segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Jantar Mota Capitão

A Enoteca de Belém organizou o seu 1º jantar vínico, ou melhor dizendo, um mini jantar (15 participantes), pois a dimensão da sala não dá para mais). Presente o produtor José Mota Capitão, que se fez acompanhar pelo sobrinho Luis Mota Capitão, enólogo residente na Herdade do Cebolal.
Ao contrário de outros eventos em que tenho participado, este jantar foi muito mais recatado,  intimista até, possibilitando conversas que noutro ambiente mais ruidoso, não seriam possíveis. Calhou ficar frente a frente com o produtor e descobrir que, entre outros temas, temos uma paixão comum, a dos vinhos da Madeira, o que confirma o bom gosto do Mota Capitão.
Pela equipa da Enoteca, já nossa conhecida, alinharam Ricardo Gonçalves, responsável pelos tachos, e a dupla Ângelo Santos e Nelson Guerreiro, os operacionais do serviço de vinhos, todos bons profissionais e competentes.
Quanto a comeres e beberes, desfilaram:
.Herdade do Cebolal 11 - com base nas castas Fernão Pires, Roupeiro, Arinto e Antão Vaz, foi vinificado exclusivamente em inox e estagiou 7 meses em garrafa; frutado e muito fresco, adequado a aperitivos e entradas leves, típico de meia estação. Nota 16.
.Caios 10 - a partir das castas Arinto e Antão Vaz, estagiou 3 meses em barricas de carvalho francês e cerca de 18 meses em garrafa, antes de ser posto no mercado; discreto no nariz, notas tropicais e abaunilhadas, alguma gordura, acidez equilibrada, madeira bem casada, estruturado, típico de outono/inverno. Nota 17. Casou bem com a entrada de tártaro de bacalhau fresco.
.Anima lote 08 - casta San Giovese em exclusivo, estagiou 12 meses em barricas usadas, seguido de 1 ano em balseiros e 2 em garrafa; aberto na côr, notas de turfa, acidez fabulosa, harmonia e elegância, taninos civilizados, final muito longo e longevidade à vista. Para mim, o vinho da noite (confissão: aqui há alguns anos teria preferido o Cavalo Maluco). Nota 18. Bem acompanhado por robalo com açorda de tomate alentejano e emulsão de ervas.
.Cavalo Maluco 09 - com base nas castas Touriga Franca (60%), Touriga Nacional (30%) e Petit Verdot (10%); perfil mais próximo do Douro do que do Alentejo, acidez q.b., boca potente e final persistente. Foi dedicado ao malogrado António Carvalho, do Casal Figueira. Nota 17+. Teve a companhia de naco de veado com cogumelos salteados.
Como sobremesa, veio para a mesa uma saborosíssima mousse gelada de chocolate e couli de frutos silvestres.
Tiro o meu chapéu ao produtor que, um pouco ou muito em contramão, não teve nenhuma pressa em colocar estes vinhos no mercado. Oxalá fossem todos assim.
Em conclusão, uma sessão impecável, em boa companhia, com comeres e beberes à altura.
Mas (há sempre um mas), não havia necessidade de terem a televisão acesa, embora sem som, durante o repasto. É sempre um factor perturbador. À atenção dos meus amigos da Enoteca...

1 comentário:

  1. o anima08 está a passar umas férias lá em casa... mas acho que está a proximar-se a altura de se... "ir embora".

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