET (Secção de Processo Executivo de Lisboa) do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, intimando-me a pagar um determinado montante, no prazo de 30 dias, referente a dívidas de uma empresa da qual nem sequer sabia da sua existência.
2.Reclamei via e-mail, sem qualquer resultado. O SPET exigia-me que apresentasse uma certidão da referida empresa. Em vez de a terem solicitado oficial e directamente, empurraram para mim a responsabilidade de provar a minha inocência.
3.Perante tal prova de força, desloquei-me à Conservatória do Registo Comercial de Lisboa, onde obtive uma certidão da tal empresa, onde logicamente o meu nome não constava. Custou-me a certidão 19,50 €.
4.Todo este processo só foi possivel devido:
 a)À incompetência do Centro Distrital de Lisboa da S.S., ao não controlarem correctamente as dívidas da empresa em causa, nem identificarem os seus responsáveis, enviando as Certidões de Dívida para o SPET, sem qualquer controlo.
Deste facto apresentei em 27/5 reclamação escrita na Av. Afonso Costa.
b)À prepotência do SPET que, face às minhas reiteradas afirmações de inocência, não se deu ao incómodo de as averiguar.
Desta atitude também apresentei em 4/5 reclamação escrita na Praça de Londres.
5.Face à ausência de respostas válidas sobre as minhas reclamações, apresentei em 20/7, por escrito, um pedido de audiência ao Gabinete do Secretário de Estado da Segurança Social, que não se dignou a conceder-ma.
6.Após algumas insistências, em 29/11 recebi um e-mail do Departamento de Gestão da Dívida do IGFSS, o qual se limitava a "(...) lamentamos qualquer inconveniente pelo incómodo causado a V.Exª".
Quanto ao pedido de desculpas e ao ressarcimento do custo da certidão, por mim solicitados, silêncio total!
7.Em 10/2/2011, não tendo notícias nem das desculpas nem da devolução dos 19,50 €, decidi avançar com uma queixa junto da Provedoria de Justiça.
8.Em 19/10/2011, finalmente, recebi um ofício assinado pelo Provedor-Adjunto de Justiça, dando-me conhecimento do respectivo despacho enviado para o IGFSS que, a dada altura, refere "(...)No caso em apreço, a Administração demitiu-se claramente do dever de apurar e confirmar os factos alegados (...). Ao demitir-se desse dever, transferiu para o executado injustamente a necessidade de fazer prova de um facto negativo, com as inerentes dificuldades e encargos (...).
Mais, a dada altura do ofício enviado para mim, afirma "reconhecendo que não cabia a V.Exª obter a certidão comercial da empresa... e, nesse sentido, disponibilizando-se para ressarcir V.Exª do valor de € 19,50 (...)".
9.Embora não me tivesse sido feito um pedido formal de desculpas, o despacho referido é-me inteiramente favorável. Sei que, na altura, brindei com um dos frasqueiras da Blandy, mas não me lembro de qual.
Em conclusão: reclamar, sempre!

domingo, 4 de novembro de 2012

Petiscos em Lisboa (VIII)

Estive recentemete no Bar/Enoteca do Hotel Avenue (Av. Liberdade, 129), um espaço moderno onde se pode petiscar, beber um copo de vinho ou, mesmo, comprar uma garrafa. Um contra: a música demasiado alta. Era jazz que eu adoro. Mas, e se não gostasse?
A lista de vinhos é apresentada em suporte iPad (?), o que não dá para inventariar, com rigor, a respectiva oferta. Fiquei, no entanto, com a ideia que têm uma selecção criteriosa e uma boa quantidade de vinhos a copo. Mais: os copos são os apropriados, as temperaturas as adequadas (possuem armários térmicos) e os preços de acordo com aquele espaço, isto é, acima da média.
Bebi um copo do branco Churchill Estates 2011 (5,50 €) - frutado, alguma mineralidade, fresco, bom final de boca. Nota 16,5. Um senão: a garrafa é de rosca! Ó senhores produtores, então não devemos defender a rolha de cortiça? Lembro-me, a propósito, de nos tempos das CAV ter deixado de comprar o rosé da Churchill por idêntico motivo. E isto apesar da amizade que tínhamos com a responsável da área comercial/marketing.
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar e a quantidade, servida a olho, generosa. Serviço profissional e simpático.
Quanto a comeres escolhi alguns petiscos/entradas: peixinhos da horta com maionese de coentros (3 €), choquinhos em tempura com aioli de caril (4 €) e moelas de pato confitadas com cerveja, tomate e gindungo (6 €), servidas em boas doses. Ao almoço a oferta de petiscos/entradas é algo reduzida, o que não se compreende, pois ao jantar é praticamente o dobro.
Para terminar, uma nota simpática: a chefe Marlene Vieira veio à mesa para se inteirar se estava tudo ao meu gosto, o que raramente acontece noutros espaços de restauração.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Jantar Herdade dos Grous

Mais uma parceria da garrafeira Nectar das Avenidas com o restaurante As Colunas, desta vez com a Herdade dos Grous, que esteve representada pelo enólogo residente, Pedro Ribeiro, muito seguro a explicar as características de cada vinho. Estava acompanhado por um elemento da Prime Drinks, empresa distribuidora.
Os vinhos apresentados, todos com uma qualidade acima da média, foram:
.Colheita 2011 - com base nas castas Antão Vaz (50 %), Arinto e Roupeiro; nariz discreto, alguma fruta, notas florais, muito fresco, estrutura e final médios; um branco para todo o ano. Nota 16+. Ligou bem com os pastéis de massa tenra (excelentes!) e o requeijão de Seia.
.Reserva 2010 - a partir de Antão Vaz, Verdelho e Viognier, estagiou 6 a 8 meses em barricas novas de carvalho francês; mais complexo e aromático que o anterior, madeira bem casada com a fruta, boa acidez, alguma gordura, mas menos pesado do que as colheitas anteriores; claramente um branco de outono/inverno; dois reparos: o excesso de graduação alcoólica, 14,5 % vol (não havia necessidade...) e, por outro lado, a diferença de qualidade para o colheita não justifica a diferença de preço. Nota 16,5. Acompanhou uma massada de garoupa com gambas.
.Colheita tinto 2010 - com base  em Aragonês, Syrah, Alicante Bouschet e T.Nacional, estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês; nariz exuberante, fruta vermelha, fresco, algo rústico, taninos bem presentes; para beber em novo. Nota 16.
.23 Barricas 2010 - vinificado apenas com T.Nacional e Syrah, estagiou 12 meses (?) em carvalho francês; mais complexo que o colheita, especiado, notas de tabaco, acidez equilibrada, taninos presentes mas aveludados, bom final de boca; tem perfil para estar em forma mais meia dúzia de anos. Nota 17,5. Estes 2 tintos foram bem acompanhados por uma perna de porco preto no forno com grelos salteados.
.Reserva 2009 - a partir de Alicante Bouschet, Tinta Miúda e T. Nacional, esteve 16 meses em barricas novas de carvalho francês; ainda com muita fruta, notas de chocolate preto e couro, acidez no ponto, taninos ainda por domesticar; estrutura e final persistente; mais 2 reparos: teor alcoólico algo excessivo (15 % vol) e a diferença de qualidade para o 23 Barricas não justifica a diferença de preço. Nota 17,5+. Bebido a solo.
A sobremesa, que não apreciei, não teve companhia. Palpita-me que , com outra sobremesa (queijo, por exemplo), o reserva branco teria uma boa prestação.
Nota final: a Joana, mais uma vez, esteve incansável!