quarta-feira, 13 de março de 2013

Um salto a Coimbra

1.Uma simpática oferta da CGD, por utilização do cartão de crédito, fez-me rumar ao Hotel da Quinta das Lágrimas, membro da cadeia "Small Luxury Hotels of the World". Qualidade pura, merecedora de todos os encómios. Resta esclarecer que não tive a oportunidade de comer no Arcadas, pois já vinha atestado do almoço no Manjar do Marquês. Contentei-me com uma refeição leve no bar, que me soube muito bem.
2.Não sendo este blogue, obviamente, um espaço dedicado ao turismo, não resisto a partilhar com quem frequenta o enófilo militante, 3 visitas em Coimbra que recomendo e considero imperdíveis:
.Visita guiada à Universidade de Coimbra, a marcar com 2/3 dias de antecedência. Escolhi o Programa A que contempla a Sala dos Capelos, Sala do Exame Privado, Sala das Armas, Capela de S. Miguel, Biblioteca Joanina e Prisão Académica.
.Visita ao Museu Nacional Machado de Castro, que esteve fechado cerca de 8 anos para "(...) obras de requalificação e ampliação dos espaços arquitectónicos e museológicos (...)", com destaque para o criptopórtico, talvez a obra mais importante de arquitectura romana existente em Portugal.
.Visita ao Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, monumento nacional, alvo de um amplo projecto de valorização, onde se podem ver as ruínas e o respectivo espólio arqueológico.
3.Na área da gastronomia, o  ponto mais alto desta viagem foi, sem sombra de dúvida, o almoço no Manjar do Marquês, nos arredores de Pombal. É de espantar como se consegue manter a alta qualidade da comida tradicional num restaurante com esta dimensão (2 salas, uma delas com capacidade para mais de 100 mastigantes). É obra!
A cozinha é orientada pela D. Lourdes e, na sala, pontifica o seu filho Paulo Graça que, além de saber receber os clientes, está perfeitamente à vontade nos vinhos. É o grande responsável por a Revista de Vinhos ter considerado o seu espaço como "Restaurante Amigo do Vinho". Há sempre um vinho da semana, a preço contido. Desta vez era o tinto Quinta de Saes (2,70 € o copo), que não tive a ocasião de provar, pois o Paulo Graça trouxe para a mesa uma garrafa já aberta de Bouchard Père & Fils 2008, Appelation Volney Premier Cru Controlée, Ancienne Cuvée Carnot, Chateau de Beaune, Cote d' Or. Uf, estes rótulos franceses são mesmo cansativos! Um belo vinho a fazer lembrar um bom bairrada já com alguma idade. Especiado, notas de caril e tabaco, belíssima acidez a prometer longevidade, elegante, taninos macios e estruturado. Foi servido num excelente copo Riedel (borgonhês) a uma temperatura irrepreensível. Nota 18.
O que comi? Queijo fresco, pastéis de bacalhau, filetes com arroz de tomate (o ex-libris da casa) e grelos de couve. Veio ainda para a mesa, por iniciativa da D. Lourdes, um excelente arroz de berbigão e um estimável bolo económico. A fechar, mais uma oferta do Paulo Graça, o Krohn Branco 1964 (engarrafado em 2010), já aqui descrito, a fazer lembrar um Moscatel de Setúbal já com alguma idade.
Grande repasto! Obrigado, Paulo Graça!

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