domingo, 31 de março de 2013

Tintos 2004 versus 2005

A convite do João Quintela, o mentor da idéia, tomei parte neste painel que contou também com a presença do Juca, Paula Costa, Raul Matos, Alfredo Penetra e João Chedas. O tema era percebermos qual das colheitas, 2004 ou 2005, estava em melhor forma. O João Quintela escolheu 3 pares (Pintas, Batuta e S de Soberanas) e acrescentou o Poeira 04, vencedor de outros painéis. A prova, rigorosamente cega, decorreu no restaurante As Colunas. O resultado final não foi, para mim, conclusivo. Talvez que, em próximas sessões, se possa chegar a um veredicto final incontestável.
As apreciações e notas atribuídas são inteiramente minhas e, nalguns casos, não coincidem rigorosamente com as do painel. Quando o confronto é com vinhos de um patamar muito elevado (a título de curiosidade, 5 destes foram Prémios de Excelência da RV, como foi o caso dos 2 Batuta, dos Pintas e do S 04) é natural que o gosto pessoal se imponha e leve a bonificar determinadas características de um vinho em prejuizo de outras.
Mas chega de conversa e vamos aos vinhos em confronto:
.Poeira 04 (levado pelo João Chedas) - aroma intenso, notas florais, taninos presentes civilizados, acidez, estrutura, final longo, todo ele equilibrado e elegante. O Douro no seu melhor! Ainda aguenta uns 5/6 anos em forma. Nota 18,5 (noutras situações 18+/18/18,5/18/18,5/17/18,5).
.S de Soberanas 04 (João Quintela) - nariz exuberante, fruta, especiado, notas achocolatadas, taninos aveludados, estrutura e final interminável; deveras gastronómico. A beber agora. Nota 18 (noutras 18+/17,5/17/16/17,5+/18,5/17,5+).
.S de Sobeanas 05 (Alfredo) - aroma intenso, notas florais, especiado, acidez no ponto, elegante, estruturado e final longo. Ainda longe da reforma. Nota 17,5+ (noutras 18/18+/17,5/18/17,5+/18,5/17,5).
.Pintas 04 (era meu) - nariz subtil, muito fino, notas florais, boa acidez, taninos domesticados, harmonioso e final longo. A beber durante mais 3/4 anos. Nota 17,5 (noutras 18+/17,5/18,5).
.Pintas 05 (Juca) - nariz fechado a abrir no decorrer da prova, fino e elegante, taninos ainda não domados, final longo. Aguenta bem mais 5/6 anos. Nota 17,5 (noutras 18/17,5/18,5/18+).
.Batuta 05 (Paula) - aroma pesado, notas achocolatadas, acidez discreta, taninos macios, final de boca médio, uma desilusão. A consumir desde já. Nota 16,5+ (noutras 18,5/18,5/18+/18,5).
.Batuta 04 (Raul) - notas vegetais, acidez no ponto, estrutura e final de boca médios; falta-lhe algo, outra desilusão. Nota 16,5 (noutras 17+/18,5/18/18+/17,5+).
Provámos ainda, mas agora com a garrafa à vista, um surpreendente Moscatel do Douro da zona de Favaios, com mais de 40 anos, sem rótulo. Uma simpática oferta do João Chedas.
A fechar e pago por todos, provámos um Verdelho 1913, ainda cheio de juventude.
Uma boa jornada, embora não conclusiva. Obrigado João Quintela, podes continuar!

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