sexta-feira, 22 de março de 2013

Jantar Luis Pato

Em boa hora a Garrafeira Néctar das Avenidas voltou ao Assinatura para mais uma parceria. Desta vez a figura central foi o Luis Pato, criador de vinhos, como se define, e mister Baga como o intitulam lá fora. Ele é um experimentador e traz sempre consigo coisas novas e nunca vistas. Foi também uma sessão pedagógica, ao permitir que se pudessem comparar as colheitas de 2001 e 2009.
 No tempo em que fomos (o Juca e eu) os responsáveis das CAV, mantivémos com ele uma relação pessoal e profissional muito próxima. O Luis Pato, primeiro a solo e posteriormente na companhia da filha Filipa, esteve presente, por diversas vezes, em provas e jantares vínicos organizados por nós. Por outro lado, chegámos a levar a Óis do Bairro, um grupo de mais de 30 clientes, para visita e almoço na adega.
De nós, escreveram eles (pai e filha), na brochura comemorativa do nosso 10º aniversário :
"De Belém partiram as Caravelas.
De Belém partem hoje as novas dos vinhos portugueses.
Da Garrafeira das Coisas do Arco do Vinho, é claro." 
Mas chega de intróito e vamos aos beberes e comeres provados no decorrer deste repasto.
.Espumante Maria Gomes método antigo 2012 - é um bruto natural com base na Maria Gomes, acrescida da Cercealinho; bolha fina, notas de pão acabado de cozer, muito fresco e elegante; pensado para acompanhar aperitivos. Nota 16,5.
.Maria Gomes 2012 - mais austero, notas florais, acidez equilibrada, final seco, gastronómico. Nota 15,5.
Acompanharam espadarte fumado com migas de espargos, tendo a ligação com o vinho tranquilo resultado melhor.
.Fernão Pires 2011 tinto - obtido a partir de 94% da casta Maria Gomes/Fernão Pires, a que se acrescentou 6% de películas tintas da casta Baga; algo enigmático e difícil de descrever; boa acidez, notas vegetais, muito soft, estrutura e final médios; uma curiosidade: um tinto de brancas, mas que nada acrescenta ao mundo dos tintos. Nota 15,5.
Foi acompanhado por bacalhau assado (ligeiramente salgado), com ervilhas, presunto e ovo, que se sobrepôs ao vinho.
.Vinhas Velhas 01 e 09 - frescura e juventude é o que os une; o 01 ainda longe da reforma e o 09 mais redondo e de perfil mais moderno; estrutura e final de boca médios. Notas 16,5 e 16, respectivamente.
Acompanharam bem leitão assado com arroz de pézinhos e cheróvias
.Vinha Pan 01 e 09 - em comum a exuberância, juventude, acidez, elegância e personalidade; taninos ainda por domar e perfil mais clássico no 01 e taninos aveludados e perfil mais moderno no 09; o 01 aguenta bem mais meia dúzia de anos e o 09 deve ser consumido daqui por mais 7/8 anos.
Tiveram por companhia veado com puré, pêra e sitarcas do Alentejo, para mim o ponto mais alto do jantar. Excelente!
.AM 2010 Rosado, ou seja um abafado molecular com base na casta Baga; frutado, fresco e deveras simples. Apenas uma curiosidade. Deveria ter sido servido mais frio.
Balanço final: menú ao nível do que o chefe Henrique Mouro e sua equipa já nos habituaram e serviço de vinhos, onde incluo os copos e temperaturas, eficiente e profissional. Uma grande jornada!
Por último:
.o grupo que estava na mesa do chefe era demasiado barulhento e, por vezes, perturbava quem estava concentrado nos vinhos e comida;
.faz falta uma ementa com os vinhos e pratos que vão ser servidos; basta imprimir o que está no computador, não custa nada.



1 comentário:

  1. achei muita piada ao fernao pires tinto. e se disser que gostei nao esotu a mentir, mas sem duvida que este "gostei" é muito influenciado pela originalidade / novidade, nao tanto pela prova em si. intrigante qb. comparo a sensação com a de provar um bombom de laranja.

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