terça-feira, 11 de junho de 2013

Almoço com Vinhos da Madeira (9ª sessão) : o regresso a Porto Covo

Todos os elogios que se possam fazer aos anfitriões, a Natalina e o Modesto Pereira, já foram aqui publicados há quase 1 ano (ver "Generosos do século XIX à prova em Porto Covo", em 31/7/2012). pouco mais há a acrescentar. Eles esmeraram-se, embora o tempo não tivesse ajudado.
Este núcleo duro dos Madeiras esteve desfalcado, o casal J.Rosa/Marieta não poude comparecer (falta justificada), mas cumpriu o compromisso de entrar com 1 garrafa de vinho tinto. Além de vinhos, o grupo também levou entradas e sobremesas, para aliviar os donos da casa.
O evento iniciou-se com as boas vindas, tendo os anfitriões servido o espumante Vértice Millésime 2007, a acompanhar com frutos secos. Cumpriu bem a sua função.
Seguiu-se-lhe o Soalheiro Alvarinho 2012, uma aposta sempre segura, também oferta dos Modestos, a acompanhar bem uma série de entradas (pimentos recheados, tarte de alho francês e bolas de chevre com mel e noz). Continuou com uma bela sopa de garoupa e ameijoas.
O corte no palato foi feito pelo Cossart Gordon Sercial 1960, sem data de engarrafamento (da garrafeira do Juca) - algo turvo, nariz preso, mas a dar a perceber que o vinho esteve mais de 50 anos em contacto com o vidro, notas de iodo, brandy, caril, vinagrinho evidente, boca poderosa e final longo. Nota 18 (noutra situação 18,5).
Seguiu-se uma estimável lebre com feijão, a pedir tintos. Compareceram 3 da colheita 2008 de diferentes regiões (Bairrada, Alentejo e Douro) e num patamar alto de qualidade, cuja hierarquização dependeu do gosto pessoal de cada um de nós. Desfilaram, então:
.Calda Bordaleza (levado pelo Alfredo) - estagiou cerca de 2 anos em barricas novas de carvalho francês, com base nas castas Cabernet Sauvignon (45%), Merlot (30%) e Petit Verdot (25%); nariz exuberante, muita fruta, notas vegetais, boa acidez, fino e elegante, taninos firmes e civilizados,  profundidade e apreciável final de boca. A Bairrada moderna no seu melhor. Nota 18+.
.Solar dos Lobos Grande Escolha (trazido por mim) - 1º Prémio da Confraria dos Enófilos do Alentejo e Prémio Excelência da RV; estágio de 2/3 em barricas novas e o restante em barricas usadas; fruta exuberante, concentrado, acidez no ponto, madeira discreta, taninos de luxo e macios, bom final de boca, todo ele equilibrado. Nota 17,5+ (noutra 17,5+). A melhor ligação com a lebre.
.Qtª do Vesúvio (oferta do José Rosa, que não poude participar) - estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; fresco, elegante e muito equilibrado, acidez no ponto, taninos civilizados, estrutura e bom final de boca. Nota 18.
A terminar, um festival de sobremesas (tábua de queijos, pão de ló, mousse de chocolate, pudim Abade de Priscos, pudim de ovos, pinhoadas e bolo de mel da Madeira, que pode ser adquirido, passe a publicidade, na Pastelaria Lua, na Rua das Carreiras,78 Funchal). Desfilaram, então, 3 Madeiras:
.FEM Verdelho Muito Velho (da garrafeira do Adelino) - cristalino, notas de iodo e caril, belíssima acidez, estrutura equilibrada, delicado e harmonioso, final interminável. Bebi-o em copo Siza Vieira e em copo de tinto, que o potencia muito. Experimentem e vejam a diferença... Para mim, o vinho da tarde. Nota 19 (não me canso de o beber; noutras 18,5+/19/19/18,5/18,5/18/18,5/18,5/18,5+).
.Blandy Bual 77, engarrafado em 2009 (levado pelo João) - notas de iodo e caril, vinagrinho bem presente, boca potentíssima e final interminável; prejudicado pelo facto de ter sido provado loga a seguir ao FEM. Nota 18,5 (também não me canso de o beber; noutras 19/19+/18/19/17,5/18/18,5/18/18,5/18,5/18,5+/19/18,5/18,5).
.Cossart Gordon Terrantez 77, engarrafado em 2004 (da garrafeira do Modesto) - nesta altura do campeonato já tinha o palato deveras cansado, o que prejudicou a apreciação deste vinho. Nota 17,5 (noutra 18).
Mais uma grande jornada. Obrigado Natalina e Modesto. Esperamos voltar! 
.

Sem comentários:

Enviar um comentário