quinta-feira, 11 de abril de 2013

Jantar Companhia das Quintas

Estive no Rubro há cerca de 2 anos, onde participei num jantar com vinhos do Rui Cunha. Na altura disse bem de tudo, conforme se pode ler na crónica "Jantar de Vinhos Secret Spot no Rubro, publicada em 26/5/2011. Desta vez fui, quase que exclusivamente, por consideração com o Jorge Serôdio Borges que muito prezo, sem desprimor para outras pessoas presentes.
Agora já não subscrevo o que disse na altura. A gastronomia, a cargo do Filipe Quaresma (um nome a reter) manteve o mesmo padrão de qualidade, mas considero que o Rubro não tem um mínimo de condições para organizar jantares vínicos nesta altura do ano. No verão, com os participantes a tapear cá fora, ainda funciona, mas sem esta possibilidade é a grande confusão, com gente a mais e espaço a menos.
Até às 21 h, os participantes podiam provar 2 espumantes (Qtª da Romeira e Prova Régia), 1 branco (Prova Régia Premium) e 1 tinto (Fronteira) e petiscar umas excelentes tapas, num espaço exíguo, cruzado pelos empregados que levavam comida para os clientes não-participantes e traziam loiça suja.
Às 21 h falaram os enólogos da Companhia das Quintas, o Jorge S. Borges com os vinhos do Douro e o João Correia com os restantes. Só que apenas parte dos participantes prestava atenção, pois a maioria estava junto do bar, provando e produzindo ruído em excesso. Os enólogos presentes mereciam outra dignidade. Na sala do andar de cima, onde decorreu a 2ª parte do evento, as mesas e os bancos eram corridos e pouco confortáveis. Teria sido simpático, da parte do Rubro, a elaboração de uma ementa com indicação do que se ia comer e beber no decorrer do repasto. Fica o desabafo. Uma nota positiva: o Jorge ficou na mesa do meu grupo (onde estava o Juca e familiares).
Mas chega de introdução e vamos aos beberes e comeres:
.Morgado Stª Catherina 10 - citrinos, notas fumadas, gordura e acidez, equilibrado e elegante, boa estrutura e final de boca; um dos melhores brancos que se fazem em Portugal. Nota 17,5+ (noutras situações 17,5+/17,5). Acompanhou um shot de creme de ervilhas com presunto crocante e umas pequenas entradas (mil folhas de maçã e polvo com batata doce).
.Qtª Fronteira Reserva 09 (Douro Superior) - fruta vermelha intensa, concentrado, acidez nos mínimos, taninos aveludados e muito guloso. Nota 16,5. No ponto para consumir. Servido com folhado de vitela e codorniz selvagem com cogumelos.
.Qtª Fronteira Grande Escolha 09 (Douro Superior) - com base na T.Nacional e T.Franca; aroma intenso, notas florais, especiado, complexo, fresco, acidez equilibrada,  taninos presentes mas civilizados, estrutura e final longo. Nota 18. Melhor daqui a 5/6 anos. Casou bem com o choleton típico da casa.
.Qtª Romeira Colheita Tardia 09 - demasiado discreto, déficite de acidez, plano, corpo e final medianos. Foi o elo mais fraco. Nota 14,5.
Em conclusão, gastronomia em alta e fracas condições para dignificar um jantar vínico deste tipo.


5 comentários:

  1. São pormenores aos quais hoje se liga pouco, mas que sem dúvida deveriam ter muito mais atenção da parte de quem organiza os eventos.

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  2. gosto de vários vinhos da companhia, em particular na gama mais acessível a relação preço-qualidade da série "seleccção do enólogo", sobretudo o pancas e o fronteira. mas dos grande escolha só conheço ainda o farizoa, que já está a um bom nível. já o morgado, sou fã incondicional.

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  3. Obrigado Carlos Janeiro e L.(não quer descodificar o seu nome?) pelos vossos comentários.

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  4. L. significa simplesmente luís... pedroso apenas para completar com o apelido, mas basta o primeiro nome. não tem nada que agradecer, é um dos blogues que vou seguindo com todo o gosto.

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  5. Observações pertinentes, sem dúvida, no que diz respeito à organização do espaço.

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